sábado, 25 de janeiro de 2025

Em poucas palavras...(25/01)

                                                         


“Ó Deus, que instruístes o mundo inteiro...”

“Ó Deus, que instruístes o mundo inteiro pela pregação do apóstolo São Paulo, dai-nos, ao celebrar hoje sua conversão, caminhar para vós seguindo seus exemplos, e ser no mundo testemunhas do Evangelho. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.” (1)

 

(1)             Oração das Laudes na Festa da Conversão do Apóstolo Paulo - 25 de janeiro


Pássaro enlameado (25/01)

                                                            

Pássaro enlameado

“Como cantar o cântico do Senhor
em terra estranha?
(Sl 137,4)

Já não há como voar, quando se está enlameado.
Sinto em minhas asas um peso que nunca senti.
Não há mais alturas a alcançar.
Haverá razões para voltar a cantar?

O ninho que tecia sem pressa,
Já não sei mais onde se encontra,
E nem tenho porque mais tecer,
Pois não há mais filhotes a alimentar.

Sou apenas um pássaro enlameado,
Vítima tão frágil de um deus voraz
Que a outros pássaros enterrou,
Na ambição desmedida e criminosa.

Meu canto é de dor e lamento
Pelas vidas humanas sacrificadas,
Centenas de falecidos e desaparecidos;
Aos lamentos que sobem aos céus, uno o meu.

Meu canto é de dor e profecia,
Pois a quem foi confiado nossa casa comum,
Haverá de reaprender o valor sagrado da vida,
Que em nada pode ser submetido e subtraído.

Meu canto é de dor e esperança,
Que nunca mais haverá pássaros enlameados,
E os cantos soarão como bela sinfonia na mata
E crianças, jovens e idosos, com sorrisos e a mesa farta.

Embora seja apenas um pássaro enlameado,
Estou unido no mistério de dor e paixão
De tantos corações doloridos.
É tempo de revigorar as asas e voltar a cantar.

Pássaro enlameado compadecido,
Canto meu canto de dor, lamento, profecia e esperança
De que um dia acordaremos e cantaremos juntos:
Nasceu novo dia, sem resquícios de insana idolatria.

PS: Em 25 de janeiro de 2019, aconteceu um dos maiores desastres ambientais no Brasil, o rompimento da barragem de Brumadinho-MG, provocando 252 mortes.

Escrevi este poema, expressando minha solidariedade com a dor de seus familiares, somado às orações por todos os mortos.

Apóstolo Paulo: fidelidade e amor incondicional ao Senhor (25/01)

Apóstolo Paulo: fidelidade e amor incondicional ao Senhor

Paulo, o Apóstolo disse aos Filipenses:
"... considero tudo perda diante da vantagem suprema que consiste em conhecer a Cristo, meu Senhor.”  (Fl 3,8).

E ainda "... continuai firmes no Senhor." (Fl 4,1)

E, para que não fique nenhuma dúvida, dirá -
“Tudo posso naquele que me fortalece.” (Fl 4,13).

Nos três versículos, 
o amor do Apóstolo por Jesus mais que admirável!
E quanto a nós, por Deus, 
mais do que desejável!

Deus, por nós e de nós, 
quer apenas resposta de amor.
Para o Apóstolo,
por Ele, Jesus, tudo é perda!

É Ele, Jesus, quem nossos passos firma, 
e em nosso bom combate nos acompanha (2 Tm 4,7-8),
assiste e fortalece.

Aos Coríntios e a nós, o Apóstolo  continua dizendo:
"... em Cristo somos mais que vencedores" (Rm 8,37-39).

Na vocação do Apóstolo Paulo
 nos inspiremos e nos espelhemos, 
a fim de que cresçamos na fidelidade e amor 
ao Senhor, à Sua Palavra  e à Sua Igreja.
Amém.

São Paulo Apóstolo, rogai por nós! (25/01)

 


São Paulo Apóstolo, rogai por nós!
 
No dia 25 de janeiro, celebramos a Festa da Conversão do Apóstolo São Paulo, e ouvimos a passagem do Evangelho de Marcos (Mc 16,15-18).
 
Na passagem, Jesus Ressuscitado aparece aos onze discípulos e os envia em missão: “Ide pelo mundo inteiro e anunciai o Evangelho a toda criatura” (Mc 16,15).
 
Eis a nossa missão, como Igreja sinodal que somos: caminhar juntos e cumprir o mandato do Senhor, sendo uma Igreja em estado permanente de missão, na fidelidade a Jesus, vivo e Ressuscitado, em plena comunhão com o Pai e o Espírito Santo que nos conduz, pois é Ele o grande protagonista da missão.
 
Contando com a intercessão do Apóstolo Paulo, elevemos a Deus nossa oração:
 
Oremos:
 
Senhor, concedei-nos a Sabedoria do Vosso Espírito, para que, cumpramos a vontade de Deus, na missão de evangelizadores, discípulos missionários Vossos, que é a mais bela essência da nossa missão: sermos instrumentos de vida, amor, luz e paz, num mundo marcado por sinais de contradições e mortes.
 
Senhor, ajudai-nos, para que nos abramos à graça e ao amor, que são derramados em nossos corações pelo Vosso Espírito, de modo que por Vós chamados, acolhidos, amados e enviados em missão, conheçamos quem sois e sintamos Vossa presença de amor e coragem.
 
Senhor, movidos pelo Vosso Espírito Santo, ensinai-nos a sermos canais da graça divina na vida das pessoas e, ao mesmo tempo, preparando os nossos corações e de todos a quem comunicamos a Semente de Vossa Palavra, para que sejamos terrenos férteis, produzindo os frutos que Vosso Pai tanto espera.
 
Senhor, conduzidos por Vosso Espírito, façamos de nossa vida doação e serviço, amor e entrega, como assim Vós fizestes, em ato extremo na morte de Cruz, amando-nos até o fim, por isto, pelo Pai fostes Glorificado. Amém. Aleluia!

Permanecer na cidade e alegremente anunciar a Boa-Nova do Evangelho! (2009) (25/01)


Permanecer na cidade e alegremente anunciar a Boa-Nova do Evangelho!
  
Iniciando mais um ano com as bênçãos de Deus e com a proteção de Maria, Mãe de Deus, Mãe da Igreja, é importante retomarmos os caminhos que devemos trilhar.

Jamais poderemos nos esquecer dos desafios para a Evangelização na Cidade em que moramos. Porém, ainda que tão grandes o sejam,  não serão maiores que a força e a imensurável graça divina que nos acompanha (são desafios comuns a toda grande cidade)

Converter – conversão em todos os níveis e de todos os envolvidos na Evangelização: leigos (as), consagrados (as), ordenados. Conversão das estruturas para que se intensifique a comunhão e a participação, respondendo aos apelos da acolhida, realidade de pastoral urbana missionária e ecumênica.

Acolher os irmãos e irmãs com alegria, como comunidade do Amor na alegre fraternidade e ternura.

Defender a vida, desde a sua concepção até o seu declínio natural, respondendo aos clamores que emergem na defesa da mesma, ressaltando sua dignidade e sacralidade. Defender a vida também enquanto meio ambiente, numa espiritualidade ecológica.

Comunicar a Boa-Nova do Evangelho através dos Meios de Comunicação já existentes, e ampliar a necessária penetração nos novos areópagos da cidade: Internet, rádio, TV, jornais, escolas, universidades, hospitais, shoppings; dar passos para o fortalecimento da Comissão Missionária Paroquial (COMIPA).

Catequizar e Evangelizar - Não é suficiente a catequese é preciso Evangelizar, permear a vida toda com o Evangelho, fazendo do mesmo princípio ético de conduta e promoção do bem comum, construção de uma sociedade justa e fraterna. Alargar os horizontes da Pastoral Paroquial, numa necessária conversão e vitalização.

Revigorar a Família diante dos incontáveis desafios (fragmentação, desestruturação, falta de diálogo...), para que ela seja sacrário vivo da vida, espaço primeiro e privilegiado da formação humana, espiritual, psicológica, assimilação dos valores que devem nortear a vida de toda pessoa e a pessoa toda para sempre...

Reavivar a evangélica opção preferencial pelos pobres no revigoramento e comprometimento sociopolítico, em busca de políticas públicas que assegurem vida, parcerias viáveis, fortalecimento dos diversos conselhos paritários...

Que os desafios apresentados, em mais um ano de intensa atividade pastoral e ação evangelizadora, encontrem corajosas respostas de todos nós: padres e agentes de pastoral, e de todos os batizados.

Que o mesmo Espírito que pousou sobre Jesus na Sinagoga de Nazaré continue repousando sobre nós para que tenhamos o Espírito do Senhor: Espírito de sabedoria e discernimento, Espírito de conselho e fortaleza, Espírito de ciência, temor e piedade (Is 11,1-3a).

Sendo a fé viva quando são as obras que falam, deixemos as obras falarem no cuidado do rebanho, por Deus, a nós confiado! (1Pd 5,1-4).  

sexta-feira, 24 de janeiro de 2025

Paulo, Apóstolo da liberdade autêntica! (25/01)

                                                              

Paulo, Apóstolo da liberdade autêntica!

“Para a liberdade foi que Cristo nos libertou.
Ficai, pois firmes e não vos deixeis amarrar de novo
ao jugo da escravidão.” (Gl 5, 1)

Liberdade é a possibilidade de agir conforme a própria vontade, mas dentro dos limites da lei e das normas racionais socialmente aceitas. Ela é manifestação de um estado ou condição de quem é livre.

A liberdade pressupõe a supressão das formas de opressão anormais, ilegítimas e imorais. Amadurecimento da autonomia, independência. 

Não há liberdade quando alguém está submetido a qualquer espécie de constrangimento físico ou moral, bem como impossibilitado de ir e vir.

Algumas vezes a liberdade se transveste como licença, permissão: toda a liberdade de falar, de expressar sentimentos, pareceres, não aprovação, correção, expressão do que passa no recôndito obscuro de nossa alma, sem medo de retaliação. 

A liberdade se manifesta, às vezes, em surpreendente familiaridade.

Liberdade como a inexistência de quaisquer amarras, laços, correntes concretas, espirituais, imaginárias, irreais. 

Liberdade de sentimento, pensamento, asas para o voo da imaginação, da criação, da invenção, da superação...

Liberdade seguida de muitos nomes; que abrevio fazendo uso da minha liberdade de também não ter que tudo dizer.

Reflitamos sobre a liberdade cristã que o Apóstolo viveu intensamente na relação de amor com o Ressuscitado, e para tanto retomemos a passagem bíblica (1Cor 9,16-19.22-23) em que ele afirma: “Ai de mim se eu não evangelizar”.

A liberdade para Paulo não consiste em fazer o que lhe apetece, o que corresponda à sua vontade, mas em acolher livremente o que Deus pensou de belo, de bom, de verdadeiro para cada um de nós, sem que nos apropriemos de Seu Projeto.

A liberdade que Paulo vivenciou é a Liberdade alcançada para quem vive no Espírito, e que deve ser manifestada na obediência à vontade divina, vivida e sentida no mais profundo do ser. Na gratuidade vivida, sem se prevalecer de nenhuma posição, título, privilégio. Viveu a gratuidade para ganhar o maior número possível de pessoas para a causa de Cristo. A liberdade cresce proporcionalmente à gratuidade vivida para com Deus.

Gratidão para com Deus, Paulo a vive intensamente, e por diversas vezes foi reconhecedor de sua condição não merecedora de ser Apóstolo do Senhor. 

O Apóstolo por diversas vezes soube expressar como ninguém nossa pequenez e a nossa condição de não merecedores do quanto Deus fez, faz e pode fazer por nós.

A liberdade por ele vivida em invejável fidelidade, levou à libação de sua vida: combateu o bom combate da fé. Impressionante, também, é a lista de sofrimentos que passou por amor a Cristo e ao Evangelho (cf. 2Cor 12). Nada fez por iniciativa própria, mas por iniciativa divina (v.17).

A liberdade vivida por Paulo é testemunhada pela sua dedicação total – “tudo faço por causa do Evangelho” – (v. 23). Por último, ainda que não o seja, a liberdade é testemunhada pela sua coerência de vida: vivia pessoalmente o que anunciava com absoluta disponibilidade para os desígnios divinos.

Liberdade assim no Espírito Paulo viveu, e como ele muitos outros que a Igreja reconhece e venera e que chama de Santos.

Num mundo onde o conceito de liberdade muitas vezes se confunde com a libertinagem ou a expressão de egoísmo, de individualismo, do capricho da realização das vontades próprias, ainda que em prejuízo do outro e até do planeta em que habitamos, precisamos colocar na pauta das discussões a verdadeira liberdade.

Muito se fala de liberdade, mas talvez possamos estar apressadamente e irresponsavelmente dela nos afastando.

Aprendamos com Paulo a verdadeira liberdade que vem do Espírito. Voltemo-nos aos conceitos primeiros de liberdade que o Apóstolo anunciou e testemunhou na obediência, fidelidade, gratidão, gratuidade, coerência:

 “Para a liberdade foi que Cristo nos libertou. Ficai, pois firmes e não vos deixeis amarrar de novo ao jugo da escravidão.” (Gl 5, 1)

quarta-feira, 22 de janeiro de 2025

Viver da Palavra e pela Palavra (25/01)

 


Viver da Palavra e pela Palavra
 
Com a passagem da Carta do Apóstolo Paulo a Timóteo (2 Tm 3,14-4,2), vemos como é importante a Palavra de Deus como fonte privilegiada de oração.
 
O texto foi escrito para as comunidades que viviam um contexto de perseguição, da falta do entusiasmo. Era mais do que necessário a redescoberta deste entusiasmo pelo Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo.
 
Era preciso retomar a fidelidade à doutrina, como grande herança dos Apóstolos, que é acompanhada pela fidelidade às Escrituras, fonte de formação e educação cristã, tornando o discípulo mais configurado ao Senhor.
 
Paulo exorta a uma proclamação da Palavra sem medo, sem pudores e com entusiasmo. Palavra que é oportuna para ensinar, persuadir, corrigir e formar.
 
Urge rever qual o lugar da Palavra de Deus em nossa vida, como a valorizamos e que formação procuramos para melhor compreendê-la e melhor vivê-la.
 

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4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG