quinta-feira, 8 de outubro de 2026

O Presbítero e a chama profética

                                                                    

O Presbítero e a chama profética

Todo o Sacerdote, pelo Sacramento da Ordem, torna-se por excelência o Homem da Mesa da Palavra, o Homem da Mesa do Altar Sagrado e o Homem da comunhão com as mesas cotidianas, para que nelas não falte o pão de cada dia!

É testemunha credível do sinal realizado por Jesus, a multiplicação dos pães, como um anúncio antecipado da Celebração da Eucaristia que quando verdadeiramente celebrada, acreditada, na vida deve ser prolongada, com a promoção da vida e da dignidade, a fim de que ninguém seja privado do pão e da alegria, de modo que não haja necessitados entre nós. 

O Sacerdote, portanto deve manter sempre acesa no coração a chama profética que foi acesa no dia do batismo, bem como todo batizado. Mas o que é ser Profeta?

Antes de tudo, um dom de Deus, uma resposta humana. A missão profética não é iniciativa da Igreja, tão pouco nossa, mas do Espírito Santo. Os profetas surgem onde e quando menos esperamos.

Ser ungido de Deus, unindo o culto à prática da justiça, constituído por Deus “para arrancar e demolir, para destruir e abater, para edificar e plantar (Jr 1,10)”.

Agir a partir de um encontro decidido, marcante e apaixonado por Cristo, portador de uma fé convicta, cultivando profunda intimidade com os mistérios divinos.

Permanecer na escola do Amor. Aprendizes do Mestre e de tantos testemunhos dos mártires e profetas de todos os tempos.

Ser aquele que acolheu, antes de anunciar, a Semente do Verbo, falando antes com a vida e depois com as palavras, para que sua profecia não seja um alienante contra testemunho.

Cultivar a coerência necessária entre a fé e a vida.

Estar plena e permanentemente aberto à vontade de Deus.

Ser anunciador de uma redenção radical do Povo de Deus, levando-o a purificação de todas as suas infidelidades.

Ser como os pobres e os humildes do Senhor, em constante educação da fé, em atitude de conversão do coração.  

Estar revestido da autoridade divina e jamais se enamorar com o autoritarismo, seja de que ordem for.

Ser portador da inquietude missionária, rezar todos os dias para manter acesa a chama do profetismo em seu ministério, renovando sempre a conduta de outrora, com invejável vigor (cf. Ap 2,5).

Ser portador e testemunha da gratuidade do amor divino alimentada na oração e na escuta da Palavra de Deus, em diálogo aberto e sincero, confiando a Deus suas inquietações, angústias, preocupações, alegrias, certezas, esperanças...

Irradiar e testemunhar a alegria de ser Igreja; uma Igreja santa e pecadora, tudo fazendo para torná-la mais santa...

Ser a voz de Deus no aqui e agora, em constante sintonia e abertura para captar o sopro do Espírito, agindo como mediador e porta voz de Deus.

Saber calar para que a voz de Deus possa ressoar.

Ter uma voz intrépida a denunciar o que contraria e uma voz incansável a anunciar o mundo querido por Deus.

Falar com a autoridade d’Aquele que o envia, portanto, é saber escutar, aprender e acolher a voz de Deus, para que todo povo tenha vida.

Ser, num mundo marcado por ruídos e barulhos ensurdecedores, o homem do silêncio que gera o novo.

Nutrir-se do Pão da Vida no Sacrifício Eucarístico para ser no mundo sinal da misericórdia divina, que se torna visível no cumprimento do amor ao próximo.

Ser mensageiro de um anúncio que não envelhece, não perde a pertinência e atualidade.

Ser testemunho de profunda espiritualidade, que só pode brotar de um coração sedento de humanidade.

Agir num lugar concreto e no cotidiano da vida, no chão da realidade.

Arriscar a vida contra toda incompreensão, solidão, abandono, perseguição...

Não se intimidar na luta incansável contra a idolatria.

Empenhar-se na luta pela libertação integral da pessoa e de todas as pessoas

Não se deixar devorar pelas estruturas de morte que devoram a vida.

Ser, por excelência, homem da esperança divina contra toda falta de esperança humana.

Possuir uma sexualidade integrada e integradora, de bem consigo e com todos.

Estar antenado, plugado, sempre acompanhando a conjuntura atual com renovado compromisso na construção de um projeto social novo, contra toda forma de exclusão e empobrecimento em constante amadurecimento crítico.

Buscar respostas para os desafios, não se conformando diante dos mesmos, procurando a libertação de todo mal, de toda e qualquer forma de eliminação da vida...

Não deixar perder o valor sagrado da vida diante dos avanços da biotecnologia, amando e defendendo a vida, desde a concepção até seu declínio natural.

Comprometer-se incansavelmente com a juventude que se degrada e se elimina – “juventude uma opção que não podemos deixar de fazer”.

Promover o cortejo da vida (caminho da esperança, ressurreição, transformação do choro de morte na alegria da vida), em contraposição aos cortejos de morte (sem esperança, fome, analfabetos, excluídos, drogados, vazios de sentido existencial, relativismo etc.).

Ser um poeta que sonha, mas que não sonha só, porque é parte de um povo que a Deus se consagra. Como poeta escreve a poesia e o canto de um mundo novo, onde todos possam viver como irmãos e filhos de um mesmo Pai.

De modo especial dar testemunho do amor de Deus, sobretudo pelos empobrecidos.

Peçamos ao Pai que o Senhor faça cada Presbítero sacerdotes profetas, pois, sem eles o povo perde o rumo de sua caminhada, perde os seus horizontes e mergulha num abismo de mediocridade, num deserto de esterilidade, num oceano de desumanidade, num lamaçal de atrocidades...

Quando se cala a voz do profeta campeia a força dos interesses falsos e impuros, chegando ao absurdo de não se ter vergonha da imoralidade e da absoluta perda da sanidade mental, espiritual, intelectual, psicológica...

Também se inaugura o permissivismo, o relativismo em que tudo é permitido até mesmo a eliminação da vida. Anuncia-se a morte de Deus para a proliferação de deuses. E a humanidade não pode ter futuro prescindindo de Deus.

Quando se cala sua voz irrompe a escuridão, instaura-se o caos; robustece e multiplica a infidelidade e a idolatria.

Finalizo lembrando as palavras de Santo Antônio em memorável Sermão:

“Quem está repleto do Espírito Santo fala várias línguas.
As várias línguas são os vários testemunhos sobre Cristo, a saber:
A humildade, a pobreza, a paciência e a obediência;
Falamos estas línguas quando são as obras que falam.
Cessem, portanto, os discursos e falem as obras.
Estamos saturados de palavras, mas vazios de obras.
Por este motivo o Senhor nos amaldiçoa como amaldiçoou a figueira em que não encontrara frutos, mas apenas folhas.

Diz São Gregório:
“Há uma Lei para o pregador: que faça o que prega.
Em vão pregará o conhecimento da lei,
quem destrói a doutrina
por suas obras.”

Com a comunidade, todo Presbítero deve repetir todos os dias, como disse Santo Anselmo:

“Que desejando a Deus O procure;
O procurando O deseje;
Que O amando, O encontre
E O encontrando, O ame sempre”!

Somente deste modo jamais se apagará a chama profética acesa no coração, e ela se tornará fonte de luz, calor e amor para tantos quantos precisarem. 

Em poucas palavras...

 


A purificação de nossos pecados

“’Virgem Imaculada, bem sei que sou um pobre miserável, que não faço mais do que aumentar todos os dias o número dos meus pecados...’

Disseste-me o outro dia que falavas assim com a Nossa Mãe.

E aconselhei-te, com plena segurança, que rezasses o terço: bendita monotonia de ave-marias, que purifica a monotonia dos teus pecados! “ (1)


(1) Trecho extraído do livro Sulco, ponto 475, de São José Maria Escrivá.




A missão cristã e a política são indissociáveis

A missão cristã e a política são indissociáveis

“Alegres por causa da esperança”
(Rm 12,12)

Retomemos um trecho do parágrafo 46 da Carta Apostólica “Octogésima Advenies”, escrita pelo Papa São Paulo VI, ao celebrar o octagésimo aniversário da Rerum Novarum, que nos fala sobre um tema que está na pauta do dia: a política, sobretudo neste período que antecede as Eleições Municipais em nosso país.

O poder político a serviço do bem de todos e além das fronteiras nacionais:
“Atendo-se, pois, à sua vocação própria, o poder político deve saber desvincular-se de interesses particulares, para poder encarar a sua responsabilidade pelo que se refere ao bem de todos os homens, passando mesmo para além das fronteiras nacionais”.

A política tomada a sério, em seus diversos níveis, na promoção do bem comum:
“Tomar a sério a política, nos seus diversos níveis, local, regional, nacional e mundial, é afirmar o dever do homem, de todos os homens de reconhecerem a realidade concreta e o valor da liberdade de escolha que lhes é proporcionada, para procurarem realizar juntos o bem da cidade, da nação e da humanidade”.

Uma definição do que vem a ser a política:
“A política é uma maneira exigente - se bem que não seja a única - de viver o compromisso cristão, ao serviço dos outros. Sem resolver todos os problemas, naturalmente, a mesma política esforça-se por fornecer soluções, para as relações dos homens entre si”.

O campo de atuação e domínio da política:
“O seu domínio é vasto e abrange muitas coisas, não é porém, exclusivo; e uma atitude exorbitante que pretendesse fazer da política algo de absoluto, tornar-se-ia um perigo grave”.

A autonomia da realidade política e o compromisso dos cristãos em coerência ao Evangelho:
“Reconhecendo muito embora a autonomia da realidade política, esforçar-se-ão os cristãos, solicitados a entrarem na ação política, por encontrar uma coerência entre as suas opções e o Evangelho e, dentro de um legítimo pluralismo, por dar um testemunho, pessoal e coletivo, da seriedade da sua fé, mediante um serviço eficaz e desinteressado para com os homens”.

Retomar este parágrafo é enriquecedor, para que vejamos a necessária superação de apatia, indiferença e omissão diante da atuação política, como tem insistido o Papa Francisco em seus pronunciamentos e encontros.

Eleições: tempo de Oração e compromisso!

                                                 


 Eleições: tempo de Oração e compromisso!


Em todo tempo, mas de modo especial nas Eleições Gerais a acontecer em outubro de 2026,  é  oportuno estar atento aos acontecimentos para que, quando chegar o momento, tenhamos claro quem devemos apoiar, quem pode bem nos representar.

Pouco a pouco, através de uma vida de oração intensa, nos amadurecemos para escolhas sensatas que estabeleçam o vínculo indissolúvel entre a fé e a vida, prevalecendo o testemunho cristão no cotidiano, afim de que sal da terra e luz do mundo o sejamos.

E, indubitavelmente, é da Palavra Divina que provém a Sabedoria necessária para tão importante decisão, pois ela nos apresenta critérios e princípios que não podem ser esquecidos em nossas escolhas...

Iluminados pela Palavra, nossos olhos sem abrem à realidade que precisa ser decifrada, compreendida e, muito mais que isto, transformada.

Deste modo, é inconcebível que votemos em quem não tenha uma história de comprometimento com a vida do povo, sobretudo dos excluídos; em alguém que não se posicione claramente e sem medo contra a prática do aborto; sem compromissos éticos, ecológicos...

As Eleições se constituem num grande momento, a grande hora para nossas Cidades: Palavra de Deus na mão, na mente e no coração.

É tempo de graça e sagrado compromisso, de oração, discernimento e escolhas, sem jamais esquecermos que a mais profunda e consequente oração não pode prescindir da Sagrada Escritura, fonte genuína e inesgotável que sacia nossa sede de amor vida e paz.

Alimentemo-nos com as palavras do Apóstolo Pedro:

“Mas nós, segundo a Sua promessa, aguardamos novos céus e nova terra, em que habita a justiça” (2 Pd 3,13), deixemo-nos guiar, sem medo algum, pela Palavra de Deus.

Aguardar este novo céu é incansável compromisso com a justiça, sinalizando o Reino por Jesus inaugurado, na perfeita realização do Mandamento que o Sublime Mestre e Divino Salvador nos deu “... e amarás o teu próximo como a ti mesmo." Lc 10,27

Se pautarmos nossos pensamentos, compromissos e toda ação, pela Oração, em cada voto decidido, um raio da Luz Divina irradiará de nosso coração!


A ignominiosa realidade e a profecia necessária!

                                                         

A ignominiosa realidade e a profecia necessária!

A realidade social que vivemos muitas vezes é ignominiosa, e para que não fique dúvida: é vergonhosa, indigna, desonrosa e infame. Porém, mais do que um sentimento de horror, medo, indiferença e apatia é preciso que desperte em nós a vocação profética que é um Dom de Deus e resposta humana.

É preciso ser Profeta em todo lugar, repetimos incansavelmente: na família, na escola, no trabalho, na rua, na política, nas entidades filantrópicas, nos sindicatos...

A ignominiosa realidade de desestruturação da família, com perdas de valores e princípios, relacionamentos pouco duradouros, infidelidades, permissividades a enfraquece.

Como Profetas e Profetizas divinos, devemos recuperar o valor sagrado da família como Santuário da Vida, como primeira escola dos valores que marcam toda a vida: amor, partilha, solidariedade, respeito, acolhida, diálogo...

A ignominiosa realidade das escolas não está muito distante de nossos olhos e de nossas famílias: a droga, a violência, a pouca valorização dos professores, a falta de condições para um ensino verdadeiramente edificante, entre outros inúmeros problemas, clamam por vozes proféticas.

Um sonho ou uma possibilidade para audazes Profetas e Profetizas da educação?

A não diferente realidade do mundo do trabalho com a inversão dos valores colocando o capital acima da vida e da pessoa, a maximização do lucro, a ambição e o consumismo desmedidos gerando destruição do planeta, exigindo dele muito mais do que ele possa dar, desemprego, subemprego e incontáveis outras situações clamam por profetas e profetizas que recuperem o valor sagrado do trabalho como prolongamento da obra do Criador.

A realidade política nos desafia, sobretudo, neste ano de eleições na escolha de representantes que não compactuem com a violação do valor sagrado da vida, como a prática do aborto, que façam da política a arte da promoção do bem comum e não de seus próprios interesses.

Como suscitar e sermos Profetas que brilhem como luz do mundo e sendo sal da terra recupere o mais belo sentido da política.

Urge Profetas e Profetizas políticos e políticos Profetas e Profetizas, na mais bela e perfeita sintonia, para que a ignominiosa realidade sociopolítica favoreça uma sociedade mais justa, solidária e fraterna.

Há outras ignominiosas realidades... Urge que as percebamos, bem como urge que Profetas e Profetizas do Senhor nelas sejamos.

Há um preço em ser Profeta, mas há um prêmio bem maior para quem vive a profecia na confiança em Deus, na gratidão, na graça divina, na fidelidade incontestável: a certeza de que colaboramos para um mundo melhor e que um dia a Coroa da Glória nos será concedida.

Urge viver a vocação profética como o mais belo e salutar combate, o combate da fé como nos falou o Apóstolo Paulo (2 Tm 4, 1-22). 

É sempre tempo de missão profética da Igreja para que a ignomínia dê lugar à vida, à fraternidade, ao que é honroso e belo; trazendo a todos nós alegria, amor e paz!

Que nossas orações sejam confiantes e sinceras

                                             

Que nossas orações sejam confiantes e sinceras

Senhor Deus, quero, a exemplo de Abraão, aprender a orar, de tal modo que a oração seja um verdadeiro diálogo contigo, no qual eu possa me expressar, tal como sou: cinza apenas, um barro em Tuas divinas mãos.

Com Abraão, aprender que é possível dialogar contigo de forma familiar, confiante, insistente, honesta, autêntica e ousada, pois para isto vieste por meio do Teu Filho ao nosso encontro, e fizeste Tua tenda entre nós; sentaste conosco à mesa, criando vínculos de comunhão e realizando nossos sonhos, que consiste na Boa Nova do Teu Reino.

Com o pai da fé, Abraão, quero aprender que Tu és alguém com quem se pode dialogar, com amor e sem temor, em oração que brota de um coração humilde, reverente, respeitoso, confiante, cheio de esperança.

Quero me colocar diante de Ti com reverência e confiança, apresentando minhas inquietações, dúvidas e anseios, com coragem para captar e realizar Tua  vontade, que por vezes, não será, necessariamente, a minha.

Revela-me Teu rosto misericordioso, e quero corresponder a Tua divina misericórdia, que é maior do que a vontade de castigar, destruir ou aniquilar, pois queres nossa conversão e vida.

Ajuda-me a compreender Tua vontade, que  é infinitamente maior do que a vontade de perder, pois estás sempre pronto a nos salvar, contanto que tenhamos coragem de colocar em prática Tua divina vontade a nosso respeito.

Ó Deus, que jamais minhas orações se reduzam a repetição de palavras vazias e decoradas, sem ressonância na própria vida, mas que estabeleçam contigo, um diálogo espontâneo e sincero.

Seja a Oração do “Pai-Nosso”, por Teu Filho a nós ensinada, o compêndio do Santo Evangelho, e ao rezá-la, tenhamos Pão para viver; vivamos o perdão para amar e tenhamos liberdade para ficarmos de pé, sempre a caminho, como peregrinos de esperança Teus. Amém.


PS: Passagens bíblicas - Gn 18, 20-32; Lc 11,5-13

“Senhor, ensina-nos a rezar...”

                                                      

“Senhor, ensina-nos a rezar...”

Para a reflexão à luz da passagem do Evangelho de Lucas (Lc 11,5-13),  sobre a oração, sejamos enriquecidos por este comentário:

“O ensinamento sobre a oração termina com umas palavras que são paradoxalmente decisivas ‘O Pai do céu dará o Espírito Santo àqueles que Lho pedem’ (Lc 11,13).

Dentro do contexto, supõe-se que podemos pedir a Deus o que quisermos. Se a nossa oração tiver sido verdadeira, receberemos sempre o mesmo grande dom: o Espírito.

Oração significa estar abertos ao amor (Reino) do Pai. Estar abertos com Jesus que confiou na palavra do Seu Pai e vive imerso na exigência (na vinda) do seu Reino.

Descobrimos, assim, que toda a oração cristã consiste em nos tornarmos transparentes perante o dom de Deus que vem.

Por isso, sempre que pedimos algo de verdade, estamos ansiando pela vinda de Deus até nós. Se a oração tiver sido verdadeira, recebemos o Espírito (a força do Reino de Deus no meio de nós).” (1)

Como vemos, a oração tem algumas exigências para que chegue até Deus, que está sempre pronto a nos ouvir e nos atender:

- a oração precisa ser verdadeira, para que recebamos o mais importante: o Espírito Santo;

- a oração implica em total abertura do orante ao Reino do Pai, como rezamos na oração que o Senhor nos ensinou – “seja feita a Tua vontade” (Lc 11,2);

- plena comunhão com Jesus, que confiou plenamente na Palavra do Seu Pai e intercede por nós para o anúncio do Reino;

- a transparência necessária, para acolhida do dom do Espírito, que vem ao nosso encontro, em socorro de nossas fraquezas;

- concede-nos a graça de contemplar e participar da construção do Reino de Deus, que já se encontra em nosso meio.

Além do que foi mencionado, acrescenta-se a necessária confiança, humildade e sincero compromisso, para que a oração transforme todo o nosso viver, levando-nos à contemplação e à ação, inseparavelmente (contemplação ativa).

A oração bem feita nos ajuda, para que façamos progressos contínuos no amor a Deus (primeiro na ordem dos preceitos), e no amor ao próximo (primeiro na ordem da prática), como nos ensinou o Bispo Santo Agostinho (séc. V):

"Esses dois Preceitos devem ser sempre lembrados, meditados, conservados na memória, praticados, cumpridos. O amor de Deus ocupa o primeiro lugar na ordem dos Preceitos, mas o amor do próximo ocupa o primeiro lugar na ordem da execução. Pois, quem te deu esse duplo preceito do amor não podia ordenar-te amar primeiro ao próximo e depois a Deus, mas primeiramente a Deus e depois ao próximo".



(1) Comentários à Bíblia Litúrgica – Editora Gráfica de Coimbra – Palheira – pp.1129-1130)

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