segunda-feira, 27 de abril de 2026

Discípulos missionários do Bom Pastor

                                             


Discípulos missionários do Bom Pastor

Na quarta-feira da 20ª Semana do Tempo Comum (ano par), ouvimos a passagem do Livro da Profecia de Ezequiel (Ez 34,1-11).

Assim lemos no Comentário do Missal Cotidiano:

“Não fujamos da contestação. Os profetas falavam de reis, de chefes, de sacerdotes. Qualquer de nós que tiver função de guia deve examinar-se. É fácil demais (mesmo quando é dever) contestar os outros que falham; o difícil é contestar-se a si mesmo; descobrem-se escusas, atenuantes...

Isto nos deve ajudar a vê-las também nos outros, para endossar o mal, mas por equidade, para não sermos incompreensivos, injustos.

Por certo, devemos ter a coragem de contestar e criticar quem se aproveita da posição – civil, social, religiosa – para explorar, fazer favoritismo, faltando a deveres precisos, como olhar o bem comum, ser força para os fracos, sustento para os enfermos e infelizes, reconduzir os dispersos, buscar os que se afastaram...

Se certa juventude causa lástima hoje, que culpa não caberá aos que deviam ser guias sábios e bons? Olhemos para Jesus o bom pastor: ele é e deve ser nosso guia e modelo!” (1)

A crítica do Profeta aplica-se para todos que exerçam qualquer forma de liderança, sobretudo para nós e as lideranças de nossas comunidades, nas diversas pastorais e movimentos.

Devemos ter sempre como modelo Jesus, o Bom Pastor, para bem desempenhemos nossa missão, não como donos do rebanho, mas servidores do rebanho que nos foi confiado.

Importante que tenhamos coragem e abertura para avaliação e autocrítica, para correspondermos ao que Deus espera de nós, e edifiquemos uma Igreja sinodal, misericordiosa, missionária e servidora, na fidelidade a Jesus Cristo, o Bom Pastor, assistidos e conduzidos pelo Santo Espírito. Amém.

(1) Missal Cotidiano - Editora Paulus – p.1175


PS: Apropriado para o Domingo do Bom Pastor - IV Domingo da Páscoa

Seremos Sinais do Bom Pastor!

                                                          

Seremos Sinais do Bom Pastor!

Conflitos, abuso de autoridade, exercício arbitrário do poder...
Existências espezinhadas, vidas sacrificadas, cruelmente devoradas...


Contemplemos a figura do Bom Pastor – Cristo Jesus:
Vida pela vida doada, para que a dignidade humana fosse elevada.
Bom Pastor - Jesus: imagem por tantos, tão conhecida.
Contemplada em Sua profundidade inexaurível,
Levar-nos-á a questionamentos inevitáveis,
Imitando-O, a esperança de algo novo é possível.
          
Bispos e Padres serão sinais do Cristo Bom Pastor:
Quando colocarem suas mãos na Mão de Quem os consagrou.
Quando colocarem seus olhos em Quem os iluminou.
Quando colocarem seu coração no Coração que largamente os amou.
Quando tiverem pés cansados porque no caminho Deus os enviou.

Enamorados por Cristo: Homens da Palavra e do Pão.
Arautos da Páscoa: Morte – Ressurreição.
Ao clamor dos pequeninos procuram dar uma resposta,
Pois sabem que solidariedade vivida é caminho de salvação.

Quando carregarem no coração a Paixão pelo Reino,
Para carregarem a cruz com fidelidade e alegria.
Serão sinal para toda a comunidade, que jamais se decepciona.
Quem se nutre do Pão da Eucaristia e em Deus confia.

Agentes de Pastoral serão sinais do Cristo Bom Pastor:

Quando não deixarem o medo do coração tomar conta,
Se a chama do primeiro amor for renovada.
Coragem, confiança, alegria, esperança, fidelidade...
No mais profundo da alma, entranhadas...

Quando da Pastoral não se apropriarem.
Fizerem dela serviço humilde e silencioso,
A exemplo de Maria: serva alegre e disponível.
Fragilidade humana na mão do Todo Poderoso.

Pais e Mães serão sinais do Cristo Bom Pastor:
Quando na alegre acolhida, no diálogo e educação,
Ao lado de seus filhos com ternura se colocarem,
Assegurando crescimento em tamanho, graça e sabedoria,
Para além de todo resultado, sem jamais se cansarem...

Quando não adiarem a oração com seus filhos,
Palavra de Deus na mão, lida, meditada, partilhada...
Família na fé solidificada, espaço do aprendizado do amor;
Intimidade divina por todos vivenciada.

Autoridades e políticos serão sinais do Cristo Bom Pastor:
Quando fizerem da política melhor um gesto sublime de amor:
Promoção do bem comum será princípio de ação.
Vocacionados para a política à corrupção não se curvarão,
Pois não haverá espaço para mazelas, privilégios e corrupção.

Quando para além de credos religiosos e ideológicos,
Reconhecerem a dignidade humana em cada existência.
Quando ao elaborarem Leis e projetos, decretos e medidas,
Não sejam olvidadas a ética, justiça e coerência.

O “canto da sereia não nos seduzirá”
Seremos ovelhas do rebanho do Senhor.
Pois uma só voz em nossos ouvidos ressoará...

Para que sejamos sinais do Cristo Bom Pastor! 

Em poucas palavras...

                                         


                           “...O amor ignora as leis...”
 
“Deus, que o mundo não pode conter, como o olhar limitado do homem o abrangeria? Mas o que deve ser, o que é possível, não é a regra do amor.
 
O amor ignora as leis, não tem regra, desconhece medida. O amor não desiste perante o impossível, não desanima diante das dificuldades.” (1)

 

(1)São Pedro Crisólogo, Bispo - (séc V)

 

Ó Mãe do Bom Pastor

                                                   

 
Ó Mãe do Bom Pastor

Ó Mãe do Bom Pastor, mais uma vez venho a ti,
Porque sei que posso contar contigo em todos os momentos,
Abrir meu coração, gritar minhas dores, pranto, lamentos.
 
Ó Mãe do Bom Pastor, bem conheceste a dor de teu Amado Filho,
No cuidado de cada um, com carinho de um bom pastor,
E foste testemunha de tamanho cuidado do rebanho por amor.
 
Ó Mãe do Bom Pastor, ajuda-nos neste duro combate da fé,
Sedentos de amor e vida, da Água Viva do teu Filho tão somente,
Quando vemos a secura da alma no tempo sombrio presente.
 
Ó Mãe do Bom Pastor, tuas mãos prepararam pães do cotidiano,
Para saciar a fome do teu Amado Filho, para as forças refazer,
Acolhei-nos e tuas mãos estendei de amanhecer em amanhecer.
 
Ó Mãe do Bom Pastor, que seguiste os passos de teu Amado,
Não permitas que nos desviemos ou desistamos do Caminho,
Proteja nossos pés das dores das pedras e dos espinhos.
 
Ó Mãe do Bom Pastor, que te fizeste sempre presente
Na vida de Teu Amado Filho, como nas primeiras Eucaristias
Teu olhar nos acompanha, ó Amantíssima Mãe, Santa Maria. Amém.

O rosto do Deus Pastor

                                                           

O rosto do Deus Pastor

Contemplemos o rosto do Deus Pastor:

O caminho da vida é longo e repleto de insídias, assemelha-se, por vezes a um 'vale escuro'. Eis então que aparece um outro rosto de Deus, mais frequente e familiar aos homens do Antigo Testamento e da Bíblia, profundamente abrangente também para nós hoje:  é o rosto do Deus Pastor.

O Senhor guia-nos, assiste-nos no fatigante caminho da vida, conduz-nos para verdes prados, para águas refrescantes, reza o salmista/orante (Sl 23), exprimindo a sua firme confiança na atuação de Javé em seu favor”. (1)

Insídias, armadilhas, ciladas, ou dito de outra forma, nós a serem desatados, caminhos obscuros a serem percorridos, em meio às incertezas e inquietações próprias do existir, fazem parte do enredo da vida de cada um.

É no viver este enredo, no desfazer dos nós, enfrentando situações adversas e aparentemente intransponíveis que, com a graça de Deus e com o Amor do Deus Pastor, não sucumbimos nem entregamos os pontos.

Deus Bom Pastor nos ilumina com Sua Palavra, a Sagrada Escritura, e nos sacia e nos revigora com o Corpo e Sangue presentes na Eucaristia, real presença de Deus que Se faz Verdadeira Comida e Verdadeira Bebida.

Como é bom saber que Deus nos conduz para águas tranquilas, verdes pastagens, como tão bem expressou o Salmista, e com ele rezamos.

Da mesma fora, que a luz de Deus irradia mais forte, quanto mais escuro for o vale por que passamos.

Bem se diz que, no auge da noite, começa a brilhar a luz de um novo dia.

Que a Luz de Deus continue iluminando nossos caminhos, e continuemos experimentando a força da Palavra divina, que nos liberta de todas as amarras, ciladas e insídias.

Rezemos o Salmo 91, que nos coloca em total confiança em Deus, que jamais nos desampara, jamais deixa de voltar Seu Rosto de Amor para nós, porque estamos para sempre em Seu Coração.

É próprio do Amor de Deus carregar-nos em Seu Coração, Fornalha ardente de Amor. 

Que seja próprio também a cada um de nós sentir e corresponder a este amor, testemunhando ao mundo a força inovadora deste amor, revelando a verdadeira face de Deus Pastor, um Deus de Amor.


(1) Lecionário Comentado - Editora Paulus - Lisboa - Pág. 772.

Simplesmente creia...

                                                        

Simplesmente creia...
 “Eu sou o Bom Pastor,
as ovelhas conhecem minha voz!”

Creia, simplesmente creia!
Sou Teu Divino Pastor,
Te amo, te quero e te cuido.
Venha a mim com o Pai e o Espírito,
És para nós mais que precioso,

Creia, simplesmente creia!
Não te entregues, resista,
Conheço tuas fraquezas,
Conheço o meu rebanho...

Creia, simplesmente creia!
Escute minha voz,
Confie em minha Palavra
Experimente minha fortaleza,
Sou todo teu, Sou puro Amor.

Creia, simplesmente creia!
Conheço teus pensamentos,
Acompanhei tuas quedas,
Doem-me tuas feridas,
Quero curá-las!

Creia, simplesmente creia!
Sei das fraturas de tua alma,
Quero enfaixá-las!
Revigorar-te, fortalecer-te,
Reerguer-te, pôr-te a caminho.

Creia, simplesmente creia!
Nada pode me fazer desistir
De te amar e te curar,
Nada pode me fazer de ti esquecer,
Estás em meu coração,
Ofereço-te vida,
Alegria, paz e Salvação.

Creia, simplesmente creia!
Venha a mim com o Pai e o Espírito,
És para nós mais que precioso.

Presbítero: a fecundidade da fidelidade no Ministério Presbiteral

 


Presbítero: a fecundidade da fidelidade no Ministério Presbiteral

“Uma fidelidade que gera futuro”

A fecundidade do ministério presbiteral é diretamente proporcional à fidelidade vivida, garantia de um futuro fecundo.

Deste modo,  o presbítero viverá com zelo de Pastor a identidade presbiteral, para que seja sacerdote segundo o amor do Coração de Jesus.

A cada dia, será renovada a chama do primeiro amor do encontro pessoal com Cristo, que deu um novo horizonte e um rumo decisivo à sua vida; aquele memorável encontro que o Senhor o amou, escolheu, chamou e confiou a graça da vocação de discípulos Seu.

Nos passos do Bom Pastor, a Ele configurado, tem os passos firmados e cresce na familiaridade e íntima amizade com Ele, de tal modo que, é envolvida toda a sua pessoa, coração e inteligência, sem cansaço ou desânimo indesejáveis.

A fidelidade deve ser expressa no serviço, na fraternidade, na sinodalidade, na missão gera futuro:

- Fidelidade e serviço uma vida oferecida ao celebrar o Sacrifício de Cristo na Eucaristia; no anúncio da Palavra de Deus; na absolvição dos pecados; na generosa dedicação a serviço da comunhão e no necessário cuidado dos que mais sofrem e passam necessidades.

Conta com a sabedoria divina para viver o chamado ao ministério ordenado, como dom livre e gratuito de Deus, e sua vida é generosa resposta marcada pela graça, gratidão e gratuidade, envolvido pela divina ternura que sabe trabalhar com as fragilidades e limitações humanas.

Tão somente aberto ao sopro do Espírito, que conduz a Igreja, cuida da formação permanente, acompanhada da cotidiana conversão e vigilância, para que não caia na tentação do imobilismo ou o fechamento.

- Fidelidade à fraternidade - imprescindível o estabelecimento de vínculos de comunhão com os bispos e presbíteros, superando toda tentação de individualismo; de tal modo que a fraternidade presbiteral é elemento constitutivo do ministério pela Igreja confiado; jamais mergulhado na empobrecedora solidão ou reclusão em si mesmo.

A concórdia e harmonia na caridade será um hino a Jesus Cristo, na vida em comum, unidade irrepreensível, para que cada vez mais  inserido na fecunda comunhão de Amor da Vida Trinitária.

- Fidelidade e sinodalidade - aberto ao sopro do Espírito, que conduz e anima a Igreja, vive sadia e fecunda relação no cuidado das  comunidades, sem jamais concentrar tudo em suas mãos ou cair na tentação de trabalhar sozinho; e assim vive o ministério da síntese e não a síntese de todos os Ministérios na edificação de uma Igreja ministerial, sinodal, misericordiosa e missionária.

- Fidelidade e missão exala o odor do óleo que ungiu as suas mãos em alegre atitude de doação, serviço, com humildade e mansidão; vivendo a compaixão, proximidade e coerência, sem cair na tentação da eficiência expressa na preocupação com a quantidade de atividades e projetos realizados, ou em empobrecedor quietismo, fechado em si mesmo, assustado pelos contexto nos qual inserido.

Na graça da missão, o fogo da caridade pastoral garante o equilíbrio e a unificação da vida de todo presbítero na vida cotidiana, de tal modo que a missão alcança todas as dimensões da sociedade, em particular a cultura, a economia e a política, para que tudo seja recapitulado em Cristo (cf. Ef 1,10).

Na missão vivida com sabedoria, cuida da necessária harmonia entre a contemplação e a ação, afastando toda a tentação do individualismo e a celebração de si mesmo, em empobrecedora autorreferencialidade; e com João Batista, aprende a se fazer pequeno para que Ele, Jesus, cresça e seja conhecido e glorificado (cf. Jo 3,30).

Na necessária presença no mundo midiático, usa as redes sociais e todos seus instrumentos à disposição com discernimento e sabedoria, para ver o que de fato contribui para a sadia evangelização, lembrando as palavras do Apóstolo Paulo – “Tudo me é lítico! Sim, mas nem tudo convém.” (1 Cor 6,12).

- Fidelidade e futuro empenha-se na vivência do ministério, por um renovado Pentecostes vocacional dentro da Igreja, cuidando das pastorais e dentre elas a pastoral familiar e juvenil, sem jamais se esquecer que “não há futuro sem cuidar de todas as vocações!”.

Por fim, pode contar e confiar na intercessão da Virgem Imaculada, Mãe do Bom Conselho, e de São João Maria Vianey, padroeiro dos párocos, para que viva “um amor tão forte que dissipa as nuvens da rotina, do desânimo e da solidão: um amor total que nos é dado em plenitude na Eucaristia. Amor Eucarístico, amor sacerdotal.” Amém.

 

PS: Reflexão inspirada na Carta Apostólica “Uma fidelidade que gera futuro” – Papa Leão XIV -8/12/25 – Solenidade da Imaculada Conceição da Bem-Aventurada Virgem Maria.

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