segunda-feira, 26 de outubro de 2026

Conduzidos e iluminados pelas Bem-Aventuranças (1)

                                                               

Conduzidos e iluminados pelas Bem-Aventuranças

 “Bem-Aventurados os pobres em espírito...”

Ouvimos, na Solenidade de Todos os Santos, a passagem do Evangelho (Mt 5, 1-12), em que Jesus nos apresenta as Bem-Aventuranças, no alto da Montanha.

Na realização das atividades pastorais é sempre oportuno rever objetivos e estratégias para melhor anunciarmos e testemunharmos a Boa-Nova do Evangelho, e somente na vivência das Bem-Aventuranças, realizaremos nosso Projeto de vida no encontro da verdadeira felicidade, que é, ao mesmo tempo, o caminho de santidade que todos somos chamados a trilhar, para que mereçamos alcançar a glória da eternidade.

Conduzidos e iluminados pelas Bem-Aventuranças, seremos pobres em espírito, com absoluta e incondicional confiança em Deus; possuiremos a mansidão necessária para enfrentarmos as situações adversas; viveremos as aflições cotidianas, certos de que Deus jamais nos desampara, e nos dá Seu consolo, força e proteção.

Nossa fome e sede de justiça serão saciadas, e não nos omitiremos nos sagrados compromissos por um novo céu e uma nova terra, com relações que expressem maior fraternidade e comunhão.

Viveremos a misericórdia, expressa na acolhida, no perdão, na solidariedade, capacitando-nos e nos colocando com alegria como instrumentos da paz, para sinalizar a presença do Reino em nosso meio.

Iluminados por elas, teremos a pureza de coração e de alma necessária, gerando e formando Cristo em nós e nos outros, com maturidade e coragem para suportar eventuais insultos, calúnias, tormentos, perseguições e, até mesmo a morte, se ela se fizer presente, ainda que indesejável, como assim testemunharam os profetas, apóstolos, mártires e tantos cristãos, nesta longa história de amor e fidelidade ao Senhor.

Pelas Bem-Aventuranças iluminados evangelizaremos com amor, zelo e alegria, com a presença do Espírito do Senhor que repousa sobre nós (Lc 4,18).

Evidentemente, viver as Bem-Aventuranças, como projeto e desafio permanente, exige que carreguemos a cruz cotidianamente com suas necessárias renúncias, o que somente será possível se crermos piamente que Jesus viveu, morreu e desceu à mansão dos mortos, mas Ressuscitou triunfalmente ao terceiro dia.

Crendo no Cristo vivo e Ressuscitado, glorioso, sentado à direita do Pai, renovemos a alegria de combatermos o bom combate da fé, no tempo presente, (como Igreja militante), rumando ao céu, para nos juntarmos àqueles que já se encontram na glória da eternidade (Igreja triunfante), sem deixar de elevarmos orações por aqueles que entre nós viveram, mas ainda não podem contemplar a face divina, devido aos seus pecados (Igreja padecente).

Sejamos sempre conduzidos e iluminados pelas Bem-Aventuranças, com a convicção de que seremos julgados por Deus: “No entardecer de nossa vida seremos julgados pelo amor” (São João da Cruz).

Conduzidos e iluminados pelas Bem-Aventuranças (2)

                                                                

Conduzidos e iluminados pelas Bem-Aventuranças

 “Bem-Aventurados os pobres em espírito...”

É sempre necessário rever objetivos e estratégias para melhor anunciarmos e testemunharmos a Boa-Nova do Evangelho, iluminados pelo Sermão da Montanha, as Bem-Aventuranças, que Jesus nos apresentou como um Projeto de vida, para o encontro da verdadeira felicidade, que é, ao mesmo tempo, o caminho de santidade que todos somos chamados a trilhar, para que mereçamos alcançar a glória da eternidade.

Conduzidos e iluminados pelas Bem-Aventuranças, seremos pobres em espírito, com absoluta e incondicional confiança em Deus; possuiremos a mansidão necessária para enfrentarmos as situações adversas; viveremos as aflições cotidianas, certos de que Deus jamais nos desampara, e nos dá Seu consolo, força e proteção.

Nossa fome e sede de justiça serão saciadas, e não nos omitiremos nos sagrados compromissos por um novo céu e uma nova terra, com relações que expressem maior fraternidade e comunhão.

Viveremos a misericórdia, expressa na acolhida, no perdão, na solidariedade, capacitando-nos e nos colocando com alegria como instrumentos da paz, para sinalizar a presença do Reino em nosso meio.

Conduzidos e iluminados por elas, teremos a pureza de coração e de alma necessária, gerando e formando Cristo em nós e nos outros, com maturidade e coragem para suportar eventuais insultos, calúnias, tormentos, perseguições e, até mesmo a morte, se ela se fizer presente, ainda que indesejável, como assim testemunharam os profetas, apóstolos, mártires e tantos cristãos, nesta longa história de amor e fidelidade ao Senhor.

Evangelizaremos com amor, dedicação e alegria, vivendo as Bem-Aventuranças, como projeto e desafio permanente, carregando a cruz cotidianamente com suas necessárias renúncias, o que somente será possível se crermos piamente que Jesus viveu, morreu e desceu à mansão dos mortos, mas Ressuscitou triunfalmente ao terceiro dia.

Crendo no Cristo vivo e Ressuscitado, glorioso, sentado à direita do Pai, renovemos a alegria de combatermos o bom combate da fé, no tempo presente, (como Igreja militante), rumando ao céu, para nos juntarmos àqueles que já se encontram na glória da eternidade (Igreja triunfante), sem deixar de elevarmos orações por aqueles que entre nós viveram, mas ainda não podem contemplar a face divina, devido aos seus pecados (Igreja padecente).

Sejamos sempre conduzidos e iluminados pelas Bem-Aventuranças, com a convicção de que seremos julgados por Deus: “No entardecer de nossa vida seremos julgados pelo amor” (São João da Cruz).

Em poucas palavras... (Todos os Santos)

                                     


Santos e pecadores o somos

“Não há santos sem passado, nem pecadores sem futuro" (1)

 

(1) Frase frequentemente atribuída ao Cardeal François-Xavier Nguyên Vân Thuân, um cardeal vietnamita.

“Peregrinando na penumbra da Fé”

                                                      

“Peregrinando na penumbra da Fé”

Acontecimento: Missa de renovação das promessas batismais das crianças da Catequese, com vistas à Primeira Eucaristia.

Liturgia do dia: Solenidade de todos os Santos e Santas, com a riqueza da Palavra Proclamada: Ap 1; Sl 23; 1Jo 3,1-3; Mt 5, 1-12a.

Acenei para os cinco vitrais, entre tantos, que enriquece a Igreja em que nos encontrávamos.

1 – O primeiro vitral: o Batismo de Jesus no Rio Jordão por João Batista, remetendo-nos ao acontecimento celebrado: a renovação de nosso Batismo. Para que o vivamos precisamos fazer renúncias cotidianas, e professar, com alegria, as verdades da fé que nos movem e nos solidificam neste caminho de santidade.

2 – O segundo vitral: uma das pregações de Santo Antônio, que embora encontrando indiferença da parte de alguns, não encontrou da parte dos peixes, que segundo consta, puseram-se a ouvi-lo, atentamente.  Acenei para a caminhada catequética feita, o anúncio da Palavra, o conhecimento da Doutrina Católica, a fome que todos temos da Palavra de Deus, de modo especial, comunicada na Missa com a Liturgia da Palavra em que Cristo Se faz Pão.

3 – O terceiro vitral: a famosa cena da mula, que depois de dias sem comer, curva-se diante da Eucaristia por Santo Antônio apresentada. Motivei a perseverança na caminhada catequética, dando mais alguns passos para que cheguemos ao grande dia de reconhecermos a presença de Jesus na Eucaristia, o Mistério da fé que cremos. Ele está verdadeiramente no Pão e no Vinho Consagrado, transubstanciado. Em cada Missa também somos alimentados pelo Pão da Eucaristia e inebriados pelo Sangue de Cristo, Verdadeira Comida e Bebida para o caminho que fazemos, na penumbra da fé, esperançosos da Jerusalém Celeste, aguardando a segunda vinda do Senhor.

4 – O quarto vitral: Santo Antonio partilhando um pedaço de pão.
Inspira-nos a vivência da caridade, do amor, da partilha, da solidariedade, como viveram as primeiras comunidades, aqueles que se encontram para a Fração do Pão, para o Encontro Eucarístico. Quem se alimenta do Pão e da Palavra e do Pão da Eucaristia, como discípulo missionário, é enviado ao mundo para ser sinal de alegre partilha, promovendo a vida plena para todos.

5 – O quinto vitral: Santo Antonio segura o Menino Jesus, como que O ofertando, apresentando ao mundo. Esta é nossa missão, formar e gerar Cristo em nós, em cada Banquete Eucarístico que participamos, oferecendo a luz e o Amor de Deus ao mundo, sendo sinal de Sua presença para tantos quantos precisam.

Todo batizado em nome da Trindade Santa tem esta maravilhosa missão, como discípulos missionários do Senhor: nutrido pela Palavra e pela Eucaristia, dar razão de sua esperança, viver o o seu Batismo, testemunhar a sua fé, com gestos concretos de amor e partilha.

O convite da Missa: sermos Santos como Deus é Santo! Vivendo na comunhão com todos os Santos e Santas que nos precederam na Glória Celeste; que lavaram e alvejaram as suas vestes no Sangue do Cordeiro.

Por isto, em cada Eucaristia que celebramos, subimos à Montanha Sagrada, nos assentamos aos pés do Senhor, que nos ensina e nos propõe um Projeto de vida, santidade e felicidade: as Bem-Aventuranças...

Inspirado nos cinco vitrais e iluminados pela Palavra proclamada não nos percamos no caminho, nesta trilha iluminada da Santidade.

Ainda que o leitor não conheça os referidos vitrais, poderá conhecer outros que também levam a reflexões e Orações; que elevam a alma e iluminam nossa caminhada na penumbra da fé, esperançosos da Jerusalém Celeste que há de vir, como também expressa o Prefácio desta Missa Solene:

“Festejamos hoje a cidade do céu, a Jerusalém do alto, nossa mãe, onde nossos irmãos, os Santos, Vos cercam e cantam eternamente o Vosso louvor. Para essa cidade caminhamos pressurosos, peregrinando na penumbra da Fé”.


PS: Celebração em novembro de 2013, na Paróquia Santo Antônio de Gopoúva - Diocese de Guarulhos - SP - em novembro de 2013. 

Bem-Aventuranças: a carteira de identidade do cristão

                                                  


Bem-Aventuranças: a carteira de identidade do cristão 
 
Celebramos no dia 1º de novembro a Solenidade de todos os Santos e Santas (no Brasil é transferida para o domingo seguinte, quando dia 1º for um dia da semana).
 
Santidade é um caminho a ser percorrido, ou mesmo, podemos dizer como que a subida de uma escada, degrau por degrau, de modo que, não há santidade alcançada plenamente e para sempre.
 
Ela consiste num processo contínuo de lapidação, para que o esplendor da verdade e da caridade aconteça em nós, até o encontro com a plenitude da luz que se dá no céu!
 
Celebramos a memória de todos os santos e santas, canonizados ou não pela Igreja, e tantos outros que hoje cantam a Deus, no Céu, o perfeito louvor, intercedendo a Deus por nós.
 
Devemos venerá-los e jamais adora-los, pois tão somente a Deus se adora. “Santo é um pecador de quem Deus teve misericórdia”, conforme afirmação atribuída a Santo Agostinho.
 
São exemplos a serem imitados – cada santo tem uma marca forte e apaixonante no seguimento de Jesus – podemos aprender com eles.
 
A santidade é participar da vida de Deus, e deve ser compreendida como dom de Deus e nossa resposta a Ele:
 
“A santidade cristã manifesta-se, pois, como uma participação na vida de Deus, que se realiza com os meios que a Igreja nos oferece, particularmente com os sacramentos.
 
A santidade não é o fruto do esforço humano, que procura alcançar a Deus com suas forças, e até com heroísmo; ela é dom do amor de Deus e resposta do homem à iniciativa divina” (1)
 
Com o batismo, alcançamos a filiação, recebemos a semente de imortalidade,  e com a Ressurreição, a imagem perfeita de Cristo, e o nosso futuro é a pertença e a semelhança de Deus – imagem perfeita de Cristo.
 
Deste modo, as Bem-Aventuranças (Mt 5,1-12)  são caminho que leva à santidade, com uma ética própria, que renova a pessoa, a comunidade e a sociedade, porque, se vividas, provocam mudança radical de vida.
 
Compreendamos as Bem-Aventuranças:
 
- Os pobres em espírito:  mais do que no sentido econômico e social, são os humildes, pecadores e abertos ao perdão. Ser pobre é ter o olhar voltado para o futuro, para a eternidade, confiando totalmente em Deus.
 
- Os que “choram” partilham o sofrimento do outro.
 
- Os “mansos” mantém a serenidade sempre!
 
- A prática da justiça consiste no fazer a vontade de Deus.
 
- A Pureza de coração é sinônimo de retidão...
 
- Somos como discípulos promotores da paz e impulsionados pela misericórdia divina.
 
- Temos a serenidade e maturidade para enfrentar as adversidades, calúnias e perseguições.
 
A Igreja haverá sempre de nos ensinar que, na comunhão dos santos, não caminhamos sós, e contamos com aqueles que lavaram a suas vestes no Sangue do Cordeiro, que hoje contemplam a face do Pai, continuam vivos em nosso coração, como exemplos a serem imitados, sedentos da Salvação divina, que tão somente Deus pode nos alcançar.
 
Sejamos santos como Deus é Santo, vivendo iluminados e conduzidos pelas Bem-Aventuranças, caminho de santidade e felicidade plena e verdadeira. Sejam as Bem-Aventuranças a carteira de identidade do cristão (cf. Papa Francisco).
 
 
 
(1) Missal Dominical – Editora Paulus - p. 1367

A verdadeira felicidade

                                                       



A verdadeira felicidade
 
A título de aprofundamento da passagem do Evangelho de Lucas (Lc 6,17.20-26; Mt 5,1-12), sobre as Bem-Aventuranças, que Jesus Cristo apresentou como projeto de vida para Seus discípulos, retomemos esta reflexão de Pe. José David Quintal Vieira, scj:
 
 “Desiludido pela vida, um beduíno isolou-se no deserto. Depois de muito andar entrou numa gruta tão enigmática como a sua vida.
 
Olhando as paredes nuas e frias, seguiu um rasto de luz.
 
– Entra, meu irmão – encorajou-o uma voz benévola.
 
Na penumbra viu então um eremita em oração.
 
– Tu vives aqui? – perguntou surpreso – Como consegues resistir sem conforto e longe de todos? Como podes ser feliz aqui?
 
O eremita sorriu:
 
– Eu vivo pobre mas tenho um grande tesouro. Olha para cima – E apontou para uma pequena abertura no teto da gruta – Que vês?
 
– Não vejo nada.
 
– De certeza que não descobres nada?
 
– Só um pedaço do céu…
 
– Só um pedaço de céu?! E não te parece que é um tesouro maravilhoso?
 
Jesus Cristo apresenta-nos hoje uma proposta de felicidade. Muitas vezes a nossa felicidade parece um projeto adiado: Só seremos felizes quando tivermos isto, quando fizermos aquilo, quando chegarmos ali… Depois ficamos frustrados porque a felicidade continua mais à frente, qual alvo móvel.
 
A felicidade é um caminho. Aproveite todos os momentos que tem, eles são um cantinho do céu. Não há hora melhor para ser feliz do que agora mesmo, com ou sem lágrimas. A felicidade é uma viagem, não um destino.”
 
Montanha (Evangelho de Mateus) ou planície (Evangelho de Lucas), de fato, as Bem-Aventuranças nos apontam um paradoxal caminho de felicidade, muitas vezes em total oposição à felicidade que o mundo propõe.
 
A exemplo do beduíno, tenhamos no horizonte o “pedaço do céu” para, com coragem, darmos testemunho de fé, como peregrinos de esperança, na vivência da caridade.
 
De fato, a felicidade é uma viagem que fazemos e não um destino, com suas renúncias, fidelidade e oração.
 
Importa que não nos percamos nesta viagem, e, assim, já sentiremos o gosto da verdadeira felicidade. 

Em poucas palavras... (Todos os Santos)

                                


   



                                         Santidade...

Ser Santo significa ser totalmente de Deus, vivendo um cristianismo libertado, esperançoso, comprometido e exigente, numa vida espiritual sólida e permanente.



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4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG