segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Livres para amar e servir

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Livres para amar e servir

“Usar os bens que passam
e abraçar os que não passam”

Cristo Jesus, cremos que seremos julgados pelo modo que realizamos nossa vocação, na fidelidade a Deus e aos homens, pela prática constante da caridade, e não pelo que possuímos.

Cristo Jesus, ensinai-nos o necessário desprendimento do coração em relação aos bens terrenos, para que sejamos enriquecidos diante de Deus.

Cristo Jesus, afastai de nós toda a avidez de possuir a ilusão do poder do dinheiro, que se torna assim fonte de pecado, uma das maiores tentações a enfrentarmos.

Cristo Jesus, afastai a ilusão de que, com riquezas e dinheiro, tudo podemos comprar, como a honra, os prazeres, o bem-estar, a estima, fazendo disto fonte de preocupações, injustiças, ódio e morte.

Cristo Jesus, ajudai-nos a buscar, em primeiro lugar, o Reino de Deus, servindo a Deus em nosso próximo, e jamais servir ao dinheiro, fazendo dele um ídolo que nos cegue e nos seduza ao caminho que leve ao abismo.

Cristo Jesus, Vos pedimos que saibamos, com discernimento e sabedoria, servir-nos dos bens materiais para ajudar os irmãos mais pobres e necessitados, usando os bens que passam e abraçando os que não passam. Amém!


Fonte de Inspiração: Comentário do Missal Cotidiano - páginas 1400-1401; Evangelho de Lucas (Lc 12,13-21) – segunda-feira da 29ª Semana do Tempo Comum.

O discípulo e a loucura da Cruz

                                                                       

                            O discípulo e a loucura da Cruz

“E para quem ficará o que acumulaste?”

A Liturgia, da Segunda-feira da 29ª Semana do Tempo Comum, nos apresenta a Parábola do rico insensato (Lc 12, 13-21), na qual Jesus nos fala sobre aquele homem, que acumulou bens e não pôde usufruir porque a morte é inevitável, com a palavra “insensato” (“louco”).

Vejamos no que consiste a loucura ou insensatez:

- ser incapaz de perceber a verdadeira hierarquia dos valores, submetendo o eterno ao temporal, o celeste ao terreno;

- fazer com que o acúmulo de bens materiais se torne a causa maior da sua própria felicidade, fechando-se para os valores que são eternos, garantia de felicidade infinita;

- não conhecer a Deus, que tão somente pode ser conhecido quando O amamos e n’Ele permanecemos: “Todo aquele que me ama permanece em mim e Eu nele” (1Jo 3,24)

- não valorizar a presença e ação de Deus em nossa vida;

- não viver no Seu amor e não amar;

- não vivenciar a alegria da partilha dos bens e dos dons que se possui;

- fechar-se impedindo o crescimento mútuo e, consequentemente, tornando impossível a realização de um projeto comum de felicidade, não somente para o tempo presente, mas para a eternidade.

É sempre tempo de revermos o caminho trilhado na fidelidade ao Senhor, de refletirmos o ardor de nossa missão como batizados, tomando cuidado para não sermos insensatos/loucos como o homem da Parábola.

Um discípulo missionário do Senhor precisa ter sempre coragem de rever suas atitudes e valores, para que cada vez mais configurado ao Cristo Bom Pastor, com o coração seduzido, viva tão apenas uma “loucura”, a loucura da Cruz, a loucura do Amor, como tão bem expressou o Apóstolo Paulo aos Coríntios em sua Carta.

Que o fogo devorador do Amor de Deus nos acompanhe

                                                           

Que o fogo devorador do Amor de Deus nos acompanhe

O Presbítero São Paulo da Cruz (séc. XVIII), cuja memória celebramos no dia 19 de outubro, em uma de suas Cartas, nos enriquece na configuração ao Senhor Jesus, no Mistério de Sua Paixão, Morte e Ressurreição:

"Coisa excelente e muito santa é pensar e meditar sobre a Paixão do Senhor, pois por este caminho chegamos à união com Deus.

Nesta escola tão santa, aprende-se a verdadeira sabedoria. Foi aí, que todos os Santos a estudaram. Quando, pois, a Cruz de Nosso Bom Jesus lançar raízes mais profundas em vosso coração, então cantareis: seja 'Sofrer e não morrer'; seja 'Ou sofrer ou morrer', seja, ainda melhor, 'Nem sofrer nem morrer', apenas a perfeita conversão à vontade de Deus.

O amor é força de união e faz seus os tormentos do Bem, muito amado. Este fogo vai até à medula, converte o que ama no amado. De modo mais profundo, o amor se mistura à dor e a dor ao amor. 

Há, então, uma mistura de amor e de dor tão estreita que não se pode separar o amor da dor, nem a dor, do amor. Por isto, quem ama, se alegra com sua dor e exulta em seu amor sofredor.

Sede, portanto, constantes na prática de todas as virtudes, imitando, de modo particular, o suave Jesus padecente, porque é isto o cume do puro amor.

Procedei de modo que todos reconheçam que trazeis não só interior, mas ainda exteriormente, a imagem de Cristo crucificado, modelo de toda doçura e mansidão.

Quem está interiormente unido ao Filho de Deus vivo, revela no exterior Sua Imagem pelo contínuo exercício da virtude heroica, principalmente pela paciência cheia de força que nem em segredo nem em público se queixa. Portanto, escondei-vos em Jesus crucificado, sem desejar coisa alguma a não ser que todos em tudo aceitem Sua vontade.

Verdadeiros amigos do Crucificado celebrareis sempre no templo interior a festa da Cruz, suportando em silêncio, sem vos apoiar em criatura alguma. Uma festa deve ser celebrada na alegria; por isso os que amam o Crucificado irão à festa da Cruz com rosto jovial e sereno, suportando calados, de forma que permaneça oculta aos homens, só conhecida pelo sumo Bem.

Numa festa há sempre banquete; as iguarias são a vontade divina, a exemplo de nosso Amor crucificado”

Solidifiquemos nossa fé, firmando nossos passos como discípulos missionários do Senhor.

Reflitamos:

- sobre a Paixão do Senhor, aprendendo d’Ele a verdadeira sabedoria;

- sobre o amor e a dor que são inseparáveis;

- sobre o Imitar o suave Jesus padecente, o cume do mais puro amor;

- é preciso ter de Jesus mesma doçura, mansidão e uma paciência cheia de fé;

- celebremos com alegria, com um rosto jovial e sereno, suportando calado o sofrimento...  

Sejamos, portanto, fortalecidos na fidelidade ao Senhor, vivendo intensamente o Mistério de Sua Paixão e Morte, para com Ele também ressuscitarmos. Amém.

“Orai sem cessar”

                            

“Orai sem cessar”

Uma reflexão a partir da “Carta a Proba” do Bispo Santo Agostinho (Séc. V) sobre o tema da Oração.

“Desejemos sempre a vida feliz que vem do Senhor Deus e assim oraremos sempre. Todavia por causa de cuidados e interesses outros, que de certo modo arrefecem o desejo, concentramos em horas determinadas o espírito para orar.

As palavras da Oração nos ajudam a manter a atenção naquilo que desejamos, para não acontecer que, tendo começado a arrefecer, não se esfrie completamente e se extinga de todo, se não for reacendido com mais frequência.  

Por isso as palavras do Apóstolo: Sejam vossos pedidos conhecidos junto de Deus (Fl 4,6) não devem ser entendidas no sentido de que Deus os conheça, Ele que na realidade já os conhece antes de existirem, mas em nosso favor sejam conhecidos junto de Deus por Sua tolerância, não junto dos homens por sua jactância.  

Sendo assim, se se tem o tempo de orar longamente, sem que sejam prejudicadas as outras ações boas e necessárias, isto não é mau nem inútil, embora, como disse, também nelas sempre se deva orar pelo desejo.

Também orar por muito tempo não é o mesmo que orar com muitas palavras, como pensam alguns. Uma coisa é a palavra em excesso, outra a constância do afeto.

Pois do próprio Senhor se escreveu que passava noites em Oração e que orava demoradamente; e nisto, o que fazia a não ser dar-nos o exemplo, Ele que no tempo é o intercessor oportuno e, com o Pai, Aquele que eternamente nos atende. 

Conta-se que os monges no Egito fazem frequentes Orações, mas brevíssimas, à maneira de tiros súbitos, para que a intenção, aplicada com toda a vigilância e tão necessária ao orante, não venha a dissipar-se e afrouxar pela excessiva demora.

Ensinam ao mesmo tempo com clareza que, se a atenção não consegue permanecer desperta, não deve ser enfraquecida, e se permanecer desperta, não deve ser logo cortada.  

Não haja, pois, na Oração muitas palavras, mas não falte muita súplica, se a intenção continuar ardente. Porque falar demais ao orar é tratar de coisa necessária com palavras supérfluas. Porém rogar muito é, com frequente e piedoso clamor do coração, bater à porta d’Aquele a quem imploramos.

Nesta questão, trata-se mais de gemidos do que de palavras, mais de chorar do que de falar. Porque Ele põe nossas lágrimas diante de Si (Sl 55,9), e nosso gemido não passa despercebido (cf. Sl 37,9 Vulg.) Àquele que tudo criou pela Palavra e não precisa das palavras humanas.”

Somos remetidos à passagem em que Jesus visita a casa de Marta e Maria (Lc 10,38-42), pois todos nós corremos o risco de um ativismo estéril e, portanto, devemos cuidar dos momentos oportunos e necessários de Oração, em que nos refazemos e nos recolocamos com alegria, entusiasmo para pequenos e grandes compromissos.

Cada pessoa tem seu ritmo de vida, compromissos adiáveis e inadiáveis, algo urgente a fazer (e não importante), mas nada justifica que sacrifiquemos momentos de recolhimento, de silêncio em Oração dialogal com o Senhor.

A Oração autêntica, com certeza, nos fará mais luminosos, nossas ações suscitarão louvores a Deus, que age incessantemente em nós:

“Assim brilhe a luz de vocês diante dos homens, para que vejam as suas boas obras e glorifiquem ao Pai de vocês, que está nos céus". (Mt 5, 16).

Vivamos a comunhão fraterna (XXXTDCA)

                                                       

Vivamos a comunhão fraterna

“Eles eram perseverantes no ensinamento dos Apóstolos,
na comunhão fraterna, na Fração do Pão e nas Orações” (cf. At 2,42-47).  

Reflexão à luz da passagem do Livro dos Atos dos Apóstolos (At 4,32-37), em que Lucas, mais do que uma fotografia da situação real, apresenta-nos um retrato divino e modelo ideal de uma comunidade eclesial. 

Urge que edifiquemos a Igreja marcada por este espírito: – “A multidão dos fiéis era um só coração e uma só alma” (At 4,32), e ainda “Eles eram perseverantes no ensinamento dos Apóstolos, na comunhão fraterna, na Fração do Pão e nas Orações” (At 2,42).  

Evidencia-se, nesta passagem, a comunhão fraterna, expressa na partilha dos bens, e a missão dos Apóstolos na motivação e administração destes bens. 

A estes são confiados o ofício da pregação e a presidência da atividade caritativa, o que distingue a Igreja de uma mera organização burocrática governada pelo princípio da eficiência, em que vigoram relações meramente funcionais. 

Sempre oportuno que façamos a revisão de nossas comunidades, e o quanto ela vive este retrato divino, edificando uma Igreja que nasce da escuta da Palavra, fortalece os vínculos de comunhão fraterna, na perseverança na doutrina dos Apóstolos, nutrindo-se da Eucaristia (fração do Pão), fonte e ápice de toda a Igreja, regada também, com múltiplos e fecundos momentos de oração. 

O Papa Francisco sempre afirmava que a Igreja não é uma ONG (Organização não Governamental), mas uma comunidade de pessoas, que nasce do Espírito e por Ele assistida e conduzida, e não nasce da carne e do sangue.   

Oremos para que, como Igreja, na ação Evangelizadora, sejamos sempre atentos aos PILARES que se completam, inseparavelmente: Palavra, Pão, Caridade e Ação Missionária.

Este tempo difícil por que passamos, é muito favorável para promovermos e intensificarmos a comunhão fraterna, com gestos de amor, partilha e solidariedade, a fim de que possamos vislumbrar um novo amanhecer. 

Não podemos nos salvar sozinhos. No amor vivido e na comunhão fraterna vivida, damos testemunho da presença do Ressuscitado. 

Mais uma vez, ecoem as palavras de Tertuliano, ao se referir aos primeiros cristãos: “Vede como eles se amam”.

A comunidade cristã tem, portanto, algumas marcas:

- É o lugar privilegiado do encontro com Jesus Cristo Ressuscitado: na Palavra proclamada, no pão partilhado, no amor vivido e no corajoso testemunho dado;

- É formada homens e mulheres novos, que nascem da Cruz e da Ressurreição de Jesus, a Igreja;

- Rica pela diversidade, unidade e caridade, tendo como centro o próprio Jesus Cristo Ressuscitado;

- Formada por diversas pessoas, mas tem uma só fé e vive num só coração e numa só alma, assim manifestado em gestos concretos de partilha;

- Deve superar todo tipo de egoísmo, autossuficiência, fechamento em si mesma, para que possa dar testemunho da vida e presença do Ressuscitado;

- Continuará a missão do Senhor: comunicar a vida nova que brota de Sua Ressurreição.

Que nossas comunidades vivam cada vez mais a unidade, a comunhão fraterna e a caridade para serem alegres testemunhas do Cristo Ressuscitado, aquele que nos concede a verdadeira paz – Shalom!

Oremos:

“Fazei-nos, ó Deus todo-poderoso, proclamar o poder do Cristo Ressuscitado, e, tendo recebido as primícias dos Seus dons, consigamos possuí-los em plenitude. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém”



Fontes inspiradoras:

- Missal  Cotidiano – Editora Paulus – p.362

-  www.dehonianos.org/portal

domingo, 18 de outubro de 2026

Peregrinos da esperança e da consolação divinas

                                       


Peregrinos da esperança e da consolação divinas

“Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai das misericórdias e Deus de toda consolação.

Ele nos consola em todas as nossas aflições, para que, com a consolação que nós mesmos recebemos de Deus, possamos consolar os que se acham em toda e qualquer aflição.” (2 Cor 1,3-4)

Peregrinos da esperança, aprendemos, como filhos e filhas, ao experimentar a bondade do Pai que tanto nos ama, a sermos bondosos com os irmãos e irmãs, com quem angústias e esperanças, alegrias e tristezas compartilhamos.

Aprendamos com o Apóstolo Paulo que, por Deus, não só foi consolado, mas também soube a muitos, nas provações, consolar, animar e pôr-se no caminho do discipulado, perfeitamente configurados ao Senhor, na fidelidade em carregar a cruz cotidiana.

Como precisamos do calor da caridade de Deus derramada em nossos corações, por meio do Seu Espírito, a fim de que comuniquemos aos outros a experiência de amor vivida, que nos impele na missão de discípulos missionários do Senhor.

Tão somente assim nossa experiência será convincente, porque transmitirá algo de vivo e pessoal, na maturidade de sofrermos com Cristo, aprofundando a solidariedade que nos faz alcançar a perfeita e plena alegria, tão somente com Ele, como nos falou (cf. Jo 15).

Peregrinos da consolação e da esperança sejamos, e assim, livres para amar e servir, de tal modo que se a dor vier, perderá sua força  obsessiva e opressora, experimentando a misericórdia, bondade e consolação divinas, e nosso sofrimento será embebido de amor e serenidade. Amém.


Fonte: Missal Cotidiano – Editora Paulus – p. 874 – Comentário sobre a passagem da Segunda Carta de Paulo aos Coríntios (2Cor 1,1-7)

Em poucas palavras... (XXIXDTCA)

 


Perfil de quem dá a César o que é de César

“Em Jesus, contemplamos um Deus que não teme a história, mas que vem habitar nela. Seu Reino não remove os fardos e as responsabilidades humanas.

Contudo, exige que vivamos sem concessões, livres de ambições malignas e interesses injustos, colocando o Reino de Deus e a sua justiça acima de tudo (cf. Mt 6,33).

... este é precisamente o perfil daqueles que ‘dão a César o que é de César e a Deus o que é de Deus’: sendo verdadeiros, sem temor nem hipocrisia, livres para fazer o bem...” (1)

(1) Ângelus – Papa Leão XIV – dia 18 de outubro de 2026 – passagem do Evangelho de Mateus (Mt 22,15-21)

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4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG