quarta-feira, 28 de outubro de 2026

Ser cristão: “ser para os outros”

                                                   

Ser cristão: “ser para os outros”

 “Mestre, eu Te seguirei aonde quer que Tu vás”
(Mt 8,19)

Na segunda-feira da 13ª Semana do Tempo Comum, ouvimos a passagem do Evangelho de Mateus (Mt 8,18-22), em que Jesus nos apresenta as exigências para segui-Lo.

Na passagem, Jesus afasta toda e qualquer ilusão: sem medo da insegurança da própria vida, em confiança total no Senhor, acompanhado de despojamento, pobreza, simplicidade de vida, bem como abertura aos desafios que possam surgir no trilhar o caminho, ao segui-Lo.

Assim afirmou o Papa Bento XVI sobre o ser cristão na Carta Encíclica Deus Caritas Est (n.1):

“Ao início do ser cristão, não há uma decisão ética ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo”.

De fato, a mensagem cristã é exigente e não se limita à adesão de uma doutrina, mas uma Pessoa, Jesus.

Com isto, é preciso que oriente, determine o modo de viver, muito mais do que o modo de pensar, tão apenas.

Para seguir Jesus Cristo, é preciso que se vá aonde Ele for, fazer o que Ele faz e como Ele faz, impregnando nossas atitudes de amor, para que estas ações sejam fecundas.

Múltiplas são as formas de ação de pessoas que se decidiram segui-Lo: evangelizando nas casas em todos os lugares (sobretudo em desafiadores espaços, como vilas e favelas, prédios e condomínios); com os enfermos nos hospitais, ou mesmo em suas casas; penitenciárias; em claustros, numa vida consagrada, na oração e serviço pela santificação do mundo; no trabalho com crianças, jovens e idosos e comunidades distantes de nossas cidades.

No testemunho da caridade sublime, participando da política, a fim de que ela seja, de fato, o exercício da promoção do bem comum; em tantas atividades sociais dentro e fora do espaço da Igreja; outros tantos que se dedicam nas inúmeras pastorais de nossas comunidades paroquiais.

Como vemos, ser cristão é configurar-se totalmente a Jesus Cristo, e d’Ele ter mesmos sentimentos, como nos falou o Apóstolo Paulo na Carta aos Filipenses (c.2). E assim, muito mais do que viver não fazendo o mal a ninguém, é preciso escrever uma história de seguimento comprometido na promoção do bem comum, da fraternidade e da paz. Isto é, verdadeiramente, um caminho de santidade, que encontramos apresentado no Sermão da Montanha (Mt 5,1-12).

Numa palavra final, seguir o Mestre, Jesus Cristo, é seguir e se consumir, cotidianamente, na fidelidade a Ele e à Boa-Nova do Reino, numa vida essencialmente marcada pelo “Ser para os outros”.

Oremos:

"Ó Deus, pela Vossa graça, nos fizestes filhos da luz. Concedei que não sejamos envolvidos pelas trevas do erro, mas brilhe em nossas vidas a luz da Vossa verdade. Por N.S.J.C., na unidade do Espírito Santo. Amém".


Fonte: Missal Cotidiano – Editora Paulus – p.964
PS: Apropriado para a passagem do Evangelho de Lucas (Lc 9,57-62)

Em poucas palavras... (Todos os Santos)

                                     


Santos e pecadores o somos

“Não há santos sem passado, nem pecadores sem futuro" (1)

 

(1) Frase frequentemente atribuída ao Cardeal François-Xavier Nguyên Vân Thuân, um cardeal vietnamita.

Bem-Aventuranças: a carteira de identidade do cristão

                                                  


Bem-Aventuranças: a carteira de identidade do cristão 
 
Celebramos no dia 1º de novembro a Solenidade de todos os Santos e Santas (no Brasil é transferida para o domingo seguinte, quando dia 1º for um dia da semana).
 
Santidade é um caminho a ser percorrido, ou mesmo, podemos dizer como que a subida de uma escada, degrau por degrau, de modo que, não há santidade alcançada plenamente e para sempre.
 
