quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

Com Maria, coração aberto à graça divina

                                                             

Com Maria, coração aberto à graça divina

“Alegra-te, Cheia de graça, o Senhor está contigo!” (Lc 1,28)

Abertos à graça divina, voltamos nossos olhares para Maria, aquela que é “cheia de graça”, como o Anjo Gabriel a saudou, Mãe tão serena e plena de liberdade e graça.

Permaneçamos firmes na fé, contando com Maria, nossa Mãe, com esforços necessários; abrindo-nos ao Espírito, para que, com criatividade, conduzamos muitos até Jesus e Sua presença, que nos envolve e nos plenifica de Amor.

Sejamos revitalizados na vivência de nossa vocação, para vivermos com alegria a nossa missão; seguindo o exemplo de Maria, na fidelidade a Deus, termos a necessária obediência, e conversão contínua para correspondermos aos desígnios de Deus.

Urge que nossa devoção a Maria consista em abrir sempre o coração para a graça que Seu Filho veio ao mundo comunicar: Graça como a seiva do amor, favores e bens necessários, que nos fortalecem no carregar da cruz cotidiana, com renúncias necessárias, e deste modo, nossa devoção a Maria é expressa no viver o Sim incondicional a Deus, como ela viveu.

Maria, mãe tão serena, plena de amor, liberdade e graça, rogai por nós, hoje e sempre.  Amém.

Sua amável presença é sentida como o exalar de um suave perfume

                                                         


Sua amável presença é sentida como o exalar de um suave perfume

Por vezes, parece que estamos caminhando num árido deserto, sem fim.
Nada mais a ver, a não ser areia a ser pisada e o sucessivo pôr do sol,
E o tão apenas nascer de um novo dia a viver, sabe-se como.

Árido deserto, sem a esperança de um oásis, seria um triste fim.
Sem perspectivas de superações, quem assim suportaria?
Mas em situações assim, não podemos deixar morrer a esperança e a alegria.

Quantas vezes no deserto árido de nossa história,
Sentimos a presença de alguém, modelo de coragem e ousadia,
Que nos acompanha em todos os momentos? Sim, é ela: Maria.

Sua terna presença é sentida como o exalar de um suave perfume,
Que nos assegura que há desertos na vida, mas possível é a travessia.
Podemos contar com ela, que caminha conosco, mil noites e dias.

Sua amável presença é sentida como o exalar de um suave perfume,
Que nos aponta a confiança em Seu Filho, fonte de água viva,
Que as sedes de todas as sedes, a sede do amor, somente Ele sacia.

Sua amável presença é sentida como o exalar de um suave perfume,
E ainda que caminhemos em tempos sórdidos, com páginas não memoráveis,
Em seu colo de mãe acolhidos, de nossos cansaços, forças refeitas.

Sua amável presença é sentida como o exalar de um suave perfume,
Ainda há um longo caminho a percorrer, à espera da vinda gloriosa de Seu Filho,
Que veio, vem virá. E quem melhor do que Maria, poderá esta espera nos ensinar?

Em poucas palavras...

                                                


“Maria, Mãe de Jesus segundo a humanidade”

“A virgindade de Maria manifesta a iniciativa absoluta de Deus na Encarnação. Jesus só tem Deus por Pai (Lc 2,48-49).

«A natureza humana, que Ele assumiu, nunca O afastou do Pai [...]. Naturalmente Filho do seu Pai segundo a divindade, naturalmente Filho da sua Mãe segundo a humanidade, mas propriamente Filho de Deus nas suas duas naturezas» (Concílio de Friúl – ano 796 d.C.).” (1)

 

(1)       Catecismo da Igreja Católica – parágrafo n.503


Natal verdadeiro é compromisso com a fraternidade

Natal verdadeiro é compromisso com a fraternidade

Sejamos iluminados pela reflexão escrita pelo Bispo e Doutor da Igreja, Santo Atanásio:

O Verbo de Deus veio em auxílio da descendência de Abraão, como diz o Apóstolo. Por isso devia fazer-Se em tudo semelhante aos irmãos (Hb 2,16-17) e assumir um corpo semelhante ao nosso.

Eis por que Maria está verdadeiramente presente neste Mistério; foi dela que o Verbo assumiu, como próprio, aquele corpo que havia de oferecer por nós.

A Sagrada Escritura, recordando este Nascimento, diz: Envolveu-O em panos (Lc 2,7); proclama felizes os seios que O amamentaram e fala também do sacrifício oferecido pelo Nascimento deste Primogênito.

O Anjo Gabriel, com prudência e sabedoria, já O anunciara a Maria; não lhe disse simplesmente: Aquele que nascer em ti, para não se julgar que se tratava de um corpo extrínseco nela introduzido; mas: de ti (cf. Lc 1, 35Vulg.), para se acreditar que o fruto desta concepção procedia realmente de Maria.

Assim foi que o Verbo, recebendo nossa natureza humana e oferecendo-a em sacrifício, assumiu-a em Sua totalidade, para nos revestir depois de Sua natureza divina, segundo as palavras do Apóstolo: É preciso que este ser corruptível Se vista de incorruptibilidade; é preciso que este ser mortal Se vista de imortalidade (1Cor 15,53).

Estas coisas não se realizaram de maneira fictícia, como julgam alguns, o que é inadmissível! Nosso Salvador fez-Se verdadeiro homem, alcançando assim a salvação do homem na sua totalidade. Nossa salvação não é absolutamente algo de fictício, nem limitado só ao corpo; mas realmente a salvação do homem todo, corpo e alma, foi realizada pelo Verbo de Deus.

A natureza que Ele recebeu de Maria era uma natureza humana, segundo as divinas Escrituras, e o corpo do Senhor era um corpo verdadeiro. Digo verdadeiro, porque era um corpo idêntico ao nosso. Maria é, portanto, nossa irmã, pois todos somos descendentes de Adão.

As palavras de João: O Verbo Se fez carne (Jo 1,14) têm o mesmo sentido que se pode atribuir a uma expressão semelhante de Paulo: O Cristo fez-Se maldição por nós (cf. Gl 3,13). Pois da intima e estreita união com o Verbo, resultou para o corpo humano em engrandecimento sem par: de mortal tornou-se imortal; sendo animal, tornou-se espiritual; terreno, transpôs as portas do céu.

Contudo, mesmo tendo o Verbo tomado um corpo no seio da Maria, a Trindade continua sendo a mesma Trindade, sem aumento nem diminuição.

É sempre perfeita, e na Trindade reconhecemos uma só Divindade; assim, a Igreja proclama um único Deus no Pai e no Verbo.”

Celebramos o Natal, o maior de todos os acontecimentos da História: o Nascimento do Salvador, e com ele o maravilhoso encontro da Divina Fonte de Amor, que no ventre de Maria foi concebido, realizando o encontro da imensidão divina do Verbo e a pequenez da criatura humana.

Deus veio ao nosso encontro, fez-Se um de nós, assumiu nossa condição humana vivendo as vicissitudes desta condição, exceto o pecado.

Contemplemos o Mistério que nos envolve, tempo tão esperado, na plenitude dos tempos, realizado e, no Altar Sagrado, celebrado.

No ventre de Maria, o encontro de duas naturezas, o encontro da imensidão e da pequenez que nos convida ao silêncio e à Oração.

Deus se tornou tão próximo de nós sem nenhum mérito de nossa parte.

Tendo celebrado o Mistério do Natal do Senhor, empenhemo-nos na realização da aspiração da fraternidade, fazendo dela o fundamento e o caminho para a paz e façamos de cada dia do ano novo, uma contemplação e correspondência ao Mistério imensurável do Amor de Deus.


Maria, Mãe de Deus

                                                       


Maria, Mãe de Deus

“Maria ficará para sempre ‘mãe’,
Mãe do homem Jesus Cristo e Mãe do Altíssimo.”

Tanto nas Igrejas do Oriente como do ocidente dão, unanimemente, a Maria o nome de “Mãe de Deus”; é através deste título que a Ela recorrem na Oração Eucarística e nas celebrações do Natal do Senhor, invocando a sua intercessão, e não poderia ser chamada de outro modo porque Seu Filho é o Filho do Altíssimo.

O Concílio Ecumênico em Éfeso, no ano de 431, a declarou solenemente Mãe de Deus, contra os que rejeitavam este apelativo.

Por isso, a proclamação do Magistério provocou na cidade um regozijo popular indescritível, porque o povo cristão já havia assim compreendido antes da afirmação do Dogma.

Em Roma, o Papa Sisto III (432-440) mandou restaurar imediatamente e consagrou à Virgem Maria a antiga basílica, que, desde o século IV, se erguia no Monte Esquilino, hoje conhecida com o nome de Santa Maria Maior (mais velha ou mais antiga), porque foi a primeira Igreja dedicada à Mãe de Deus no Ocidente.

A Virgem Maria é nossa mãe por ter trazido ao mundo Aquele que é nosso Irmão e Senhor, e muito nos enriquecemos ao contemplá-La em sua humildade como ‘escrava do Senhor’, ‘a bendita entre todas as mulheres’ que correspondeu com fé e humildade plena à sua vocação, e por isto ela se tornou a Mãe da Igreja e modelo mais perfeito para todo o discípulo missionário que pretende ser fiel na escuta prática da Palavra do Senhor.

Por isto a Igreja afirma que Ela é a "Rainha de todos os Santos", porque nela a graça desenvolveu-se sem encontrar o menor obstáculo e está intimamente associada à obra da Redenção, realizada por Seu Filho, intercedendo junto d’Ele por nós, ‘pecadores’, agora e na hora de nossa morte, como Mãe e Medianeira nossa.

Nada sabemos sobre o que o Ano Novo trará para nós e para o mundo inteiro, mesmo quando saudamos e desejamos um "Ano Novo cheio de felicidades".

Mas não há sombra de dúvida que, aconteça o que acontecer, podemos contar sempre com a graça constante de Deus e com a intercessão de Maria, que jamais nos desampara.

Silenciemo-nos e contemplemos a singeleza de um presépio, lá está Maria silenciosa ao lado de José: ela um pouco mais retirada no estábulo em que deu à luz ao Salvador, como que dizendo a todos nós: “Amados filhos, somente n’Ele, neste Menino que é Deus,  deve centrar toda a atenção, e só por Ele dar glória e louvor a Deus, e façam tudo o que Ele disser a vocês, sem medo, sem reservas, com coragem e fidelidade, e alegria, felicidade e paz encontrarão".

É deste modo que contemplamos a presença de Maria na Igreja: intensamente presente, mas em segundo plano em relação a Jesus, Aquele que é único que nos Salva, porque é Verdadeiramente Homem, Verdadeiramente Deus.

Concluindo, “Maria ficará para sempre ‘mãe’, Mãe do homem Jesus Cristo e Mãe do Altíssimo. O seu seio é o lugar onde se encontram a imensidão de Deus e a pequenez e fragilidade da criatura humana. É esta a ‘admirável permuta’ que muda o nosso destino, porque agora também a mais pobre carne humana encerra o tesouro de uma semente de humanidade.” (1)

“Por Ele, realiza-se hoje o maravilhoso encontro que nos dá vida nova em plenitude. No momento em que Vosso Filho assume nossa fraqueza, a natureza humana recebe uma incomparável dignidade: Ao tornar-se ele um de nós, nós nos tornarmos eternos.” (2)

Contemplemos Jesus, a Fonte da Divina Graça, Maria, plena da graça divina, José, fidelidade incondicional à graça divina. Enfim, imitemos a Sagrada Família na terra, para viver com Ela no céu.



PS: Livre adaptação - Missal Cotidiano Dominical e Ferial - pp. 206 e 208;
(1) Lecionário Comentado – Editora Paulus - p.292
(2) Missal Romano - Editora Paulus - p. 412

“Hino à Mãe de Deus”

                                                       

“Hino à Mãe de Deus”

Hino à Mãe de Deus: trata-se de um antigo hino siríaco de Tiago de Saroug, em que nos apresenta Maria, a Bem-Aventurada.

Também nós, como discípulos missionários do Senhor, somos chamados a trilhar o caminho das Bem-Aventuranças, como Ele nos falou no Sermão da Montanha (Mt 5,1-12).

Seja nossa devoção Mariana a imitação das virtudes de Sua Mãe, a Mãe de Deus, pois somente assim nossa devoção será frutuosa e agradável aos olhos de Deus, como nos ensina a Igreja.

“Ela é bem-aventurada: recebeu o Espírito que a fez pura e imaculada; tornou-se o templo onde habita o Filho das celestes alturas.

Ela é bem-aventurada: por ela foi restaurada a raça de Adão e reconduzidos os que tinham abandonado a casa do Pai.

Ela é bem-aventurada: sem conhecer as uniões humanas, pôde sem confusão contemplar seu Filho como as outras mães.

Ela é bem-aventurada: seu corpo permaneceu sem mancha e foi glorificado pelo terno fruto da sua virgindade.

Ela é bem-aventurada: os limites do seu seio contiveram a grandeza sem limite que enche os céus, sem que estes possam sustentá-la.

Ela é bem-aventurada: deu a vida ao antepassado comum que gerou Adão e renovou todas as criaturas degeneradas.

Ela é bem-aventurada: deu o seio àquele que levanta as ondas do mar.

Ela é bem-aventurada: carregou o poderoso gigante que sustenta o mundo com secreto vigor; beijou-O e ternamente O cobriu de carícias.

Ela é bem-aventurada: seus lábios tocaram aquele cuja chama faz recuar os ardentes serafins.

Ela é bem-aventurada: suscitou aos prisioneiros um libertador que subjugou o carcereiro e devolveu a paz à terra.

Ela é bem-aventurada: alimentou com seu leite aquele que deu a vida a todos os mundos.

Ela é bem-aventurada: pois todos os santos devem ao seu Filho a felicidade. Bendito é o Santo de Deus que brotou da sua pureza!
Amém.” 

Com Maria, contemplemos e adoremos a Divina Criança

                                                  

Com Maria, contemplemos e adoremos a Divina Criança

Ao celebrar a Solenidade da Mãe de Deus, Maria, sejamos enriquecidos pelo Sermão de São Basílio de Selêucia (séc. V).

“O Criador do Universo, o todo-poderoso, nascido da Virgem Mãe de Deus, uniu-se à natureza humana; Ele assumiu uma carne verdadeiramente dotada de uma alma, e não experimentou culpa alguma: ‘Ele não cometeu pecado, nem se achou falsidade em sua boca’.

Corpo sagrado que abrigava o Senhor! Em Maria foi anulada a constatação de nosso pecado, pois foi nela que Deus Se fez homem, permanecendo Deus.

Ele quis submeter-se a esta gravidez, e Se humilhou ao nascer como nós, sem abandonar o seio do Pai, satisfez-Se com os afagos de sua Mãe. Porque Deus não fica dividido quando cumpre sua vontade; isto é, mesmo permanecendo para todos indivisível, Ele dá a Salvação ao mundo.

Gabriel veio à Virgem Maria sem deixar o céu, e o Verbo de Deus que abraça toda a criação, enquanto nela esteve encarnado, não cessou de ser adorado no céu.

Será necessário intervir com tudo o que os profetas disseram anunciando o advento de Cristo que nasceria da mãe de Deus? Que voz seria assaz sublime para entoar hinos que convenham a sua dignidade? De que flores nós lhe trançaríamos a coroa que a ela é devida? Porque é dela que ‘germinará a flor de Jessé’, e que tem coroado nossa raça de glória e de honra.

Que presentes dignos dela lhe ofereceremos, quando tudo o que há no mundo é indigno dela? Porque, se São Paulo disse dos demais santos: que o mundo não era digno’ deles, o que diremos da Mãe de Deus que resplandeceu acima de todos os mártires tanto quanto o sol brilha mais do que as estrelas?

Ó Virgindade pela qual os anjos, inicialmente distanciados do gênero humano, se alegram com razão por serem colocados a serviço dos homens! E Gabriel exulta por ser incumbido de anunciar a concepção divina, porque ele percorre sua mensagem de Salvação que invoca a alegria e a graça.

‘Alegra-te, cheia de graça’, assume um rosto jovial, pois é de ti que vai nascer a alegria de todos, com Este que, depois de ter destruído a potência da morte, e ter dado a todos a esperança de ressuscitar, nos libertará da antiga maldição.

O Emanuel foi rebento deste mundo que outrora havia criado, aparecendo como um recém-nascido, Ele que era Deus antes da eternidade; recostado em uma manjedoura, excluído do habitat comum. Então veio para preparar as moradas eternas.

Confinado a uma gruta e apontado por uma estrela, cumulado de presentes pelos magos e pagando o resgate do pecado, carregado nos braços de Simeão e abraçando o Universo pela extensão de sua potência divina, visto como um infante pelos pastores e reconhecido como Deus pelo exército dos anjos que cantavam ‘sua glória no céu, a paz sobre a terra, a benevolência de Deus para os homens’.

Tudo isso, a Santa Mãe do Senhor do Universo ‘meditava em seu coração’, diz o Evangelho. Ela se alegrava interiormente pela reunião destas maravilhas, ao mesmo tempo em que é transtornada pela grandeza de Seu Filho que é Deus, grandeza que ela percebe pelos olhos da alma.

Como ela (Maria) ficava a contemplar o Divino Infante, como eu o creio, por impulsos cheios de respeito, ela estava sozinha a conversar com o Único.” (1)

Iniciamos mais um ano com a certeza de que a graça e o amor de  Deus serão abundantemente derramados em nossos corações por meio do Espírito Santo; e também, que Ele, feito infante, frágil e com sua Vida, Paixão, Morte e Ressurreição, trouxe-nos vida plena e feliz, abrindo-nos as portas da eternidade.

Convictos também de que não nos faltará o olhar, o afago de Sua Amantíssima Mãe, Mãe de Deus e nossa Mãe em todos os momentos, assim como Jesus sempre o teve: na Encarnação, na vida, na Paixão e Morte, ao pé da Cruz, Mistério de amor e dor, e na alegria da gloriosa Ressurreição, ao lado dos apóstolos.

Iniciando um ano novo, sejamos abençoados por Deus e contemos com o olhar e ternura de Maria, que jamais se desviou e se afastou de Seu Filho, agora e na hora de nossa morte. Amém.

 

(1) Lecionário Patrístico Dominical – Editora Vozes – 2013 – pp. 297-298

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