sábado, 24 de maio de 2025

Em poucas palavras...

 


O envio do Paráclito

“Antes da sua Páscoa, Jesus anuncia o envio de um «outro Paráclito» (Defensor), o Espírito Santo.

Agindo desde a criação (Gn 1,2) e tendo outrora «falado pelos profetas» (Símbolo niceno-constantinopolitano), o Espírito Santo estará agora junto dos discípulos, e n’eles (Jo 14,17), para os ensinar (Jo 14,26) e os guiar «para a verdade total» (Jo 16, 13). E, assim, o Espírito Santo é revelado como uma outra pessoa divina, em relação a Jesus e ao Pai.” (1)

 

(1) Catecismo da Igreja Católica – parágrafo n. 243

Aleluia! Louvemos ao Senhor!

                                                             

Aleluia! Louvemos ao Senhor!


Voltemo-nos para um dos Comentários sobre os Salmos, do Bispo Santo Agostinho (séc. V) que nos dará o sentido mais profundo do “Aleluia Pascal”:

“Toda a nossa vida presente deve transcorrer no louvor de Deus, porque louvar a Deus será também a alegria eterna de nossa vida futura.

Ora, ninguém pode tornar-se apto para a vida futura se, desde já, não se prepara para ela. Agora louvamos a Deus, mas também rogamos a Deus. Nosso louvor está cheio de alegrias, e nossa Oração, de gemidos.

Foi-nos prometido algo que ainda não possuímos; porém, por ser feliz quem o prometeu, alegramo-nos na esperança; mas, como ainda não estamos na posse da promessa, gememos de ansiedade.

É bom perseverarmos no desejo, até que a promessa se realize; então acabará o gemido e permanecerá somente o louvor.

Assim podemos considerar duas fases da nossa existência: a primeira, que acontece agora em meio às tentações e dificuldades da vida presente; e a segunda, que virá depois na segurança e alegria eterna.

Por isso, foram instituídas para nós duas celebrações: a do Tempo antes da Páscoa e a do Tempo depois da Páscoa.

O Tempo antes da Páscoa representa as tribulações que passamos nesta vida. O que celebramos agora, depois da Páscoa, significa a felicidade que alcançamos na vida futura.

Portanto, antes da Páscoa celebramos o que estamos vivendo; depois da Páscoa celebramos e significamos o que ainda não possuímos. Eis porque passamos o primeiro Tempo em jejuns e Orações; no segundo, porém, que estamos celebrando, deixando os jejuns, nos dedicamos ao louvor de Deus. É este o significado do Aleluia que cantamos.

Em Cristo, nossa cabeça, ambos os tempos foram figurados e manifestados. A Paixão do Senhor mostra-nos as dificuldades da vida presente, em que é preciso trabalhar, sofrer e por fim morrer. A Ressurreição e glorificação do Senhor nos revelam a vida que um dia nos será dada.

Agora, pois, irmãos, vos exortamos a louvar a Deus. É isto o que todos nós exprimimos mutuamente quando cantamos: Aleluia. Louvai o Senhor, dizemos nós uns aos outros.

E assim todos põem em prática aquilo que se exortam mutuamente. Mas louvai-O com todas as vossas forças, isto é, louvai a Deus não só com a língua e a voz, mas também com a vossa consciência, vossa vida, vossas ações.

Na verdade, louvamos a Deus agora que nos encontramos reunidos na Igreja. Mas logo ao voltarmos para casa, parece que deixamos de louvar a Deus. Não deixes de viver santamente e louvarás sempre a Deus. Deixas de louvá-Lo quando te afastas da justiça e do que lhe agrada.

Mas, se nunca te desviares do bom caminho, ainda que tua língua se cale, tua vida clamará; e o ouvido de Deus estará perto do teu coração. Porque assim como nossos ouvidos escutam nossas palavras, assim os ouvidos de Deus escutam nossos pensamentos.”

Aleluia!”

Crente ou não, quem nunca pronunciou esta palavra? Palavra de origem hebraica que no seu sentido mais exato quer dizer: “louvai ao Senhor”.

“Aleluia!” quando do coração provindo, pelos lábios pronunciado, ou mesmo cantado, com conteúdo de vida acompanhado, nos mergulha na intensidade e beleza de uma Fé Pascal.

