quinta-feira, 28 de agosto de 2025

Amor de compaixão

                                                


Amor de compaixão

Senhor Jesus, Vós que jamais propusestes uma religião que adormeça a consciência dos pobres, dos aflitos, assegurando-lhes um futuro feliz; concedei-nos a graça de viver uma religião que se expresse em sagrados compromissos de amor e solidariedade para com nosso próximo, sobretudo os que mais necessitam.

Senhor Jesus, Vós não nos ensinastes a pensar apenas no depois, tanto que destes pães a quem tinha fome, consolastes os aflitos, acolhestes os marginalizados, curastes os doentes e jamais Vos vingastes das rejeições ou ofensas recebidas; ensinai-nos o mesmo fazer no tempo presente.

Senhor Jesus, Vós aos proclamardes que os pobres são bem-aventurados, revelastes que Vosso Pai é sensível à dor e à pobreza da humanidade, e que vem sempre ao encontro dos pobres; fazei-nos sensíveis à pobreza destes e tenhamos a compaixão, como expressão de participação na dor do outro.

Senhor Jesus, Vós nos ensinastes que, viver as bem-aventuranças, é crer no Deus que nos acompanha sempre, cheio de compaixão, não porque méritos tenhamos, mas porque nos ama, dai-nos olhos abertos e capazes de ver o rosto daquele que mais sofre, vivendo assim a religião da compaixão. Amém.


Fonte de inspiração – Lecionário Comentado – Editora Paulus – Lisboa 2011 – p.314

“Se quiseres encontrar misericórdia”

Se quiseres encontrar misericórdia”

Misericórdia:

Expressão da ternura amor de Deus,
Abundantemente derramada no Seu Sagrado Coração trespassado.

Se quiseres encontrar misericórdia, nos convida Santo Agostinho:

“Se quiseres, porém encontrar misericórdia,
Antes de Sua chegada perdoa.
Se algo foi feito contra ti, dá do que tens em abundância...
Se
 desses do que é teu, seria liberalidade,
Quando dás do que é d’Ele é devolução”

A misericórdia que vivenciamos é devolução,
Porque antes o Amor de Deus foi derramado em nosso coração.
Em permanente tempo de Páscoa, na alegria da Ressurreição,
Eis para mim e para ti tão bela missão!

Em poucas palavras...

                                               


Antes, adquirir virtudes

“Procurai adquirir as virtudes que julgais faltarem nos vossos irmãos, e já não lhes vereis os defeitos, porque vós mesmos não os tereis” (1)

 

(1) Santo Agostinho, Comentário sobre os salmos, 30, 2, 7

Uma conversa hipotética e interminável...

                                                               

Uma conversa hipotética e interminável...

Livre pensar sem pretensão alguma mais, 
a não ser de ajudar a crescer e amadurecer 
no que há de essencial do cristianismo: Amar!

Livre pensar para evangelicamente amar!
Livre pensar para o Mandamento Maior vivenciar.

Livre pensar para melhor viver e proclamar.
Livre pensar para o amor anunciar e testemunhar!

Apóstolo Paulo, diga-me duas palavras apenas sobre o amor:

 O amor é a plenitude da lei” e “O amor jamais passará”
(muito mais do que três você poderia dizer com suas Cartas).

E permita-me pedir a terceira:

 “Nada fiqueis devendo, a não ser o amor mútuo”.

Santo Agostinho, diga-me duas palavras também:

 A medida do amor é amar sem medida."
 “Ame e faça o que quiseres”.

E uma terceira, se também eu puder pedir:

 “Tarde Te amei, ó beleza tão antiga e tão nova...”

Transcorridos séculos pergunto a um cantor/poeta:

 Qual é o sinônimo de amor e ele me responderá:
 “Sinônimo de amor é amar!”

E um outro assim cantou:

 "Por ser exato, o amor não cabe em si. Por ser encantado, o amor revela-se. Por ser amor, invade e fim".

Hipotética e interminável conversa, 
por que o amor é indizível!

Quanto se diga, quanto se há de viver...
Quanto há de se amar, dívida salutar...
A dívida de amor é amar!

Ó maravilhosa dívida que a todos nos enriquece,
Quanto mais a pagamos,
Mais a vida de teias consistentes se tece!

Reconciliados pelo Sangue de Cristo

 


Reconciliados pelo Sangue de Cristo

Sejamos enriquecidos pelo comentário sobre os salmos, escrito pelo bispo Santo Ambrósio (séc. IV), em que nos apresenta Jesus Cristo, que por Seu Sangue reconciliou o mundo com Deus.

“Se Cristo reconciliou o mundo com Deus, então não necessitava Ele de reconciliação. Por qual pecado Seu expiaria, se não conheceu pecado algum? E ainda, ao pedirem os judeus a didracma que, pela lei, se dava pelo pecado, disse a Pedro: Simão, de quem os reis da terra recebem tributos ou impostos, de seus filhos ou dos estranhos? Respondeu Pedro: Dos estranhos, e o Senhor: Logo, os filhos estão livres. Mas para não lhes causarem embaraço, lança o anzol e tira o primeiro peixe que apanhar, abre-lhe a boca e encontrarás um estáter; toma-o e paga-o por mim e por ti (Mt 17,25-27).

Demonstrou, assim, não ser obrigado à expiação de pecados; não era servo do pecado, mas livre de todo erro o Filho de Deus. O Filho liberta, o servo é réu. Logo, livre de tudo, não tem Ele de dar o preço de redenção de Sua alma; o preço de Seu Sangue pode derramar-se pelo universo para redimir o pecado de todos. Com justiça liberta a outros, quem nada deve por Si.

Digo mais. Não apenas Cristo não tem preço a pagar por Sua redenção ou expiação pelo pecado, mas, a respeito de qualquer homem, pode-se entender não deva cada um pagar o próprio resgate. Porque a expiação de todos é Cristo, é a redenção do universo.

De que homem será o sangue capaz de alcançar sua redenção, se pela redenção de todos Cristo já derramou Seu Sangue? Haverá sangue comparável ao Sangue de Cristo? ou que homem tão poderoso que possa dar algo pela própria expiação, de maior valor do que a expiação que Cristo ofereceu em Si mesmo, Ele, o único a reconciliar por Seu Sangue o mundo com Deus? Que maior Hóstia, que sacrifício mais excelente, que melhor advogado do que Aquele que pelo pecado de todos Se fez súplica e entregou a vida como redenção por nós?

Não se cogita da expiação ou redenção de cada um, porque o preço de todos é o Sangue de Cristo, com o qual o Senhor Jesus nos redimiu e só ele nos reconciliou com o Pai, e trabalhou até o fim, pois assumiu nossas tarefas ao dizer: Vinde a mim, todos vós que lutais, e Eu vos aliviarei (Mt 11,28).” 

Glorifiquemos a Deus que, pelo Sangue de Seu Filho, nos alcançou a reconciliação, para que com a presença do Espírito, vivamos a vida nova que alcançamos pela graça do Batismo.

Reconciliados com Deus, podemos estabelecer vínculos de comunhão e fraternidade, superando toda e qualquer forma de violação da vida.

Reconciliados pelo Sangue de Cristo, como novas criaturas, somos chamados, como discípulos missionários, a buscar sempre as coisas do alto (Cl 3,1-3).

Glorifiquemos ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo. Amém.

Em poucas palavras...

                                                          


Jesus: ora em nós, por nós e recebe a nossa Oração 

“Ele ora por nós como nosso Sacerdote; ora em nós como nossa cabeça e recebe a nossa Oração como nosso Deus. Reconheçamos n’Ele a nossa voz, e em nós a Sua voz. (...) 

Ele ora na Sua condição de servo, e recebe a nossa Oração na Sua condição de Deus; ali é criatura, aqui o Criador; sem sofrer mudança, assumiu a condição mutável da criatura, fazendo de nós, juntamente com Ele, um só homem, cabeça e corpo. Nossa Oração, pois, se dirige a Ele, por Ele e n'Ele; oramos juntamente com Ele e Ele ora juntamente conosco.”  (1)

 

(1) Santo Agostinho, Bispo e Doutor da Igreja – séc. V 

quarta-feira, 27 de agosto de 2025

Marcas de uma Comunidade Cristã

                                                                  

Marcas de uma Comunidade Cristã

“Aspirai aos dons mais elevados” (1Cor 12,31)

Ó Unidade por Cristo sonhada, querida, rezada:

Há um só corpo, um só Batismo, um só Senhor.
Há algo que tomou o coração e a mente de Paulo:
A construção de relações fraternas na comunidade,
Amadurecidas e testemunhadas pela unidade.

Unidade pelo próprio Cristo sonhada, querida, rezada
Naquele capítulo tão maravilhoso, inesquecível:
“Pai, que todos sejam um, como eu e Tu ó Pai somos um”
Ora por nós, em nós e recebe a nossa Oração.

Ele ora por nós porque é nosso Supremo Sacerdote,
Ele ora em nós como cabeça da Igreja que somos,
Recebe a nossa Oração, porque com Pai e o Espírito,
Maravilhosa Comunhão Trinitária Eterna contemplamos.

Ó Complementaridade por Paulo refletida, anunciada, exortada:

Na página tão bela e tão iluminadora aos Coríntios, e a nós,
O Apóstolo Paulo nos fala da diversidade de dons distribuídos,
Comunidade enriquecida, se não houver apropriação pessoal dos dons,
Verdadeiramente, a nós nada falta se dons infinitos partilhados.

Bela diversidade de dons, carismas e ministérios,
Para tornar credível e anunciável em missão ininterrupta.
Por todo o mundo a mais bela notícia não mais se cala:
Reina o Senhor, Vive o Senhor, somos Suas testemunhas.

Quão mais bela é a comunidade, e assim também o mundo,
Se cada um, por amor, os dons souber disponibilizar, partilhar,
Sem nada para si reter, alegremente multiplicar.
Assim é Deus, quando somamos, Ele multiplica.

Ó subsidiariedade, por Paulo, também implicitamente proclamada:

Cada um fazendo bem e com muito amor o que lhe é próprio,
Sem ciúmes, cobiças, usurpações, procuras de primeiros postos.
Na humildade e simplicidade, doando-se e doando o que se tem de melhor,
Em diálogo, confiança, colaboração recíproca, fale mais alto o Amor.

Dentro e fora da comunidade, sem omissões, perda de tempo...
Economizando tempo nas críticas que nada constroem,
Otimizando o tempo no realizar e no cuidar do que foi confiado,
Porque um dia, todos teremos que contas a Deus prestar.

Como será mais bela a Igreja e também o mundo
Se este simples princípio não for olvidado,
Se nos acompanhar a cada instante,
Pois há um mundo a ser transformado.

Unidade, complementaridade, subsidiariedade,
Compreendidas, vividas, solidificadas,
Comunidade sinal do Reino mais será,
Instrumento de um mundo novo, quem duvidará?

Somente assim o canteiro do coração será preparado
Para a acolhida do dom maior e mais alto
A ser mais do que aspirado, vivido, fortalecido;
Dom maior do amor que também Paulo nos falou.

Quanto mais verdadeiro o amor cristão vivido,
Mais conteúdo sólido e veraz da fé teremos,
Mais largo e eterno será o horizonte da esperança,
Que nos leva a avançar sem medo à pátria futura.

Amém...

Quem sou eu

Minha foto
4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG