quinta-feira, 25 de dezembro de 2025

Natal do Senhor: um novo recomeço (Natal do Senhor)

                                                           

Natal do Senhor: um novo recomeço

Ao celebrar o Natal do Senhor, sejamos iluminados pelo Sermão do Bispo Santo Agostinho (séc, V).

No princípio existia a Palavra, e a Palavra estava junto de Deus, e a Palavra era Deus, e também: a Palavra Se fez carne e habitou entre nós. Talvez possamos dizer o motivo pelo qual habitou entre nós; talvez ele possa ser explicável onde quis ser visível. Por isso celebramos também este dia que Se dignou nascer de uma virgem, permitindo que, de alguma forma, Sua geração fosse narrada pelos homens.

Mas quem narrará Sua geração, isto é, aquela que teve lugar na eternidade, e pela qual nasceu Deus de Deus? Eternidade na qual não existe um dia que possa ser celebrado solenemente, que passa para voltar cada ano, mas que permanece sem ocaso, porque também não teve aurora. Assim, a Palavra única de Deus, a vida e luz dos homens, é o dia eterno. Em vez disso temos este em que, unido à carne humana, fez-Se como esposo que sai de seu leito nupcial. No entanto, o dia de hoje nos leva ao dia eterno, porque o dia eterno, ao nascer de uma virgem, tornou sagrado o dia de hoje.

Que louvores proclamaremos, pois, ao amor de Deus! Quantas graças temos de lhe dar! Tanto nos amou que por nós foi feito no tempo Aquele por quem foram feitos os tempos, e neste mundo teve idade menor que muitos de Seus servos Aquele que era mais antigo que o mundo por Sua eternidade.

Tanto nos amou que Se fez homem Aquele que fez o homem; foi criado por uma mãe a qual Ele tinha criado; foi levado nas mãos que Ele formou, se amamentou do peito que Ele encheu, e chorou no presépio a infância muda, a Palavra, sem a qual é muda a eloquência humana.

Considera, ó homem, o que Deus veio a ser por ti; aprende a Doutrina de tão grande humildade da boca d’Aquele Doutor que ainda não fala.

Em outra época, no paraíso, tu foste tão fecundo que impuseste o nome a todo ser vivente; apesar disso, deitado no presépio sem falar, estava o Teu Criador; sem chamar por seu nome, nem sequer a sua mãe.

Tu, descuidando da obediência, te perdeste no amplo jardim de árvores frutíferas; Ele, por obediência, veio em condição mortal a um estábulo apertado, para buscar, mediante a morte, ao que estava morto. Tu, sendo homem e para tua perdição, quiseste ser Deus; Ele, sendo Deus, quis ser homem para encontrar o que estava perdido. Tanto te oprimia a soberba humana, que somente a humildade divina podia te levantar.

Celebremos, pois, com alegria o dia em que Maria deu à luz o Salvador; a casada, ao Criador do matrimônio; a virgem ao príncipe das virgens; ela que era virgem antes do matrimônio; virgem no matrimônio, virgem durante o parto, virgem quando amamentava. De fato, de nenhum modo o Filho todo-poderoso violou, ao nascer, a virgindade de Sua mãe, escolhida por Ele” (1)

Uma úplica diante do Senhor à luz do Mistério do seu Nascimento.

Oremos:

Ó Deus, embora sem mérito algum, contemplo e glorifico o que vieste a ser por nós.

Peço-Vos a graça de aprender a Doutrina de tão grande humildade da boca d’Aquele Doutor que ainda não falava, mas quando saiu pelo mundo em missão, tinha para todos Palavra de Luz, Salvação e Vida Eterna.

Diante de Vós, que Vos fizestes presença na forma de uma Criança, em Belém, deitado no presépio sem falar, Vos reconhecemos como nosso Criador; sem chamar por seu nome, nem sequer a sua mãe. Vós que nos fizestes, no princípio, no paraíso, tão fecundos e com a ordem de impor nome a todo ser vivente;

Reconhecemos nossa desobediência, quando nos perdemos no amplo jardim de árvores frutíferas; Vós quem ao se fazer Carne, por obediência, viestes em condição mortal a um estábulo apertado, para buscar, mediante a morte, nós que jazíamos na sombra da morte e do pecado.

Cremos ó Deus em Vós que tudo e a todos nós, pelo Vosso Filho, criastes por amor; glorificamos Vosso Filho, o Verbo que Se fez Carne para ser tocado; Palavra para ser ouvido.

Contemplamos Vossa infinita misericórdia ao vir ao encontro de nossa miséria, nós que sendo homens quisemos ser como Deus, e Vós, Filho Amado, que sendo Deus, Vos fizestes homem para nos reencontrar, quando estávamos perdidos.

Ó Deus, reconhecemos e confessamos nosso pecado da soberba humana, diante de Vossa bondade e misericórdia.

Ó Senhor Jesus, humildade tão divina, Vós e tão somente Vós podeis nos levantar e nos por de novo no caminho da reconstrução do paraíso, um dia perdido, a ser eternamente reencontrado e reconstruído, com renovados sagrados compromissos com o Reino, por Vós inaugurado, com a luz do Vosso Santo Espírito. Amém.

(1)Lecionário Patrístico Dominical - Editora Vozes – 2013 - pp. 38-39

O presépio mais querido de Deus (Presépio)

                                                                   

O presépio mais querido de Deus

Com o teu “sim”, aprendemos total abertura para a vontade divina.
Com o teu “Sim”, aprendemos a confiança plena em Deus.
Com o teu “sim”, ensinas que para Deus nada é impossível.

Pelo teu “Sim”, ó Maria, o Verbo de Deus veio e Se fez nossa luz.
Pelo teu “Sim”, inspirado em teu Imaculado Coração, procuramos purificar o nosso.
Pelo tem “Sim”, ó Maria, Deus veio e se fez nosso Alimento.

Aprendizes de tudo isto, oferecemos a Jesus, no Natal que se aproxima,
O autêntico presépio que hoje, ansioso, Ele procura, “o nosso coração”.

Contigo, ó Maria, aprendemos a elevar a Deus preces confiantes:

Vem, Senhor, faça morada em nós, e que o Teu Natal,
Seja o renascimento do melhor de Deus em cada um de nós.
E tudo que é antigo cederá lugar ao novo, para reluzir Vossa presença:

A mentira cederá lugar à verdade;
O mal se curvará diante do bem;
A morte dará a última palavra à Vida;
A incredulidade dobrar-se-á diante das verdades da fé;
A violência, página do passado, cederá lugar a novas páginas de paz.
O desespero sucumbirá diante da esperança;
O ódio será extirpado de todos os corações, 
para reinar o Amado, o Amor e o Amante,
Deus uno e Trino.


Assim, Senhor, o Natal será a Festa do Amor Trindade, 
que veio recriar novos tempos, novos relacionamentos, 
novos espaços, novos cuidados,
Dentre eles, os mais urgentes dos cuidados:
O cuidado com a vida humana, 
desde a concepção ao seu declínio natural.
E por fim, o cuidado com a nossa bela e, 
por vezes, pecaminosamente destruída “Casa Comum”.

Silenciemo-nos diante do Presépio! (Presépio)

                                                             

Silenciemo-nos diante do Presépio!

Natal do Senhor, que dia mavioso!
A Passagem do Evangelho (Lc 2,16-21).

A imagem diante da qual me recolho em silêncio contemplativo:
O Presépio.

Personagens que me falam ao coração:
Os pastores, Maria e José.

A centralidade de tudo o que me move a escrever e viver:
Jesus – Deus Conosco – Deus Menino.

O lugar onde imprimo as lições e propósitos que gravo em minha alma:
Nas mais profundas entranhas de meu ser; no recôndito por Deus conhecido e escolhido para morada, o coração.

As lições a serem vividas neste ano e sempre:
O que os pastores me ensinam - Ser pronto, solícito, imediato para as coisas divinas.

Quem a Deus encontrou e por Ele foi encontrado,
com alegria incansavelmente Seu mensageiro se torna.

Anunciar e testemunhar que o Desejado foi procurado, amado e encontrado e para sempre depois de encontrado, será amado: Jesus.

Haverá mais belo encontro; maior Amor para amar e ser amado, de modo especial no outro (o empobrecido, nu e despido, enfermo e cativo) com o qual Ele quis ser identificado?

O que José me ensina?
O silêncio necessário.

Nada fala, nenhuma palavra balbucia, mas é uma presença que comunica segurança, confiança, participação discreta e  necessária na obra da redenção. Sem alaridos, trombones, flashes, holofotes.

Não mero expectador da obra da redenção,
mas fiel, justo, sincero, temente e bondoso;
no mais rico e desejado silêncio maravilhoso e frutuoso.

O que Maria me ensina?
A contemplação e meditação no coração dos Mistérios divinos.
Ainda que em seu seio a imensidão divina 
e a pequenez e fragilidade da carne tenham se encontrado 
no Mistério do Verbo Encarnado, 
ela não se ensoberbece e não se vangloria.

Com o coração palpitante certamente, silenciosamente contempla 
o Mistério da Redenção, vindo de seu ventre,
a tão desejada promessa de Salvação nasce.

No seu interior deu-se o maravilhoso Mistério de nossa redenção.
Por obra do Espírito nela o Verbo foi gerado.
Ele, nascido de uma mulher (Gl 4,4),
como nos falou o Apóstolo Paulo.

Nem mais uma palavra, 
apenas prontidão, glorificação, 
anúncio, proclamação, 
serviço silencioso e generoso em favor da vida, 
no sentido mais amplo, evangélica defesa e proteção.

Brotarão sementes do Verbo semeadas,
multiplicar-se-ão gestos fraternos e solidários,
florescerão os jardins de um novo tempo
se houver mais recolhimento, silêncio, contemplação.

A intensidade e profundidade de Oração,
para que a vontade de Deus compreendamos
e com a força do Espírito a realizemos,
por que para Ele e por Ele, seja de fato, a razão de nosso existir.

E assim, 
cada dia será uma bela página 
que por amor escreveremos!

Contemplemos o Mistério da Encarnação (Natal do Senhor)

                                             

Contemplemos o Mistério da Encarnação

Diante do Mistério da Encarnação do Senhor, acolhamos as palavras de três grandes santos da Igreja:

Santo Ambrósio, Bispo e Doutor da Igreja (séc. IV):

“Ele (Jesus), portanto, foi pequeno, foi criança, para que possais vós, ser perfeitos adultos; Ele foi envolvido em faixas, para que sejais, vós, libertados das garras da morte; Ele, na manjedoura, para vos por sobre o Altar; Ele, na terra, para que estejais vós entre as estrelas; não havia lugar para Ele na sala comum, para que tenhais vós várias moradas na casa do Pai”.

Papa São Leão Magno (séc. V)

“Hoje, amados, filhos, nasceu o nosso Salvador. Alegremo-nos. Não pode haver tristeza no dia em que nasce a vida; uma vida que, dissipando o temor da morte, enche-nos de alegria com a promessa de eternidade…

Toma consciência, ó cristão, da tua dignidade. E já que participas da natureza divina, não voltes aos erros de antes por um comportamento indigno de tua condição…

Pelo Sacramento do Batismo te tornaste templo do Espírito Santo. Não expulses com más ações tão grande Hóspede, não recaias sob o jugo do demônio, porque o preço de tua salvação é o sangue de Cristo”.

Bispo Santo Agostinho (séc. V):

“... Deus Se fez homem para que o homem se tornasse Deus. Para que o homem comesse o pão dos Anjos, o Senhor dos Anjos Se fez homem...

O homem pecou e tornou-se culpado; Deus nasceu como homem para libertar o culpado. O homem caiu, mas Deus desceu. O homem caiu miseravelmente, Deus desceu misericordiosamente; o homem caiu por orgulho, Deus desceu com a Sua graça...”.

Oremos:

Ó Deus, concedei-nos a graça de contemplar o Mistério da Encarnação do Vosso Filho, concebido pelo poder do Espírito Santo, e fortalecei nossos passos, para que cada vez mais correspondamos a este Mistério intenso e imenso de amor. Amém.

Natal: Envolvidos pelo Amor da Santíssima Trindade (Natal do Senhor)

                                                                  


Natal: Envolvidos pelo Amor da Santíssima Trindade 

“Creiamos no Pai como Ele quer ser acreditado;
glorifiquemos o Filho como Ele quer ser glorificado;
e recebamos o Espírito Santo como Ele quer Se dar a nós”

Celebrando o Natal do Senhor, sejamos iluminados pelo Tratado do Presbítero Santo Hipólito contra a heresia de Noeto (séc. III), contemplemos o Mistério escondido, e sejamos envolvidos pelo Amor da Santíssima Trindade, pela qual tudo foi criado:
 
“Único é o Deus que conhecemos, irmãos, e não por outra fonte que não seja a Sagrada Escritura. Devemos, pois, saber o que ela anuncia e compreender o que ensina.
 
Creiamos no Pai como Ele quer ser acreditado; glorifiquemos o Filho como Ele quer ser glorificado; e recebamos o Espírito Santo como Ele quer Se dar a nós. Consideremos tudo isso, não segundo nosso próprio arbítrio e interpretação pessoal, nem fazendo violência aos dons de Deus, mas como Ele próprio nos ensinou pelas santas Escrituras.
 
Quando só existia Deus, e não havia ainda nada que existisse com Ele, decidiu criar o mundo. Criou-o por Seu pensamento, Sua vontade e Sua Palavra; e o mundo começou a existir como Ele quis e realizou. Basta-nos apenas saber que nada coexistia com Deus. Não havia nada além d’Ele, só Ele existia e era perfeito em tudo. N’Ele estava a inteligência, a sabedoria, o poder e o conselho. Tudo estava n’Ele e Ele era tudo. E quando quis e como quis, no tempo que havia estabelecido, manifestou o Seu Verbo, por quem fez todas as coisas.
 
Deus possuía o Verbo em Si mesmo, e o Verbo era imperceptível para o mundo criado; mas fazendo ouvir Sua voz, Deus tornou-O perceptível. Gerando-O como luz da luz, enviou como Senhor da criação Aquele que é Sua própria inteligência. E este Verbo, que no princípio era visível apenas para Deus e invisível para o mundo, tornou-Se visível para que o mundo, vendo-O manifestar-Se, pudesse ser salvo.
 
O Verbo é verdadeiramente a inteligência de Deus que, ao entrar no mundo, Se manifestou como o servo de Deus. Tudo foi feito por Ele, mas Ele procede unicamente do Pai. Foi Ele quem deu a Lei e os Profetas; e ao fazê-lo, impulsionou os Profetas a falarem sob a moção do Espírito Santo para que, recebendo a força da inspiração do Pai, anunciassem o Seu desígnio e a Sua vontade.
 
O Verbo, portanto, Se tornou visível, como diz São João. Este repete em síntese o que os Profetas haviam dito, demonstrando que Aquele era o Verbo por quem tinham sido criadas todas as coisas: ‘No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus; e o Verbo era Deus. Tudo foi feito por Ele e sem Ele nada se fez’ (Jo 1,1.3). E, mais adiante, prossegue: ‘O mundo foi feito por meio d’Ele, mas o mundo não quis conhecê-Lo. Veio para o que era Seu, os Seus, porém, não O acolheram’ (Jo 1,10-11)”. (1)
 
À luz da fé, a Festa do Natal é a celebração do nascimento d’Aquele por meio do qual Deus tudo criou, que já existia com Deus em comunhão com o Espírito Santo.
 
O invisível Se fez visível. O intangível nos permitiu que O tocássemos.
 
É sempre Natal, quando percebemos a presença do Senhor em nosso meio, como “Emanuel”, o “Deus conosco”, nosso Salvador que, por amor, lenhos distintos assumiu: da Manjedoura, da Barca e da Cruz.
 
Ofereceu-nos a Cruz como condição para segui-Lo com necessárias renúncias. É nesta mesma Cruz que o Sangue, por amor, derramou, e com Deus nos reconciliou e, ao mundo, a mais bela lição de humildade, amor, e doação deixou.
 
Celebrando o Natal do Senhor, não separemos o Menino da Manjedoura do Homem Jesus de Nazaré que morre na Cruz, o nosso Redentor, o Salvador de toda humanidade.
 
O Senhor armou Sua tenda entre nós, e que em nosso coração encontre morada, como o mais belo Hóspede de nossa alma, então a Luz do Natal resplandecerá mais forte e iluminará todo o mundo. 
 
Deste modo, celebrar o Natal do Senhor consiste em mergulhar neste amor profundo e intenso da Santíssima Trindade.
 
Quanto mais nos deixamos envolver pelo amor Trinitário, mais luz, sabedoria, graça, força, ternura alcançamos.
 
Quanto mais intensamente celebrarmos o Mistério da Encarnação do Verbo, que veio e vem fazer morada em nós, acompanhado da fidelidade à Palavra que nos anunciou, mais revigoradas serão as nossas mãos, mais fortalecidos serão os nossos joelhos, com os olhos, pelo colírio da fé, iluminados, e curados de toda a surdez para ouvir o Senhor, que nos fala no silêncio e através de fatos e de pessoas que nos cercam.
 
Quanto mais em Deus crermos, o Filho glorificarmos e do Espírito Seus dons recebermos, mais firmaremos nossos passos no caminho da santidade, sendo sinal de Deus para quantos precisarem.
 
Tão somente assim celebramos o verdadeiro Natal: fazer nascer e renascer o melhor de Deus no coração de todas as pessoas, porque também desejamos e nos preparamos para que isto acontecesse na manjedoura de nosso coração. Amém. 


(1) Liturgia das Horas - Volume Advento/Natal - pp.333-335

Natal: A Divina Fonte não dispensa compromissos! (Natal do Senhor)

                                                          

Natal: A  Divina Fonte não dispensa compromissos!

O tempo de Natal e a própria Festa do Natal hão de ter sempre um tom festivo, com conotação religiosa profunda para todos os cristãos, libertos de todo tom consumista e passageiro, esvaziados do seu verdadeiro sentido.

Trata-se da Festa do Nascimento de Jesus Cristo, Deus feito homem, que toma as condições e os limites da natureza humana, conferindo à nossa humanidade a divindade.

Natal:
Deus Se humaniza e possibilita a divinização da pessoa humana. Realiza-se a profecia de Isaías, ao dizer que:
“De uma virgem nasceria o Emanuel” (Is 7,14).

Na Encarnação do Verbo, Deus mostrou que Ele mesmo Se envolveu na história da humanidade, assumindo-a com a disposição divina de conduzi-la ao seu destino verdadeiro, agindo dentro dela e respeitando sua dinâmica humana própria.

Mas o nascimento de Jesus não significou o esgotamento da esperança, nem o fim da promessa velada até o tempo dos Profetas (AT).

O Reino inaugurado pelo mais importante de todos os  nascimentos, testemunhado pelos pobres marginalizados (pastores), ainda continua sua trajetória, e conta com a nossa participação consciente e comprometida.

Por isto o Natal tem três tempos: ontem, hoje e amanhã.

ontem, na humilde gruta, com todas as suas vicissitudes e poesia da acolhida no despojamento.

amanhã da segunda vinda gloriosa, que vigilante esperamos, quando dizemos na Missa, ao proclamar o Mistério de nossa Fé: Anunciamos, Senhor, a Vossa morte, e proclamamos a Vossa Ressurreição, vinde Senhor Jesus!”.

Mas tem o hoje; o hoje do nosso sim, da nossa mencionada participação ativa, consciente e piedosa.

Festa do Natal não se esgota num dia, como a beleza de uma vida não se alcança apenas de um pôr do sol ao outro.

Nada como fazer de cada dia um verdadeiro Natal! De cada amanhecer do sol, o nascimento do Sol nascente que veio nos visitar:

Eterna acolhida amorosa da semente do Verbo, para que  a alegria, a bondade, a ternura, a justiça, a graça, verdade, a paz, o amor e a luz resplandeçam em nós.

Sementes que hão de ser regadas pela água da vida que somente o Senhor tem para dar, com a luz do Espírito que pousa sobre nós!

E semente nunca há de faltar, pois nosso Deus Pai criador, além de onipotente e onisciente, é infinitamente providente.

Natal, em uma palavra, é a acolhida da Palavra: o renascer da esperança, o fortalecer de santos compromissos para que a vida humana seja edificada, santificada, e o Reino de Deus inaugurado, em pequenos e grandes sinais, desde aquela  manjedoura, contemplados.

Reflitamos:

- Como acolhemos a Palavra que Se fez Carne?
- Como estão nossos pés como mensageiros desta Boa Nova?

Sim, a partir daquela Manjedoura a história nunca mais foi e nem será a mesma, porque o Verbo Se fez carne e habitou entre nós, o amor veio morar para sempre, entre nós (cf. Jo 1,14).

É preciso que a cada sol poente e a cada sol nascente, e no espaço entre eles,  estejamos indo sempre ao encontro da Divina Fonte, para que nossa esperança se traduza em compromissos sagrados com a vida, na mais bela paixão das paixões: A paixão pelo Reino renovada e votos de Feliz Natal trocados.

É Natal sobre a Terra Azul (Natal do Senhor)

                                                      

É Natal sobre a Terra Azul

Ela está cansada, de forças exauridas.
Gaia, como é chamada na mitologia grega,
E, mais comumente, Planeta Terra.

É a nossa mãe comum, que suplica agonizante
Por um novo olhar da humanidade;
Uma forma de relacionamento sustentável.

Ela está assaz mutilada, vilipendiada,
Às vezes pela nossa cobiça e materialismo execrável,
Fruto da sede de um consumismo deplorável.

Às vésperas de mais um Natal, é tempo oportuno
De nos distanciarmos dela por um instante,
Como se pudéssemos vê-la do alto, distante...

Veríamos o Globo terráqueo, a Terra Azul,
Manchada pelo vermelho sangue das
Vítimas de fanatismos e fundamentalismos.

Veríamos a Azulada com manchas escuras
Da poluição assustadoramente multiplicada
Em dejetos e resíduos nunca dantes vistos.

Isto se nosso olhar pudesse ultrapassar
As nuvens de fumaça das queimadas,
Dos monóxidos em camadas de ozônio.

É Natal! Homens e mulheres, sejamos todos:
Urbanos ou suburbanos, citadinos ou rurais,
Em palácios ou em casebres morando,

Recuperemos a Terra e sua exuberância edílica;
Missão de todos nós, sem possibilidade de omissão,
Em atitude nova, sincera e corajosa de conversão.

Que neste espaço a nós oferecido,
Reaprendamos com Aquele pelo qual tudo foi criado:
Amor e solidariedade, convivência e tolerância.

É Natal quando se reacende em nós algumas chamas.
Entre elas a esperança de uma nova humanidade,
Que cria laços indestrutíveis de maior fraternidade.

É Natal! É tempo de a vida toda humanar,
Nos canteiros das almas, boas sementes plantar.
Somente assim é que nascerá a verdadeira Paz!

Vivendo sobre esta obra que o Criador nos confiou,
Acolhamos mais uma vez Aquele que veio, vem e virá
Para nos redimir, e um novo mundo construir.

É Natal! Nascimento do Deus Menino. Exultemos!
Que a Terra e o Céu, com todos os homens de boa vontade, e com
Todos os Anjos cantem: “Glória a Deus no mais alto dos céus...” (cf. Lc 2,1-14).

Quem sou eu

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4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG