segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Aprendamos com a Sagrada Família (Apresentação do Senhor)

                                                                   

 Aprendamos com a Sagrada Família

Um dia, cumprindo o preceito da Lei de Moisés, Maria e José foram apresentar no templo o filho primogênito, Jesus. Cumpria-se assim, zelosamente a Lei do Senhor. Sacrifício oferecido, apresentação realizada. 

A acolhida das palavras de Simeão, justo e piedoso, aquele que portava a esperança da consolação agora a vê realizada. As suas palavras a Maria e José, acompanhadas de bênçãos, lhes causam admiração.

A alegria que Ana, aquela mulher viúva, idosa e piedosa, que noite e dia do templo não saia, servindo a Deus com jejuns e orações, que louvava e falava com entusiasmo a todos sobre aquele menino, a tantos quantos esperavam a libertação de Jerusalém. Hora de retornar para a Galileia, para Nazaré, sua Cidade.

E aqui, um momento para reflexão, meditação...
Contemplemos uma possível conversa entre Maria com José naquele retorno com o menino Jesus no colo; viagem difícil, mas religiosamente cumprida, sem adiamentos e displicências...

Maria:
“José, estou pensando naquelas palavras de Simeão”.

José:
“Como é que ele falou mesmo Maria?”

Maria:
Ele disse assim – “Agora, Senhor, conforme a Tua promessa, podes deixar Teu servo partir em paz, porque meus olhos viram a salvação que preparastes diante de todos os povos: luz para iluminar as nações e glória do Teu povo Israel

José:
“É verdade, lembrei-me. Maria, você entendeu quando ele disse, logo depois, ‘este menino vai ser causa tanto de queda como de reerguimento para muitos em Israel; Ele será um sinal de contradição. Assim serão revelados os pensamentos de muitos corações. Quanto a ti Maria, uma espada te trespassará a alma’?”.

Maria:
“Confesso que estou aqui caminhando em silêncio pensando exatamente nisto. A consolação e esperança de Simeão, é a nossa consolação e esperança. Este menino que Deus nos concedeu pela obra do Espírito Santo é Aquele que tanto esperamos. Meu Deus, quão grande é a nossa responsabilidade!”.

José:
“É Maria, este menino que Deus nos confiou vai ser causa de queda, como de reerguimento para muitos em Israel, será um sinal de contradição... Não consigo imaginar o que é isto, a não ser que Ele poderá ser aceito por uns, rejeitado por outros. Creio que não será algo tão simples. Às vezes me dá um frio na espinha de ficar pensando nisto...”.

E, Maria dando um grande suspiro, olhando para José e depois para o Menino que dormia serenamente no colo de José, disse:

Maria:
“Como é bom, José, ficar pensando no que Deus espera de nós, mas ao mesmo tempo como é sempre um ato de fé, de confiança. Não podemos jamais falhar. A Salvação do mundo está em teu colo José, está em nossas mãos!”

José:
“De fato Maria, haveremos de fazer tudo para que Ele seja forte, cresça a cada dia em tamanho, sabedoria e graça diante de Deus. Creio que é isto, por Deus, de nós esperado. Que responsabilidade! Às vezes tenho tanto medo desta responsabilidade, mas o anjo falou para que eu não tivesse medo”.

Maria:
“Ah José, como é maravilhoso e ao mesmo tempo um grande, um enorme desafio cuidar d’Aquele que é a Salvação da Humanidade. Às vezes acho que não somos dignos para tanto!”

Após um silêncio prolongado, José retoma a palavra:

José:
“Desculpe-me Maria, não queria tocar no assunto, mas não consigo entender o que vem a ser aquelas palavras – ‘uma espada de trespassará a alma”. O que será que ele quis dizer, de fato?”

Maria:
Ó José, estas palavras me deixaram mais ainda pensativa. Aquelas palavras estão aqui dentro do meu coração, estou meditando sobre elas. Estou inquieta com aquelas palavras...
Quando? De que modo? O que quis dizer aquele piedoso homem com estas palavras? Se você tem frio na espinha, minha alma fica aflita, mas sei que o anjo Gabriel também me assegurou para não ter medo. Deus não pode falhar em Suas promessas. Falou para que meu coração não ficasse perturbado, desde aquele dia que eu disse sim”.

José:
“Sim Maria, sei disto. Creio nisto. Temos que continuar nossa missão. Vamos voltar e nos colocar nas mãos de Deus como sempre o fizemos e como sempre o faremos”.

Maria:
“É tudo que temos que fazer, assim como eu disse: “Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a Tua Palavra” não vou voltar atrás. Importa a vontade de Deus realizar. Se Ele quis contar comigo, jamais vou desapontá-Lo”.

De fato, a espada trespassada terá um nome, Cruz.
Será a morte do Salvador na Cruz.
Ela ali, aos pés da Cruz, acolhendo as últimas palavras do
Seu Filho Crucificado - Jesus:
“Mulher, eis aí Teu filho. Filho, eis aí a Tua mãe!” Cf Jo 19,26-27).

Maria e José caminham com o menino Jesus no colo, e depois de algum tempo de silêncio, José retoma a palavra e diz:

José:
“Ah, Maria, como admiro sua fé, sua coragem, sua entrega. Fiquei meditando em tudo que conversávamos a pouco, e pode ter certeza, naquilo que for necessário pode contar comigo, estou ao seu lado. Também não vou fugir, o anjo me assegurou coragem e presença da força de Deus”.
Com um doce sorriso inigualável, próprio dela, Maria diz –

Maria:
“Que bom José! Como é bom saber que Deus e nós, eu e o menino Jesus, podemos contar contigo”.

José sorrindo para Maria, embalando o menino que naquela hora acordara, deu um pequeno soluço seguido de um curto choro e disse: – “Maria, tenho vontade de ouvir aquele canto que você cantou para Isabel, tua prima. Canta para nós. O menino também quer ouvir.

E Maria cantou de novo:

Maria:
– “A minh'alma glorifica o Senhor e exulta meu espírito em Deus, meu salvador. Porque olhou para a humildade de Sua serva; doravante as gerações hão de chamar-me de bendita. O Poderoso fez em mim maravilhas e Santo é o Seu nome. Seu amor para sempre se estende sobre aqueles que O temem. Manifesta o poder de Seu braço e dispersa os soberbos. Derruba os poderosos de seus tronos e eleva os humildes. Sacia de bens os famintos e despede os ricos sem nada. Acolhe Israel, Seu servidor, fiel ao Seu amor. Como havia prometido aos nossos pais em favor de Abraão e de seus filhos para sempre” (cf. Lc 1,46-55)

José: “Ah, Maria, como você canta tão bem as maravilhas de Deus! Verdadeiramente você é uma cantora da esperança dos pobres; canta não só com a garganta, canta com a tua vida, com teus lábios e com teu coração. Não conheço alguém que cante como você. Você é a maravilhosa música de Deus, suave melodia que nos comunica a força do divino. Teu canto é mais do que letras, porque emanam do Espírito, pelo qual nos veio o Verbo, pela suprema e infinita graça e bondade de Deus”.

E com Maria continuemos a cantar!
Eis aí a Sagrada Família, exemplo a imitar!
Modelo de virtudes a se espelhar.

Que esta imaginária conversa possa despertar em nós o desejo da Sagrada Família revisitar, e as mais belas lições aprender, e assim asseguraremos o futuro da humanidade, que passa inevitavelmente e indiscutivelmente pela família.

A Sagrada Família nos trouxe a Salvação, a consolação, a redenção.

Reflitamos:

 -  O que nossas famílias trazem ao mundo?
 -  De que boas novas nossas famílias hoje são portadoras? 

Dois milênios passados, e reafirmamos o valor sagrado e inviolável da família no plano de Deus.

Famílias Santas: Mundo santo, humanidade santa!
É de famílias assim que o mundo precisa.
A propósito, como vai a tua família?

“Pelas estradas da vida nunca estamos sós... 
Por mais que pareça.
 Deus é presença na aparente ausência...
Ainda que tenhamos que suportar a alma trespassada,
 ainda que o peso da cruz nos pese...”.

Festa da Apresentação do Senhor: Jesus Cristo é a nossa Luz e Salvação

                                                  

Festa da Apresentação do Senhor:
Jesus Cristo é a nossa Luz e Salvação

“Quanto a ti, uma espada te traspassará a alma”
(Lc 2,35)

No dia 2 de fevereiro, celebramos a Festa da apresentação do Senhor no Templo de Jerusalém: aquela criança é o Menino Deus, é o Messias Libertador tão esperado pelo Povo de Deus, no pleno cumprimento da Lei de Moisés.

Ele veio trazer a Salvação e a luz para todos os povos, na entrega de Sua vida, por amor, totalmente nas mãos do Pai, culminando no Mistério de Sua Paixão, Morte e Ressurreição.

De fato, Jesus Cristo viveu em entrega total, desde os primeiros momentos de Sua existência terrena, e nos convida, como discípulos missionários, também assim fazer: uma total entrega de nossa vida nas mãos do Pai, fazendo de nossa existência um dom de amor, um testemunho de compromisso e participação na construção do Reino de Deus.

Na primeira Leitura, a Liturgia nos apresenta a passagem do Livro do Profeta Malaquias (Ml 3,1-4), que nos fala do dia do Senhor, o dia de Sua vinda, em que Deus vai descer ao encontro do Seu Povo para a criação de uma nova realidade.

Malaquias, que significa “o meu mensageiro”, tem um anúncio sobre o Dia do Senhor, uma mensagem de confiança e esperança. Virá o Sol da Justiça. Este Sol é o próprio Jesus que brilha no mundo e insere a humanidade na dinâmica de um mundo novo, que consiste na dinâmica do Reino.

Trata-se do período pós-exílio da Babilônia, uma realidade marcada pelo desânimo, apatia e falta de confiança. O Profeta Malaquias convoca o Povo de Deus à conversão e à reforma da vida cultual, pois vivendo a fidelidade aos Mandamentos da Lei Divina reencontrará a vida e a felicidade. 

Numa situação difícil vivida pelo povo, é preciso viver a espera vigilante e ativa, reconhecendo a presença de Deus que intervém e comunica Sua força e poder. É preciso fortalecer a esperança, vencendo todo medo que paralisa.

De fato, não há nada pior do que situações como esta: o perigo da perda do sentido da vida e o sentimento de que Deus tenha nos abandonado.

O Profeta Malaquias, porém, traz uma mensagem de confiança e esperança: Deus vem sempre ao encontro da humanidade. O Senhor que veio, vem e virá sempre ao nosso encontro, como expressão de seu Amor que não nos abandona, que nos reconcilia e quer criar em nós o bem, porque criaturas amadas Suas somos, desde sempre, obra de Suas mãos.

Também nós somos chamados a viver a dimensão profética de nossa fé, denunciando tudo o que impeça a vida verdadeira, através de uma mensagem de confiança e esperança em Deus que jamais nos abandona.

Na fidelidade ao Senhor, urge testemunhar um Deus cheio de amor e sem limites por nós, atento aos dramas que marcam a caminhada humana, e que não permite que mergulhemos na apatia, imobilismo ou comodismo, mas que sejamos compromissados com o novo céu e a nova terra, onde habitam a verdade, a justiça e a paz.

Como profetas, é preciso intensificar nosso diálogo permanente com Deus, meditando Sua Palavra, na oração e, de modo especialíssimo, na Eucaristia.

Na  segunda Leitura, ouvimos a passagem da Carta aos Hebreus (Hb 2,14-18), escrita por um autor anônimo, que nos apresenta Jesus Cristo, o Sacerdote por excelência, que oferece ao Pai o sacrifício de Sua vida, no serviço do plano Salvador de Deus, através do qual nasce o Homem Novo, livre de toda e qualquer forma de escravidão.

Trata-se, portanto, de uma Carta escrita a destinatários que vivem em situação difícil, expostos a perseguições, e que vivem em ambiente hostil à fé.

Uma situação de desalento e desesperança tomava conta da comunidade a que pertenciam. Daí o iminente perigo da perda do fervor inicial e o ceder às seduções de doutrinas que não são coerentes com a fé transmitida pelos apóstolos.

A Mensagem Catequética: os discípulos devem olhar para a Cruz de Jesus Cristo, interiorizar o seu significado, e a Ele seguir no dom total da própria vida, numa entrega radical e serviço simples aos mais humildes, assim como Ele o fez.

O autor estimula a vivência do compromisso cristão, levando os crentes a crescerem na fé, reavivando o fervor inicial.

Sendo o Cristo o Sumo Sacerdote que nasceu no meio de nós, vestiu a carne mortal, solidarizou-Se com a nossa humanidade, conheceu nossas limitações e fragilidades e Se oferece por nós, todos os que n’Ele creem, assim  deve o Seu discípulo o mesmo fazer: entregar sua vida num contínuo sacrifício de louvor, de ação de graças e de amor.

O discípulo missionário do Senhor é testemunha do amor de Deus, um amor total, ilimitado e incondicional.

Deste modo, carrega sua cruz cotidiana na mesma atitude de Jesus na  solidariedade com os crucificados deste mundo: os que sofrem violência, os que são explorados, os que são privados de sua dignidade:

“Olhar a Cruz de Jesus e o seu exemplo significa denunciar tudo o que gera ódio, divisão medo, em termos de estruturas, valores, práticas, ideologias; significa evitar que os homens continuem a crucificar outros homens; significa aprender com Jesus a entregar a sua vida por amor...”. (1)

Crer no Senhor e testemunhar o amor, pois somente o amor vivido gera a vida nova e nos introduz no dinamismo da vida nova dos Ressuscitados, na comunhão solidária, na alegria e na esperança.

Na passagem do Evangelho (Lc 2,22-40), contemplamos Maria e José que levam o Menino Jesus, depois de quarenta dias do Seu nascimento, para apresentá-Lo no templo, e o testemunho dado por Simeão e Ana.

Normalmente, contemplamos este acontecimento quando rezamos os Mistérios gozosos que na verdade, já trazem em si o germe dos mistérios luminosos, dolorosos e gloriosos.

Simeão, homem justo e piedoso, lá no templo, anuncia a Maria que uma espada lhe transpassaria a alma. Referindo-se a missão d’Aquela Criança, luz das nações, Salvador de todos os povos, causa de queda e reerguimento de muitos.

Simeão e Ana são figuras do Israel fiel, que foi preparado desde sempre para reconhecer e acolher o Messias de Deus: reconhecem n’Aquela criança o Messias Libertador que todos esperavam e O apresentam formalmente ao mundo.

Os Santos Padres da Igreja dizem que, nesta apresentação, Maria oferecia seu Filho para a obra da redenção, com a qual Ele estava comprometido desde o princípio.

Iluminadoras as palavras de São Bernardo  (séc. XII):

“Oferece teu Filho, Santa Virgem, e apresenta ao Senhor o fruto bendito de teu ventre. Oferece, para reconciliação de todos nós, A Santa Vítima que é agradável a Deus”.

Nos braços de Simeão, o Menino Jesus não é só oferecido ao Pai, mas também ao mundo. E Maria é a Mãe da humanidade. O dom da vida vem através de Maria.

Aquele que foi apresentado no templo é a luz do mundo e a  Salvação tão esperada, agora por Ele há de ser realizada, porque veio habitar no meio da humanidade a Luz de Deus enviada ao mundo, redenção da humanidade.

Urge que façamos de nossa vida uma agradável oferenda ao Senhor, lembrando que oferta há de ser um agradável sacrifício, celebrado no altar do Sacrifício do Senhor.

Ofertar nossa vida cotidianamente implica em sacrifícios, constantes renúncias, tomando nossa cruz, e, com serenidade e fidelidade, segui-Lo, até que um dia, possamos fazer da cruz instrumento de travessia para a eternidade, para o céu.

Hoje, ao acolher Jesus como nossa Luz e Salvação, renovamos a alegria e o compromisso de anunciá-Lo e testemunhá-Lo ao mundo.

Concluindo, é tempo de viver a graça do Batismo e testemunhar Jesus Cristo, a nossa Luz e Salvação. É tempo de sermos sal, fermento e luz no coração do mundo.

Deus jamais nos deixará sozinhos na escuridão da noite.
Não há noite eterna para a Fonte de Luz eterna!


Fonte inspiradora - www.dehonianos.org
(1) idem

Festa da Apresentação do Senhor: Criança, um dom precioso do Senhor

                                                   


Criança, um dom precioso de Deus

“E Jesus crescia em tamanho, sabedoria
e graça diante de Deus”  (Lc 2,52)

Naquele dia, aquela Criança era o próprio Deus apresentado no templo:
Jesus, Aquele que salva, o Messias, o esperado, o Cristo, o ungido de Deus.
Tão frágil, tão meigo, ali, com Maria e sob a proteção de José,
Esposo de Maria, guardião do Salvador, cumprindo o prescrito na Lei do Senhor.

Simeão, tendo Jesus em seus braços, bendisse a Deus e exclamou:
“Agora, Senhor, segundo a Vossa Palavra, deixareis ir em paz o Vosso servo,
Porque os meus olhos viram a Vossa Salvação, que pusestes ao alcance de todos os povos; Luz para Se revelar às nações e glória de Israel, Vosso povo” (Lc 2,29-32).

Ana, que do templo não se afastava, de idade avançada,
Servindo a Deus noite e dia, com jejuns e orações, com alegria transbordante,
Louvava a Deus, e falava d’Aquele Menino com o coração pleno de alegria,
A todos que esperavam a muito a libertação de Jerusalém.

Maria e José, voltando com o Menino para a cidade de Nazaré,
Edificavam a Sagrada Família com laços indestrutíveis e eternos de amor, 
trabalho, Silêncio, oração e fidelidade possibilitavam que o Menino Deus
Crescesse e Se tornasse robusto e cheio da sabedoria, porque a graça estava com Ele.

Hoje, diante da comunidade reunida para a Ceia Eucarística,
Também apresentamos esta criança, dom precioso de Deus.
Que, com a proteção de Maria, Mãe de Deus e nossa,
Esta criança tenha todas as possibilidades de crescer e ser feliz.

Que não falte a ela, a semente da Palavra no coração plantada,
Em primeiro lugar, pelos seus pais, primeiros catequistas de seus filhos.
Que não lhe falte o pão de cada dia, para que também cresça
Com saúde, vida, fortaleza de corpo e espírito.

Hoje apresentada na celebração do Banquete da Eucaristia,
Amanhã, não apenas apresentada, mas, pelo Pão de Eternidade,
Participando da Eucaristia, seus pecados serão destruídos,
As virtudes crescerão e a alma será plenamente saciada de todos os dons espirituais. Amém.

PS: Apresentação de uma criança na Missa ou Celebração

Em poucas palavras... (Apresentação do Senhor)

                                         


                          “A apresentação de Jesus no templo"

“A apresentação de Jesus no templo (Lc 2,22-39) mostra-O como Primogênito que pertence ao Senhor (Ex 13,2.12-13).

Com Simeão e Ana, é toda a expectativa de Israel que vem ao encontro do seu Salvador (a tradição bizantina designa por encontro este acontecimento).

Jesus é reconhecido como o Messias tão longamente esperado, «luz das nações» e «glória de Israel», mas também como «sinal de contradição».

A espada de dor, predita a Maria, anuncia essa outra oblação, perfeita e única, da cruz, que trará a salvação que Deus «preparou diante de todos os povos».”    (1)

 

 

(1) Catecismo da Igreja Católica - parágrafo n. 529

Adoremos Jesus, Luz e Salvação do Mundo

                                           


Adoremos Jesus, Luz e Salvação do Mundo
 
“Oferece teu filho, Santa Virgem, e apresenta ao Senhor o fruto bendito de teu ventre. Oferece, para reconciliação de todos nós, A Santa Vítima que é agradável a Deus”. (São Bernardo - séc. XII)
 
Nos braços de Simeão, o Menino Jesus não é só oferecido ao Pai, mas também ao mundo.
 
Maria é, portanto, a mãe da humanidade. O dom da vida vem através de Maria.
 
Aquele que foi apresentado no templo é a luz do mundo e a salvação tão esperada, que por Ele, há de ser realizada, porque veio habitar no meio da humanidade a Luz de Deus enviada ao mundo, redenção da humanidade.
 
Ao acolher Jesus como nossa Luz e Salvação, renovamos a alegria e o compromisso de anunciá-Lo e testemunhá-Lo ao mundo, porque, pelo batismo, somos sal da terra e luz do mundo!
 
Urge que façamos de nossa vida uma agradável oferenda ao Senhor, lembrando que a oferta há de ser agradável sacrifício, celebrado no altar do Sacrifício do Senhor.
 
Ofertar nossa vida cotidianamente implica em sacrifícios, constantes renúncias, tomando nossa cruz, e, com serenidade e fidelidade, segui-Lo, até que um dia possamos fazer da cruz instrumento de travessia para a eternidade, para o céu.
 
Concluímos com um Hino de São Sofrônio (séc. VII), dedicado à Santíssima Virgem Maria:
 
“Salve, mãe da alegria celeste;
Salve, você que alimenta em nós um gozo sublime;
Salve, sede da alegria que salva;
Salve, você que nos oferece a alegria perene;
Salve, místico lugar da alegria inefável;
Salve, campo digníssimo da alegria inexprimível.


Salve, manancial bendito da alegria infinita;
Salve, tesouro divino da alegria sem fim;
Salve, árvore frondosa da alegria que dá vida;
Salve, mãe de Deus, não desposada;
Salve, Virgem íntegra depois do parto;
Salve, espetáculo admirável, mais alto que qualquer prodígio.

Quem poderá descrever seu esplendor?
Quem poderá contar seu mistério?
Quem será capaz de proclamar sua grandeza?
Você adornou a natureza humana.
Você superou as legiões angélicas,
Você superou a toda criatura,
Nós lhe aclamamos: Salve, cheia de graça.”
 
Deus jamais nos deixará sozinho na escuridão da noite.
Não há noite eterna para a Fonte de Luz eterna.
 
Adoremos Jesus, a Luz e Salvação do Mundo, e sejamos no coração do mundo sal e luz. Amém. 
 

PS: Oportuno para a Celebração da Festa da Sagrada Família (ano B) e a Festa da Apresentação do Senhor, quando se proclama a passagem do Evangelho de Lucas (Lc 2,22-40).

Festa da Apresentação do Senhor: Jesus, a luz e Salvação de todos os povos

                                                      

Festa da Apresentação do Senhor:                  
Jesus, a luz e Salvação de todos os povos

Celebramos dia 02 de fevereiro, a Festa da Apresentação do Senhor, e sejamos enriquecidos pelo Sermão do Bispo São Sofrônio (séc. VII).

“Todos nós que celebramos e veneramos com tanta piedade o Mistério do encontro do Senhor, corramos para Ele cheios de entusiasmo. Ninguém deixe de participar deste encontro, ninguém recuse levar Sua luz.

Acrescentamos também algo ao brilho das velas, para significar o esplendor divino d’Aquele que Se aproxima e ilumina todas as coisas; Ele dissipa as trevas do mal com a Sua luz eterna, e também manifesta o esplendor da alma, com o qual devemos correr ao encontro com Cristo.

Do mesmo modo que a Mãe de Deus Virgem imaculada trouxe nos braços a verdadeira luz e a comunicou aos que jaziam nas trevas, assim também nós: iluminados pelo Seu fulgor e trazendo na mão uma luz que brilha diante de todos, corramos prontamente ao encontro d’Aquele que é a verdadeira luz.

Realmente, a luz veio ao mundo (Jo 1,9) e dispersou as sombras que o cobriam; o Sol que nasce do alto nos visitou (Lc 1,78) e iluminou os que jaziam nas trevas. É este o significado do Mistério que hoje celebramos.

Por isso caminhamos com lâmpadas nas mãos, por isso acorremos trazendo as luzes, não apenas simbolizando que a luz já brilhou para nós, mas também para anunciar o esplendor maior que dela nos virá no futuro.

Por este motivo, vamos todos juntos, corramos ao encontro de Deus. Chegou a verdadeira luz, que vindo ao mundo ilumina todo ser humano (Jo 1, 9). Portanto, irmãos, deixemos que ela nos ilumine, que ela brilhe sobre todos nós.

Que ninguém fique excluído deste esplendor, ninguém insista em continuar mergulhado na noite. Mas avancemos todos resplandecentes. Iluminados, por este fulgor, vamos todos ao Seu encontro e com o velho Simeão recebamos a luz clara e eterna.

Associemo-nos a sua alegria e cantemos com ele um hino de ação de graças ao Criador e Pai da luz, que enviou a luz verdadeira e, afastando todas as trevas, nos fez participantes do Seu esplendor.

A Salvação de Deus, preparada diante de todos os povos, manifestou a glória que nos pertence, a nós que somos o novo Israel.

Também fez com que víssemos, graças a Ele, essa Salvação e fôssemos absolvidos da antiga e tenebrosa culpa. Assim aconteceu com Simeão que, depois de ver a Cristo, foi libertado dos laços da vida presente.

Também nós abraçando, pela fé, a Cristo Jesus que nasce em Belém, de pagãos que éramos, nos tornamos povo de Deus – Jesus é, com efeito, a Salvação de Deus Pai – e vemos com nossos próprios olhos o Deus feito homem.

E porque vimos a presença de Deus, e a recebemos, por assim dizer, nos braços do nosso espírito, somos chamados de novo Israel. Todos os anos celebramos novamente esta festa, para nunca esquecermos d’Aquele que um dia há de voltar.” (1).

Peregrinos de esperança, como Igreja Sinodal, caminhando sempre juntos, sejamos iluminados por Este Sermão, e sejamos conduzidos pela Luz do Senhor, que é clara e eterna.

Como disse o Bispo:

“... Ninguém insista em continuar mergulhado na noite. Recebamos nos braços do nosso espírito o Salvador, a Luz das nações.”

Com o feliz Simeão, digamos:

“Agora, Senhor, deixai o Vosso servo ir em paz, segundo a Vossa Palavra. Porque os meus olhos viram a Vossa salvação que preparastes diante de todos os povos, como luz para iluminar as nações, e para a glória de Vosso povo de Israel (Lc 2,29-32).”

Com o Salmista também digamos:

“O Senhor é a minha luz e a minha salvação, de quem eu terei medo? O Senhor é a fortaleza da minha vida: frente a quem eu temerei?” (Sl 27)

Tendo acolhido Jesus como nossa Salvação e nossa Luz, é tempo de sermos, no coração do mundo, sal e luz (cf. Mt 5,13-16).

Deus jamais nos deixará sozinho na escuridão da noite. 
Não há noite eterna para a Fonte de Luz eterna!
Amém.


(1) Liturgia das Horas Vol. III - p. 1236/7

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