segunda-feira, 29 de junho de 2026

Aperfeiçoamento espiritual constante

                                              

                                  Aperfeiçoamento espiritual constante

Reflexão à luz da passagem da Carta aos Colossenses (Cl 1,9b-11): 

“Que chegueis a conhecer plenamente a vontade de Deus, com toda a sabedoria e com o discernimento da luz do Espírito. Pois deveis levar uma vida digna do Senhor, para lhe serdes agradáveis em tudo. Deveis produzir frutos em toda a boa obra e crescer no conhecimento de Deus, animados de muita força, pelo poder de Sua glória, de muita paciência e constância, com alegria.” (1)

O apóstolo Paulo exorta a comunidade de Colossas e a nós, em todo o tempo, a fim de que tenhamos um aperfeiçoamento espiritual constante, vivamos uma vida agradável a Deus:

São imprescindíveis suas exortações para a vida cristã: 

- O conhecimento pleno da vontade de Deus;

- Viver uma vida digna do Senhor para ser agradáveis a Ele em tudo;

- Produzir frutos em toda a boa obra;

- Crescer no conhecimento de Deus. 

Ressoem as palavras do Senhor, que ouvimos na passagem do Evangelho de Mateus: 

“Assim brilhe a Vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem vosso Pai que está nos céus” (Mt 5,16)

Oportuno o Comentário do Missal Cotidiano:

"A comunidade cristã procura em todas as coisas o que faz caminhar com Deus. Descobrir antes de tudo um encontro com Deus... Contemplá-Lo também na face do irmão e restituir um rosto humano ao homem desfigurado. Sim o conhecimento é para o amor. Sem amor, de que vale o conhecimento de Deus. De que vale dar o próprio corpo às chamas?"(1)

Oremos:

Senhor Deus, ajudai-nos a conhecer plenamente a Vossa vontade, com toda a sabedoria e discernimento da luz do Espírito, e uma vez conhecida, com Vosso Espírito, a vivamos concretamente, dia a dia.

Ajudai-nos a levar uma vida digna, na fidelidade aos Vossos divinos mandamentos, para que, em tudo, sejamos agradáveis a Vós, irradiando a Vossa Luz a quantos precisarem, e sermos sal da terra e fermento na massa, a serviço do Vosso Reino.

Concedei-nos a graça de produzir frutos em toda boa obra, de modo especial os frutos do Espírito: caridade, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, lealdade, mansidão, continência (Gl 5,2).

Iluminai nossa mente e as entranhas mais profundas de nosso coração, para que ao Vos conhecermos, cada vez mais Vos amemos, até que um dia possamos contemplá-lo face a face, na glória da eternidade. 

“Ensinai-me a Vos procurar e mostrai-Vos quando Vos procuro; pois não posso prourar-Vos  se não me ensinais nem encontrar-Vos se não Vos mostrais. Que desejando eu Vos procure, procurando Vos deseje, amando Vos encontre,  e encontrando Vos ame”.  (2)

Dai-nos, Senhor Deus, a graça de crescermos no conhecimento de Vós, bem como no conhecimento pleno de Vossa vontade, para que a realizando, vivamos uma vida digna e que Vos agrade, sobrepondo sempre a Vossa à nossa, e tão somente assim produziremos frutos em toda a boa obra. 

Ajudai-nos a levar muitos a Vos dar glória ao virem as obras que fazemos, resplandecendo a Vossa luz no mundo, e sendo sal da terra, vivendo assim a graça do batismo que recebemos, na fidelidade às Palavras de Vosso Filho, em comunhão com o Espírito Santo. Amém. 


1) Comentário do Missal Cotidiano - Editora Paulus - pág. 1231 

     ) Santo Anselmo – séc. XII

  

  PS: Apropriado para reflexão da passagem da Carta de Paulo aos Colossenses (Cl, 1,9-14), proclamada na quinta-feira da 22ª Semana do Tempo Comum.



Em poucas palavras... (São Pedro e São Paulo)

 


São Pedro e São Paulo: Amigos de Deus

“Eis os santos que, vivendo neste mundo,

Plantaram a Igreja,

Regando-a com seu sangue.

Beberam do cálice do Senhor

E se tornaram amigos de Deus.”  (1)

 

(1)        Antífona de entrada da Missa do dia – Solenidade São Pedro e São Paulo, Apóstolos.

 

A insustentabilidade da crítica

                                                            


A insustentabilidade da crítica
 
A insustentabilidade da crítica é
diretamente proporcional à incapacidade da autocrítica.
 
A crítica, bem-feita, é sempre bem-vinda,
mas de mãos dadas com a autocrítica.
 
Deste modo, ela acontece
Quando acompanhada da humildade,
Finas flores da caridade e sinceridade.
 
Crítica, bem-feita, pede complemento: 
Construtiva, edificante, sincera, simplesmente.
 
Precisamos reaprender o poder
Fermentador da crítica,
Germinadora para frutos produzir,
como semente em sua pequenez.
 
Preciosa e mútua colaboração seja,
Para um mundo mais fraterno e humano
Sobretudo se temos a chama
Do Amor Divino, do Espírito Santo iluminador.
 
Sejamos críticos! 
Acolhamos a crítica!
Mas regada, acompanhada de amor,
Sem o que, faremos mal à alma: indesejável dor.
 
Não deixemos de acreditar na semente do novo,
que brota da crítica e autocrítica, 
como expressão de bondade e caridade, 
para edificar relacionamentos mais sinceros e fraternos.
 
Crítica de mãos dadas e entrelaçadas com a autocrítica, 
certeza de caridade vivenciada. Amém.
 
PS: Oportuno para a reflexão das passagens do Evangelho (Lc 6,39-45; Mt 7,1-5) e também que cresçamos com a crítica e autocrítica no dia a dia, sempre acompanhada da caridade que edifica.

Em poucas palavras...

 



A indispensável proximidade

“Cultivemos relacionamentos! Numa era que privilegia a velocidade e a fragmentação, o ser humano ainda anseia por receber cuidado e reconhecimento de mentes atentas, palavras gentis e mãos capazes de ternura.

A cultura digital multiplica as conexões e oferece novas oportunidades de interação; contudo, o coração humano conserva uma necessidade irrevogável de proximidade genuína.

Convido a todos a valorizar lugares e momentos em que a presença física permanece crucial, como refeições compartilhadas, encontros da comunidade cristã, tempo dedicado aos solitários e ao serviço aos pobres.

Esses são sinais de uma humanidade que continua a crer que o corpo de cada pessoa é morada de Deus e templo do Espírito Santo.

É precisamente essa aliança entre glória e fragilidade que se torna o critério para avaliar os modelos antropológicos oferecidos pela cultura contemporânea.” (1)

 

(1) Encíclica Magnifica Humanitas (2026) – Papa Leão XIV – parágrafo n. 239

Uma Igreja misericordiosa e missionária

                                                 

Uma Igreja misericordiosa e missionária

“Eu quero, sê purificado” (Lc 5,13) 

Reflexão à luz da passagem do Evangelho de Lucas (Lc 5,12-16), que tem passagens paralelas nos Evangelhos de Mateus e Marcos (Mc 1,4-45; Mt 8,1-4).

Contemplemos a ação de Deus, que Se revela pleno de Amor, bondade e ternura, através de Sua ação que acolhe, cura, liberta e integra a todos na vida da comunidade.

Nisto consiste a vontade de Deus: que se supere toda forma de discriminação e marginalização, e a comunidade deve empenhar-se, com sabedoria e coragem, para que isto se torne uma realidade.

Voltemos à passagem do Livro de Levítico (Lv 13, 1-2.44-46), que nos apresenta “a lei da pureza”, e uma visão deturpada de Deus que leva à invenção de mecanismos que discriminam, rejeitam e excluem em nome de Deus, numa total marginalização.

Dentre as impurezas, a lepra era considerada a mais grave, de modo que quem por ela fosse acometido, deveria ser segregado e afastado da convivência diária com outras pessoas, e tal medida tinha uma intenção higiênica e também para evitar o contágio.

Mais grave ainda, era considerado um pecador, amaldiçoado por Deus e indigno de pertencer à comunidade do Povo de Deus e não podia ser admitido nas assembleias em que Israel celebrava o culto na presença do Deus Santo.

Voltando à passagem do Evangelho, o leproso curado por Jesus, inaugura um novo modo de relacionamento, destruindo o triste mecanismo de marginalização que exclui estes do convívio social e da própria comunidade.

Jesus, com Sua Palavra e ação, cura e integra a todos na comunidade do Reino, sem jamais compactuar com a discriminação, exclusão, racismo ou qualquer outra forma de marginalização.

Com a Sua ação revela a face de um Deus cheio de Amor que vem ao encontro da nossa humanidade e da nossa condição pecadora e enferma, para nos curar e nos redimir.

Jesus, rosto da Misericórdia de Deus, toma para Si nossas dores e sofrimentos e nos comunica a chegada do Reino de Deus, porque completou-se o tempo esperado.  



