quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Jesus Cristo: Divina Fonte de Salvação e de Vida Verdadeira

 


Jesus Cristo: Divina Fonte de Salvação e de Vida Verdadeira

Reflexão à luz do tratado sobre o admirável Coração de Jesus, de São João Eudes, presbítero (Séc. XVII).

“Rogo-te medites que nosso Senhor Jesus Cristo é tua verdadeira Cabeça e tu, um de Seus membros. Ele está em relação a ti como a cabeça com os membros. Tudo que é d’Ele, é teu: espírito, coração, corpo, alma e todas as faculdades. São para que os uses como se fossem teus, a fim de que, servindo-O, tu o louves, O ames e glorifiques. Por teu lado, tu lhe és como membro para a Cabeça. Por isto deseja com ardor usar todas as tuas faculdades como d’ele, para servir e glorificar o Pai.

Mas não apenas ele é teu, porém, quer também estar em ti, vivendo e reinando em ti, tal como a cabeça vive e reina em seus membros. Quer, pois, que tudo o que nele existe, viva e reine em ti.

Assim o seu espírito em teu Espírito, o seu coração em teu coração, todas as faculdades de Sua alma em tuas faculdades, a ponto de se cumprirem em ti estas palavras: Glorificai e trazei a Deus em vosso corpo; bem como manifeste-se a vida de Jesus em vós (1Cor 6,20). Não somente és para o Filho de Deus, mas nele deves existir como os membros, na cabeça.

Tudo quanto há em ti, nele tem de ser inserido, e deves receber d’Ele a vida e ser por ele guiado. Não terás vida verdadeira, a não ser n’Ele, única fonte da verdadeira vida.

Fora d’Ele só encontras morte e perdição. Seja Ele o único princípio de teus movimentos, ações e forças de tua vida. D’Ele e para ele tens de viver para realizares as palavras: Nenhum de nós vive para si ou para si morre; se vivemos, para o Senhor vivemos; se morremos, para o Senhor morremos. Vivos ou mortos somos do Senhor. Para isto Cristo morreu e ressuscitou, para ser o Senhor dos vivos e dos mortos (Rm 14,7-9).

És enfim um só com Jesus, como os membros são uma só coisa com a cabeça. Portanto deves ter com Ele um só espírito, uma só alma, uma vida, uma vontade, uma intenção, um só coração. E Ele será teu espírito, coração, amor, vida, e tudo o que é teu.

Para os cristãos estas grandes realidades têm origem no Batismo. Mas aumentam e se fortalecem pela Confirmação e boa prática das outras graças de que Deus lhes dá participarem. E tudo isto ele aperfeiçoa principalmente pela Santa Eucaristia.”

Oportuna a reflexão para aprofundamento sobre os Sacramentos da Iniciação Cristã: Batismo, Crisma e Eucaristia.

Que Deus nos conceda a graça de viver os Sacramentos recebidos, cada vez mais configurados e unidos a Jesus Cristo, a Divina Fonte de Salvação e Vida Verdadeira, como discípulos missionários Seus, membros de uma Igreja Sinodal, peregrinando com confiança e na esperança de um  novo céu e uma nova terra. Amém.

 

Alegres servos da Vinha do Senhor

                                                        

Alegres servos da Vinha do Senhor

Na passagem do Evangelho de Mateus (Mt 20,1-16a), o Senhor chama operários para a Sua vinha: há escolhidos na primeira hora da madrugada; outros as nove, doze, quinze e dezessete horas, à uma hora do fim da jornada (a undécima hora).

Com a Parábola sobre o Amor de Deus por todos, sobretudo pelos últimos, refletimos sobre como é a lógica de Deus. Como são misteriosos Seus Planos, como é maravilhosa Sua ação!

Deus sabe se servir de nossa pobreza para derramar com largueza sobre tantos Seu Amor, Sua bondade, Sua graça! Deus escolhe os fracos para confundir os fortes, como disse São Paulo.

Compromissados e iluminados pela Palavra e revigorados pela Eucaristia, na fidelidade à Igreja, somos todos humildes servos e trabalhadores da vinha!

Trabalhadores da última hora por Deus chamados, mas com resposta amorosa e decidida: amar a Deus e servi-Lo, na vida da Igreja, no compromisso com a vida dos pobres.

A vinha do Senhor precisa de féis servidores, cujos ouvidos, olhos, mão e coração jamais se fechem aos pobres e seus clamores; que pela soberba não se deixem seduzir, pois como disse Santo Agostinho, ela gera separação; mas que pela caridade, sejamos movidos, pois ela é a mais genuína fonte de unidade.

Deus com Seu Amor revelado por Jesus, na ação do Espírito Santo paira sobre todos nós; portanto, renovemos hoje e sempre a alegria de sermos servos da Vinha do Senhor, participando com ardor e alegria, como Igreja, na construção do Reino de Deus.

Discípulos missionários e a Vinha do Senhor

                                                  

Discípulos missionários e a Vinha do Senhor

À luz da passagem do Evangelho de Mateus (Mt 20,1-16a), refletimos sobre os pensamentos de Deus, que não são como os pensamentos dos homens, pois seguem a lógica da gratuidade e do amor, doação, partilha e serviço, graça sobre todos derramada.

A passagem do Evangelho é um convite de Nosso Senhor para trabalharmos em Sua Vinha, na construção do Reino.

A prática de Jesus e a Parábola revelam que todos somos filhos amados do Pai, que por amor assegura-nos o essencial para vivermos.

Através da Parábola, Jesus revela  o Amor de Deus pelos últimos, pelos excluídos; e revela-nos o rosto e o coração de um Deus que ama a todos sem exceção; tão diferente do Deus dos escribas e fariseus, que muitas vezes se assemelha a um “Deus contabilista” que nos recompensa conforme nossas ações, como se tivesse um lápis na mão para fazer as nossas contas e nos dar o pagamento conforme nossos merecimentos.

A nós cabe o imitar a Deus amando na gratuidade! Simplesmente, amar na gratuidade, a mais bela lógica da ação divina que a Parábola nos revela.

No trabalho da Vinha, ou seja, na Comunidade há lugar para todos. Alguns iniciaram mais cedo, até mesmo dentro do ventre materno. Outros um pouco mais tarde sentiram o chamado do Senhor. Outros bem mais tarde, já adultos. Outros ainda não responderam, são os últimos que nos fala a Parábola, aos quais Deus também quer revelar Seu amor e contar como servos de Sua Vinha.

Na Igreja, trabalho é o que não falta. Os desafios clamam por respostas. A messe é grande, mas poucos são os trabalhadores. A Palavra de Jesus tem que ecoar no coração de todos nós: “Ide vós para a minha Vinha!”

Faltam vocações: há lugares a serem ocupados nos bancos de nossas Igrejas e salas de reuniões; há realidades externas que nos desafiam (escolas, universidades, presídios, condomínios, favelas, hospitais, bolsões de miséria e tantos outros lugares...).

As palavras do Papa Bento XVI, no dia de sua eleição (19/4/2005) são oportunas:

“Amados Irmãos e Irmãs, depois do grande Papa João Paulo II, os Senhores Cardeais elegeram-me, simples e humilde trabalhador na Vinha do Senhor. Consola-me saber que o Senhor sabe trabalhar e agir também com instrumentos insuficientes”.

Deus nos paga não pelos nossos méritos, 
nem nos chama não por nossa capacidade,
Mas até mesmo por não termos, para nos capacitar.

Como é bom ser Igreja,
servir como Igreja,
amar na gratuidade!
Amém.

 

Sem lamentações inúteis

                                                                    

Sem lamentações inúteis

Sejamos enriquecidos pelo Sermão escrito pelo Bispo Santo Agostinho (séc. V):

“Qualquer angústia ou tribulação que sofremos é para nós aviso e também correção. As Sagradas Escrituras não nos prometem paz, segurança e repouso; o Evangelho não esconde as adversidades, os apertos, os escândalos; mas quem perseverar até o fim, esse será salvo (Mt 10, 22). Que de bom teve jamais esta vida desde o primeiro homem, desde que mereceu a morte e recebeu a maldição, maldição de que Cristo Senhor nos libertou?

Não há então, irmãos, por que murmurar, como alguns deles murmuraram, como disse o Apóstolo, e pereceram pelas serpentes (1Cor 10,10). Que tormento novo sofre hoje o gênero humano que os antepassados já não tenham sofrido? Ou quando saberemos nós que sofremos o mesmo que eles já sofreram?

No entanto, encontras homens a murmurar contra seu tempo como se o tempo de nossos pais tivesse sido bom. Se pudessem retroceder até os tempos de seus avós, será que não murmurariam? Julgas bons os tempos passados porque já não são os teus, por isto são bons.

Se já foste liberto da maldição, se já crês no Filho de Deus, se já estás impregnado ou instruído das Sagradas Escrituras, admiro-me de que consideres bons os tempos de Adão. Esqueces que teus pais traziam consigo o mesmo Adão? Aquele Adão a quem foi dito: No suor de teu rosto comerás teu pão e lavrarás a terra donde foste tirado; germinarão para ti espinhos e abrolhos (cf. Gn 3,19 e 18). Mereceu isto, aceitou-o, como vindo do justo juízo de Deus.

Por que então pensas que os tempos antigos foram melhores que os teus? Desde aquele Adão até o Adão de hoje, trabalho e suor, espinhos e cardos. Caiu sobre nós o dilúvio? Vieram os difíceis tempos de fome e de guerra, que foram escritos para não murmurarmos agora contra Deus?

Que tempos aqueles! Só de ouvir, só de ler, não nos horrorizamos todos? Mais razões temos para nos felicitar que para murmurar contra o nosso tempo.”

Cada tempo tem suas dificuldades e provações, e à luz do Sermão somos convidados a perseverar até o fim, pois assim alcançaremos a salvação, conforme também diz as Sagradas Escrituras.

Evidentemente que não se pode desmerecer ou desconsiderar as dificuldades, sofrimentos e provações que fazem parte de nossa história, em todos os âmbitos.

Mas o que não podemos é mergulhar num falso saudosismo de que os dias foram melhores, e que hoje tudo é mais difícil. Cada tempo tem suas marcas, seus desafios, e cabe a nós buscarmos, com sabedoria, a melhor forma de enfrentá-los, e de encontrar as respostas e saídas possíveis.

Sem recuos, lamentos inúteis, mas a perseverança se faz necessária, para que não somente encontremos a saída, mas encontremos e passemos pela porta estreita que nos conduz à salvação (Lc 13,22-30).

Troquemos lamentos por confiança, perseverança, paciência, esperança, fidelidade e coragem, no viver dos sagrados compromissos que abraçamos desde o dia memorável de nosso Batismo, em que acolhemos em nós o mais belo Hóspede, o Espírito Santo que em nós faz morada, acompanhando-nos e nos assistindo em todos os momentos, com os dons necessários. Amém.

Em poucas palavras...

                                             


Insuficientes instrumentos nas mãos de Deus 

“Amados Irmãos e Irmãs, depois do grande Papa João Paulo II, os Senhores Cardeais elegeram-me, simples e humilde trabalhador na Vinha do Senhor. Consola-me saber que o Senhor sabe trabalhar e agir também com instrumentos insuficientes”. (1)

 

(1) Papa Bento XVI, no dia de sua eleição (19/4/2005)

  

Relendo os fatos à luz da fé

                                                            

Relendo os fatos à luz da fé

Ninguém está livre de momentos de angústia, de tribulação. Hora mais, hora menos... 

Há momentos em que as coisas transcorrem com normalidade, noutros turbulências que parecem não mais passar.

De vez em quando somos surpreendidos com notícias que nos inquietam, nos levam a momentos de silêncio, de escuta, de questionamentos: suicídios, casamentos falidos, tumores irreversíveis (morte anunciada)...

O Sermão do Bispo Santo Agostinho (séc. V) é uma luz para estes momentos, e ora retomo apenas o seu começo:

Qualquer angústia ou tribulação que sofremos é para nós
aviso e também correção. As Sagradas Escrituras
não nos prometem paz, segurança e repouso;
o Evangelho não esconde as adversidades,
os apertos, os escândalos; mas quem perseverar
até o fim, esse será salvo (Mt 10,22)...”

Precisamos da Sabedoria do Espírito para ler os acontecimentos, buscando sempre um olhar que transcenda a cortina do fato em si. 

A autêntica e frutuosa fé jamais pode ser concebida como não participação no que a nós for próprio; e sua ausência, divino colírio, é uma das maiores limitações que possamos experimentar.

Muitas vitórias poderemos alcançar, mas, evidentemente, nenhuma sem empenho, renúncias, resistência e coragem.

Deste modo, a angústia nunca terá a última palavra e a tribulação terá contornos decifráveis e delimitáveis, porque com a graça e força divina, superável.

Jamais podemos permitir que a angústia e tribulação sejam vistas como limites últimos. 

Precisamos aprender a ver nelas sinais, avisos, aprendizados, amadurecimentos, mais que desejáveis: possíveis: 

Reflitamos:

- Por causa da fé, quantas muralhas foram transpostas?
- Quantos recomeços se fizeram?

- Quantas metas se atingiram?
- Quantos sonhos se realizaram?

- Quantas curas se alcançaram?
- De quantos tropeços fomos levantados?

Concluímos com as palavras do Apóstolo Paulo e do Salmista respectivamente:

“Tudo posso n’Aquele que me fortalece” (Fl 4,13).

“O Senhor é meu escudo e proteção,
meu refúgio, minha rocha... a quem temerei?” (Sl 18,2; 27,1)


A Fé é a possibilidade da interação da Força e Graça Divina no mais profundo de nós, concretizando Esperanças cultivadas e inflamadas pela chama da Caridade, que um dia acesa no coração o foi, e que vigilantes jamais poderemos deixar apagar...  

Ressoe em nosso coração este canto:

“Eu confio em nosso Senhor, com fé, esperança e amor...”

Mãe, Rainha e Mestra, contigo aprendemos...

                                                                   

Mãe, Rainha e Mestra, contigo aprendemos...

 “Ó Maria, aurora de um mundo novo, vem
nos ensinar a acolher, a celebrar e a testemunhar!”

Contigo, ó Maria, o aprendizado é eterno e inesgotável; há sempre algo a ser reaprendido, uma vez que algumas coisas são passíveis de mudança, carregando em si o germe da superação, adaptação, atualização…

Não há ninguém melhor do que tu, ó Maria, para nos ensinar, porque não apenas falaste, mas praticaste o que ensinaste! E és Mãe e Mestra, porque soubeste, antes, ser discípula do Senhor.

Maria, contigo aprendemos o que ainda não conhecemos para que melhores e mais fiéis à Palavra do Teu Filho sejamos.

Maria, contigo reaprendamos o que, eventualmente, possamos ter escondido, ou condenado à inatividade, ao esquecimento, às cavernas escuras que carregamos.

Maria, contigo reaprendemos as belas lições que nos acompanham por toda a vida, e outras que só descobriremos na glória do céu, se merecermos a tua face contemplar.

Contigo, reaprendamos a contemplar os lírios do campo e os pássaros; aprendamos a vida simples e a confiança na providência divina, como aprendeste com o Mestre e Salvador, teu Filho.

Contigo, reaprendamos a olhar as crianças para vivermos a  simplicidade, a pureza, a confiança, a sinceridade dos sentimentos que tinhas em teu Imaculado Coração.

Contigo, reaprendamos a sonhar, a romper a barreira do que é aparentemente impossível, renovando a energia e a vitalidade, num incansável se consumir, com renovados e sagrados compromissos.

Contigo, ó Maria, renovamos nosso olhar para com os mais vividos e aprendemos a valorizar suas histórias, sem imputar-lhes censuras, mas com a paciência necessária, ouvindo e acolhendo o que faz sentido para repensar o nosso existir.

Ó Maria, contigo aprendemos que cabelos brancos não vieram por acaso, são da ousadia de ter vivido, com a morte e o fim se defrontado, incansavelmente; e assim, aprender com as histórias, com seus erros e acertos.

Contigo, poetisa de Deus, reaprendemos a sonhar, reencantar, nas entrelinhas das palavras, beleza diferente saborear.

Ó Maria, reaprendemos com o teu olhar que a frieza e a dureza de uma pedra podem ser a consistência e a firmeza que tanto buscamos.

Contigo reaprendem os místicos, que se elevam com a fumaça do incenso, saindo da mesmice do cotidiano, fazendo subida e mergulho no Mistério do Absoluto.

Ó Maria, contigo reaprendemos que a vida é muito mais que a materialidade vista.

Contigo reaprendemos sobre naturalidade da vida, em sadia espiritualidade, no encontro com o Absoluto – Deus.

Ó Maria, contigo reaprendemos os princípios fundamentais da existência: amor, verdade, justiça e liberdade.

Contigo, Ó Mãe e Rainha, aprendemos a colocar a vontade divina acima de tudo, para que melhor saibamos crescer e dominar o universo, sem o imperdoável esgotamento de suas riquezas; reaprendemos que dominar o planeta, o universo não é sinônimo de prepotência, uso inconsequente das riquezas que em nossas mãos foram colocadas.

Contigo, Ó Mãe e Rainha da Paz, aprendemos que a humanidade deve pôr fim às guerras, para que não aconteça o inverso.

Ó Mãe da Sabedoria, nos ensine a linguagem do Espírito, que é a linguagem do amor,  que une povos e nações.

Ó Mãe da Sabedoria, que sabes falar as línguas de todos os povos, mais que reaprender regras ortográficas anunciadas, possamos aprender a verdadeira e indispensável comunicação que é a relação pessoal, diálogo, conversas edificantes.

Contigo, Ó Rainha e Cantora da esperança dos pobres, reaprendamos com os utópicos e militantes que não se curvam à ditadura, que outro mundo é possível.

Contigo, Ó Mãe da Humanidade, tomemos consciência de que a inevitável globalização tem seus aspectos positivos, (comunicação, locomoção, maiores acessos em todos os sentidos, agilidade, mais informações, a informatização, a virtualidade etc.), mas que há ainda algo que contigo podemos aprender: globalizar as possibilidades, superar disparidades e desigualdades, globalizar a solidariedade.

Finalmente, ó Rainha, Mãe e Mestra, nos ensine a aprender com os recuos das ondas, que fazem de cada recuo um ponto para um novo avanço, uma nova etapa.

Ó, como é bom aprender contigo, Mãe, Rainha e Mestra!

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4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG