segunda-feira, 27 de abril de 2026

Padres, sinais do Cristo Bom Pastor!

                                                        

           

Padres, sinais do Cristo Bom Pastor!
 
O Missal Dominical nos oferece uma reflexão sobre o Ministério Sacerdotal que nasce da Eucaristia, tornando-se um dom para a unidade:
 
“Dentro da comunidade, as relações recíprocas são avaliadas em nível de serviço e não de poder, e encontram sua mais perfeita expressão no momento da Ação Eucarística.
 
Quem ‘preside’ à comunidade e é por ela responsável, preside também à Eucaristia; reúne-a na Oração comum, como a une nas diversas atividades da palavra e do auxílio mútuo.
 
Para ser coerentes com seu Ministério Sacramental, o Bispo com os Sacerdotes (e os Diáconos) são os mais próximos do Cristo Servo na consagração total de suas forças e sua vida à atividade eclesial.
 
O Concilio Vaticano II exprime a relação dos vários aspectos do Ministério Sacerdotal com a celebração da Eucaristia:
 
‘Os Presbíteros... segundo a imagem de Cristo, sumo e eterno Sacerdote, são consagrados para pregar o Evangelho, apascentar os fiéis e celebrar o culto divino, de maneira que são verdadeiros Sacerdotes do Novo Testamento.
 
Participando, no grau próprio de seu Ministério, da função de Cristo Mediador único (cf. 1Tm 2,5), a todos anunciam a Palavra de Deus.
 
Eles exercem seu sagrado múnus principalmente no Culto Eucarístico ou sintaxe, na qual, agindo na pessoa de Cristo e proclamando Seu Mistério, eles unem os votos dos fiéis ao Sacrifício de sua Cabeça e, até a volta do Senhor, apresentam e aplicam no Sacrifício da Missa o único Sacrifício do Novo Testamento, isto é, o Sacrifício de Cristo que, como Hóstia imaculada, uma vez por todas Se ofereceu ao Pai...
 
Exercendo, dentro do âmbito que lhes compete, o múnus de Cristo Pastor e Cabeça, eles congregam a família de Deus numa fraternidade a tender para a unidade e a conduzem a Deus Pai, por Cristo, no Espírito Santo...
 
De coração, feitos modelos para o rebanho, presidam e sirvam de tal modo sua comunidade local, que esta dignamente possa ser chamada com aquele nome pelo qual só e todo o Povo de Deus é distinguido, a saber: Igreja de Deus" (cf. LG n. 28)
 
Vemos que o Concílio Vaticano II apresenta a missão do Presbítero diante da comunidade, como modelo para o rebanho, com uma vida marcada pela doação, serviço e caridade.
 
O Presbítero precisa, portanto, uma configuração contínua a Jesus Cristo, com mesmos pensamentos e sentimentos (Fl 2,5-11).
 
Deste modo os Presbíteros serão Homens que:
 
- asseguram que o rebanho não se perderá, pois deles se pode esperar uma Palavra, a Palavra do Cristo Bom Pastor, Palavra de Vida Eterna;
 
- empenham-se na fortaleza do rebanho apesar da fraquezas próprias de sua condição, nutrindo com o Pão da Imortalidade, o Pão Eucarístico;
 
- inflamados pela chama do Amor de Deus, que os chamou e os consagrou, aprendizes da Divina Fonte de Amor, Jesus, conduzem a comunidade sob a ação e manifestação do Espírito Santo. Amém.
 
PS: Missal Dominical - Editora Paulus - pág. 287.
 


Entregar-se com confiança e esperança nas mãos de Deus

 


Entregar-se com confiança e esperança nas mãos de Deus

Reflexão á luz da passagem do Livro do Profeta Ezequiel (Ez 34,11-12.15-17) que nos remete ao tempo do exílio (séc. VI a.C.).  

O Profeta Ezequiel procura alimentar a esperança dos exilados, transmitindo ao Povo a certeza de que o Deus salvador e libertador não os abandonou, tampouco os esqueceu.

O profeta Ezequiel ajuda o povo a perceber a causa de seu sofrimento: a infidelidade, mas ao mesmo tempo anuncia um novo tempo em que Deus mesmo será o Pastor que vai dirigir o Seu rebanho.

Fala da ação de Deus que conduzirá suas ovelhas. Conhece e delas cuida com todo carinho e delicadeza; exercendo uma autoridade que se funda na entrega e no amor (absolutamente diferente dos pastores que conduziram o povo de Deus a esta triste e desoladora situação de exílio).

Exorta o povo para que se entregue confiante nas mãos de Deus: atravessarão os vales sombrios, serão levados no colo por Ele, e os pés não se ferirão nas pedras do caminho. É preciso, portanto, superar toda forma de egoísmo e autossuficiência. 

Deste modo, trata-se de uma mensagem atualíssima para os nossos dias, pois se propaga uma mentalidade de que é possível o alcance da felicidade sem Deus, insistindo-se na negação de Sua existência, pregando-se a “libertação de Deus”.

Reflitamos:

- Quais são os pastores que nos conduzem dentro e fora da Igreja e como o fazem?

- O que e quem move, guia e motiva o nosso existir?

- Quais as vozes que ouvimos e que nos conduzem?

- Como superamos o egoísmo e a autossuficiência para correspondermos a imagem do Bom Pastor?

- Procuramos a felicidade com Deus e n’Ele?

- Confiamos plenamente em Deus?

Na fidelidade a Jesus Cristo, como peregrinos da esperança, caminhemos confiantes em Deus, contando com a ação do Espírito Santo, vivendo a nossa fé com a caridade inflamada em todo do tempo e em todas as situações.

 


PS: Apropriado para o IV Domingo da Páscoa

"Maria, discípula missionária do Senhor"

                                                         

"Maria, discípula missionária do Senhor" 

Maria é a discípula mais perfeita do Senhor, porque é a máxima realização da existência cristã, em plena relação de amor com a Santíssima Trindade.

Maria nos ensina, portanto, a viver como “filhos no Filho”, pela sua fé e obediência à vontade de Deus, e por sua constante meditação da Palavra e das ações de Jesus, na abertura ao sopro do Espírito Santo.

Maria é a interlocutora do Pai, em Seu projeto de enviar Seu Verbo para a salvação da humanidade, e com sua fé chega a ser o primeiro membro da comunidade dos crentes em Cristo, e também se faz colaboradora no renascimento espiritual dos discípulos.

Maria é a figura de mulher livre e forte, que emerge do Evangelho, conscientemente orientada para o verdadeiro seguimento de Cristo, porque viveu completamente toda a peregrinação da fé como mãe de Cristo, procurando sintonia plena com o Projeto do Pai.

Maria é a Virgem de Nazaré com uma missão única na história da salvação, concebendo, educando e acompanhando seu Filho até Seu sacrifício definitivo, acompanhando passo a passo, com a espada transpassando sua alma.

Maria é aquela a quem do alto da Cruz, Jesus Cristo confiou a Seus discípulos, representados por João, o dom da maternidade de Maria, que brota diretamente da hora pascal de Cristo: “E desse momento em diante, o discípulo a recebeu em sua casa” (Jo 19,27).

Maria alcançou, ao permanecer corajosamente aos pés da Cruz de Seu Filho, em comunhão profunda, entrar plenamente no Mistério da Aliança, e com ela, unida à plenitude dos tempos, chega-se ao cumprimento a esperança dos pobres e o desejo de salvação.

Maria, perseverando junto aos Apóstolos, à espera do Espírito,  cooperou com o nascimento da Igreja missionária, imprimindo-lhe um selo mariano, que a identifica profundamente.

Maria, como mãe de tantos, fortalece os vínculos fraternos entre todos, estimula a reconciliação e o perdão e ajuda os discípulos de Jesus Cristo a viverem como família, a família de Deus.

Maria nos favorece o encontro com o Cristo, com o Pai e com o Espírito Santo, e, da mesma forma, com os irmãos. E assim, como na família humana, a Igreja-família é gerada ao redor de uma mãe, que confere “alma” e ternura à convivência familiar.

Maria, Mãe da Igreja, além de modelo e paradigma da humanidade, é artífice de comunhão, e um dos eventos fundamentais da Igreja, é quando o “sim” brotou de Maria. Ela atrai multidões à comunhão com Jesus e Sua Igreja, como experimentamos nos santuários marianos.

Maria é Virgem e Mãe, assim como a Igreja também é mãe, de modo que esta visão mariana da Igreja é o melhor remédio para uma Igreja meramente funcional ou burocrática.

Maria é a grande missionária, continuadora da missão de seu Filho e formadora de missionários, pois da mesma forma como deu à luz o Salvador do mundo, trouxe o Evangelho à nossa América.

Maria, no acontecimento em Guadalupe, presidiu, junto com o humilde João Diego, o Pentecostes que nos abriu aos dons do Espírito, e a partir desse momento, são incontáveis as comunidades que encontraram nela a inspiração mais próxima, para aprenderem como ser discípulos e missionários de Jesus.

Maria tem feito parte do caminhar de cada um de nossos povos, entrando profundamente no tecido de sua história e acolhendo as ações mais nobres e significativas de sua gente, o que nos cumula de alegria.

Maria, com seus diversos títulos e santuários espalhados por todo o Continente, é sinal de sua proximidade com pessoas e suas realidades, e, ao mesmo tempo, lugar da manifestação da fé e confiança que os devotos sentem por ela.

Maria brilha diante de nossos olhos como imagem acabada e fidelíssima do seguimento de Cristo, a seguidora mais radical de Cristo, de Seu magistério discipular e missionário.

Maria Santíssima, a Virgem pura e sem mancha, é para nós escola de fé, destinada a nos conduzir e a nos fortalecer no caminho que conduz ao encontro com o Criador do céu e da terra.

Maria, em sua escola permaneçamos, inspirados em seus ensinamentos, acolhendo e guardando dentro do coração as luzes que, por mandato divino, nos envia do alto.

Maria, que “conservava todas estas recordações e as meditava no coração”, nos ensina o primado da escuta da Palavra na vida do discípulo missionário.

Maria fala e pensa com a Palavra de Deus; a Palavra de Deus se faz a sua palavra e sua palavra nasce da Palavra de Deus e, além disso, assim se revela que seus pensamentos estão em sintonia com os pensamentos de Deus, que seu querer é um querer junto com Deus.

Maria está intimamente penetrada pela Palavra de Deus, e por isto se tornou Mãe da Palavra encarnada, e essa familiaridade com o Mistério de Jesus é facilitada pela reza do Rosário, onde: “o povo cristão aprende de Maria a contemplar a beleza do rosto de Cristo e a experimentar a profundidade de Seu amor.”

Maria ajuda a manter vivas as atitudes de atenção, de serviço, de entrega, solidariedade, gratuidade e fraternidade, que devem marcar a vida dos discípulos de seu amado Filho.

Maria nos ensina qual pedagogia para que todos na comunidade cristã,“sintam-se como em casa”, com atenção e acolhida do outro, especialmente se o outro é pobre ou necessitado.

Maria, presente em nossas comunidades, enriquece sempre a dimensão materna da Igreja e sua atitude acolhedora, para que ela seja “casa e escola da comunhão”, um espaço espiritual que prepara para a missão.
 
Ave Maria cheia de graça...
 

 
Livre adaptação dos parágrafos 266-272 da V Conferência Geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe - Aparecida.

Servos do Bom Pastor

                                                                  

Servos do Bom Pastor

Há sempre a necessidade de bons pastores que amem a Jesus Cristo, o “Pastor dos pastores” com “cheiro das ovelhas”, como expressou recentemente o Papa Francisco.

Enriquecedora para nós é a reflexão de Dom Vital Corbellini, bispo de Marabá - PA, a partir da “Regra Pastoral do Papa São Gregório” (séc. VI).

Apresenta-nos os requisitos para um pastor de almas, e também sobre a existência e a importância do pastor para a vida do mesmo rebanho a ele confiado.

Ofereço alguns aspectos desta reflexão, que muito nos ajuda, quer como pastor do rebanho ou como membro deste:

1 – O pastor tem a arte de cuidar das almas a ele confiadas, sendo o governo das almas a arte das artes, não possibilitando ao pastor a displicência ou a improvisação como expressão da falta do zelo pelo rebanho.

2 – O pastoreio não pode ser cumprido como expressão de honra humana. O pastoreio deve ser exercido com humildade e ardor, sem o que o incapacita para a acolhida e exercício da missão como serviço.

3 – O pastor deve se ocupar com as almas, com as pessoas em sua totalidade, sem se desviar do fundamental, zelando pelo bem do rebanho conduzindo-o à glória de Deus.

4 – O pastor deve tomar cuidado para não incorrer num ativismo estéril e, consequentemente, no descuido do rebanho.

5 – O pastor tem o poder a ele confiado não para transformá-lo em exaltação própria, mas expressar este poder em atitudes de serviço, como discípulo de Jesus, o Servo por excelência.

6 – O pastor precisa ter um amor preferencial para com Jesus: amar mais a Jesus que a si mesmo, para que assim se doe alegremente pelo rebanho. Somente o amor verdadeiro do pastor para com Jesus Cristo levará o rebanho ao mesmo amor.

7 – O pastor deve, pelo seu comportamento, ser exemplo para o rebanho, de forma integral, num constante empenho pessoal.

8 – O pastor tem para com o rebanho o sentimento de compaixão, não deixando de lado a contemplação. Conciliando a compaixão e a contemplação, cuidará melhor do rebanho em todos os aspectos. Aproximando-se das fraquezas dos outros, não deixará de lado as aspirações celestiais, as coisas do alto, como tão bem expressou o Apóstolo Paulo.

9 – O pastor é, portanto, o homem da caridade, elevando às alturas seu rebanho, no exercício da misericórdia para com os que sofrem.

10 – O pastor é um humilde aliado aos que fazem o bem, no zelo de justiça, mas inflexível contra os vícios dos pecadores.

11 – O pastor, por palavras e ações, testemunha os valores da verdade, da justiça e do amor.

12 – O pastor é vigilante na espera do Senhor que vem (Lc 21,34-35), fervoroso no cuidado dos interesses espirituais dos seus fiéis (interiores e exteriores).

13 – O pastor sabe com o que se ocupar (2 Cor 6): as coisas verdadeiras e santas, e não com atividades que impeçam a vivência da vocação e a santidade de vida.

Mas o fundamental, ressalte-se, é que o pastor tenha um grande amor por Jesus, ao Reino por Ele inaugurado, e, como zelosa sentinela, o cuidado do Rebanho..

Oportunas as palavras conclusivas de Dom Vital:

“O mundo necessita de pastores atentos aos sinais de Deus que se revelam nas pessoas, nos acontecimentos eclesiais e sociais. O pastoreio deve ser guardado por pastores que O amam, O anunciam para os outros e dão a vida como Jesus Cristo fez por toda a humanidade.”

E, para a continuidade da reflexão, proponho a retomada de três textos bíblicos: Ez 34; Jo 21, 1-19; 1 Pd 5, 1-11.

Elevemos Orações:

- Pelos que já combateram o bom combate da fé, como pastores do rebanho, e que hoje se encontram na glória de Deus.

- Por aqueles que, apesar das fragilidades, se empenham em viver santos propósitos.

- Por aqueles que estão a caminho, que um dia serão ordenados e colocados à frente do rebanho.

Pai Nosso que estais nos céus...

Mães: discípulas do Divino Amor, Jesus

                                                    


Mães: discípulas do Divino Amor, Jesus 


Mães são necessárias discipulas missionárias do Senhor, discípulas do Divino Amor. 

São aprendizes e educadoras para a construção de uma cultura de vida e de paz, que passa necessariamente pela vivência do Mandamento do Amor que nosso Senhor nos ordenou: “Amai-vos uns aos outros, assim como Eu vos amei” (Jo 15,12). 

Neste sentido, volto a algumas preciosas fontes da Igreja sobre o amor: 

Assim os padres do deserto escreveram sobre o amor, a partir de um diálogo entre o mestre e seu discípulo:

 

“Perguntaram-lhe a um grande mestre:

Quando o amor é verdadeiro?

Quando é fiel – foi a resposta.

E quando é profundo?

Quando é sofredor – foi a resposta.

E como fala o amor?

A resposta foi:

O amor não fala.

O amor ama”.

 

Disse Santo Tomás de Aquino (séc. XII):

“Enquanto o amor humano tende a apossar-se do bem que encontra no seu objeto, o amor divino cria o bem na criatura amada."   

 

Mais tarde, assim nos falou o Presbítero João da Cruz (séc. XVI), sobre o julgamento final:

 

“Ao entardecer desta vida, examinar-nos-ão no amor”. 

 

Memoráveis, também, as palavras de Santa Teresinha do Menino Jesus (séc. XIX):

 

“Então, delirante de alegria, exclamei: Ó Jesus, meu amor, encontrei afinal minha vocação: minha vocação é o amor. Sim, encontrei o meu lugar na Igreja, Tu me deste este lugar, meu Deus. No coração da Igreja, minha mãe, eu serei o amor e desse modo serei tudo, e meu desejo se realizará”. 

Concluindo, peçamos a Deus por todas as mães que, tendo vivido amor assim, estejam na glória Deus, brilhando como os justos no Reino do Pai, como nos prometeu o Senhor (Mt 13,43); e por aquelas que estão entre nós, que sejam sábias discípulas do Verbo, o Divino Amor que se fez Carne e habitou entre nós (cf. Jo 1,14).

Vida plena e liberdade

                                                                    

Vida plena e liberdade

Reflexão à luz da passagem do Evangelho de João (Jo 10,11-18), em quee Jesus Se apresenta como o Bom pastor e a porta das ovelhas

“Jesus é o Pastor que liberta, e cristão é aquele que entre as mil vozes que lhe propõem uma sabedoria de vida, reconhece em Cristo, a voz do Bom Pastor.

O Senhor tira os homens dos recintos impróprios onde a liberdade é só aparente. Cada um pode perguntar-se quais são as situações das quais precisa ser libertado, mas a questão fundamental é clara; só seguindo Jesus se tem em plenitude vida e liberdade” . (1)

Muitas são as vozes multiplicadas, que podem nos desviar do Projeto de vida plena e feliz que Deus tem para cada um de nós. É preciso estar sempre vigilante, para que não nos tornemos surdos ou indiferentes à Sua voz e à Sua Palavra.

Uma das mais graves enfermidades é quando nos tornamos surdos à voz divina e ao convite que Ele nos faz, para adorá-lo e amá-lo, acima de todas as coisas, com exclusividade, jamais permitindo que nosso coração se curve diante de ídolos criados por mãos humanas.

Quanto mais atentos à Sua voz, mais felizes seremos, e experimentaremos a desejada liberdade, que nos assegurará a vida plena e livre, a felicidade tão desejada, e que, por vezes, em caminhos errados procurados.

É preciso vigilância permanente para não vivermos uma “aparente liberdade”, mas que no fundo pode ser expressão da escravidão de nós mesmos, de nossos interesses, vaidades, pequenos ídolos guardados na mente e no coração.

Ouçamos a voz de Deus, que veio ao nosso encontro, conosco caminha, e nos ensina a Boa-Nova da Palavra, que nos faz verdadeiramente livres, porque Ele é a Verdade que nos liberta, e nos comunica o Seu Espírito, para que jamais vivamos sob o jugo da escravidão e do pecado.


(1) Lecionário Comentado – Editora Paulus – Lisboa – Portugal – 2011 - p.484 

Servidores zelosos do rebanho

                                                                   

Servidores zelosos do rebanho

O Missal Dominical nos oferece uma rica reflexão sobre a missão dos Pastores da Igreja, e os apresenta como guias do povo, colocados à sua frente para conduzir o rebanho, com solicitude e humildade, como servos e não como senhores do mesmo.

“Falar hoje dos ‘pastores’ da Igreja não é fácil, devido às incrustações históricas que deformaram as perspectivas e as mentalidades, mesmo entre os fiéis. Restituir aos pastores e a suas funções na Igreja a verdade e a autenticidade é tarefa urgente hoje.

O Papa, pastor supremo, ainda é visto em muitos ambientes como um chefe político, um diplomata, a expressão de um monolitismo e de um absolutismo ultrapassados. Importa apresentá-lo como o centro de unidade e coesão da Igreja, o que realmente é.

O Bispo não é um solene dignitário, um alto funcionário do espírito, distante e separado do seu rebanho; é o centro de unidade da Igreja local, o mestre e pai da família diocesana.

O Pároco e os Sacerdotes empenhados no ministério pastoral não são burocratas e funcionários a quem nos dirigimos para pôr em dia as nossas ‘práticas’, não são altas personagens a quem se recorre para obter cartas de recomendação, nem distribuidores de esmolas ou de Sacramentos. São acima de tudo ‘pastores' totalmente dedicados a seu povo, a quem servem com amor, respeito e dedicação total.

Delegada a alguns homens, a autoridade na Igreja não pode ser mais do que o sinal do governo do Senhor: não é absoluta; é uma autoridade que está em relação com o Cristo Ressuscitado. A obediência do cristão é uma obediência de fé, oferecida ao Senhor, reconhecido nos sinais vivos, isto e, nas pessoas que dirigem a Igreja. (1)

Celebrando o Dia Mundial de Oração pelas Vocações, elevemos orações pelo Papa Francisco, para que continue conduzindo com alegria e simplicidade a Igreja, como sinal do Bom Pastor, fortalecendo os vínculos de unidade.

Orações sejam elevadas pelos Bispos, para que, como mestres e pais das famílias diocesanas, cumpram com ardor e zelo o tríplice múnus de santificar, ensinar e governar a Igreja Particular a eles confiada.

Também, por todos os Párocos e Vigários Paroquiais, para que inseridos na Pastoral de Conjunto, vivam a fraternidade Presbiteral, inflamados pelo fogo do Espírito, com simplicidade de coração, em zelosa caridade pastoral frente às paróquias, comunidades de comunidades, a eles confiadas.

Enfim, sendo nossas comunidades conduzidas por zelosas sentinelas do Senhor, pastores e guias do rebanho, tenhamos crescente configuração ao Cristo Bom Pastor, que veio dar a vida pelo rebanho, para que todos tenham vida plenamente.

Deste modo, construiremos comunidades mais perseverantes na Doutrina dos Apóstolos, na Comunhão Fraterna, na Fração do Pão e na Oração.

Pai Nosso que estais nos céus...

(1) Missal Dominical - Editora Paulus - pág. 376.

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