terça-feira, 7 de julho de 2026

Em poucas palavras...

                                            


“A alma da constância é o amor”

“A alma da constância é o amor; só por amor se pode ser paciente (Santo Tomás de Aquino) e lutar, sem aceitar os defeitos e as falhas como coisa inevitável e sem remédio.

Não podemos ser como aqueles a quem, depois de muitas batalhas e pelejas, ‘acabou-se-lhes o esforço, faltou-lhes o ânimo’ quando estavam ‘a dois passos da fonte de água viva’ (Santa Teresa).” (1)

 

 

(1) Hablarcondios.org

“Apascentai, Senhor, o Vosso rebanho!”

                                                            

“Apascentai, Senhor, o Vosso rebanho!”

Quando a Igreja Celebra as Vésperas do “Comum dos Pastores”, eleva orações de riqueza também notável, que ora retomamos para meditação.

Na motivação, faz-se um agradecimento a Cristo, o Bom Pastor que deu a vida por Suas ovelhas, em seguida faz-se as súplicas, acompanhados do refrão: Apascentai, Senhor, o Vosso rebanho!”

Na primeira prece, o reconhecimento do querer de Cristo em comunicar o Seu amor e misericórdia nos santos pastores; e por meio destes, suplicamos que seja sempre misericordioso para conosco.

Na segunda, o reconhecimento que Cristo continua a ser o Pastor das almas através dos Seus representantes na terra; e em seguida, a súplica para que Ele jamais Se canse de dirigir o rebanho por intermédio de nossos pastores.

Na terceira, o reconhecimento de Cristo como o médico dos corpos e das almas, que age por meio dos Seus santos que guiam os povos; e em seguida a súplica para que Ele jamais cesse de exercer para conosco o ministério da vida e da santidade.

Na quarta, o reconhecimento de que Cristo instruiu o rebanho pela sabedoria e caridade dos santos; hoje guiados pelos pastores, uma súplica para estes façam a todos crescer na santidade.

As súplicas a Cristo são pelos pastores, pelo rebanho a eles confiados, para que vivam a misericórdia, cresçam no caminho de vida e santidade, para que tenhamos todos vida plena, neste tempo e na eternidade.

É sempre oportuna e necessária a oração mútua pelos pastores que conduzem o rebanho que o Senhor lhes confiou; da mesma forma os pastores têm, como expressão de salutar ministério, a incessante oração elevada aos céus pelo rebanho que lhe foi confiado, não como propriedade, mas como responsabilidade, para que dele cuide com mesmo zelo que o Bom Pastor fez e espera que façam.

Aprendizes da compaixão divina

                                                           

Aprendizes da compaixão divina

Reflexão à luz da passagem do Evangelho de Mateus (Mt 9,32-38), em que Jesus Se enche de compaixão pela multidão, pois estavam cansados e abatidos, como ovelhas sem pastor.

Oportuna é a Homilia do Papa São Gregório Magno (séc. VI), que trata com propriedade o exercício do ministério no cuidado do rebanho que Deus nos confia, como discípulos missionários Seus.

“Ouçamos o que diz o Senhor aos pregadores enviados: A messe é grande, mas poucos os operários. Rogai, portanto, ao Senhor da messe que envie operários a seu campo. São poucos os operários para a grande messe (Mt 9,37-38). Não podemos deixar de dizer isto com imensa tristeza, porque, embora haja quem escute as boas palavras, falta quem as diga.

Eis que o mundo está cheio de sacerdotes. Todavia na messe de Deus é muito raro encontrar-se um operário. Recebemos, é certo, o ofício sacerdotal, mas não o pomos em prática.

Pensai, porém, irmãos caríssimos, pensai no que foi dito: Rogai ao Senhor da messe que envie operários a seu campo. Pedi Vós por nós para que possamos agir de modo digno de Vós.

Que a língua não se entorpeça diante da exortação, para que, tendo recebido a condição de pregadores, nosso silêncio também não nos imobilize diante do justo juiz.

Com frequência, por maldade sua, a língua dos pregadores se vê impedida. Por sua vez, por culpa dos súditos, muitas vezes acontece que seus chefes os privem da palavra da pregação.

Por maldade sua, com efeito, a língua dos pregadores se vê impedida, como diz o salmista: Deus disse ao pecador: Por que proclamas minhas justiças? (Sl 49,16). Por sua vez, por culpa dos súditos, cala-se a voz dos pregadores.

É o que o Senhor diz por Ezequiel: Farei tua língua aderir a teu palato e ficarás mudo, como homem que não censura, porque é uma casa irritante (Ez 3,26). Como se dissesse claramente: A palavra da pregação te é recusada porque, por me exacerbar com suas ações, este povo não é digno de escutar a verdade que exorta. Não é fácil saber por culpa de quem a palavra se furta ao pregador. Porque se o silêncio do pastor às vezes o prejudica, sempre causa dano ao povo, isto é absolutamente certo.

Há ainda outra coisa, irmãos caríssimos, que muito me aflige na vida dos pastores, mas para não pensardes talvez que vos faz injúria aquilo que vou dizer, ponho-me também debaixo da mesma acusação, embora me encontre neste posto não por minha livre vontade, mas impelido por estes tempos calamitosos.

Vimos a nos envolver em negócios externos. Um cargo nos foi dado pela consagração e, na prática, damos prova de outro. Abandonamos o ministério da pregação e, reconheço-o para pesar nosso, chamam-nos de bispo a nós que temos a honra do nome, não o mérito. Aqueles que nos foram confiados abandonam a Deus e nos calamos. Jazem em suas más ações e não lhes estendemos a mão da advertência.

Quando, porém, conseguiremos corrigir a vida de outrem, se descuramos a nossa?

Preocupados com questões terrenas, tornamo-nos tanto mais insensíveis interiormente quanto mais parecemos aplicados às coisas exteriores.

Por isso e com razão, a respeito de seus membros enfraquecidos, diz a Santa Igreja:

Puseram-me de guarda às vinhas; minha vinha não guardei (Ct 1,6). Postos como guardas às vinhas de modo algum guardamos a nossa porque, enquanto nos embaraçamos, com ações exteriores, não damos atenções ao ministério de nossa ação verdadeira”.

Seja a nossa reflexão e oração acompanhadas da prática concreta da fé, pois ela sem obras é morta.

Sendo assim, multipliquemos Orações ao Senhor da Messe, para que nos envie operários que somem conosco na maravilhosa missão de construir o Reino de Deus pelo Filho inaugurado, com a força, ação e sabedoria do Espírito.

Peçamos ao Senhor que também nos fortaleça nas dificuldades de nossa caminhada de fé, para que a vivamos com renovado ardor e entusiasmo, como discípulos missionários Seus, e nossa esperança seja acompanhada das obras de amor, em Sua espera, Ele que veio, vem e virá.

Reflitamos:

- Grande é a messe, poucos são os operários;
- Muitos são os apelos, clamores, e com limites procuramos dar as devidas respostas;

- Ministros ordenados ou não devem ter o coração pleno de misericórdia como o coração d’Aquele que o chamou para não se omitir no multiplicar de gestos de solidariedade;

- Ninguém pode omitir-se no colocar dos carismas a serviço da comunidade, no fortalecimento e florescimento pastoral a serviço da vida e da esperança;
- Na comunidade não há espaço para omissões, recuos, desânimo e indiferença.

Sejamos, portanto, eternos aprendizes da compaixão divina, e não apenas aprendizes, mas verdadeiramente sinais desta a tantos quantos precisarem.

No Amor de Cristo, somos um!

                                                 

No Amor de Cristo, somos um!

“Portanto, derramai diante de Deus
por eles o âmago de Vossa caridade.”

Reflexão à luz dos “Comentários sobre os Salmos”, escrito pelo Bispo Santo Agostinho (séc. V):

“Irmãos, exortamos-vos instantemente à caridade, não apenas entre vós, mas também em relação aos que estão de fora, quer sejam os ainda pagãos e descrentes, quer se tenham separado de nós, e de modo que, professando conosco a Cabeça, separaram-se do corpo.

Sintamos pesar por eles, irmãos, porque eles continuam sendo nossos irmãos. Quer queiram, quer não queiram, são nossos irmãos. De fato, só deixariam de ser nossos irmãos se deixassem de dizer: Pai nosso.

Assim o Profeta falou de alguns: Àqueles que vos dizem: Não sois irmãos nossos, respondei: Sois nossos irmãos. Observai de quem se poderia dizer isto, será que dos pagãos? Não, pois nem os chamamos de nossos irmãos segundo as Escrituras e o modo de tratar da Igreja. Será que dos judeus que não creram em Cristo?

Lede o Apóstolo e notai que quando fala de ‘irmãos’ sem mais, somente se refere aos cristãos: Tu, porém, por que julgas teu irmão, ou tu, por que desprezas teu irmão? E em outro trecho: Vós cometeis a iniquidade e a fraude e isto fazeis contra irmãos.

Por conseguinte, aqueles que dizem: ‘Não sois nossos irmãos’, estão nos chamando de pagãos. Por isso eles querem batizar-nos de novo, declarando que não possuímos o que dão. Por conseguinte, seu erro consiste em negar que somos seus irmãos.
Mas então por que nos disse o Profeta: Quanto a vós, respondei-lhes: Sois nossos irmãos; a não ser porque reconhecemos neles aquele Batismo que não repetimos?

Não aceitando nosso Batismo, eles negam que somos seus irmãos. Nós, porém, não repetindo o deles, mas reconhecendo-o como nosso, dizemos: Sois nossos irmãos.

Se eles disserem: ‘Por que nos procurais? Que quereis de nós?’ respondamos: Sois nossos irmãos. Mesmo que nos digam: ‘Podeis ir embora, nada temos convosco!’ Pelo contrário, nós temos muito convosco! Nós confessamos um mesmo Cristo, e assim devemos estar em um só Corpo, sob uma só Cabeça.

Portanto, nós vos suplicamos, irmãos, por aquelas mesmas entranhas da caridade, cujo Leite nos alimenta, cujo Pão nos fortalece, isto é, por Cristo, nosso Senhor.

Com efeito, é agora a ocasião de termos para com eles grande caridade, muita misericórdia, rogando a Deus por eles, a fim de que lhes conceda sobriedade de pensamento para caírem em si e enxergarem, porque nada absolutamente têm a dizer contra a verdade.

De fato, apenas lhes resta a fraqueza da animosidade, tanto mais enferma quanto mais julga possuir maior força.

Assim, pela mansidão de Cristo, nós vos conjuramos suplicando em favor dos fracos, dos sábios segundo a carne, dos puramente humanos e carnais, mas ainda nossos irmãos, que frequentam os mesmos Sacramentos, embora não conosco, mas os mesmos.

Eles respondem um só Amém, embora não conosco, mas o mesmo. Portanto, derramai diante de Deus por eles o âmago de Vossa caridade.” (1')

Somos exortados a fortalecer os laços de unidade, não apenas com os que professam a fé em Cristo.

Reflitamos:

Glorifiquemos ao Pai, ao Filho e ao Santo Espírito,
Por nos permitirem participar das Divinas entranhas da caridade,
Podermos beber copiosamente o “Leite” que nos alimenta,
E comermos o Pão que nos fortalece,
A Sagrada Eucaristia, que é o próprio Cristo, nosso Senhor.

Alimentados e entranhados no Amor de Cristo,
Somos sempre impelidos a derramar, a quantos possamos,
O âmago de Vossa caridade divina, imensurável.

Assim é o Amor, como o Senhor nos ensinou:
Um amor que se renova e se multiplica quando se ama,
Porque se amor verdadeiro, impossível conter, reter, diminuir.
Amar como Deus ama, é romper barreiras,
Criar e fortalecer laços fraternos e solidários.

Bebamos deste “Leite”, comamos deste Pão!
Digamos Leite, digamos Vinho Novo,
Digamos Cálice Sagrado do qual participamos.
Digamos Pão, digamos Pão da Eucaristia,
Alimento salutar, Alimento Diviníssimo de eternidade. 
Amém.

(1) Liturgia das Horas - Tempo Comum - Volume III - Editora Paulus - p. 414-416

Operários da messe e testemunhas da compaixão divina

                                                    

Operários da messe e testemunhas da compaixão divina


“A messe é grande, mas os trabalhadores
são poucos. Por isso, pedi ao dono da messe
 que mande trabalhadores para a colheita” (Mt 9,37-38)

Reflexão à luz da passagem do Evangelho de São Mateus (Mt 9,32-38), em que Jesus foi tomado de compaixão pela multidão, pois andavam como ovelhas sem pastor.

Renovemos nossos compromissos no aprofundamento e anúncio da nossa fé, para que a mesma resplandeça à luz da Palavra de Deus, como testemunhas da compaixão divina, vivendo a graça de discípulos missionários do Senhor.

Testemunhamos a nossa fé quando não nos dobramos aos pecados capitais que maculam a vida (soberba, avareza, luxúria, ira, gula, inveja e preguiça), que roubam o que ela tem de mais belo e sagrado.

Testemunhar a nossa fé resplandecendo a luz divina, exige também que lancemos mão dos diversos meios de comunicação, e a internet sem dúvida é um instrumento eficaz para comunicarmos o Evangelho a todos os povos, manifestarmos nosso amor a Deus na construção de relações mais fraternas com o nosso próximo. Todavia é preciso que estejamos atentos às implicações que seu uso indevido pode nos causar.

Viver intensamente a Fé exige corajosa e generosa resposta ao Senhor que nos chama para o cuidado da messe, pois como Ele disse “A messe é grande, mas os trabalhadores são poucos” (L 10,2).

Renovemos nossa alegria de amar e servir a Igreja, colocando nossos dons e carismas a serviço nas  diversas pastorais, movimentos e serviços.

Jesus volta permanentemente o seu olhar cheio de amor para nós pede que vendamos tudo para segui-Lo com alegria, disponibilidade, desapego, confiança e coragem, e nos garante cem vezes mais tudo que tenhamos renunciado, mas não sem perseguição.

Enfim, peçamos ao Senhor da messe, o verdadeiro consumador da nossa fé, que em todo tempo muitos corações se abram à alegria da Boa Nova do Reino, que a exemplo de Maria, respondam “sim” a vontade de Deus, para que empenhados e dedicados, dentro e fora da Igreja, construamos um mundo melhor.

Urge vivermos uma fé autêntica, fecunda, correspondendo ao chamado do Pai, para que nosso coração seja como a terra boa onde a Palavra de Deus cai e produz frutos de amor, alegria, vida e paz. Não há porque temer, recuar... Sua presença, força, ternura, amor e coragem nunca há de nos faltar na prática da compaixão divina, como indignos operários da messe do Senhor.

Maturidade e serenidade no seguimento do Senhor

                                                                   

Maturidade e serenidade no seguimento do Senhor

À luz da passagem do Evangelho da terça-feira da 14ª Semana Tempo Comum (Mt 9,32-38), refletimos sobre qual deve ser a verdadeira atitude dos discípulos de Jesus, diante de Sua ação.

Quando Jesus realiza a expulsão de um demônio, é caluniado, pois afirmam que é pelo poder do mal que Ele faz exorcismos.

Sem Se deixar abalar, Jesus simplesmente continua a Sua caminhada, preocupando-Se com o sofrimento e as dores de todos aqueles que encontra pelo caminho, fazendo o bem a todos, olhando a todos, com compaixão, preocupando-Se porque são como ovelhas que não têm pastor.

Assim também devemos ser, não devemos viver preocupados com as calúnias que nos são dirigidas, mas sim preocupados em fazer o bem.

Oportunas são as palavras do Apóstolo Pedro: “Porque melhor é que sofreis fazendo bem (se a vontade de Deus assim o quer), do que fazendo mal” (1 Pd 3,17).

Existem pessoas que vivem chorando pelos cantos, por causa das ofensas e calúnias das quais são vítimas no trabalho evangelizador. A Humanidade, por vezes, se apresenta como uma multidão doente e esgotada, perante a qual, a exemplo de Jesus, precisamos nos comover até as entranhas, comprometidos com a misericórdia de Deus, bebendo do seio de Amor, de onde nascem a nossa vida e a nossa Salvação.

Todos somos chamados a participar deste desígnio, colocando nossos talentos a serviço dos que mais precisam, pois tão somente assim são multiplicados, e rendemos a Deus verdadeira adoração, em espírito e verdade.

A fidelidade ao Senhor nos pede sempre crescimento em maturidade e serenidade diante das dificuldades, provações, perseguições, calúnias e difamações, como Ele mesmo nos disse, no Sermão da Montanha:

"Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós por minha causa" (Mt 5, 11). 


PS: Oportuno para reflexão da passagem do Evangelho de Lucas (Lc 11,14-23) proclamado na terceira Quinta-feira da Quaresma.

Que o nosso coração seja fecundo (XVDTCA)

                                                             

Que o nosso coração seja fecundo

“Aquele que semeia a boa semente é o Filho do Homem.
O campo é o mundo. A boa semente são
os que pertencem ao Reino.”

A Liturgia do 15º Domingo do Tempo Comum (Ano A) nos convida a refletir sobre a importância e a centralidade da Palavra de Deus na vida daqueles que creem.

A passagem da primeira Leitura (Is 55,10-11) é um pequeno trecho do “Livro da Consolação”, e retrata a fase final do exílio (anos 550-540 a.C.).

O Povo de Deus encontra-se farto de belas palavras e promessas de libertação, que tardam em se realizar, e com isto a impaciência, a dúvida e o ceticismo enfraquecem a resistência dos exilados.

O Profeta, para evidenciar a eficácia da Palavra de Deus, utiliza o exemplo da chuva e da neve que, vindas do céu, tornam fecunda a terra, multiplicando a vida nos campos.

Uma imagem muito sugestiva, considerando que os judeus exilados na Babilônia devem se lembrar da chuva que cai no norte de Israel e da neve no monte Hermon. A água alimenta o rio Jordão, correndo por todo Israel, e por onde passa gera vida e fecundidade.

A mensagem que se comunica é de que a Palavra de Deus não falha, pois indica sempre caminhos de vida plena, verdadeira, expressa na liberdade e paz sem fim, não necessariamente segundo a lógica do tempo dos homens, dos seus desejos, projetos, interesses e critérios.

É necessário que se aprenda e respeite o ritmo e o tempo de Deus. E também, a eficácia da Palavra divina não dispensa compromissos e indica os caminhos que devem ser percorridos, renovando o ânimo para a intervenção no mundo. A Palavra divina não adormece a ação humana, mas impele para a transformação e renovação do mundo.

Com a passagem da segunda Leitura (Rm 8,18-23), continuamos a refletir sobre a vida segundo o Espírito, que consiste em deixar-se conduzir pela Palavra de Deus, e isto só é possível quando se acolhe a salvação como dom de Deus, que nos é alcançada por meio de Jesus Cristo, na ação do Espírito, que é derramado sobre todos os que aderem ao Seu Projeto e fazem parte de Sua comunidade.

A vida segundo o espírito consiste também em viver atentamente na escuta da Palavra de Deus, em plena obediência ao Projeto que Ele tem para nós, com renúncia ao egoísmo, aos interesses mesquinhos, ao comodismo, ao orgulho. É um caminho de doação da própria vida a Deus e aos outros.

A vida segundo o Espírito implica em maturidade para viver os sofrimentos, as renúncias, as dificuldades, que nada representam se comparadas com a felicidade sem fim que aqueles que creem encontrarão no fim do caminho.

A vida segundo a carne é, por sua vez, marcada por uma vida onde impera o egoísmo, o orgulho e a autossuficiência, que conduz ao pecado, à morte, à infelicidade total.

Viver consiste em saber fazer escolhas: viver segundo a carne, ou viver segundo o Espírito. Sendo pelo Espírito, pautar a vida pela Palavra divina e por ela ser conduzido.

Na proclamação do Evangelho (Mt 13,1-23), em que nos apresenta a Parábola do semeador, somos convidados a refletir sobre o modo como acolhemos a Palavra de Deus, e como comunicamos a Boa-Nova do Reino, que jamais pode ser interrompida, e que aos poucos vai revelando seu esplendor e fecundidade, a vida que Deus quer para a humanidade.

Neste capítulo, encontramos sete Parábolas de Jesus: do semeador; do grão de mostarda; do fermento; do trigo e do joio; do tesouro escondido; da pérola valiosa e da rede.

A linguagem em forma de Parábolas mexe com os ouvintes, arma controvérsia, e é um método pedagógico de reflexão em busca da verdade.

O Evangelista Mateus tem como sua preocupação a vida da comunidade, de modo que nas sete Parábolas, e na interpretação das mesmas, apresenta Jesus como o Pastor que exorta, anima, ensina e fortalece a fé dos que creem.

Sejamos fortalecidos em nosso itinerário de fé, trilhando caminhos, ainda que difíceis e desafiadores, mas sempre iluminados pela Palavra Divina proclamada, acolhida, meditada, partilhada, celebrada e testemunhada.

Empenhemo-nos para que a Palavra caia num chão fértil, que deve ser nosso coração, para que produza os frutos por Deus esperados: justiça, paz, amor, alegria, felicidade...

A Palavra de Deus é eficaz; é preciso que tornemos nosso coração mais fecundo, em séria e atenta escuta e vivência desta Palavra.

Nutridos pela força da Eucaristia, inebriados pelo Vinho Novo, a nós oferecidos no Cálice da Salvação, sejamos cada vez mais comprometidos com a mesa de nossos irmãos no cotidiano, até que sejamos merecedores de ser partícipes do Banquete Eterno, na glória da eternidade. Amém. 

Fonte de pesquisa: www.Dehonianos.org/portal

Quem sou eu

Minha foto
4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG