domingo, 4 de janeiro de 2026

A Evangelização: lançar as redes em águas mais profundas

 


A Evangelização: lançar as redes em águas mais profundas
 
“Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida” (Jo 14,6)
 
Um Planejamento Pastoral deve ser fruto do trabalho conjunto de muitas mãos, mentes e corações, que possibilita a continuidade da ação evangelizadora.
 
Um valioso instrumento que ajuda a lançar as redes em águas mais profundas (Lc 5,1-11), pois a evangelização prima pela superação da superficialidade e ativismo inconsequente; provoca-nos para respostas comunitárias, sem ações individualizadas, mas inseridas na Pastoral de Conjunto.
 
Precisamos buscar respostas evangélicas para os grandes desafios que enfrentamos na realidade urbana e pós-moderna:
 
- A realidade urbana: desafios e respostas;
- A evangelização da família;
- O resgate da pessoa humana no exercício de sua cidadania;
- O aprimoramento das atitudes de acolhida e fortalecimento dos vínculos de comunhão fraterna;
- O desafio da evangelização da juventude;
- Um projeto missionário que expresse a dimensão missionária de toda a Igreja;
- Presença evangelizadora nas escolas e universidades;
- A necessidade de uma linguagem comum para os Sacramentos;
- Formação bíblica e espiritualidade do agente de pastoral;
- Maior cuidado com os momentos litúrgicos, para que sejam momentos fortes de oração;
- Evangelizar através dos Meios de comunicação social contando com a sóbria utilização dos recursos da inteligência artificial;
- Fortalecimento das pastorais sociais na promoção da dignidade da vida e o cuidado da Casa Comum.
 
Deste modo, é necessário que as vocações cristãs leigas, alimentadas pela Palavra e Eucaristia, atuem em sintonia com padres, Bispo, religiosos e religiosas, em diversas estruturas, organismos e pastorais.
 
Urge que no espírito sinodal, comunhão e participação, e na evangélica opção preferencial pelos pobres, participemos da construção de uma sociedade justa, fraterna e mais solidária, a caminho do Reino definitivo.
 
Tenhamos sempre em mente que o Protagonista da evangelização é o Espírito Santo, de modo que a diversidade de carismas, dons e ministérios devem ser compartilhados, garantia de êxito na evangelização (1 Cor 12-30), na fidelidade a Jesus, o Caminho, a Verdade e a Vida (cf. Jo 14,6), e tão somente assim evangelizaremos e avançaremos para as águas mais profundas.

sábado, 3 de janeiro de 2026

A graça da contemplação da face divina

                                                            

A graça da contemplação da face divina

“Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda
não é manifestado o que havemos de ser.
 Mas sabemos que, quando Ele se manifestar,
seremos semelhantes a Ele; porque assim
como é O veremos” (1 Jo 3,2)

Reflexão à luz da passagem da Primeira Carta de São João (1 Jo 2,29-3,6), na qual ele diz que somos, a partir de Jesus, filhos amados, capazes de manifestar ao mundo o amor do Deus Pai.

Como filhos de Deus, devemos viver o tempo presente na prática da justiça, pois no Paraíso já não haverá necessidade de praticá-la, visto que já estaremos mergulhados na plenitude do amor de Deus.

Deste modo, por sermos filhos de Deus, três consequências são fundamentais:

- já não pertencemos ao mundo, que não recebeu Jesus (Jo 15,18-19; 17-14-16);

- devemos procurar uma vida na pureza e na santidade, como Cristo, evitando o pecado (Jo 18,17-19), empenhados nas obras de justiça por sermos filhos de Deus.

- esperar confiantes pela salvação ainda maior que, no futuro, se realizará (Jo 17,24).

Precisamos viver livres dos tentáculos do mundo, com suas seduções e pecado, em permanente vigilância e conversão, para não cairmos em tentação e nos afastarmos da comunhão com Deus e com nosso próximo.

Viver este tempo na prática do bem, na fidelidade a Jesus, guiados e conduzidos pelo Espírito, para estarmos em perfeita comunhão com o Pai, e assim, um dia, possamos contemplar a face da Trindade Santa, mergulhar neste amor indizível e imensurável.

O duplo Preceito do Amor

                                                                      

O duplo Preceito do Amor

“Ama, pois, o teu próximo e procura
no teu íntimo a origem deste Amor...”

Amor a Deus e ao próximo,
duplo Preceito indissociável


Reflexão à luz do “Tratado sobre o Evangelho de São João”, escrito por Santo Agostinho (séc. V), sobre o duplo Preceito da Caridade, que nos torna verdadeiramente promotores da paz, realizando uma das Bem-Aventuranças que o Senhor, na Sagrada Montanha, nos apresentou - "Bem-Aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus" (Mt 5,9).

“Veio o Senhor, mestre da caridade, cheio de caridade, cumprir prontamente a Palavra sobre a terra (cf. Rm 9,28 Vulg.), como d’Ele foi anunciado, e sintetizou a Lei e os Profetas nos dois preceitos da caridade.

Recordai comigo, irmãos, quais são esses dois Preceitos. É preciso que os conheçais profundamente, de tal modo que não vos venham à mente só quando vo-los lembramos, mas os conserveis sempre bem gravados em vossos corações. 

Recordai-vos em todo momento de que devemos amar a Deus e ao próximo: a Deus de todo o nosso coração, de toda a nossa alma, e de todo o nosso entendimento; e ao próximo como a nós mesmos (cf. Mt 22,37-39).

Esses dois Preceitos devem ser sempre lembrados, meditados, conservados na memória, praticados, cumpridos. O amor de Deus ocupa o primeiro lugar na ordem dos Preceitos, mas o amor do próximo ocupa o primeiro lugar na ordem da execução. Pois, quem te deu esse duplo preceito do amor, não podia ordenar-te amar primeiro ao próximo e depois a Deus, mas primeiramente a Deus e depois ao próximo.

Entretanto, tu que ainda não vês a Deus, merecerás vê-Lo se amas o próximo; amando-o purificas teu olhar para veres a Deus, como afirma expressamente São João: 'Quem não ama o seu irmão, a quem vê, não poderá amar a Deus, a quem não vê '(1 Jo 4,20).

Ouviste o Mandamento: Ama a Deus. Se me disseres: 'Mostra-me a quem devo amar', que responderei senão o que disse o mesmo São João: A Deus, ninguém jamais viu? (Jo 1,18). E para pensares que está absolutamente fora de teu alcance ver a Deus, o mencionado Apóstolo afirma: 'Deus é Amor: quem permanece no amor, permanece com Deus '(1Jo 4,16). Ama, pois, o teu próximo e procura no teu íntimo a origem deste amor; lá verás a Deus o quanto agora te é possível.

Começa, portanto, a amar o próximo. Reparte o pão com o faminto, acolhe em casa o pobre sem abrigo; quando encontrares um nu, cobre-o, e não dês as costas ao teu semelhante (cf. Is 58,7).

Procedendo assim, o que alcançarás? Então brilhará a tua luz como a aurora (Is 58,8). Tua luz é o teu Deus; Ele é a aurora que despontará sobre ti depois da noite desta vida. Essa luz não conhece princípio nem ocaso, porque existe eternamente.

Amando o próximo e cuidando dele, vais percorrendo o teu caminho. E para onde caminhas senão para o Senhor Deus, para Aquele que devemos amar com todo o nosso coração, com toda a nossa alma, de toda a nossa mente? É certo que ainda não chegamos até junto do Senhor; mas já temos conosco o próximo. Ajuda, portanto, aquele que tens ao lado, enquanto caminhas neste mundo, e chegarás até junto d’Aquele com quem desejas permanecer para sempre.”

A dupla face do Mandamento do Amor que o Senhor nos deixou: amar a Deus e ao próximo. 

E nós os vivemos:

Quando não ilhamos os dois amores.
Quando não os esvaziamos de conteúdos.
Quando não os tornamos apenas teorias.
Quando não os dissociamos do Mistério da Cruz.

Quando damos a eles matizes Pascais.
Quando sabemos viver renúncias, desapegos...
Quando temos coragem de morrer por algo melhor.
Quando o coração plenificado do Amor Divino
Se visibiliza em pequenos e grandes gestos solidários.

Quando não nos curvamos diante dos pecados capitais
Que roubam a beleza da vida, porque nos escravizam.
Quando pautamos nossa vida pelos dons do Santo Espírito,
Que se vividos, acolhidos, nos humanizam, divinizam.

Espírito que na criatura, em Mistério insondável habita,
Divinizados nos fez, semente da eternidade nos concedeu.
Se imagem de Deus convicção tivermos de que somos,
Empenho pela paz fará mais belo um mundo novo possível. Amém.

PS: Apropriado para a passagem do Livro do Deuteronômio (Dt 6,4-13)

Senhor, enquanto este dia não chega, Vos suplicamos

                                                         

Senhor, enquanto este dia não chega, Vos suplicamos

Senhor, quando chega o Domingo Vossa família se reúne para escutar a Palavra da Salvação e participar no Pão da Vida, celebrando o Memorial do Senhor Ressuscitado, reafirmando a esperança do Domingo que não tem ocaso.

Neste dia toda a humanidade entrará no Vosso descanso. Então veremos o Vosso rosto e louvaremos sem fim a Vossa Misericórdia.

Senhor, enquanto este dia não chega, Vos suplicamos:
Libertai-nos de toda forma de paralisia da qual a humanidade é acometida: paralisia pelo medo, falta de esperança e da divina confiança.

Senhor, enquanto este dia não chega, Vos suplicamos:
Libertai Vossas famílias dos laços que a imobilizam pela falta da acolhida, carinho, perdão, transparência e diálogo.

Senhor, enquanto este dia não chega, Vos suplicamos:
Libertai nossas comunidades das paralisias que a imobilizam e a instalam às margens do mar da vida, sem o necessário lançar das redes em águas mais profundas.

Senhor, enquanto este dia não chega, Vos suplicamos:
Libertai os pensamentos e desejos daqueles que decidem o futuro das nações, para que não se limitem no curto espaço de suas ambições e interesses pessoais, mas tenham em vista o bem comum. Que não sejam imobilizados pela cumplicidade e pacto com a sedução do poder, acúmulo e prestígio.

Senhor, enquanto este dia não chega, Vos suplicamos:
Libertai os pensamentos e sonhos dos poetas, o grito audacioso e corajoso dos Profetas. Libertai as amarras das cordas vocais dos que cantam para que proclamem ao mundo a Vossa suave e bela melodia de um mundo mais justo, humano e fraterno.

Senhor, enquanto este dia não chega, Vos suplicamos:
Perdoai nossos pecados nas palavras, pensamentos e omissões, e em toda e qualquer forma de ação que não corresponda ao Vosso desígnio de vida e paz para toda a humanidade.

Senhor, enquanto este dia não chega, Vos suplicamos:
Perdoai os pecados de Vossa Igreja, santa e pecadora, para que melhor se torne instrumento do Reino, levedando-o silenciosamente pela Lógica Eucarística – amor a Vós e ao próximo.

Senhor, enquanto este dia não chega, Vos suplicamos:
Perdoai nossos pecados, para que bom fermento na massa sejamos, fermentando um mundo novo, pelo qual a vida de Vosso Filho não poupastes.

Senhor, enquanto este dia não chega, Vos suplicamos:
Ajude-nos a manter acesa a Chama Batismal, para que ao mundo, gosto de Deus venhamos a dar e da terra sal sejamos.

Senhor, enquanto este dia não chega, Vos suplicamos:
Que participemos alegremente do Banquete da Eucaristia, ouvindo e acolhendo Vossa Palavra. Que nos alimentemos do Pão, que é o Corpo do Vosso próprio Filho, inflamados pela presença e Amor do Vosso Espírito. Amém

Em poucas palavras...

                                                      


Amor a Deus e ao próximo 

“Esses dois Preceitos devem ser sempre lembrados, meditados, conservados na memória, praticados, cumpridos. O amor de Deus ocupa o primeiro lugar na ordem dos Preceitos, mas o amor do próximo ocupa o primeiro lugar na ordem da execução. Pois, quem te deu esse duplo preceito do amor não podia ordenar-te amar primeiro ao próximo e depois a Deus, mas primeiramente a Deus e depois ao próximo”.  (1)

 

(1)Santo Agostinho (séc. V)

sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Oração para repelir as tempestades

                                                        

Oração para repelir as tempestades

O Missal Romano oferece uma Oração para várias necessidades, e retomo uma delas. 

Oremos:

Ó Deus, a quem todos os elementos obedecem,
Aplacai as tempestades,
para que o temor, inspirado pelo vosso poder,
se transforme em louvor.
Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho,
Na unidade do Espírito Santo. Amém.

Anos passados passados celebrei a Missa pedindo a Deus por Belo Horizonte-MG, uma vez que os noticiários estão alertando para a forte chuva que cairia naquele dia.

Bem sabemos dos graves problemas que enfrentam as cidades no que se refere à infraestrutura, conservação do córregos e rios, ausência de políticas públicas que previnam e evitem possíveis calamidades.

Sejam acompanhadas de nossas orações compromissos de todas as pessoas de boa vontade de criar melhores condições em nossas cidades, mais investimentos, preservação e melhor interação com o meio ambiente.

Elevemos quando preciso as orações a Deus, sem jamais eximir de nossas responsabilidades, que desde o princípio da criação por Ele a nós foram confiadas, como lemos nas primeiras páginas do Livro do Gênesis, na Sagrada Escritura.

MENSAGEM DO SANTO PADRE LEÃO XIV PARA O LIX DIA MUNDIAL DA PAZ - 1 DE JANEIRO DE 2026 (síntese)

 


MENSAGEM DO SANTO PADRE LEÃO XIV PARA O  LIX DIA MUNDIAL DA PAZ - 1 DE JANEIRO DE 2026 (síntese)

A Mensagem tem como título “A paz esteja com todos vós. Rumo a uma paz desarmada e desarmante” e tem como motivação bíblica a passagem do Evangelho de João em que Jesus Ressuscitado saúda os seus discípulos na noite de Páscoa - “A paz esteja convosco!” ( Jo 20, 19.21):

“Do mesmo modo que, na noite de Páscoa, Jesus entrou no lugar onde se encontravam os discípulos assustados e desanimados, assim a paz de Cristo ressuscitado continua a atravessar portas e barreiras com as vozes e os rostos das suas testemunhas. É o dom que permite não esquecer o bem, reconhecê-lo como vencedor, escolhê-lo novamente e juntos.”

Na introdução, ao citar o Papa Francisco, nos fala da importância da promoção da paz do Cristo Ressuscitado, sobretudo se considerarmos o contexto atual: “O Ressuscitado introduziu-nos neste horizonte. É neste sentir que vivem os promotores da paz que, no drama daquilo que o Papa Francisco definiu como “terceira guerra mundial em pedaços”, ainda resistem à contaminação das trevas, como sentinelas na noite”.

A paz, afirma o papa, tem o sopro da eternidade: “enquanto ao mal se ordena ‘basta’, a paz se suplica para sempre’.

Urge uma paz desarmada, como é a paz de Jesus Ressuscitado, porque desarmada foi a Sua luta, dentro de precisas circunstâncias históricas, políticas e sociais.

Esta urgência é fundamental, sobretudo se considerarmos que “... ao longo de 2024, as despesas militares a nível mundial aumentaram 9,4% em relação ao ano anterior, confirmando a tendência ininterrupta dos últimos dez anos e atingindo o valor de 2,72 biliões de dólares, ou seja, 2,5% do PIB mundial.”

O cenário, afirma o Papa é de uma espiral de destruição sem precedentes, que compromete o humanismo jurídico e filosófico do qual qualquer civilização depende e pelo qual é protegida.

Também nos alerta para os recentes avanços tecnológicos e a aplicação das inteligências artificiais no âmbito militar que radicalizaram a tragédia dos conflitos armados – “Está-se a delinear até mesmo um processo de desresponsabilização dos líderes políticos e militares devido ao crescente “delegar” às máquinas as decisões relativas à vida e à morte das pessoas...”

Deste modo, reitera o apelo dos padres conciliares, acenando para o diálogo como a via mais eficaz em todos os níveis.

Urge uma paz desarmante e a bondade é desarmante, afirma o Papa, com o necessário desarmamento integral, desde há muito proclamado pelo Magistério da Igreja

 Afirma, portanto, que com ação, é mais do que nunca necessário cultivar a oração, a espiritualidade, o diálogo ecumênico e inter-religioso como caminhos de paz e linguagens de encontro entre tradições e culturas; de tal modo que, cada comunidade se torne uma “casa de paz”, onde se aprende a neutralizar a hostilidade através do diálogo, onde se pratica a justiça e se conserva o perdão.

Mais do que nunca é preciso promover a paz que não é uma utopia, através de uma criatividade pastoral atenta e generativa, completa o Papa.

Acena para o caminho desarmante da diplomacia, da mediação, do direito internacional, infelizmente contrariado por violações cada vez mais frequentes de acordos alcançados com grande esforço, num contexto que exigiria não a deslegitimação, mas sim o fortalecimento das instituições supranacionais.

Conclui exortando que, como um dos frutos do Jubileu da Esperança, nos redescubramos como peregrinos, com o necessário desarmamento do coração, da mente e da vida, certos de que Deus não tardará em responder, cumprindo as Suas promessas:

«Ele julgará as nações, e dará as suas leis a muitos povos, os quais transformarão as suas espadas em relhas de arados, e as suas lanças, em foices. Uma nação não levantará a espada contra outra, e não se adestrarão mais para a guerra. Vinde, Casa de Jacob! Caminhemos à luz do Senhor» (Is 2, 4-5).

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