quinta-feira, 2 de julho de 2026

Em poucas palavras...

                                                      


Orar e realizar a vontade divina

“É pela oração que podemos discernir qual é a vontade de Deus (Rm 12,2; Ef 5,17) e obter perseverança para a cumprir (Hb 10,36).

Jesus ensina-nos que se entra no Reino dos céus, não por palavras, mas «fazendo a vontade do meu Pai que está nos céus» (Mt 7, 21).” (1)

 

(1) Catecismo da Igreja Católica – parágrafo n. 2826

Vivificados pelo Espírito

                                                 


Vivificados pelo Espírito

Sejamos enriquecidos pelo Sermão de Teodoro de Mopsuéstia (séc. V):

“Porém, é notável que ao dar o pão Ele não dissesse: ‘Isto é a figura de meu corpo’, mas: Este é o meu corpo; e da mesma maneira o cálice, não diz: ‘Isto é a figura do meu sangue’, mas: Este é o meu sangue; porque ele quis que tendo estes (o pão e o cálice) recebido a graça e a vinda do Espírito Santo, não apreciemos mais a sua natureza, mas o recebamos como o corpo e o sangue que são de nosso Senhor.

Pois o corpo de nosso Senhor também não teve, por sua própria natureza, a imortalidade e o (poder de) dar a imortalidade, mas foi o Espírito Santo que a deu, e pela ressurreição dentre os mortos recebeu a conjunção com a natureza divina, veio a ser imortal e causa de imortalidade para os demais.

Portanto, tendo dito nosso Senhor: Aquele que come o meu corpo e bebe o meu sangue viverá eternamente, quando viu aos judeus murmurarem e duvidarem desta palavra – pensando que por meio de uma carne mortal não é possível receber a imortalidade –, acrescentou para prontamente resolver a dúvida: Se virdes ao Filho do homem subir para onde estava antes, como se dissesse: ‘Agora isto não vos parece certo porque disse isto de meu corpo; porém, quando me verdes ressuscitado dentre os mortos e subir ao céu, certamente não se poderá mais ter por dura e estranha esta palavra; porque pelos próprios fatos vos convencereis de que passei para uma natureza imortal; se eu não estivesse nela, eu não subiria ao céu’.

E para indicar de onde lhe virá isto, acrescenta em seguida: O Espírito vivifica, porém o corpo de nada serve. Isto, ele diz, lhe virá pela natureza do Espírito vivificante, pela qual ele será transformado para este (estado); que ele seja imortal e que ele concede a imortalidade aos demais – aquilo que Ele não tinha e o que não podia dar aos demais como proveniente de sua natureza, porque a natureza da carne é impotente para um dom e um auxílio deste gênero.

Porém, se a natureza do Espírito vivificante fez o corpo de nosso Senhor desta natureza, da qual ele não era antes, é preciso que tampouco nós, que recebemos a graça do Espírito Santo pelas figuras sacramentais, ainda vejamos como pão e como cálice o que nos é apresentado, mas (consideremos) que é o corpo e o sangue de Cristo, nos quais são transformados pela descida da graça do Espírito Santo: ela, que obtém para os que dela participam o mesmo que por meio do corpo e sangue de nosso Senhor, nós pensamos que recebem os fiéis.

Por isto ele diz: Eu sou o pão da vida descido do céu; e eu sou o pão da vida. E para mostrar que ele é aquilo que ele chama de pão, diz: E o pão que vos darei é meu corpo para a vida do mundo.

Já que, de fato, nós subsistimos nesta vida por meio do pão e do alimento, ele se chama a si mesmo pão da vida descido do céu, significando isto: ‘Verdadeiramente eu sou o pão da vida, que dá a imortalidade aos que creem em mim, mediante este (corpo) visível, pelo qual eu desci e ao qual conferi a imortalidade, e por meio do qual (a dou) aos que creem em mim’. Podendo dizer: ‘Eu sou aquele que dá a vida’, se abstém e no lugar diz: Eu sou o pão da vida.

De fato, já que a imortalidade esperada, cuja promessa nos foi dada aqui, a vamos receber nas figuras sacramentais por meio do pão e do cálice.

Ele devia chamar-se pão a si mesmo e ao seu corpo, de modo que pela própria figura venerássemos aquele que reivindicou esta denominação; para dar-nos a conhecer estes dons, chamou-se a si mesmo de pão, mas quis também, por estas coisas daqui (terrenas), fazer-nos receber sem duvidar estes bens demasiado elevados para as palavras.” (1)

Oremos:

Senhor Jesus Cristo, Pão da Vida e da Imortalidade, cremos em Vossa real presença na Eucaristia, Mistério da fé e do amor e da salvação do mundo.

Concedei-nos a graça de participar de Vossa Mesa, ouvindo Vossa Palavra e com o Vosso Espírito, ajudai-nos a colocá-la em prática.

Dai-nos a graça de sermos  vivificados pela Eucaristia que recebemos, e deste modo, renovarmos sagrados compromissos com a vida em todas as suas dimensões. Amém.

 

(1) Lecionário Patrístico Dominical - Editora Vozes - pág. 455-456

 

Com o Bom Jesus, peregrinos da verdadeira Paz (Bom Jesus)

 

Com o Bom Jesus, peregrinos da verdadeira Paz

Cada dia que amanhece é tempo de graça,
De trilhar novos caminhos, se preciso for.

Pautar nossa vida pela Divina Palavra,

Caminhos iluminados, fé renovada.

 
Pés fortalecidos, peregrinos de esperança,
Caridade, no coração, inflamada.
 
Renovados os sagrados compromissos com a vida,
Fidelidade ao Senhor Bom Jesus, nossa verdadeira Paz.
 
Sonhemos e promovamos a autêntica paz,
Sejamos agraciados pela Sua Saudação Pascal:
 
“A paz esteja convosco” ressoa Sua voz, (1)
No recôndito mais profundo de nosso coração.
 
Não a paz que o mundo dá, com traços de morte,
Violência, mentira, destruição, aniquilação,
 
Mas a paz que nos vem do Alto para nos brindar,
Com cantos de alegria em cada amanhecer.
 
Trilhar em campos dourados com Sua presença,
Fazendo-nos crer que a vida é bela, sagrado viver.
 
Paz desarmada e desarmante ressoa nos céus;
Bendita e profética missão no mundo a viver.
 

Paz desarmada sem soldados, armas ou bombas,
Sangue de inocentes, gritos e lamentos de dor.
 
Paz desarmada, fruto da fragilidade de Sua humanidade,
Com a força ímpar do Divino Mandamento do Amor.
 
Paz desarmante, expressa em gestos de bondade:
Caridade, solidariedade, compaixão, proximidade. 

Pois, tão somente assim, de forma desarmante,
Construiremos uma nova civilização do amor.
 
Paz desarmada e desarmante, nova cultura:
A do encontro, que constrói pontes em vez de muros. 

Que aproxima as pessoas com laços de ternura,
Novas páginas, somente com Ele, se inauguram.

Aos pés do Bom Jesus, dobramos nossos joelhos,
Nossas mãos se estendem em divina missão. 

Queremos ser d’Ele instrumentos da paz,
Pela Eucaristia nutridos, pela Palavra conduzidos. Amém.
 


 
 
 
(1)
  Jo cf. Jo 20, 19-29

PS: Apropriado para o 239º Jubileu do Senhor Bom Jesus do Matosinhos - 2026 - Conceição do Mato Dentro - MG, que tem como tema - "Senhor Bom Jesus, fazei-nos instrumentos de vossa paz".

Ladainha ao Bom Jesus de Matosinho (Bom Jesus)

                                                      


Ladainha ao Bom Jesus de Matosinho

Ó Bom Jesus, Mestre da oração, confiantes Vos suplicamos:

Ensinai-nos a rezar e a viver como irmãos e irmãs.        Bom Jesus, ouvi-nos.

Inspirai-nos, a caminhar juntos como irmãos e irmãs.     Bom Jesus, ouvi-nos.

Auxiliai-nos, a fim de que sejamos servos de todos e dos últimos. Bom Jesus, ouvi-nos.

Orientai-nos, para que vivamos sem preconceito ou discriminação. Bom Jesus, ouvi-nos.

Inflamai nossos corações com amor fraterno, como Vós amastes. Bom Jesus, ouvi-nos.

Concedei-nos a graça de não julgarmos nossos irmãos e irmãs. Bom Jesus, ouvi-nos.

Fortalecei nosso espírito de solidariedade com os mais necessitados. Bom Jesus, ouvi-nos.

Ajudai-nos a anunciar a Paz como fruto do perdão, da reconciliação e da justiça. Bom Jesus, ouvi-nos.

Iluminai nosso caminho na comunhão, participação e missão como Igreja Sinodal. Bom Jesus, ouvi-nos.

Ajudai-nos a promover a Vida plena. Bom Jesus, ouvi-nos.

Solidificai nossos compromissos com a Fraternidade e a Amizade Social, com esperança no coração enraizada.  Bom Jesus, ouvi-nos.

Guiai nossos passos, para que sejamos peregrinos da esperança. Bom Jesus, ouvi-nos.

Amém.

 

PS: Ladainha escrita a partir dos temas do Jubileu do Senhor Bom Jesus de Matosinhos - Conceição do Mato Dentro - MG - de 13 a 24 de junho de 2024.

 

Comunidades Eclesiais missionárias e fecundas

                                        


Comunidades Eclesiais missionárias e fecundas

Nossas comunidades eclesiais missionárias são espaços sagrados em que se procura viver autenticamente a Palavra de Deus, como herdeiros da bênção que o Senhor nos agraciou.

Neste sentido, as Palavras do Apóstolo Pedro são iluminadoras:

“Sede todos unânimes, compassivos, fraternos, misericordiosos e humildes. Não pagueis o mal com o mal, nem ofensa com ofensa. Ao contrário, abençoai, porque para isto fostes chamados: para serdes herdeiros da bênção.” (1)

Oportunas as palavras atribuídas a diferentes autores, como nos falou o Papa São João XXIII:

“Mas é preciso manter também a norma comum que, expressa com palavras diversas, se atribui a diferentes autores: nas coisas necessárias, unidade; nas duvidosas, liberdade; em todas, caridade.” (2)

Supliquemos a Deus para que nos conceda a graça de assim vivermos, como discípulos missionários do Senhor, com o coração ardente e os pés sempre a caminho.

 

 

(1)         Primeira Carta de São Pedro (1 Pd 3,8-9)

(2)        Sobre o conhecimento da verdade, restauração da unidade e da paz na caridade – Papa São João XXIII – 29/06/1959

A vida é uma travessia para a eternidade

                                           


A vida é uma travessia para a eternidade

Quando reconhecemos Deus para viver plenamente no mundo da realidade, sabemos de onde viemos, nos movemos e somos.

É preciso saber viver, conscientes de que a vida é caminho; mas precisamos saber de onde viemos e para onde nos dirigimos, pois quem não sabe aonde quer chegar, tanto faz o caminho.

Salutar aprender e reconhecer que não somos obra do acaso, mas fruto de um imenso amor, e que todo nascimento humano é fruto de amor, porém cada nascimento e todos os nascimentos são frutos de um maior, de um infinito amor, o Amor de Deus.

Devemos aprender a reconhecer nossa história pessoal, que é na exata medida, uma história de salvação, pois Deus interveio e sempre intervém para nos libertar, para promover nossa verdadeira e plena maturação humana na história.

Creiamos que Deus vem sempre ao nosso encontro, sobretudo nas situações mais sombrias e adversas, para nos conduzir a uma pátria de felicidade que somente Ele pode nos alcançar (conceder).

Viver é, portanto, uma grande passagem, ou ainda, uma grande travessia, que se iniciou no ventre de uma mãe, e desabrocha no horizonte da eternidade, o céu, e deste modo, somente reconhecendo Deus, reconhecemo-nos, de fato, a nós mesmos, e nossa vida fica plena de sentido e destino. Amém.

 

PS: Fonte – Comentário do Missal Cotidiano sobre a passagem do Livro de Gênesis (Gn 4,32-40) – Editora Paulus – p.1123

O amor é forte como a morte!

                                                              

O amor é forte como a morte!

                            Morte: De quem? Quando? Onde?
                            Morte: O que dizer? Como compreendê-la?

O Bispo Balduíno de Cantuária (séc. XII), em seu Tratado, nos enriquece e nos fortalece sobre o mistério da morte na perscpetiva da fé no Cristo Ressuscitado.

“Forte é o amor, que tem poder para privar-nos do dom da vida. Forte é o amor que tem poder para restituir-nos o gozo de uma vida melhor.

Forte é a morte, poderosa para despojar-nos do revestimento deste corpo. Forte é o amor, poderoso para roubar os despojos da morte e no-los entregar de novo.

Forte é a morte; a ela o homem não pode resistir. Forte é o amor que pode vencê-la, embotar-lhe o aguilhão, travar-lhe o ímpeto, quebrantar-lhe a vitória. Assim será quando for insultada e ouvir: Onde está, ó morte teu aguilhão? Onde está, ó morte, a tua vitória? (cf. Os 13,14 e 1 Cor 15,55).

O amor é forte como a morte (cf. Ct 8,6), porque é a morte da morte o amor de Cristo. Por isto diz: Eu serei tua morte, ó morte; serei tua mordedura, ó inferno (cf. Os 13,14). Também o amor com que amamos a Cristo é forte como a morte, é uma espécie de morte pela extinção da vida antiga, a destruição dos vícios e a rejeição das obras mortas.

Este nosso amor para com Cristo é uma espécie de intercâmbio, embora o Seu amor por nós seja incomparável e o nosso, uma semelhança à Sua imagem.  Pois ele nos amou primeiro (cf 1 Jo 4,10) e pelo exemplo de amor que nos propôs, fez-se para nós um sinete que nos torna conforme à sua imagem; Depusemos a imagem terrena e nos revestimos da celeste; da forma como somos amados, assim amamos. Nisto deixou-nos o exemplo para que sigamos suas pegadas (cf 1 Pd 2,21).

Por isso Ele diz: Põe-Me como um selo sobre teu coração (cf. Ct 8,6). Como se dissesse: “Ama-Me como Eu te amo. Conserva-Me em tua mente e em tua memória; em tua vontade, em teu suspiro; no gemido e no soluço.
Lembra-te homem, de que forma te fiz, quando te pus acima das outras criaturas, com que dignidade te enobreci; como te coroei de glória e de honra; coloquei-te pouco abaixo dos anjos; como tudo submeti aos teus pés. Lembra-te não apenas de quanto fiz por ti, mas quantas crueldades e afrontas por ti suportei. 
Reconhece que ages mal contra Mim quando não Me amas. Quem assim te ama, senão Eu? Quem te criou senão Eu? Quem te remiu senão Eu?

Arranca de mim, Senhor, o coração de pedra. Tira o coração de pedra, tira o coração incircunciso; dá-me um coração novo, coração de carne, coração puro! Tu, purificador dos corações e amante dos corações puros, apossa-Te do meu coração e nele habita, envolvendo-o e enchendo-o. Tu, superior ao que tenho de mais alto, interior ao que tenho de mais íntimo! Tu, forma da beleza e selo da santidade, marca meu coração com Tua imagem. Sela meu coração sob Tua misericórdia. Deus de meu coração e meu quinhão.  Deus para sempre (cf. Sl 72,26). Amém”.

Quando a morte abruptamente invade nossa casa, com a morte de alguém de nossa família, ou mesmo amigos, são arruinados nossos sonhos, desmorona projetos; nossas forças e seguranças são roubadas e nossos afetos feridos.

Morte: Turbulência, virulência, violência, se não contemplada pela fé, demência, carência, falências múltiplas...

Ó Morte! 
Com quem e como vencê-la?

Colocando-se como criatura, em atitude de súplica, diante do Criador. Como criaturas frágeis e limitadas que somos, precisamos acolher silenciosamente os mistérios da vida e da morte, mergulhando com toda a confiança no mistério de Seu amor e redenção.

Diante do mistério da morte uma palavra é indispensável:

Cristo Ressuscitou!
N’Ele a morte da morte.
N’Ele a morte de nossa morte.
N’Ele a possibilidade do rompimento 
da barreira última de nossa história.

Crendo no Ressuscitado e na vida eterna, 
a morte será o início de outra vida 
que não conhecerá epílogo, 
pois o amor é eterno.
N’Ele e com Ele, 
nos tornamos eternos.

Creio, Senhor, mas aumentai a minha fé, Te suplico!

(1) Liturgia das Horas - Volume IV Tempo Comum - pág. 59-60

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