domingo, 30 de março de 2025

O Grão de Trigo (30/03)

                                                      


O Grão de Trigo

“Se o grão de trigo que cai na terra não morre,
ele continua só um grão de trigo; mas, se morre,
então produz muito fruto.” (Jo 12,24)

Contemplo-Vos, Senhor, nestes dias de recolhimento e Oração, como devem ser todos os dias da Quaresma, para celebrar o transbordamento da alegria de Vossa Páscoa.

Contemplo Vossa Pessoa, através da qual Deus e homem uniram-se, indissoluvelmente, de maneira absoluta e para sempre, pois com o Pai sois um.

Contemplo-Vos, a Palavra feita Carne, com conhecimento perfeito de Deus, porque estais inserido na mais perfeita comunhão e intimidade com Ele, no Espírito.

Contemplo-Vos por terdes vindo a este mundo para fazer em tudo a vontade d’Aquele por quem fostes enviado, plenamente e decididamente, através de Palavras e obras, até à morte, e morte de Cruz.

Tudo isto, Senhor, fizestes por nós; Vós que sois o Filho único, que estais no seio do Pai e que nos fazeis conhecer Deus, que ninguém jamais viu, e partícipes de Vossa plenitude, recebendo graça sobre graça (cf. Jo 1,16-18).

Senhor, imenso é meu amor por Vós, que selastes, com a própria vida e o Sangue derramado por nós, a Nova e Eterna Aliança, e assim nos alcançastes o perdão dos pecados, e nos fizestes Povo da Nova Aliança.

Creio, Senhor, que sois como o grão de trigo caído na terra, e que Vos tornastes uma árvore de vida carregada de frutos para nosso Alimento e deleite.

Contemplo-Vos na Cruz em que fostes elevado, erguido diante de nossos olhos e ouvimos o eco da voz de Deus vinda do céu: "Glorifiquei-O e tornarei a glorificá-Lo".

Medito em Vossas Palavras, Senhor: "É agora o julgamento deste mundo".
Contemplo Vossa entrega voluntariamente no Mistério da Paixão, não como um herói impassível, mas como o Filho que teve de aprender a dizer ao Pai: "Faça-se a Tua vontade!".

Cremos que Satanás, chefe dos que fazem o mal e se opõem a Deus, vai definitivamente "ser lançado fora".

Unimo-nos convosco em Vossa “hora”; a hora da Vossa morte e glorificação, que é a marca de uma linha divisória em que temos que tomar uma decisão.

Esta “hora”, Senhor, expressivamente mencionada no Quarto Evangelho, é a hora da Vossa Páscoa, cume e chave de interpretação de toda a Vossa missão salvífica e redentora da humanidade.

É a hora de nossa decisão, e que seja a decisão de ficar do lado dos que Vos conhecem, e não somarmos com os que resistem em deixar-se atrair por Vós, que morrestes na Cruz em que foi elevado, com os braços abertos para nos acolher e nos redimir.

Vós que viestes para esta “hora”: uma hora temida, uma hora de agonia e, no entanto, profundamente desejada, por ser a hora do Sacrifício perfeito da Vossa obediência ao Pai, e da Vossa glorificação.

É a hora em que os próprios pagãos e também nós reconhecemos em Vós, atrás das marcas da agonia e dos açoites, e flagelo suportado, no corpo inerte e morto na Cruz, pelos cravos preso, todo chagado, beleza ocultada pelo Sangue derramado, verdadeiramente o Filho de Deus.

Contemplo-Vos com fé; Vós que fostes trespassado e que sois para nós o caminho da Salvação.

Ensinai-me, Senhor, e fortalecei-me no caminho por que me conduz, e que consiste no caminho de obediência custosa, mas que desemboca na manhã radiosa da Páscoa eterna.



PS: Livre adaptação do Comentário do Missal Quotidiano Dominical e Ferial - Editora Paulus – Portugal - pp. 443-445

Acolhidos pela misericórdia divina (IVDTQC)

                                                        

Acolhidos pela misericórdia divina

No 4º Domingo da Quaresma (ano C), ouvimos a passagem do Evangelho (Lc 15, 1-3.11-32), que também é proclamada no 24º Domingo do Tempo Comum (ano C).

Na caminhada com Jesus para Jerusalém, e aprendemos mais uma imprescindível lição: a lógica do Amor de Deus é a lógica do Amor incondicional, Amor sem restrições, Amor sem fim, indefectível e se estende sobre bons e maus, sem exceções.

