sexta-feira, 9 de outubro de 2026

Missão é graça divina

                                                  


Missão é graça divina 

Não podemos nos acomodar, precisamos o Evangelho anunciar. Não são poucos os que não conhecem ainda o Evangelho e a Pessoa de Jesus. Também não são poucos os que se tornam indiferentes à existência de Deus, até mesmo declarando Sua morte, em total indiferença e banalização da dimensão religiosa. 

Como numa grande aldeia global, a fé que professamos é desafiada; a esperança que cultivamos e o amor que testemunhamos (ou que deveríamos com maior radicalidade e verdade testemunhar) devem cada vez ganhar maior expressão, ardor e vigor. 

Sejamos todos missionários, configurados e transformando-nos n’Aquele que recebemos na Santíssima Eucaristia. Urge que saiamos ao encontro do outro, evangelizando oportuna e inoportunamente como disse Paulo (2Tm 4,2). 

Como discípulos missionários do Senhor, participantes da construção do Seu Reino, servos de Sua vinha, coloquemo-nos humildemente como Seus instrumentos.  

Importa que a missão seja assumida como um todo, impregnando as pequenas e grandes ações de nossa vida. Todo o nosso existir tem que ser missionário. 

Realizar a missão não consiste em fazer algo a mais, como uma atividade isolada, mas em dar um sentido novo em tudo o que fazemos para que, sob a ação do Espírito Santo, em amor e fidelidade ao Evangelho do Verbo, o mundo, as pessoas, percebam e reconheçam que amamos e cremos n’Aquele que foi por excelência o Missionário do Pai. 

Ser missionário é sentir alegria e vibrar com a graça da missão, cientes que devemos realizá-la, não pelos nossos méritos ou até mesmo pela falta deles, pois o Senhor vem sempre em socorro de nossa fraqueza – “Tudo posso n'Aquele que me dá força” (Fl 4,13). 

Reflitamos sobre a graça de sermos missionários do Reino, renovando nosso sim para o trabalho na messe do Senhor, pois a messe é grande e poucos são os operários, como o próprio Jesus já nos alertou. 

Encontremos e reencontremos nosso lugar na Igreja e no Mundo para resplandecer a luz do Espírito, ressoar a Palavra que em nosso meio se encarnou, em resposta corajosa ao Amor do Pai. 

Como discípulos missionários, de modo especial, os cristãos leigos, concretizando sua vocação e condição, vivam empenhadamente a missão de todo o povo cristão na Igreja e no Mundo. 

Assim como a Igreja nos ensina, os cristãos leigos são homens e mulheres da Igreja no coração do mundo e homens e mulheres do mundo no coração da Igreja; são fermento na massa, luz do mundo; sal que dá gosto de Deus a todas as coisas.   

Abertos ao Projeto de Amor do Pai, na fidelidade ao Filho, com o sopro e luz do Santo Espírito, renovemos a alegria e a graça da missão de discípulos missionários da vinha do Senhor, para desejados e saborosos frutos do Reino produzir, inspirados pelo exemplo de Nossa Senhora, a Estrela da Evangelização, a perfeita discípula missionária do Pai. 

“A esperança não decepciona”

                                                        

“A esperança não decepciona”

Num mundo marcado por desorientações generalizadas, intolerância religiosa, angústias cotidianas, pandemias, diante de pequenos e grandes problemas ou desafios; o sentido da precariedade e da provisoriedade; da liquidez do tempo e da própria vida (modernidade líquida, segundo Zigmunt Bauman), e tantos outros fatos, que poderiam ser mencionados, como falar da esperança, ou mais ainda, como manter viva a esperança?

Nas páginas da Sagrada Escritura, encontramos o anúncio de um Deus que salva e liberta Seu povo, mantendo viva a Sua esperança, como vemos na passagem do Evangelho de Lucas (Lc 21,20-28).

É exatamente nos momentos difíceis, em que a perturbação e a angústia parecem querer nos apoderar, mantendo-nos prisioneiros de suas cadeias, é que temos que manter a coragem, firmados na esperança de que a libertação está próxima:

“Quando estas coisas começarem a acontecer, levantem-se e ergam a cabeça, pois a libertação de vocês está próxima”, nos disse Jesus, nosso Senhor” (Lc 21,28).

Manter viva a esperança contra toda a esperança, como nos falou o Apóstolo Paulo aos romanos (Rm 4,18), referindo-se a Abraão: “Esperando contra toda esperança, ele acreditou. E assim ele se tornou pai de muitas nações, como lhe fora dito”.

Portanto, não se trata de uma esperança ingênua e inconsequente, mas uma esperança que se apoia na constância e na perseverança, com seu fundamento em Cristo:

“Portanto, tendo sido justificados pela fé, estamos em paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo. Por meio d’Ele, através da fé, tivemos acesso a esta graça, na qual estamos firmes e nos gloriamos na esperança da glória de Deus. Mas não apenas isso. Nós nos gloriamos também nas tribulações, sabendo que a tribulação produz a perseverança, a perseverança produz a experiência comprovada, a experiência comprovada produz a esperança. E a esperança não decepciona, pois o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado” (Rm 5,1-5).

Deste modo, cremos que somente por meio d’Ele a nossa esperança se torna atuação da libertação e a nossa vida se torna vida em liberdade (libertação de nós mesmos para a abertura necessária ao próximo e suas necessidades).

É possível falar e manter viva a esperança, porque sabemos em quem confiamos, e tudo podemos n’Aquele que nos fortalece (Fl 4,13).

Cremos que Deus é o nosso refúgio na tribulação, assim como é a nossa força em nossa fraqueza, e nos conforta no sofrimento, concedendo-nos o perdão de nossas culpas, reencontramos a alegria na experiência viva e contínua de Sua misericórdia, que nos renova, redime e nos recoloca no caminho, sem que nos curvemos diante das dificuldades e aparentes derrotas.

Crer na vida nova do Ressuscitado, é fazer da vida constantes passagens, até que façamos a mais importante de todas: a passagem definitiva da morte para a vida eterna.

Domingo, o Dia do Senhor

                                 

Domingo, o Dia do Senhor

Reflitamos sobre a importância do Domingo, o Dia do Senhor, quando celebramos a vitória de Cristo sobre o pecado e a morte, e também, somos convidados a morrer ao pecado e ressurgir para uma vida nova, como podemos ouvir no rito do Ato Penitencial, conforme o Missal.

As Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil, da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB – (2019-2023), ao falar da Eucaristia, enfatiza a necessidade de valorizar o domingo, o Dia do Senhor:

“Em consequência, ‘as comunidades eclesiais que se reúnem em torno da Palavra, precisam valorizar o domingo, o Dia do Senhor como o dia em que a família cristã se encontra com o Cristo. O domingo para o cristão, é o dia da alegria, do repouso e da solidariedade’ (CNBB, Doc. 100, n.276-277).

Essa valorização do Dia do Senhor exige ações concretas como manter as Igrejas abertas; cuidar que haja clima efetivo de acolhida àqueles que chegam; flexibilizar horários para atender as necessidades dos fiéis; oferecer oportunidade de participar da celebração da Palavra onde efetivamente não for possível a celebração Eucarística; incentivar a criação da pastoral litúrgica; valorizar o ministério da celebração da Palavra de Deus; cuidar da qualidade da música litúrgica” (1)

Em mais dois parágrafos, enfatiza o resgate e a centralidade do domingo como o Dia do Senhor, por meio da participação na Missa Dominical ou, na falta dessa, na Celebração da Palavra:

- “A assembleia eucarística é considerada ‘alma do domingo’ (DD, n.34 e cap.3 – Papa São João Paulo II) e, não sem razão, entre os mandamentos da lei de Deus, está a guarda do Domingo e dos dias Santos e, razão pela qual, entre os mandamentos da Igreja, encontra-se o dever da participação na celebração eucarística nesse dia (Catecismo da Igreja Católica n. 2042; CIC cân. 1246-1248)” .(2)

- “Onde efetivamente não for possível celebrar a Eucaristia, realizam-se as celebrações da Palavra de Deus, com os diáconos permanentes ou com ministros leigos devidamente formados e instituídos. Importa que a comunidade não deixe de se reunir para celebrar o dia do Senhor e os momentos importantes, tanto de alegria, quanto de dor e de esperança. Para tal, seja conhecido e valorizado o recente Documento 108 da CNBB: Ministério e Celebração da Palavra”. (3)

Urge capacitar cada vez mais nossas Equipes de Liturgia (ministros, proclamadores da Palavra de Deus, animadores de canto, acolhida, acólitos e coroinhas, e todos que participam  da preparação).

Sejam nossas Eucaristias momentos favoráveis para fazer arder nosso coração enquanto se vive a Liturgia da Palavra; bem como, nossos olhos se abram na Liturgia Eucarística, ao partir o Pão da Eucaristia, como vemos na passagem dos discípulos de Emaús (Lc 24,13-35).

Sejam nossas Eucaristias, o fortalecimento da serenidade e ardor, que devem estar presentes em nosso discipulado:

“A serenidade e o ardor devem caracterizar os cristãos no cumprimento das suas tarefas diárias. Cada Liturgia, especialmente a da Eucaristia, é uma nova vinda de Deus. Cada domingo é um ‘Dia do Senhor’ e o Ano Litúrgico uma série ininterrupta de domingos” (4)


(1)         Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja do Brasil – Doc. 109 – n.161
(2)        Idem n.164
(3)        Idem n.165
(4)        Missal Quotidiano, dominical e ferial - Editora Paulus – Lisboa, 2012 - p.2250

Aprendendo com o Apóstolo Paulo: o Pastor e a Comunidade

                                            


Aprendendo com o Apóstolo Paulo: o Pastor e a Comunidade

Reflexão à luz da passagem da Carta aos Filipenses: “Assim, meus irmãos, a quem quero bem e dos quais sinto saudade, minha alegria, minha coroa, meus amigos, continuai firmes no Senhor.” (Fl 4,1).

Um pouco antes Paulo lamentava chorando, que alguns pelo agir comportavam-se como inimigos da Cruz de Cristo, porque tão distantes da vontade de Deus, exortando a comunidade a viver como cidadãos dos céus (Fl 3,17-4,1).

Infelizmente esta realidade é teimosamente persistente em cada tempo.

Notemos a relação do pastor com a comunidade. Vejamos como Paulo se referiu à comunidade: “... meus irmãos, a quem quero bem...” e mais ainda: “... dos quais sinto saudade...”

Como é bom viver em comunidade e escrever na Igreja uma história de amor, deixando marcas e sendo marcado pelo amor verdadeiro que se celebra em cada Eucaristia.

Reflitamos:

- De quem sentimos saudades?
- A quem queremos tão bem, ainda que não tão perto, mas mais do que perto de nós, pois é próprio do amor encurtar distâncias?
- Quem são as pessoas que poderiam ouvir de nós: vocês são “... minha alegria, minha coroa, meus amigos”?

E a parte final do versículo: “... continuai firmes no Senhor”. Quantos neste exato momento precisam ouvir esta palavra, ou melhor, esta Palavra. Porque há palavras e Palavra. Deus tem a Palavra, Ele é a Palavra que nos ilumina e nos fortalece em todos os instantes.

Bem nos disse o próprio Paulo – “tudo posso n’Aquele que me fortalece” (Fl 4,13), somente assim poderemos com ele repetir, se considerarmos tudo como perda por causa do conhecimento de Jesus.

Há muito o que aprendermos com o Apóstolo, para, a seu exemplo, termos graça de aumentar o rol de nossas alegrias e coroas: nossos amigos e amigas; termos a graça de nos ajudarmos mutuamente na firmeza da fé, porque a caridade não pode deixar de ser a mais Bela Chama Devoradora do Amor de Deus, tão pouco a esperança como âncora que assegure melhores travessias para horizonte outro: felicidade presente, glória da eternidade, céu!

Permanecer na fé é preciso!
E assim, o conhecimento e o enamoramento por Cristo
nos concederão a graça de multiplicarmos relacionamentos
que serão saudades a serem 
silenciosamente contempladas
e guardadas no mais
Belo Coração, o Coração de Jesus.
                

Curai-me, Senhor, por Vossa Santa Chaga de Amor!

                                                   


Curai-me, Senhor, por Vossa Santa Chaga de Amor!

Senhor, em meu silêncio orante,
Coloco-me em Vossas mãos...
Sei que a Vida venceu a morte!
O Senhor Ressuscitou! Aleluia!

Sei que tudo posso n’Aquele que me fortalece (Fl 4,13)
Sei em quem pus minha vitoriosa confiança.
Sei que estais, silenciosamente, ao meu lado.
Sei que sois meu defensor, meu refúgio...

É  Páscoa! Não há mais lugar para o antigo inimigo.
Ele que inaugurou sua ação no Paraíso,
Pelo Filho Amado na Morte de Cruz foi vencido,
O veneno da serpente cedeu lugar ao Sangue Divinal.

É Páscoa! A luz se fez clara como o dia,
O medo foi vencido pela coragem Pascal,
A alegria invadiu e transbordou no coração dos discípulos...
E assim se fez: fomos curados, Senhor, por Vossa Santa Chaga de Amor!

Como os discípulos de Emaús eu Vos peço:
Ficai comigo, Senhor, e com Vossa Igreja!
Mais uma vez, minhas mãos estendo e suplico:
Curai-me, Senhor, por Vossa Santa Chaga de Amor!

Sei que sois minha rocha, minha fortaleza...
Sei que Vós tendes a última Palavra.

Sequemos nossas lágrimas!
Sejamos curados pelas Santas Chagas do Amor!

Amém. Aleluia!

Apóstolo Paulo: fidelidade e amor incondicional ao Senhor

                                                          

Apóstolo Paulo: fidelidade e amor incondicional ao Senhor

Paulo, o Apóstolo disse aos Filipenses:
"... considero tudo perda diante da vantagem suprema que consiste em conhecer a Cristo, meu Senhor.”  (Fl 3,8).

E ainda "... continuai firmes no Senhor." (Fl 4,1)

E, para que não fique nenhuma dúvida, dirá -
“Tudo posso naquele que me fortalece.” (Fl 4,13).

Nos três versículos, 
o amor do Apóstolo por Jesus mais que admirável!
E quanto a nós, por Deus, 
mais do que desejável!

Deus, por nós e de nós, 
quer apenas resposta de amor.
Para o Apóstolo,
por Ele, Jesus, tudo é perda!

É Ele, Jesus, quem nossos passos firma, 
e em nosso bom combate nos acompanha (2 Tm 4,7-8),
assiste e fortalece.

Aos Coríntios e a nós, o Apóstolo  continua dizendo:
"... em Cristo somos mais que vencedores" (Rm 8,37-39).

Na vocação do Apóstolo Paulo
 nos inspiremos e nos espelhemos, 
a fim de que cresçamos na fidelidade e amor 
ao Senhor, à Sua Palavra  e à Sua Igreja.
Amém.

Cristão: aquele que crê sem ver

                                                           

Cristão: aquele que crê sem ver

O cristão conhece a obscuridade, a caligem da noite, marcada pelas densas e escuras nuvens das dificuldades a serem transpostas, mas pela Luz do Senhor mais que iluminadas.

O cristão, com coragem, enfrenta as nuvens escuras das dificuldades com a certeza de que não caminha só: A Trindade com ele está.

Sabe que a inteligência não salva o homem, assim como os mais refinados sistemas, sobretudo quando não se deixa conduzir e crer  na verdade de Deus que é Cristo Crucificado, realidade concreta de sofrimentos e de sangue, na aparente fragilidade e loucura da Cruz.

Quanto mais se adensam as trevas e o coração sangra na solidão da dor, tanto mais o catequista descobre a alegria de crer no Senhor: “Tudo posso n’Aquele me fortalece” (Fl 4,13)

Com o Apóstolo, aprende que crer significa enfrentar os desafios próprios da “noite”, porque a fé ultrapassa a medida do conhecimento e da humana sabedoria, porém não a ignora.

Ser cristão é ser alguém que mesmo quando se apagarem todos os faróis ofuscantes do “êxito”, caminhando no escuro, sem saber aonde vai, a fé o ajudará a “crer sem ver”’.

No coração e na vida de um cristão, as trevas são iluminadas por dentro, por uma presença invisível, mas totalmente crível e sentida: sabem e confiam que um dia elas cairão e a noite será despedaçada e aparecerá a aurora.



Fonte inspiradora:  1 Cor 1,17-25 - Missal Cotidiano p.1210

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