sexta-feira, 3 de julho de 2026

“Espera, ó minha alma”

                                                    

“Espera, ó minha alma”

No parágrafo número 1821 do Catecismo da Igreja Católica, encontramos uma citação iluminadora de Santa Teresa de Jesus:

“Espera, ó minha alma, espera. Ignoras o dia e a hora. Vigia cuidadosamente, tudo passa com rapidez, ainda que tua impaciência torne duvidoso o que é certo, e longo um tempo bem curto.

Considera que, quanto mais pelejares, mais provarás o amor que tens a teu Deus e mais te alegrarás um dia com teu Bem-Amado numa felicidade e num êxtase que não poderão jamais terminar”.

Diante de dificuldades, resultados a serem alcançados, respostas esperadas, entre outras tantas situações, por vezes, somos tomados pela impaciência.

À espera de uma resposta de Deus, muitas vezes, a impaciência coloca à prova nossa fé e esperança, no entanto, é preciso perseverar na confiança inabalável.

“Espera, ó minha alma, espera”, pensamento que, como um refrão, deve costurar os parágrafos de nossa história, sem perdas de conexões, a fim de que se alcance o desejado.

E a mais bela “espera”: provar o amor que temos por Deus, numa alegria imensurável diante do Bem-Amado, Jesus, para viver o transbordamento da alegria que jamais passará.

Supliquemos a Deus que nos ajude a perseverar e esperar, com plena confiança no que Ele sempre tem de melhor para nós.

Reencontremos dentro de nós a paz, porque é lá, bem dentro de cada um nós, que Deus fez Sua morada, Seu Templo: “Espera, ó minha alma, espera” Amém.

A vida cristã é permanente esforço

                                                                

A vida cristã é permanente esforço

Acolher a graça e a paz de Nosso Senhor Jesus Cristo (2 Pd 1,2), é pôr-se a caminho, esforçando por fazer as junções necessárias, como que num processo contínuo de crescimento no aperfeiçoamento da fé, para que se viva frutuosamente a vida cristã dia a dia.

E isto é possível, pois ser cristão é ter entrado na posse das mais preciosas promessas, para se tornar participante da natureza divina, como o Apóstolo nos diz (2 Pd 1,4).

Sendo assim, a vida cristã passa a ser compreendida como um todo harmônico, vital, dinâmico; voltamo-nos para Deus, que é todo vida, ação, amor (1).

Vejamos o que nos diz o Apóstolo Pedro (2 Pd 1,5-7):

Por isso mesmo, dedicai todo o esforço
em juntar à vossa fé a virtude,
à virtude o conhecimento,
ao conhecimento o autodomínio,
ao autodomínio a perseverança,
à perseverança a piedade,
à piedade o amor fraterno
e ao amor fraterno, a caridade”

Deste modo, a vinda gloriosa de Jesus deve ser “esperada”, mas ao mesmo tempo “apressada”, mediante uma vida cristã coerente, sem esmorecimentos e recuos na vida de fé.

“Embora empenhando-se com responsabilidade nas realidades da vida terrena, quem segue a Cristo espera com confiança e esperança ‘novos céus e nova terra onde habitará a justiça, sem permanecer alheio às alegrias e às esperanças dos seus contemporâneos. A esperança dos bens futuros ampara-o nas contrariedades que deve suportar pela fidelidade ao seu testemunho de fé”. (2)

Esta espera, portanto, deve ser vivida na vigilância ativa, expressa no esforço por uma conduta irrepreensível aos olhos de Deus, a fim de que tenhamos o crescimento no conhecimento de Jesus, e mais que conhecimento, comunhão, amizade e intimidade profunda com Ele, qualificando o nosso anúncio e testemunho.


1 - Missal Cotidiano – Editora Paulus – p.846
2 – Lecionário comentado – Editora Paulus – Tempo Comum volume I - Lisboa – p.432

Jesus Cristo: Divina Fonte de Salvação e de Vida Verdadeira

 


Jesus Cristo: Divina Fonte de Salvação e de Vida Verdadeira

Reflexão à luz do tratado sobre o admirável Coração de Jesus, de São João Eudes, presbítero (Séc. XVII).

“Rogo-te medites que nosso Senhor Jesus Cristo é tua verdadeira Cabeça e tu, um de Seus membros. Ele está em relação a ti como a cabeça com os membros. Tudo que é d’Ele, é teu: espírito, coração, corpo, alma e todas as faculdades. São para que os uses como se fossem teus, a fim de que, servindo-O, tu o louves, O ames e glorifiques. Por teu lado, tu lhe és como membro para a Cabeça. Por isto deseja com ardor usar todas as tuas faculdades como d’ele, para servir e glorificar o Pai.

Mas não apenas ele é teu, porém, quer também estar em ti, vivendo e reinando em ti, tal como a cabeça vive e reina em seus membros. Quer, pois, que tudo o que nele existe, viva e reine em ti.

Assim o seu espírito em teu Espírito, o seu coração em teu coração, todas as faculdades de Sua alma em tuas faculdades, a ponto de se cumprirem em ti estas palavras: Glorificai e trazei a Deus em vosso corpo; bem como manifeste-se a vida de Jesus em vós (1Cor 6,20). Não somente és para o Filho de Deus, mas nele deves existir como os membros, na cabeça.

Tudo quanto há em ti, nele tem de ser inserido, e deves receber d’Ele a vida e ser por ele guiado. Não terás vida verdadeira, a não ser n’Ele, única fonte da verdadeira vida.

Fora d’Ele só encontras morte e perdição. Seja Ele o único princípio de teus movimentos, ações e forças de tua vida. D’Ele e para ele tens de viver para realizares as palavras: Nenhum de nós vive para si ou para si morre; se vivemos, para o Senhor vivemos; se morremos, para o Senhor morremos. Vivos ou mortos somos do Senhor. Para isto Cristo morreu e ressuscitou, para ser o Senhor dos vivos e dos mortos (Rm 14,7-9).

És enfim um só com Jesus, como os membros são uma só coisa com a cabeça. Portanto deves ter com Ele um só espírito, uma só alma, uma vida, uma vontade, uma intenção, um só coração. E Ele será teu espírito, coração, amor, vida, e tudo o que é teu.

Para os cristãos estas grandes realidades têm origem no Batismo. Mas aumentam e se fortalecem pela Confirmação e boa prática das outras graças de que Deus lhes dá participarem. E tudo isto ele aperfeiçoa principalmente pela Santa Eucaristia.”

Oportuna a reflexão para aprofundamento sobre os Sacramentos da Iniciação Cristã: Batismo, Crisma e Eucaristia.

Que Deus nos conceda a graça de viver os Sacramentos recebidos, cada vez mais configurados e unidos a Jesus Cristo, a Divina Fonte de Salvação e Vida Verdadeira, como discípulos missionários Seus, membros de uma Igreja Sinodal, peregrinando com confiança e na esperança de um  novo céu e uma nova terra. Amém.

 

Em poucas palavras...

 


Gloriosas Santas Chagas do Senhor

“Como muitos soldados que olham para as feridas que receberam em batalha não como uma deformação, mas como um troféu de honra, assim também o Senhor expõe Suas chagas para provar que o amor é mais forte que a morte.

Suas cicatrizes tornar-se-iam como bocas eloquentes a interceder junto ao Pai Celestial: cicatrizes que Ele ostentaria no último dia para julgar os vivos e os mortos (Jo 5,19-30)...

As chagas que possui não são sinais de fraqueza, mas sim chagas gloriosas da vitória.” (1)

 

(1)Vida de Cristo – Fulton J. Sheen – Editora Molokai – 2024 – p. 943

Senhor Ressuscitado...

                                                   


Senhor Ressuscitado...

Abri, Senhor, as portas do meu coração.
Ficai no centro de minha vida.
Comunicai Vossa alegria imensurável,
Envolvei-me em Vosso abraço de ternura e paz.

Cresça em mim a fé em Vós, vivo, Ressuscitado.
Ó Cristo Senhor, contemplo Vossas Chagas gloriosas.
A fé em Vós, em Vosso Pai de Amor, quero testemunhar,
Contando com Vosso Espírito, na plena comunhão de amor.

Soprai, Senhor, sobre mim o Vosso Suave Espírito:
Para que eu tenha nova vida e vida plena, 
e seja sinal de esperança e instrumento de caridade,
por Vós mais que desejado, porque em mim confias.

Amém. Aleluia!

Concedei-nos, Senhor, os bens necessários!

                                                   

Concedei-nos, Senhor, os bens necessários!
 
Uma oração para auxiliar na renovação de nossa fidelidade ao Senhor, para segui-Lo com maior ardor e entusiasmo, à luz do texto do bispo e mártir São Cipriano (séc. III):
 
Oremos:

Senhor Jesus, que sejamos sempre sim à vontade do Pai,
Como fostes em todos os momentos e em tudo ao Vosso Pai,
Com a força e presença do Espírito que sobre Vós pousava.
 
Por isto, a Vó suplicamos que nos concedeis:
 
A humildade no comportamento, para não ofuscarmos a Vossa luz;
O respeito nas palavras, para que correspondam à retidão e coerência das ações,
A misericórdia nas obras, sem nada esperarmos em troca, simplesmente por amor;
 
A moderação nos costumes, sem jamais ofendermos os outros e sabendo tolerar o que for preciso;
A capacidade de conservar a paz com os nossos irmãos, fortalecendo os vínculos da amizade e concórdia;
Amarmos ao Senhor de todo o coração, enquanto Pai e temê-Lo enquanto Deus;
 
Nada preferir a Cristo, para correspondermos ao Seu Amor que nada preferiu a nós; 
O manter-nos inseparavelmente unidos ao Seu Amor, Mandamento maior de nossa vida;
Permanecermos junto à cruz, com fortaleza e confiança, sem choros e lamentos estéreis;
 
A serenidade para enfrentarmos os tormentos.
A constância na fé, para que nos mantenhamos firmes e intrépidos no carregar da cruz;
 
A confiança em Vossa força e presença no bom combate da fé,
Para que, passando pela morte, alcancemos a eternidade,
E recebamos de Vós a coroa da glória aos justos prometida,
E por nós ardentemente esperada. Amém.
 
PS: Fonte inspiradora: Lecionário Patrístico Dominical - Editora Vozes - 2013 - p.225. 

A incredulidade de Tomé e a nossa, curai, Senhor

                                                         


A incredulidade de Tomé e a nossa, curai, Senhor

“Bem-aventurados os que creram sem terem visto”

Sejamos enriquecidos pelo Comentário sobre o Evangelho de São João Escrito por São Cirilo de Alexandria (séc. V): 

“Tomé, resistindo a crer em um primeiro momento, foi pronto na confissão, e em um instante foi curado de sua incredulidade. De fato, haviam transcorrido somente oito dias, e Cristo removeu os obstáculos da incredulidade ao mostrar-lhe as cicatrizes dos cravos e Seu lado aberto.

Após ter entrado milagrosamente através das portas fechadas - milagrosamente, já que todo corpo terreno e extenso busca uma entrada adequada ao mesmo, e para entrar requer um espaço em proporção à sua magnitude -, nosso Senhor Jesus Cristo com toda a espontaneidade descobriu Seu lado para Tomé e lhe mostrou as chagas impressas em Sua carne, confirmando, a propósito de Tomé, a fé de todos os crentes.

Somente de Tomé se diz que afirmou: Se não vejo em Suas mãos o sinal dos cravos, se não meto o dedo no furo dos cravos, e não meto a mão em Seu lado, não crerei. Porém, o pecado da incredulidade era, de certo modo, comum a todos, e sabemos que o entendimento dos demais discípulos não esteve livre de dúvidas, apesar de afirmarem a Tomé: Vimos o Senhor.

E como não acabavam de crer pela alegria, e continuavam atônitos, Cristo lhes disse: Tendes aqui algo para comer? Eles lhe ofereceram um pedaço de peixe assado e um pouco de mel. Ele o tomou e comeu diante deles. Vês como a dúvida da incredulidade não fez unicamente presa em Tomé, mas que este vírus atacou também o entusiasmo dos demais discípulos?

Portanto, a admiração tornava os discípulos lentos na fé. Mas, na realidade, para quem observa e vê, não existe desculpa alguma de incredulidade; por isso Tomé fez uma correta confissão quando disse: Meu Senhor e meu Deus!

Jesus lhe disse: Tomé, creste porque me viste? Bem-aventurados os que creram sem terem visto. Esta expressão do Salvador está cheia de uma singular providência e pode ser-nos de grande utilidade. Realmente, também nesta ocasião Cristo visava o bem de nossas almas, porque Ele é bom e quer que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade, conforme está escrito. Tudo isso é digno de admiração.

Portanto, era mister tolerar com paciência as reservas de Tomé e aos outros discípulos que acreditavam que Ele era um espírito ou um fantasma, e, para oferecer ao mundo inteiro a credibilidade da fé, mostrar os sinais dos cravos e a chaga do lado e, também, se alimentar fora do que estava acostumado e sem necessidade nenhuma, a fim de eliminar completamente todo motivo de incredulidade naqueles que buscavam provas para sua própria utilidade.

Mas aquele que aceita o que não vê e crê ser verdade o que o doutor lhe comunica, este demonstra uma adesão fervorosa ao pregador. Por isso se declara bem-aventurado a todo aquele que assente com a fé mediante a pregação dos Apóstolos que, ao dizer de Lucas, foram testemunhas oculares das obras e ministros da palavra. A eles nós devemos obedecer, isto se realmente aspiramos à vida eterna e estimamos o que realmente vale habitar nas moradas eternas.” (1)

Vivendo o Tempo Pascal, temos a graça de renovar a nossa fé no Cristo Ressuscitado, presente e caminhando conosco, embora não O vejamos.

Com a ação e presença do Espírito Santo, seja renovada a alegria de sermos discípulos missionários do Senhor, caminhando na esperança de que um dia possamos contemplar a face de Deus, e de Seu Filho, Jesus Cristo Ressuscitado, sentado à Sua direita, e virá para julgar os vivos e os mortos, como professa a nossa fé

 

(1) Lecionário Patrístico Dominical - Editora Vozes - 2013 - p. 346-347

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