sexta-feira, 17 de julho de 2026

Comunidades Eclesiais missionárias e fecundas

                                          


Comunidades Eclesiais missionárias e fecundas

Nossas comunidades eclesiais missionárias são espaços sagrados em que se procura viver autenticamente a Palavra de Deus, como herdeiros da bênção que o Senhor nos agraciou.

Neste sentido, as Palavras do Apóstolo Pedro são iluminadoras:

“Sede todos unânimes, compassivos, fraternos, misericordiosos e humildes. Não pagueis o mal com o mal, nem ofensa com ofensa. Ao contrário, abençoai, porque para isto fostes chamados: para serdes herdeiros da bênção.” (1)

Oportunas as palavras atribuídas a diferentes autores, como nos falou o Papa São João XXIII:

“Mas é preciso manter também a norma comum que, expressa com palavras diversas, se atribui a diferentes autores: nas coisas necessárias, unidade; nas duvidosas, liberdade; em todas, caridade.” (2)

Supliquemos a Deus para que nos conceda a graça de assim vivermos, como discípulos missionários do Senhor, com o coração ardente e os pés sempre a caminho.

 

 

(1)         Primeira Carta de São Pedro (1 Pd 3,8-9)

(2)        Sobre o conhecimento da verdade, restauração da unidade e da paz na caridade – Papa São João XXIII – 29/06/1959

Relendo os fatos à luz da fé

                                                       

Relendo os fatos à luz da fé

Ninguém está livre de momentos de angústia, de tribulação. Hora mais, hora menos... 

Há momentos em que as coisas transcorrem com normalidade, noutros turbulências que parecem não mais passar.

De vez em quando somos surpreendidos com notícias que nos inquietam, nos levam a momentos de silêncio, de escuta, de questionamentos: suicídios, casamentos falidos, tumores irreversíveis (morte anunciada)...

O Sermão do Bispo Santo Agostinho (séc. V) é uma luz para estes momentos, e ora retomo apenas o seu começo:

Qualquer angústia ou tribulação que sofremos é para nós
aviso e também correção. As Sagradas Escrituras
não nos prometem paz, segurança e repouso;
o Evangelho não esconde as adversidades,
os apertos, os escândalos; mas quem perseverar
até o fim, esse será salvo (Mt 10,22)...”

Precisamos da Sabedoria do Espírito para ler os acontecimentos, buscando sempre um olhar que transcenda a cortina do fato em si. 

A autêntica e frutuosa fé jamais pode ser concebida como não participação no que a nós for próprio; e sua ausência, divino colírio, é uma das maiores limitações que possamos experimentar.

Muitas vitórias poderemos alcançar, mas, evidentemente, nenhuma sem empenho, renúncias, resistência e coragem.

Deste modo, a angústia nunca terá a última palavra e a tribulação terá contornos decifráveis e delimitáveis, porque com a graça e força divina, superável.

Jamais podemos permitir que a angústia e tribulação sejam vistas como limites últimos. 

Precisamos aprender a ver nelas sinais, avisos, aprendizados, amadurecimentos, mais que desejáveis: possíveis: 

Reflitamos:

- Por causa da fé, quantas muralhas foram transpostas?
- Quantos recomeços se fizeram?

- Quantas metas se atingiram?
- Quantos sonhos se realizaram?

- Quantas curas se alcançaram?
- De quantos tropeços fomos levantados?

Concluímos com as palavras do Apóstolo Paulo e do Salmista respectivamente:

“Tudo posso n’Aquele que me fortalece” (Fl 4,13).

“O Senhor é meu escudo e proteção,
meu refúgio, minha rocha... a quem temerei?” (Sl 18,2; 27,1)


A Fé é a possibilidade da interação da Força e Graça Divina no mais profundo de nós, concretizando Esperanças cultivadas e inflamadas pela chama da Caridade, que um dia acesa no coração o foi, e que vigilantes jamais poderemos deixar apagar...  

Ressoe em nosso coração este canto:

“Eu confio em nosso Senhor, com fé, esperança e amor...”

A Cantora Divina entrou nos céus!

                                                     


A Cantora Divina entrou nos céus!

Maria, aquela que cantou na terra, hoje canta nos céus!

No Magnificat, por ela cantado, contemplamos as virtudes teologais: fé, esperança e caridade. 

Com o Magnificat e sua vida Maria nos revela tríplice segredo:

O segredo da fé – “eis a serva do Senhor”;

O segredo da esperança – “nada é impossível para Deus” e, finalmente,

O segredo de sua caridade missionária – “Maria pôs-se a caminho apressadamente”. Renovado ardor, incansável... Maria, sempre Maria!

No Magnificat ainda, Maria é a cantora da esperança, cantora dos pobres que clamam por um mundo novo, por novas relações religiosas, sociais, políticas, culturais, econômicas...

Maria canta a esperança, canta a confiança, canta o compromisso irrenunciável, canta o sonho que pode se tornar realidade, canta a misericórdia divina, canta o canto dos cantos, o canto da Alegria, o canto do Magnificat!

Que o Magnificat, cantado por Maria, este canto de alegria, confiança e esperança dos pobres, seja o nosso canto.

Para cantá-lo, imitemos em nossa vida as virtudes de Maria: humildade, disponibilidade, serviço, alegria, confiança, esperança, solidariedade, misericórdia...

Em poucas palavras...

                                                         


O sacerdote é...

“O sacerdote é 

o mais pobre dos homens, se Jesus não o enriquece com a sua pobreza; 

é o servo mais inútil, se Jesus não o trata como amigo

é o mais louco dos homens, se Jesus não o instrui pacientemente como fez com Pedro

o mais indefeso dos cristãos, se o Bom Pastor não o fortifica no meio do rebanho” (1)

 

(1)        Homilia Santa Missa Crismal – dia 17/04/14 – Papa Francisco

O Pão da Vida, dai-nos, Senhor

                                                 

O Pão da Vida, dai-nos, Senhor

À luz do Tratado sobre os Mistérios, escrito pelo bispo Santo Ambrósio (Séc. IV), reflitamos sobre a Eucaristia aos neófitos.

“O povo purificado, enriquecido com estas vestes, adianta-se para o altar de Cristo, dizendo: E entrarei até o altar de Deus, do Deus que alegra a minha juventude.

Despidas as vestimentas do antigo erro, renovada a juventude como a da águia, apressa-se em ir participar do celeste banquete. Chega, e, ao ver a ornamentação do santo altar, exclama: O Senhor é meu pastor, nada me falta; levou-me a boas pastagens. Conduziu-me às águas da quietude. E mais adiante: Mesmo que caminhe em meio às sombras da morte, não temerei mal algum, porque tu estás comigo. Teu cajado e teu bastão são meus arrimos. Preparaste diante de mim uma mesa contra aqueles que me perseguem. Ungiste com óleo minha cabeça e como é luminoso teu cálice embriagador!

Coisa admirável o ter Deus feito chover o maná para sustentar com o alimento celeste os patriarcas. Por isso se disse: O homem comeu o pão dos anjos. No entanto, aqueles que comeram deste pão, todos eles morreram no deserto; o alimento, porém, que tu recebes, pão vivo que desceu do céu, comunica a substância da vida eterna e quem quer que dele comer não morrerá eternamente, pois é o corpo de Cristo.

Considera agora qual deles é de maior valor: o pão dos anjos ou a carne de Cristo, que é o corpo da vida. Aquele maná vem do céu; este está acima do céu. Aquele, do céu; este, do Senhor dos céus. Aquele é corruptível, se guardado para o dia seguinte; este é totalmente imune de corrupção e quem o tomar piedosamente não poderá experimentar a corrupção.

Para aqueles brotou a água da pedra; para ti, o sangue de Cristo. Àqueles, por um momento, a água saciou; a ti o sangue do Senhor refresca para sempre. O povo antigo bebe e tem sede; tu, ao beberes, não podes mais sentir sede, pois, de fato, aquilo era sombra, enquanto isto é realidade.

Se já admiras a sombra, qual não será tua admiração da realidade? Escuta como é sombra o acontecido aos patriarcas: Bebiam da pedra que os seguia; a pedra era Cristo. Mas Deus não se agradou de muitos deles, pois caíram mortos no deserto. Estas coisas foram feitas em figura para nós. Conheces agora o que tem maior valor: a luz supera a sombra; a realidade, a figura; o corpo do Criador vale mais do que o maná do céu.” (1)

A Eucaristia é o alimento indispensável para que vivamos a graça do batismo, como discípulos missionários do Senhor, e darmos testemunhos da fé, esperança e caridade, virtudes divinas que nos movem.

Neófitos (recém-batizados) ou não, todos precisamos deste alimento salutar e de eternidade.

Fundamental que participemos dominicalmente das Missas e tanto quanto possível das Missas nos dias da semana.

A Eucaristia é o ponto alto e a fonte de toda a nossa vida, para carregarmos com fidelidade nossa cruz de cada dia com suas renúncias necessárias.

   

(1) Liturgia das Horas - Volume Tempo Comum III - Editora Paulus p. 457-458

OOportuna para aprofundamento da passagem do Evangelho de João (Jo 6, 24-35) proclamada no 18º Domingo do Tempo Comum.

A vida está acima da Lei

                                                          

A vida está acima da Lei

Ouvimos, na sexta-feira da 15ª semana do Tempo Comum, a passagem do Evangelho (Mt 12,1-8), em que Jesus se apresenta como Filho do Homem e Senhor do sábado, e nos exorta a vivência da misericórdia que coloca a vida acima de toda lei.

Crendo no Cristo Glorioso, Ressuscitado, celebramos em cada Eucaristia o mais belo triunfo: a vitória do amor. 

A partir da Páscoa, a Lei se condensa no amor; no amor aprendido com o Amor: Jesus.

De fato, a morte não teve sua última palavra. O Amor que nos amou até o fim venceu. A vida venceu a morte, a fim de que a humanidade nunca mais fique mergulhada na escuridão.

O abismo da morte recebeu a visita do Redentor, para que fizesse triunfar a Sua missão.

A Cruz teve aparência de derrota, na perspectiva da fé é vitória. Jesus morrendo, matou em Si a morte e, nós, por Sua morte somos libertados da morte.

Assumir a cruz de cada dia é contemplar e testemunhar o Amor da Trindade ali presente: Um Deus (Pai) que é eterno Amante, fiel ao eterno Amado (Jesus) em comunhão com o eterno Amor (Espírito Santo).

Ele que fez dom de Si mesmo, num amor incondicional até o extremo: Amor misericordioso, vivido intensamente na fidelidade ao Pai, sob a ação do Espírito na defesa e promoção da vida, portadora da sacralidade divina.

Deste modo, o Apóstolo Paulo nos exorta a “Viver a Caridade, que é a plenitude da Lei”, a plenitude do Amor (Rm 13,8-10), pois quem ama cumpre plenamente a Lei, e como disse Santo Agostinho: “Ame e faça o que quiseres”.

O próprio Jesus nos disse: “ninguém tem amor maior do que Aquele que dá a vida pelos Seus amigos”  (Jo 15,13).

Quanto mais progredirmos no amor de Deus, mais humanos nos tornaremos. O caminho da humanização passa pela prática do amor, concretizada no Amor a Deus e no amor ao próximo; é o que nos disse Santo Irineu: “Deus Se fez humano para que nos tornássemos divinos…”

Somente trilhando O Caminho, acolhendo A Verdade, teremos A Vida; vida plena e abundante, nutrida e movida pela caridade, como expressão madura da liberdade.

Verdade, caridade e liberdade devem nos acompanhar em todo tempo, para que a alegria da Ressurreição celebrada no Altar possa o mundo contagiar. Eis a Boa Nova a anunciar, testemunhar…

Discípulos missionários do Senhor, aprendendo com Ele o verdadeiro Amor, amor que nos ama até o fim, vivamos.

Anunciamos e testemunhamos a Boa-Nova do Senhor: o Amor que cura, salva e liberta; amor como cumprimento alegre e rejuvenescedor de toda Lei, porque se nutre da Fonte do Amor, em cada Eucaristia, que nos revela em todo o Seu esplendor. Amém!  

A autenticidade da oração

                                                            

A autenticidade da oração

“Ouvi a tua oração, vi as tuas lágrimas” (Is 38,5)

Na sexta-feira da 15ª Semana do Tempo Comum (ano par), ouvimos a passagem do Livro do Profeta Isaías (Is 38,1-6.21-22.7-8), que nos apresenta a súplica de Ezequias e a cura alcançada.

Vemos que a oração jamais consistirá em impor a Deus nossa vontade, ao contrário, é colocarmo-nos totalmente nas mãos do Senhor, com nossas fraquezas, dúvidas, medos, cansaços, contrariedades, adversidades e quanto mais possa ser mencionado, bem como, toda confiança, humildade, simplicidade de coração.

Mas é fundamental que a oração seja a expressão de uma relação íntima e profunda de amor com Deus, pois se não aprendemos a Deus amar, jamais saberemos orar.

Aprendamos, a cada dia, contemplar e sentir a presença do amor misericordioso de Deus e, assim, a oração será nosso contínuo diálogo com Ele, sem jamais sair de Sua presença, contando com sua graça, luz e paz:

“Mas só ’boa’ a oração que não pretende ligar Deus aos nossos caprichos ou interesses. Devemos crer em Seu amor, saber entrar confiantemente em Seu plano, que é sempre um plano de salvação, embora diferente do nosso. Porque ainda não aprenderam a amar, muitos cristãos nunca aprenderam a orar” (1)

A oração como fruto do amor a Deus, é certeza de que jamais nos sentiremos desamparados em nossa fraqueza, miséria, e condição de criaturas e pecadores, mas sentiremos a força, onipotência e a infinita misericórdia divina que vem em nosso socorro. 

(1)         Missal Cotidiano – Editora Paulus – 1998 – p. 1039

Quem sou eu

Minha foto
4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG