segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Jesus, um sinal de contradição (Apresentação do Senhor)

                                                     

Jesus, um sinal de contradição


Sejamos enriquecidos pelo comentário ao Evangelho de Lucas, escrito por São Cirilo de Alexandria (séc. V):

“E o que disse de Cristo o profeta Simeão? Este menino vai ser causa tanto de queda como de reerguimento para muitos em Israel. Ele será um sinal de contradição, visto que o Emanuel é posto para os alicerces de Sião por Deus Pai, sendo uma pedra escolhida, angular e preciosa.

Aqueles, então, que confiaram n’Ele não se envergonharam; mas aqueles que eram descrentes e ignorantes, e incapazes de compreender o mistério a respeito d’Ele, caíram, e foram feitos em pedaços.

Por Deus Pai novamente foi dito em outro lugar: Eis que ponho em Sião uma pedra de tropeço e uma rocha de escândalo, e aquele que crê nela não será confundido; mas aquele sobre quem ela cair, ele será esmagado.

Mas o profeta tranquilizou aos israelitas dizendo: Só ao Senhor chameis de Santo, é a Ele que é preciso respeitar, a Ele que se deve temer. Ele será a pedra de escândalo e a pedra de tropeço.

No entanto, porque Israel não santificou o Emanuel, que é Senhor e Deus, nem estava disposto a confiar n’Ele, tropeçaram em uma pedra por causa da descrença, e ele foi feito em pedaços e caiu. Porém, muitos se reergueram, isto é, aqueles que abraçaram a fé n’Ele.

Por isso mudaram do legalismo para um ofício espiritual; tendo neles um espírito de serviço, foram enriquecidos com aquele Espírito que os torna livres, e que é o Espírito Santo; eles foram feitos participantes da natureza divina, considerados dignos da adoção filial, e de viver na esperança de alcançar a cidade que é do Alto, até mesmo a cidadania, ou seja, o Reino dos Céus.

E pelo sinal de contradição, Ele significa a preciosa Cruz, em nome da qual o sapientíssimo Paulo escreve: para os judeus é escândalo, e loucura para os pagãos. E novamente: Para os que estão perecendo é loucura; porém, para nós que somos salvos, é o poder de Deus para a salvação.

O sinal, portanto, de contradição, se para aqueles que perecem lhes parece ser loucura, todavia, para aqueles que reconhecem o seu poder, ele é salvação e vida.

E Simeão ainda disse à Santa Virgem: Sim, uma espada transpassará a tua alma, significando pela espada a dor que ela sofreria por Cristo, visto que ela trouxe à luz o crucificado; e sem saber que Ele seria mais forte do que a morte, e ressurgiria da sepultura. Ou tu podias imaginar que a Virgem não sabia disso, quando vamos encontrar até mesmo os Santos Apóstolos, então, com pouca fé; pois em verdade o bem-aventurado Tomé, se não introduzisse suas mãos no seu lado após a ressurreição, e sentisse também as marcas dos pregos, iria desacreditar os outros discípulos que lhe diziam que Cristo ressuscitou e tinha-se manifestado a eles.

O evangelista com sabedoria, portanto, para o nosso benefício nos ensina tudo quanto o Filho, feito carne, consentiu padecer por nossa pobreza, suportar em nosso benefício e em nosso favor, para que possamos glorificá-Lo como nosso Redentor e Senhor, nosso Salvador e nosso Deus: por quem e com quem a Deus Pai e pelo Espírito Santo sejam a glória e o poder pelos séculos dos séculos. Amém.” (1)

Este comentário nos ajuda no aprofundamento do quarto Mistério gozoso: a apresentação do Menino Jesus no Templo (cf. Lc 2,22-40).

Jesus é apresentado no Templo, e a Maria, Simeão anunciou que uma espada lhe transpassaria a alma (cf. Lc 2,33-35), porque Aquele Menino seria sinal de contradição para o mundo.

O ancião Simeão reconheceu aquela Criança como o Salvador do mundo, e nisto consistiu seu anúncio sobre a espada de dor de Nossa Senhora, numa plena e incondicional obediência à vontade de Deus.

Ela viveu cada momento da vida de Jesus, até o fim, no momento ápice aos pés da Cruz, quando Ele deu a vida por amor de todos nós, e recebeu o Corpo sem vida de Seu Filho.

Mas a fé em Deus, a fez presente junto aos apóstolos mais tarde, ao celebrar com os apóstolos o Mistério da Eucaristia (At 1,12-14).

