quinta-feira, 4 de junho de 2026

Eucaristia e caridade (Corpus Christi)

                                                      

Eucaristia e caridade

“Jesus Cristo: de rico que era, tornou-Se pobre por causa
de vós para que vos torneis ricos, por sua pobreza”
(2 Cor 8,9).

Assim nos falou Paulo na Segunda Carta aos Coríntios: “Jesus Cristo: de rico que era, tornou-Se pobre por causa de vós para que vos torneis ricos, por sua pobreza” (2 Cor 8,9).

Vejamos o que nos diz o Comentário do Missal Cotidiano, sobre a coleta e a solidariedade exortadas pelo Apóstolo à comunidade de Corinto que tinha tudo em abundância; fé, eloquência, ciência, zelo para tudo e a generosa expressão da caridade que receberam dele como exemplo.

“Das ‘coletas’ na Igreja às grandes campanhas de solidariedade para com as populações que sofrem fome, ou cataclismos, uma longa série de solicitações empenha nossa atenção.

A mão que oferece é um gesto, e todo gesto é um sinal. De quê? Um gesto ‘grande’ (quantitativamente) pode ter pequena motivação. E vice-versa” . (1)

A solidariedade é motivada a partir do próprio Cristo, o dom de Deus que Se encarna, Ele que não deu, mas “Deu-Se”, deste modo:

“Se dentro do nosso dom não estivermos nós próprios, mas apenas algo nosso, não estamos na linha de Cristo. A caridade é a mais alta forma do amor. Fazer de cada dom, mesmo pequeno, um gesto de amor é dar-lhe uma dimensão cristã.

A comunhão na caridade é o necessário complemento da comunhão eucarística. Claudel chama a hóstia 'branca moeda para a eternidade'. Eucaristia e caridade são as duas faces da mesma moeda”. (2)

A comunidade que professa a fé no Senhor deve expressar o amor que se concretiza na caridade e na solidariedade, efetivamente, através de seus trabalhos, pastorais e serviços, e tantos outros compromissos.

Celebrando a Eucaristia, também precisamos viver a comunhão na caridade, pois a “Fração do Pão” não pode se separar da “Comunhão Fraterna”, como nos ensina Lucas no Livro dos Atos dos Apóstolos (At 2,42-47).

Se verdadeiramente a Eucaristia for a “branca moeda para a eternidade”, jamais nos omitiremos diante da missão de construir um novo céu e uma nova terra, dando o melhor de nós em favor de nossos irmãos, de modo especial dos que mais precisam, na prática das obras de misericórdia corporais, e espirituais, e tão somente assim a Eucaristia e a caridade serão as faces de uma mesma moeda.


(1) (2) Missal Cotidiano, Editora Paulus – pág. 905 
Passagem bíblica: 2 Cor 8,1-9

“Ao Diviníssimo, doce e amado Sacramento” (Corpus Christi)

                                                            

“Ao Diviníssimo, doce e amado Sacramento”

Numa noite, sonhei que dava graças e louvores ao Santíssimo e Diviníssimo Sacramento, e uma Ministra Extraordinária da Eucaristia, que tinha de todos grande estima pela fidelidade, longevidade, piedade, como a profetisa Ana mencionada no Evangelho de Lucas, quando Maria e José apresentaram o Menino Jesus no tempo (Lc 2,22-40), assim respondeu:

“Ao Diviníssimo, doce e amado Sacramento”.

Mergulhemos na imensurável profundidade do amor de Deus, assim como experimentemos a ternura que encontramos em Seu coração dilatado para que nele coubéssemos, e nos sentíssemos sempre amados, amparados, protegidos, sobretudo nos momentos mais difíceis de nossa vida.

Diviníssimo é o Senhor, a quem rendemos toda honra, glória, poder e louvor, e absolutamente nada pode nos separar de Sua presença, que sentimos de modo tão sublime na Eucaristia, o Santíssimo Sacramento.

“Doce”, sim, verdadeira doçura que haveremos experimentar a cada instante de nossa vida, para que não fiquemos amargos, ácidos, com a perda do encantamento e enternecimento.

“Amado”, e ainda não o bastante que deveríamos amar, para corresponder ao Seu amor imensurável, que nos dá sempre esperança alargada no horizonte do inédito que Deus tem para nós.

“Amado”, porque encontrados antes que O procurássemos. Encontrados e desejados, porque antes por Ele desejados. Encontrados e amados, e muito antes por Ele, que veio ao nosso encontro e em nossa procura, simplesmente porque nos ama incondicionalmente.

“Ao Diviníssimo, doce e amado Sacramento”, silencio minha alma, refaço meus passos... Silencio e saboreio Sua dulcíssima presença, e do Seu Espírito, que torna cândida a minha alma, para maior fidelidade a Deus em sagrados compromissos com a vida plena e feliz.

Jesus: Verdadeira Comida, Verdadeira Bebida (Corpus Christi)

                                                                    

Jesus: Verdadeira Comida, Verdadeira Bebida

Santo Ambrósio (séc. IV), Bispo e Doutor da Igreja, enriquece-nos com um Comentário sobre o Salmo  118,18.26-29, apresentando-nos Cristo que bebeu nossas amarguras para nos dar a suavidade de Sua graça.

“’Sou pequeno e desprezível, porém não esqueço os teus decretos’. Disponho da excelsa participação dos Sacramentos celestiais. Agora me cabe a honra de participar da mesa celestial; meus banquetes já não os rega a água da chuva, não dependem dos produtos do campo, nem dos frutos das árvores.

Para minha bebida não necessito recorrer aos rios nem às fontes: Cristo é meu Alimento, Cristo é a minha Bebida; a carne de Deus é o meu Alimento, e o Sangue de Deus é a minha Bebida. Para saciar-me, já não estou dependendo da colheita anual, pois Cristo Se oferece a mim diariamente.

Já não terei que temer as intempéries do tempo ou a esterilidade do campo me diminua, enquanto persista em empenhada e piedosa devoção.

Já não desejo que desça sobre mim uma chuva de codornizes, que antes provocavam minha admiração; nem tampouco o maná, que antes preferia a todos os outros alimentos, pois os pais que comeram o maná continuaram tendo fome.

Meu Alimento é tal que se alguém o come não passará mais fome. Meu Alimento não engorda o corpo, mas fortalece o coração do homem.

Antes considerava maravilhoso o pão do céu, pois está escrito: ‘Deu-lhes para comer o pão do céu’. Porém, não era aquele o pão verdadeiro, mas sombra do futuro. O Pão do céu, o verdadeiro, o Pai o reservou para mim.

Do céu desceu para mim aquele Pão de Deus que dá vida ao mundo. Este é o Pão da vida: e aquele que come a vida não pode morrer. Pois como pode morrer quem se alimenta da vida?

Como irá desfalecer quem possui em si mesmo uma substância vital? Aproximai-vos d’Ele e saciai-vos, porque é Pão; aproximai-vos d’Ele e bebei, porque Ele é a fonte; aproximai-vos d’Ele e ficareis radiantes, porque Ele é luz; aproximai-vos d’Ele e sereis libertados, porque ‘onde está o Espírito do Senhor; aí há liberdade’; aproximai-vos d’Ele e sereis absolvidos, porque Ele é o perdão dos pecados.

Perguntais-me quem é este? Ouçam a Ele mesmo que diz: ‘Eu sou o Pão da Vida. Aquele que vem a mim não passará fome, e o que crê em mim não passará sede’. O ouvistes, o vistes e não crestes n''Ele: por isso estais mortos; crede ao menos agora, para que possais viver.
Do corpo de Deus brotou para mim uma fonte eterna; Cristo bebeu minhas amarguras para dar-me a suavidade de Sua graça.”. (1)

Como precisamos da suavidade da graça divina para renovar nossas forças e vencer as dificuldades, que se nos apresentam no combate da fé!

Somente Jesus, com Sua Palavra, também a nós oferecido no Pão da Eucaristia é que sacia nossa sede de amor, vida e paz; e somente Ele é capaz de nutrir as nossas forças, fortalecer o nosso coração, para que, movidos pela esperança que nos impele, vivenciemos a caridade da fé, uma frutuosa fé, em total docilidade e adesão ao Senhor.

Diante de relativismos e falsas promessas de felicidade, somente Ele tem Palavra de Vida Eterna, que não nos permite desviar do caminho do verdadeiro encontro que tanto ansiamos, da Verdade que nos liberta e nos leva ao encontro da plena alegria.

Somente Jesus é para todos nós, ontem, hoje e sempre, o Pão de Imortalidade que revigora o nosso caminhar, como irmãos e irmãs rumo ao encontro com o Pai, na comunhão com o Espírito, que nos assiste em todos os momentos. Amém.


(1) Lecionário Patrístico Dominical – Ed. Vozes - p.439-440.

Quando a Missa não termina... (Corpus Christi)

                                                        

Quando a Missa não termina...

Quando a Missa não termina...
Temos muito e muito mais para viver.

Assim rezamos na Oração depois da Comunhão:

Ó Deus, que nos alimentastes com este Pão que nutre a fé, incentiva a esperança e fortalece a caridade, dai-nos desejar o Cristo, Pão vivo e verdadeiro, e viver de toda a Palavra que sai de Vossa boca. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.”

Com a Igreja, elevamos aos céus uma Oração que precisa ser retomada para aprofundamento, meditando sobre ela silenciosamente diante do Sacrário, ou no silêncio do sacrário de nosso coração.

Rezá-la para que a Força da Divina Eucaristia, que a nós vem pelo Espírito nela consagrada, nos revigore na vivência das virtudes teologais.

Saboreá-la porque são preciosas delícias que a Igreja nos oferece nas Missas, e que muito mais precisariam ser ouvidas, entendidas, valorizadas.

Divulgá-la a quantos possamos, sobretudo para aqueles com quem convivemos, nos relacionamos e a quem devemos oferecer sempre algo de bom, ou muito mais, algo de muito melhor.

Vivê-la na longa travessia do deserto que haveremos de passar, sob a condução do Santo Espírito.

Crer nela, crer na eficácia e força da Palavra que rezamos, para que encarnada seja nossa mais bela resposta para vencer as tentações de Satanás, como aprendizes que somos do Divino Mestre que venceu o tentador.

Orando e prolongando a Eucaristia que celebramos:

Nutramos nossa fé, pois a sua vitalidade é garantia de maravilhas multiplicadas; resultados mais belos desejados e alcançados; certeza da superação dos obstáculos que se reproduzem no caminho...

Incentivada seja nossa esperança para que não nos percamos no caminho ou em pequenos e ínfimos horizontes da mediocridade e do egoísmo, da não percepção do outro, porque se anestesiados espiritualmente, perdemos o mais belo olhar do amor e compaixão.

Caridade fortalecida, o amor não será mera palavra, mas uma vida solidária, que se consome em incontáveis gestos, por vezes silenciosos, sem a pretensão do reconhecimento e tão pouco de regar a vaidade. Amar por amar, tão apenas e simplesmente.

Quando a Missa não termina...
Temos muito para rezar, para escrever...
Temos muito e muito mais para viver.
Amém! 

Oro ao Pai... (Corpus Christi)

                                            


 

Oro ao Pai...


Oro ao Pai, por Cristo, no Espírito, como nos ensina a Igreja,
Confiante na onipotência da misericórdia divina,
Para que não desistas de teus sonhos e sigas em frente.
 
Oro ao Pai, por Cristo, no Espírito,
Para que tuas “asas” por vezes feridas, pelas decepções,
Sejam curadas para os voos da persistência.
 
Oro ao Pai, por Cristo, no Espírito,
para que sejas persistente nos santos esforços,
na edificação e santificação de tua família.
 
Oro ao Pai, por Cristo, no Espírito,
Para que quando as portas parecerem para sempre fechadas,
Encontres janelas, onde raios da esperança divina entrem.
 
Oro ao Pai, por Cristo, no Espírito,
Para que teu agir seja conduzido pelas virtudes cardeais:
prudência, justiça, fortaleza e temperança.
 
Oro ao Pai, por Cristo, no Espírito,
Para que em teu coração, como um espaço do jardim do Criador,
Fecundem as sementes das virtudes divinas: fé, esperança e caridade.
 
Oro ao Pai, por Cristo, no Espírito,
Para que a luz do Senhor ilumine teus caminhos,
A Eucaristia, Divino Alimento, Pão para o peregrinar. Amém.
 

Sementes a cuidar, Frutos a colher (Corpus Christi)

                                                   

Sementes a cuidar, Frutos a colher

Em cada Eucaristia que celebramos,
O melhor de Deus Ele nos oferece.
No Sacrifício Redentor de Seu Filho,
Sacia-nos com Seu Corpo, n’Ele o Espírito.

Em cada Eucaristia que celebramos,
Sabedoria e esplendor da luz divina.
Do alto dos céus, que nos orienta e ilumina,
Para que no caminho não tropecemos.

Em cada Eucaristia que celebramos,
No coração, sementes são lançadas,
De cultivo e carinho tão necessitadas,
Regadas com a vigilância e oração. Amém.

Eucaristia e comunhão fraterna (Corpus Christi)

                                                             

Eucaristia e comunhão fraterna

Reflitamos sobre a passagem da Primeira Carta do Apóstolo Paulo aos Coríntios (1Cor 10,1-6.10-12), que muito  nos ilumina sobre a nossa participação na Eucaristia.

Uma autêntica participação na Eucaristia, exclui qualquer possibilidade de prática idolátrica.

O Apóstolo, portanto,  adverte aqueles que na comunidade que se julgarem fortes e iluminados, para que se tornem disponíveis para o serviço e, sobretudo, o amor incondicional para com os fracos e os menos iluminados.

É preciso esforços contínuos para a transformação radical da existência, recentrando a nossa vida nos valores divinos, com total adesão à vontade de Deus, sem jamais cair na prática idolátrica que nos afastaria da comunhão com Deus, escandalizando os pequeninos.

Reflitamos:

  -   Quando apenas parecemos cristãos e não o somos de fato?

  -   O que somos capazes de sacrificar por amor aos pequeninos preferidos de Deus, para não os fragilizar e escandalizá-los?

  -   O que significa a celebração dos Sacramentos em nossa vida, sobretudo o Sacramento da Eucaristia?

  -   Quais são as possíveis marcas de coerência e incoerência na vida cristã?

Partícipes da Eucaristia, jamais deixemos de multiplicar esforços para uma vida marcada pela coerência e comunhão com Deus, no que consiste o essencial da vida cristã.

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