domingo, 4 de janeiro de 2026

Lancemos as redes em águas mais profundas

                                                   

Lancemos as redes em águas mais profundas 

“Como são belos sobre os montes,
os pés do mensageiro que anuncia a paz” (Is 52,7)

Ano Novo é sempre promissor, sobretudo quando temos em mãos um Planejamento Pastoral (Guia Pastoral), fruto do precioso trabalho de muitos, para lançarmos as redes em águas mais profundas, em comunhão e participação,  na perspectiva da Pastoral de Conjunto.

A evangelização jamais pode ser um ato individualista, mas com estreita vinculação com a caminhada e orientação do Magistério da Igreja, com seus organismos, assessorias e serviços, numa comunhão que se expressa na Pastoral de Conjunto.

Desafia-nos, como Igreja, a permanente urgência da busca de respostas evangélicas para os grandes desafios, que enfrentamos na realidade urbana e pós-moderna.

Com a presença e ação do Espírito Santo, faz-se necessário intensificar encontros, numa caminhada de Oração, formação e compromisso, valorizando a diversidade de carismas, dons e ministérios.

Seja a caridade princípio vital na caminhada de comunidade – “... já que o Cristo nos deu a escada da caridade pela qual todo cristão pode subir ao céu, conservai fielmente a caridade verdadeira, exercitai-a uns pra com os outros e, subindo por ela, progredi sempre mais no caminho da perfeição” (São Fulgêncio de Ruspe, bispo séc. IV).

Em todo o tempo, devemos participar da construção da casa da paz, fundados nos pilares da verdade, justiça, amor e liberdade, como nos falou o Papa São João João XIII (séc. X).

A Evangelização: lançar as redes em águas mais profundas

                                                                        

A Evangelização: lançar as redes em águas mais profundas


“Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida (Jo 14,6)

As Aqui(dioceses), assim como todas as Paróquias precisam de um Planejamento Pastoral (Guia Pastoral) para a continuidade do trabalho pastoral..

Trata-se de um valioso instrumento, que nos ajudará a lançar as redes em águas mais profundas, pois a evangelização prima pela superação da superficialidade e ativismo inconsequente.

Um bom Planejamento nos provoca para respostas comunitárias, sem ações individualizadas, mas inseridas na Pastoral de Conjunto, tendo sempre em mente os desafios concretos que se fazem presentes, com busca de respostas evangélicas, tendo sempre presente os grandes desafios que enfrentamos na realidade urbana e pós-moderna:

- A realidade urbana com seus desafios e respostas;
- Atividades como Igreja em estado permanente de missão;

- A defesa e promoção da pessoa humana no exercício de sua cidadania;
- O aprimoramento as atitudes de acolhida e fortalecimento dos vínculos de comunhão fraterna;

- O desafio da evangelização “das juventudes”;
- Presença evangelizadora nas escolas, universidades;

- A devida preparação para os Sacramentos, numa Catequese de inspiração catecumenal;
- Meios de comunicação social e a Evangelização;

- Fortalecimento das pastorais sociais;
- Formação bíblica e espiritualidade do agente de pastoral;

- Maior cuidado com os momentos litúrgicos, para que sejam momentos fortes de Oração.

Urge vocações de cristãos leigos e leigas, que sejam sal da terra e luz do mundo, alimentadas pela Palavra e Eucaristia, juntamente com padres, Bispos, religiosos e religiosas, presentes nas diversas estruturas, organismos e pastorais, para que no espírito da comunhão e participação, e na evangélica opção preferencial pelos pobres, participemos da construção de uma sociedade justa, fraterna e mais solidária, a caminho do Reino definitivo.

Tenhamos sempre em mente que o Protagonista da evangelização é o Espírito Santo, de modo que a diversidade de carismas, dons e ministérios devem ser compartilhados, para garantia de êxitos, contando com a presença de Maria, a Estrela da Evangelização.

Epifania: Jesus é o Salvador de todos os povos (Homilia - Epifania)

                                                     


Epifania: Jesus é o Salvador de todos os povos

Celebraremos com toda a Igreja, a Solenidade da Epifania do Senhor, que é a manifestação (revelação) de Jesus como a Luz e Salvação de todos os povos: Deus não limitou o Seu Amor apenas àqueles que pertenciam ao povo judaico, mas ilumina todos os povos da terra.

Na passagem da primeira Leitura (Is 60,1-6), ouvimos o anúncio da chegada da luz salvadora de Javé, que não somente trará alegria para Jerusalém como atrairá para esta cidade de Deus, todos os povos do mundo todo.

O contexto da primeira Leitura é de retorno do Exílio, logo, contexto de desolação, sofrimento e o desafio de reconstrução da história. Jerusalém será restaurada com o regresso de muitos, e todos os povos convergirão para ela, inundando-a de riquezas, com louvores e cantos.

O Profeta é portador da mensagem que revela a fidelidade incondicional de Deus que jamais abandona e desiste do Seu povo, e está sempre pronto para oferecer salvação e vida plena e feliz.

Como comunidade que professa a fé no Senhor, também precisamos ser sinal de esperança no mundo, não permitindo que desavenças, conflitos, falta de amor e rivalidades ofusquem e enfraqueçam a nossa missão.

Na passagem da segunda Leitura (Ef 3,2-3a.5-6), o Apóstolo Paulo nos apresenta o Projeto Salvador de Deus, que abrange toda a humanidade, reunindo todos os povos, judeus e pagãos, numa mesma comunidade de irmãos.

Trata-se de uma síntese catequética Paulina sobre o Mistério do Projeto Salvador de Deus, que se destina a todos os povos. De fato, em Jesus, a Salvação chegará a todos os povos.

É um grande desafio que a comunidade se torne mais fraterna, onde o amor seja vivido, superando toda e qualquer forma de distinção de raça, cor, status social. 

Deste modo, as diferenças existentes são legítimas e são complemento da riqueza comum e jamais motivo para manifestação de indiferença e afastamento mútuo.

Na passagem do Evangelho (Mt 2,1-12), vemos a realização desta promessa na pessoa de Jesus, contemplada e testemunhada pela presença dos magos que vêm a Belém para adorá-Lo e oferecer os seus presentes (ouro/realeza, incenso/divindade e mirra/humanidade).

Os magos são astrólogos mesopotâmicos, aqui representando os povos estrangeiros, segundo a catequese do Evangelista Mateus.

A atitude destes se contrapõe literalmente à atitude de Herodes. Os magos adoram, e sentem uma grande alegria e O reconhecem como Seu Senhor; Herodes, por sua vez, e Jerusalém “ficam perturbados” diante na notícia do nascimento de Jesus e planejam a Sua morte. Os sacerdotes e escribas são indiferentes, pois não foram ao encontro do Messias que eles bem conheciam pelas Escrituras.

A atitude dos magos é profundamente questionadora para nós: viram a estrela e deixaram tudo; arriscaram tudo e vieram à procura de Jesus, em atitude de desinstalação total.

Eles vieram do oriente, onde se levanta o sol, e uma estrela iluminou a noite deles para sempre, porque se prostraram diante do verdadeiro Sol nascente que jamais Se põe: Jesus Cristo.

Os magos representam todas as pessoas do mundo todo que vão ao encontro de Cristo e que se prostram diante d’Ele:“... para que ao nome de Jesus todo joelho se dobre no céu, na terra e sob a terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é o Senhor, para a glória de Deus Pai.” (Fl 2, 10-11). 

Esta é a imagem da Igreja, uma família de irmãos e irmãs, constituída de pessoas de todas as nações e raças, em adesão incondicional ao Senhor.

É preciso com os magos aprender, e o mesmo fazer. 

É esta a grande e inesgotável riqueza da Solenidade da Epifania que celebramos: Jesus Se revela a nós como Salvador de todos os povos; é a estrela que guia e ilumina nossos caminhos.

Jesus vem realizar o Projeto de Salvação, que se destina a todos os povos: unidade com as diferenças e não a uniformidade.

Como os magos, é preciso que nos desinstalemos de nossas acomodações, seguranças; é preciso que nos coloquemos ao encontro da Luz. Jamais servir os “Herodes” que cruzarão em nossos caminhos; tão pouco sermos indiferentes ao melhor que Deus tem a nos oferecer.

Aprender com eles a ser como peregrinos na fé, atentos aos sinais de Deus e prontidão para seguir com generosidade e coragem; perseverantes, não obstante as dificuldades; fiéis à bondade de Deus contra toda maldade que possa surgir no caminho.

Ir ao encontro da Luz, o presente de Deus para a humanidade, Jesus, e também oferecer nosso presente, ou seja, o melhor de nós para Ele, jamais de mãos e coração vazios.

É preciso buscar novos caminhos para anunciá-Lo e testemunhá-Lo. Quantas vezes a estrela se manifesta a nós e optamos pela escuridão, luzes que se apagam tão rapidamente!

Reflitamos:

- Somos capazes de nos desinstalar e ir ao encontro do Senhor para adorá-Lo, anunciá-Lo e testemunhá-Lo, como convictos e alegres discípulos missionários Seus?

- Tanto se fala sobre uma “Igreja em saída” para anunciar o Evangelho. Neste sentido, o que os magos nos ensinam?

Somente Deus possui brilho incessante, porque o Amor é a Luz que resplandece eternamente no coração de quem busca e encontra, e que encontrando ainda falta tudo para encontrá-Lo, porque Deus é para nós um Mistério inesgotável de Amor.

A Solenidade da Epifania nos propicia um novo olhar para o ano que inicia: novos olhares, novos projetos, novos caminhos... 

O ano está apenas começando.

O melhor de nós para o Menino Jesus (Epifania)

                                          


O melhor de nós para o Menino Jesus

Vou com os magos adorar o Menino Jesus.
A Ele, meu maior e mais belo presente,
Promessa tão bela que Deus cumpriu.
Levarei também os meus presentes.

A estrela nos guia até aquele lugar pleno de luz,
Porque ali está o Menino Jesus,
A luz plena e eterna, a Luz de todas as Luzes,
Iluminando minha existência e as noites escuras.

Vou com Belchior, o Rei da Núbia,
Que levou o ouro, sinal da realeza,
Porque aquela Criança, tão frágil e meiga,
Reinará em todos os corações, com certeza.

Vou com Baltazar, Senhor da Etiópia,
Que levou incenso, sinal da divindade.
Adoremos aquela Criança, tão terna e serena,
Presença entre nós da segunda Pessoa da Trindade.

Vou com Gaspar, rei de Tarso,
Que levou mirra, sinal de humanidade,
Humanidade do Deus que Se fez Carne,
Na Cruz, mais tarde, crucificada, vida nova Ressuscitada.

Não mais voltarei pelo mesmo caminho,
Deixo aos pés do Senhor meus presentes,
O melhor que posso, no dia a dia, ser e fazer,
Para um novo tempo, nova realidade acontecer.

Já não precisamos mais da estrela a nos guiar,
Pois Ele mesmo é a Luz que vem nos iluminar:
Novos caminhos, novos sonhos, novos horizontes;
Um novo tempo, um novo começo, jamais desanimar.

A Evangelização nos desafia: É tempo de sermos epifânicos! (Epifania do Senhor)

                                                               

A Evangelização nos desafia:
É tempo de sermos epifânicos!

Há de brilhar e brilhou…
Uma estrela há dois milênios,
Que conduziu os magos no oriente,
Anunciando ao mundo
O mais belo presente.

Há de brilhar e brilhou…
Anunciando que Deus em nosso meio Se fez presente,
Recebendo a adoração dos pagãos e de toda gente;
Que nos conduziu ao Deus Menino,
Mudando plenamente nosso destino.

Presenteado com incenso, mirra e ouro,
Porque é, do mundo, o mais belo tesouro.
Levou-nos Àquele que é Homem, Rei e Deus,
Vivendo na pobreza entre os Seus.

E que os sábios, por novo caminho,
Conduziram a um novo horizonte.
A morte do inocente que era tão certa,
Evitada quando nova estrada se fez aberta.

Por caminhos de Herodes não mais hão de voltar;
Alternativas para a humanidade nunca hão de faltar,
Não só para conduzir a Jesus,
Mas, para que O anunciemos como Luz.

Anunciando que o Salvador de todos os povos Se Encarnou
E o coração de todos de Amor plenificou.
Realeza, Divindade, Humanidade revela-nos a frágil criança,
Mas, não tão frágil que possa fragilizar nossa esperança!

Há de brilhar e brilhou…
Não mais a estrela do oriente,
Mas, a própria Luz que é Jesus - Deus presente -
Aquele que maior brilho nenhuma estrela poderá conter,
Pois sem Ele nada haveria de ser.

Ele é a Estrela a nos conduzir
Ao bem, amor e verdade e o mundo seduzir,
Com as mais belas palavras que se possa ouvir.
Ele veio, vem e virá: Aquele que há de sempre vir.

Ele é a estrela a nos iluminar,
Para nos reeducar na arte de amar.
Estrela maior a nos acalentar
Nas veredas da alegria, beleza e novos caminhos reinventar.

Estrela que na família o brilho há de resplandecer,
Para novos relacionamentos aprender a tecer.
Que nela cresça a harmonia, o diálogo, a compreensão e o carinho.
Aprendamos com Aquele que Se fez Verdade, Vida e Caminho.

Há de brilhar e brilhou…
Estrela presente em toda comunidade,
Para que a verdade, justiça, amor e liberdade,
Sejam solidificados como os mais belos pilares,
Quer da Igreja, quer de nossos lares.

Estrela desejada por toda humanidade,
Que nos educa para a acolhida, convivência e cooperação,
Hospitalidade, tolerância, princípios fundamentais da evangelização.

Estrela que no mais profundo de nós brilha!
Cantos e hinos não podem expressar tão grandes maravilhas!
Brilho que não se pode ocultar,
Pois é celebrado e renovado no mais singelo Altar.

Há de brilhar e brilhou…
Estrela que habita sim no mais singelo Altar.
Ó! Tão belo e grande Hóspede que não nos pode faltar.
No altar do coração humano veio inaugurar
Um mundo mais sadio, menos insano.

Há de brilhar e brilhou…
A mais bela das estrelas: Jesus, que o mundo redimiu!
Para todos de boa vontade a porta do céu novamente se abriu.
A vida, uma grande Epifania há de ser,
Para quem a Onipresença divina perceber;
A Onipotência divina testemunhar
Com a Onisciência divina que há de nos acompanhar!

Epifania! Nada mais será como antes!
As trevas cederam à Luz,
Iluminaram-se vidas e caminhos.

Contemplemos Deus no Deus Menino!

Luz de todos os povos, iluminai-nos! (Epifania)

                                                             

Luz de todos os povos, iluminai-nos!

Cremos, piamente, Senhor Jesus Cristo, como nos ensina a vossa Igreja, que sois verdadeiramente a “chave, o centro, o fim do homem e também de toda a história humana” e que tão somente abertos e comprometidos com a Boa-Nova do Reino de Deus que inaugurastes, é que encontraremos a verdadeira e desejada felicidade.

Crendo em Vós, confiamos e nos abrimos a Vós, e queremos ser transformados em Vós, aceitando-Vos por modelo de comportamento, como assim nos ordenastes – “dei-vos o exemplo, a fim de que, como Eu vos fiz, também vós o faças” (Jo 13,15).

Contemplamo-vos, Senhor Jesus Cristo, a luz e Salvação de todos os povos, e suplicamo-Vos a graça de edificar uma Igreja Sinodal com as marcas indispensáveis da fé em Vós, o amor recíproco entre nós e a fidelidade aos preceitos do amor a Deus e ao próximo, que nos destes, assistidos pelo Vosso Espírito.

Glorificamo-Vos, Senhor Jesus Cristo, e elevamos nossas orações, muito mais do que pedido de graças, a força e coragem para o empenho pessoal e comunitário, para realizar o que nos mandastes, revigorando o propósito de uma fé autêntica em Vós, e de operosa, frutuosa e comprometida caridade para com os irmãos, sobretudo os que mais precisarem.

Adoramo-Vos, Senhor Jesus Cristo, que sois o centro vivo da fé; somente por meio de Vós podemos ser salvos, recebendo de Vós o fundamento e a  síntese de toda a verdade, porque somente Vós sois a Verdade que nos liberta de toda e qualquer forma de escravidão e nos faz verdadeiramente livres no Espírito.

Tornai, Senhor Jesus Cristo, a nossa fé em Vós, força dinâmica e criativa, a fim de que, como Igreja decididamente missionária, “em saída para as periferias existenciais”, sejamos capazes de testemunhar-Vos, bem como Vossa mensagem se tornar conhecida e aceita por todos a humanidade. Amém.



Fonte inspiradora: Comentário do Missal Cotidiano sobre a passagem da Leitura – 1 Jo 3,22-4,6

Em poucas palavras... (Epifania)

 


Cristo, o Messias, Filho de Deus e Salvador

“A Epifania é a manifestação de Jesus como Messias de Israel, Filho de Deus e salvador do mundo.

Juntamente com o batismo de Jesus no Jordão e as bodas de Caná (Liturgia das Horas), a Epifania celebra a adoração de Jesus pelos «magos» vindos do Oriente (Mt 2,1).

Nestes «magos», representantes das religiões pagãs circunvizinhas, o Evangelho vê as primícias das nações, que acolhem a Boa-Nova da salvação pela Encarnação.

A vinda dos magos a Jerusalém, para «adorar o rei dos judeus» (Mt 2,2), mostra que eles procuram em Israel, à luz messiânica da estrela de David (Nm 24,17; Ap 22,16), Aquele que será o rei das nações (Nm 24,17-19).

A sua vinda significa que os pagãos não podem descobrir Jesus e adorá-Lo como Filho de Deus e Salvador do mundo, senão voltando-se para os Judeus (Jo 4,22) e recebendo deles a sua promessa messiânica, tal como está contida no Antigo Testamento (Mt 2,4-6).

A Epifania manifesta que «todos os povos entram na família dos patriarcas» (Papa São Leão Magno) e adquire « israelitica dignitas» – a dignidade própria do povo eleito (3ª Oração da Vigília Pascal).” (1)

 

(1) Catecismo da Igreja Católica – parágrafo n. 528

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