“Fagulhas do amor divino”
Sejamos enriquecidos
pelo o Sermão proferido no último sínodo pelo Bispo São Carlos (Séc. XVI):
“Somos todos fracos,
confesso, mas o Senhor Deus nos entregou meios com que, se quisermos, poderemos
ser fortalecidos com facilidade.
Tal sacerdote desejaria
possuir uma vida íntegra, que dele é exigida, ser continente e ter um
comportamento angélico, como convém, mas não se resolve a empregar estes meios:
jejuar, orar, fugir das más conversas e de nocivas e perigosas familiaridades.
Queixa-se de que, ao
entrar no coro para a salmodia, ao dirigir-se para celebrar a missa, logo mil
pensamentos lhe assaltam a mente e o distraem de Deus. Mas, antes de ir ao coro
ou à missa, que fez na sacristia, como se preparou, que meios escolheu e
empregou para fixar a atenção?
Queres que te ensine a
caminhar de virtude em virtude e como seres mais atento ao ofício, ficando
assim teu louvor mais aceito de Deus? Escuta o que digo.
Se ao menos uma fagulha
do amor divino já se acendeu em ti, não a mostres logo, não a exponhas ao
vento!
Mantém encoberta a
lâmpada, para não se esfriar e perder o calor; isto é, foge, tanto quanto
possível, das distrações; fica recolhido junto de Deus, evita as conversas vãs.
Tua missão é pregar e
ensinar? Estuda e entrega-te ao necessário para bem exerceres este encargo.
Faze, primeiro, por
pregar com a vida e o comportamento. Não aconteça que, vendo-te dizer uma coisa
e fazer outra, zombem de tuas palavras, abanando a cabeça.
Exerces cura de almas?
Não negligencies por isso o cuidado de ti mesmo, nem dês com tanta liberalidade
aos outros que nada sobre para ti. Com efeito, é preciso te lembrares das almas
que diriges, sem que isto te faça esquecer da tua.
Entendei, irmãos, nada
mais necessário aos eclesiásticos do que a oração mental que precede, acompanha
e segue todos os nossos atos: Salmodiarei, diz o Profeta, e entenderei (cf. Sl
100,1Vulg.).
Se administras os sacramentos,
ó irmão, medita no que fazes; se celebras a missa, medita no que ofereces; se
salmodias no coro, medita a quem e no que falas; se diriges as almas, medita no
sangue que as lavou e, assim, tudo o que é vosso se faça na caridade
(1Cor16,14).
Deste modo, as
dificuldades que encontramos todos os dias, inúmeras e necessárias (para isto
estamos aqui), serão vencidas com facilidade. Teremos, assim, a força de gerar
Cristo em nós e nos outros.” (1)
Com o Sermão, somos
exortados a não ser alguém que diz uma coisa e faz outra. Portanto, mais do que
necessária a vigilância, coerência entre o que se prega e vive, em fecundo
testemunho na missão que o Senhor nos confia.
Que jamais
a “fagulha do amor divino” se apague em nossos corações, como
alegres discípulos missionários do Senhor:
“Vinde, Espírito Santo! Enchei os corações dos vossos fiéis...”
(1) Liturgia das Horas – Tempo Comum - Volume IV – p. 1436-1437







