quinta-feira, 8 de outubro de 2026

“A montanha azul”

                                                          

“A montanha azul”

Com passos firmes, subi à montanha azul, 
lugar que bem perto se pode encontrar.
Vencendo todo o cansaço e vozes que repetiam em coro: 
– “você não conseguirá”.
Mas, fôlego renovado, ao topo mais alto que se pode alcançar.

No cume da montanha, apenas o som do vento a escutar,
Ou quando muito, os passos trocados, de um lado para outro.
Olhos fixos no horizonte de um novo amanhecer,
Que não tardará por vir; 
Ainda que as dificuldades pareçam a noite eternizar.

Páginas novas na planície serão escritas, 
Com ousada teimosia,
Contra todos os cantos agourentos que, 
Por vezes, parecem tornar impossíveis
Os mais belos sonhos que podemos ter; 
no secreto silêncio da alma sonhar.

Mas lá não se pode para sempre ficar; 
Ainda que tentador,
É preciso pisar nos cacos de vidros da planície do cotidiano, 
Com risco de se cortar,
Mas contar com a proteção que nos vem do alto, 
Contra toda forma de perigo,
Pois Ele jamais se afasta daqueles que tanto ama, 
Sendo em todo o tempo,
Nosso abrigo, refúgio, consolo, força e proteção, 
E jamais nos decepciona.

Cada um de nós precisa desta montanha azul, 
De momentos de restauração,
Em que nos colocamos despidos diante do Criador, 
Com nossa miséria e limitação.

Envolvidos por Sua divina presença, 
Impelidos a descer para o chão da realidade,
Para ser no mundo, para todos que precisarem, 
D’Ele, divino sinal, 
Sua luz irradiar, no testemunho de uma fé irmanada 
Com a esperança e caridade. Amém.


PS: Passagens bíblicas - Cl 3,1-5.9-11; Mt 5,1-12a; 

Os crisóis de nossa purificação

                                                   

Os crisóis de nossa purificação

É sempre tempo para refletirmos sobre História da Salvação do Povo de Deus.
Páginas difíceis, com traições, sacrifícios, devastações,
Desolações, amargura, maldade, infidelidade, cinzas, lágrimas,
O povo ao nada, impiedosamente e absolutamente, reduzido.

Sonhos e esperanças pisoteadas numa sensação de que não havia mais saída.
Vida a ser vivida em terras tão distantes e estranhas, sem história e raízes.
Os que permanecem, um pequeno resto, os pobres por Deus amados e escolhidos,
Mas Deus sempre fiel à Aliança, a História irrevogável de Amor e fidelidade continuará.

Página atroz do Exílio, imposto ao Povo de Deus há muitos séculos.
A ausência da justiça fez sucumbir quaisquer possibilidades de experimentar a paz.
Medito o célebre cântico de nostalgia dos exilados da Babilônia, fonte divina inspiradora.
Dor emudecida, canto de dor sufocado: como cantar em terra tão estranha ao coração?

Ó cruentos dias vividos no exílio, aparente tempo de eternidade;
Verdadeiramente uma espécie de crisol purificador,
Mas é nele que a fé se fortalecerá para o verdadeiro amor;
Braços à esperança dará, tempo novo somente com Deus virá...

Outras páginas hoje são escritas, outros tempos, outros desafios.
Dificuldades podem ser outras, mas a fé é sempre a mesma,
A esperança ganha novos contornos, mas a chama da caridade
É a mesma que os corações do crente fiel aquece e inflama.

Há por vezes crisóis purificadores a serem silenciosamente suportados,
Mas não será o bastante para consumir a fé no coração como dom plantada,
Nem suficiente para fazer sucumbir no lamaçal a vitalidade do sonho e da esperança
Que nos amadurecem para o essencial da existência: amor vivo e encarnado.

Amor ao Deus vivo e único em Três Pessoas glorificado, para sempre adorado:
Santíssima Trindade amada na qual nos fazemos imersos e plenamente fortalecidos
Para suportar o crisol purificador, adentrando pela porta estreita que leva à vida,
Carregando com renúncias, coragem, o crisol purificador da inevitável cruz,

Até que um dia a face do Deus Uno e Trino possamos e mereçamos contemplar.
Amadurecidos e purificados pelo crisol da dor, da fidelidade, dos sacrifícios, da profecia,
Veremos acontecer dias tão sonhados e no coração regados e cultivados,
Na espera da segunda vinda, numa grande, bela e professada Parusia. Amém.

Precisa-se de Profetas! (Parte I)

                                                     

Precisa-se de Profetas!

O Profeta é a consciência crítica do povo.
O Profeta é um “ser contra...”

Desmascara as astuciosas cumplicidades com o mal; denuncia com firmeza os vícios e infidelidade do povo, a falsidade do culto, os abusos do poder, desmascara idolatrias, não compactua com injustiças, não se acomoda diante do “aprisionamento” de Deus e de Sua Palavra.

É o “juízo” de Deus sobre a malícia humana; é a simultaneidade da comunicação da vontade divina. Sua voz é apelo à conversão do coração, em nível pessoal e também coletivo. Sua vida, obra e denúncia são consequências de seu amor... A denúncia do mal não lhe faz amargo! Ele olha para o horizonte com confiança e esperança...

O Profeta é:

-  o homem da aliança:
- aquele que faz faz uma leitura divina dos acontecimentos humanos;
- é feliz porque sua felicidade é fruto da releitura humana da onipotência divina e da releitura divina da fraqueza humana;

- o homem dos três tempos: passado, presente e futuro... Ele lê o presente com um olhar retrospectivo (aliança do Sinai) e com olhar prospectivo (Nova e Eterna Aliança);
- alguém que não somente fala em nome de Deus, mas é Deus quem fala nele: Uma revelação perfeita!

Seu vigor é fruto de Alimento Divino. Nutre-se do Pão da Vida no Sacrifício Eucarístico... Alimento que o capacita para ser no mundo sinal da misericórdia divina, concretizado no cumprimento do amor ao próximo.

Reflitamos: 

- O que mais poderia ser dito sobre o ser Profeta?
- Sinto-me chamado por Deus para a vocação profética?

- Sinto a graça de Deus me acompanhando no realizar da vocação profética?
- Quais são as vocações proféticas bíblicas que mais me encantam?
- Quais são as vocações proféticas que hoje me encantam?


A comunidade de Jesus será autêntica quando for uma comunidade de Profetas, em que todos vivem com fidelidade e ardor a graça do batismo, como sacerdotes, profetas e reis, vivendo com alegria como discípulos missionários do Senhor.

Precisa-se de Profetas! (Parte II)

                                                      

Precisa-se de Profetas!

Ninguém é Profeta porque
quer, tão pouco por iniciativa própria.

Para reconduzir o povo à fidelidade, ao relacionamento fraterno, Deus toma a iniciativa de constituir Profetas. Vocação profética é uma prerrogativa divina, cabe a nós dar a resposta. A vocação profética é um dom divino a nós concedido. Vivê-la intensamente é uma resposta ao primeiro passo dado por Deus que vem sempre ao nosso encontro.

Profetas autênticos Deus suscita. Vocacionados, com a graça divina, superam todas as dificuldades da missão.

Precisa-se de Profetas! Peçamos ao Pai que nos envie Profetas. Pois, quando eles faltam, o povo perde o rumo de sua caminhada. Perde seus horizontes e mergulha num abismo de mediocridade, num deserto de esterilidade, num oceano de desumanidade, num lamaçal de atrocidades…

Quando se calam as suas vozes:

- campeia a força dos interesses falsos e impuros, chegando ao absurdo de não se ter vergonha da imoralidade e absoluta perda da sanidade mental, espiritual, intelectual, psicológica etc;

- inaugura o permissivismo, o relativismo (ausência da verdade absoluta) em que tudo é permitido até mesmo a eliminação da vida. Anuncia-se a morte de Deus para a proliferação de deuses. A humanidade não pode ter futuro prescindindo de Deus;

- irrompe a escuridão, instaura-se o caos;

- robustece  e multiplica a infidelidade e idolatria. 

É tempo da missão profética da Igreja: vozes proféticas são e serão sempre luminares, portadores da luz divina para um mundo novo e por isto reafirmamos: “O Senhor é minha luz e Salvação, a quem temerei?”

Finalizo citando Santo Antônio, em um dos seus memoráveis sermões: “Quem está repleto do Espírito Santo fala várias línguas. As várias línguas são os vários testemunhos sobre Cristo, a saber: a humildade, a pobreza, a paciência e a obediência; falamos estas línguas quando são as obras que falam. Cessem, portanto, os discursos e falem as obras. Estamos saturados de palavras, mas vazios de obras. Por este motivo o Senhor nos amaldiçoa, como amaldiçoou a figueira em que não encontrara frutos, mas apenas folhas.”

Diz São Gregório:

“Há uma lei para o pregador: que faça o que prega. Em vão pregará o conhecimento da lei quem destrói a doutrina por suas obras.”

Através da Palavra e dos sinais os cristãos serão homens e mulheres no coração do mundo e, ao mesmo tempo, serão homens e mulheres no coração da Igreja!

Senhor, derramai em mim o fogo do Vosso Espírito,
para que a chama profética não se apague!

Senhor, derramai em mim a Vossa graça,
Para que o ardor da vocação profética não esfrie!

Senhor, derramai em mim a Vossa esplendorosa luz,
Para que eu seja fiel ao Caminho que a Vós conduz!

Precisa-se de Profetas! (Parte III)

                                                            

Precisa-se de Profetas!

Precisa-se de Profetas!
Mas, o que é ser Profeta em nosso tempo?

Aprofundando a vocação profética, que recebemos no dia de nosso Batismo, veremos que ser Profeta é, antes de tudo, um dom de Deus e uma resposta humana. 

A missão profética não é iniciativa da Igreja, tão pouco nossa, mas do Espírito Santo.

Os Profetas surgem onde e quando menos esperamos. Com a consciência da unção divina, une culto à prática da justiça, de modo que é constituído por Deus “para arrancar e demolir, para destruir e abater, para edificar e plantar (Jr 1,10)”.

Sua ação é fruto de um encontro decidido, marcante e apaixonado por Cristo, que o torna portador de uma fé convicta, cultivador de profunda intimidade com os Mistérios divinos.

O Profeta é permanente discípulo da escola do Amor. Aprendiz voraz da sabedoria divina do Mestre e de tantos testemunhos dos mártires e Profetas de todos os tempos.

Acolhe a Semente do Verbo antes de anunciá-La! Para falar antes com a vida e depois com as palavras e, assim, sua profecia não seja um alienante contratestemunho; sabe que é preciso cultivar a coerência entre a fé e a vida.

Sabedor da necessária, plena e permanentemente abertura à vontade de Deus: Sua vontade sempre se submete à vontade d’Aquele que o seduziu.

Compromissado com a vida do povo simples é anunciador de uma redenção radical, levando-o a purificação de todas as suas infidelidades em contínuo processo de conversão do coração, correspondendo de maneira incansável aos desejos divinos.

Não há profecia se não for o Profeta um homem de fé! Devendo estar em permanente processo de amadurecimento e acrisolamento da mesma, que vai conferi-lo e revesti-lo de autoridade divina, impossibilitando-o de se enamorar com o autoritarismo, seja de que ordem for. A vocação profética desperta no coração do Profeta uma inquietude missionária!

Ele sabe que é preciso rezar todos os dias para manter acesa a chama do profetismo em seu ministério, renovando sempre a conduta de outrora, com invejável vigor (cf. Ap 2,5).

Num mundo marcado pelas relações interesseiras, o Profeta é  sinal e testemunha da gratuidade do Amor divino, por isto sabe que precisa se alimentar na oração e na escuta da Palavra de Deus, em diálogo aberto e sincero, confiando a Deus suas inquietações, angústias, preocupações, alegrias, certezas, esperanças... Muitas vezes confrontando com realidades de tristeza e desolamento, o profeta deve irradiar e testemunhar a alegria de ser Igreja, santa e pecadora, tudo fazendo para torná-la mais santa e servidora, em incontestável fidelidade ao Senhor...

A voz do Profeta é como a voz de Deus no aqui e agora... Sempre em constante sintonia e abertura para captar o sopro do Espírito, agindo como mediador e porta-voz de Deus.

Portanto, saberá calar para que a voz de Deus possa ressoar, terá uma voz intrépida a denunciar o que contraria e uma voz incansável a anunciar o mundo querido por Deus.

Por ser voz de Deus, é aquele que fala em nome de Deus! E muito mais, Deus através dele fala!

Deve, pois, falar com a autoridade d’Aquele que o envia. Portanto, precisa saber escutar, aprender e acolher a voz de Deus, para que todo povo tenha vida.

O Profeta, num mundo marcado por ruídos e barulhos ensurdecedores, é o homem do silêncio que gera o novo. Num mundo em que se semeiam mentiras e contravalores, mensagens supérfluas e tão frágeis, tão passageiras, o Profeta é mensageiro de um anúncio que não envelhece, não perde a pertinência e atualidade, não lhe sendo permitido escolher lugar, tempo e missão, porque a iniciativa é de Deus.

O Profeta não é alguém que fica nas nuvens...
Mas, com os pés fincados na realidade e nas asas do
Espírito age num lugar concreto, no cotidiano da vida...

Precisa-se de Profetas! (Parte IV)

                                                            

Precisa-se de Profetas! 
O Profeta é o poeta que sonha...

Precisa-se de Profetas, que são aqueles que sabem dar a ousada e necessária resposta aos desafios de cada tempo.

E o Profeta sabe em quem confiou:
“O Senhor é minha luz e minha salvação, a quem temerei?” (Sl 27,1)

Por isto arrisca a vida contra toda incompreensão, solidão, abandono, perseguição; jamais se deixando intimidar na luta incansável contra a idolatria, empenhando-se na luta pela libertação integral da pessoa e de todas as pessoas... Jamais se deixará devorar pelas estruturas de morte que devoram a vida.

Num mundo em que muitos já não têm esperança (alguns falam em “hopelessness”), o Profeta é, por excelência, homem da esperança divina contra toda falta de esperança humana.

Pessoa humana concreta, com paixões, sentimentos, limitações... Possui uma sexualidade integrada e integradora, possibilitando que esteja bem consigo e com todos.

A conjuntura atual está sempre na mente e no coração do Profeta! Portanto, o Profeta deve buscar respostas para os desafios, não se conformando diante destes, procurando a libertação de todo mal, de toda e qualquer forma de eliminação da vida...

Diante de práticas e mentalidades de banalização e violação da vida, o Profeta não deixa perder o valor sagrado da vida diante dos avanços da biotecnologia...

Ama e defende a vida, desde a concepção até seu declínio natural. Preocupado e desejoso de um futuro promissor, o Profeta sabe o quanto é preciso investir na educação e conscientização das crianças e juventude, sendo assim, compromete-se com a juventude que se degrada e se elimina: “juventude uma opção que não podemos deixar de fazer”.

Sua missão exige dinamismo invejável para promover o cortejo da vida: caminho da esperança, ressurreição, transformação do choro de morte na alegria da vida...; em contraposição aos cortejos de morte: sem esperança, fome, analfabetos, excluídos, drogados, vazios de sentido existencial, relativismo, etc., para que sua profecia chegue à alma daquele que o ouve...

O Profeta é o poeta que sonha... Mas que não sonha só,
Porque é parte de um povo que a Deus se consagra.

Como poeta, escreve a poesia e o canto de um
Mundo Novo, onde todos possam viver
como irmãos e filhos de um mesmo Pai.

“As três ou quatro Palavras” que o Senhor nos ensinou..." (16/02)

                                                         

“As três ou quatro Palavras” que o Senhor nos ensinou..."

Nas passagens bíblicas do Evangelho (Mt 6,7-15; Lc 11,1-4), Jesus ensina os discípulos a rezar.

Para o aprofundamento da referida passagem, ofereço esta reflexão do poeta e cristão Charles Péguy (1873-1914):

"Eu sou o Pai deles, diz Deus.
Pai nosso que estais nos céus (...)
Sabia bem o que fazia aquele dia meu Filho que os ama muito.
Quando colocou esta barreira entre eles e mim.

Pai nosso que estais nos céus, estas três ou quatro Palavras.
Esta barreira que minha cólera e talvez a minha justiça não transpõem nunca.
Bem-aventurado aquele que adormece sob a proteção destas 
três ou quatro Palavras.
Essas Palavras que caminham na frente de qualquer oração,
como as mãos de quem suplica caminham diante de Sua face...

Estas três ou quatro Palavras que avançam como uma ponta aguda
na frente de um pobre navio.
E que fendem a onda da minha cólera
E quando essa ponta aguda passou, o navio passa, e atrás dele toda a frota.

Agora, diz Deus, é assim que os vejo...
Como a esteira de um belo barco vai se alargando até desaparecer e perder-se.
Mas começa com uma ponta que é a ponta mesma do barquinho.
Assim a esteira imensa dos pecadores se alarga até 
desaparecer e perder-se.
Mas começa com uma ponta, e é esta ponta que vem na minha direção...
E o barquinho é o meu mesmo Filho, 
carregado de todos os pecados do mundo.
E a ponta do barquinho são as duas mãos juntas de meu Filho.

E diante do olhar da minha cólera e diante do olhar da minha justiça, esconderam-se todos atrás dele.
E todo este imenso cortejo de orações, toda esta esteira imensa se alarga até desaparecer e se perder.
Mas começa com uma ponta e é esta ponta que está voltada para mim.
Que avança em minha direção.

E esta ponta são estas três ou quatro Palavras:
Pai nosso que estais nos céus;
Meu Filho na verdade sabia o que fazia...
Pai nosso que estais nos céus.
Evidentemente quando um homem assim começou...
Depois pode continuar, pode me dizer o que quiser.
Vós compreendeis, estou desarmado.
E meu Filho o sabia bem.
Ele que tanto amou estes homens”. (1)

A Oração do "Pai-Nosso", quando rezada com o coração sincero, alcança imediatamente o coração de Deus, pois são as Palavras ditas pelo próprio Filho, e nós suplicamos em comunhão com o Espírito Santo e por meio d’Ele, pois “O Espírito vem em auxílio à nossa fraqueza; porque não sabemos o que devemos pedir, nem orar como convém, mas o Espírito mesmo intercede por nós com gemidos inefáveis” (Rm 8, 26).

Bem afirmou Santo Agostinho, grita em vão “Abbá” qualquer pessoa sem o Espírito Santo.

Agora, rezemos juntos as “três ou quatro Palavras” que o Filho nos ensinou:

“Pai nosso que estais nos céus...”

(1) O Verbo Se faz Carne - Raniero Cantalamessa - Editora Ave Maria - 2013 - p. 692-693 

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