sexta-feira, 15 de maio de 2026

MENSAGEM DO PAPA LEÃO XIV PARA O LX DIA MUNDIAL DAS COMUNICAÇÕES SOCIAIS – 2026 (síntese)

 


MENSAGEM DO PAPA LEÃO XIV
PARA O LX DIA MUNDIAL DAS COMUNICAÇÕES SOCIAIS – 2026 (síntese)
 
A mensagem tem como título “Preservar vozes e rostos humanos”, pois de fato, são os traços únicos e distintivos de cada pessoa e manifestam a sua identidade irrepetível e são elemento constitutivo de cada encontro, afirma o Papa na introdução da mensagem.
 
O rosto e a voz são sagrados e nos foram dados por Deus, que nos criou à Sua imagem e semelhança, chamando-nos à vida com a Palavra que Ele mesmo nos dirigiu, fazendo-Se Carne e vindo habitar entre nós, e podemos ainda escutá-la e vê-la diretamente (cf. 1 Jo 1, 1-3), porque se deixou conhecer na voz e no Rosto de Jesus, Filho de Deus.
 
Citação enriquecedora nos apresenta o Papa São Gregório de Nissa:
 
«Ter sido criado à imagem de Deus significa que foi impresso no homem, desde o momento da sua criação, um carácter régio [...]. Deus é amor e fonte de amor: o divino Criador também colocou esta característica no nosso rosto, para que, através do amor – reflexo do amor divino –, o ser humano reconheça e manifeste a dignidade da sua natureza e a semelhança com o seu Criador»
 
Somos criados à imagem e semelhança de Deus para dialogar com Ele, e temos impresso em nós o Seu amor – “Não somos uma espécie feita de algoritmos bioquímicos predefinidos antecipadamente: cada pessoa possui uma vocação insubstituível e irrepetível, que emerge da vida e se manifesta precisamente na comunicação com os outros.”
 
Desenvolve a mensagem apresentando os aspectos positivos que nos trazem o bom uso da inteligência artificial, bem como os aspectos que despertam preocupação e o necessário cuidado para que não percamos nossa dignidade, identidade e desígnio que Deus tem para cada pessoa e toda a humanidade (a perda do pensamento crítico e criatividade em todos os âmbitos; a polarização e manipulação emocional; a perda da criatividade, empatia e responsabilidade pessoal).
 
A inteligência artificial faz parte do cotidiano, no entanto não podemos por ela ser dominados, tornando-nos consumidores passivos de pensamentos não pensados, de produtos anônimos, sem autoria e sem amor: estamos diante de um grande desafio que não é apenas tecnológico, mas antropológico, ou seja, é preciso preservar a humanidade diante de uma automação crescente.
 
O desafio que nos espera não é impedir a inovação digital, mas sim orientá-la, estando conscientes do seu caráter ambivalente. Cabe a cada um de nós levantar a voz em defesa das pessoas, para que estas ferramentas possam realmente ser integradas por nós como aliadas, de tal modo, que não ocorra a substituição das relações humanas por interações artificiais; o crescimento da desinformação e a manipulação da realidade; a multiplicação de “deepfakes” fraudes digitais, “cyberbullying”, bem como o uso indevido da voz e da imagem, etc. 
 
Em sua mensagem, exorta-nos a uma necessária e possível aliança baseada em três pilares: responsabilidade, cooperação e educação.
 
1 - A responsabilidade – como expressão de honestidade, transparência, coragem, visão, dever de partilhar conhecimento, direito de ser informado, de tal modo que, a responsabilidade é exigida de todos criadores e desenvolvedores de modelos de IA; legisladores nacionais e reguladores supranacionais, que têm a função de zelar pelo respeito da dignidade humana.
 
2 – A cooperação - todos somos chamados a cooperar – “Nenhum setor pode enfrentar sozinho o desafio de liderar a inovação digital e governar a IA. Por isso, é necessário criar mecanismos de salvaguarda. Todas as partes interessadas – desde a indústria tecnológica aos legisladores, das empresas de criação ao mundo académico, dos artistas aos jornalistas e educadores – devem estar envolvidas na construção e na efetivação de uma cidadania digital consciente e responsável.”
 
3 – A educação – “aumentar as nossas capacidades pessoais de refletir criticamente, avaliar a credibilidade das fontes e os possíveis interesses por trás da seleção das informações que nos chegam, compreender os mecanismos psicológicos que elas ativam, permitir às nossas famílias, comunidades e associações a elaboração de critérios práticos para uma cultura de comunicação mais saudável e responsável.”
 
Fundamental que favoreçamos, especialmente os jovens, a aquisição da capacidade para o pensamento crítico e cresçam na liberdade de espírito, numa necessária literacia (1).
 
Finaliza exortando para que o rosto e a voz voltem a dizer a pessoa: “É necessário preservar o dom da comunicação como a mais profunda verdade do ser humano, para a qual também se deve orientar toda a inovação tecnológica.”  
 
Não há nada que possa substituir o rosto e a voz real, preservando a dignidade de cada pessoa e a necessária convivência fraterna nos mais diversos espaços.
 
 
PS: Fundamental que acolhamos a mensagem, para que, como comunicadores sociais, de modo especial, favoreçamos a preservação dos sagrados valores da dignidade, verdade, liberdade, fraternidade e paz.
 
Se desejar ler a mensagem na íntegra, acesse:
https://www.vatican.va/content/leo-xiv/pt/messages/communications/documents/20260124-messaggio-comunicazioni-sociali.html
 
1 - Literacia – consiste na capacidade de ler, escrever, compreender e aplicar informações de forma funcional no dia a dia. Mais do que apenas saber decodificar letras (alfabetização), trata-se de usar essas competências para aprender, comunicar-se e resolver problemas na sociedade.

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