sexta-feira, 17 de abril de 2026

Em poucas palavras...

                                              


Qualifiquemos nossa caridade

“O amor dos pobres, como o dos inimigos, é o teste por excelência da qualidade da nossa caridade. Reconhecer aos pobres o direito de receber o pão da vida é engajar-se totalmente nas exigências do amor; e para o cristão, traduzir numa nova ‘multiplicação dos pães’, em escala mundial, o benefício que ele recebeu de Cristo. [...]

É um paradoxo, mas só uma Igreja pobre será sinal da abundância.” (1)

 

 

(1) Comentário do Missal Dominical - Editora Paulus - passagem do Evangelho (Jo 6,1-15) - p. 973

 

 

Celebremos exultantes de alegria os Mistérios da Fé

                                                                   

Celebremos exultantes de alegria os Mistérios da Fé

“Participando da Liturgia terrena saboreamos
antecipadamente a Liturgia que se celebra
na Santa Cidade, a Jerusalém Celeste.”


Entre tantas riquezas, o Concílio Vaticano II nos agraciou com a Constituição Sacrosanctum Concilium sobre a Sagrada Liturgia. Embora inúmeras vezes citada, é possível que ainda seja desconhecida para alguns. Volto a ela, pois, sempre nos renova na Presidência de nossas Celebrações Eucarísticas.

“Cristo está sempre presente em Sua Igreja, principalmente nas Ações Litúrgicas. Está presente no Sacrifício da Missa, tanto na pessoa do Ministro, pois quem o oferece agora, através do Ministério dos Sacerdotes, é Aquele mesmo que Se ofereceu na Cruz, como, mais intensamente ainda, sob as Espécies Eucarísticas.

Está presente pela Sua virtude nos Sacramentos, pois quando alguém batiza é Cristo quem batiza. Está presente por Sua Palavra, pois é Ele quem fala, quando se lê a Sagrada Escritura na Igreja. Está presente, enfim, na Oração e Salmodia da Igreja, Ele que prometeu: Onde dois ou três se reúnem em meu nome, aí estou no meio deles.

De fato, nesta obra tão grandiosa em que Deus é perfeitamente glorificado e santificados os homens, Cristo une estreitamente a Si Sua esposa diletíssima, a Igreja, que invoca seu Senhor e, por Ele, presta culto ao eterno Pai.

Portanto, com razão, considera-se a Liturgia como o exercício do múnus sacerdotal de Jesus Cristo, onde os sinais sensíveis significam e, do modo específico a cada um, realizam a santificação do homem.

Assim, pelo Corpo místico de Jesus Cristo, isto é, Sua Cabeça e Seus membros, se perfaz o culto público integral. Por este motivo, toda Celebração Litúrgica, por ser ato do Cristo Sacerdote e de Seu Corpo, a Igreja, é a ação sagrada por excelência, cuja eficácia nenhuma outra obra da Igreja iguala no mesmo título e grau.

Participando da Liturgia terrena saboreamos antecipadamente a Liturgia que se celebra na Santa Cidade, a Jerusalém Celeste, para onde nos dirigimos como peregrinos, lá onde Cristo Se assenta à direita de Deus, Ministro do Santuário e do verdadeiro Tabernáculo.

Juntamente com todos os exércitos celestes, cantamos hinos de glória ao Senhor. Venerando a memória dos Santos, esperamos ter parte em sua companhia. Finalmente, estamos na expectativa do Salvador, nosso Senhor Jesus Cristo, que aparecerá, Ele, nossa vida, e nós também apareceremos com Ele na glória.

A Igreja, seguindo a tradição dos Apóstolos cuja origem remonta ao próprio dia da Ressurreição, celebra o Mistério Pascal cada oito dias, que por isto se chama Dia do Senhor ou Domingo.

Neste dia devem os fiéis reunir-se para escutar a Palavra de Deus e participar da Eucaristia, a fim de se lembrarem da Paixão, Ressurreição e Glória do Senhor Jesus, dando graças a Deus que os recriou para a esperança viva pela Ressurreição de Jesus Cristo, dentre os mortos.

Assim é o Domingo a Festa primordial e, como tal, seja apresentado e inculcado à piedade dos fiéis para que se lhes torne dia de alegria e de descanso dos trabalhos.

Todas as outras celebrações, a não ser que sejam realmente de máxima importância, não passem à sua frente porque é o fundamento e o cerne de todo o Ano Litúrgico.” (n.7)

Vemos que na Liturgia “Cristo une estreitamente a Si Sua esposa diletíssima, a Igreja, que invoca seu Senhor e, por Ele, presta culto ao  eterno Pai.”, portanto, seja aquele que preside, seja aquele que da Missa participa, deve deixar-se envolver pelo esplendor daquilo que se celebra.

Sem desrespeitar as rubricas litúrgicas, sem esvaziar o conteúdo e a estrutura dos  Ritos com que se celebra, devemos nos empenhar a fim de que nossas Missas sejam mais participadas, sejam verdadeiramente plenas, ativas, conscientes, frutuosas e piedosas.

A fé no Ressuscitado, o amor e a partilha

                                                             

A fé no Ressuscitado, o amor e a partilha

Na Liturgia da 2ª sexta-feira do Tempo Pascal, ouvimos a passagem do Evangelho de João (Jo 6,1-15), em que Jesus realiza o sinal da multiplicação dos cinco pães e dois peixes.

Oportuna é a reflexão de Santo Hilário de Potiers, Doutor da Igreja (séc. IV).

“Como os discípulos lhe aconselhavam a que enviasse as multidões para as cidades mais próximas para que pudessem comprar alimentos, ele lhes respondeu:

‘Não há necessidade de irem’. Assim demonstra que aqueles dos quais cuidava não necessitavam se alimentar de uma doutrina colocada à venda, e também não tinham necessidade de voltar para a Judeia para comprar alimentos; por isso manda aos Apóstolos que lhes deem sua própria comida.

Acaso o Senhor desconhecia que os apóstolos não tinham nada para dar-lhes? Aquele que conhecia as profundezas do espírito humano não conhecia, acaso, a pequena quantidade de comida que as mãos dos Apóstolos possuíam?

Na verdade, era necessário manifestar completamente uma razão tipológica. Ele ainda não tinha concedido aos Apóstolos o consagrar e o oferecer o Pão do Céu como Alimento de Vida Eterna. Por isso Sua resposta era dirigida para a compreensão espiritual.

De fato, eles responderam que só tinham cinco pães e dois peixes, porque ainda se encontravam sob o império dos cinco livros da Lei – os cinco pães -, e se alimentavam do ensinamento de dois peixes, ou seja, dos Profetas e de João.

Nas obras da Lei a vida estava como no pão, e a pregação dos Profetas e de João reanimava a esperança da vida humana mediante a força da água.

Assim, os Apóstolos ofereceram estas coisas em primeiro lugar porque ainda se encontravam debaixo daquele regime. Mas também indica que a pregação dos Evangelhos, difundindo-se a partir dessas origens, se desenvolve fazendo crescer mais e mais sua força.

O Senhor tinha tomado os pães e os peixes. Levantou os olhos ao céu, disse a bênção e os partiu, ao mesmo tempo em que dava graças ao Pai porque, depois do tempo da Lei e os Profetas, Ele Se transformava em Alimento evangélico.

Em seguida o povo foi convidado a sentar-se na relva. Já não está estendido sobre a terra sem motivo, mas apoiado na Lei, e cada um se estende sobre os frutos de seu trabalho como sobre a erva da terra.

Os pães foram dados também aos Apóstolos: é através deles que os dons da graça divina deviam repartir-se. O povo se alimentou dos cinco pães e dos dois peixes e, uma vez saciados os convidados, os pedaços de pão e de pescado eram tantos que encheram doze cestos.

Isto quer dizer que a multidão se saciou com a Palavra de Deus que vem do ensinamento da Lei e dos Profetas, e em seguida do ministério do Alimento eterno. A abundância do poder divino reservada para os povos pagãos transborda até a plenitude dos doze Apóstolos. (1)

Destaco o paralelo feito entre os cinco pães e os dois peixes:

- Cinco pães, aludindo aos cinco Livros da Lei, aos cinco primeiros Livros da Sagrada Escritura (Pentateuco): Gênesis, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronômio;

- Os dois peixes aludindo aos Profetas que precederam Jesus e o último dos Profetas, João Batista.

De fato, todos ainda estavam ancorados na Antiga Aliança, sob a Lei e os Profetas.

Com Jesus, inaugura-se um novo tempo, e Ele veio dar pleno cumprimento da Lei e dos Profetas, como vemos na Sua Transfiguração, no Monte Tabor, com a presença de Moisés e Elias (o primeiro simbolizando a Lei, e o segundo os Profetas).

Jesus é Aquele que vem trazer o Alimento Eterno, Ele próprio Se dá em verdadeira Comida e verdadeira Bebida (Jo 6).

Iluminados por Sua Palavra de Vida Eterna, aprendizes e obedientes a Seus Ensinamentos, e também por Ele saciados com o Pão Vivo e Verdadeiro, somos chamados a viver com alegria, o amor e a partilha, inseridos numa nova lógica, que vai gerar um mundo novo.

O sinal realizado tem tons Eucarísticos, prefigura o Banquete Provisório da Eucaristia, que nos prepara para o Banquete de Eternidade, como tão bem expressou o Salmista (Sl 23).

A multiplicação dos pães e peixes é a mais bela lição de amor e partilha, condição indispensável para uma sociedade da saciedade, e não da fome, da morte, da exploração do outro.

Vivamos, não mais sob o jugo da Lei, mas iluminados e conduzidos pelo Espírito; saibamos colocar nossos pães e peixes em comum, para que todos tenham vida plena e feliz.

O Sinal realizado aponta para um mundo novo que todos temos que construir, aprendendo os sagrados ensinamentos do Divino Mestre do Amor e da Partilha: Jesus.


Lecionário Patrístico Dominical – Ed. Vozes - Pág. 436-437.

Os sete sinais no Evangelho no quarto Evangelho

                                   


Os sete sinais no Evangelho no quarto Evangelho

Na primeira parte da sua obra, João Apóstolo e Evangelista, procura nos revelar quem é Jesus Cristo e sua missão, bem como apresentar a Sua natureza divina, e nos apresenta através de sete sinais:

  • As bodas de Caná (Jo 2,1-12)
  • A Cura do filho de um funcionário real (Jo 4,43-54)
  • A Cura do enfermo na piscina de Betesda (paralítico) (Jo 5,1-47)
  • A Multiplicação dos pães (Jo 6,1-15)
  • O Caminhar sobre as águas do mar (Jo 6,16-70)
  • A Cura do cego de nascença (Jo 9,1-41)
  • A Ressurreição de Lázaro (Jo 11,1-54)

 

Em poucas palavras...

                                               


O sentido eucarístico da multiplicação dos pães

“No Evangelho (Jo 6,1-15), reveste-se de um evidente sentido eucarístico, como realidades que se anunciam e se completam mutuamente, e introduzem a comunhão sem véus com o Pai, o Filho e o Espírito Santo. [...] 

A Eucaristia é vista, assim, em seu sentido mais genuíno de abundância de vida, e, capaz de dar a vida eterna dentro do banquete messiânico. “ (1)

(1) Comentário do Missal Dominical - Editora Paulus - pág. 972

 

 

O Senhor caminha conosco! Aleluia! (IIIDTPA)

                                                                     

O Senhor caminha conosco! Aleluia!

Que a Boa Nova da Ressurreição de Jesus
seja nossa força na missão: A Ressurreição
de Jesus se descobre caminhando.

Uma reflexão à luz da passagem do Evangelho de Lucas (Lc 24,13-35), sobre a caminhada dos discípulos de Emaús.

Urge que descubramos Cristo vivo, que Se manifesta caminhando com os discípulos e com a humanidade.

Com Sua Palavra, medo, mágoas, tristezas, desânimo são superados, dando lugar à coragem, ao perdão, à alegria, à esperança.

Assim como Sua voz fez arder o coração dos discípulos de Emaús, enquanto lhes falava das Escrituras, também o nosso em cada Eucaristia que participamos e a Palavra de Deus ouvimos.

Do mesmo modo, nossos olhos se abrem ao partir e repartir o Pão, Corpo e Sangue do Senhor, como também o fez com os discípulos, ficando com eles naquele entardecer inesquecível, assim faz conosco em cada Banquete Eucarístico que participamos.

Contemplemos a presença de Cristo Vivo, Ressuscitado e Vitorioso, que caminha com a comunidade. Enche o coração dos discípulos de esperança, fazendo o mesmo arder, e Se dá a reconhecer na partilha do Pão.

Deus não intervém de forma espetacular, mas no caminhar, no comunicar Sua Palavra e no simples gesto do Partir do Pão (simples e com tons Eucarísticos).

Esta passagem é uma página verdadeiramente catequética, e não uma reportagem jornalística. O Evangelista quis levar a comunidade à acolhida da Palavra do Ressuscitado, para retomar o caminho com ardor missionário, nutridos pela presença do Ressuscitado, encontrada no Pão Eucarístico, na Ceia piedosa, consciente, ativa e frutuosamente celebrada, como a Igreja nos ensina ao longo dos tempos.

É preciso passar do contexto do fracasso, do desencanto, da frustração para uma nova postura: alegres e corajosos discípulos missionários que encontram e sentem a presença do Ressuscitado caminhando. A fé não permite que haja recuos, desistência da Novidade do Reino por Jesus inaugurado.

