terça-feira, 22 de setembro de 2026

“Creio na Santa Igreja Católica...”

 


 

“Creio na Santa Igreja Católica...”

Cremos que ser una é a própria essência da Igreja: «Que admirável mistério! Há um só Pai do universo, um só Logos do universo e, também, um só Espírito Santo, idêntico em toda a parte; e há também uma só mãe Virgem, à qual me apraz chamar Igreja» (São Clemente de Alexandria).

Cremos que a Igreja é una, graças à sua fonte: «O supremo modelo e princípio deste mistério é a unidade na Trindade das pessoas, dum só Deus, Pai e Filho no Espírito Santo».

Cremos que a Igreja é una graças ao seu fundador: «O próprio Filho encarnado [...] reconciliou todos os homens com Deus pela sua Cruz, restabelecendo a unidade de todos num só povo e num só Corpo».

Cremos que a Igreja é una graças à sua «alma»: «O Espírito Santo que habita nos crentes e que enche e rege toda a Igreja, realiza esta admirável comunhão dos fiéis e une-os todos tão intimamente em Cristo que é o princípio da unidade da Igreja».

 

Fonte: Livre adaptação do parágrafo n.813 do Catecismo da Igreja Católica


Da primavera provisória à eterna Primavera de Deus

                                                           

Da primavera provisória à eterna Primavera de Deus

“Finos clarins que não ouvimos devem soar por dentro da terra,
nesse mundo confidencial das raízes, — e arautos sutis
acordarão as cores e os perfumes e a alegria
de nascer, no espírito das flores” –
 Cecília Meireles

Com as poetisas, nossos ouvidos ficam mais sensíveis aos sons que não ouvimos, às conversas que jamais imaginaríamos.

Com as inesquecíveis poetisas, nosso olfato ganha maior capacidade de captação, assim como nossos olhos conseguem ver um pouco mais longe ou mesmo enxergar os pequenos detalhes muitas vezes despercebidos.

Com as notáveis poetisas, somos despertados para falar de algo que devolva o reencantamento ao mundo, como numa alegre ciranda de crianças em pureza de coração, embora já não se veja tanto assim, reavivando as mais belas utopias...

Por onde andam as verdadeiras poetisas e poetas que o mundo precisa, que se aliam à voz da profecia, para que não percamos a força, o ardor no compromisso com a Boa-Nova do Reino?

Por onde ecoam as vozes que falam não apenas aos nossos ouvidos, mas conseguem nos desinstalar para avançarmos em águas mais profundas, descobrindo os doces e suaves mistérios da existência?

Por onde andam as mães e os pais que poetizando reinventam a linguagem, aprendendo a linguagem do Espírito, para comunicar aos filhos valores que não podem jamais ser esquecidos e ignorados?

Por onde andam os Bispos, Sacerdotes, Ministros e Discípulos missionários do Senhor, enamorados por Ele, em íntima comunhão e amizade, a Ele totalmente configurados, testemunhando uma fé luminosa, esperança renovada, impelidos pela caridade que não passa?

Por onde andam profissionais éticos e virtuosos, que não se curvam às tentações do ter, poder e ser, sem a busca dos privilégios desmedidos, sem escrúpulos, que venham multiplicar a dor e o sofrimento dos empobrecidos?

Se formos capazes de ainda captar a confidência das raízes neste tempo de primavera tão inspirador, se não deixarmos o brilho de nossos olhos ofuscar, e se nossos ouvidos, sintonizados com a voz do Santo Espírito que sopra onde bem quer, os veremos.

Veremos bem perto de nós, em nossas ruas e praças, comunidades e lugares por onde circulamos. Também serão vistos em cada um de nós pelo nosso modo de ser e viver, pensar e agir.
             
É preciso que a primavera das praças e jardins, bosques e alamedas não seja apenas nestes espaços.

É preciso que em todo lugar, onde vivemos, nos movemos e somos, seja uma primavera querida e sonhada por Deus, até que possamos adentrar no Jardim da Eternidade, o céu, onde as flores não morrem e jamais deixam de exalar o suave odor de amor, com os anjos e santos, no festim da eternidade, na plena comunhão com Deus. 

Escutar e pôr em prática a Palavra de Deus

                                                         

Escutar e pôr em prática a Palavra de Deus

Ouvimos na terça-feira da 25ª Semana do Tempo Comum a passagem do Evangelho de Lucas (Lc 8, 19-21).

Vejamos o que nos diz o Lecionário Comentado sobre Maria, a Mãe de Jesus:

“É Mãe do Senhor não só porque lhe deu uma vida humana, mas também porque escutou e cumpriu a Palavra de Deus” (1).

Para Jesus o mais importante é escutar a Palavra de Deus e fazer com que produza frutos na vida concreta, e Maria assim o fez, e nos deu o “Bendito Fruto do Seu Ventre”, Jesus, na fidelidade a Deus por meio da ação do Espírito Santo.

De fato, o que mais se faz necessário hoje são “pessoas que, com sua virtude quotidiana, deem testemunho de que da adesão à fé no Deus de Jesus Cristo, nasce uma Humanidade nova, mais capaz de ir ao encontro e de acolher o homem e a mulher sofredores de nosso tempo. É na relação pessoal entre pessoa e pessoa que tudo se joga e também a Palavra de Deus, muitas vezes entendida como algo de obscuro e distante da vida, pode ser apresentada como fonte de esperança, no meio da companhia dos homens” (2).

A Igreja sempre nos motiva para que não sejamos apenas assíduos ouvintes da Palavra de Deus, mas praticantes.

Agradecemos a Deus pelos inúmeros testemunhos desta relação inseparável entre a escuta e a prática da Palavra de Deus proclamada, ouvida, meditada e na vida concretamente vivida.

Roguemos a Deus, para que membros da família do Senhor sejamos, na escuta atenta e prática da Palavra Divina que é luz para nosso caminho.

Aprendamos com Maria, Mãe, Mestra e Discípula do Senhor, para que assim também sejamos, pois ela melhor do que ninguém assim o fez, e assim membros da família do Senhor seremos, e poderemos dizer que Jesus é Senhor de nossa vida, e ela é, verdadeiramente nossa amantíssima mãe, que tanto nos ama e deseja que sejamos cumpridores da Palavra do Seu diviníssimo Filho.

Num mundo tão obscuro, com a fragilização da esperança, perda de princípios vitais que garantem uma nova humanidade, mais do que nunca, é tempo de ouvir e por em prática a Palavra de Deus, para que nossa fé seja frutuosa e acompanhada de gestos multiplicados de caridade.



(1) (2) Lecionário Comentado – Ed. Paulus – Vol. II – p. 412

Da família do Senhor seremos se...

                                                            


                          Da família do Senhor seremos se...
 
“Minha mãe e meus irmãos são aqueles que ouvem a Palavra de Deus e a põem em prática” (Lc 8,21)
 
Na passagem do Evangelho ser proclamado na Missa da terça-feira da 25ª Semana do Tempo Comum, Jesus nos ensina que Sua família é constituída por todos aqueles que fazem a vontade de Deus, e não tão apenas pelos laços de sangue (Lc 8, 19-21).
 
É condição indispensável, portanto, um compromisso com o Evangelho e com o Reino de Deus, sem jamais fazer a separação entre que o se crê e o que se vive, o que se celebra e o que se traduz no cotidiano, nos mais diversos âmbitos da vida.
 
Deste modo, para Jesus há algumas exigências indispensáveis para que alguém se torne importante para Ele, e de Sua família faça parte:
 
- Ouvir a Palavra de Deus, colocando em prática;
 
- Pautar toda existência pelo Mandamento maior do Amor a Deus e ao próximo; amando como Ele nos ama – “amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei” (Jo 13,34);
 
- Saber perdoar, e procurar o perdão, quando necessário, como expressão de que todos somos passíveis de erros e necessitados do perdão do outro, para vivermos a autêntica misericórdia que Ele nos ensinou;
 
- Ter a alegria de partilhar o melhor que possui, para que o milagre da multiplicação continue a ser realizado, de modo que não haja necessitados entre nós;
 
- Aprender que na acolhida do outro, se acolhe o próprio Jesus, sobretudo se for um pequenino, pobre, doente, marginalizado;
 
- Saber se esforçar, quando preciso, em ser sinal de consolo, compreensão e solidariedade, como a mais bela expressão da compaixão divina com expressões concretas;
 
- Ser comprometido com a Boa Nova do Reino, com coragem e profecia, sem deixar-se submergir no medo, na omissão e na indiferença;
 
- Viver a doação pura e simples, sem nada esperar em troca, na mais perfeita alegria;
 
- Saber ser feliz com os que são felizes, mas também saber chorar com os que choram;
 
- A prática da misericórdia para com  os pecadores, caridade com os pobres, amor aos amigos
 
- A partilha e a solidariedade do melhor que temos
 
- A acolhida do outro – prática das obras de misericórdia
 
- Viver na graça, gratidão e gratuidade
 
- Viver o Programa das Bem-Aventuranças
 
- Não somente se encontrar e se reunir para celebrar, orar, mas fazer o necessário prolongamento no dia a dia, jamais separando a Mesa da Palavra e do Altar das incontáveis mesas do cotidiano.
 
 
 
 
 
 
Evidentemente que poderíamos apresentar outras exigências, mas estas já são o bastante para avaliarmos o quanto somos, de fato, membros da família de Jesus.
 
Neste sentido, contemplamos Maria, Sua Mãe, como a mais perfeita e integrada em Sua família, porque não somente foi Mãe do Salvador, pela ação do Espírito Santo, mas em todo o seu viver sempre colocou a vontade de Deus acima da própria vontade.
 
Maria é por excelência modelo de escuta e prática da Palavra, e nos ensina o mesmo fazer, e mais: com ela também podemos contar, para que o mesmo façamos, ressoando em nosso coração suas palavras que não emanaram de seus lábios apenas, mas de um coração pleno do amor e graça divinas:
 
            “Fazei tudo o  que Ele vos disser” (Jo 2, 5).
 


segunda-feira, 21 de setembro de 2026

Em poucas palavras...

 


Justiça e misericórdia

“Justiça sem misericórdia é crueldade; misericórdia sem justiça significa dissolução de toda a ordem.” (1)

 

 

(1)Comm. In Mt 7,74) – Santo Tomás de Aquino

No Banquete da Eucaristia, somos refeitos

                                                               



No Banquete da Eucaristia, somos refeitos

“Ó Deus, ao participarmos da alegria da Salvação que encheu de júbilo são Mateus, recebendo o Salvador em sua casa, concedei sejamos sempre refeitos à mesa d’Aquele que veio chamar
à salvação não os justos, mas os pecadores.
Por Cristo, Nosso Senhor. Amém!”(1)

Mateus, a mesa para o Senhor e os pecadores preparou.
Pouco mais tarde é o Senhor quem o mesmo faria,
Mas não apenas a mesa prepararia...

Mais que mesa preparada, servo na Santa Ceia Se fez
E melhor Alimento a Mateus e a nós ofereceu:
Seu Corpo verdadeira Comida, Seu Sangue verdadeira Bebida.

No banquete de Mateus há um sustento necessário, provisório,
No Banquete do Divino, o Cordeiro, Alimento de eternidade,
Que nos compromete com o presente, Reino de Fraternidade.

No banquete de Mateus, acolhida e amizade partilhadas;
Refazem-se os laços fraternos, sinaliza-se a urgência da comunhão,
Banquete da misericórdia, sem barreiras e exclusão.

No Banquete do Deus da Vida, Eucaristia recebida,
Refeitos nós somos para continuarmos longa travessia,
Comprometidos com a defesa da vida, com a Força da Eucaristia.

Em cada Eucaristia celebrada, somos refeitos!
Refeitos para o sonho, o canto, a luta, a poesia;
Refeitos na coragem para reavivar a chama da profecia.

Em cada Eucaristia celebrada, somos refeitos!
Refeitos para atenta escuta aos clamores que procedem
Dos esmagados, pisoteados, marginalizados, sofridos.

Em cada Eucaristia celebrada, somos refeitos!
Refeitos, renovados, restaurados, reconciliados,
Pecados destruídos, vida nova celebrada e vivida.

Em cada Eucaristia celebrada, somos refeitos!
Refeitos, olhos abertos para caminhos novos,
Enriquecidos para viver as divinas virtudes.

Em cada Eucaristia celebrada, somos refeitos!
Refeitos, porque nossa alma tão bem enriquecida
De todos os dons preciosos, tão divinos, tão necessários.

Em cada Eucaristia celebrada, somos refeitos!
Refeitos para as mãos generosas estender,
Aquecer, abençoar, cuidar, plantar...

Em cada Eucaristia celebrada, somos refeitos!
Refeitos para a alegria da solidariedade, da comunhão...
Compromissos renovados para construir mundo mais irmão.


PS: Inspirado na  Oração pós-Comunhão da Festa de São Mateus (1) 

“O coro dos Apóstolos Vos louva, Senhor!”

                                

O coro dos Apóstolos Vos louva, Senhor!”

Quando a Igreja celebra a Festa de um Apóstolo, nas Laudes, são feitas orações a partir da herança celeste recebida dos Apóstolos, acompanhada de agradecimento a Deus por todos os dons que Ele nos concede.

Deste modo, em seguida, são feitas quatro aclamações acompanhadas do refrão: O coro dos Apóstolos Vos louva, Senhor!”

A primeira aclamação, ou seja, o primeiro louvor ao Senhor: pela Mesa do Seu Corpo e Sangue, que recebemos por intermédio dos Apóstolos, somos alimentados e vivemos. 

O segundo louvor ao Senhor, devido ao fato de que, pela Mesa de Sua Palavra, preparada para nós pelos apóstolos, recebemos luz e alegria. 

O terceiro motivo de louvor ao Senhor é que, por Sua Igreja edificada sobre o fundamento dos Apóstolos, formamos um só Corpo. 

O último louvor ao Senhor é feito pelos Sacramentos do Batismo e da Penitência
confiados aos Apóstolos, pelos quais somos lavados de todo o pecado. 

Assim, contemplamos o imensurável amor de Deus à luz destas orações:

- somos alimentados e vivemos do Pão da Eucaristia;
- recebemos luz e alegria divinas;
- como Igreja, formamos um só Corpo;
- pelos Sacramentos do Batismo e Penitência, somos lavados de todo o pecado.

Unamo-nos ao coro dos Apóstolos e louvemos ao Senhor, que faz sempre maravilhas em nosso favor em todo o tempo: ontem, hoje e sempre.

Peregrinos de esperança, revigoremos nossas forças para continuar nosso discipulado, fiéis aos ensinamentos dos Apóstolos, em total fidelidade ao Senhor, que nos chama e nos envia em missão; alimenta-nos com o Seu Corpo e Sangue, acompanha-nos e nos fortalece com O Seu Espírito, para que nos empenhemos, a cada dia, com a Boa- Nova do Reino de Deus.

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4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG