quarta-feira, 11 de junho de 2025

Chamados, amados e enviados pelo Senhor (07/07)

                                         



Chamados, amados e enviados pelo Senhor

Reflexão à luz da passagem do Evangelho de Mateus (Mt 9,36-10,8), em que Jesus, tomado de compaixão pelo povo, envia os discípulos em missão, e para aprofundamento, sejamos enriquecidos pelo Sermão de Eusébio de Emessa.

“Dois homens entravam na cidade; dois homens sem provisão de pão, sem dinheiro, sem túnica reserva. Quem tu imaginas que os recebia? Que portas lhe seriam abertas? Quem era aquele que os reconhecia? Que hospedagem lhes era preparada e onde? Não te admiras o poder de quem os envia e a fé dos que são enviados? Dois peregrinos faziam sua entrada na cidade. De que eram portadores? O que é que pregavam? ‘Foi crucificado’, diziam.

Para os judeus, eram homens de origem humilde, ignorantes, sem cultura, pobres. Sua pregação: a Cruz! Daí a fé. Porém o valor abre passo através das dificuldades. Prega-se a cruz e os templos são destruídos; prega-se a Cruz e são vencidos os reis. Prega-se a Cruz e os sábios são convencidos de erro, as festas pagãs são abolidas e seus deuses suprimidos.

Por que te admiras de que se tenha dado crédito aos apóstolos, ou de que tinham sido capazes de crer, ou por que tenham se convertido ou sido acolhidos? Que não nos passem por alto tantas maravilhas.

Alguns peregrinos, desconhecidos, que a ninguém conheciam, portadores de nada chamativo, percorreram o mundo pregando ao Crucificado, opondo o jejum à libertinagem, a molesta castidade à lascívia. Normas estas que necessariamente resultariam em intoleráveis aos povos menos predispostos a aceitar algumas exortações de honestidade tão disputadas com seus nefandos costumes.

E, contudo, apropriavam-se das pessoas e ocupavam cidades. Com que efetivos? Com a força da Cruz. Aquele que os enviou não lhes deu ouro. O tinham – e em abundância – os reis. Porém lhes digo algo que os reis são incapazes de adquirir ou possuir: para alguns homens mortais lhes deu o poder de ressuscitar mortos; a eles, homens sujeitos à enfermidade, autorizou-lhes a curar as enfermidades. Um rei não pode ressuscitar a um soldado dentre os mortos, e o próprio rei está sujeito à enfermidade.

Mas quem os enviou ressuscita e cura os enfermos. Compara agora as riquezas dos reis e as riquezas dos apóstolos. Fixa-te na diversa condição social: o rei é nobre, os apóstolos, humildes; porém, sendo mortais, realizaram coisas divinas com a ajuda de Deus. E se alguém pretende que os apóstolos não fizeram milagres, nossa admiração se eleva. De fato, ressuscitaram-se mortos, deram vista aos cegos, fizeram os coxos caminharem e limparam os leprosos, mediante estes sinais varreram a irreligiosidade e implantaram a fé; é realmente admirável não acreditem nestes milagres dos quais existe escrita constante.

Antes da crucificação os discípulos não fizeram milagre algum; depois da crucificação realmente os fizeram. E se fizeram alguma coisa antes da crucificação, não teve nenhuma repercussão: mas quando o sangue divino apagou o registro que nos condenava com suas cláusulas e era contrário a nós; quando nós, imundos, fomos lavados no sangue; quando a morte foi vencida pela morte; quando por um Homem, Deus abateu aquele que devorava os homens; quando pela obediência, deu morte ao pecado; quando Adão foi reabilitado por um homem; quando por meio da Virgem, foi cancelado o erro originário, é então que os apóstolos obedecem e as sombras despertam aos homens que dormem.

É que a força divina se tinha apoderado daqueles a quem ela lhes foi enviada. Já não eram como antes, aquilo que nós éramos: tinham sido revestidos. E assim como o ferro, antes de ser colocado junto ao fogo, é frio e em tudo semelhante a qualquer outro ferro, porém quando é posto no fogo e se torna incandescente, perde a sua frieza natural e irradia outra natureza abrasada, idêntica operação realizam os homens mortais que foram revestidos de Jesus. Assim o ensina Paulo quando diz: ‘Já não sou eu que vivo – estou morto com uma ótima morte! – é Cristo que vive em mim’” (1)

Assim aconteceu nos primeiros momentos das comunidades, professando a fé no Cristo Crucificado, Morto e Ressuscitado.

Hoje também continuamos a missão de Jesus, conforme mencionado no Evangelho, contando com a graça, força e presença do Espírito Santo, enviado do Pai em Seu nome, conforme prometera.

Evangelizamos com recursos ainda que limitados, sobretudo hoje através dos meios de comunicação social, proclamando a Palavra de Deus, oportuna e importunamente, como nos falou Paulo a Timóteo (2Tm 4,1-5).

Edificamos uma Igreja com as marcas da misericórdia e compaixão, missionária em sua essência e natureza, em todos os lugares para que a luz divina resplandeça e o Reino de Deus se vislumbre, em pequenos sinais.

Renovemos a alegria de continuar a missão de Jesus, alimentados pela Eucaristia, tendo em mente e no coração o testemunho daqueles primeiros que o Senhor chamou como bem quis por amor e com amor.

Seja sempre nossa missão de evangelizadores uma alegre, generosa e gratuita resposta de amor ao Senhor que nos chama também e nos envia para proclamar a Sua Palavra. Sejamos sinais e instrumentos da compaixão divina, sobretudo para com os que mais precisarem.



(1) Lecionário Patrístico Dominical, Editora Vozes, 2013 - pp. 157-158.
Apropriado para a reflexão da passagem de Mateus (Mt 10,7-13)

Bem-Aventuranças vividas, sal e luz seremos (10/06)

                                                    

Bem-Aventuranças vividas, sal e luz seremos


"Enquanto o amor humano tende
a apossar-se do bem que encontra no seu objeto,
o Amor Divino cria o bem na criatura amada" .

Na Liturgia, da Quarta-feira da 10ª Semana do Tempo comum, ouvimos a passagem do Evangelho em que Jesus diz que não veio abolir a Lei e os Profetas, mas para dar pleno cumprimento, exortando-nos à prática e ao ensinamento dos mesmos, para nos tornarmos grandes no Reino dos Céus (Mt 5, 17-19).

Vemos que Deus tem um Projeto de Salvação para a humanidade, mas somente na fidelidade a Ele e aos Seus Mandamentos é que alcançaremos vida plena e feliz.

Estamos diante de um desdobramento do Sermão da Montanha - (Mt 5, 1-12). Na continuidade Jesus com Seus ditos nos exorta à prática das Bem-Aventuranças, com seus desdobramentos no cotidiano.

Não será o cumprimento das regras externas que nos levará ao alcance da felicidade e de uma religião a Deus agradável, mas antes a atitude de adesão interior a Deus e à Sua Proposta.

O Missal Dominical afirma que “o amor é querer o bem do amado”, de modo que, viver as Bem-Aventuranças, e ser sal e luz do mundo, é viver um amor que quer e cria o bem do amado. Isto nos remete a dois grandes Santos da Igreja:

- São Tomás de Aquino: “Enquanto o amor humano tende a apossar-se do bem que encontra no seu objeto, o amor divino cria o bem na criatura amada".

- São João da Cruz: "O afeto e o apego da alma à criatura torna-a semelhante a esta mesma criatura. Quanto maior a afeição, maior a identidade e semelhança, porque é próprio do Amor, tornar aquele que Ama semelhante ao amado."

Por isto, Jesus dá quatro exemplos em que o amor verdadeiro e puro tem que falar mais alto, se sobrepondo a qualquer sentimento de ódio, indiferença, ira, posse, condenação, falsidade...:

1 - As relações fraternas e a contínua necessidade da reconciliação;
2- O adultério e a necessidade de conversão, vendo no outro a imagem e templo de Deus;

3 - A confirmação da aliança indissolúvel do matrimônio, desde a criação, ratificando, assim, o Plano de Deus.

4 - A importância de nos relacionarmos na sinceridade e na confiança, tornando os relacionamentos sadios e edificantes.

A questão essencial é: para quem quiser viver na dinâmica da Boa-Nova do Reino de Deus, não basta o cumprimento rigoroso e escrupuloso da Lei, seguindo a casuística das regras da Lei.

É preciso que se tenha uma atitude interior nova, que revele um compromisso verdadeiro com Deus, envolvendo a pessoa toda, transformando seu coração, suas escolhas, seus relacionamentos, sua postura diante do Criador e Suas criaturas.

Em relação a Deus, sejamos filhos e filhas, em relação ao próximo, sejamos fraternos e solidários.

Reflitamos:

- Cumprimos os Mandamentos da Lei Divina por medo ou por amor?

- Para Jesus, “não matar” é evitar tudo aquilo que cause dano ao próximo (egoísmo, prepotência, autoritarismo, injustiça, indiferença...). O que podemos evitar para que sejamos fiéis ao Senhor?

- Em que as afirmações dos Santos da Igreja, citadas acima, nos ajudam para que vivamos as Bem-Aventuranças e sejamos sal da terra e luz do mundo?

- Fazemos dos Mandamentos Divinos sinais indicadores no caminho que conduz à vida plena?

O Sermão de Nosso Senhor foi e continua sendo ouvido na montanha, mas é preciso que desçamos à planície do cotidiano.

Eis o grande desafio: a missão de ser sal da terra e luz do mundo, iluminados pela Sabedoria Divina, a Sabedoria do Santo Espírito, para que sejamos uma Igreja no coração do mundo, e ao mesmo tempo homens e mulheres do mundo no coração da Igreja.

Somente assim não seremos sal insípido, sem gosto, que para nada serve, como já nos alertara o Senhor.

Irradiar uma única Luz (09/06)

Irradiar uma única Luz

“Vós sois a luz do mundo" (Mt 5, 14)

Naquela manhã, depois do poético barulho da chuva caindo silenciosamente,
Os raios de sol vieram timidamente secando o chão que a chuva molhara...
Rezei por aqueles que irradiam o calor para um mundo por vezes
Frio e sedento do calor que emana de um  simples gesto.

Ao entardecer o noticiário falava da irradiação que oferece perigos letais.
Rezei por aqueles que ao contrário irradiam valores que sacralizam vidas;
Que irradiam ideias, sentimentos, pensamentos que edificam e
Que semeiam o jardim com flores vitais, num mundo novo possível.

Naquela noite contemplava o céu e via as estrelas irradiando um forte brilho.
Rezei por aqueles que em minha vida passaram e para sempre ficarão,
Nem tanto pela sua genialidade, mas pelo brilho que emanam da alma,
Brilho como sinônimo de candura, ternura, mansidão, bondade, solidariedade...

Viver é potencializar a capacidade que também temos de irradiar por onde passamos.
Podemos irradiar fé, esperança, amor, confiança ou, lamentavelmente, o contrário.
Se verdadeiramente fé tivermos, transformados pelo mesmo Espírito que nos conduz,
Irradiaremos o melhor de Deus, uma única luz; teremos um único olhar penetrante na realidade.

O mundo precisa de quem irradie o melhor de Deus com suas palavras e ações.
Irradiações desejáveis pela humanidade, queridas por Deus hão de se multiplicar.
Que ouçamos lá no mais profundo de nós a voz de Deus ecoar:

“Sede irradiadores de minha Divina Luz, no mundo. Vós sois minhas testemunhas.” Amém.

sábado, 7 de junho de 2025

Em poucas palavras...(XDTCB) (07/06)

                                                


Blasfêmia

“A acusação dirigida ao Mestre de ser um endemoninhado, constitui a blasfêmia mais grave contra o Espírito de Deus, porque distorce totalmente o sentido da pessoa e da missão de Jesus... como na narração evangélica, mascaramos por vezes a nossa falta de acolhimento e a nossa rejeição quando se trata da nossa conversão, projetando em Cristo as sombras do Maligno que envolve o nosso coração.” (1)

 

(1) Lecionário Comentado – Editora Paulus – Lisboa – 2011 – pág. 128 – sobre a passagem do Evangelho de Mc 3,22-30.

 

Quem é Jesus para nós? (XDTCB) (07/06)

                                                         

Quem é Jesus para nós?

A Liturgia do 10º Domingo do Tempo Comum (ano B) nos convida a refletir sobre a identidade de Jesus e a comunhão que Ele deseja viver com aqueles que quiserem se tornar seus discípulos.

Na passagem da primeira Leitura (Gn 3,9-15), refletimos sobre o pecado, o mal, e a necessária vigilância, para não cairmos na tentação do Maligno, simbolizado pela serpente.

Também se faz necessária a superação da tendência humana de se desculpabilizar, desresponsabilizar e autojustificar, como vemos na passagem, nas atitudes de nossos primeiros pais.

Nesta vigilância, estamos numa luta constante contra a “serpente”, e esta será derrotada pelo Rei-Messias, Jesus, como vemos em várias passagens do Novo Testamento – (Rm 16,20; Ap 12,9; 20,2).

Na releitura cristã, a sentença divina em relação à “serpente” apresenta-se como profecia de luta de Jesus Cristo, descendente da mulher, contra o mal e contra o seu autor, descendente da antiga “serpente” simbólica” nesta passagem apresentada.

Oportuna são as palavras do Papa Francisco sobre a ação do demônio:

“Não se dialoga com o demônio […] A vida cristã é uma luta permanente. Requer-se força e coragem para resistir às tentações do demónio e anunciar o Evangelho. […] Não pensemos que é um mito, uma representação, um símbolo, uma figura ou uma ideia. Este engano leva-nos a diminuir a vigilância, a descuidar-nos e a ficar mais expostos. O demônio não precisa de nos possuir. Envenena-nos com o ódio, a tristeza, a inveja, os vícios. E assim, enquanto abrandamos a vigilância, ele aproveita para destruir a nossa vida, as nossas famílias e as nossas comunidades, porque, “como um leão a rugir, anda a rondar-vos, procurando a quem devorar” (1Pd 5,8)” (Gaudete et Exsultate 158.161).

Na passagem da segunda Leitura (2 Cor 4,13-5,1), o Apóstolo Paulo é para nós exemplo para vencermos as tribulações do cotidiano, na vivência da fé, mantendo vivo o ardor missionário, a confiança em Deus e sobretudo a confiança e esperança da vida eterna:

“A atitude de Paulo diante das tribulações serve de modelo para os cristãos de todos os tempos, como atitude a conservar diante das provas e tribulações, quer derivem do exercício dos diversos ministérios na comunidade eclesial, quer se refiram a tantas outras situações que derivam do próprio ‘ser cristãos’ no mundo contemporâneo. É antes de mais uma atitude de fé e de confiança que tem a eternidade como fim bem visível” (1)

Paulo é um exemplo no exercício do Ministério a serviço da Igreja, não para a sua glória pessoal, e, com seu Ministério Apostólico, gera novos cristãos.

Vemos que o Apóstolo tem a esperança de estar para sempre em união perfeita com Cristo, bem como, no tempo presente, deseja ardentemente a comunhão com a comunidade, e isto o impulsiona em toda a sua missão.

Na passagem do Evangelho (Mc 3,20-35), temos revelada a identidade de Jesus – “Quem é Jesus?”.

Vemos que Ele não pactua com o Demônio, ao contrário, vem para libertar homens e mulheres de todos os tempos, e nisto consiste a realização da vontade de Deus, uma comunidade de libertos do Maligno, e de realizadores da vontade divina.

A verdadeira questão da passagem é sobre a identidade de Jesus, e o não reconhecimento d’Ele como enviado do Pai, assim como o não reconhecimento de Sua identidade divina; é o pecado de blasfêmia contra o Espírito Santo, e este não tem perdão.

Portanto, para fazer parte da família de Jesus, é preciso que vivamos  em total obediência à vontade de Deus, tendo a mesma atitude de Jesus na realização da vontade do Pai: o método para estabelecer uma relação de familiaridade com Jesus passa necessariamente pelo Seu seguimento, pois Ele é o primeiro a fazer a vontade de Deus, ainda que enfrentando a incompreensão e rejeição, e o Mistério da Paixão e Morte de Cruz.

Supliquemos a presença do Espírito Santo, para que, vigilantes na fé, não sucumbamos diante do poder do Maligno.

Procuremos em todos os momentos e lugares fazer a vontade de Deus, assim como Jesus o fez, para que sejamos membros de Sua família.

Tão somente assim, poderemos rezar a Oração que Ele nos ensinou, de modo especial, ao dizermos: – “Seja feita a Vossa vontade”; “Não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal”.

A Amizade Divina e a felicidade desejada (XDTCB) (07/06)


A Amizade Divina e a felicidade desejada

A Liturgia do décimo Domingo do Tempo Comum (ano B) nos convida a refletir sobre o Projeto de Deus oferecido à humanidade e a liberdade de nossa resposta. Podemos optar pelo bem ou pelo mal, pela pertença ou não de Sua família; tendo como critério para a pertença a realização da Sua vontade.

A passagem da primeira leitura (Gn 3,9-15) retrata a criação de uma forma essencialmente catequética, a partir dos nossos primeiros pais (Adão e Eva), nos oferece a oportunidade de  refletir sobre o que acontece quando rejeitamos as propostas de Deus e preferimos os caminhos do egoísmo, do orgulho e da autossuficiência. 

Inevitavelmente quando vivemos à margem de Deus trilhamos caminhos amargos de sofrimento, destruição, infelicidade e morte.

O mal no mundo não tem origem em Deus, mas resulta de nossas escolhas erradas, do mau uso de nossa liberdade, de modo que é impossível o encontro da felicidade quando se prescinde de Deus, da Sua amizade, do Seu bem querer para todos nós: a felicidade plena e eterna.

Prescindir de Deus leva a duas consequências extremamente negativas: a hostilidade para com o outro e a inimizade com toda a criação.

Sem uma relação profunda e sincera com Deus, nos desencontramos e nos perdemos em relação a nós mesmos, em relação ao outro e ao mundo que nos cerca. Numa palavra, sem Deus não há felicidade possível.

Sem a amizade divina, somos imersos num lamaçal de mediocridade e infelicidade; na areia movediça do orgulho, do vazio, da inutilidade, da depressão, da vida sem sentido.

Sem a amizade divina, o encontro sofrível com a escuridão eterna. Rejeitar o Amor de Deus é fechar a porta para a felicidade e a eternidade.

Na passagem da segunda Leitura (2Cor 4,13-5,1), com o Apóstolo Paulo, aprendemos que viver somente tem sentido na perspectiva da Ressurreição, numa vida cristã coerente, agindo como verdadeiros discípulos missionários do Senhor.

O Apóstolo ainda nos assegura que a fé no Ressuscitado, crer em Sua presença, contando com a força e a vida do Espírito, na fidelidade a Deus que nos criou e nos ama, nossa esperança é sustentada e nossa caridade animada, na provisoriedade e brevidade de nossa existência.

Com a passagem do Evangelho (Mc 3,20-35), contemplamos a ação de Jesus em favor da vida, com aceitação de uns, rejeição e incompreensão de outros.

A cena se passa numa casa: há os que ficam do lado de fora e os que estão dentro. Há sempre aqueles que são arredios, os que ficam à porta, são os que chamamos de “católicos não praticantes”. Há aqueles que fazem parte da família de Deus, porque compreenderam a lógica desta pertença, que consiste em fazer a Sua vontade em qualquer tempo e em qualquer lugar.

Com a passagem do Evangelho, refletimos sobre a liberdade que Deus nos concede,  fazer a melhor escolha, ou seja, tudo fazer para pertencer à família de Deus, crendo na Vida Trinitária, inseridos e comprometidos com esta Comunhão Maior, promovendo e fortalecendo as outras tantas comunhões necessárias, na família, no mundo e em todo lugar.

Somente no fazer a vontade de Deus nossa felicidade se realiza. Somente neste “fazer” é que seremos autênticas testemunhas do Ressuscitado e viveremos a relação de nossos pais no Paraíso, não mais como saudade de algo que se perdeu, mas como algo que pode ser reconquistado, vivido e no céu eternizado.

Nunca voltar ao paraíso pela saudade, mas tê-lo na mente e no coração, para que nos alavanque para águas mais profundas. Jardins belos e férteis, Deus nos tem preparado, pois foi para isto que, pelo Filho, nos criou.

Somente quem entra no movimento do Espírito, o Movimento do Amor, redescobre que o Paraíso existe e é possível; de modo que, usando a liberdade que Deus nos deu, façamos nossas escolhas, saibamos a vontade de Deus realizar.

Em poucas palavras... (IXDTCB) (07/06)

                                                   


“O Filho do Homem é Senhor do próprio sábado”

“O Evangelho relata numerosos incidentes em que Jesus é acusado de violar a lei do sábado. Mas Jesus nunca viola a santidade deste dia (Mc 1,21; Jo 9,16). É com autoridade que Ele dá a sua interpretação autêntica desta lei: «O sábado foi feito para o homem e não o homem para o sábado» (Mc 2, 27).

Cheio de compaixão, Cristo autoriza-Se, em dia de sábado, a fazer o bem em vez do mal, a salvar uma vida antes que perdê-la (Mc 3,4). O sábado é o dia do Senhor das misericórdias e da honra de Deus (Mt 12,5; Jo 7,23). «O Filho do Homem é Senhor do próprio sábado» (Mc 2, 28).”

 

(1)        Catecismo da Igreja Católica - parágrafo n. 2173

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