quarta-feira, 2 de julho de 2025
A Palavra e as fibras mais íntimas do nosso ser...
Rezando com os Salmos - Sl 59(60)
“Eu venci o mundo”
“–1 Ao maestro do coro. Segundo a melodia
‘O
lírio do mandamento’. Poema de Davi. Para ensinar.
- 2
Quando ele partiu contra os arameus da Mesopotâmia
E os
arameus de Soba; e quando Joab, na volta,
venceu
os edomitas no vale do Sal, doze mil homens.
=3 Rejeitastes, ó
Deus, Vosso povo
e arrasastes as nossas fileiras;
Vós estáveis irado: voltai-vos!
–4 Abalastes, partistes a terra,
reparai suas brechas, pois treme.
–5 Duramente provastes o povo,
e um vinho atordoante nos destes.
–6 Aos fiéis um sinal indicastes,
e os pusestes a salvo das flechas.
–7 Sejam livres os Vossos amados,
Vossa mão nos ajude: ouvi-nos!
=8 Deus falou em Seu santo lugar:
'Exultarei, repartindo Siquém,
e o vale em Sucot medirei.
=9 Galaad, Manassés me pertencem,
Efraim é o meu capacete,
e Judá, o meu cetro real.
=10 É Moab minha bacia de banho,
sobre Edom eu porei meu calçado,
vencerei a nação Filisteia!'
–11 Quem me leva à cidade segura,
e a Edom quem me vai conduzir,
–12 se Vós, Deus, rejeitais Vosso povo
e não mais conduzis nossas tropas?
– Dai-nos, Deus, Vosso auxílio na angústia;
nada vale o socorro dos homens!
–13 Mas com Deus nós faremos proezas,
e Ele vai esmagar o opressor.”
O Salmo 59(60) é uma oração depois de uma derrota:
“O
salmista lamenta uma dolorosa derrota nacional e exprime confiança no socorro
divino, relembrando um antigo oráculo, no qual Deus Se manifesta como dominador
sobre os povos vizinhos.” (1)
Jesus na passagem do Evangelho também nos exorta para que
tenhamos coragem, e n’Ele, coloquemos toda nossa confiança e esperança:
“Eu
vos disse essas coisas para que, em mim, tenhais a paz. No mundo tereis aflições,
mas tende coragem! Eu venci o mundo! (Jo 16,33).
Nisto consiste a vida cristã: um permanente combate, o bom combate
da fé, que o Apóstolo Paulo nos fala na passagem da Carta a Timóteo (cf. 2 Tm
4,5-8;17-18). Amém.
(1)
Comentário da Bíblia Edições CNBB – p.775
terça-feira, 1 de julho de 2025
Compromissos com um novo amanhecer
Oliveiras e candelabros do Senhor
Oliveiras e candelabros do Senhor
Apóstolos, Pedro
e Paulo,
“São duas
oliveiras
Diante do
Senhor,
Brilhantes
candelabros
De esplêndido
fulgor.”(1)
Selaram a missão
com o martírio,
Vidas
configuradas a quem tanto amaram:
Jesus Cristo, Nosso
Senhor,
Da humanidade,
Divino Redentor
A Ele, toda
honra, glória, poder e louvor.
Vidas modeladas
pela Palavra divina,
Mais que
cortante e penetrante
Do que a espada
nas Escrituras mencionada,
Dividindo a alma
e o espírito,
Seguiram passos
firmes e confiantes.
Despojamento
incondicional testemunhado,
Sem pompas nem
acastelamentos enganadores,
Pois tão somente
no Senhor depositavam a esperança,
Fé autêntica na
Divina Fonte do Amor:
Corações
seduzidos pelo Fogo Abrasador.
Duas histórias
de paixão pelo Senhor,
Coragem vivida
sob a luz das estrelas,
Iluminados pela
Luz do Sol Nascente,
Fidelidade
provada em todo tempo,
Acrisolada, pelo
fogo do amor purificador.
Sacrifício,
combate e empenho -
Em cada linha da
história de ambos,
Foram escritas
para sempre:
Um o Martírio
pela cruz, o outro pela espada,
Na glória
celestial, vidas eternizadas. Amém.
(1) Ofício das Leituras - Hino da Solenidade de São Pedro e São Paulo
Em poucas palavras...
Em Deus, nossa confiança e esperança
“Na realidade, é difícil muitas vezes compreender porque acontecem certos fatos, mas o cristão sabe que Deus o vê e n’Ele confia, não fica inerte, se esforça, reza, porém, acima de tudo tem grande esperança, põe sua confiança em Deus.” (1)
(1) Comentário do Missal Cotidiano - Editora Paulus - passagem do Evangelho Mt 8,23-27 - pág. 969
O Senhor está conosco: nada a temer!
Verdadeiramente, Ele está fazendo conosco a grande travessia e nos ajudando a superar o medo dos ventos contrários, símbolo das contrariedades e dificuldades que precisamos enfrentar com coragem, e vivendo nossa fé, experimentar a “calmaria” que Ele pode nos garantir, e então também diremos admirados como os discípulos:
“Quem é este homem, que até os ventos e o mar lhe obedecem?” (Mt 8,27).
Com o Senhor, serenidade nas travessias
Com o Senhor, serenidade nas travessias
Sejamos enriquecidos pelo Sermão n.63,1-3, de Santo Agostinho:
“Subiu Ele a uma barca com seus discípulos. De repente, desencadeou-se sobre o mar uma tempestade tão grande, que as ondas cobriam a barca. Ele, no entanto, dormia.
Os discípulos achegaram-se a ele e o acordaram, dizendo: Senhor, salva-nos, nós perecemos! E Jesus perguntou: Por que este medo, gente de pouca fé?
Então, levantando-se, deu ordens aos ventos e ao mar, e fez-se uma grande calmaria. Admirados, diziam: Quem é este homem a quem até os ventos e o mar obedecem?” (Mt 8,23-27).
Vamos comentar, com a ajuda de Deus, a leitura que o Santo Evangelho nos propõe hoje, não aconteça que tenham a fé adormecida nos vossos corações, no meio das tempestades e ondas deste tempo.
Cristo não teve poder sobre a morte ou o sono? Ou por acaso o sono pôde dominar a vontade do Navegador Todo-Poderoso? Se pensardes assim, sem dúvida, Cristo e a fé estão adormecidos em vossos corações. Mas se Cristo vela em vós, a vossa fé também está acordada. ‘Que Ele faça Cristo habitar em vossos corações pela fé’ (Ef 3,17), disse o Apóstolo.
O sono de Cristo é sinal de mistério. Os ocupantes da barca representam as almas que atravessam a vida deste mundo agarradas ao madeiro da cruz. Por outro lado, a barca é símbolo da Igreja. Sim, verdadeiramente […] o coração de cada fiel é uma barca que navega no mar e que não se afundará se o espírito mantiver bons pensamentos.
Insultaram-te: é o vento que te fustiga. Encolerizaste-te: é a onda que se levanta. Surgiu a tentação: é o vento que sopra. A tua alma está perturbada: são as vagas que se elevam. Insultaram-te e desejas vingança; castigaste sem temperança e estás caído. E por quê? Porque Cristo dorme no teu coração. O que significa que Cristo dorme? Que tu te esqueceste dele. Acorda Cristo, deixa que Ele te fale.
O que querias? Vingança. Não te lembras de que quando o crucificaram, ele disse: ‘Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem’(Lc 23,34)? O que dormiu em teu coração não quis vingar-se. Acorda-o! Contempla-o. A sua memória são as suas palavras; a sua memória é a sua Lei. E se Cristo cuida de ti, te dirás: Quem sou eu, para querer punir? Quem, para ameaçar a alguém? Talvez eu morra antes de me vingar. E se morrer, inflamado pela ira, com anseio e sede de vingança, aquele que não quis punir me receberá? Aquele que disse: ‘Perdoai, e sereis perdoados, dai, e dar-se-vos-á’ (Lc 6,36-38)? Portanto, reprimirei a minha ira e pacificarei o meu coração. Cristo deu ordem ao mar e este ficou calmo (cf. Mt 8,27).
O que disse acima sobre a ira, aplicai-o a todos os tipos de tentações. És tentado e estás perturbado: são o vento e as ondas que se levantam. Desperta Cristo e fala com ele. ‘Quem é Este, a quem até o vento e o mar obedecem?’ (Mt 8,26) Quem é Ele? ‘Dele é o mar, pois foi Ele quem o formou’ (Sl 95,5): ‘por Ele é que tudo começou a existir’ Jo 1,3).
Imita, pois, os ventos e o mar: obedece ao Criador. O mar mostra-se dócil à voz de Cristo e tu continuas surdo? O mar obedece, o vento acalma-se e tu continuas a soprar? Que queremos dizer com isso? Falar, agitar-se, meditar na vingança: não será tudo isto continuar a soprar e não querer ceder diante da palavra de Cristo? Quando o teu coração está perturbado, não te deixes submergir pelas vagas.
No entanto, se o vento nos virar — porque somos apenas humanos — e acicatar as emoções más do nosso coração, não desesperemos. Acordemos Cristo, para que possamos prosseguir a nossa viagem por mares mais calmos.”
Nossa vida consiste numa constante travessia pelo mar da vida, e por vezes os mares são agitados pelos ventos.
Precisamos confiar na presença do Senhor na barca de nosso coração, e confiantes em Sua Palavra, superar todo o medo, vivendo a fé, em atitude orante, confiantes, suplicantes na mais autêntica relação com o Senhor que jamais nos abandona.
Creiamos que Ele está em nossa barca seja de nosso coração, como na barca de Sua Igreja em todo o tempo: e a última e poderosa Palavra somente Ele tem a nos dirigir e a serenidade nos devolver nas travessias cotidianas. Amém.
PS: Sermão apropriado para a passagem do Evangelho de Marcos (Mc 6,24-34).







