quarta-feira, 6 de maio de 2026

Por uma autêntica Identidade Cristã!

                                                   

Por uma autêntica Identidade Cristã!

Sejamos enriquecidos pela Carta escrita a “Diogneto” (século II):

“Os cristãos não se diferenciam dos outros homens nem pela pátria nem pela língua nem por um gênero de vida especial.

De fato, não moram em cidades próprias, nem usam linguagem peculiar, e a sua vida nada tem de extraordinário.

A sua doutrina não procede da imaginação fantasista de espíritos exaltados, nem se apoia em qualquer teoria simplesmente humana, como tantas outras.

Moram em cidades gregas ou bárbaras, conforme as circunstâncias de cada um; seguem os costumes da terra, quer no modo de vestir, quer nos alimentos que tomam, quer em outros usos; mas o seu modo de viver é admirável e passa aos olhos de todos por um prodígio.

Habitam em suas pátrias, mas como de passagem; têm tudo em comum como os outros cidadãos, mas tudo suportam como se não tivessem pátria.

Todo país estrangeiro é sua pátria e toda pátria é para eles terra estrangeira.
Casam-se como toda gente e criam seus filhos, mas não rejeitam os recém-nascidos. Têm em comum a mesa, não o leito. São de carne, porém, não vivem segundo a carne.

Moram na terra, mas sua cidade é no céu. Obedecem às leis estabelecidas, mas com seu gênero de vida superam as leis. Amam a todos e por todos são perseguidos.

Condenam-nos sem os conhecerem; entregues à morte, dão a vida.
São pobres, mas enriquecem a muitos; tudo lhes falta e vivem na abundância.

São desprezados, mas no meio dos opróbrios enchem-se de glória; são caluniados, mas transparece o testemunho de sua justiça. Amaldiçoam-nos e eles abençoam. Sofrem afrontas e pagam com honras.

Praticam o bem e são castigados como malfeitores; ao serem punidos, alegram-se como se lhes dessem a vida.

Os judeus fazem-lhes guerra como a estrangeiros e os pagãos os perseguem; mas nenhum daqueles que os odeiam sabe dizer a causa do seu ódio.

Numa palavra: os cristãos são no mundo o que a alma é no corpo.
A alma está em todos os membros do corpo; e os cristãos em todas as cidades do mundo.

A alma habita no corpo, mas não provém do corpo; os cristãos estão no mundo, mas não são do mundo.

A alma invisível é guardada num corpo visível; todos veem os cristãos, pois habitam no mundo, contudo, sua piedade é invisível. A carne, sem ser provocada, odeia e combate a alma, só porque lhe impede o gozo dos prazeres; o mundo, sem ter razão para isso, odeia os cristãos precisamente porque se opõem a seus prazeres.

A alma ama o corpo e seus membros, mas o corpo odeia a alma; também os cristãos amam os que os odeiam.

Na verdade, a alma está encerrada no corpo, mas é ela que contém o corpo; os cristãos encontram-se detidos no mundo como numa prisão, mas são eles que abraçam o mundo.

A alma imortal habita numa tenda mortal; os cristãos vivem como peregrinos em moradas corruptíveis, esperando a incorruptibilidade dos céus.

A alma aperfeiçoa-se com a mortificação na comida e na bebida; os cristãos, constantemente mortificados, veem seu número crescer dia a dia.

Deus os colocou em posição tão elevada que lhes é impossível desertar.”

A reflexão desta Carta nos recorda qual é a nossa missão e identidade; bem como a razão de nosso ser, para que vivamos melhor nosso Batismo, a fim de que ndo mundo, a luz sejamos, da terra o sal, da massa o fermento: “Os cristãos são no mundo o que a alma é no corpo.” 

Deste modo, a melhor resposta a esta Carta, que também a nós dirigida é:

- A revisão de nossa conduta, atitudes, comportamentos;
- Fidelidade a princípios na coerência entre a fé e a vida;

- Fazer das virtudes divina (fé, esperança e amor) fundamentos de nossa vida;
- Viver o caminho de santidade;

- Compromoter-se com a causa do Reino, valor absoluto! 
- Criar, na misericórdia, laços de sadia fraternidade;

- Lutar, para que não haja mais dor, lamento, morte e luto;
- Refletir e avaliar nossa Identidade, para que sejamos, de fato, luz do mundo, lançando raios de ternura, e também, sal da terra, sal, que dá gosto de eternidade;

- Ser, mais que de fato, fermento da Verdade mais pura: Jesus Cristo! Amém, Aleluia!

PS: Liturgia das Horas Vol. II - p. 757 e 758.

Concedei-nos, ó Pai, Vosso perdão!

                                                                

Concedei-nos, ó Pai, Vosso perdão!

 “E Jesus, vendo a fé deles, disse ao paralítico:
Filho, perdoados estão os teus pecados” (Mc 2,5 )

Ó Pai de Misericórdia, por meio de Vosso Amado Filho que no-la revelou de modo maravilhoso, suplicamos-Vos que por Vosso Santo Espírito nos seja concedida a remissão de nossos pecados.

Reconhecemos nossa condição humana e pecadora diante de Vossa condição divina e reconciliadora, que nos renova em profundidade, como o bem mais importante que só vem de Vós.

Ó Pai, como precisamos de Vosso olhar misericordioso voltado para cada um de nós, pois somente o Amor derramado do Sagrado
Coração do Vosso Filho destrói nossos pecados.

Que redimidos por Vosso Santo Espírito sejamos envolvidos pelo Vosso Amor indizível sempre pronto a nos acolher e a nos perdoar, para a mais desejável comunhão de vida e amor.

Comunhão que nos coloca numa relação mais profunda, sincera e frutuosa convosco, porque também nos leva à mesma relação
com nosso próximo, a quem devemos amar e perdoar.

Que correspondamos à graça do Espírito, que em nós foi infundido 
pelo Santo Batismo para a remissão de nossos pecados,
para que fôssemos então regenerados e iluminados.

Que jamais nos afastemos do Vosso Sagrado Cálice da Eucaristia,
onde encontramos o Sangue Sagrado do Vosso Filho por nós derramado para nos remir de nossos pecados.

Aumentai, Senhor, em nosso coração o amor necessário 
para perdoar nosso próximo, e também a humildade
para que saibamos pedir o perdão.

E assim, ó Trindade Santa de Amor e comunhão, perdoados
e libertos, sejamos no mundo construtores da paz,
como alegres testemunhas de Vosso Amor. Amém! Aleluia!

Nada podemos sem Jesus

                                                     

Nada podemos sem Jesus

Acolhamos o comentário de Santo Agostinho, referente ao Evangelho de João (Jo 15), no qual Jesus Se apresenta como a Videira e, dela, somos os ramos.

“Portanto, todos nós, unidos a Cristo, nossa Cabeça, somos fortes, mas, separados da nossa Cabeça, não valemos nada [...]. Porque, unidos à nossa Cabeça, somos Videira; sem a nossa Cabeça [...], somos ramos cortados, destinados não ao uso dos agricultores, mas ao fogo. Por isso Cristo diz no Evangelho: Sem mim não podeis fazer nada. Ó Senhor! Sem ti, nada; contigo, tudo [...]. Sem nós, Ele pode muito ou, melhor, tudo; nós sem Ele, nada”.

Todos temos projetos, sonhos, metas a serem alcançadas. A Igreja tem seus Planos Pastorais, desafios que clamam por respostas: profecia a ser revigorada; missão a ser renovada em ardor indispensável; evangelização que não se acomode aos velhos métodos, mas incansável em buscar novos métodos, expressões, meios para que a Boa Nova do Evangelho chegue a tantos que ainda não conhecem Jesus.

Reflitamos:

- Como comunicar o Evangelho, como Boa Nova que transforma e compromete com um Mundo Novo, sinalizando a alegria da presença do Reino de Deus em nosso meio?

- Como se colocar frente ao indiferentismo religioso e ao número dos que se declaram sem religião que cresce e nos preocupa?

- Como, diante de uma mentalidade secular, manter a fidelidade ao Evangelho nas pequenas e grandes, antigas e novas questões que vão surgindo?

- Como ser Boa Nova para o mundo sem trair o Evangelho?

Mais do que nunca a Igreja, Mãe e Mestra, perita em humanidade, como aprendemos, deve permanecer fiel Àquele que a edificou sobre a fé de Pedro (Mt 16,18), não se conformando a este mundo (Rm 12,2), e sem jamais se envergonhar do Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, como bem falou o Apóstolo aos Romanos (Rm 1).

Jamais trair o Evangelho para se acomodar aos tempos. Jamais perder a graça de ser sal, fermento e luz, ainda que incompreensões, perseguições tenha que enfrentar. Assim foi, assim o será, já nos disse o Senhor quando do Sermão da Montanha (Mt 5,1-12).

Bem disse Santo Agostinho e nós cremos e rezamos:

Ó Senhor! Sem ti, nada; contigo, tudo [...].
Sem nós, Ele pode muito ou, melhor, tudo;
nós sem Ele, nada”.

Que as Palavras de Cristo permaneçam em nós

                                         



Que as Palavras de Cristo permaneçam em nós

Sejamos enriquecidos pelo comentário sobre o Evangelho de São João, escrito pelo bispo Santo Agostinho:

“Se permanecerdes em Mim, diz o Senhor, e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis o que quiserdes e ser-vos-á concedido. Quem permanece em Cristo, que pode querer senão o que agrada a Cristo? Quem permanecem no Salvador, que pode querer senão o que não é alheio à salvação?

De fato, queremos algumas coisas porque estamos em Cristo, mas queremos outras coisas porque ainda estamos neste mundo. Porque permanecemos neste mundo, somos por vezes impelidos a pedir o que nem sabemos se nos convém. Mas não suceda isto em nós, se permanecemos em Cristo, que, quando pedimos, não faça senão o que nos convém.

Portanto, permanecendo n’Ele, quando as Suas palavras permanecem em nós, pediremos o que queremos e ser-nos-á concedido. Porque se pedimos e não nos é concedido, não pedimos o que permanece n’Ele nem o que está nas Suas palavras que permanecem em nós, mas o que provém da cobiça e da enfermidade da carne, que não está n’Ele e na qual não permanecem as Suas palavras.

Está de acordo com as Suas palavras a oração que Ele mesmo nos ensinou, quando dizemos: Pai nosso, que estais nos céus. Não nos afastemos das palavras e do sentido desta oração nas nossas petições, e ser-nos-á concedido o que pedimos.

Só podemos dizer que as Suas Palavras permanecem em nós, quando fazemos o que Ele nos mandou e amamos o que prometeu. Mas quando as Suas Palavras permanecem na memória e não se encontram no modo de viver, o ramo não está inserido na videira, porque não recebe a vida da raiz.

A esta diferença se pode aplicar o que diz a Escritura: Guardam na memória os seus mandamentos, para os cumprir. Muitos guardam-nos na memória para os desprezar, ou até para os ridicularizar e atacar.

As palavras de Cristo não permanecem naqueles que de algum modo tem contato com elas, mas não aderem a elas. Por isso não serão para eles um benefício, mas um testemunho adverso. E porque estão neles sem permanecerem neles, só as têm para serem julgados por elas...”.

Bem afirmou o bispo – “Só podemos dizer que as Suas Palavras permanecem em nós, quando fazemos o que Ele nos mandou e amamos o que prometeu.”.

Como discípulos missionários do Senhor, devemos nos empenhar para maior fidelidade à Palavra de Deus e, também, para colocá-la em prática, não nos tornando apenas meros ouvintes.

Quanto mais profundo nosso amor pelo Senhor, mais empenho neste propósito. Podemos afirmar que a vivência e testemunho da Palavra de Deus é diretamente proporcional ao amor que por Ele temos e nutrimos.

Oremos:

Senhor Jesus, seja a nossa participação na Mesa da Eucaristia, tempo de graça e fortalecimento deste santo propósito, até que possamos alcançar a glória da eternidade e para sempre imersos no amor da Santíssima Trindade. Amém. Aleluia!

 

Assistidos e conduzidos pelo Espírito

                                                           

Assistidos e conduzidos pelo Espírito

Não estamos sozinhos na caminhada cristã, o Senhor nos acompanha, com a presença e a ação do Espírito Santo, possibilitando-nos a atenção aos apelos da realidade na qual nos inserimos.

A passagem dos Atos dos Apóstolos (At 15,1-32), retratando o “Concílio de Jerusalém”, nos fala a ação do Espírito Santo, presente para o discernimento do que é, de fato, essencial ou acessório na caminhada da Igreja. Foi o primeiro grande conflito enfrentado pela Igreja.

A entrada dos pagãos ao cristianismo fez surgir uma polêmica questão: impor ou não aos pagãos a Lei de Moisés. A Salvação vem da circuncisão e pela observância da Lei judaica ou unicamente por meio de Cristo. Conclui-se que, é pela Graça do Senhor que se chega à Salvação.

Aprende-se com a assistência do Espírito o que deve ser mantido ou superado na Igreja. É o Espírito que age, ilumina e fortalece. Deste modo, a Igreja não pode perder a audácia, a imaginação, a liberdade, o desprendimento necessário e a vigilante escuta do Espírito, no enfrentamento dos desafios que o mundo apresenta.

Invoquemos sempre a presença e a ação do Espírito, que nos conduz e assiste com os sete dons: sabedoria, entendimento, conselho, fortaleza, ciência, temor de Deus e piedade.

“O inverno presente e a primavera futura”

                                                     

“O inverno presente e a primavera futura”

Para aprofundamento da passagem do Evangelho (Jo 15,1-8),  reflitamos sobre um trecho do Comentário de Orígenes (séc. III).

“Toda planta, após a morte do inverno, espera a ressurreição da primavera. Portanto, se também nós somos enxertados na morte de Cristo no inverno deste mundo e da vida presente, verificamos que, na primavera futura, produzimos frutos de justiça sugados da seiva de Sua raiz; e se estamos enxertados em Cristo, será necessário que, como os ramos da Videira verdadeira, o Pai nos pode, Ele que é o agricultor, para que demos fruto abundante” (1).

Estamos vivendo o tempo do “inverno deste mundo”, mas a fé cultivada alimenta nossa esperança de que haverá a “primavera futura”, com frutos abundantes.

No entanto, as podas se fazem necessárias, para que mais frutos produzamos, e assim, mais ainda a caridade seja expressa em gestos concretos de amor e solidariedade.

Nutrimos nossa fé, esperança e caridade com a Seiva do Amor que nos vem do Espírito.

Nisto consiste a vida dos discípulos missionários: passar do inverno deste mundo e da vida presente à primavera futura, suportando, com maturidade, as podas necessárias, certos de que não nos falta a Seiva do Amor do Deus, por meio do Seu Espírito, que é abundantemente derramado em nossos corações.

Oremos:

Ó Deus, que nos inseristes em Cristo como ramos na verdadeira vide, dai-nos o Vosso Espírito, para que amando-nos uns aos outros com sincero amor, nos tornemos primícias de uma Humanidade nova e produzamos frutos de santidade e de paz” (2). Amém!


(1)         Lecionário Patrístico Dominical – Editora Vozes – 2013 – p.355
(2) Lecionário Comentado – Editora Paulus – Lisboa – 2011 – Vol. Quaresma/Páscoa – p.533

Mães nos dão suporte e segurança (Mãe)

                                                   


 

Mães nos dão suporte e segurança


Diante do altar, um vaso com belas flores,
E era que se podia ver, porque notável,
Mas havia algo que quase imperceptível:
 
Com o olhar poético, contemplei os pés dos vasos.
Um deles, era uma pedra suporte
Dando ao vaso equilíbrio e sustentação.
 
A pedra silenciosa e ocultamente ali, diante dos olhares,
Assim acontece, por vezes, com nossas mães:
No cotidiano, imperceptíveis, e silenciosas...
 
Nos garante em muitos momentos e situações
Equilíbrio e sustentação de nossos sonhos e projetos,
E de seus lábios ouvimos: “coragem, você vai conseguir”.
 
Naquela manhã, quando parecia eternizar um problema,
Que pareceria para sempre um imenso pesadelo,
Dela ouvimos: “o pesadelo há de passar, não deixe de sonhar.”
 
E em tantos outros momentos em nossa vida,
Ali se encontra, se reinventando e dando suporte,
Porque, muitas vezes, como vasos sem os pés nos sentimos.
 
Ser mãe, no silêncio, oculta aos olhares,
Mas com o olhar que não se fecha,
Às angústias e dores de um filho.
 
Mãe é como uma “pedra que dá suporte”
A um vaso quebrado, que por vezes o somos,
Ali sempre presente, nosso carinho e gratidão. Amém. 

Quem sou eu

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4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG