terça-feira, 20 de outubro de 2026

O duplo Preceito do Amor(XXXDTCA)

                                                             

O duplo Preceito do Amor

“Ama, pois, o teu próximo e procura
no teu íntimo a origem deste Amor...”

Amor a Deus e ao próximo,
duplo Preceito indissociável


Reflexão à luz do “Tratado sobre o Evangelho de São João”, escrito por Santo Agostinho (séc. V), sobre o duplo Preceito da Caridade, que nos torna verdadeiramente promotores da paz, realizando uma das Bem-Aventuranças que o Senhor, na Sagrada Montanha, nos apresentou - "Bem-Aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus" (Mt 5,9).

“Veio o Senhor, mestre da caridade, cheio de caridade, cumprir prontamente a Palavra sobre a terra (cf. Rm 9,28 Vulg.), como d’Ele foi anunciado, e sintetizou a Lei e os Profetas nos dois preceitos da caridade.

Recordai comigo, irmãos, quais são esses dois Preceitos. É preciso que os conheçais profundamente, de tal modo que não vos venham à mente só quando vo-los lembramos, mas os conserveis sempre bem gravados em vossos corações. 

Recordai-vos em todo momento de que devemos amar a Deus e ao próximo: a Deus de todo o nosso coração, de toda a nossa alma, e de todo o nosso entendimento; e ao próximo como a nós mesmos (cf. Mt 22,37-39).

Esses dois Preceitos devem ser sempre lembrados, meditados, conservados na memória, praticados, cumpridos. O amor de Deus ocupa o primeiro lugar na ordem dos Preceitos, mas o amor do próximo ocupa o primeiro lugar na ordem da execução. Pois, quem te deu esse duplo preceito do amor, não podia ordenar-te amar primeiro ao próximo e depois a Deus, mas primeiramente a Deus e depois ao próximo.

Entretanto, tu que ainda não vês a Deus, merecerás vê-Lo se amas o próximo; amando-o purificas teu olhar para veres a Deus, como afirma expressamente São João: 'Quem não ama o seu irmão, a quem vê, não poderá amar a Deus, a quem não vê '(1 Jo 4,20).

Ouviste o Mandamento: Ama a Deus. Se me disseres: 'Mostra-me a quem devo amar', que responderei senão o que disse o mesmo São João: A Deus, ninguém jamais viu? (Jo 1,18). E para pensares que está absolutamente fora de teu alcance ver a Deus, o mencionado Apóstolo afirma: 'Deus é Amor: quem permanece no amor, permanece com Deus '(1Jo 4,16). Ama, pois, o teu próximo e procura no teu íntimo a origem deste amor; lá verás a Deus o quanto agora te é possível.

Começa, portanto, a amar o próximo. Reparte o pão com o faminto, acolhe em casa o pobre sem abrigo; quando encontrares um nu, cobre-o, e não dês as costas ao teu semelhante (cf. Is 58,7).

Procedendo assim, o que alcançarás? Então brilhará a tua luz como a aurora (Is 58,8). Tua luz é o teu Deus; Ele é a aurora que despontará sobre ti depois da noite desta vida. Essa luz não conhece princípio nem ocaso, porque existe eternamente.

Amando o próximo e cuidando dele, vais percorrendo o teu caminho. E para onde caminhas senão para o Senhor Deus, para Aquele que devemos amar com todo o nosso coração, com toda a nossa alma, de toda a nossa mente? É certo que ainda não chegamos até junto do Senhor; mas já temos conosco o próximo. Ajuda, portanto, aquele que tens ao lado, enquanto caminhas neste mundo, e chegarás até junto d’Aquele com quem desejas permanecer para sempre.”

A dupla face do Mandamento do Amor que o Senhor nos deixou: amar a Deus e ao próximo. 

E nós os vivemos:

Quando não ilhamos os dois amores.
Quando não os esvaziamos de conteúdos.
Quando não os tornamos apenas teorias.
Quando não os dissociamos do Mistério da Cruz.

Quando damos a eles matizes Pascais.
Quando sabemos viver renúncias, desapegos...
Quando temos coragem de morrer por algo melhor.
Quando o coração plenificado do Amor Divino
Se visibiliza em pequenos e grandes gestos solidários.

Quando não nos curvamos diante dos pecados capitais
Que roubam a beleza da vida, porque nos escravizam.
Quando pautamos nossa vida pelos dons do Santo Espírito,
Que se vividos, acolhidos, nos humanizam, divinizam.

Espírito que na criatura, em Mistério insondável habita,
Divinizados nos fez, semente da eternidade nos concedeu.
Se imagem de Deus convicção tivermos de que somos,
Empenho pela paz fará mais belo um mundo novo possível. Amém.

PS: Apropriado para a passagem do Livro do Deuteronômio (Dt 6,4-13)

Em poucas palavras... (XXXDTCA)

                                                        

                                " Os Dez Mandamentos..."

“Os Dez Mandamentos enunciam as exigências do amor de Deus e do próximo. Os três primeiros referem-se mais ao amor de Deus: os outros sete, ao amor do próximo:

‘Como a caridade abrange dois preceitos, nos quais o Senhor resume toda a Lei e os Profetas, [...] assim também os Dez Mandamentos estão divididos em duas tábuas. Três foram escritos numa tábua e sete na outra’ (Santo Agostinho).” (1)

 

(1)Catecismo da Igreja Católica – parágrafo n. 2067

“Vede como eles se amam” (XXXDTCA)

                                                            

                                 “Vede como eles se amam”

“Que Deus vos conceda, segundo a riqueza da Sua glória, serdes
 robustecidos, por Seu Espírito, quanto ao homem interior, que
Ele faça habitar, pela fé, Cristo em vossos corações, que
estejais enraizados e fundados no amor.” (Ef 3,16-17)

Tertuliano (séc. III) foi um grande autor dos primeiros momentos do cristianismo. Nascido em Cartago, na província romana da África, foi o primeiro autor cristão a produzir uma obra literária (corpus) em latim. Foi também um notável apologista cristão e um polemista contra as heresias que se multiplicavam.

Neste texto, ele nos apresenta o jeito próprio dos cristãos viverem, no qual encontramos a conhecida e célebre afirmação: “Vede como se amam”.

“Nossa congregação (dos cristãos) é um corpo de membros unidos com o conhecimento de um Deus, por uma unidade de doutrina e por uma comunhão de uma esperança.

Reunimo-nos em assembleia ou congregação, e, como que vinculados e preparados para a batalha, colocamos Deus sitiado com nossas Orações. Esta força é agradável a Deus.

Oramos também pelos imperadores, por seus ministros e autoridades, pelo bem-estar temporal, pela paz geral, e para que o juízo final seja adiado.

Reunidos, temos lição da Sagrada Escritura, e se dão avisos e advertências segundo os acontecimentos e as ocupações, e aconselhando se determina (o que fazer).

Ali, com as Palavras da Santa Escritura, apascentamos a fé, elevamos a esperança, arraigamos a confiança, e os ensinamentos dos divinos Preceitos os ajustamos com novos complementos.

Nestas reuniões tem lugar as exortações, as reprovações, e se fulminam as censuras. Porque se julgam as coisas com grande severidade, como aqueles que sabem que estão sob o olhar de Deus...

Nossos presidentes são presbíteros anciãos que alcançaram esta honra, não com dinheiro, mas com o testemunho e vida: porque aqui a honra não se compra a não ser com bons hábitos.

Ainda que tenhamos uma espécie de caixa, isto não traz honra, nem se compra ou redime-se a dignidade cristã, mas são doações  voluntárias dos membros. Que cada um dê uma moedinha cada mês, ou quando quer ou quanto pode, ou da maneira que quer: porque a doação é agradável (a Deus).

Esta soma é o depósito da piedade que dali se tira, não para gastos com banquetes, bebidas exageradas, nem glutonarias, mas para alimentar ou enterrar aos pobres, ou ajudar aos meninos e meninas que perderam os seus pais e seus ganhos, ou aos anciãos confinados em suas casas, aos náufragos, aos presos nos cárceres, ou os que trabalham nas minas, ou estão desterrados, nas ilhas unicamente por causa da religião. Todos estes são afilhados que a religião cria, porque sua confissão os sustenta.

Mas é justamente esta demonstração de grande amor entre nós o que nos atrai a aversão de alguns, pois dizem: ‘Vede como se amam’, enquanto eles somente se odeiam entre si. ‘Vede como estão dispostos a morrer uns pelos outros’, enquanto que eles estão mais dispostos a matarem-se entre si.

Caluniam-nos pelo fato de que nos chamemos ‘irmãos’, a meu entender somente porque entre eles todo nome de parentesco não são demonstrações de amor, usa-se somente com falsidade disfarçada.

Contudo, somos inclusive irmãos vossos em virtude da natureza, mãe comum dos homens, por mais que vós não pareceis irmãos dos homens, sendo homens sem humanidade.

Com quanta maior dignidade se chamam e são verdadeiramente irmãos os que reconhecem a um único Deus como Pai, os que beberam de um mesmo Espírito de santidade, que esperam uma mesma herança, que nasceram de um mesmo ventre da cega ignorância; que, ao nascer, com o repentino reflexo deram pavorosamente com a luz da verdade?

Por isso nos tem por irmãos menos legítimos, porque de nossa irmandade não se compuseram tragédias, ou porque as rendas que entre vós desfaz a irmandade, entre nós a estabelece e fortalece, e é desta forma que nós temos as almas e os corações unidos, não recuamos unir e partilhar os bens”. (1)

A pertinência deste texto é incontestável, sobretudo se ouvirmos atentamente os apelos que o Papa Francisco nos apresentou em sua Exortação “Evangelii Gaudium”, em que nos exorta a sermos uma Igreja em saída, verdadeiramente missionária.

Para isto é preciso que se fortaleçam os vínculos da comunidade em efetiva e afetiva vivência da fé, caridade e esperança, enraizados e fundados no Amor de Cristo, como nos falou o Apóstolo Paulo (Ef 3,17).

Toda comunidade apesar de suas fraquezas e limitações deve se empenhar para ser uma comunidade em que seus membros se amem, e sejam no mundo sinal deste amor, tão somente assim serão sal, fermento e luz do mundo, fortalecidos pela ação e presença do Espírito Santo.



(1) Lecionário Patrístico Dominical - Editora Vozes - 2013 - pp.239-241.
Oportuno para reflexão da passagem  da Carta de Paulo aos Coríntios (1 Cor 1,10-13.17) e Jo 14,15-21

“Vede como se amam” (XXXDTCA)

                                                       


“Vede como se amam”

Vede como perseveram na Doutrina dos Apóstolos,
Com a luz do Espírito Santo, que a todos ilumina.

Vede como vivem a comunhão fraterna,
Compromisso com a vida, com ânsias de vida eterna.

Vede como vivem a Fração do Pão,
Solidários com todos, sem marcas de exclusão.

Vede como perseveram na Oração,
Evangelizadores com espírito, testemunhas da Ressurreição.

Vede como se amam!
Atentos ao Espírito para responder às urgências da evangelização.

Vede como procuram caminhos comuns de ação
Para evangelizar com amor, zelo e alegria.

Vede como reavivam a chama do primeiro amor,
Servos da divina misericórdia que são.

Para jamais perderem a força da profecia,
Na vigilância e compromisso missionário,
Na espera da grande Parusia.

Contando com a presença da Estrela da Evangelização,
A tão amável e desejável companhia:
A Mãe de Jesus, da Igreja e nossa, a Virgem Maria.

PS: Passagem do Evangelho - Jo 13,31-33a.34-35; 14,15-21; 17,20-26; Mt 22,34-40

A verdadeira caridade (XXXDTCA)

                                                     

A verdadeira caridade

Para aprofundarmos sobre a prática da caridade, sejamos enriquecidos pelo Tratado escrito pelo Papa e Doutor da Igreja São Gregório Magno (séc. VI):

“A Lei de Deus, da qual se fala neste lugar, deve entender-se que é a caridade, pela qual podemos sempre ler em nosso interior quais são os preceitos de vida que temos que praticar.

A respeito desta Lei, diz Aquele que é a própria verdade: Este é o meu mandamento: que vos ameis uns aos outros. A respeito dela diz São Paulo: Amar é cumprir toda a Lei. E também: Ajudai-vos uns aos outros a carregar os vossos fardos, e deste modo cumprireis a Lei de Cristo.

O que melhor define a Lei de Cristo é a caridade, e esta caridade a praticamos de verdade quando toleramos por amor as cargas dos irmãos.

Porém, esta Lei abrange muitos aspectos, porque a caridade zelosa e solícita inclui os atos de todas as virtudes. O que começa somente por dois preceitos se estende a inumeráveis facetas.

Esta multiplicidade de aspectos da Lei é enumerada adequadamente por Paulo, quando diz: O amor é paciente, afável; não tem inveja; não é presunçoso nem é vaidoso; não é ambicioso nem egoísta; não se irrita, não guarda rancor; não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade.

O amor é paciente, porque tolera com serenidade os males que lhe são infligidos. É afável, porque devolve generosamente o bem pelo mal. Não tem inveja, porque, ao não desejar nada deste mundo, ignora o que é a inveja pelos êxitos terrenos. Não é presunçoso, porque deseja ansiosamente o prêmio da retribuição espiritual, e por isto não se vangloria dos bens exteriores. Nem é vaidoso, porque tem por único objetivo o amor de Deus e do próximo, e por isto ignora tudo o que se afasta do reto caminho. Não é ambicioso, porque, dedicado com ardor ao seu proveito interior, não sente desejo algum das coisas alheias e exteriores. Nem é egoísta, porque considera como alheias todas as coisas que possui aqui de modo transitório, já que só reconhece como próprio aquilo que perdurará juntamente com ele. Não se irrita, porque, ainda que sofra injúrias, não se deixa levar por desejos de vingança, pois espera um prêmio muito superior aos seus sofrimentos. Não guarda rancor, porque sua alma está livre de toda maquinação doentia. Não se alegra com a injustiça, porque, desejoso unicamente do amor para com todos, não se alegra nem da ruína de seus próprios adversários. Alegra-se com a verdade, porque, amando aos outros como a si mesmo, ao observar nos outros a retidão, alegra-se como se fosse de seu próprio progresso. Vemos, portanto, como esta Lei de Deus abrange muitos aspectos.” (1)

O Tratado do Papa São Gregório em muito nos ajuda à compreensão do Mandamento dos inseparáveis amores, o amor a Deus e ao próximo.

Ainda mais, nos ajuda à compreensão do que consiste a verdadeira caridade, que o Apóstolo Paulo tão bem expressou em sua Carta (1 Cor 13).

No seguimento de Jesus Cristo, como discípulos missionários d’Ele, somos eternos aprendizes destes Mandamentos, para que cresçamos na prática esforçada da caridade, e assim seremos atuantes na fé e firmes na esperança, nas mais diversas realidades e âmbitos da existência.


(1) Lecionário Patrístico Dominical – Editora Vozes – 2013 – p.238-239

Progredir na Lei do Senhor Deus (XXXDTCA)

                                                              

Progredir na Lei do Senhor Deus

Retomemos o refrão do salmo (Sl 118, 1), da Missa do 6º Domingo do Tempo Comum (ano A), para reflexão:

“Feliz o homem sem pecado em seu caminho, que Lei do Senhor Deus vai progredindo!”

A vida mais que uma sucessão de dias, é uma escrita que vai deixando a marca do caminho. De vez em quando, é preciso olhar retrospectivamente para ver o caminho feito, e para onde ele nos conduz; se marcado pelo pecado ou pela graça, por sábias escolhas, ou se nem tão sabias assim, porque nos fechamos à Sabedoria do Alto, onde Deus habita.

Não basta que vivamos, precisamos progredir em todos os aspectos, sobretudo “na Lei do Senhor”.

É preciso que progridamos, incessantemente, na fidelidade ao Senhor, por isto a felicidade é diretamente proporcional ao progresso que fizermos no conhecimento e na observância da Lei do Senhor, ou seja, em sua prática.

Deste modo, Deus, pacientemente, volta para nós Seu olhar e espera o melhor de nós, na correspondência ao seu Amor, pois é próprio de quem ama criar o bem no coração do amado.

Silenciemo-nos, e certamente Deus nos dirá:

“Seja feliz, e na minha Lei vai progredindo, sem jamais desistir, sem cansaços, sem resistências. Confie apenas e trilhe o caminho. Sim, vai progredindo em minha Lei, e seja feliz.

Vai progredindo na Lei do Senhor e não matarás...
Nem com armas, propriamente, atitudes de desprezo, preconceitos, indiferenças.

Não matarás com as palavras, que podem ser caladas, nem com a omissão que gere dor, morte e sofrimento.

Não matarás a esperança, a alegria, a paz, os valores sagrados que devem nortear a vida.

Não matarás os sonhos, a esperança e as mais belas utopias, que  impulsionam em incansáveis e eternas buscas.

Não matarás a semente da Palavra que cai no chão do teu coração, para que ela produza os frutos que tanto espero de ti.

Não matarás com o olhar o teu próximo, ou com o teu fechamento, como quem não quer ver desafios, compromissos, trabalhos a serem realizados, para que o mundo seja melhor.

Não matarás as pequenas atividades, fazendo-as sem amor, empenho e alegria. Sê fiel nas pequenas, para que também o sejas nas grandes.

Amarás a beleza da vida, o planeta em que habitas, e tudo farás para que vivam todos bem, dando aos que virão à mesma possibilidade.

Não matarás a ética, a sacralidade da vida, a terra, tua casa comum e tudo mais que se possa dizer, como que pulsando e gritando para não morrer, porque se assim o for, será a morte da humanidade, portanto, a tua própria também.

Vai progredindo na Lei do Senhor e amarás a Deus e ao teu próximo...
Amarás tua família, teus filhos e todos os que te rodeiam, e também amarás os da família maior, que se liga pelos laços da fé, ouvindo e pondo em prática a minha Palavra.

Amarás o outro sem olhares de cobiça, de instrumentalização e posse.

Amarás gerando o bem no coração de quem tu amas, ampliando teu horizonte e laços de amizades possíveis.

Amarás e não farás o outro objeto de prazer, e não compactuarás com uma sociedade que vê o outro como descartável.

Amarás na contramão do líquido mundo moderno, que anuncia a liquidez do amor, estabelecendo e mantendo relacionamentos duradouros, próximos, fraternos e eternos e não apenas midiáticos, em que se pode deletar, excluir sem crise de consciência ou constrangimento, porque não acompanhados de verdadeiros sentimentos.

Amarás a mim sobre todas as coisas e não se dobrarás diante da idolatria de mil nomes: poder, riqueza, dinheiro, sexo, fama, prestígio, sucesso a qualquer custo.

Amarás como meu Filho te mandou: amar como Ele, ao próximo e  toda a humanidade.

Amarás como o meu Apóstolo te ensina em sua Carta (1 Cor 13,1-13).

Vai na Lei do Senhor progredindo, não jurarás falso...
Farás progressos nos relacionamentos, porque serão marcados pela sinceridade e transparência.

Não precisarás longos discursos para provar nada, porque a verdade transparecerá, não apenas no falar, mas, sobretudo, no próprio agir, no caminho que se fez, nos legados que deixou.

Teu sim será sim, e o não será não, como disse o meu Filho, dispensando explicação de contradições, que devem ser evitadas, porque fragilizaria o testemunho do Evangelho que crês, anuncias e testemunhas.

Serás feliz em teu progresso espiritual e tuas amizades sobreviverão porque foram construídas em bases sólidas da confiança, da mútua ajuda, seja nos momentos em que o voo foi mais alto, ou na iminência do cair num abismo: amigos voam com os sonhos e projetos do amigo, e tudo fazem para que não vejam o limite profundo do abismo.

Progredirás na Lei do Senhor, e não usarás nenhum meio ou recurso ilícito para que não acumules riquezas pecaminosas, alcance prestígio ou fama, contrariando os princípios que crês e pregas, e te embriagues com néctar do poder, com atitudes autoritárias e tirânicas”.

Vamos, com a Sabedoria Divina, na Lei do Senhor progredindo, e que se cumpra a Palavra de Deus em nossa vida: “Mas, como está escrito, ‘o que Deus preparou para os que o amam é algo que os olhos jamais viram, nem os ouvidos ouviram, nem coração algum jamais pressentiu’. A nós Deus revelou esse mistério através do Espírito. Pois o Espírito esquadrinha tudo, mesmo as profundezas de Deus” (1 Cor 2,9-10).

Vamos progredindo na fraternidade, no amor e na sinceridade.


PS: Continuemos a reflexão com a passagem do Evangelho de São Marcos (Mc 12,28b-34; Mt 22,34-40) sobre os inseparáveis Mandamentos do amor a Deus e ao próximo.

Amores inseparáveis: a Deus e ao próximo(XXXDTCA)

                                                  

Amores inseparáveis: a Deus e ao próximo

O Mandamento do Amor é a essência da vida cristã

Reflexão à luz da passagem do Evangelho de Marcos (Mc 12,28b-34), sobre o inseparável amor a Deus e ao próximo, que são os maiores Mandamentos da Lei Divina.

Amor que está no centro da experiência cristã, pois Deus espera que cada coração humano esteja submergido no Seu Amor.  

É preciso a imersão no Amor de Deus para transbordar, comunicar o amor ao próximo: eis o sentido do existir e do ser cristão em todo tempo.

Esta passagem aparece nos Evangelhos de Mateus e Lucas (Mt 22,34-40; Lc 10,25-28).

Mais uma vez, Jesus enfrenta os líderes religiosos de Seu tempo, após as questões polêmicas do tributo a César e da Ressurreição (não acreditada pelos Saduceus), Ele é interrogado sobre qual é o maior Mandamento.

Consideremos que os fariseus conservavam 613 mandamentos (sendo 365 proibições e 248 prescrições). Um verdadeiro emaranhado de preceitos e prescrições. 

Evidentemente, os pobres estavam impossibilitados deste conhecimento, e por eles eram considerados impuros e distantes de Deus.

A resposta de Jesus unifica e equipara os dois Mandamentos: “’Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda tua alma e de todo o teu entendimento!’ Esse é o maior Mandamento.

O segundo é semelhante a esse: ‘Amarás ao teu próximo como a ti mesmo’”. Com isto podemos afirmar que toda revelação de Deus se resume no amor: amor a Deus e ao próximo. A Lei e os Profetas são apenas comentários, desdobramentos destes dois Mandamentos.

O Mandamento do Amor é o resumo de toda Lei, pois a vida cristã consistirá em amar como Jesus ama ao Pai, com Seu Espírito – o Amor Trinitário. 

Tudo que Deus faz é simplesmente por amor, e esta é essencialmente a marca de Seu agir. Assim, tudo quanto fizermos, tanto os gestos mais grandiosos de fidelidade quanto os menores, se ausente o amor, perdem a sua beleza e consistência.

Na verdade, os dois Mandamentos são o resumo de toda a Bíblia: que a vontade de Deus seja feita, numa entrega cotidiana de amor em favor do Reino, fazendo da vida um dom total de si mesmo, como Jesus o fez - o Missionário amado pelo Pai, na força do Espírito, o Amor que nos acompanha em todo momento.

Amando a Deus escutaremos Sua palavra e haveremos de nos empenhar no cumprir da vontade divina. No amor aos irmãos haveremos de nos solidarizar com todos os que encontrarmos pelo caminho. O amor, a solidariedade, o serviço, a partilha, o dom da vida em favor do outro nos faz adoradores de Deus, em espírito e verdade.

Na vivência do Amor a Deus e ao próximo Jesus fez cair as máscaras da hipocrisia de Seus opositores, que conhecedores da Lei, do Mandamento divino, mas tão apenas conhecedores, pois não os colocavam em prática, como Ele o fez em relação aos pequeninos, aos pobres, aos enfermos, aos marginalizados. 

Bem sabemos que este Amor que ama até o fim incomodou aqueles bem estabelecidos, porque com os preferidos de Deus jamais comprometidos:

Concluo com a afirmação do Missal Dominical:

“O Mistério de Cristo, no seu todo, é vivido na Igreja, no conjunto de seus membros em todos os séculos.

O contemplativo serve aos homens servindo a Deus; o ativo serve a Deus servindo aos homens...

O Santo Cura D’Ars suspirava por um convento e pela solidão, enquanto se dedicava inteiramente aos homens; e os conventos deram à Igreja grandes Papas, Bispos, Reformadores e Missionários, que passaram da contemplação e da solidão à ação mais perseverante e ininterrupta”. (1)

(1) Missal Dominical - Editora Paulus - p.841
PS: Passagem do Evangelho proclamada no 31º Domingo do Tempo Comum (ano B)

Quem sou eu

Minha foto
4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG