sexta-feira, 22 de agosto de 2025

Discípulos em permanente vigilância e oração (22/08)

                                                  

Discípulos em permanente vigilância e oração

No 20º sábado do Tempo Comum, ouvimos a passagem do Evangelho de Mateus (Mt 23,1-12).

Refletimos sobre as atitudes que devem marcar a vida do discípulo missionário de Jesus, vivendo a alegria da missão, para que a Igreja viva a sua essência evangelizadora, e sejamos uma Igreja em saída, como tem insistido o Papa Francisco.

Sendo assim, o discípulo de Jesus, carregando a cruz cotidiana rumo à glória eterna, não pode:

- Se curvar à hipocrisia:
- Ser ambíguo com dupla moral (fala uma coisa e vive outra);
- Ter uma espiritualidade superficial;
- Viver um moralismo empobrecedor;
- Ser incoerente;
- Nutrir um formalismo religioso (religião separada da vida);
- Ser intolerante com os mais fracos;
- Deixar o sentimento de vaidade tomar conta de seu coração;
- Ser desobediente à Lei divina;
- Mergulhar no pecado e na infidelidade.

É próprio do Discípulo de Jesus, a serviço do Reino:

- O Amor em tudo e acima de tudo por Deus e ao próximo;
- Procurar a perfeita coerência;
- Viver a humildade;
- Dar corajoso testemunho da fé;
- Aprofundar a fidelidade à Palavra Divina;
- Simplicidade e prudência;
- Disponibilidade para o serviço; 
- Promoção do bem comum;
- Irradiar alegria;
- Obediência à Igreja e seus ensinamentos.

Iluminadoras são as palavras de Santa Teresa, para o fortalecimento da espiritualidade no seguimento de Jesus: “Amor traz amor”. Quanto mais o Amor de Deus tomar conta da vida do Discípulo, mais amor trará não somente para si, mas para aqueles que consigo vivem. O povo simples diz “quem planta amor, colhe amor...”

Assim, também, sejamos iluminados pelo Conselho de São João da Cruz: “Onde não há amor, põe amor e tirarás amor” .

Alarguemos o horizonte da nossa missão e nos encoraja na missão de discípulos missionários, rumo à glória eterna, e para isto, urge que sejamos vigilantes e orantes no discipulado, revendo nossas atitudes, para que sejamos mais verdadeiramente configurados ao Senhor.

“Maria, aurora de um mundo novo” (22/08)

                                                                  

“Maria, aurora de um mundo novo

“Ó Maria, aurora de um mundo novo, vem
nos ensinar a acolher, a celebrar e a testemunhar!”

Celebramos, no dia 22 de agosto, a Memória de Nossa Senhora Rainha, oito dias após a Celebração de sua Assunção aos céus, de corpo e alma, numa estreita ligação entre a Assunção e a glorificação de Nossa Senhora:

“A realeza messiânica é o estado a que são destinados todos os cristãos. Maria foi a primeira a realizar em si a promessa de Jesus: ‘Comereis e bebereis à minha mesa no meu reino e sentar-vos-eis em tronos para julgar as doze tribos de Israel (Lc 22,28-30)'”. (1)

Maria, Mãe e Rainha, é a aurora de um mundo novo, e nos ensina a acolher:

- em nosso coração, cotidianamente, a semente do Verbo;
- os Mistérios e desígnios de Deus sem mesmo os compreender;

- as alegrias e também as tristezas que fazem parte da vida;
- a vida desde sua concepção até seu declínio natural;

- o irmão e a irmã da comunidade, para além das diferenças que nos marcam;
- as diferenças culturais que entre nós possam existir;

- as cruzes que forem transpassadas em nossa alma, como bem soube acolher;
- as dores da Sexta-Feira Santa, a escuridão que separou a acolhida do Mistério da Alegria na madrugada da  Ressurreição.

Maria, Mãe e Rainha,  é a Aurora de um mundo novo, e nos ensina a Celebrar:

- a tradição do povo na apresentação do Senhor;

- a Páscoa, não mais a Páscoa do Egito, mas a Páscoa do seu Filho;
- as vitórias e também as inevitáveis aparentes derrotas, pois no seu Filho e com Ele somos mais que vencedores;

- a dureza da caminhada, as pedras e espinhos dos caminhos, que entre rosas vamos colhendo, aceitando com agradecimento;

- a fé no presente, ancorados pela esperança, para que esta mesma num futuro se concretize, incansáveis mergulhos no escuro, para emergir na claridade de sua luz.

Maria, Mãe e Rainha, é a Aurora de um mundo novo, e nos ensina a testemunhar:

- com a palavra e a vida a fé que em seu Filho professamos;
- que a Vida venceu a Morte;

- que seu Filho tendo nos amado, nos amou até o fim, e a mesma coisa devemos fazer;
- que o Reino por seu filho inaugurado ao mundo deve ser anunciado;

- com coragem como ela fez, uma mulher pura, guerreira, lutadora e fiel;
- que somente o bem poderá vencer todo mal;

- que temos em nós a morada preciosa de seu Filho, porque como templos do Espírito, somos portadores de inalienável sacralidade;

- que foi para a liberdade que seu Filho por nós a Vida entregou, para que em Seu Espírito a liberdade plena e divina todos os dias vivenciar;

- que seu Filho é a Verdade que nos liberta e nos faz verdadeiramente livres;
- que com seu Filho seguimos e não andamos nas trevas, mas temos a luz da vida.

- que vivendo e acreditando em seu Filho, alcançaremos a Vida Eterna;
- que na provisoriedade do Banquete Sagrado, participa conosco e aponta para o Banquete da Eternidade.

Recorramos sempre a Maria, aurora de um mundo novo. Ela mãe e mestra, em cujo coração as virtudes em beleza se rivalizam, sempre algo novo a nos dizer terá, sempre algo novo em nosso coração colocará, Ela que está sentada à direita do Filho, Ela que é nossa Mãe e Rainha. Amém.


(1) Missal Cotidiano – Ed. Paulus p. 1718

Mãe, Rainha e Mestra, contigo aprendemos...(22/08)

                                                                   

Mãe, Rainha e Mestra, contigo aprendemos...

 “Ó Maria, aurora de um mundo novo, vem
nos ensinar a acolher, a celebrar e a testemunhar!”

Contigo, ó Maria, o aprendizado é eterno e inesgotável; há sempre algo a ser reaprendido, uma vez que algumas coisas são passíveis de mudança, carregando em si o germe da superação, adaptação, atualização…

Não há ninguém melhor do que tu, ó Maria, para nos ensinar, porque não apenas falaste, mas praticaste o que ensinaste! E és Mãe e Mestra, porque soubeste, antes, ser discípula do Senhor.

Maria, contigo aprendemos o que ainda não conhecemos para que melhores e mais fiéis à Palavra do Teu Filho sejamos.

Maria, contigo reaprendamos o que, eventualmente, possamos ter escondido, ou condenado à inatividade, ao esquecimento, às cavernas escuras que carregamos.

Maria, contigo reaprendemos as belas lições que nos acompanham por toda a vida, e outras que só descobriremos na glória do céu, se merecermos a tua face contemplar.

Contigo, reaprendamos a contemplar os lírios do campo e os pássaros; aprendamos a vida simples e a confiança na providência divina, como aprendeste com o Mestre e Salvador, teu Filho.

Contigo, reaprendamos a olhar as crianças para vivermos a  simplicidade, a pureza, a confiança, a sinceridade dos sentimentos que tinhas em teu Imaculado Coração.

Contigo, reaprendamos a sonhar, a romper a barreira do que é aparentemente impossível, renovando a energia e a vitalidade, num incansável se consumir, com renovados e sagrados compromissos.

Contigo, ó Maria, renovamos nosso olhar para com os mais vividos e aprendemos a valorizar suas histórias, sem imputar-lhes censuras, mas com a paciência necessária, ouvindo e acolhendo o que faz sentido para repensar o nosso existir.

Ó Maria, contigo aprendemos que cabelos brancos não vieram por acaso, são da ousadia de ter vivido, com a morte e o fim se defrontado, incansavelmente; e assim, aprender com as histórias, com seus erros e acertos.

Contigo, poetisa de Deus, reaprendemos a sonhar, reencantar, nas entrelinhas das palavras, beleza diferente saborear.

Ó Maria, reaprendemos com o teu olhar que a frieza e a dureza de uma pedra podem ser a consistência e a firmeza que tanto buscamos.

Contigo reaprendem os místicos, que se elevam com a fumaça do incenso, saindo da mesmice do cotidiano, fazendo subida e mergulho no Mistério do Absoluto.

Ó Maria, contigo reaprendemos que a vida é muito mais que a materialidade vista.

Contigo reaprendemos sobre naturalidade da vida, em sadia espiritualidade, no encontro com o Absoluto – Deus.

Ó Maria, contigo reaprendemos os princípios fundamentais da existência: amor, verdade, justiça e liberdade.

Contigo, Ó Mãe e Rainha, aprendemos a colocar a vontade divina acima de tudo, para que melhor saibamos crescer e dominar o universo, sem o imperdoável esgotamento de suas riquezas; reaprendemos que dominar o planeta, o universo não é sinônimo de prepotência, uso inconsequente das riquezas que em nossas mãos foram colocadas.

Contigo, Ó Mãe e Rainha da Paz, aprendemos que a humanidade deve pôr fim às guerras, para que não aconteça o inverso.

Ó Mãe da Sabedoria, nos ensine a linguagem do Espírito, que é a linguagem do amor,  que une povos e nações.

Ó Mãe da Sabedoria, que sabes falar as línguas de todos os povos, mais que reaprender regras ortográficas anunciadas, possamos aprender a verdadeira e indispensável comunicação que é a relação pessoal, diálogo, conversas edificantes.

Contigo, Ó Rainha e Cantora da esperança dos pobres, reaprendamos com os utópicos e militantes que não se curvam à ditadura, que outro mundo é possível.

Contigo, Ó Mãe da Humanidade, tomemos consciência de que a inevitável globalização tem seus aspectos positivos, (comunicação, locomoção, maiores acessos em todos os sentidos, agilidade, mais informações, a informatização, a virtualidade etc.), mas que há ainda algo que contigo podemos aprender: globalizar as possibilidades, superar disparidades e desigualdades, globalizar a solidariedade.

Finalmente, ó Rainha, Mãe e Mestra, nos ensine a aprender com os recuos das ondas, que fazem de cada recuo um ponto para um novo avanço, uma nova etapa.

Ó, como é bom aprender contigo, Mãe, Rainha e Mestra!

Renovemos nossa esperança e confiança no Senhor (22/08)

                                                              

Renovemos nossa esperança e confiança no Senhor
 
Celebrando a Memória de Nossa Senhora Rainha, ouvimos a passagem do Livro do Profeta Isaías (Is 9,1-6).
 
Este trecho é uma pequena suma teológica, como lemos no Comentário do Missal Dominical:
 
“Depois de ter evocado a triste situação do povo no exílio (v.1a), o profeta apresenta a salvação em seu aspecto de luz (v.1; Jo 8,12). De alegria (v 2; Lc 2,9-10) de libertação (v.4; Cl 1,12-14; At 26,18) e completa o seu cântico com a descrição do libertador (vv.5-6)”. (1)
 
Refletimos sobre a alegria no meio das trevas de um povo deportado: o Nascimento de um Menino com títulos ilustres; promessa de um futuro de paz, de justiça e direito para todos.
 
As maravilhas realizadas pelo Senhor do Universo com todas as virtudes dos heróis de Israel, tem a Sabedoria de Salomão; a coragem de Davi; a piedade de Moisés e dos Patriarcas. Ele é o verdadeiro Emanuel (Is 7,14; Gn 3,15; 49,10; Mq 5,1-3; Zc 9,9; 2 Sm 7,12-16).
 
Vivendo também tempos difíceis e desafiadores para a fé que professamos, no Senhor, nossa confiança e esperança
são sempre renovadas,
de modo que iluminados pela Divina Luz,
somos enviados para comunicar a Sua Divina Luz
no mundo.
Amém.
 
(1) 
Missal Dominical – Editora Paulus – pág. 87

Os inseparáveis amores: Amor a Deus e ao próximo (21/08)

                                                       

Os inseparáveis amores: Amor a Deus e ao próximo

O Mandamento do Amor é a essência da vida cristã

Na Liturgia da Sexta-feira da 20ª Semana do Tempo Comum ouvimos a passagem do Evangelho de São Mateus (Mt 22,34-40), e refletimos sobre a inseparabilidade do amor a Deus e ao próximo, que são os maiores Mandamentos da Lei Divina.

Amor que está no centro da experiência cristã, pois Deus espera que cada coração humano esteja submergido no Seu Amor.  Imersão no Amor de Deus para transbordar, comunicar o amor ao próximo: eis o sentido do existir e do ser cristão em todo tempo.

É oportuno que voltemos a passagem do Livro do Êxodo (Ex 22,20-26), que nos remete ao “Código da Aliança”, que se trata de um conjunto de prescrições, soluções, disposições justas, sãs e sólidas que norteiam, orientam a conduta humana nas mais diversas situações.

Esta passagem é como um extrato deste Código: a defesa do pobre e da viúva (desprotegidos); a acolhida do estrangeiro (desenraizado); a defesa do pobre (carente e em extrema necessidade).

Somente a defesa destes é que manterá viva a Aliança de Deus com a humanidade. A dura experiência vivida no exílio leva ao aprendizado e a compromissos renovados, para que a vida e a liberdade sejam resplandecentes em cada amanhecer.

É preciso ver no rosto do pobre, do órfão, da viúva e do estrangeiro, o rosto de Deus.

Reflitamos:

- Onde estão eles em nossas comunidades?
- Como os amamos e os defendemos?

- Quais os espaços que ocupam em nossas preocupações, organizações e pastorais?
- Como não compactuar com situações que favoreçam o roubo da vida e da dignidade dos pobres?

Mais uma vez Jesus enfrenta os líderes religiosos de Seu tempo. Após as questões polêmicas do tributo a César e da Ressurreição (não acreditada pelos Saduceus), Jesus é interrogado sobre qual é o maior Mandamento.

Consideremos que os fariseus conservavam 613 mandamentos (sendo 365 proibições e 248 prescrições). Um verdadeiro emaranhado de preceitos e prescrições. 

Evidentemente, os pobres estavam impossibilitados deste conhecimento, e, pelos fariseus, eram considerados impuros e distantes de Deus.

A resposta de Jesus unifica e equipara os dois Mandamentos: “’Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda tua alma e de todo o teu entendimento!’ Esse é o maior Mandamento.

O segundo é semelhante a esse: ‘Amarás ao teu próximo como a ti mesmo’”. Com isto podemos afirmar que toda revelação de Deus se resume no amor: amor a Deus e ao próximo. A Lei e os Profetas são desdobramentos destes dois Mandamentos.

O Mandamento do Amor é o resumo de toda Lei, pois a vida cristã consistirá em viver o amor Trinitário, do Pai que nos ama, por meio do Seu Filho em comunhão com o Santo Espírito.

Tudo que Deus faz é simplesmente por amor, e esta é essencialmente a marca de Seu agir. Assim, tudo quanto fizermos, tanto os gestos mais grandiosos de fidelidade quanto os menores, se ausente o amor, perdem sua consistência.

Amando a Deus escutaremos Sua palavra e haveremos de nos empenhar no cumprir da vontade divina. No amor aos irmãos, haveremos de nos solidarizar com todos os que encontrarmos pelo caminho. O amor, a solidariedade, o serviço, a partilha, o dom da vida em favor do outro nos fazem adoradores de Deus, de fato.

Evidentemente, na vivência do Amor a Deus e ao próximo, Jesus fez cair as máscaras da hipocrisia de Seus opositores, que conhecedores da Lei, do Mandamento divino, mas tão apenas conhecedores, pois não os colocavam em prática, como Ele o fez em relação aos pequeninos, aos pobres, aos enfermos, aos marginalizados. Bem sabemos que este Amor que ama até o fim incomodou aqueles bem estabelecidos, porque com os preferidos de Deus jamais comprometidos.

O Missal Dominical nos enriquece com esta reflexão:

“O Mistério de Cristo, no seu todo, é vivido na Igreja, no conjunto de seus membros em todos os séculos.

O contemplativo serve aos homens servindo a Deus; o ativo serve a Deus servindo aos homens...

O Santo Cura D’Ars suspirava por um convento e pela solidão, enquanto se dedicava inteiramente aos homens; e os conventos deram à Igreja grandes Papas, Bispos, Reformadores e Missionários, que passaram da contemplação e da solidão à ação mais perseverante e ininterrupta”.

Na verdade, os dois Mandamentos são o resumo de toda a Bíblia: que a vontade de Deus seja feita, numa entrega cotidiana de amor em favor do Reino, fazendo da vida um dom total de si mesmo, como Jesus o fez - o Missionário amado pelo Pai, na força do Espírito, o Amor que nos acompanha em todo momento. 

quinta-feira, 21 de agosto de 2025

A veste nupcial da caridade (20/08)

                                                           

A veste nupcial da caridade

“Muitos são os chamados,
mas poucos os escolhidos” (Mt 22,14)

Reflexão à luz da passagem do Evangelho de Mateus (Mt 22,1-14), na qual Jesus nos fala sobre o convite ao Banquete Nupcial.

Vejamos parte do Sermão do Papa e Doutor da Igreja São Gregório Magno (séc. VI), sobre o que devemos entender por “veste nupcial”,  que nos fala a parábola.

“O que significa, irmãos, a veste nupcial? Não podemos dizer que signifique o batismo nem a fé, porque quem pode entrar sem eles nestas bodas?... Portanto, o que devemos entender por veste nupcial, senão a caridade? Entra, pois, nas bodas, mas não leva a veste nupcial, aquele que pertencendo à Igreja Católica tem fé, mas lhe falta a caridade.

Com fundamento se chama caridade a veste nupcial, visto que nosso Criador a teve quando foi para as bodas desposar-Se com a Igreja. De fato, somente o amor de Deus pode fazer que Seu Filho Unigênito una a Si as almas dos eleitos. Por isso diz São João: ‘Deus amou tanto o mundo que deu o Seu Filho primogênito’.

Logo, Aquele que veio aos homens por caridade deu a conhecer que a veste nupcial não era outra coisa que a própria caridade. Portanto, todo aquele que recebeu o Batismo e crê em Deus, entrou nas bodas, porém não vai com a veste nupcial se não conserva o dom da caridade...

'Porque muitos são os chamados, mas poucos os escolhidos’. Terrível é, caríssimos irmãos, o que acabamos de ouvir... É preciso, portanto, que todos nos humilhemos, tanto mais que ignoramos se estaremos entre os escolhidos.

Existem alguns que nunca deram início às boas obras; outros começaram a realizar o bem, mas não persistiram neste caminho. Há quem quase toda a vida foi mau, porém ao final se afasta de seus erros pela dor de uma verdadeira penitência; mas há, pelo contrário, quem parece viver uma vida santa, porém até o fim de seus dias cai no erro da maldade. Outros começam bem e terminam melhores; outros, pelo contrário, desde a sua juventude se precipitam no abismo dos vícios e terminam agindo do mesmo modo, piores cada vez mais.

Tema, por isso, cada um, já que ignora o que lhe resta, pois não deve esquecer: pelo contrário, deve repetir continuamente as Palavras do Evangelho: ‘Muitos são os chamados, mas poucos os escolhidos’” (1)

A participação no Banquete Eucarístico exige de nós esta “veste nupcial da caridade”. Por isso, é sempre oportuno revermos de que modo vivemos o essencial da fé cristã, o Mandamento do amor a Deus ao próximo, sendo que o amor a Deus está em primeiro lugar na ordem dos preceitos, e o amor ao próximo na ordem da execução, como lembra-nos o Bispo e Doutor Santo Agostinho (séc. V).

Oremos:

“Pai Santo, que convidais o mundo inteiro para as núpcias do Vosso Filho, concedei-nos a sabedoria do Vosso Espírito, para que possamos testemunhar qual é a esperança do nosso chamamento, e que nenhum homem recuse o Banquete da Vida Eterna ou a entrar nele sem a veste nupcial” (2)


(1)         Lecionário Patrístico Dominical – Editora Vozes – 2013 – p.232
(2)        Lecionário Comentado – Vol. II – p.539

PS: Aprofundando ainda mais a nossa reflexão, sugiro que retomemos o Hino da Caridade do Apóstolo Paulo aos Coríntios (1 Cor 13).

O Banquete Nupcial e a veste própria (20/08)

                                                    

O Banquete Nupcial e a veste própria
Ouvimos na Liturgia da quinta-feira da 20ª semana do Tempo Comum, a passagem do Evangelho de São Mateus (Mt 22,1-14).

Jesus se apropria de uma imagem muito bela para nos falar como deve ser o mundo que Deus deseja para nós: a imagem do “Banquete”.

Esta mesma imagem foi fortemente utilizada pelo Profeta Isaías, quando em meio a sinais de morte e desolação, comunicou o desejo de Deus, um horizonte  esperançoso e promissor: um Banquete de amor e vida a toda humanidade oferecido. O Profeta, com sua palavra, exorta à confiança e à esperança, numa nova era de paz e de felicidade sem fim, porque Deus vai destruir a morte para sempre e vai enxugar as lágrimas de todas as faces, eliminando assim, o opróbrio que pesa sobre o Seu povo.

Esta feliz imagem de esperança do Banquete perpassará os discursos proféticos e se verá realizada na pessoa e missão de Jesus.

Deus está sempre nos convidando para participarmos de Seu Banquete de: Amor, vida, felicidade, alegria, paz. Mas de outro lado respeita a nossa liberdade, sem nos dispensar da veste nupcial necessária para dele participar: amor, partilha, serviço, misericórdia e o dom da vida.

Precisamos viver a gratuidade, a solidariedade e a partilha com os que mais precisam, procurando nos revitalizarmos da força indispensável que só pode vir de Deus – “tudo posso naquele que me fortalece” (Fl 4,13).

Participar do Banquete de Deus implica em estarmos na mais perfeita e profunda comunhão, amizade e intimidade com Ele e com nosso próximo. Como batizados, fomos revestidos por Cristo e, deste modo, somos sinais de comunhão com o outro, para que nossa comunhão com Deus seja credível, agradável e sinal do Banquete Eterno que prefiguramos em cada Eucaristia que celebramos e participamos.

Quanto mais a comunidade vivenciar as exigências mencionadas, mais ela dará espaço para a intervenção divina, abrindo-se à ação da força que o Senhor nos comunica pela ação e presença do Espírito.

Quanto mais o cristão tiver o coração aberto à partilha e ao dom de si mesmo, em atitude de despojamento, de entrega e de empenho, mais poderá sentir a manifestação divina.

Quanto maior a alegria de colaborar na missão, mais comprometido com ela se sente.

Que nossas comunidades sejam mais solícitas, generosas, solidárias e missionárias.

Não há exclusão no Banquete do Reino, mas há uma exigência: a veste; que consiste na prática da justiça, da qual as autoridades do tempo de Jesus estavam  desprovidas, tanto que O rejeitaram e O condenaram à morte. Diferentemente, os publicanos, pecadores, prostitutas, os que se encontravam “nas encruzilhadas à beira do caminho” O aceitaram e responderam positivamente ao seu convite, pondo-se num caminho de abertura e conversão à Sua Boa Nova.

Tanto a aceitação do convite do Profeta à conversão como o convite de Jesus, implica em dar prioridade e corresponder à altura do Amor de Deus, em compromissos incansáveis com os valores do Reino.

Com o Batismo se dá o início desta aceitação e compromisso para uma vida em  comunidade. Nesta vivência da fé, tanto o batizado como a própria comunidade corre o grande perigo de perder seu entusiasmo inicial, com consequente instalação e acomodação, esvaziando assim as exigências do Evangelho. É preciso eliminar toda autossuficiência e viver em total atitude de humildade, de pobreza e de simplicidade, numa dinâmica de constante conversão, uma vez que a Salvação não é conquista findada.

Reflitamos:

- Tenho aceitado este convite do Senhor?
- Tenho me comprometido com este Banquete?
- Estou devidamente “vestido” para dele participar?
- Deus nos ama apesar e por causa de nossas fraquezas e nos convida para nos assentarmos à mesa com Ele. Qual é a nossa resposta?

Que saibamos dar um alegre SIM a este convite. Por ora, participantes do Banquete da Eucaristia, até que um dia possamos participar do Banquete da Eternidade que o Senhor nos preparou e que só poderemos participar quando a morte irromper no horizonte de nossa existência, mas vencida, rompida, superada, com a fé na Ressurreição que nos garante a imortalidade e eternidade de amor  o Céu que tanto falamos, cremos e desejamos. Façamos por merecê-lo!

Oremos:

Ó Deus, Pai Santo, Vós que sois tão misericordioso, que desejais a Salvação do mundo inteiro, convidando para as núpcias do Vosso Filho Amado,

Nós vos pedimos, embora sem nenhum mérito, mas com toda confiança, que envieis a cada um de nós e a toda Igreja o Vosso Espírito, para que enriquecidos dos sete dons (sabedoria, entendimento, ciência, conselho, fortaleza, piedade e temor de Deus), testemunhemos com alegria, esperança e confiança a fé que abraçamos, vivendo com ardor a missão por Vós confiada.

Que sejamos sempre revestidos da veste nupcial, para sermos dignos de participar de Vosso Banquete de Amor, vida, paz, felicidade, até que um dia possamos nos inebriar no Banquete da Eternidade, porque saciados e nutridos pelo Pão e Vinho de imortalidade. Amém!

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