O Evangelista dirige sua mensagem à comunidade dos que creem e caminham; pelas dificuldades, desanimados e sem rumo, para que não deixem morrer os sonhos que parecem diluir e desmoronar, diante da realidade monótona, ou hostil, com suas provações e adversidades.

Quando se sente a presença de Jesus, que Se faz companheiro, que caminha junto, que conhece nossas alegrias e tristezas, angústias e esperanças, sentimos que não estamos sós, que Alguém, ainda que não vejamos, conosco caminha, e esta presença se dá desde que Ele nos comunicou, com o Seu Divino Sopro, o Espírito, e nos enviou como Suas testemunhas: ”Ide pelo mundo inteiro e anunciai o Evangelho a toda criatura!” (Mc 16,15).

Coloquemo-nos a caminho, com a convicção de que Jesus caminha conosco, ao nosso lado, para que superemos crises, fracassos, desalentos, desânimos.

Reflitamos:

- Qual o lugar da Palavra de Deus em nossa vida?
- Arde nosso coração quando lemos, proclamamos, refletimos, pregamos a Palavra de Deus, sobretudo nas Missas que participamos?

- Nossos olhos se abrem na Partilha do Pão e reconhecemos a presença do Ressuscitado?
- Repetimos este gesto de amor e partilha, com nossos irmãos, no cotidiano?

- Voltar para Emaús e desistir ou voltar para “Jerusalém” e, com coragem, proclamar a Boa Nova da Ressurreição?

- Em nossas Missas, sentimos o que aconteceu com os discípulos de Emaús: arde nosso coração e se abrem nossos olhos?

- Cléofas e outro caminhavam de volta, desanimados, tristes, derrotados. Também já nos sentimos assim na caminhada da comunidade?

Vemos, portanto, que a história dos discípulos de Emaús é a nossa história de cada dia:

“Os nossos olhos fechados que não reconhecem o Ressuscitado... os nossos corações que duvidam, fechados na tristeza... os nossos velhos sonhos vividos com decepção... o nosso caminho, talvez, afastando-se do Ressuscitado...

N’Ele, durante este tempo, ajustemos o Seu passo ao nosso para caminhar junto de nós no caminho da vida.  Há urgência em abrir os nossos olhos para reconhecer a Sua Presença e a Sua ação no coração do mundo e para levar a Boa Notícia: Deus Ressuscitou Jesus! Eis a nossa fé! (1)

Renovemos a alegria de caminhar com Jesus, e também, a alegria de ser discípulo missionário, cujo coração arde pelo fogo da Palavra proclamada, acolhida, crida e vivida; cujos olhos se abrem e reconhecem Jesus no partir do Pão, um gesto tão simples, tão belo, tão divino, que há de se repetir em outros tantos gestos de amor e partilha no cotidiano a fim de que todos tenhamos vida plena, abundante.

A Ressurreição de Jesus se descobre caminhando, e esta é força na missão, a Boa Nova que nos dá coragem para avançarmos para as águas mais profundas, em plena confiança na Palavra de Deus.

Em cada Missa que participarmos, ouçamos Deus que nos fala ao coração, e que nos abre os olhos para que O reconheçamos.

Urge que o desalento, o desânimo, a frustração, o fracasso e a derrota cedam lugar à fidelidade, à esperança, à coragem, aos sonhos, à alegria. Tudo isto é possível quando o Amor de Deus é derramado em nossos corações por meio do Cristo Ressuscitado e a presença do Seu Espírito. 

Aleluia! Aleluia! Aleluia!

O Senhor Ressuscitado caminha conosco (IIIDTPA)

                                                                  

O Senhor Ressuscitado caminha conosco

Que a Boa Nova da Ressurreição de Jesus
seja nossa força na missão: A Ressurreição
de Jesus se descobre caminhando.

Reflexão à luz da passagem do Evangelho de Lucas (Lc 24,13-35) sobre a caminhada dos discípulos de Emaús, que descobrem a presença do Cristo Ressuscitado caminhando com eles e com a humanidade.

Quando ouvimos, acolhemos e cremos na Palavra do Cristo Ressuscitado, o medo, mágoas, tristezas, desânimo são superados, e dão lugar à coragem, ao perdão, à alegria, à esperança.

Assim como Sua voz fez arder o coração dos discípulos de Emaús, enquanto lhes falava das Escrituras, também o nosso em cada Eucaristia que participamos e a Palavra de Deus ouvimos.

Do mesmo modo, nossos olhos se abrem ao partir e repartir o Pão, Corpo e Sangue do Senhor, como também o fez com os discípulos, ficando com eles naquele entardecer inesquecível, assim faz conosco em cada Banquete Eucarístico que participamos.

Contemplemos a presença de Cristo Vivo, Ressuscitado e Vitorioso, que caminha com a comunidade. Enche o coração dos discípulos de esperança, fazendo o mesmo arder, e Se dá a reconhecer na partilha do Pão.

Deus não intervém de forma espetacular, mas no caminhar, no comunicar Sua Palavra e no simples gesto do Partir do Pão (simples e com tons Eucarísticos).

Esta passagem é uma página verdadeiramente catequética, e não uma reportagem jornalística. O Evangelista quis levar a comunidade à acolhida da Palavra do Ressuscitado, para retomar o caminho com ardor missionário, nutridos pela presença do Ressuscitado, encontrada no Pão Eucarístico, na Ceia piedosa, consciente, ativa e frutuosamente celebrada, como a Igreja nos ensina ao longo dos tempos.

É preciso passar do contexto do fracasso, do desencanto, da frustração para uma nova postura: alegres e corajosos discípulos missionários que encontram e sentem a presença do Ressuscitado caminhando. A fé não permite que haja recuos, desistência da Novidade do Reino por Jesus inaugurado.

O Evangelista dirige sua mensagem à comunidade dos que creem e caminham; pelas dificuldades, desanimados e sem rumo, para que não deixem morrer os sonhos que parecem diluir e desmoronar, diante da realidade monótona, ou hostil, com suas provações e adversidades.

Quando se sente a presença de Jesus, que Se faz companheiro, que caminha junto, que conhece nossas alegrias e tristezas, angústias e esperanças, sentimos que não estamos sós, que Alguém, ainda que não vejamos, conosco caminha, e esta presença se dá desde que Ele nos comunicou, com o Seu Divino Sopro, o Espírito, e nos enviou como Suas testemunhas: ”Ide pelo mundo inteiro e anunciai o Evangelho a toda criatura!” (Mc 16,15).

É preciso sempre pôr-se a caminho, com a convicção de que Jesus caminha conosco, ao nosso lado, para que superemos crises, fracassos, desalentos, desânimos.

Reflitamos:

- Qual o lugar da Palavra de Deus em nossa vida?
- Quando lemos, proclamamos, refletimos, pregamos a Palavra de Deus, sobretudo nas Missas que participamos sentimos também nosso coração arder?

- Nossos olhos se abrem na Partilha do Pão e reconhecemos a presença do Ressuscitado?
- Repetimos este gesto de amor e partilha, com nossos irmãos, no cotidiano?

- Voltar para Emaús e desistir ou voltar para “Jerusalém” e, com coragem, proclamar a Boa Nova da Ressurreição?

- Ao participarmos das Missas, sentimos como os discípulos de Emaús: o arder do coração e a abertura dos olhos reconhecendo Sua Divina presença?

- Cléofas e outro caminhavam de volta, desanimados, tristes, derrotados. Também já nos sentimos assim na caminhada da comunidade?

Concluindo, vemos que a história dos discípulos de Emaús é a nossa história de cada dia:

“Os nossos olhos fechados que não reconhecem o Ressuscitado... os nossos corações que duvidam, fechados na tristeza... os nossos velhos sonhos vividos com decepção... o nosso caminho, talvez, afastando-se do Ressuscitado...

N’Ele, durante este tempo, ajustemos o Seu passo ao nosso para caminhar junto de nós no caminho da vida.  Há urgência em abrir os nossos olhos para reconhecer a Sua Presença e a Sua ação no coração do mundo e para levar a Boa Notícia: Deus Ressuscitou Jesus! Eis a nossa fé! (1)

Renovemos a alegria de caminhar com Jesus, e também, a alegria de ser discípulo missionário, cujo coração arde pelo fogo da Palavra proclamada, acolhida, crida e vivida; cujos olhos se abrem e reconhecem Jesus no partir do Pão, um gesto tão simples, tão belo, tão divino, que há de se repetir em outros tantos gestos de amor e partilha no cotidiano a fim de que todos tenhamos vida plena, abundante.

Seja de fato, Boa Nova da Ressurreição de Jesus, força na missão, e Sua Ressurreição de Jesus se descobre caminhando.

Em cada Missa que participarmos, ouçamos Deus que nos fala ao coração, e que nos abre os olhos para que O reconheçamos.

É sempre oportuno reafirmar: o desalento, o desânimo, a frustração, o fracasso e a derrota tem que ceder lugar à fidelidade, à esperança, à coragem, aos sonhos, à alegria.

Tudo isto é possível, pois o Amor de Deus foi derramado em nossos corações por meio do Cristo Ressuscitado e da presença do Seu Espírito. 

Amém. Aleluia! Aleluia!



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