Ela consiste num processo contínuo de lapidação, para que o esplendor da verdade e da caridade aconteça em nós, até o encontro com a plenitude da luz que se dá no céu!
 
Celebramos a memória de todos os santos e santas, canonizados ou não pela Igreja, e tantos outros que hoje cantam a Deus, no Céu, o perfeito louvor, intercedendo a Deus por nós.
 
Devemos venerá-los e jamais adora-los, pois tão somente a Deus se adora. “Santo é um pecador de quem Deus teve misericórdia”, conforme afirmação atribuída a Santo Agostinho.
 
São exemplos a serem imitados – cada santo tem uma marca forte e apaixonante no seguimento de Jesus – podemos aprender com eles.
 
A santidade é participar da vida de Deus, e deve ser compreendida como dom de Deus e nossa resposta a Ele:
 
“A santidade cristã manifesta-se, pois, como uma participação na vida de Deus, que se realiza com os meios que a Igreja nos oferece, particularmente com os sacramentos.
 
A santidade não é o fruto do esforço humano, que procura alcançar a Deus com suas forças, e até com heroísmo; ela é dom do amor de Deus e resposta do homem à iniciativa divina” (1)
 
Com o batismo, alcançamos a filiação, recebemos a semente de imortalidade,  e com a Ressurreição, a imagem perfeita de Cristo, e o nosso futuro é a pertença e a semelhança de Deus – imagem perfeita de Cristo.
 
Deste modo, as Bem-Aventuranças (Mt 5,1-12)  são caminho que leva à santidade, com uma ética própria, que renova a pessoa, a comunidade e a sociedade, porque, se vividas, provocam mudança radical de vida.
 
Compreendamos as Bem-Aventuranças:
 
- Os pobres em espírito:  mais do que no sentido econômico e social, são os humildes, pecadores e abertos ao perdão. Ser pobre é ter o olhar voltado para o futuro, para a eternidade, confiando totalmente em Deus.
 
- Os que “choram” partilham o sofrimento do outro.
 
- Os “mansos” mantém a serenidade sempre!
 
- A prática da justiça consiste no fazer a vontade de Deus.
 
- A Pureza de coração é sinônimo de retidão...
 
- Somos como discípulos promotores da paz e impulsionados pela misericórdia divina.
 
- Temos a serenidade e maturidade para enfrentar as adversidades, calúnias e perseguições.
 
A Igreja haverá sempre de nos ensinar que, na comunhão dos santos, não caminhamos sós, e contamos com aqueles que lavaram a suas vestes no Sangue do Cordeiro, que hoje contemplam a face do Pai, continuam vivos em nosso coração, como exemplos a serem imitados, sedentos da Salvação divina, que tão somente Deus pode nos alcançar.
 
Sejamos santos como Deus é Santo, vivendo iluminados e conduzidos pelas Bem-Aventuranças, caminho de santidade e felicidade plena e verdadeira. Sejam as Bem-Aventuranças a carteira de identidade do cristão (cf. Papa Francisco).
 
 
 
(1) Missal Dominical – Editora Paulus - p. 1367

A verdadeira felicidade

                                                       



A verdadeira felicidade
 
A título de aprofundamento da passagem do Evangelho de Lucas (Lc 6,17.20-26; Mt 5,1-12), sobre as Bem-Aventuranças, que Jesus Cristo apresentou como projeto de vida para Seus discípulos, retomemos esta reflexão de Pe. José David Quintal Vieira, scj:
 
 “Desiludido pela vida, um beduíno isolou-se no deserto. Depois de muito andar entrou numa gruta tão enigmática como a sua vida.
 
Olhando as paredes nuas e frias, seguiu um rasto de luz.
 
– Entra, meu irmão – encorajou-o uma voz benévola.
 
Na penumbra viu então um eremita em oração.
 
– Tu vives aqui? – perguntou surpreso – Como consegues resistir sem conforto e longe de todos? Como podes ser feliz aqui?
 
O eremita sorriu:
 
– Eu vivo pobre mas tenho um grande tesouro. Olha para cima – E apontou para uma pequena abertura no teto da gruta – Que vês?
 
– Não vejo nada.
 
– De certeza que não descobres nada?
 
– Só um pedaço do céu…
 
– Só um pedaço de céu?! E não te parece que é um tesouro maravilhoso?
 
Jesus Cristo apresenta-nos hoje uma proposta de felicidade. Muitas vezes a nossa felicidade parece um projeto adiado: Só seremos felizes quando tivermos isto, quando fizermos aquilo, quando chegarmos ali… Depois ficamos frustrados porque a felicidade continua mais à frente, qual alvo móvel.
 
A felicidade é um caminho. Aproveite todos os momentos que tem, eles são um cantinho do céu. Não há hora melhor para ser feliz do que agora mesmo, com ou sem lágrimas. A felicidade é uma viagem, não um destino.”
 
Montanha (Evangelho de Mateus) ou planície (Evangelho de Lucas), de fato, as Bem-Aventuranças nos apontam um paradoxal caminho de felicidade, muitas vezes em total oposição à felicidade que o mundo propõe.
 
A exemplo do beduíno, tenhamos no horizonte o “pedaço do céu” para, com coragem, darmos testemunho de fé, como peregrinos de esperança, na vivência da caridade.
 
De fato, a felicidade é uma viagem que fazemos e não um destino, com suas renúncias, fidelidade e oração.
 
Importa que não nos percamos nesta viagem, e, assim, já sentiremos o gosto da verdadeira felicidade. 

Memória, avaliação e esperança

                                                  


Memória, avaliação e esperança

Na espera do Senhor Jesus, que virá em Sua glória nos julgar a todos nós, no juízo final.

Sejamos, portanto,  conduzidos e iluminados pelas Bem-Aventuranças (Mt 5,1-12) na prática da misericórdia (Mt 25,31-46), bem como nos falou o presbítero São João da Cruz (séc. XVI) - “No entardecer de nossa vida seremos julgados pelo amor”, e o bispo e doutor da Igreja Santo Ambrósio: - “Somente a misericórdia nos serve de companheira” rumo à eternidade.

Nada levaremos, quando desta vida partirmos, a não ser a misericórdia vivida, que nos acompanhará para a passagem definitiva: nem dinheiro, nenhum bem, nem título, nem glória humana alguma alcançada, absolutamente nada que se possa tocar.

Fundamental que retomemos e aprofundemos sobre as obras de misericórdia corporais e espirituais:

Obras de misericórdia corporais: Dar de comer a quem tem fome; dar de beber a quem tem sede; vestir os nus; dar pousada aos peregrinos; assistir aos enfermos; visitar os presos; enterrar os mortos. 

Obras de misericórdia espirituais: Dar bom conselho; ensinar os ignorantes; corrigir os que erram; consolar os aflitos; perdoar as injúrias; sofrer com paciência as fraquezas do nosso próximo; rogar a Deus por vivos e defuntos.  

Seja, portanto, este dia de recolhimento e oração, fazendo memória daqueles que nos antecederam na glória de Deus, elevando aos céus nossas orações, fazendo avaliação de nossa vida, discipulado e testemunho sobre o mundo que estamos deixando para aqueles que virão depois de nós. E, por fim, esperança de que um dia nos encontremos na eternidade na plenitude do amor, vida e luz divinas. Amém.

Todos somos chamados à Santidade

                                                       


Todos somos chamados à Santidade

Todos somos convidados a refletir sobre a Santidade, para vivermos mais intensamente a graça do Batismo.

Deus nos predestinou a sermos Santos, de modo que a Santidade é a nossa única vocação.

Viver a Santidade não é a ausência do pecado, mas a presença da graça de Deus que nos santifica. Ele nos criou para sermos Santos, e a Santidade deve ser vista como um presente de Deus.

A Santidade é uma iniciativa de Deus e uma resposta nossa. Portanto, é impossível ser de Deus e não ser feliz.

Mas o que é ser santo?

É viver o grande milagre do amor. Sendo assim, a Santidade não é uma tarefa acabada, mas um projeto infinito, numa edificação incansável de um mundo mais justo e fraterno.

Viver a Santidade é subir uma escada com muitos degraus que não tem fim, ou melhor, leva-nos para o céu. E, através de nossas atitudes cotidianas de amor, almejamos a graça de um dia contemplar a Deus.

Santidade implica na acolhida da Graça Divina, enfrentando as dificuldades, os sofrimentos, de modo que o sofrer possa se tornar uma graça santificante, nos fortificando, ainda que não curados de uma eventual enfermidade, mas fortalecidos em todos os aspectos, e com a cura da alma que nos faz experimentar a força divina, como bem falou o Apóstolo: 

"Por isto, me comprazo nas fraquezas, nos opróbrios, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias por causa de Cristo. Pois quando sou fraco, então é que sou forte" (2 Cor 12,10).

Ao final de cada dia, devemos nos perguntar: 

Quantos degraus subi ou desci na escada da Santidade?

Oremos:

“Ao celebrarmos, Ó Deus, Todos os Santos, nós Vos adoramos e admiramos, porque só Vós sois o Santo, e imploramos que a Vossa Graça nos santifique na plenitude do Vosso Amor, para que, desta mesa de peregrinos, passemos ao Banquete do Vosso Reino. Por Cristo, Nosso Senhor. Amém!”

Santidade, dom e caminho

                                                


Santidade, dom e caminho

Reflitamos sobre as “Bem-Aventuranças” apresentadas por Jesus na passagem do Evangelho de Mateus (Mt 5,1-12).

Assim nos falou o Papa Francisco em memorável homilia:

“As Bem-aventuranças são de algum modo o cartão de identidade do cristão, que o identifica como seguidor de Jesus.

Somos chamados a ser bem-aventurados, seguidores de Jesus, enfrentando os sofrimentos e angústias do nosso tempo com o espírito e o amor de Jesus.

Neste sentido, poderíamos assinalar novas situações para as vivermos com espírito renovado e sempre atual: felizes os que suportam com fé os males que outros lhes infligem e perdoam de coração; felizes os que olham nos olhos os descartados e marginalizados fazendo-se próximo deles; felizes os que reconhecem Deus em cada pessoa e lutam para que também outros o descubram; felizes os que protegem e cuidam da casa comum; felizes os que renunciam ao seu próprio bem-estar em benefício dos outros; felizes os que rezam e trabalham pela plena comunhão dos cristãos… Todos eles são portadores da misericórdia e ternura de Deus, e d’Ele receberão sem dúvida a merecida recompensa.” (1)

No Ângelus, do dia 01 de novembro de 2023, assim nos falou:

“Hoje celebramos a solenidade de Todos os Santos. À luz desta festa, paremos um pouco para refletir sobre a santidade, em particular sobre duas características da verdadeira santidade: é um dom - é um dom, não se compra - e ao mesmo tempo é um caminho. Um dom e um caminho... A santidade é um caminho, é um dom. Por isso, podemos perguntar-nos: lembro-me que recebi o dom do Espírito Santo, que me chama à santidade e me ajuda a chegar lá? Agradeço ao Espírito Santo por isso, pelo dom da santidade? Sinto os santos perto de mim, falo com eles, dirijo-me a eles? Conheço a história de alguns deles? Faz-nos bem conhecer a vida dos santos e deixarmo-nos comover pelos seus exemplos. E faz-nos muito bem dirigirmo-nos a eles na oração.”

Peregrinando na esperança, como discípulos missionários de Senhor, devemos nos empenhar para correspondermos a este cartão de identidade, vivendo as Bem-Aventuranças, que Jesus nos apresentou no alto da montanha, sobretudo nas novas situações que nos apresentou o Papa Francisco, para que, de fato, vivamos a santidade como dom e um caminho a percorrer, incansáveis, com a força e ação do Santo Espírito.

Santidade, o único caminho para a felicidade plena, que tão somente Jesus Cristo pode nos conceder (cf. Jo 15)

 

 

(1) Viagem do Papa Francisco à Suécia por ocasião dos 500 anos da Reforma Protestante - Santa Missa no estádio Swedbank, em Malmo (01/11/2016)


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