quarta-feira, 24 de junho de 2026

João Batista nos apresentou o Cordeiro de Deus (São João Batista)

                                                           

João Batista nos apresentou o Cordeiro de Deus

“Melhor é calar-se e ser do que falar e não ser.
Coisa boa é ensinar, se quem diz o pratica.”

Celebramos, no dia 24 de junho, o nascimento de João Batista, que se inseriu numa memorável página da história da Salvação.

Já no Antigo Testamento (Is 49,3.5-6), o Profeta Isaías anunciou a ação divina, com o segundo cântico do Servo Sofredor.

Deus faria deste Servo a luz das nações,  a Salvação oferecida a toda a humanidade.

A Tradição cristã viu sempre nesta página o anúncio profético do Messias, que veio ao mundo como luz e Salvação para a Humanidade.

Deste modo, na passagem do Evangelho de João (Jo 1,29-34), vemos a presença de João Batista que nos apresenta Jesus, o Cordeiro de Deus que tira o pecado mundo.

João batizou Jesus, não porque este fosse pecador, mas para santificar a água na qual todos seríamos batizados. João viu e dá  testemunho sobre Jesus:  Ele, João, viu, no dia do Batismo, descer do céu sobre Jesus o Espírito como uma pomba. É Jesus, batizado por João, o Messias esperado, o enviado de Deus para com o Batismo no Espírito comunicar Luz e Salvação para toda a humanidade:

- “Hoje a Palavra de Deus qualifica João como o ‘apresentador do Messias.

Estamos habituados a assistir às entrevistas na televisão, em que o apresentador se serve de personagens famosas para ganhar audiência: os outros são para ele um pretexto para aumentar sua popularidade.

João, não! Não se serve de Jesus para aumentar a sua fama, ao invés convida os seus discípulos a seguirem Jesus” (1)

A propósito, João dirá em outra passagem: “É necessário que Ele cresça e eu diminua” (Jo 3,30).

Imitemos João, a fim de que nossa vida corresponda ao que anunciamos, com o testemunho permanente e incansável, até que um dia possamos contemplar a face d’Aquele que nos foi apresentado, e também ao mundo apresentamos, na glória da eternidade, lembrando Santo Inácio de Antioquia (séc I):

Melhor é calar-se e ser do que falar e não ser. Coisa boa é ensinar, se quem diz o pratica. Pois só um é o Mestre que disse e tudo foi feito, mas também, tudo quanto Ele fez em silêncio é digno do Pai”.

Renovemos a alegria da graça do Batismo, e também de sermos no mundo sinal da Luz que é o Cristo Senhor, anunciando e testemunhando Sua Palavra em todos os setores da vida e por todos os meios, vivendo em constante atitude de amor, diálogo, comunhão e serviço.

(1)  Lecionário Comentado – Editora Paulus – p.62 
PS: Oportuna para o dia 03 de janeiro quando se proclama a passagem do Evangelho (Jo 1,29-34)

Em poucas palavras... (São João Batista)

                                                      


A missão de João e a nossa

“João é filho de Zacarias, mudo, e de Isabel, a estéril; seu nascimento anuncia a chegada dos tempos messiânicos, nos quais a esterilidade se tornará fecundidade e o mutismo, exuberância profética...(1)

...Ter consciência da própria missão na vida é sinal de sabedoria” (2)

 

(1)         Missal Cotidiano – Editora Paulus – p. 1659

(2)         Idem- p. 1666

 

Em poucas palavras... (São João Batista)

                                                              


Precisa-se de profetas-precursores

“A Igreja e o mundo continuam a precisar de profetas-precursores semelhantes a João Batista.

Conscientes da missão, mas com humildade exemplar, nada fazem ou dizem que possa atrair sobre si os olhares que eles pretendem orientar para Aquele diante de quem eles próprio querem desaparecer.

É no momento em que a sua voz se faz ouvir, sem agressividade ou arrogância, que se abre o caminho do Senhor” (1)

 

(1)             Missal Quotidiano, Dominical e Ferial - Editora Paulus - Lisboa - pág.69

Em poucas palavras... (São João Batista)

                                                            


“Ó Deus, que suscitastes São João Batista ...”

“Ó Deus, que suscitastes são João Batista a fim de preparar para o Senhor um povo perfeito, concedei à vossa Igreja as alegrias espirituais e dirigi nossos passos no caminho da salvação e da paz. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo.” (1)

 

(1)Oração do dia da Missa da Natividade de São João Batista

 

“João Batista: a voz no tempo...” (São João Batista)

                                                           

“João Batista: a voz no tempo...”

A Igreja celebra no dia 24 de junho a Festa do nascimento do último Profeta, uma voz que clamou no deserto.

É um acontecimento tão importante, que é o único Santo que a Igreja celebra o nascimento, uma vez que normalmente só é celebrada sua morte.

Voltar à reflexão do Bispo Santo Agostinho (ver post anterior) nesta Festa é inevitável, pois cada vez que a retomamos algo novo Deus faz renascer em nosso coração, nossa vida é iluminada, tamanha a sabedoria de suas palavras.

Deleitemo-nos com o paralelo que ele faz entre o nascimento do precursor e o nascimento do Salvador:

“João é a voz no tempo; Cristo é, desde o princípio, a Palavra eterna!”

Reflitamos:

- João, a voz no tempo, e nós?
- Qual a comunicação que fazemos do Verbo?

- Qual o testemunho profético que damos?
- Que história escrevemos?

- Por que e para que existimos?
- Que caminhos haveremos de preparar para que o Senhor possa vir glorioso, uma vez que já veio no tempo?

Tenhamos a graça de crescer 
em maior ardor e amor Verbo, 
na acolhida ao Espírito 
para maior temor do Deus Amor...  
Ó tão amável Trindade! Amém.

“João Batista, a voz no tempo; Cristo, a Palavra Eterna” (São João Batista)

                                                                  

 “João Batista, a voz no tempo; Cristo, a Palavra Eterna”

Tenhamos, em todo tempo, a palavra certa na hora certa,
iluminados pela Palavra Eterna.

Para bem celebramos a natividade de São João Batista, acolhamos o Sermão do Bispo Santo Agostinho (séc. V).

“A Igreja celebra o nascimento de João como um acontecimento sagrado. Dentre os nossos antepassados, não há nenhum cujo nascimento seja celebrado solenemente.

Celebramos o de João, celebramos também o de Cristo: tal fato tem, sem dúvida, uma explicação. E se não a soubermos dar tão bem, como exige a importância desta solenidade, pelo menos meditemos nela mais frutuosa e profundamente.

João nasce de uma anciã estéril; Cristo nasce de uma jovem virgem. O pai de João não acredita que ele possa nascer e fica mudo; Maria acredita, e Cristo é concebido pela fé.

Eis o assunto que quisemos meditar e prometemos tratar. E se não formos capazes de perscrutar toda a profundeza de tão grande Mistério, por falta de aptidão ou de tempo, Aquele que fala dentro de vós, mesmo em nossa ausência, vos ensinará melhor.

N’Ele pensais com amor filial, a Ele recebestes no coração, d’Ele vos tornastes templos. João apareceu, pois, como ponto de encontro entre os dois Testamentos, o antigo e o novo.

O próprio Senhor o chama de limite quando diz: A Lei e os Profetas até João Batista (Lc 16,16). Ele representa o antigo e anuncia o novo. Porque representa o Antigo Testamento, nasce de pais idosos; porque anuncia o Novo Testamento, é declarado Profeta ainda estando nas entranhas da mãe.

Na verdade, antes mesmo de nascer, exultou de alegria no ventre materno, à chegada de Maria. Antes de nascer, já é designado; revela-se de quem seria o precursor, antes de ser visto por Ele.

Tudo isto são coisas divinas, que ultrapassam a limitação humana. Por fim, nasce. Recebe o nome e solta-se a língua do pai.

Relacionemos o acontecido com o simbolismo de todos estes fatos. Zacarias emudece e perde a voz até o nascimento de João, o precursor do Senhor; só então recupera a voz.

Que significa o silêncio de Zacarias? Não seria o sentido da profecia que, antes da pregação de Cristo, estava, de certo modo, velado, oculto, fechado? Mas com a vinda d’Aquele a quem elas se referiam, tudo se abre e torna-se claro.

O fato de Zacarias recuperar a voz no nascimento de João tem o mesmo significado que o rasgar-se o véu do templo, quando Cristo morreu na Cruz.

Se João se anunciasse a si mesmo, Zacarias não abriria a boca. Solta-se a língua, porque nasce aquele que é a voz. Com efeito, quando João já anunciava o Senhor, perguntaram-lhe:
Quem és tu? (Jo 1,19).

E ele respondeu: Eu sou a voz do que clama no deserto (Jo 1,23). João é a voz; o Senhor, porém, no princípio era a Palavra (Jo 1,1). João é a voz no tempo; Cristo é, desde o princípio, a Palavra eterna.”

João Batista tem o mérito de ser celebrado, tanto seu nascimento como seu martírio.

João foi uma voz no tempo. O tempo continua, e a missão de João, é agora a nossa missão: ser uma voz profética, acompanhada de ações, com postura ética cristã, num mundo que, muitas vezes, veladamente ou não, coloca-se com toda resistência à Palavra de Deus, ou mesmo a ignora, relativizando verdades que são irrenunciáveis.

Precisamos de pessoas como João Batista, que comuniquem ao mundo a Misericórdia de Deus, o apelo de conversão, a coerência, a prática da justiça, para que construamos um mundo novo, fortalecendo a relações fraternas.

Continuemos a missão de João Batista, preparando a vinda d’Aquele que veio, vem e virá, e conosco quer contar.

Ontem, João Batista precursor o foi. Hoje, somos continuadores de sua missão: anunciar o Sol Nascente, que é Jesus Cristo.

Bem cantou Zacarias em "Benedictus" - Cântico Evangélico:

"Bendito seja o Senhor Deus de Israel, que a Seu povo visitou e libertou e fez surgir um poderoso Salvador na casa de Davi, Seu servidor, como falara pela boca de Seus Santos, os Profetas desde os tempos mais antigos...

Serás Profeta do Altíssimo, ó menino, pois irás andando à frente do Senhor para aplainar e preparar os Seus caminhos, anunciando ao Seu povo a salvação, que está na remissão de seus pecados, pelo amor do coração de nosso Deus, Sol

nascente que nos veio visitar, lá do alto como luz resplandecente, a iluminar a quantos jazem entre as trevas e na sombra da morte estão sentados e no caminho da paz guiar nossos passos"

Comuniquemos a Palavra, a única em todo o tempo: a Palavra que Se fez Carne. Ele, João, e nós, vozes que comunicam a força da Palavra que existiu desde sempre. Amém.


A missão de João Batista ilumina nosso discipulado (São João Batista)

                                               


A missão de João Batista ilumina nosso discipulado


A passagem do Evangelho de Lucas (Lc 1,57-66) nos fala sobre o nascimento de João Batista, o maior de todos os profetas, nascido de uma mulher, como diria Jesus mais tarde (Mt 11,11).
 
O nascimento de João foi a marca da aurora de um novo dia, pois traz a promessa, recordação do que disseram os Profetas para a sua realização: João anuncia a iminente chegada do Messias.
 
Contemplamos o nascimento de João como um ato de misericórdia divina, como sugere seu nome – “O Senhor tem piedade”, pois Isabel o concebe em idade avançada, e mais, considerada estéril, como significa o seu nome (Deus é plenitude).
 
Seu pai, Zacarias, que era um sacerdote do templo, cujo nome pode ser traduzido por “O Senhor se lembrou”, ou ainda, “O Senhor recorda as Suas promessas”, é o símbolo do Povo de Israel, que durante muito tempo transmitiu, de pai para filho a lembrança das profecias da vinda do Messias:
 
Zacarias representa o verdadeiro Israel, o resto fiel que, refletindo as Escrituras e ‘recordando’ os oráculos dos Profetas, chegou a descobrir o verdadeiro rosto de Deus e pronunciou a única verdade que d’Ele se pode dizer: ‘Ele é só amor’”. (1)
 
Zacarias, que até então estivera mudo, quando do anúncio do anjo acerca do nascimento do menino, ao escrever o nome do filho no chão, como o anjo indicara, volta a falar.
 
Dá à criança um nome totalmente inesperado, significando que acabou o tempo das promessas, e chega o tempo em que se verá a realização da bondade divina, com a vinda do Messias, Jesus.
 
Com o nascimento de João, como vemos na passagem do Evangelho, contemplamos a ação do Espírito, que percorre novos caminhos que não são tão fáceis, por vezes, de serem compreendidos, mas quando acolhidos, acompanhados de silêncio, confiança e abertura de coração, são garantia de uma vida realizada e feliz.
 
O nascimento de João, portanto, é a manifestação da onipotência da bondade e misericórdia divinas, que não desiste da humanidade.
 
Ontem, hoje e sempre, Deus nos envia como discípulos missionários do Senhor, para edificar uma Igreja, verdadeiramente sinodal, em que todos somos chamados à comunhão, participação e missão.


 
(1) Lecionário Comentado – Editora Paulus – Vol. Advento – Natal – p.217
 

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