sábado, 28 de junho de 2025

Só podia ser... (Imaculado Coração de Maria)

                                                 

                                            Só podia ser... 

Só podia ser...

Nascer do Coração Imaculado de Maria, alma pura e sem mancha,

Aquele que purificaria a humanidade!

 

Nascer do Coração Imaculado de Maria, coração pleno de ternura,

Aquele que é Fonte de toda ternura!


Nascer do Coração Imaculado de Maria, Mãe do Puro Amor,

Aquele que a humanidade, até o fim Amou.


Nascer do Coração Imaculado de Maria, coração indiviso à Vontade Divina,

Aquele que foi Todo fidelidade a Deus!


Nascer do Coração Imaculado de Maria, coração radiante,

Aquele que irradiou ao mundo os bens mais necessários!

 

Nascer do Coração Imaculado de Maria, coração alegre,

Aquele que sem o qual não encontramos alegria!

 

Nascer do Coração Imaculado de Maria, Mãe do Bendito Fruto,

Aquele que é o Fruto dos frutos de Deus!

 

Nascer do Coração Imaculado de Maria, pleno de esperança,

Aquele que reacende no coração esta preciosa chama!

 

Nascer do Coração Imaculado de Maria, coração transparente,

Aquele que nos revela plenamente a Face de Deus.

 

Nascer do Coração Imaculado de Maria, apaixonada pela vida,

Aquele que uma vez conhecido, quem por Ele não se apaixona?

Nascer do Coração Imaculado de Maria, coração singelo e meigo,

Aquele que é singeleza e meiguice divina no resgate da vida.

Nascer do Coração Imaculado de Maria, coração que perdoa,

Aquele que da humanidade é Fonte de redenção.


Nascer do Coração Imaculado de Maria, coração solidário,

Aquele que é a Solidariedade divina com a humanidade decaída pelo pecado.

 

Nascer do Coração Imaculado de Maria, coração pleno de virtudes,

Aquele que é pleno de carismas, virtudes em infinidade.

 

Nascer do Coração Imaculado de Maria, coração plenamente livre,

Aquele que é a Verdade que nos Liberta!

 

Nascer do Coração Imaculado de Maria, coração iluminado,

Aquele que iluminou a escuridão das almas.

 

Nascer do Coração Imaculado de Maria, coração iluminado, pleno de luz, Aquele que das nações é a Eterna Luz!

 

Nascer do Coração Imaculado de Maria, coração cristalino,

Aquele que é Fonte de toda Água cristalina que nossa sede sacia!

Nascer do Coração Imaculado de Maria, coração inebriante,

Aquele que na Cruz, o Sangue derramaria, Sangue inebriante, que nos redime, inebria, presente na Eucaristia! 

Só podia ser...

Nascer do Coração Imaculado de Maria... 

E o que pode nascer de nosso coração?

 

PS: Poesia inspirada em Isaías 61,9-11, de modo especial, versículo 11 – “Assim como a terra faz brotar a planta e o jardim faz germinar a semente, assim o Senhor Deus fará germinar a justiça e a Sua glória diante de todas as nações”.

Iluminando as profundezas de nosso coração (Imaculado Coração de Maria)

                                                             

Iluminando as profundezas de nosso coração

Meditemos sobre o Imaculado Coração de Maria, memória litúrgica obrigatória para todos os católicos desde 1996, conforme definição do Papa São João João Paulo II.  

Meditando sobre seu Imaculado Coração, a profundeza de nosso coração ficará iluminada, pois mergulharemos num abismo de pureza e luz, graça e paz...

A promoção desta devoção litúrgica começou em 1648, com São João Eudes. O Papa Pio VII, em 1805, autorizou a celebração da Festa Litúrgica. Na revelação de Fátima, a devoção se fortaleceu. Em 1942 Pio XII consagrou o mundo ao Imaculado Coração de Maria.

Finalmente o Papa João Paulo II, em 1984, voltou a consagrar o mundo todo ao mesmo Imaculado Coração.

O Imaculado Coração da Mãe conduz ao Sagrado Coração do Filho, pois “Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus” (Mt 5,8).

Maria, pela pureza de coração, preservada do pecado e possuidora de absoluta fidelidade ao Projeto Divino, contempla a face de Deus. Seu Coração não se dividiu entre o querer de Deus e vontades próprias: “Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim a Vossa vontade!”.