Damos a cada momento, fato, dificuldade, tribulação, perda ou ganho vivido, um matiz de Mistério Pascal.

Louvemos ao Senhor em todos os momentos, porque já temos em nós a semente da Eternidade; já podemos experimentar as delícias no tempo presente e plenamente nos céus.

Depende de como pautamos e vivemos nossa vida; de como iluminamos nossa consciência e coração, para que vida e ação correspondam ao desejo de Deus: nossa santificação e felicidade.

Que vivendo o Amor de Cruz, pelo Filho Amado testemunhado, já experimentemos a plena alegria prometida (Jo 15, 9-17).

Vivendo o Amor de Cruz, nossos “aleluias!” ganhem cada vez mais beleza de conteúdo e intensidade de compromissos com o Reino.

Do coração para os lábios; dos lábios para a vida; da vida para a eternidade.

Aleluia! Aleluia! Aleluia!


PS: Cf. Liturgia das Horas - Vol. II - Quaresma/Páscoa - pp 778-780.

Coragem e fidelidade no discipulado

                                                            


Coragem e fidelidade no discipulado

No 5º sábado do Tempo da Páscoa, ouvimos a passagem do Evangelho de João (Jo 15,18-21), em que Jesus afirma que Seus discípulos não são do mundo, porque por Ele, foram escolhidos e apartados do mundo:

“Se o mundo vos odeia, sabei que primeiro me odiou a mim. Se fôsseis do mundo, o mundo gostaria daquilo que lhe pertence. Mas porque não sois do mundo, porque Eu vos escolhi e apartei do mundo, o mundo por isso vos odeia.” (Jo 15,18-19).

Sejamos enriquecidos pelas palavras de H. Van den Bussche:

 “O tema da amizade e da intimidade induz, pela analogia dos opostos, ao tema do ódio e do desconhecimento que o pequeno rebanho dos discípulos sofrerá por parte do mundo.

O cristão é testemunha da Cruz, pelo amor que consagra aos irmãos, pelo ódio que sofre do mundo. Porque o mundo não cessará nunca de odiar os cristãos.

Não se poderia confiar nos discípulos que buscassem a simpatia do mundo ou dela gozassem. Não que o cristão deva afastar esta simpatia, nem tampouco cultivar o sofrimento com misticismos mórbidos.

Sem ir atrás das provações, bastar-lhe-á aceitar as que vierem; toda complacência nelas é suspeita. Deve, porém, estar pronto, e isto basta, a sofrer as perseguições do mundo, por sua fidelidade ao Senhor. Porque o ódio do mundo é inseparável de sua condição de discípulo.” (1)

Todo discípulo missionário do Senhor, no testemunho da amizade, intimidade e fidelidade a Ele, não está isento do ódio, incompreensão, perseguição ou indiferença do mundo, até mesmo o ato extremo do martírio, como a história testemunha:

“Os acontecimentos de Jesus iluminam e colocam na sua justa perspectiva as perguntas dos discípulos: a perseguição faz parte da história da Salvação. Mais precisamente: é a Via-Sacra que continua. Com dois aspectos: a perseguição não significa a ausência de Deus, mas o Seu modo de estar presente ao contrário das expectativas humanas; além disso a caminhada do discípulo é acompanhada pela certeza de que a última palavra é a de Deus: ‘Se guardaram a minha palavra, também guardarão a vossa’ (Cf. Jo 15,20)” (1)

Conduzida e assistida pelo Espírito, nossas comunidades devem ser a comunhão de pessoas livres e disponíveis para o discipulado, sem projetos teológicos-pastorais preestabelecidos, de modo que vivam na fecunda e desejada sinodalidade e fidelidade à Doutrina e ao Magistério da Igreja, com sua palavra e ensinamentos.

Assim lemos no Lecionário Comentado:

“Se as nossas comunidades proclamam pouco a novidade evangélica, se correm o risco de propor uma notícia pouco alegre e prevista, não é porventura porque se fecharam nos seus projetos, aos quais quereriam que o próximo Senhor se adequasse?” (3)

Roguemos a Deus para que vivamos incondicional fidelidade ao Evangelho, e seja a nossa vida por Ele iluminada e conduzida, determinando nossos pensamentos e ações, sem medo ou omissões.

Oremos:

“Ó Deus, que dais força aos débeis e perseverança a quem em Vós confia, dai-nos a comunhão de fé e amor com o Vosso Filho crucificado e ressuscitado, para partilharmos a alegria perfeita do Vosso Reino” (4). Amém.

 

(1) Missal Cotidiano – Editora Paulus – 1998 - p.447

(2) Lecionário Comentado – Volume Quaresma/Páscoa - Editora Paulus – Lisboa – 2009 – p.563

(3) (4) idem – pp.563-564

 

sexta-feira, 23 de maio de 2025

Presbíteros: construtores da esperança e pontes de paz

 


Presbíteros: construtores da esperança e pontes de paz

 

 

De 19 a 21 de maio de 2025, celebramos o Jubileu do Clero da Província de Diamantina, composta pelas arquidiocese de Diamantina, dioceses de Almenara, Araçuaí, Guanhães e Teófilo Otoni, com o tema – “Presbíteros, construtores de esperança”.

 

Éramos cinco bispos titulares e um bispo emérito, e aproximadamente duzentos presbíteros.

 

Retomo alguns pontos da homilia que fiz na missa do dia 20 de maio, na Basílica do Sagrado Coração, da arquidiocese de Diamantina, à luz da Palavra proclamada (At 14,19-28; Sl 144; Jo 14,27-31a), e do tema do encontro:

 

- Os presbíteros devem ser promotores da esperança e da verdadeira paz, que não deve ser entendida como ausência da cruz, mas que brota, paradoxalmente,  da cruz vitoriosa de Nosso Senhor Jesus Cristo. Tão somente Ele pode nos comunicar o “Shalom” ,  a paz, dom divino que nos comunica confiança, serenidade, esperança para viver a graça do Ministério.

 

- Como os apóstolos mencionados na passagem da primeira leitura, devem viver a vocação num fecundo espírito de missionariedade; evangelizadores de uma Igreja em saída para as inúmeras periferias existenciais, que nos desinstalam e nos provocam a necessária conversão e disponibilidade.

 

Devem ser promotores da comunhão ministerial, com a mais expressiva ternura da fé, alegria do serviço e ardor da missão (cf. Dilexit nos – n. 88 – Papa Francisco), perfeitamente configurados a Jesus Cristo Ressuscitado, fonte de graça da vocação a que foram chamados.

 

Oremos por toda a Igreja, e de modo intenso, por todos os presbíteros, para que renovem, sempre, a chama do primeiro amor (cf. 2 Tm 1,6-10), a fim de que sejam, portanto, construtores da esperança, edificando pontes de comunhão e paz – jamais muros de isolamento e separação; alegres discípulos missionários, e promotores da fecunda comunhão eclesial na mais enriquecedora diversidade de dons e ministérios, com a proteção de Maria, a Estrela da Evangelização. Amém. 

Ser Padre: Graça e missão

                                                        

Ser Padre: Graça e missão

“Conhecer a Jesus Cristo pela fé
é a nossa alegria;
Segui-Lo é uma graça,
E transmitir este tesouro aos demais
É uma tarefa que o Senhor nos confiou
Ao nos chamar e nos escolher” (1)

O Presbítero será sal da terra e luz do mundo,
Se ressoar estas palavras em seu coração,
Deixando-se iluminar pela Palavra do Verbo,
Nutrido pelo Pão da Vida, Corpo e Sangue do Senhor.

Redescobrindo que tão apenas Sal o somos,
Cuidando para não perder o sabor,
Para que não sejamos pisados, tal como o sal o seria,
Como nos disse o Senhor.

Reacendendo a chama do primeiro amor,
Que, um dia, no coração,
Pela Igreja acesa o foi, para Sacerdote ser
Para sempre, segundo a ordem de Melquisedec.

Jamais perder o encantamento da graça recebida,
Revelando a face de Cristo, o Bom Pastor,
Pelas palavras e comportamento, simples e sereno,
Coração de amor, pelo Divino amor ,seduzido.

Ser feliz no Ministério vivido,
Na perfeita sintonia com o desígnio por Deus querido.
Ser um homem padre pela graça divina,
Um padre homem feliz, inseparavelmente.

Celebrar mais um ano de Ministério,
Renovando, no silêncio da oração,
As promessas feitas no dia da Ordenação,
Com a força do Espírito, continuar o caminho. Amém.


(1) Documento de Aparecida n.18

Não somos servos, mas amigos do Senhor

                                                                 

Não somos servos, mas amigos do Senhor

As passagens bíblicasLiturgia da Palavra da 5ª sexta-feira do Tempo da Páscoa: At 15,22-31; Sl 56(57); Jo 15,12-17.

O acontecimento na primeira Leitura: o Concílio de Jerusalém (séc. I).

Primeira mensagemA necessária ação e presença do Espírito Santo, para discernir as situações mais diversas na vida da Igreja:

“Porque decidimos, o Espírito Santo e nós, não vos impor nenhum fardo, além destas coisas indispensáveis” (At 15,28).

O contexto da passagem do Evangelhoo discurso da última Ceia – o contexto da despedida de Jesus dos Seus discípulos.

Segunda mensagemO Mandamento do Amor: “Amai-vos uns aos outros, assim como Eu vos amei” (Jo 15,12). – é nosso distintivo, que nos diferencia como seguidores do Senhor. Trata-se de Mandamento, ordem e não apenas um conselho sentimental que pode ser passageiro e estéril.

Terceira mensagemJesus nos chama e nos trata como amigos e não como servos – a alegria e graça de sermos amigos de Jesus e ampliar esta relação com todos os que nos rodeiam, sobretudo os mais empobrecidos – “Já não vos chamo servos, pois o servo não sabe o que faz o seu senhor. Eu chamo-vos amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi de meu Pai” (Jo 15,15).

Quarta mensagem: fomos escolhidos pelo Senhor, ainda que sem méritos, antes, porque Deus é misericórdia – sintamos a alegria imensurável desta escolha que o Senhor fez – “Não fostes vós que me escolhestes, mas fui Eu que vos escolhi...” (Jo 15, 16).

Quinta mensagemescolhidos pelo Senhor para produzir frutos, e frutos que permaneçam (cf. Jo 15,16): frutos de amor, bondade, partilha, justiça, fraternidade, comunhão, paciência...

Sexta mensagem: nada falta aos amigos de Jesus, pois podem se dirigir ao Seu Pai, e tudo alcançarão – “O que, então, pedirdes ao Pai em meu nome, Ele vo-lo concederá” (Jo 15,16).

Orando com a Igreja - (Oração depois da Comunhão da Missa):

“Tendo participado do Sacramento do Corpo e do Sangue do Vosso Filho, nós vos suplicamos, ó Deus, que nos faça crescer em caridade a Eucaristia que Ele nos mandou realizar em Sua Memória. Por Cristo, Nosso Senhor. Amém.”

Creio em Jesus: Caminho, Verdade e Vida

                                           


Creio em Jesus: Caminho, Verdade e Vida

Creio em Jesus, o Caminho, que viveu a profunda experiência do encontro de Deus com  a humanidade, e comunica esta experiência à todos nós.

Creio em Jesus, o Caminho que nos leva ao Pai, uma Pessoa; Aquele que, já existia com Deus, desde sempre, e Se tornou o ‘lugar’ visível da Aliança entre Deus e a humanidade.

Creio em Jesus, a Verdade que se conhecido, nos liberta (Jo 8,32), a mais perfeita revelação do Pai, de quem todas as coisas recebem origem e no qual todos encontram sua consistência e verdade.

Creio em Jesus, a Verdade, que se conhece pelo amor com Ele vivido e n'Ele permanecendo, a fim de que tenhamos a seiva vital do amor, e frutos abundantes produzirmos.

Creio em Jesus, a Vida, porque nos faz participar da comunhão plena com o Deus vivo, a se consumar na comunhão de amor na glória da eternidade, e tão  somente com Ele teremos a vida eterna. Amém. Aleluia! 


Fonte: Missal Cotidiano – Editora Paulus - Comentário da passagem do Evangelho de São João (Jo 14,1-6) - pp.420-421

 


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