Ela é incomparavelmente diferente da lógica humana que às vezes se pauta pela prática da exclusão, do rancor, da indiferença, da não acolhida aos pecadores, do não acreditar na conversão do outro.

Contemplamos a atitude misericordiosa de Deus, ouvimos Sua voz como grande sinfonia de Amor pela humanidade, um Amor absoluto, gratuito, inesgotável, irrevogável...

A Sagrada Escritura é riquíssima de páginas da misericórdia, do Amor, da bondade, da ternura, da magnanimidade divina para conosco!

O Amor e o perdão divinos têm sempre a última palavra. Seu Amor fala mais alto, paradoxalmente a nossa surdez a Sua Palavra.

A lealdade de Deus para com Seu povo é incontestável, infinitamente além de nossas infidelidades, não correspondência ao Seu Projeto de vida, fraternidade e paz!

Deus é incapaz de deixar de nos amar, porque somos obra de Suas mãos; inacabadas, portando limitações que somente o amor é capaz de aprimorar.

O Amor de Deus é a possibilidade de nos aprimorarmos, para que sejamos o que devemos ser, para que mais verdadeiramente, imagem d’Ele, o sejamos... Por isto Seu amor jamais nos falta!

O amor vai ao encontro, acolhe, perdoa, reintegra, “carrega nos ombros do coração”, celebra com alegria inexpressível a volta de quem estava perdido e foi encontrado, estava morto e voltou a viver.

De fato, Deus abomina o pecado, mas ama sem medida o pecador. Qual é minha atitude diante do pecador?

Entretanto, testemunhar a misericórdia jamais significa fazer pacto com o pecado.

“O Amor de Deus causa vertigem”, se não entramos em Sua dinâmica, Seu modo de ser e de amar!

Como não transbordar de alegria diante de um Deus que não pensa e não faz outra coisa, senão nos amar e querer o melhor para nós!

Deus é irredutível em nos amar, porque jamais desiste de nós. Muito diferente foi a atitude do irmão mais velho na Parábola, que recriminou, não se alegrou, bem provavelmente, a festa não celebrou!

Somente quem ama é capaz de entrar na alegria de Deus! Na reflexão do Missal deste domingo encontramos uma afirmação de extrema beleza e profundidade: não sentirá necessidade alguma de ser perdoado quem não tiver consciência de ter traído alguém a quem ama!

Infelizmente, na cidade é grande o número dos que não são amados por ninguém, para os quais não se tem um olhar a não ser o olhar da eficiência econômica, do quanto é capaz de gerar riquezas...

Vivemos na sociedade da descartabilidade, e isto nos desafia, porque somente pode ser feliz quem for reconhecido, estimado, apreciado e, sobretudo amado.

Uma autêntica experiência humana exige intercâmbio, diálogo, confidência, verdadeiro amor recíproco, porque somente o amor é capaz de transformar, mas com uma condição: que seja gratuito e livre.

A percepção de que Deus nos ama assim faz-nos sentir que estar longe d’Ele e dos outros por razões humanas é perder  tempo, e perder Deus. Nasce naturalmente a necessidade de pedir perdão.

Enquanto o mal existir haverá a emergência e a necessidade do amor a ser vivido para que o bem e a vida prevaleçam, a comunhão aconteça!

Moisés confiante na misericórdia de Deus não tem outra atitude senão suplicar a mesma para com o povo; nada quis para si, a não ser o bem daqueles que o Senhor lhe confiou.

Paulo, por exemplo, foi alguém precioso para Deus. Não houvesse Deus o amado; não fosse a misericórdia de Deus, jamais ele seria o que foi, jamais seria para nós quem ele é. Assim é o amor: ajuda o outro a ser o que deve ser. Por isto o Mandamento do Amor é imperativo: amar e ser amado nos torna semelhante a Ele, o Amor, porque Deus é Amor (Jo 4,7-9).

Iluminados pelo Evangelista Lucas, que é por excelência, o evangelista da ternura, cremos que verdadeiramente e continuamente, a Misericórdia de Deus nos recria, nos aperfeiçoa e nos faz novas criaturas. 

Alegremo-nos, pois Deus, 
rico em misericórdia, nos acolhe de braços abertos 
e nos envolve com Seu amor, ternura e perdão, 
para que melhores sejamos, 
vida nova plena e feliz, 
tenhamos. 
Amém.

“Deus merece que sejamos melhores” (IVDTQB)

                                                       


 “Deus merece que sejamos melhores”

A Liturgia do 4º Domingo da Quaresma (Ano B) é conhecida como Domingo “Laetare”, ou seja, Domingo da alegria, devido à proximidade da Páscoa, e tem como antífona inicial assim nos convida: “Alegra-te, Jerusalém! Reuni-vos, vós todos que a amais; vós que estais tristes, exultai de alegria! Saciai-vos com a abundância de suas consolações" (Is 66, 10s).

Na passagem da primeira Leitura (2Cr 36,14-16.19-23), contemplamos o Amor de Deus narrado pelo autor do Segundo Livro das Crônicas. 

Ele descreve com densidade própria o caminho da infidelidade do Povo de Deus que o levou ao exílio na Babilônia, e com a mesma beleza descreve a ação de Deus que, em Seu incansável Amor, através de um pagão, com Ciro e o seu Edito, possibilita que Seu povo volte para Jerusalém e recomece sua história. 

Com Deus é sempre possível recomeçar, pois é próprio do Amor de Deus criar novas perspectivas, possibilidades e horizontes.

Na passagem da segunda Leitura (Ef 2,4-10), o Apóstolo Paulo nos fala de um  Deus rico em misericórdia que nos concedeu a Salvação como dom. 

É pela graça que fomos salvos mediante a fé para a prática de boas obras: fomos salvos para as boas obras e não por causa de nossas obras, pois Ele morreu por nós quando ainda éramos pecadores. 

Nas mãos de Deus somos frágeis instrumentos, e comunicamos o Seu Amor e bondade através de palavras, gestos, em atitudes de partilha e serviço.

Na passagem do Evangelho (Jo 3,14-21), O Evangelista São João convida a contemplar o Amor plenamente revelado por meio de Jesus, como o próprio exclama – “Deus amou tanto o mundo que nos deu o Seu Filho Único para que quem n’Ele crê não morra, mas tenha a vida eterna”  (Jo 3,16). 

A vontade de Deus é que todos sejam salvos. Que, sobretudo neste Tempo Quaresmal, abandonemos as obras das trevas e multipliquemos as obras de luz, pois somos filhos da luz, do dia, como nos diz o Apóstolo Paulo (1Ts 5,5). 

Não mais a serpente erguida no deserto, mas o próprio Senhor erguido na Cruz para nos reerguer, porque caídos pelo pecado estávamos.

No entanto, a contemplação do Amor de Deus deve levar cada um de nós a rever qual é a resposta de amor que estamos dando a Ele.

Reflitamos:

- Como testemunhamos o Mandamento do Amor a Deus e ao próximo?
- De que modo correspondemos ao imensurável Amor de Deus?

- Quais os compromissos que haveremos de renovar, para que os vivamos com maior ardor e bem possamos celebrar a alegria da Páscoa?

Plenos do Amor Divino, agradecidos pela Salvação que o Senhor nos concede, multipliquemos as boas obras para corresponder a este Amor, sem medir as dificuldades, e nem procurando desculpas diante do muito fazer, pois bem disse Santo Agostinho: “naquilo que se ama, ou não se sente a dificuldade ou ama-se a própria dificuldade...”

Alegremo-nos!  Fomos salvos para as boas obras e não por causa de nossas obras: quanto maior for a nossa gratidão pela Salvação que o Senhor nos alcançou, maior deverá ser a nossa resposta de amor.

“Deus merece que sejamos melhores!”  


PS: Fonte de pesquisa: www.Dehonianos.org/portal

A fé no Ressuscitado e a alegria da missão (IVDTQB)

A fé no Ressuscitado e a alegria da missão

Na quarta-feira da 2ª semana do Tempo Pascal, ouvimos a passagem do Evangelho de João (Jo 3,16-21), em nos fala do imenso amor de Deus por nós por meio do Seu Filho Jesus Cristo.

O Evangelista São João convida a contemplar o Amor plenamente revelado por meio de Jesus, como o próprio exclama – “Deus amou tanto o mundo que nos deu o Seu Filho para que quem n’Ele crê não morra, mas tenha a vida eterna”  (Jo 3,16). 

No Antigo Testamento, encontramos na passagem do segundo Livro das Crônicas (2Cr 36,14-16.19-23), a possibilidade da contemplação do  o Amor de Deus.

Ele descreve com densidade própria o caminho da infidelidade do Povo de Deus que o levou ao exílio na Babilônia, e com a mesma beleza descreve a ação de Deus que, em Seu incansável Amor, através de um pagão, com Ciro e o seu Edito, possibilita que Seu povo volte para Jerusalém e recomece sua história. 

Com Deus é sempre possível recomeçar, pois é próprio do Amor de Deus criar novas perspectivas, possibilidades e horizontes.

O Apóstolo Paulo, escrevendo aos Efésios (Ef 2,4-10), também nos fala de um  Deus rico em misericórdia que nos concedeu a Salvação como dom. 

É pela graça que fomos salvos mediante a fé para a prática de boas obras: fomos salvos para as boas obras e não por causa de nossas obras, pois Ele morreu por nós quando ainda éramos pecadores. 

Nas mãos de Deus, somos frágeis instrumentos, e comunicamos o Seu Amor e bondade através de palavras, gestos, em atitudes de partilha e serviço.

No entanto, a contemplação do Amor de Deus deve levar cada um de nós a rever qual é a resposta de amor que estamos dando a Ele.

Reflitamos:

- Como testemunhamos o Mandamento do Amor a Deus e ao próximo?
 De que modo correspondemos ao imensurável Amor de Deus?

- Quais os compromissos que haveremos de renovar, para que os vivamos com maior ardor e sejamos testemunhas do Ressuscitado?

Plenos do Amor Divino, agradecidos pela Salvação que o Senhor nos concede, multipliquemos as boas obras para corresponder a este Amor, sem medir as dificuldades, e nem procurando desculpas diante do muito fazer, pois bem disse Santo Agostinho: “naquilo que se ama, ou não se sente a dificuldade ou ama-se a própria dificuldade...”

Alegremo-nos!  Fomos salvos para as boas obras e não por causa de nossas obras: quanto maior for a nossa gratidão pela Salvação que o Senhor nos alcançou, maior deverá ser a nossa resposta de amor.

Alegremo-nos com a Ressurreição do Senhor! Empenhemo-nos para viver com mais ardor e entusiasmo a nossa missão de discípulos missionários do Senhor, que tanto nos ama, e merece que sejamos melhores! Aleluia!  




PS: Fonte de pesquisa: www.Dehonianos.org/portal

Contemplo-Vos, Senhor, divina fonte de amor (IVDTQB)

                Contemplo-Vos, Senhor, divina fonte de amor


“Pois Deus amou tanto o mundo, que
deu o Seu Filho único para que não morra
quem n’Ele acredita, mas tenha vida eterna.”  (Jo 3,16)

Ouvimos no quarto Domingo da Quaresma (ano B), a passagem do Evangelho de João (Jo 3,14-21), onde encontramos um dos mais belos versículos da Sagrada Escritura: “Pois Deus amou tanto o mundo, que deu o Seu Filho único para que não morra quem n’Ele acredita, mas tenha vida eterna.” (Jo 3,16).

Ao Senhor, que tendo nos amado, amou-nos até o fim, e continua manifestando o Seu Amor com a presença do Seu Espírito, que nos anima e nos fortalece na fidelidade ao Projeto do Pai, pelo qual a Vida entregou.

Oremos:

Contemplo, Senhor Jesus, Vossa vinda ao mundo como a maior manifestação do Amor misericordioso de Deus por todos nós, que não quer a nossa morte como pecadores que somos, mas que nos convertamos e vivamos.

Contemplo, Senhor, fiel em Sua missão, pois viestes ao mundo não para condená-lo, mas para que seja salvo por Vós, pelo Mistério de Sua Paixão, Morte e Ressurreição.

Contemplo, Senhor, pois não permitis que caiamos em tentação diante das dificuldades e provações, multiplicando as obras das trevas, numa vida marcada pelo pecado com suas tristes e por vezes mortais consequências.

Contemplo, Senhor que nos libertastes para não mais vivermos segundo a carne, escravos do pecado e da morte, e assim, vivendo livres, segundo o Espírito, como filhos e filhas de Deus, irmãos uns dos outros, na graça abundante e revitalizadora de nossos passos.

Contemplo, Senhor, e o transbordamento imensurável de Vossa graça em nosso coração, para que movidos pela Paixão do Reino, fascinados por Vós, em adesão total e incondicional a Sua Palavra, caminhemos na Vida Nova que vem de Vós, Ressuscitado, vivendo  a nossa fé na prática da caridade, e na realização das mais belas esperanças, na mente e coração cultivados, para que um dia alcancemos a esperança maior: a eternidade, e junto de Vós e com Vosso Espírito, a face de Deus contemplar.

Contemplo, Senhor, que viestes na divina missão para nos reconciliar com Deus, para por fim na antiga inimizade de nossos pais com o Criador, e, pelo Vosso Sangue derramado, selássemos uma indissolúvel Nova e Eterna Aliança de Amor.

Contemplo, Senhor, que viestes ao mundo para trazer Salvação à humanidade mergulhada no pecado, e que por si só é incapaz de se livrar desta trágica situação.

Contemplo, Senhor, e também Vos peço, para que sedentos da Salvação eterna não apenas Vos confessemos com os lábios, mas que verdadeiramente nos configuremos a Vós, com o Vosso divino modo de ser e viver, em total submissão à vontade de Deus Pai, com o Santo Espírito que pousou sobre Vós.

Senhor, que Vosso Amor esteja entranhado em nosso coração e seja expresso na relação para com nosso próximo, porque tão somente assim luminosos seremos, e ao mundo, por vezes sombrio, poderemos comunicar um raio de Vossa divina luz, na espera da celebração das alegrias Pascais que se aproximam. Amém!

quinta-feira, 27 de março de 2025

Em poucas palavras... (27/03)

 


“O Senhor interpela-nos e, no meio da nossa tempestade...” 

“O Senhor interpela-nos e, no meio da nossa tempestade, convida-nos a despertar e ativar a solidariedade e a esperança, capazes de dar solidez, apoio e significado a estas horas em que tudo parece naufragar. 

O Senhor desperta, para acordar e reanimar a nossa fé pascal. Temos uma âncora: na Sua Cruz, fomos salvos. Temos um leme: na Sua Cruz, fomos resgatados. Temos uma esperança: na Sua Cruz, fomos curados e abraçados, para que nada e ninguém nos separe do Seu amor redentor”. (1)

 

(1) Homilia do Papa Francisco – 27 de março de 2020


Silêncio... (27/03)

                                                       


Silêncio...

“Não vos deixarei órfãos...”
(Jo 14,18)

Assim falou o Papa Francisco, na Praça São Pedro, em que também nos encontrávamos, ainda que não presencialmente:

“Densas trevas cobriram as nossas praças, ruas e cidades; apoderaram-se das nossas vidas, enchendo tudo dum silêncio ensurdecedor e um vazio desolador, que paralisa tudo à sua passagem: pressente-se no ar, nota-se nos gestos, dizem-no os olhares”.

Silêncio...

Ruas e praças vazias, não ouço o passos apressados e tão pouco o som dos carros.
Escolas e universidades vazias, sem por isto o afastamento do saber que edifica.

Silêncio...

Estabelecimentos bancários, com atendimentos cada vez menos presenciais, graças à internet, acessados a distância.
Shoppings, lojas vazias ou fechadas, também refletindo o momento.

Silêncio...

Pistas dos aeroportos vazias à espera de aviões que não pousarão e tão pouco decolarão.
Estádios vazios; há muito não ouço o grito da torcida, jogos não há, nem choro ou alegria.

Silêncio...

Igrejas e Capelas com bancos vazios e, ao mesmo tempo, presentes nas casas pela graça dos meios de comunicação social. Famílias, pequenas Igrejas domésticas reaprendendo a encontrar o tempo para a oração, o recolhimento e fortalecimento na comunhão espiritual.

Silêncio...
Vivemos tempos difíceis, mas ocasião favorável para o silêncio e solitudes fecundas para avaliarmos e revermos projetos, rotas compromissos e sonhos; redirecionar a rota de nossas ambições desmedidas, para não fazer sofrer os mais empobrecidos.

Silêncio...
Coragem de fazer silêncio, colocando-nos diante da Verdade em Pessoa, que é o próprio Jesus Cristo, a Verdade que nos liberta, e nos apontará os rumos queridos por Deus para nós, e dias melhores haveremos de viver, porque órfãos jamais nos deixou: – “Não vos deixarei órfãos...” (Jo 14,18).

Silêncio para o fecundo silêncio.
Silêncio para aprender a silenciar.
Silêncio para falar o que for necessário.
Silêncio para calar o que preciso for.

Silêncio...

PS: Escrito no dia 27 de março de 2020

Quem sou eu

Minha foto
4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG