terça-feira, 28 de abril de 2026
Quando o Coração de Jesus foi trespassado
Conduzidos pela voz do Bom Pastor
Conduzidos pela voz do Bom Pastor
“Eu e o Pai somos um” (Jo 10,30)
Na terça-feira da 4ª Semana do Tempo Pascal, ouvimos a passagem do Evangelho de João (Jo 10,22-30).
No inverno, por ocasião da festa da Dedicação do Templo, ao passear por ele, no pórtico de Salomão, Jesus foi interrogado pelos judeus sobre quem Ele seria: “Até quando nos deixarás em dúvida? Se Tu és o Messias, dize-nos abertamente” (Jo 10,24).
Com a reposta de Jesus, vemos que o seu conhecimento não se dará por esclarecimentos racionais por mais lógicos que o sejam, ou discursos bem elaborados, mas a partir da fé n’Ele.
Esta fé é dom de Deus para reconhecê-Lo, e ao Seu rebanho pertencer.
Deste modo, aqueles que ao rebanho de Jesus pertencem, sabem que as obras que Ele faz são feitas em nome do Pai e d’Ele dão testemunho: “As minhas ovelhas escutam a minha voz, Eu as conheço e elas me seguem” (Jo 10,27).
A estas ovelhas pelo Pai a Jesus concedidas, Ele concede a vida eterna, de modo que jamais se perderão, porque, como o próprio Jesus diz: “Eu e o Pai somos um”.
Vivendo o Tempo Pascal, renovemos a nossa fé em Jesus Cristo Ressuscitado, que está em nosso meio, conduzindo-nos para verdes prados e águas cristalinas, pois Ele é nosso Bom Pastor.
A Ele busquemos de coração sincero, e com Ele, em diálogo permanente, na sua mais bela expressão, a oração, solidifiquemos nossa comunhão, para vivermos a graça do discipulado como ovelhas de Seu rebanho, atentos à Sua voz que nos fala os segredos do Reino e do amor do Pai, por meio do Seu Espírito.
Concluímos com as palavras de Anselmo, Bispo e Doutor da Igreja (séc. XII):
“Ensinai-me a Vos procurar e mostrai-Vos quando Vos procuro; não posso procurar-Vos se não me ensinais, nem encontrar-Vos se não Vos mostrais. Que desejando eu Vos procure, procurando Vos deseje, amando Vos encontre, encontrando Vos ame”.
O Mistério da Trindade na vida do Presbítero
O Mistério da Trindade na vida do Presbítero
Mistério, algo intransponível e inesgotável para a razão humana, e assim definiu Santo Agostinho:
“Deus é um Mistério tão grande, que uma vez encontrado, ainda falta tudo para encontrá-Lo”.
Santíssima Trindade: assim como quanto mais profundo for o mergulho na imensidão das águas do mar, maior será a descoberta e o encantamento.
Do mesmo modo, o nosso mergulho nas delícias imensuráveis do Mistério da Trindade Santa, alcançaremos maior encantamento diante deste amor que nos envolve e dá sentido à nossa vida.
Também o ministério presbiteral encontrará sua realização numa profunda e intensa relação com a Trindade: Três Pessoas, um só Deus; comunhão profunda de amor, solidariedade, alegria, ternura.
Na Pessoa de Deus Pai, o presbítero descobre o mistério de um Deus que Se revela Misericordioso, Criador, ternura e bondade; que Se dá a conhecer nas relações de fraternidade e verdade.
Deus Pai nunca será um Deus distante, será mais íntimo a nós do que nós mesmos, de modo que, esta intimidade com Deus leva o presbítero a ser o homem da comunhão, do amor à vida, por tudo que foi criado, de modo especial contempla a presença de Deus em cada criatura criada por Deus a Sua imagem e semelhança.
Na Pessoa de Deus Filho, relaciona-se com Jesus Cristo: Verdadeiramente Homem, verdadeiramente Deus, e assim, possibilita que venha a viver Sua humanidade, redimida e acolhida no mistério de Seu amor por todos nós.
Quem bem definiu esta humanidade/divindade de Jesus foi o Bispo São Pedro Crisólogo (séc. V):
“Talvez vos perturbe a enormidade de meus sofrimentos por vós. Não tenhais medo. Estes cravos não Me provocam dor, mas cravam mais profundamente em mim o amor por vós.
Estas Chagas não me fazem soltar gemidos, mas vos introduzem ainda mais intimamente em Meu coração. O meu corpo, ao ser estirado na Cruz, não aumenta o meu sofrimento, mas dilata espaços do coração para vos acolher. Meu Sangue não é uma perda para mim, mas é o preço do vosso resgate”.
Na Pessoa de Deus Espírito, tem a certeza de não estar só. No mistério de Deus Espírito, sente o coração plenificado pelo amor; a mente iluminada pela luz do Espírito, e em sua boca as próprias palavras que Ele prometeu colocar em nossa boca; além de empunhar a espada do Espírito.
Com o Espírito Santo, Deus Se faz presente em sua vida; o Evangelho uma letra viva; A Igreja espaço da comunhão.
A ação do Espírito é a demonstração do serviço incansável de dedicação ao povo que lhe foi confiado. Sua missão é revestida da grandeza confiada por Jesus.
As inúmeras Missas e Celebrações são sinais vivos e eficazes da presença terna de Deus, levando-o, e a toda a comunidade, à realização de ações incontáveis que revelam e testemunham a glória de Deus.
Concluindo, quanto mais o presbítero mergulhar no Amor Trinitário, mais feliz será seu ministério, possibilitando ao rebanho descobrir e participar desta mesma alegria.
PS: O leitor (a) poderá reler o texto trocando a palavra “Presbítero” por “Cristão”, pois esta reflexão se aplica a todos os batizados.
Deus misericordioso tem fome e sede de nossa conversão
Deus misericordioso tem fome e sede de nossa conversão
Sejamos enriquecidos pelo sermão do bispo e doutor da Igreja, São Pedro Crisólogo (séc. V):
“Acusa-se a Deus de inclinar-Se para o homem, de colocar-Se junto ao pecador, de ter fome de sua conversão e sede de seu retorno, de tomar o alimento da misericórdia e o cálice da benevolência.
Porém Cristo, irmãos, veio a esta ceia: a Vida veio ao seio destes convidados para que, condenados à morte, vivam com a Vida; a Ressurreição inclinou-Se para que aqueles que jaziam se levantassem de suas tumbas; a Bondade abaixou-Se para elevar aos pecadores até o perdão; Deus veio ao homem para que o homem chegue a Deus; o Juiz veio para o alimento dos culpáveis para subtrair a humanidade da sentença de condenação; o Médico veio à casa dos enfermos para restabelecê-los comendo com eles; o Bom Pastor encurvou-Se para carregar a ovelha perdida até o redil da salvação.
Por que o seu mestre come com os publicanos e pecadores? Porém quem é o pecador, a não ser aquele que recusa considerar-se como tal? Não é isto afundar em seu pecado, e verdadeiramente identificar-se com ele, ao deixar de se reconhecer pecador? E quem é injusto, senão o que se estima justo?...
Enquanto vivemos neste corpo mortal, a fragilidade domina; mesmo que triunfemos sobre os pecados de obra, não podemos vencer os de pensamento nem evitar toda injustiça; e se temos a força de escapar materialmente, e se somos capazes de vencer toda falta inconsciente, como poderemos suprimir as faltas de negligência e os pecados da ignorância...
Confessa teu pecado e poderás vir à mesa de Cristo; Cristo se fará por ti Pão, esse Pão que se partirá para o perdão de teus pecados. Cristo Se fará por ti Cálice, esse Cálice que se derramará para a remissão de tuas culpas.
Vamos, ... participa da refeição dos pecadores e Cristo participará da tua; reconhece-te pecador, e Cristo comerá contigo: entra com os pecadores no festim de teu Senhor e poderás não voltar a ser pecador; entra com o perdão de Cristo na casa da Misericórdia, não seja que com tua própria justiça sejas excluído desta morada.
Vamos, reconhece a Cristo, escuta a Cristo, Sim, escuta o teu Senhor, escuta ao médico do alto, aquele que refuta sem apelação tuas acusações falsas. Os que têm boa saúde não necessitam de médico, mas aqueles que estão enfermos. Se queres ser curado, reconhece tua enfermidade...
Não veio chamar os justos, mas aos pecadores. Sim, irmãos, sejamos pecadores em nossa confissão para não sermos pecadores graças ao perdão de Cristo.” (1)
Este sermão nos convida a reconhecer nossa condição pecadora, e a nos colocarmos em atitude de penitência, com a necessária confissão de nossos pecados, para que sejamos acolhidos, envolvidos e perdoados pela misericórdia divina.
Concluindo, urge trabalhar pelo nosso aperfeiçoamento espiritual, como nos exorta o Apóstolo Paulo na Carta aos Coríntios:
“Irmãos: Alegrai-vos, trabalhai no vosso aperfeiçoamento, encorajai-vos, cultivai a concórdia, vivei em paz, e o Deus do amor e da paz estará convosco. Saudai-vos uns aos outros com o beijo santo. Todos os santos vos saúdam. A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo estejam com todos vós.” (1 Cor 13,11-13).
(1) Lecionário Patrístico Dominical – Editora Vozes – 2013 – pp.152-153
segunda-feira, 27 de abril de 2026
Lembra-te, catequista
Lembra-te, catequista
“Irmãos, se, pois, com tua boca confessares Jesus como Senhor e, no teu coração, creres que Deus O ressuscitou dos mortos, serás salvo” (Rm 10,9)
Catequista, lembra-te sempre: creia no coração e professa com os lábios e com tua vida:
- Tens a missão de anunciar em comunhão com os ensinamentos da Igreja que “Cristo morreu pelos nossos pecados, segundo as Escrituras, foi sepultado, ao terceiro dia, foi ressuscitado, segundo as Escrituras; e apareceu a Cefas e, depois aos doze” (1Cor 15,3-5);
- Professa a fé no Mistério da Páscoa, o coração da fé da Igreja, pois como nos falou o Apóstolo Paulo – “Se Cristo não ressuscitou, vã é a nossa pregação, e vã nossa fé” (1 Cor 15,14);
- Viva a comunhão com Jesus Cristo, morto e ressuscitado, vivo e sempre presente, finalidade última de toda a ação eclesial, e, portanto, da catequese, sendo assim, de todo/a catequista.
Catequista, lembra-te sempre: creia no coração e professa com os lábios e com tua vida:
- Que és mensageiro de esperança que brota da fé na Ressurreição do Senhor, pois “se é só para esta vida que pusemos a nossa esperança em Cristo, somos dentre todos os homens, os mais dignos de compaixão”, como também nos falou o Apóstolo Paulo, Doutor das Nações (1 Cor 15,19);
- Que tendo feito o encontro dos encontros, com o Ressuscitado, és chamado a sair de si, indo ao encontro do outro, para comunicar a Sua Divina Presença que mudou a tua vida, dando a ela novo sentido, bem como alargou os seus horizontes, porque é próprio de quem ama, deleitar-se no encontro com o Amado, alegre e perseverante caminho de santificação;
- Que és um servo inútil, de modo que Ele cresça e nós desapareçamos, pois Ele, Jesus Cristo, é o Alfa e Ômega, a chave de toda a história, e acompanha toda pessoa, para que revele o indizível e imensurável amor de Deus que nos criou à Sua imagem e semelhança, nos redimiu pelo Sangue Redentor de Seu Filho, e derramou o Seu amor em nossos corações por meio do Espírito Santo (Rm 5,5).
Catequista, lembra-te sempre: creia no coração e professa com os lábios e com tua vida:
- Que “do lado do Senhor saiu Sangue e Água (Jo 19,34), e contempla sempre este significado místico e profundo: Água e Sangue, símbolos do Batismo e da Eucaristia;
- Que “foi destes Sacramentos que nasceu a santa Igreja, pelo banho da regeneração e pela renovação no Espírito Santo, isto é, pelo Batismo e pela Eucaristia que brotaram do lado de Cristo. Pois Cristo formou a Igreja de Seu lado trespassado, assim como do lado de Adão foi formada Eva, sua esposa” (1);
- E medita sempre no que falou, com propriedade, um santo da Igreja -“Talvez vos perturbe a enormidade de meus sofrimentos por vós. Não tenhais medo. Estes cravos não me provocam dor, mas cravam mais profundamente em mim o amor por vós. Estas Chagas não me fazem soltar gemidos, mas vos introduzem ainda mais intimamente em meu coração. O meu corpo, ao ser estirado na Cruz, não aumenta o meu sofrimento, mas dilata espaços do coração para vos acolher. Meu Sangue não é uma perda para mim, mas é o preço do vosso resgate” (2).
Catequista, lembra-te sempre: creia no coração e professa com os lábios e com tua vida:
- Que contas com o protagonista da Evangelização, o Paráclito, o Espírito Santo, e podes com Ele contar, pois “Branda e suave é a Sua aproximação; benigna e agradável é a Sua presença; levíssimo é o Seu jugo! A Sua chegada é precedida por esplêndidos raios de luz e ciência. Ele vem com o amor entranhado de um irmão mais velho: vem para salvar, curar, ensinar, aconselhar, fortalecer, consolar, iluminar a alma de quem o recebe, e, depois, por meio desse, a alma dos outros.” (3);
- Que és um arauto da Boa Nova de Jesus, e não és um pregador de si mesmo, tão pouco das ideias que passam, pois não duram mais que um amanhecer, e que murcham antes do entardecer, ou como as gotas do orvalho que secam pelos primeiros raios do sol, mas pregas a Palavra que não passa, Palavra de Vida Eterna, a nós comunicada pelo Sol Nascente que nos veio visitar, Jesus;
- Deves pautar o trabalho catequético, tendo nas mãos e na mente as orientações dos Diretórios, Diretrizes e sábios ensinamentos da Igreja, com sua longa e rica tradição, e assim jamais te perdes no labirinto dos pensamentos e sentimentos, e tão somente assim não deixas se perder alegria e paixão pela vida, encanto e ternura e ressignifica toda a existência própria e daqueles e daquelas a quem te foram confiados, catequizandos/as.
Catequista, lembra-te sempre: creia no coração e professa com os lábios e com tua vida:
- Que vivendo a graça do batismo, e como Igreja participas de sua alegre missão, contando com Maria, a Mãe do Senhor, que resplandece dócil à ação do Espírito Santo, porque soube escutar e acolher em si a Palavra de Deus, tornando-se a “Realização mais pura da fé” (4); catequista por excelência, exemplar e pedagoga da evangelização, modelo para a transmissão da fé;
- És eterno aprendiz de Maria, a mais perfeita dos discípulos do Senhor, por sua humildade, ternura, contemplação, carinho e cuidado com os outros, ao educar Seu Amado Filho Jesus, o Verbo feito Carne, em atitudes de fidelidade à justiça e obediência à vontade de Deus Pai, muitas vezes no recolhimento e silêncio no mais profundo de seu coração, em permanente atitude de oração.
Assim como Maria Santíssima, a Mãe da Igreja Sinodal, povo de Deus que caminha juntos, presidiu com a sua oração o início da evangelização, sob a ação do Espírito Santo, sabes que podes com ela contar, pois ela continua intercedendo em todo o tempo para que todas as pessoas encontrem a Cristo, por meio da fé n’Ele, a fim de que sejam salvas, recebendo em plenitude a vida dos filhos de Deus. Amém.
(1) São João Crisóstomo (séc. IV)
(2) São Pedro Crisólogo (séc. V)
(3) São Cirilo de Jerusalém (séc. IV)
(4) Catecismo da Igreja Católica parágrafo n.149
PS: Inspirado nos parágrafos 427-428 – do Diretório para a Catequese– Documento da Igreja – n.61







