domingo, 3 de agosto de 2025

Jesus, o Pão que sacia nossa fome e sede (XVIIIDTCB)

 


Jesus, o Pão que sacia nossa fome e sede

“Eu sou o Pão da Vida. Quem vem a mim não terá mais fome e quem crê em mim nunca mais terá sede” (Jo 6,35) 

Com vistas ao 18º Domingo do Tempo Comum (ano B), retomemos parte do Comentário do frei Raniero Cantalamessa, quando ouvimos a passagem do Evangelho de São João (Jo 6,24-35):

“Mas atenção: de que Se compraz realmente o Pai? Talvez do sofrimento, do sangue da morte do Filho? Seria coisa monstruosa pensar nisso! Compraz-Se do amor que aquela morte demonstra e, por assim dizer, ‘libera’.

Quero o amor mais que os sacrifícios, diz Deus (Os 6,6). O perfume não sai a não ser que se quebre o frasco que o contém. Porém, o que agrada não é o frasco em frangalhos, mas o perfume que o frasco continha.” (1)

Cremos em Jesus Cristo, Nosso Senhor, que na fidelidade incondicional ao Pai, e com a presença do Santo Espírito, pagando o preço de nosso resgate pelo Sangue Redentor na Cruz derramado.

Cremos em Jesus Cristo, Nosso Senhor, e a Ele acorremos, pois tão somente n’Ele, saciamos nossa fome de amor, vida, alegria, eternidade e paz.

Cremos em Jesus Cristo, Nosso Senhor, que cura nossas feridas abertas, em cada Eucaristia, que participamos e comungamos o remédio de imortalidade e o antídoto para não morrer.

 

Cremos em Jesus Cristo, Nosso Senhor, que do Seu lado trespassado jorrou para nós a água e o sangue, vida e alimento, que nos refaz e renova nossas forças no carregar das cruzes inúmeras do cotidiano.

 

Cremos em Jesus Cristo, Nosso Senhor, de cujo Corpo ainda que desfigurado, irreconhecível na Cruz, exalou para toda a humanidade o indizível amor de Deus por todos nós, pecadores que somos.

 

Cremos em Jesus Cristo, Nosso Senhor, que espera de nós uma fé que consista num encontro com Ele que mudou a nossa vida, mentalidade, expressas em novas atitudes de contínuo caminho de santidade.

 

Cremos em Jesus Cristo, Nosso Senhor, e ao participarmos do mais belo Banquete Eucarístico, renovamos a alegria do encontro que fizemos com Ele, para que d’Ele mesmos sentimentos tenhamos, e Sua presença sejamos

Cremos em Jesus Cristo Nosso Senhor, que não quer tão apenas que creiamos na Verdade que Ele próprio nos comunicou, mas que Sua Palavra vivamos, de modo que sal da terra e luz do mundo sejamos.

Amém.

 

(1) O Verbo Se faz Carne – Editora  Ave Maria – 2013 – p.495

Alimentados pelo Pão da Vida, Jesus (XVIIIDTCB)

 


Alimentados pelo Pão da Vida, Jesus

No 18º Domingo do Tempo Comum, ouvimos a passagem do Evangelho de São João (Jo 6,24-35), em que Jesus Se nos apresenta como Pão da Vida, e quem a Ele for, não terá mais fome, e quem n’Ele crer, não terá mais sede (Jo 6,35).

Oremos:

“Senhor Deus, livrai-nos de uma religião utilitarista, que nos leva a esperar de Deus a solução dos nossos problemas, em grande parte materiais.

Ajudai-nos a descobrir o verdadeiro sentido da fé, que nos revelastes na vida e na morte do Vosso Filho.

Fazei que, alimentando-nos d’Ele, verdadeiro Pão descido do Céu, saibamos adotar o Vosso Projeto de Salvação, que consiste na procura corajosa da justiça e da liberdade de todos.” Amém. (1)

 

(1) Lecionário Comentado – Editora Paulus – 2011 – Volume II do Tempo Comum - p.37

Temos fome e sede de Deus (XVIIIDTCB)

                                                         

Temos fome e sede de Deus

Com a Liturgia do 18º Domingo do Tempo Comum (ano B), refletimos sobre o Jesus, o Pão da Vida, e, de modo especial, a ação de Deus que nos dá a vida eterna e definitiva.

Na passagem da primeira Leitura (Ex 16,2-4.12-15), o Povo de Deus caminha pelo deserto, convidado à superação da mentalidade estreita e egoísta, com a abertura para uma nova mentalidade e novos valores.

É preciso dizer não à resignação, ao comodismo, à instalação, à mediocridade, rumo à liberdade e à vida nova.

De nada adiantam murmurações infundadas, que são expressão de endurecimento do coração, acompanhadas da ingratidão que não reconhece a intervenção divina em favor de vida e da liberdade.

O Povo precisa abrir-se para reconhecer a solicitude, o cuidado e Amor de Deus, para que seja um povo, adulto, consciente, confiante, responsável e mais santo.

Há uma mensagem a ser acolhida: Deus caminha conosco pelo deserto da vida, conhece nossos limites e necessidades e nos conduz à terra da liberdade e da vida verdadeira.

É preciso que confiemos em Deus, a rocha segura, (no Novo Testamento é o próprio Cristo – Mt 7), que comamos pão de cada dia que Ele nos oferece, numa entrega confiante e serena, certos de Sua presença em nossas crises e dramas, e somente n’Ele encontraremos segurança e respostas.

A passagem da segunda Leitura é um texto parenético (pregação), que o Apóstolo Paulo nos apresenta na Carta aos Efésios (Ef 4,17.20-24).

O Apóstolo nos assegura que o encontro com Cristo leva a uma mudança radical diante de Deus, de si mesmo, do próximo e do mundo.

Fazer morrer o homem velho (debilidade, mediocridade, futilidade) e viver como homem novo (verdade, justiça, misericórdia, bondade, humildade, alegria, simplicidade e santidade), de modo que, homem novo é um processo inacabado, a cada minuto tudo começa novamente...

Evidentemente que não se trata de uma adesão intelectual, mas vivencial:

“Só se dá uma mudança verdadeira quando esta é fruto de um encontro decisivo, capaz de questionar a maneira de ser de uma pessoa, levando a uma reflexão e a uma análise de todos os seus valores de referência. A fé cristã consiste substancialmente num encontro assim, ou seja, na descoberta d’Aquele que tomou opções radicais e as levou a termo à custa do próprio Sangue”. (1)

E ainda podemos citar estas iluminadoras palavras sobre o verdadeiro cristianismo:

“O Cristianismo não propõe um conjunto de verdades que devem ser aceitas, nem uma moral mais exigente que se deve praticar sem discutir. Pelo contrário, é um convite à solidariedade com Aquele que soube amar com uma força tal que envolve muitos outros na Sua caminhada”. (2)

Com a passagem do Evangelho (Jo 6,24-35), vemos que acolher Jesus e Sua Pessoa, comer do Pão da Vida que Ele mesmo é e nos oferece, é a adesão incondicional à Sua pessoa e propostas, no mais profundo de nosso coração, certos de que somente Deus pode saciar nossa fome de transcendência, de amor, de felicidade, de justiça, de esperança, e tudo mais que for bom e necessário para a existência humana.

Para o discípulo missionário é uma lição de amor a ser aprendida: viver a vida como dom na partilha, na doação. 

Acolher a proposta de Jesus leva inevitavelmente à multiplicação de gestos simples em favor da vida. 

Adesão à Sua pessoa e proposta, acreditar na mesma acolhendo Sua Palavra, e vivê-la com todo empenho e ardor.

Não podemos seguir o Senhor “iludidos”, mas com profunda e frutuosa convicção, superando quaisquer equívocos, do contrário não se persevera e não se vive o que Ele nos propõe e tão pouco alcançamos a felicidade, e ainda nos distanciamos do fim último que ansiamos: a eternidade.

Reflitamos:

- Deus vem ao nosso encontro todos os dias. Nós acolhemos este encontro?  
- Corremos avidamente e decididamente para este encontro?

-  Sentimos a presença de Deus que sempre caminha com seu Povo?
-  Qual a verdade da nossa adesão a Jesus, Sua Pessoa, Sua Palavra e Seu Projeto?

- Vivemos como Homens Novos assumindo tudo aquilo que lhe é próprio?
-  Temos procurado na Mesa da Palavra e na Mesa da Eucaristia o Pão necessário para nossa vida?

- Alimentados por Cristo, Pão da Vida, Pão de eternidade, quais são os  nossos compromissos com aqueles que são privados do pão do cotidiano?

A adesão incondicional ao Senhor nos faz
Homens Novos, com nova mentalidade e atitudes.
Nisto consiste a exigência da Vida Nova em Cristo
desde o dia de nosso Batismo.


(1) Lecionário Comentado - Editora Paulus - pág. 35.
(2) Idem - pág. 37 

sábado, 2 de agosto de 2025

No Banquete da Eucaristia, somos refeitos

                                                                 



No Banquete da Eucaristia, somos refeitos

“Ó Deus, ao participarmos da alegria da Salvação que encheu de júbilo são Mateus, recebendo o Salvador em sua casa, concedei sejamos sempre refeitos à mesa d’Aquele que veio chamar
à salvação não os justos, mas os pecadores.
Por Cristo, Nosso Senhor. Amém!”(1)

Mateus, a mesa para o Senhor e os pecadores preparou.
Pouco mais tarde é o Senhor quem o mesmo faria,
Mas não apenas a mesa prepararia...

Mais que mesa preparada, servo na Santa Ceia Se fez
E melhor Alimento a Mateus e a nós ofereceu:
Seu Corpo verdadeira Comida, Seu Sangue verdadeira Bebida.

No banquete de Mateus há um sustento necessário, provisório,
No Banquete do Divino, o Cordeiro, Alimento de eternidade,
Que nos compromete com o presente, Reino de Fraternidade.

No banquete de Mateus, acolhida e amizade partilhadas;
Refazem-se os laços fraternos, sinaliza-se a urgência da comunhão,
Banquete da misericórdia, sem barreiras e exclusão.

No Banquete do Deus da Vida, Eucaristia recebida,
Refeitos nós somos para continuarmos longa travessia,
Comprometidos com a defesa da vida, com a Força da Eucaristia.

Em cada Eucaristia celebrada, somos refeitos!
Refeitos para o sonho, o canto, a luta, a poesia;
Refeitos na coragem para reavivar a chama da profecia.

Em cada Eucaristia celebrada, somos refeitos!
Refeitos para atenta escuta aos clamores que procedem
Dos esmagados, pisoteados, marginalizados, sofridos.

Em cada Eucaristia celebrada, somos refeitos!
Refeitos, renovados, restaurados, reconciliados,
Pecados destruídos, vida nova celebrada e vivida.

Em cada Eucaristia celebrada, somos refeitos!
Refeitos, olhos abertos para caminhos novos,
Enriquecidos para viver as divinas virtudes.

Em cada Eucaristia celebrada, somos refeitos!
Refeitos, porque nossa alma tão bem enriquecida
De todos os dons preciosos, tão divinos, tão necessários.

Em cada Eucaristia celebrada, somos refeitos!
Refeitos para as mãos generosas estender,
Aquecer, abençoar, cuidar, plantar...

Em cada Eucaristia celebrada, somos refeitos!
Refeitos para a alegria da solidariedade, da comunhão...
Compromissos renovados para construir mundo mais irmão.


PS: Inspirado na  Oração pós-Comunhão da Festa de São Mateus (1) 

sexta-feira, 1 de agosto de 2025

Dobrem-se os sinos

                                                                 


Dobrem-se os sinos
Um minuto para o meio-dia.
O sino vai tocar mais forte do que ontem,
Porque hoje preciso que assim seja,
Para me lembrar de que estamos adormecidos,
Em pleno sol sem a sombra que aparecerá,
A cada minuto até o seu poente.

Estamos adormecidos do que não se podia.
Estamos em letargia que a vida macula.
O que fazer, para que todos acordemos
De uma realidade marcada por terríveis pesadelos?
Arrebentar as correntes da alma,
Que nos aprisionam roubando perspectivas.

Agora são 12 horas.
Sinos invadem ouvidos e iluminam a mente.
Transformo pesadelos em salutares sonhos,
Calço as sandálias da coragem e prontidão,
Coloco o cinto para o combate da fé,
para não nos entregarmos ao aparentemente invencível.

Os sinos continuam a badalar, incessantemente,
Dobrem-se os sinos em toda a parte,
Até que todos acordemos, enquanto é tempo,
Não permitindo que a desolação de pandemias
Roubem nossas forças e a fina flor da esperança,
Para que inflamados da caridade, sejamos.

Não cessem os sinos, enquanto for necessário.
Escutemo-los, pois algo nos dizem:
Novo tempo há de surgir.
O medo não pode nos submergir.
Sinos por todo o mundo dobrados,
Até que todos acordemos.

"Portanto, não durmamos, a exemplo dos outros; 
mas vigiemos e sejamos sóbrios. 
Quem dorme, dorme de noite;
Nós, pelo contrário, que somos do dia,
sejamos sóbrios, revestidos da couraça da fé e da caridade,
e do capacete da esperança da Salvação" (1 Ts 5,6-8).


PS: Escrito em agosto de 2020

Senhor, sois para mim...

                                                     

Senhor, sois para mim...

Senhor, sois para mim o Messias desde sempre esperado,
E na plenitude dos tempos, na história da humanidade encarnado.

O descendente de Abraão,
E exulto por Vos conhecer, crer e testemunhar.

Sois muito mais do que Moisés,
Pois por ele veio a Lei, por Vós, Amor e fidelidade.

Sois o Filho de Davi prometido,
A quem clamo Hosana no mais alto dos céus;

A grande promessa por Deus feita,
E em nada decepcionastes a promessa, em fidelidade incondicional.

Senhor, sois a Divina Fonte da Sabedoria,
Muito mais que qualquer humano, até mesmo Salomão;

Mais do que João Batista,
Porque ele a voz no tempo, Vós a Palavra eterna, desde sempre...

Sois a máxima expressão do Amor de Deus,
Que, desde sempre, pelos Profetas anunciado, promessa realizada;

Aquele que entra em nossos sonhos e desejos,
Não para sufocá-los, mas para ampliá-los, elevá-los e realizá-los.

Sois o Dom do Pai ao mundo enviado,
E para sempre em nosso meio, com o Santo Espírito, Ressuscitado.

Sois o Amor perene e irrevogável,
Que suporta inconstâncias e infidelidades.

A Palavra que se fez Carne,
Palavra que vivifica e garante a perfeita liberdade;

Sois a revelação maravilhosa de Deus Pai,
Pois dissestes: “Quem me vê, vê o Pai que me enviou”.

Sois um Deus incompreendido, rejeitado,
Que esperais como resposta tão apenas ser amado;

Um Deus que Se fez homem, por Amor;
Entrastes no mundo com humildade e o transformou, renovou...

Sois a mais bela História da Salvação Divina,
E a cada dia que vivo, posso escrever uma página nesta história.

Sois Aquele que, assumindo a natureza humana,
Sem pecado, a elevou a uma esfera mais alta, a desejada esfera divina.

Senhor, sois para mim o meu Tudo,
Porque sem Vós, sou simplesmente nada.

Sois Aquele de quem ainda que muito tenha falado
Ainda nada disse, porque Mistério inesgotável.

Aquele que está sempre comigo.
Quantas vezes esta presença suave tenho sentido:

Presença na Palavra e no Pão,
Mas também presença em cada irmã e irmão.

Sois Aquele que me chama,
Me envia, me acompanha no carregar da cruz cotidiana.

Aquele que não me deixa desfalecer,
Porque há um mundo a ser iluminado, fermentado.

Senhor, sois Aquele que não permite minha insipidez,
Porque há um mundo que precisa o sabor de Deus conhecer. Amém.

Quem sou eu

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4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG