domingo, 11 de outubro de 2026

Em poucas palavras... (XXVIIIDTCA)

                                        


As parábolas do Reino

“Jesus chama para entrar no Reino, por meio de parábolas, traço característico do seu ensino (Mc 4,33-34). Por meio delas, convida para o banquete do Reino (Mt 22,1-14), mas exige também uma opção radical: para adquirir o Reino é preciso dar tudo (Mt 13,44-45).

As palavras não bastam, exigem-se atos (Mt 21,28-32). As parábolas são, para o homem, uma espécie de espelho: como é que ele recebe a Palavra? Como chão duro, ou como terra boa? (Mt 13,3-9). Que faz ele dos talentos recebidos? (Mt 25,14-30). Jesus e a presença do Reino neste mundo estão secretamente no coração das parábolas.

É preciso entrar no Reino, quer dizer, tornar-se discípulo de Cristo, para «conhecer os mistérios do Reino dos céus» (Mt 13, 11). Para os que ficam «fora» (Mc 4, 11), tudo permanece enigmático (Mt 13,10-15).”(1)

 

(1) Parágrafo do Catecismo da Igreja Católica – n. 546

O Banquete Nupcial e a veste própria (XXVIIIDTCA)

                                                      

O Banquete Nupcial e a veste própria
Ouvimos na Liturgia da quinta-feira da 20ª semana do Tempo Comum, a passagem do Evangelho de São Mateus (Mt 22,1-14).

Jesus se apropria de uma imagem muito bela para nos falar como deve ser o mundo que Deus deseja para nós: a imagem do “Banquete”.

Esta mesma imagem foi fortemente utilizada pelo Profeta Isaías, quando em meio a sinais de morte e desolação, comunicou o desejo de Deus, um horizonte  esperançoso e promissor: um Banquete de amor e vida a toda humanidade oferecido. O Profeta, com sua palavra, exorta à confiança e à esperança, numa nova era de paz e de felicidade sem fim, porque Deus vai destruir a morte para sempre e vai enxugar as lágrimas de todas as faces, eliminando assim, o opróbrio que pesa sobre o Seu povo.

Esta feliz imagem de esperança do Banquete perpassará os discursos proféticos e se verá realizada na pessoa e missão de Jesus.

Deus está sempre nos convidando para participarmos de Seu Banquete de: Amor, vida, felicidade, alegria, paz. Mas de outro lado respeita a nossa liberdade, sem nos dispensar da veste nupcial necessária para dele participar: amor, partilha, serviço, misericórdia e o dom da vida.

Precisamos viver a gratuidade, a solidariedade e a partilha com os que mais precisam, procurando nos revitalizarmos da força indispensável que só pode vir de Deus – “tudo posso naquele que me fortalece” (Fl 4,13).

Participar do Banquete de Deus implica em estarmos na mais perfeita e profunda comunhão, amizade e intimidade com Ele e com nosso próximo. Como batizados, fomos revestidos por Cristo e, deste modo, somos sinais de comunhão com o outro, para que nossa comunhão com Deus seja credível, agradável e sinal do Banquete Eterno que prefiguramos em cada Eucaristia que celebramos e participamos.

Quanto mais a comunidade vivenciar as exigências mencionadas, mais ela dará espaço para a intervenção divina, abrindo-se à ação da força que o Senhor nos comunica pela ação e presença do Espírito.

Quanto mais o cristão tiver o coração aberto à partilha e ao dom de si mesmo, em atitude de despojamento, de entrega e de empenho, mais poderá sentir a manifestação divina.

Quanto maior a alegria de colaborar na missão, mais comprometido com ela se sente.

Que nossas comunidades sejam mais solícitas, generosas, solidárias e missionárias.

Não há exclusão no Banquete do Reino, mas há uma exigência: a veste; que consiste na prática da justiça, da qual as autoridades do tempo de Jesus estavam  desprovidas, tanto que O rejeitaram e O condenaram à morte. Diferentemente, os publicanos, pecadores, prostitutas, os que se encontravam “nas encruzilhadas à beira do caminho” O aceitaram e responderam positivamente ao seu convite, pondo-se num caminho de abertura e conversão à Sua Boa Nova.

Tanto a aceitação do convite do Profeta à conversão como o convite de Jesus, implica em dar prioridade e corresponder à altura do Amor de Deus, em compromissos incansáveis com os valores do Reino.

Com o Batismo se dá o início desta aceitação e compromisso para uma vida em  comunidade. Nesta vivência da fé, tanto o batizado como a própria comunidade corre o grande perigo de perder seu entusiasmo inicial, com consequente instalação e acomodação, esvaziando assim as exigências do Evangelho. É preciso eliminar toda autossuficiência e viver em total atitude de humildade, de pobreza e de simplicidade, numa dinâmica de constante conversão, uma vez que a Salvação não é conquista findada.

Reflitamos:

- Tenho aceitado este convite do Senhor?
- Tenho me comprometido com este Banquete?
- Estou devidamente “vestido” para dele participar?
- Deus nos ama apesar e por causa de nossas fraquezas e nos convida para nos assentarmos à mesa com Ele. Qual é a nossa resposta?

Que saibamos dar um alegre SIM a este convite. Por ora, participantes do Banquete da Eucaristia, até que um dia possamos participar do Banquete da Eternidade que o Senhor nos preparou e que só poderemos participar quando a morte irromper no horizonte de nossa existência, mas vencida, rompida, superada, com a fé na Ressurreição que nos garante a imortalidade e eternidade de amor ─ o Céu que tanto falamos, cremos e desejamos. Façamos por merecê-lo!

Oremos:

Ó Deus, Pai Santo, Vós que sois tão misericordioso, que desejais a Salvação do mundo inteiro, convidando para as núpcias do Vosso Filho Amado,

Nós vos pedimos, embora sem nenhum mérito, mas com toda confiança, que envieis a cada um de nós e a toda Igreja o Vosso Espírito, para que enriquecidos dos sete dons (sabedoria, entendimento, ciência, conselho, fortaleza, piedade e temor de Deus), testemunhemos com alegria, esperança e confiança a fé que abraçamos, vivendo com ardor a missão por Vós confiada.

Que sejamos sempre revestidos da veste nupcial, para sermos dignos de participar de Vosso Banquete de Amor, vida, paz, felicidade, até que um dia possamos nos inebriar no Banquete da Eternidade, porque saciados e nutridos pelo Pão e Vinho de imortalidade. Amém!

Desculpas demais, amor de menos! (XXVIIIDTCA)

                                                          

Desculpas demais, amor de menos!

Uma reflexão inspirada nas passagens da Carta do Apóstolo Paulo aos Filipenses (Fl 2,5-11), e do Evangelho de São Lucas (Lc 14,15-24).

Deus, por meio de Seu Filho, nos chama e nos convida para assentar à Sua mesa, na comunhão do Espírito. Mas, assentar-se à Mesa Sagrada implica em sagrados compromissos que dela brotam; que nela se nutrem ― Eucaristia fonte e ápice da vida cristã.

Ao convite feito por Jesus para participar do Banquete do Reino e para comer de Seu Pão, muitas são as desculpas que encontramos (e com a maior facilidade). Sem muito pensar justificamos compromissos inadiáveis, desviamos olhares e caminhos, e até fugimos de maiores responsabilidades: “não tenho tempo”, “não sou capaz”,“estou sobrecarregado”, “quem sou eu?” (falsa modéstia), “um dia eu vou assumir um compromisso, mas agora não dá, é que...” etc.

Resposta positiva ao convite implica em diversas atitudes. Apresento cinco:

- Prontidão:
Quando Deus nos chama, devemos ser prontos; alegremente disponíveis para o trabalho da messe. Evidentemente, prontidão não significa imediatismos inconsequentes e inconstantes.

Prontidão consciente e perseverante. O seguimento a Jesus não pode ser fruto de uma emoção momentânea, circunstancial e sem enraizamento, mas fruto de um constante enamoramento e apaixonamento, que compromete toda a vida e a vida toda.

- Gratuidade:
Seguir Jesus e anunciar Sua Boa Nova não tem sentido, se não for movido pelo mais sincero e puro sentimento de gratuidade. É este sentimento que deve estar impregnado em toda a nossa vida.

O menor gesto feito com gratuidade é infinitamente superior ao maior dos gestos que não esteja acompanhado da mesma. Há grandes gestos inumeráveis que não expressam gratuidade, mas expressão de segundas, terceiras intenções. A Boa Nova do Evangelho prima pela gratuidade vivida a cada instante e em todo tempo.

- Imitadores dos sentimentos de Jesus:
Sim ao Seu convite implica em nos configurarmos a Ele. A ponto de dizermos, como São Paulo disse: “eu vivo, mas é Cristo que vive em mim...” (Gl 2,20).  Imitar Seus sentimentos, rever pensamentos, atitudes, critérios. Mente e coração moldados e iluminados pelos Seus ensinamentos.

Com muita facilidade podemos misturar dentro de nós sentimentos que são contraditórios e incompatíveis. Configurar-se a Jesus, para que vejam Cristo em nós.

É possível? Passo a passo, e não como quem já tenha ao ponto máximo chegado. Primeiros passos dados no batismo e que, somente, na eternidade encontram seu ponto de chegada; culminância; desejada perfeição.

- Obediência:
Jesus: A maior expressão de obediência aos desígnios de Deus. Obediência que implica em esvaziamento, aniquilamento, sofrimento, doação de Si mesmo, entrega da própria vida. Sangue por Amor derramado; Amor ao extremo. Vida pela vida sacrificada. Amor por Amor, puro Amor.

Obediência que não mede sacrifícios, motivada por uma causa maior, que faz tudo se tornar pequeno. A obediência deve ser nossa marca.

Ser Igreja é o aprendizado constante da obediência que, num primeiro momento, nem sempre compreendida e agradável, mas com maturidade assumida, renúncias assumidas, alegrias realizadas.

A Igreja prima pela obediência, não como míope servilismo, mas como certeza de que ela nos desafia ao amadurecimento daqueles que sabem até mesmo seus ideais renunciar, seus desejos sacrificar.

A obediência pede o desinstalar, o rever, o recomeçar, o reconsiderar. Ela muitas vezes assusta, porque nos coloca frente ao novo; e o novo via de regra nos incomoda.

A obediência vivida por amor à Igreja é caminho de santificação, que não dispensa diálogos, carinho e compreensão, mas abertura ao sopro do Espírito. Ela pode ser a morte da vaidade, da mediocridade, acerto de aparas. A obediência carrega em si a luminosidade pascal.

- Humildade:
Somos pó, verdade que jamais podemos esquecer: do pó viemos e ao pó retornaremos. Conscientes de nossa pequenez, fragilidade, haveremos de nos colocar nas mãos de Deus.

É a humildade no coração de Maria que a levou a participar da obra da redenção. É a sua humildade uma das fontes do Magnificat. Não cantará a glória de Deus, não reconhecerá as maravilhas de Deus, quem não reconhecer sua pequenez, seus limites.

Humildade jamais será sinal de fraqueza, pois quando somos fracos, então que nos tornamos fortes (2 Cor 12,10). Ela nos coloca como criaturas diante do Criador, e assim nossa vida somente tem sentido quando colocada em constante atitude amical e dialogal com Ele.

A atitude de humildade nos pede constante vigilância, para que não tenhamos conceito maior de nós mesmos, mas que, na exata medida, saibamos nos colocar nas mãos divinas; e, fortalecidas possam ser as milhões de mãos humanas estendidas.

Muitos são os chamados, poucos os escolhidos.

Reflitamos:

- Estaremos incluídos entre os escolhidos?
- A prontidão, gratuidade, imitação de Nosso Senhor, obediência e humildade estão presentes em nossa caminhada de fé?

Quando todas as virtudes citadas se fazem presente em nosso coração, e deixamos o amor falar mais alto, as desculpas deixarão de ser demais, não se multiplicarão com tamanha facilidade, porque haverá amor demais. Amor demais! Será que existe amor demais?

Como Deus é Amor, o amor nunca será demais!
Assim, Deus jamais será demais, porém, sem
Ele e Seu amor, seremos cada vez menos! 



PS: Oportuna reflexão para a passagem paralela - Evangelho de Mateus (Mt 22,1-14).

MENSAGEM DO SANTO PADRE LEÃO XIV PARA O X DIA MUNDIAL DOS POBRES (síntese)

 



MENSAGEM DO SANTO PADRE LEÃO XIV
PARA O X DIA MUNDIAL DOS POBRES (síntese)

Ao celebrarmos, no XXXIII Domingo do Tempo Comum, 15 de novembro de 2026, o X Dia Mundial dos Pobres, sejamos enriquecidos por esta síntese de sua mensagem que tem como motivação/inspiração  bíblica um versículo do Salmo: “O Senhor é o refúgio do pobre” (cf. Sl 14, 6)

O contexto do salmista bem como o atual é marcado por injustiça social que brota de uma corrupção arrogante, tão deplorável quanto discriminatória, acompanhada da perda de transcendência da vida cotidiana. Mais do que negar a existência de Deus, não se considera a sua bondade e misericórdia na construção da justiça pessoal e social.

O clamor dos pobres, que se vê aumentado em muitas sociedades, é abafado por muitas técnicas, cada vez mais dissimuladas, a ponto de silenciar os esforços de se fazer ouvir as suas reivindicações.

Além disto, fomenta-se um preconceito contra eles, com o aumento da cortina de indiferença que envolve suas causas, radicalizado, hoje pelo ambiente digital.

Em Cristo, também nós somos chamados a nos tornarmos pobres e a sermos refúgio para os pobres.

Eis o desafio que se impõe a toda a Igreja: ser presença de Deus para os pobres encontrem refúgio em nós:

“A comunidade cristã não pode permanecer insensível perante tantos que hoje se encontram à porta e permanecem invisíveis para aqueles que estão fechados entre as suas próprias paredes”.

Em sua Mensagem, o Papa apresenta algumas perguntas que devemos nos fazer urgentemente, e outras que poderão ser feitas:

-   Somos sinal de um Deus que é refúgio para os pobres?

-   Temos consciência da nossa pobreza e preferimo-la à riqueza injusta?

- Chegamos onde se encontram os pobres, experimentando a sua marginalidade?

-   Ouvimos os seus pensamentos e partilhamos as suas expectativas?

-    Pronunciamos os seus nomes com ternura divina?

-    A nossa caridade reaviva e sustenta neles o desejo de justiça e redenção?

Na fidelidade a Jesus Cristo somos impelidos a viver o autêntico amor:

“O amor de Cristo torna-nos, na verdade, participantes da vida de amor de Deus. Neste sentido, os cristãos são chamados não só a procurar refúgio em Deus, mas também a tornar-se, em Deus, um refúgio para os outros...

Somos a Igreja do Senhor, uma Igreja de pobres, todos preciosos, todos sujeitos, cada um portador de uma Palavra singular de Deus. Cada um é um dom para os outros» (Homilia, 17 de agosto de 2025).”

Apresenta-nos São Francisco de Assis, como ícone de acolhida e refúgio para os pobres, especialmente quando estamos celebrando o oitavo centenário de sua morte.

Como São Francisco “Queremos testemunhar que é possível, também hoje, experimentar a mesma alegria ao colocar-se no lugar dos pobres e ao ouvi-los, em vez de apenas falar sobre eles. Quem tem Deus como refúgio é livre para fazer escolhas proféticas, que testemunham como tudo pode ser repensado a partir de baixo, na humildade e na fraternidade que, por si sós, curam um mundo ferido pela prepotência.”

Finalizando expressando o desejo e confiança de que o X Dia Mundial dos Pobres seja uma etapa significativa na redescoberta do rosto de tantos irmãos e irmãs que procuram refúgio em Deus e desejam sentir-se em casa nas nossas comunidades.

Deste modo, é fundamental que mantenhamos viva a obediência à Palavra de Deus, que nos convida à conversão do coração, contando com a intercessão de Maria:

“Possa a Virgem Maria, que na carne crucificada do Filho contemplou o amor de Deus que enche de bens os famintos e despede os ricos de mãos vazias (cf. Lc 1, 53).” Amém.

 

https://www.vatican.va/content/leo-xiv/pt/messages/poor/documents/20260613-messaggio-giornata-poveri.html

Temos fome do Pão Celeste

                                                         


Temos fome do Pão Celeste

Uma reflexão sobre a Eucaristia, à luz do parágrafo n. 2837 do Catecismo da Igreja Católica.

Eucaristia designa diretamente o Pão da Vida, o Corpo de Cristo, “remédio de imortalidade”, conforme nos diz Santo Inácio de Antioquia, sem a qual não temos vida em nós (Jo 6,53-56).

Em cada Eucaristia, participamos antecipadamente do Banquete do Reino que, por sua vez, é o antegozo do Reino que vem, e deste modo é conveniente que ela seja celebrada cada dia.

Vejamos o que nos diz Santo Agostinho sobre a Eucaristia:

“A Eucaristia é o nosso pão de cada dia […]. A virtude própria deste alimento é a de realizar a unidade a fim de que, reunidos no corpo de Cristo, tornados seus membros, sejamos o que recebemos.

[…] E também são pão de cada dia as leituras que em cada dia ouvis na Igreja; e os hinos que escutais e cantais, são pão de cada dia. 

Estes são os mantimentos necessários para a nossa peregrinação”.

Na Oração que o Senhor nos ensinou, pedimos o Pão Celeste, o “Pão nosso de cada dia”, como filhos do céu; e este Pão é Ele mesmo, o Cristo (Jo 6,51), e O Pai celeste nos exorta a pedirmos como filhos do céu.

Concluo com as palavras do Bispo e Doutor da Igreja, São Pedro Crisólogo (séc. V), sobre este Pão Celeste que é o próprio Cristo:

“...é Ele mesmo o Pão que, semeado na Virgem, levedado na carne, amassado na paixão, cozido no forno do sepulcro, guardado em reserva na Igreja, levado aos altares, fornece cada dia aos fiéis um alimento celeste”.

Sejamos, portanto, alimentados pelo Pão da Palavra e da Eucaristia, para que vivamos uma fé inquebrantável, uma esperança viva e uma caridade generosa, como discípulos missionários do Senhor que o somos.

A participação no Banquete Divino (XXVIIIDTCA)

                                                    


A participação no Banquete Divino

Reflexão à luz da passagem do Evangelho de Lucas (Lc 14,15-24), sobre o convite de Jesus ao banquete do Reino.

Já no Antigo Testamento, o Profeta Isaías nos falava através da imagem do Banquete (Is 25,6-10a), comunicando, em meio a sinais de morte e desolação, o desejo de Deus, um horizonte esperançoso e promissor: um Banquete de amor e vida a toda humanidade oferecido. 

O Profeta, com sua palavra, exorta a confiança e a esperança numa nova era de paz e de felicidade sem fim, porque Deus vai destruir a morte para sempre e enxugar as lágrimas de todas as faces, eliminando, assim, o opróbrio que pesa sobre o Seu povo.

Voltando à passagem do Evangelho, Jesus nos fala do Banquete, que Ele mesmo veio realizar, em Sua Pessoa e missão, como profetizara o Profeta Isaías. 

De Deus nos vem o permanente convite para participarmos de Seu Banquete de Amor, vida, felicidade, alegria e paz, e embora respeite a nossa liberdade, não dispensa de que vivamos no amor, partilha, serviço, misericórdia, com o dom da própria vida.

Participar do Banquete de Deus implica em estarmos na mais perfeita e profunda comunhão, amizade e intimidade com Ele e com nosso próximo.

Com o Batismo se dá o início desta aceitação e compromisso para uma vida em comunidade. Nesta vivência da fé, o batizado e a própria comunidade correm o grande perigo de perder seu entusiasmo inicial, com consequente instalação e acomodação, esvaziando assim as exigências do Evangelho. 

Como batizados, fomos revestidos por Cristo e, deste modo, somos sinais de comunhão com o outro, para que nossa comunhão com Deus seja credível, agradável e sinal do Banquete Eterno que prefiguramos em cada Eucaristia que celebramos e participamos.

Não há exclusão no Banquete do Reino, mas esta aceitação do convite  implica em dar prioridade e corresponder à altura do Amor de Deus, em compromissos incansáveis com os valores do Reino.

É preciso eliminar a autossuficiência e viver em total atitude de humildade, de pobreza e de simplicidade, numa dinâmica de constante conversão, uma vez que a Salvação não é conquista findada.

Saibamos dar um alegre SIM a este convite, para que participantes do Banquete da Eucaristia, por ora, um dia possamos participar do Banquete da Eternidade que o Senhor nos preparou, e que só poderemos participar quando a morte irromper no horizonte de nossa existência, mas vencida, rompida, superada, com a fé na Ressurreição, que nos garante a imortalidade e eternidade de amor ─ o Céu que tanto falamos, cremos e desejamos. Façamos por merecê-lo! 

Reflitamos:

- Tenho aceitado este convite do Senhor?
- Tenho me comprometido com este Banquete?

- Deus nos ama apesar e por causa de nossas fraquezas e nos convida para nos assentarmos à mesa com Ele. Qual é a nossa resposta?

Oremos:

Ó Deus, Pai Santo, Vós que sois tão misericordioso, que desejais a Salvação do mundo inteiro, convidando-nos para as núpcias do Vosso Filho Amado,

Nós vos pedimos, embora sem nenhum mérito, mas com toda a confiança, que envieis à Vossa Igreja, o Vosso Espírito, para que enriquecidos dos sete dons, testemunhemos com alegria, esperança e confiança a fé que abraçamos, vivendo com ardor a missão por Vós confiada.

Concedei-nos a graça de estarmos sempre prontos e disponíveis na participação de Vosso Banquete de Amor, vida, paz e felicidade, até que um dia possamos nos inebriar no Banquete da Eternidade,  saciados e nutridos pelo Pão e Vinho de imortalidade. Amém! 

PS: Oportuno para a reflexão da passagem paralela do Evangelho de São Mateus (Mt 22,1-14).

Curados e agradecidos ao Senhor (XXVIIIDTCC)

                                                   

Curados e agradecidos ao Senhor

Com a Liturgia do 28º Domingo do Tempo Comum (ano C), refletimos sobre o Projeto de Salvação que Deus tem para toda a humanidade, e ao mesmo tempo, um convite para acolhê-lo com amor e gratidão, embora não merecedores sejamos.

A misericórdia de Deus não exclui ninguém do Seu Projeto, e Ele está sempre pronto a acolher, curar e perdoar, para que assim, com Ele, possamos manter uma relação de amor, fidelidade e gratidão, numa fé solidificada, que cumulará graça sobre graça.

Na passagem da primeira leitura (2 Rs 5,14-17), temos a cura de um leproso,  o sírio Naamã. A mensagem desta cura: a vida e a salvação de Deus destinam-se a todos os povos, sem exceção, e uma vez alcançada, deve ser acompanhada de gratidão à fonte da cura e salvação: Deus, e não baal (ídolo).

A passagem é um convite para que os israelitas redescobrissem os fundamentos de sua fé, abandonando toda possibilidade de idolatria, numa confiança exclusiva em Deus, Autor da criação e da vida.

É uma catequese sobre Deus: Deus é o Deus da vida; único, salva a todos, espera a gratidão de suas criaturas e, por fim, não se deixa manipular por nenhuma pessoa, ou qualquer outro poder.

Também, trata-se de um convite a colocarmos nossa esperança de vida plena tão somente em Deus, e não nos ídolos (falsos deuses), que possam nos seduzir.

A passagem da segunda Leitura (2Tm 2,8-13) tem como mensagem a nossa identificação com Jesus Cristo, dando substancial matiz à nossa vida cristã, marcada pela fidelidade, doação, amor e entrega, em confiança inabalável em Deus, em todas as circunstâncias, favoráveis ou  adversas.

Urge que perseveremos na fé; mantenhamos fidelidade à doutrina da fé que abraçamos e na pertença à comunidade, uma vida marcada pela total dedicação e serviço à causa da evangelização, do anúncio e testemunho do Evangelho.

Na passagem do Evangelho (Lc 17,11-19), temos a cura de dez leprosos e somente um que foi curado, volta para agradecer a Jesus pela cura alcançada.

Interessante notar que a cura se deu quando estavam a caminho; de modo que também a nossa cura se dá quando não nos instalamos, acomodamos, mas quando nos colocamos sempre no caminho, em total fidelidade e comunhão com o Senhor e Seu Projeto de vida e salvação.

Trata-se de mais um aprendizado para os discípulos que estão caminhando com Jesus, rumo a Jerusalém, onde culminará a Sua missão, passando pela paixão, morte e Ressurreição: a salvação (cura) é dom de Deus, e deve ser acompanhada sempre de nossa gratidão. É preciso uma resposta de gratidão e de adesão à Salvação que Deus tem a nos oferecer.

Este acontecimento é narrado exclusivamente no terceiro Evangelho (Lucas) e tem como objetivo a apresentação de Jesus, como o Deus que Se fez um de nós, exceto no pecado, trazendo-nos a salvação e libertação, com Palavras e gestos concretos, tendo como privilegiados destinatários os empobrecidos, excluídos e marginalizados.

Com a passagem, contemplamos um Deus que dá a graça a todos, e nós haveremos de dar graças a Deus pelo dom de Seu amor em nosso favor, Sua misericórdia que jamais nos abandona.

Envolvidos pela ternura e amor divinos, vida plena e feliz teremos. De todos os males que nos marginalizam, nos atemorizam e nos fazem sofrer, seremos libertos; em nossas fragilidades seremos fortalecidos e, nossos escuros caminhos, pela Luz da Sua Sagrada Palavra serão iluminados, e iluminantes seremos.

Sejamos curados por Deus de nossas enfermidades. Reconheçamos Seu poder e ação libertadora em nossas vidas. Mas também reaprendamos a dizer “obrigado a Deus”, de modo especial na Eucaristia, o momento maior de Ação de Graças, onde expressamos nosso obrigado a Deus, que Se fez nosso Alimento, Comida e Bebida que nos fortalecem, enquanto estamos a caminho da eternidade, e um dia possamos alcançar, com inadiáveis e irrenunciáveis compromissos com a Boa-Nova do Evangelho, como frágeis e desejáveis instrumentos por Deus querido.

Concluindo, digamos:

“Basta-nos a Sua graça, Senhor”.  Muito obrigado!

PS: Apropriado para o 6º Domingo do Tempo Comum (ano B), se for proclamada a Leitura opcional (2 Rs 5,9-14)  e para a terceira segunda-feira do Tempo da Quaresma , quando se proclama (2 Rs 5,1-15a)

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