Oportuna as palavras do Papa São João Paulo II na Encíclica “Ecclesia de Eucharistia”:   Impossível imaginar os sentimentos de Maria, ao ouvir dos lábios de Pedro, João, Tiago e restantes apóstolos as palavras da Última Ceia: « Isto é o meu corpo que vai ser entregue por vós » (Lc 22, 19). Aquele corpo, entregue em sacrifício e presente agora nas espécies sacramentais, era o mesmo corpo concebido no seu ventre!” 

Supliquemos a Deus que tenhamos coragem como Maria, na obediência e fidelidade à vontade divina, como discípulos missionários do Senhor, sinal de contradição para o mundo, no carregar de nossa cruz cotidiana. Amém.

  

(1)Lecionário Patrístico Dominical - Editora Vozes - 2013 - p.294


PS: Oportuno para a Celebração da Festa da Sagrada Família; Apresentação do Senhor no templo - passagem do Evangelho (Lc 2,22-40).

Em poucas palavras... (Apresentação do Senhor)

                                           


O Encontro de Simeão, Maria e Jesus

“O ancião toma o Menino nos seus braços,

mas o Menino é o Senhor do ancião;

uma Virgem dá à luz ficando virgem

e adora Aquele mesmo que gerou.” (1)

 

 

(1)Antífona Vésperas da Apresentação do Senhor - Cântico Evangélico – Magnificat (Lc 1,46-55)

Festa da Apresentação do Senhor : Anunciar Aquele que foi apresentado!

                                                           


Festa da Apresentação do Senhor:
Anunciar Aquele que foi apresentado!

A Festa Litúrgica da Apresentação do Senhor, celebrada dia 02 de fevereiro, teve sua origem no séc. IV, inicialmente no oriente.

No pleno cumprimento da Lei de Moisés, Maria e José levam o menino Jesus, depois de quarenta dias do Seu nascimento, para apresentá-Lo no templo.

Normalmente contemplamos este acontecimento quando rezamos os Mistérios gozosos, que na verdade, já trazem em si o germe dos mistérios dolorosos:

Quando Simeão, o justo e piedoso, lá no templo, anuncia a Maria que uma espada lhe transpassaria a alma, referia-se a missão Daquela criança, luz das nações, Salvador de todos os povos, causa de queda e reerguimento de muitos…

A apresentação do Senhor no templo não era apenas cumprimento de um ritual prescrito, de modo que os Santos Padres dizem que é muito mais:

Maria oferecia seu Filho para a obra da redenção com a que Ele estava comprometido desde o princípio…

Vejamos o que nos diz São Bernardo (séc. XII), sobre a Apresentação do Senhor:
“Oferece teu filho, Santa Virgem,
e apresenta ao Senhor o fruto bendito de teu ventre.
Oferece, para reconciliação de todos nós,
A Santa Vítima que é agradável a Deus” .

Nos braços de Simeão, o Menino Jesus não é só oferecido ao Pai, mas também ao mundo…
Maria é assim a Mãe da humanidade…
O dom da vida vem através de Maria…

Festa da Apresentação do Senhor:

Aquele que foi apresentado no templo é a luz do mundo e a Salvação tão esperada, agora por Ele há de ser realizada.

Ele é a luz de Deus enviada ao mundo, redenção da humanidade.

Acender as velas nesta celebração, e caminhar com elas nas mãos, é acolher Jesus como nossa luz e nossa salvação e, ao mesmo tempo, o compromisso de anunciá-Lo ao mundo.

Aquele que foi apresentado no templo, uma vez acolhido, também ao mundo deve ser apresentado, e isto acontece quando vivemos a graça do Batismo e somos sal da terra e luz do mundo, fazendo de nossa vida, uma agradável oferenda ao Senhor.

Ofertemos nossa vida cotidianamente com sacrifícios, constantes renúncias, lembrando que toda oferta é sacrifício, mas há de ser agradável sacrifício celebrado no Altar do Sacrifício do Senhor.

Assim, tomando nossa cruz 
com serenidade e fidelidade, segui-Lo;
até que um dia possamos fazer da Cruz
instrumento de travessia para a eternidade, para o céu.
Amém.

Festa da Apresentação do Senhor: "Salve, mãe da alegria celeste"

                                                          


Festa da Apresentação do Senhor:
"Salve, mãe da alegria celeste"

Rezemos com o Hino do Bispo São Sofrônio à Santíssima Virgem:

“Salve, mãe da alegria celeste;
Salve, tu que alimentas em nós um gozo sublime;

Salve, sede da alegria que salva;
Salve, tu que nos ofereces a alegria perene;

Salve, místico lugar da alegria inefável;
Salve, campo digníssimo da alegria inexprimível.

Salve, manancial bendito da alegria infinita;
Salve, tesouro divino da alegria sem fim;

Salve, árvore frondosa da alegria que dá vida;
Salve, mãe de Deus, não desposada;

Salve, Virgem íntegra depois do parto;
Salve, espetáculo admirável, mais alto que qualquer prodígio.

Quem poderá descrever o seu esplendor?
Quem poderá contar o seu mistério?
Quem será capaz de proclamar a sua grandeza?
Você adornou a natureza humana.
Você superou as legiões angélicas,
Você superou toda criatura, 
Nós a aclamamos: Salve, cheia de graça!”

Salve Rainha mãe de misericórdia...

Em poucas palavras... (Apresentação do Senhor)

                                  


O espírito missionário

“A profetisa Ana, que a Providência quis presente no Templo no momento da apresentação de Jesus, vive em profundidade esse encontro e ‘fala do Menino a tod

os os que esperavam a libertação de Jerusalém’ (Lc 2,38). Cada encontro com Jesus na Eucaristia deve despertar em nós o espírito missionário.” (1)

 

(1)             Lecionário Comentado - Volume  Tempo Comum I - Editora Paulus - pág. 910

A família no Plano de Deus

                                                           

A família no Plano de Deus

“E o Menino crescia e se tornava robusto
e enchia-Se de sabedoria. E a graça
de Deus estava com Ele” (Lc 2,40)

A cena: O quarto Mistério gozoso – Apresentação de Jesus no templo e a purificação de Maria (Lc 2,22-40).

Os pais de Jesus levam o Menino Jesus ao templo e O oferecem ao Senhor, de acordo com as prescrições da Lei do Antigo Testamento.

O Menino Deus já era entregue para o pleno cumprimento da vontade do Seu Pai.

Pela ação do Espírito Santo, dois anciãos (Simeão e Ana) veem realizadas suas esperanças de salvação, profetizam e anunciam Jesus como Luz nas nações.

Maria e José, na escuridão da fé, caminham de surpresa em surpresa, sempre abertos para a vontade de Deus, ouvindo, meditando e guardando tudo no coração.

Para que continuemos a reflexão sobre um acontecimento tão expressivo para nossa fé, ofereço ao leitor um pequeno comentário do Missal Quotidiano Dominical e Ferial (p.184):

“O Filho de Deus nasceu como os outros: esteve no seio de uma mulher e formou-Se nele como as outras crianças.

Durante os anos da chamada ‘vida oculta,’ o período mais longo da Sua existência terrena, Jesus foi crescendo ao ritmo das outras crianças e em condições semelhantes às suas, numa família que, aparentemente, em nada se distinguia das outras.

Recebeu dos Seus pais e do Seu meio ambiente uma educação comparável em todos os aspectos e em todos os campos, à do resto dos jovens de Nazaré.

Com eles, aprendeu, a partir dos Seus primeiros balbucios, as palavras da língua em que, anos mais tarde, haveria de anunciar a Boa Notícia e revelar os segredos do Pai.

Como as outras crianças, foi aprendendo progressivamente e por experiência própria, as dificuldades e as alegrias da vida quotidiana, das quais dão testemunho de maneira especial os exemplos e as comparações usadas nas Suas Parábolas.

Aprendendo com os pais e observando à Sua volta, foi ponderando o valor humano e o peso de eternidade das coisas mais simples, aparentemente insignificantes ou triviais.

E viveu santificando-as antes de ensinar que a fidelidade com as quais se assumem terá a sua recompensa independentemente de qualquer mérito”.

Foi numa família real que o Verbo Se fez Carne; cresceu não apenas em tamanho, força, mas também na sabedoria e graça diante de Deus.

A família, em todo tempo:

- Espaço fundamental para que os filhos aprendam os valores que devem nortear a vida toda (amor, liberdade, fidelidade, justiça, respeito...);

- Imprescindível para que se forme a pessoa, para que esta possa inserir-se na sociedade como um todo, vivendo e estabelecendo relações humanas, justas e fraternas.

E a família que professa a fé no Senhor:

- Como uma pequenina Igreja doméstica, é o espaço vital em que se aprende a viver as virtudes divinas: fé, esperança e caridade, que devem orientar todo nosso viver.

- Todos ao que dela fazem parte devem se revestir de sentimentos de misericórdia, bondade, humildade, mansidão, paciência, como tão bem expressou o Apóstolo Paulo (Cl 3, 12-21), dando suporte uns aos outros, no diálogo, na compreensão, no perdão; vivendo a caridade que é o vínculo da perfeição;

- O quanto possível, se encontrar com outras famílias, formando pequenos grupos de reflexão, para que não fiquemos isolados, mas criemos e fortaleçamos os elos de comunhão, fraternidade, solidariedade e mútua ajuda, para que todos cresçamos;

- Criar momentos do encontro para reflexão e Oração em comum, sem jamais se desligar da vida da comunidade, ao celebrar e prolongar o Mistério da Ceia Eucarística, iluminados pela Palavra Divina proclamada.

Tenhamos sempre a graça de aprender e viver as mais belas e divinas lições que a Sagrada Família nos oferece, e assim, imitando suas virtudes, possamos viver com ela na eternidade. Amém.


PS: Oportuno para a Celebração da Festa da Sagrada Família e a Apresentação do Senhor no templo, quando se proclama a passagem do Evangelho de Lucas (Lc 2,22-40).

Família, uma pequena Igreja (Festa da Sagrada Família - Ano B)

                                                          


Família, uma pequena Igreja

Celebrar Festa da Sagrada Família (ano B), é ocasião favorável para refletirmos sobre o papel fundamental que tem a família no Plano de Salvação que Deus nos propõe.

A família é uma pequena Igreja, e nela devem estar presentes alguns sinais da bênção do Senhor como vemos no Antigo Testamento: paz, abundância de bens materiais, concórdia e a descendência numerosa.

É o que vemos na passagem da primeira Leitura (Eclo 3,3-7.14-17a). A obediência e o amor eram imprescindíveis no cumprimento da Lei, de modo que esta obediência era sinal e garantia de bênção e prosperidade para os filhos, mas também um modo de honrar a Deus nos pais, como encontramos no Livro do Êxodo (20,12) – “honra teu pai e tua mãe”.

Os pais são instrumentos de Deus e fonte de vida, e como recompensa do “honrar pai e mãe”, os filhos obtêm o perdão dos pecados, a alegria, a vida longa e a atenção de Deus.

"Com razão se diz hoje que a família é o primeiro lugar da evangelização, provavelmente o mais decisivo. Com efeito, é na família que a criança, mesmo muito pequenina, respira ao vivo a fé ou a indiferença. Por aquilo que vê e vive, ela adverte se em sua casa - e na vida - há lugar para Deus ou não. Nota se a vida se projeta pensando só em si mesmos, ou também nos outros. Tudo isto para dizer que normalmente o modo de viver encontra as suas raízes na família.”  (1)

Na passagem da segunda Leitura (Cl 3,12-21), o Apóstolo Paulo exorta sobre o novo modo de relacionamento na família, onde os esposos e os filhos cristãos vivem a vida familiar como se já vivessem na família do Pai Celeste.

Revestidos do “Homem novo”, as relações são marcadas pela misericórdia, bondade, humildade, doação, serviço, compreensão, respeito pelo outro, partilha, mansidão, paciência e perdão.

Na passagem do Evangelho (Lc 2,22-40) sobre a apresentação de Jesus no templo, temos a experiência de Cristo, que entra  no  contexto  de  uma  família  humana  concreta,  e Lucas nos apresenta, de modo catequético, um quadro realista dos reveses e vicissitudes a que está sujeita a vida de uma família em todo tempo.

De acordo com o Livro do Levítico (Lv 12,2-8), quarenta dias após o nascimento de uma criança, esta deveria ser apresentada no Templo, e a mãe oferecia um ritual de purificação com a oferenda de um cordeiro de um ano (se a família fosse mais abastada) ou duas pombas ou duas rolas (famílias com menos recursos).

Na cena narrada por Lucas, temos no templo a presença de Simeão e Ana, que representam Israel, o Povo de Deus que esperava ansiosamente a sua libertação e restauração, bem como a universalidade da Salvação.

Simeão e Ana, anciãos que acolhem Jesus no Templo, não são pessoas desiludidas da vida, voltadas para o passado, como um tempo ideal que não tem volta; ao contrário, são pessoas voltadas para o futuro, atentas e abertas para o Deus libertador que vem ao encontro do Povo, e sabem ler os sinais de Deus naquela Criança.

Ambos possuem maturidade, sabedoria e equilíbrio, com espírito aberto e livre, colocando-se a serviço da comunidade.

Também hoje precisamos de novos “Simeãos e Anas” que ensinem os mais jovens a distinguir entre o que é eterno e importante e aquilo que é apenas passageiro e acessório.

As palavras de Simeão, sobre a espada que transpassaria a alma de Maria, nos permitem afirmar que a apresentação de Jesus no templo e a purificação de Maria, embora seja o quarto Mistério gozoso, também é um Mistério doloroso, glorioso e luminoso, quando Ele viesse a crescer em tamanho, sabedoria e graça diante de Deus.

Na Sagrada Família, como em todas as outras, há alegrias e sofrimentos, desde o nascimento até a infância e a idade adulta; ela amadurece através de acontecimentos alegres e tristes para cada um de seus membros, como vemos nos Evangelhos.

Nos dias atuais, a célula familiar está particularmente em perigo, e vemos postos em discussão seu direito tradicional, sua moral, sua economia, sua função social como papel formador de seus membros.

Na realidade em que vive a família, nem tudo é idílico, paz e serenidade. Toda família passa por sofrimentos e dificuldades: exílio, perseguição, crises no trabalho ou sua falta, separação, emigração, afastamento dos pais e outros inúmeros problemas e desafios.

- Sem trair ou negar o Evangelho, como ajudar a família a situar-se no mundo de hoje, e a construir-se a si mesma em meio às dificuldades que encontra?

Do ponto de vista moral, temos o divórcio, o espinhoso problema da limitação da natalidade e o aumento do número dos matrimônios fracassados que obrigam os cristãos a retomarem a consciência do caráter sagrado da família cristã.

No plano econômico, temos a crise econômica e suas graves consequências abalando as estruturas das famílias.

No plano político, a família é, felizmente, ajudada pelo Estado em muitos países, mas corre o perigo de ficar a serviço do Estado, sobretudo no que concerne à primeira educação dos filhos, em que semeiam os valores fundamentais: amor, verdade, respeito, justiça e liberdade.

São gravíssimos os problemas enfrentados pela família, e que não podem ser resolvidos facilmente, mas somente com abertura ao Espírito, acompanhada de profunda e frutuosa reflexão e Oração.

É preciso investir o máximo na formação daqueles que pretendem constituir nova família, a fim de que esta seja edificada com a sua irrenunciável e inadiável tarefa educativa, e para uma vida de intimidade e comunhão.

Somente assim ela não se degenerará, não fracassará, não se desvirtuará na multiplicação de divórcios, fomentando a desestruturação da família.

A solidez e a luminosidade de uma família somente se darão quando Jesus Cristo for, verdadeiramente, a base sólida sobre a qual se edifica esta pequena Igreja (Mt 7,21.24-27), se deixando iluminar por Sua Divina Luz (Jo 8,12).

Famílias devidamente edificadas também se abrem a relacionamentos comunitários solidários e fraternos, jamais se isolando, pois é impensável famílias como “pequenas ilhas” fechadas em si mesmas.

Na vivência da caridade, a família encontra a verdadeira fonte da unidade familiar, abrindo-se à realidade da Boa-Nova do Reino, em que se estabelecem relações fraternas e universais; abrindo-se a novos horizontes, como fez a Sagrada Família.

Se alguma família fracassou no mundo foi porque faltou, sobretudo, o verdadeiro amor, porque onde o amor se extingue, a família se esfacela, num processo irreversível de autodestruição.

Celebrando a Festa da Sagrada Família, que nossas famílias como pequenas Igrejas domésticas, sejam iluminadas pelos raios do Espírito, que nos são comunicados em cada Banquete Eucarístico para iluminar os caminhos obscuros e incertos por que passamos.

Somente deste modo as famílias serão espaços privilegiados do aprendizado dos valores, acima de tudo o aprendizado do Mandamento do Amor que o Senhor nos deixou, tornando a vida mais bela, o mundo mais fraterno e feliz.

Eternos aprendizes da Sagrada Família, sejamos; e, nesta escola, permaneçamos sempre para santificar e iluminar nossas famílias, pequeninas Igrejas domésticas em que o Senhor reina, pois onde Ele reina, reina o amor.

Urge que nossas famílias se abasteçam na Divina Fonte do Amor, tal como a família de Jesus, Maria e José, em total e incondicional obediência e fidelidade ao Amor do Pai e abertura ao Santo Espírito.



PS: Fontes de pesquisa: Missal Dominical, pp.100-101; www.dehonianos.org/portal
(1) Lecionário Comentado - Volume Advento/Natal - Editora Paulus - Lisboa  - p.255

PS: Oportuno para a celebração da Apresentação do Senhor no templo - dia 02 de fevereiro, quando se proclama a passagem do Evangelho de Lucas (Lc 2,22-40).

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