O mundo jamais conheceu quem tamanha pureza de coração possa ter; e por isto cremos, piamente, que ela vê a Deus e nos aponta o caminho para até Ele chegar.

O Imaculado Coração de Maria está em profunda sintonia com o Sagrado Coração de Jesus, porque ambos expressam o abismo de amor e fidelidade ao Pai. São ligados pela graça do Espírito Santo, tanto no tempo como na eternidade.

O Coração de Maria bate em sintonia com o Coração do Filho; o Coração do Filho bate em sintonia com o coração da Mãe. Não houve, até então, mais perfeita sintonia, reveladora da mais perfeita harmonia.

Somente numa afinação com estes dois Corações é que nosso coração conhecerá o gozo, a alegria, a paz, a felicidade tão almejada, mas em tantos caminhos errados procurados...

Imaculado Coração de Maria aponta para o Sagrado Coração, fornalha ardente de Caridade, do qual nascemos; do qual nos alimentamos. Coração trespassado pela lança do qual jorrou Sangue e Água (Jo 19,34).

Contemplar o Imaculado Coração de Maria é ter certeza de que a pureza nos levará ao fim sem fim: a eternidade, experimentando no tempo presente o gosto de eternidade, pois como disse Santo Agostinho: “lá descansaremos e veremos, veremos e amaremos, amaremos e louvaremos. Eis a essência do fim sem fim. E que outro fim mais nosso que chegarmos ao reino que não terá fim?” (cf CIC. 1720).

Imaculado Coração de Maria, como grande Arca da Aliança, depósito de sabedoria, espaço do recolhimento, da meditação, da contemplação, da procura incansável dos Mistérios e desígnios divinos.

No mais profundo de seu ser as virtudes apreciadas pelo Senhor, geradoras de novos pensamentos, sonhos e atitudes... Abismo de virtudes e atitudes: contemplação, acolhida, caridade, simplicidade, humildade, misericórdia, amor a Deus vivenciado nas relações cotidianas de fraternidade e ternura, esperança contra toda falta de esperança.

Fixemos nosso olhar no Imaculado Coração de Maria, inevitavelmente chegaremos até o Coração de Seu Filho. Seremos renovados na fidelidade do Evangelho, revigorados no Batismo, nutridos pela Eucaristia, saborearemos o gosto do céu, gosto de eternidade, o gosto do amor.

Pureza de coração é condição para se chegar até Deus, porque a pureza na terra nos aproxima de Deus, no amor que passa pelos pobres. 

Como disse o Papa Bento XVI, em sua Encíclica  "Deus Caritas est": “o amor ao próximo é também uma estrada para chegar até Deus. Não amar o próximo é tornar-se cego de Deus”.

Meditando sobre o Imaculado Coração de Maria,
a profundeza de nosso coração ficará iluminada,
pois mergulharemos num abismo
de pureza e luz, graça e paz…

Curados pelo Senhor para o discipulado (26/06)

                                                         

Curados pelo Senhor para o discipulado

A Liturgia do sábado da 12ª Semana do Tempo Comum nos apresenta a passagem do Evangelho de Mateus (Mt 8, 5-17) em que Jesus cura a sogra de Pedro, e curada põe-se a servi-Lo.

Oportuno para refletirmos sobre qual é o sentido do sofrimento e da dor que acompanham a caminhada da humanidade, apesar de Deus possuir um Projeto de vida verdadeira e felicidade plena e infinita para a mesma.

Como explicar o sofrimento dos bons, dos justos, dos inocentes?

No Livro de Jó (7, 1-4.6-7) já fora retratado sobre o sofrimento do justo, do inocente.

O sofrimento de Jó leva-nos a afirmar que fora de Deus não há nenhuma possibilidade de salvação: Deus é nossa única esperança. O grito de revolta de Jó é ao mesmo tempo a afirmação de que somente em Deus encontra-se o sentido da existência e da salvação, insisto.

Jó procura o verdadeiro rosto de Deus – “... numa busca apaixonada, emotiva, dramática, veemente, temperada pelo sofrimento, marcada pela rebeldia e, às vezes, pela revolta, Jó chega ao face a face com Deus. Descobre um Deus onipotente, desconcertante, incompreensível, que ultrapassa infinitamente as lógicas humanas; mas descobre também um Deus que ama com Amor de Pai cada uma das Suas criaturas. Jó reconhece, então, a sua pequenez e finitude, a sua incapacidade para compreender os Projetos de Deus. Reconhece que ele não pode julgar Deus, nem entende-Lo à luz da lógica dos homens. A Jó, o homem finito e limitado, só resta uma coisa: entregar-se totalmente nas mãos desse Deus incompreensível, mas cheio de Amor, e confiar plenamente n'Ele. É isso que Jó faz, finalmente”.

Voltando à passagem do Evangelho, vemos qual é a preocupação de Deus a partir da atividade pastoral de Jesus, que torna o Reino uma realidade na vida das pessoas.

A ação de Jesus é para nos libertar de nossas misérias mais profundas, sejam quais forem. Jesus Se aproxima da sogra de Pedro, levanta-a tomando pela mão e esta curada põe-se a servir. Assim acontece quando o Senhor de nós Se aproxima, nos toca, nos cura. Põe-nos curados, de pé para amar e servir. Assim é a atitude e a vida de quem crê no Ressuscitado.

Reflitamos:

- Como enfrentamos a dor e sofrimento em nossa vida?
- O que eles nos ensinam?
- O que aprendemos com Jó?
- Como e onde procuramos encontrar a verdadeira Face de Deus?
- O que aprendemos com a cura da sogra de Pedro?
- O que a ação de Jesus nos ensina para que sejamos discípulos missionários como assim Ele deseja?

Oremos: 

Ó Deus, enraizados no Vosso Amor de Pai, tornemo-nos testemunhas eficazes do Reino, na fidelidade a Boa-Nova do Vosso Filho com a Luz e Sabedoria do Espírito. Amém.

Curados para amar e servir (26/06)

                                                         

Curados para amar e servir

 “Minhas lágrimas e minha penitência
têm sido para mim como o Batismo”

Ouvimos, no sábado da 12ª Semana do Tempo Comum, a passagem do Evangelho de Mateus (Mt 8, 5-17) em que Jesus cura a sogra de Pedro que estava com febre.

Sejamos iluminados pelo Comentário de São Jerônimo, doutor da Igreja, (séc. V).

“A sogra de Pedro estava com febre.
Oxalá venha e entre em nossa casa o Senhor e com uma ordem Sua cure as febres de nossos pecados! Porque todos nós temos febre.

Tenho febre, por exemplo, quando me deixo levar pela ira. Existem tantas febres como vícios. Por isso, peçamos que intercedam frente a Jesus, para que venha a nós e segure nossa mão, porque se Ele segura a nossa mão, a febre foge em um instante. Ele é um médico nobre, o verdadeiro protomédico. Médico foi Moisés, médico Isaías, médico todos os Santos, mas este é o protomédico. Sabe tocar sabiamente as veias e perscrutar os segredos das enfermidades.

Ele não toca o ouvido, não toca a fronte, não toca nenhuma outra parte do corpo, mas a mão. Tinha febre, porque não possuía boas obras.

Em primeiro lugar, portanto, tem que curar as obras, e logo remover a febre. A febre não pode fugir se não são curadas as obras. Quando nossa mão possui más obras, jazemos no leito, sem podermos levantar, sem poder andar, pois estamos totalmente consumidos na enfermidade.

E aproximando-Se daquela que estava enferma.
Ela mesma não pôde levantar-se, pois jazia no leito e, portanto, não pôde sair ao encontro do que vinha. Porém, este médico misericordioso, ele mesmo acode ao leito; Aquele que tinha levantado sob Seus ombros a ovelhinha enferma, Ele mesmo acorre ao leito. E aproximando-Se...Sobretudo Se aproxima, e o faz para curá-la. E aproximando-Se... Observa o que Ele diz. É como dizer: seria suficiente sair-me ao encontro, achegar-te à porta e receber-me, para que tua saúde não fosse totalmente obra de minha misericórdia, mas também de tua vontade. Porém, já que te encontras oprimida pelas altas febres e não pode levantar-se, Eu mesmo venho a ti.

E aproximando-Se, a levantou.
Visto que ela mesma não podia levantar-se, é segurada pelo Senhor. Ele a levantou, tomando-a na mão. Segurou-a precisamente na mão. Também Pedro, quando perigava no mar e afundava, foi agarrado na mão e erguido. E levantou-a tomando-a pela mão, Com Sua mão o Senhor tomou a mão dela. Ó feliz amizade, ó formoso afago! Levantou-a segurando-a com Sua mão: com Sua mão curou a mão dela. Segurou sua mão como um médico, tomou o pulso, comprovou a intensidade das febres, Ele mesmo, que é médico e medicina ao mesmo tempo.

Jesus a toca e a febre foge. Que Ele toque também a nossa mão, para que nossas obras sejam purificadas, que Ele entre em nossa casa: por fim, levantemo-nos do leito, não permaneçamos abatidos. Jesus está de pé frente ao nosso leito, e nós permanecemos deitados? Levantemo-nos e fiquemos de pé: é para nós uma vergonha que estejamos recostados diante de Jesus.

Alguém poderá dizer: Onde está Jesus? Jesus está aqui agora. No meio de vós, diz o Evangelho, está alguém a quem não conheceis. O Reino de Deus está no meio de vós. Creiamos e vejamos que Jesus está presente. Se não podemos tocar Sua mão, prostremo-nos aos Seus pés. Senão podemos chegar à Sua cabeça, ao menos lavemos Seus pés com nossas lágrimas. Nossa penitência é unguento do Salvador. Vede quão grande é a Sua misericórdia. Nossos pecados fedem, são podridão e, contudo, se fizermos penitência pelos pecados, se os chorarmos, nossos pútridos pecados se convertem em unguento do Senhor. Peçamos, portanto, ao Senhor que nos tome pela mão.

E no mesmo instante, afirma, a febre a deixou.
Apenas a segura pela mão e a febre a deixa. Observa o que segue: No mesmo instante a febre a deixou. Tem esperança, pecador, contanto que te levantes do leito.

O mesmo ocorreu com o santo Davi, que tinha pecado, deitado na cama com a mulher de Urias, o hitita, sentindo a febre do adultério, depois que o Senhor o curou, depois de ter dito: tem piedade de mim, ó Deus, por tua grande misericórdia, assim como: Contra Ti, só contra Ti pequei, cometi o mal aos Teus olhos. Livra-me do sangue, ó Deus, Deus meu... Porque ele tinha derramado o sangue de Urias, ao ter ordenado derramá-lo. Disse: livra-me do sangue, ó Deus, Deus meu, e renova meu espírito em meu interior.

Observa o que diz: Renova. Porque o tempo em que cometi o adultério e perpetrei o adultério e o homicídio, o Espírito Santo envelheceu em mim. E o que mais ele diz? Lava-me e ficarei mais branco do que a neve. Porque me lavaste com minhas lágrimas.

Minhas lágrimas e minha penitência têm sido para mim como o Batismo. Observa, então, de penitente em que se converte. Fez penitência e chorou, por isso foi purificado. O que acontece em seguida? Ensinarei aos iníquos Teus caminhos e os pecadores voltarão a Ti. De penitente se tornou mestre.

Por que disse tudo isto? Porque aqui está escrito: E no mesmo instante a febre a deixou e se pôs a servir-lhes. Não basta que a febre a deixasse, mas também se levanta para o serviço de Cristo. E se pôs a servi-lhes. Servia-lhes com os pés, com as mãos, corria de um lugar ao outro, venerava ao que lhe tinha curado. Sirvamos também nós a Jesus. Ele acolhe com gosto o nosso serviço, mesmo que tenhamos as mãos manchadas: Ele Se digna olhar aquele que curou, porque Ele mesmo o curou. A Ele a glória pelos séculos dos séculos. Amém.” (1)

Jesus é, ao mesmo tempo, o médico e a medicina. Ele tem a cura para nossas enfermidades, sejam quais forem.

Assim como Jesus curou a sogra de Pedro da febre que a acometia, e ela logo se pôs a serviço, também sejamos curados de nossas febres de tantos nomes (soberba, avareza, luxúria, ira, inveja, gula e preguiça), que consistem exatamente nos sete pecados capitais, que nos escravizam e nos roubam a alegria do serviço.

Curados pelo Médico e pela Medicina, curados pelo próprio Senhor, tomados pela Sua Mão, levantemo-nos e coloquemo-nos a serviço da vida e da esperança, para que a justiça e a paz se abracem, o amor e a verdade se encontrem, como rezou o Salmista (Sl 85,11). 

A sogra foi curada de uma febre para pôr-se a serviço; Pedro precisou, mais tarde, ser tomado pela febre de amor, para que o Senhor lhe confiasse o rebanho.

Há febres que precisamos ser curados, e há uma febre que deve, a cada dia mais, tomar conta de nosso coração: a febre de amor pelo Senhor.

Tão somente febris de amor pelo Senhor é que somos curados das febres indesejáveis que nos afastam da alegria da participação da construção do Seu Reino.


Lecionário Patrístico Dominical – 2013 - Editora Vozes - pp.382-384

sexta-feira, 27 de junho de 2025

Festa ao Sagrado Coração de Jesus (SCJ) (12/06)

                                                                      

Festa ao Sagrado Coração de Jesus

A devoção ao Sagrado Coração de Jesus tem a sua origem na própria Sagrada Escritura.

No Antigo Testamento:

Ezequiel 34,11-16 – Deus cuida do Seu rebanho.
Ezequiel 11,19-20 – Tirarei o coração de pedra e colocarei um coração de carne.

No Novo Testamento:

Mateus 11,25-30 – Jesus é manso e humilde de coração.
Lucas 15 – O Coração de Deus é Fonte de Misericórdia.           
João 19,31-37 – O Coração de Jesus é transpassado pela lança e jorra Sangue e Água: Sacramentos da Igreja – Batismo e Eucaristia

O coração é um dos modos para falar do infinito Amor de Deus por nós, e este Amor encontra seu ponto alto com a vinda de Jesus.

A devoção ao Sagrado Coração de um modo visível aparece em dois acontecimentos fortes do Evangelho: o gesto de São João, discípulo amado, encostando a sua cabeça em Jesus durante a última ceia (cf. Jo 13,23); e na Cruz, onde o soldado abriu o lado de Jesus com uma lança (cf. Jo 19,34).

Em um, temos o consolo pela dor da véspera da Sua morte, e no outro, o sofrimento causado pelos pecados da humanidade.

Estes dois exemplos do Evangelho nos ajudam a entender o apelo de Jesus feito em 1675 a Santa Margarida Maria Alacoque:

“Eis este Coração que tanto tem amado os homens... não recebo da maior parte senão ingratidões, desprezos, ultrajes, sacrilégios, indiferenças...

Eis que te peço que a primeira sexta-feira depois da oitava do Santíssimo Sacramento (Corpo de Deus) seja dedicada a uma Festa especial para honrar o meu Coração, comungando neste dia e dando-lhe a devida reparação por meio de um ato de desagravo, para reparar as indignidades que recebeu durante o tempo em que esteve exposto sobre os altares; e prometo-te que o meu Coração Se dilatará para derramar com abundância as influências de Seu divino Amor sobre os que tributem esta divina honra e que procurem que ela lhe seja prestada.”

O Papa João Paulo II sempre cultivou esta devoção, e a incentiva a todos que desejam crescer na amizade com Jesus.

Em 1980, no dia do Sagrado Coração, afirmou:

“Na Solenidade do Sagrado Coração de Jesus, a Liturgia da Igreja concentra-se, com adoração e amor especial, em torno do Mistério do Coração de Cristo.

Quero hoje dirigir juntamente convosco o olhar dos nossos corações para o Mistério desse Coração. Ele falou-me desde a minha juventude. Cada ano volto a este Mistério no ritmo litúrgico do tempo da Igreja.”

Portanto, faz parte da tradição da Igreja esta Devoção inspirada pela Monja Santa Margarida Maria Alacoque, que nasceu em 1647 e morreu em 1690, e o Movimento do Apostolado da Oração encontra-se pelo mundo inteiro.

Esta devoção ao Sagrado Coração de Jesus está em estreita relação com a Eucaristia, e fortalece nossa fé, esperança e caridade.
        
Vejamos as consequências de uma autêntica devoção ao Sagrado Coração de Jesus:

- fortalece o amor à Igreja e às Comunidades;
- são sempre alimentados do Amor de Deus;
- leva à paixão e compromisso com os pobres, e estes têm lugar todo especial;
- fortalece o profetismo;
- exige o engajamento nas diversas pastorais e movimentos;
- torna-se participante da construção de um mundo novo.

Deste modo, não basta ter apenas Deus dentro de nosso coração, mas estar sempre dentro do Coração de Deus, de tal forma que, quando cumprimos a Lei maior de Deus que é o amor a Ele e ao próximo estamos no coração de Deus e Deus em nosso coração.

Concluindo, o Coração de Jesus é o templo do Espírito Santo que faz de nós também Seu templo, e urge fazer o nosso coração semelhante ao Coração de Jesus, aperfeiçoando a prática do Mandamento do Amor, com a intensificação de nossa devoção e contemplação do Coração de Jesus, a fim de que tal modo, vivamos uma espiritualidade essencialmente Eucarística.

Oportuno, portanto, iniciar ou fortalecer o Apostolado da Oração em nossas Paróquias.

Num mundo marcado, muitas vezes, 
pela frieza, indiferença e anonimato 
o Coração de Jesus é para nós
Fornalha Ardente de Caridade.

Acorramos à Divina Fonte (SCJ)

                                                                 

Acorramos à Divina Fonte

Na Celebração da Festa do Sagrado Coração de Jesus, a Igreja nos propõe, na segunda Leitura do Ofício das Leituras, um trecho das Obras do Bispo São Boaventura (Séc. XIII), em que ele nos apresenta Jesus como a fonte de vida para a humanidade:

Considera, ó homem redimido, quem é Aquele que por tua causa está pregado na Cruz, qual a Sua dignidade e grandeza.

A Sua morte dá a vida aos mortos; por Sua morte choram o céu e a terra, e fendem-se até as pedras mais duras.

Para que, do lado de Cristo morto na Cruz, se formasse a Igreja e se cumprisse a Escritura que diz:

‘Olharão para Aquele que transpassaram’ (Jo 19,37), a divina Providência permitiu que um dos soldados lhe abrisse com a lança o sagrado lado, de onde jorraram Sangue e Água.

Este é o preço da nossa salvação. Saído d'Aquela fonte divina, isto é, no íntimo do Seu Coração, iria dar aos Sacramentos da Igreja o poder de conferir a vida da graça, tornando-se para os que já vivem em Cristo Bebida da fonte viva que jorra para a vida eterna (Jo 4,14).

 Levanta-te, pois, tu que amas a Cristo, sê como a pomba que faz o seu ninho na borda do rochedo (Jr 48,28), e aí, como o pássaro que encontrou sua morada (cf. Sl 83,4), não cesses de estar vigilante; aí esconde como a andorinha os filhos nascidos do casto amor; aí aproxima teus lábios para beber a água das fontes do Salvador (cf. Is 12,3).

Pois esta é a fonte que brota no meio do paraíso e, dividida em quatro rios (cf. Gn 2,10), se derrama nos corações dos fiéis para irrigar e fecundar a terra inteira.

Acorre com vivo desejo a esta fonte de vida e de luz, quem quer que sejas, ó alma consagrada a Deus, e exclama com todas as forças do teu coração:

‘Ó inefável beleza do Deus altíssimo e puríssimo esplendor da luz eterna, vida que vivifica toda vida, luz que ilumina toda luz e conserva em perpétuo esplendor a multidão dos astros, que desde a primeira aurora resplandecem diante do trono da Vossa divindade. 

Ó eterno e inacessível, brilhante e suave manancial d'Aquela fonte oculta aos olhos de todos os mortais! Sois profundidade infinita, altura sem limite, amplidão sem medida, pureza sem mancha!’

De Ti procede o rio que vem trazer alegria à cidade de Deus (Sl 45,5), para que entre vozes de júbilo e contentamento (cf. Sl 41,5) possamos cantar hinos de louvor ao Vosso nome, sabendo por experiência que em Vós está a fonte da vida, e em Vossa luz contemplamos a luz (Sl 35,10).”

Nesta Divina Fonte de Amor, bebemos da água cristalina do Amor, que jamais termina, mesmo quando parece terminar nossas forças para trilhar o caminho da fé.

Nesta Divina Fonte de Amor, bebemos da água cristalina do Amor, para que a secura de nossa alma, por vezes experimentada, seja novamente “hidratada”, e assim possamos avançar no horizonte da esperança que se dilata, amplia, redimensiona.

Nesta Divina Fonte de Amor, bebemos da água cristalina do Amor, e não apenas, também participamos do Altar em que Ele Se faz verdadeiramente Comida e Bebida para nos revigorar, e o Mandamento Maior que nos ordenou, ao mundo anunciar, testemunhar.

A esta Divina Fonte de Amor acorramos, fome e sede jamais teremos; senão a sede e fome de justiça, de ver acontecer um novo céu e uma nova terra, porque discípulos missionários do Senhor, que esta sede, no Sermão da Montanha, proclamou: “Bem-Aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados” (Mt 5, 6).

À esta Divina Fonte sempre acorramos, sem demora, porque tão apenas n’Ela encontramos a Fonte inesgotável e indizível de Amor. 

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