Novos tempos são inaugurados pela Sua presença e ação: a cura do leproso revela o Amor de Deus que cura, liberta, integra e impulsiona para o testemunho:

"A voz de Jesus, porém, é ainda mais profunda: ao decretar 'fica curado', penetra até nas entranhas daquele homem maldito e declara-o transformado, transparente e puro; todo o perdão de Deus está presente nesta frase.

O perdão de Deus que Jesus ofereceu aos marginalizados da terra tem que ser agora o fundamento da vida da Igreja... Só quando destruir todas as barreiras, só quando congregar todos como irmãos, a Igreja será lugar de Deus na terra. Então será satisfeita a antiga esperança messiânica da cura dos leprosos". (1)

Oportunas as palavras da Igreja, para refletirmos sobre a íntima união da Igreja com toda a família humana:

“As alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem, são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo; e não há realidade alguma verdadeiramente humana que não encontre eco no seu coração. 

Porque a sua comunidade é formada por homens, que, reunidos em Cristo, são guiados pelo Espírito Santo na sua peregrinação em demanda do Reino do Pai, e receberam a mensagem da salvação para a comunicar a todos. Por este motivo, a Igreja sente-se real e intimamente ligada ao gênero humano e à sua história”. (2)

Reflitamos:

- Quais são as enfermidades que ainda hoje levam à exclusão e à marginalização?

- Até que ponto nossa ação também acolhe, liberta e integra na comunidade e na sociedade?

- De que modo os marginalizados e excluídos se abrem para a acolhida e integração na comunidade e na sociedade?

- Como vivemos a fidelidade ao Senhor, tendo d’Ele mesmos pensamentos e sentimentos?

- Como expressamos em nossa vida o amor, a ternura e a bondade de Deus para com o nosso próximo?

- Sabemos renunciar a direitos pessoais por bem maiores em favor de outros?

Sejamos na fidelidade ao Senhor, uma Igreja verdadeiramente misericordiosa e missionária, que viva a acolhida, o perdão, a integração de todos na vida da comunidade, com amor e alegria que gera comunhão, solidariedade e fraternidade.

Deste modo, participaremos da missão da construção do Reino: acolhidos, amados e curados para acolher, amar e curar num círculo que não pode se fechar, interromper.

 

(1) Comentários à Bíblia Litúrgica - Gráfica de Coimbra 2 - pág. 1076-1077

(2) Constituição Pastoral Gaudium Et Spes  sobre a Igreja no mundo atual  (n.1).

Repouso em Teu peito, Senhor!

                                                           

Repouso em Teu peito, Senhor!

“As raposas têm tocas e as aves do céu têm ninhos,
mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça” (Lc 9,58).

O Reino de Deus precisa ser anunciado,
Não há mais tempo a perder.
Há um mundo clamando, eu escuto...

Não podemos ficar parados,
Ele nos chama e qual nossa resposta?
Não fiquemos indiferentes, insensíveis.

Há doentes sem carinho, na fila esperando,
Crianças, pelas ruas e praças, suplicantes,
Jovens sem sentido, drogados, perdidos.

Famílias em situação de enfermidade crônica,
Ausência de perdão, de diálogo, de alegria, de compreensão;
Carentes de formação, doutrina, princípios, luz...

A criação geme em dores de parto,
Esperando também a reconciliação,
Paulo assim compreendeu e nos proclamou.

Há um caminho a ser percorrido,
Há uma meta a ser alcançada,
Coragem, firmeza, mansidão vivenciadas. 

Não fincar âncoras no passado consumado,
Inaugurar o futuro, germinando sementes,
Que no presente são, no coração, fecundadas.

Ele nos chama e nos pede confiança,
Despojamento, discernimento, prontidão...
Não há nada mais belo e sagrado a fazer, 

Ao seu chamado prontamente responder,
Carregar a cruz, renúncias são necessárias,
Amadurecimento, crescimento, alcançados.

Mas como seguir alguém que nem tem
Onde a cabeça reclinar, apesar do mundo
Por Ele ter sido feito e d’Ele ser Senhor?

De fato, não teve onde reclinar a cabeça,
Se não o duro Madeiro da Cruz.
Inclinando a cabeça disse: “tudo está consumado”.

Não tinha almofada, travesseiro, aconchego...
Despido, despojado, insultado, crucificado,
O abismo da maldade humana quis derrotá-Lo.

Quem não tinha onde reclinar a cabeça,
Porque assim livremente o quis,
Pobre Se fez para nos enriquecer. 

Descendo ao mais profundo da mansão dos mortos,
Resgatou a vida, para renascer, ressuscitar
Cheio de beleza, vigor, enfim Glorificado.

Hoje não mais reclina a cabeça sobre o Madeiro,
Está de pé, ao lado do Amado Pai, nosso Criador,
Em comunhão plena, Divino Cordeiro.

Vitorioso, glorioso, à direita do Pai Reinando,
Sua cabeça majestosamente coroada
Pelos Anjos e Santos, mártires e por tantos adorado.

Ele que nunca teve onde reclinar a cabeça
Quer tão apenas um lugar para ser acolhido:
O mais profundo do coração humano.

Ele bate, se abrirmos Ele entrará, 
E com Ele faremos a deliciosa Refeição
No Banquete Eucarístico, sinal do Banquete de Eternidade.

Ele não tinha travesseiro...
Tão pobre, tão despojado, tão simples,
Sobre o Seu ombro, quem apoio não encontrou?

Repousemos em Seu Coração!
Sacratíssimo Coração!
Amantíssimo Coração!

Aquele que não tinha onde reclinar a cabeça
Fez-Se apoio, sustento de toda a humanidade.
Deitado em Seu peito, refaço-me, sigo em frente...

PS: apropriado para a passagem do Evangelho de Mateus (Mt 8,18-22; Lc 9,57-62)

Ser cristão: “ser para os outros”

                                                      

Ser cristão: “ser para os outros”

 “Mestre, eu Te seguirei aonde quer que Tu vás”
(Mt 8,19)

Na segunda-feira da 13ª Semana do Tempo Comum, ouvimos a passagem do Evangelho de Mateus (Mt 8,18-22), em que Jesus nos apresenta as exigências para segui-Lo.

Na passagem, Jesus afasta toda e qualquer ilusão: sem medo da insegurança da própria vida, em confiança total no Senhor, acompanhado de despojamento, pobreza, simplicidade de vida, bem como abertura aos desafios que possam surgir no trilhar o caminho, ao segui-Lo.

Assim afirmou o Papa Bento XVI sobre o ser cristão na Carta Encíclica Deus Caritas Est (n.1):

“Ao início do ser cristão, não há uma decisão ética ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo”.

De fato, a mensagem cristã é exigente e não se limita à adesão de uma doutrina, mas uma Pessoa, Jesus.

Com isto, é preciso que oriente, determine o modo de viver, muito mais do que o modo de pensar, tão apenas.

Para seguir Jesus Cristo, é preciso que se vá aonde Ele for, fazer o que Ele faz e como Ele faz, impregnando nossas atitudes de amor, para que estas ações sejam fecundas.

Múltiplas são as formas de ação de pessoas que se decidiram segui-Lo: evangelizando nas casas em todos os lugares (sobretudo em desafiadores espaços, como vilas e favelas, prédios e condomínios); com os enfermos nos hospitais, ou mesmo em suas casas; penitenciárias; em claustros, numa vida consagrada, na oração e serviço pela santificação do mundo; no trabalho com crianças, jovens e idosos e comunidades distantes de nossas cidades.

No testemunho da caridade sublime, participando da política, a fim de que ela seja, de fato, o exercício da promoção do bem comum; em tantas atividades sociais dentro e fora do espaço da Igreja; outros tantos que se dedicam nas inúmeras pastorais de nossas comunidades paroquiais.

Como vemos, ser cristão é configurar-se totalmente a Jesus Cristo, e d’Ele ter mesmos sentimentos, como nos falou o Apóstolo Paulo na Carta aos Filipenses (c.2). E assim, muito mais do que viver não fazendo o mal a ninguém, é preciso escrever uma história de seguimento comprometido na promoção do bem comum, da fraternidade e da paz. Isto é, verdadeiramente, um caminho de santidade, que encontramos apresentado no Sermão da Montanha (Mt 5,1-12).

Numa palavra final, seguir o Mestre, Jesus Cristo, é seguir e se consumir, cotidianamente, na fidelidade a Ele e à Boa-Nova do Reino, numa vida essencialmente marcada pelo “Ser para os outros”.

Oremos:

"Ó Deus, pela Vossa graça, nos fizestes filhos da luz. Concedei que não sejamos envolvidos pelas trevas do erro, mas brilhe em nossas vidas a luz da Vossa verdade. Por N.S.J.C., na unidade do Espírito Santo. Amém".


Fonte: Missal Cotidiano – Editora Paulus – p.964
PS: Apropriado para a passagem do Evangelho de Lucas (Lc 9,57-62)

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