sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

A caridade é condição para a paz

                                                                  


A caridade é condição para a paz

Reflexão à luz da passagens bíblicas (1 Jo 3,7-10; Sl 971.7-8.9; Jo 1,35-42), sobre a Pessoa de Jesus, Sua missão e a prática da caridade, que Ele viveu e nos ensinou.

Para que foi enviado o Filho de Deus, cujo nascimento celebramos no dia do Natal do Senhor?

Jesus é o Filho de Deus enviado para aniquilar as forças mortificantes da dignidade humana. E precisamente nesta dimensão social, a capacidade de ‘tirar o pecado do mundo’ irá demonstrar-se como a capacidade de amar: não é só uma vitória contra o egoísmo individual, mas também contra as apertadas malhas construídas em redor do homem, por quem está interessado na sua ruína”. (1)

Cremos n’Ele e em Seu poder, portanto, temos que amar como Ele nos amou. Neste sentido, o Bispo Santo Agostinho afirmou:

“Somente a caridade permite distinguir os filhos de Deus dos filhos do diabo. Os que possuem a caridade nasceram de Deus, os que não a têm não nasceram de Deus.

É este o grande critério de discernimento. Se tu tivesses tudo, mas te faltasse esta última coisa, de nada te valeria o que tens; se não tens as outras coisas, mas possuis esta, já cumpriste a Lei”.

Isto nos remete às palavras do Apóstolo Paulo, e que poderão nos conduzir ao longo deste ano, a fim de que façamos progressos na prática da caridade, pois isto é o que conta, e nos identifica com nosso Senhor, que amamos, anunciamos e testemunhamos:

“E, sobretudo isto, revesti-vos de amor, que é o vínculo da perfeição” (Cl 3,14).

“O amor não faz nenhum mal contra o próximo. Portanto, o amor é o cumprimento perfeito da Lei” (Rm 13,10);

“Ainda que eu falasse a língua dos homens e dos anjos, se não tiver amor, sou como um bronze que soa ou um címbalo que retine... O amor jamais passará.” (1 Cor 13,1-8).

Considerando os fatos nos noticiários, que tanto nos entristecem, a estatística da miséria, da desigualdade social, somados a tantos outros acontecimentos, urge que a humanidade reencontre o caminho da prática da caridade, e a cultura do cuidado como o percurso da Paz.

A paz a ser promovida no mundo está sob nossa responsabilidade. E o primeiro passo é o reaprendizado da caridade. 

Neste sentido, papel fundamental desempenha a família, com simples palavras e gestos, num aprendizado que se aprofunda, amadurece e perpassará todas as instâncias e âmbitos de decisões que determinam o rumo da história da humanidade.



(1) Lecionário Comentado – Editora Paulus - Lisboa - pág.309

quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

Política: a prática sublime da caridade (1)


Política: a prática sublime da caridade

Apesar das dificuldades e decepções, não podemos recuar, nem nos omitir dos sagrados compromissos com a atividade política, que deve ser a prática sublime da caridade, como nos ensina a Doutrina da Igreja, e como tão bem expressou o Papa São Paulo VI, na “Octogesima Adveniens”, em 1971: “A política é uma maneira exigente - se bem que não seja a única - de viver o compromisso cristão, ao serviço dos outros.” (n.46).

E ainda, retomando a preciosa citação da poetisa Gabriela Mistral: “Dai-me, Senhor, a perseverança das ondas do mar que fazem de cada recuo um ponto de  partida para um novo avanço”, façamos desta situação adversa que vivemos um momento favorável.

Se os fatos revelam um notável recuo, é a partir do recolhimento, reflexão, formação e diálogo, que juntos reencontraremos o caminho da construção e solidificação da democracia, com a preservação da liberdade de participação política de todos; transparência necessária na administração do bem público; fortalecimento dos espaços de participação e decisão dos rumos de nossa nação em todos os níveis (municipal, estadual, nacional). 

Portanto, que o “recuo das ondas” não seja sinônimo de apatia, indiferença, omissão diante da vocação política que todos possuímos.

Não nos foi dado um espírito de timidez e desânimo, e sim o Espírito do Senhor que nos orienta e conduz, para que avancemos no inadiável compromisso com o anúncio e testemunho da Boa-Nova de Jesus Cristo, participando alegres e corajosamente da construção de um mundo novo, justo e fraterno, com vida plena e feliz para todos.

Política: a prática sublime da caridade (2)



Política: a prática sublime da caridade

 “A Sagrada Escritura é para nos ajudar a decifrar o mundo; para
nos devolver o olhar da fé e da contemplação, e transformar
a realidade numa grande revelação de Deus”.

Apesar das dificuldades e decepções, não podemos recuar, nem nos omitir dos sagrados compromissos com a atividade política, que deve ser a prática sublime da caridade, como nos ensina a Doutrina da Igreja, e como tão bem expressou o Papa São Paulo VI, na “Octogesima Adveniens” (parágrafo n.46), em 1971 ao celebrar o octagésimo aniversário da Rerum Novarum, que nos fala sobre um tema que está na pauta do dia: a política como promoção do bem comum:

- O poder político a serviço do bem de todos e além das fronteiras nacionais:
“Atendo-se, pois, à sua vocação própria, o poder político deve saber desvincular-se de interesses particulares, para poder encarar a sua responsabilidade pelo que se refere ao bem de todos os homens, passando mesmo para além das fronteiras nacionais”.

- A política tomada a sério, em seus diversos níveis, na promoção do bem comum:
“Tomar a sério a política, nos seus diversos níveis, local, regional, nacional e mundial, é afirmar o dever do homem, de todos os homens de reconhecerem a realidade concreta e o valor da liberdade de escolha que lhes é proporcionada, para procurarem realizar juntos o bem da cidade, da nação e da humanidade”.

- Uma definição do que vem a ser a política:
“A política é uma maneira exigente - se bem que não seja a única - de viver o compromisso cristão, ao serviço dos outros. Sem resolver todos os problemas, naturalmente, a mesma política esforça-se por fornecer soluções, para as relações dos homens entre si”.

- O campo de atuação e domínio da política:
“O seu domínio é vasto e abrange muitas coisas, não é porém, exclusivo; e uma atitude exorbitante que pretendesse fazer da política algo de absoluto, tornar-se-ia um perigo grave”.

- A autonomia da realidade política e o compromisso dos cristãos em coerência ao Evangelho:
“Reconhecendo muito embora a autonomia da realidade política, esforçar-se-ão os cristãos, solicitados a entrarem na ação política, por encontrar uma coerência entre as suas opções e o Evangelho e, dentro de um legítimo pluralismo, por dar um testemunho, pessoal e coletivo, da seriedade da sua fé, mediante um serviço eficaz e desinteressado para com os homens”.

Ontem, hoje e sempre, ecoam as palavras do Papa Paulo VI, em 1975, que nos levam a refletir sobre a missão do cristão leigo e leiga e de todo batizado no mundo:

“Os leigos, a quem a sua vocação específica coloca no meio do mundo e à frente de tarefas as mais variadas na ordem temporal, devem também eles, através disso mesmo, atuar uma singular forma de evangelização...

O campo próprio da sua atividade evangelizadora é o mesmo mundo vasto e complicado da política, da realidade social e da economia, como também o da cultura, das ciências e das artes, da vida internacional, dos "mass media" e, ainda, outras realidades abertas para a evangelização, como sejam o amor, a família, a educação das crianças e dos adolescentes, o trabalho profissional e o sofrimento.”. (Evangelli Nuntiandi, n.º 70)

Também são oportunas as palavras dos Bispos na Conferência Nacional (CNBB), quando disseram nas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora no Brasil (2015-2019): 

Promova-se cada vez mais a participação social e política dos cristãos leigos e leigas nos diversos níveis e instituições, por meio de formação permanente e ações concretas.

Com a crise da democracia representativa, cresce a importância da colaboração da Igreja no fortalecimento da sociedade civil, na luta contra a corrupção, bem como no serviço em prol da unidade e fraternidade dos povos, em especial na América Latina.” (n.123).

Urge que, no testemunho da fé, como discípulos missionários do Senhor, vivamos a atuação e compromisso político, como concretização e promoção do bem comum, para que sejamos sal, fermento e luz.

Embora a nossa participação política não se esgote no período eleitoral, este é um momento privilegiado, frente à possíveis descasos do poder público, precariedade de serviços necessários à população, desvios ou não aplicação verbas para o que é de fato essencial, e outros tantos fatos que clamam por mudanças efetivas.

Como Igreja, iluminados pela Doutrina Social da Igreja, não nos é permitido omissão nestes sagrados compromissos de participação da construção do Reino de Deus inaugurado por Jesus, com a força do Espírito Santo.

Porém, se dificuldades existem, a Palavra de Jesus, ontem, hoje e sempre, nos renova para os sagrados compromissos: “Não temais, pequeno rebanho, porque foi do agrado de vosso Pai dar-vos o Reino” (Lc 12,32).

E para que superemos os nossos medos, na desafiadora e necessária participação política, Ele afirma ainda: “Coragem, Eu venci o mundo” (Jo 16,33).

Seja a Palavra de Deus luz em nossas reflexões, compreensão da realidade e, sobretudo, uma Palavra decisiva em nossa vivência da fé, na prática da verdadeira política que, como vimos, é a sublime prática da caridade.

Esteja a Palavra de Deus em nossas mãos e mente, pois como afirmou Santo Agostinho - A Sagrada Escritura é para nos ajudar a decifrar o mundo; para nos devolver o olhar da fé e da contemplação, e transformar  a realidade numa grande revelação de Deus”.

E ainda, retomando a preciosa citação da poetisa Gabriela Mistral: “Dai-me, Senhor, a perseverança das ondas do mar que fazem de cada recuo um ponto de partida para um novo avanço”, façamos desta situação adversa que vivemos um momento favorável.

Se os fatos revelam um notável recuo, é a partir do recolhimento, reflexão, formação e diálogo, que juntos reencontraremos o caminho da construção e solidificação da democracia, com a preservação da liberdade de participação política de todos; transparência necessária na administração do bem público; fortalecimento dos espaços de participação e decisão dos rumos de nossa nação em todos os níveis (municipal, estadual, nacional). Portanto, que o “recuo das ondas” não seja sinônimo de apatia, indiferença, omissão diante da vocação política que todos possuímos.

Não nos foi dado um espírito de timidez e desânimo, como falou o Apóstolo Paulo – “Pois Deus não nos deu espírito de timidez, mas de poder, de amor e de equilíbrio” (2 Tm 1,7), pois é o Espírito Santo que nos orienta e conduz, para que avancemos no inadiável compromisso com o anúncio e testemunho da Boa-Nova de Jesus Cristo, participando alegres e corajosamente da construção de um mundo novo, justo e fraterno, com vida plena e feliz para todos.

Enfim, encorajados pela Palavra do Senhor, luz para nosso caminho, assim como o Povo de Deus viveu e celebrou a noite da libertação da escravidão do Egito e a celebrou com cantos e júbilo, também nós, partícipes da Nova e Eterna Aliança, revigorados pelo Banquete de Eternidade, nos empenhemos concretamente nesta noite de libertação, que se repete ao longo da história, quando não nos omitimos e nos comprometemos no escrever de novas linhas da história com vida plena, digna, abundante e feliz para todos, como Igreja, participando com todo o empenho na construção do Reino de Deus.

Em poucas palavras... (Paz)

                                                  


                           “Concede-nos, Senhor, a tua paz!”

“Concede-nos, Senhor, a tua paz! Esta é a oração que elevo a Deus ao dirigir as minhas saudações de Ano Novo aos Chefes de Estado e de Governo, aos Chefes das Organizações Internacionais, aos líderes das diferentes religiões e a todas as pessoas de boa vontade.

Perdoa-nos as nossas ofensas, Senhor, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido, e, neste círculo de perdão, concede-nos a tua paz, aquela paz que só Tu podes dar para aqueles que deixam o seu coração desarmado, para aqueles que, com esperança, querem perdoar as dívidas aos seus irmãos, para aqueles que confessam sem medo que são vossos devedores, para aqueles que não ficam surdos ao grito dos mais pobres.” (1)

 

(1)        Mensagem do Santo Padre Francisco para o LVIII Dia Mundial da Paz (01/01/25) – parágrafo n. 15

Em poucas palavras...

                                                           


O Sangue Redentor do Senhor

O coração humano converte-se olhando para Jesus Cristo, Aquele que foi traspassado por nossos pecados (Jo 19,37; Zc 2,10):

“Fixemos nossos olhos no Sangue de Cristo para compreender como é precioso a seu Pai porque, derramado para a nossa Salvação, dispensou ao mundo inteiro a graça do arrependimento”.(1)

 

(1)Fonte: Catecismo da Igreja Católica – n. 1432 – Santo Ambrósio

 

Pensamentos...

Pensamentos...

Pensamentos nos levam a voos e pedem aterrissagens sem fuga, sem evasões da realidade.
Pensar sempre, concatenar com sabedoria as ideias, sem se perder nos pensamentos;
Circunvagar o pensamento no que valha a pena, em recolhimento necessário e oportuno,
Abismados em profunda meditação, sedentos de pensamentos que nos elevem e revigorem.

“O Senhor conhece os pensamentos do homem, e sabe como são fúteis.” (Sl 94,11)
 Senhor, bem conheceis nossos pensamentos, e bem sabeis quão fúteis podem ser se de Vós nos afastamos.
Concedei-nos a graça de novos conteúdos e essência ao que possamos pensar;
Que tenhamos de Vós mesmos pensamentos e também sentimentos (Fl 2,10).

“Sabes quando me sento e quando me levanto; de longe percebes os meus pensamentos.” (Sl 139,2)
Senhor, conheceis as entranhas mais profundas de nossa alma, e nada de vós é oculto.
Concedei que sintamos Vossa presença, que não nos priva de liberdade de pensar e agir,
Que em vigilância permanente fiquemos, para não cairmos nas armadilhas do vão pensar e agir.

“Ouve-me e responde-me! Os meus pensamentos me perturbam, e estou atordoado.” (Sl 55,2)
Senhor, bem conheceis nossas inquietações, dificuldades, e ventos contrários que enfrentamos.
Concedei que nada nos inquiete, nada nos perturbe, pois somente Vossa Presença e Palavra
Conduzem nossas naus ao outro lado da margem, sem submergirmos no mar agitado do viver.

“Como são preciosos para mim os Teus pensamentos, ó Deus! Como é grande a soma deles!” (Sl 139,17)
Senhor, nada há mais precioso e imensurável que Vossos pensamentos para quem em Vós crer.
Concedei-nos a sabedoria para discernir e nutrir pensamentos que renovem a alegria de viver,
E, assim, jamais os troquemos por quaisquer pensamentos maculadores, fragilizantes e empobrecedores.

Dos pensamentos puros e simples, que vibram as fibras de nosso ser,
À leitura da Sagrada Escritura, e desta à Oração ao Senhor,
Do deleite da alma pela Oração à contemplação,
Colocando-nos diante da presença de Deus para um novo agir.

Em poucas palavras...

 


                                             

                                                 A fé

“A fé faz que saboreemos, como que de antemão, a alegria e a luz da visão beatifica, termo da nossa caminhada nesta Terra.

Então veremos Deus «face a face» (1 Cor 13, 12), «tal como Ele é» (1 Jo 3, 2). A fé, portanto, é já o princípio da vida eterna:

«Enquanto, desde já, contemplamos os benefícios da fé, como reflexo num espelho, é como se possuíssemos já as maravilhas que a nossa fé nos garante havermos de gozar um dia» (São Basílio Magno).” (1)

 

(1) Catecismo da Igreja Católica - parágrafo n. 163

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