quinta-feira, 25 de dezembro de 2025

Natal: A Divina Fonte não dispensa compromissos! (Natal do Senhor)

                                                          

Natal: A  Divina Fonte não dispensa compromissos!

O tempo de Natal e a própria Festa do Natal hão de ter sempre um tom festivo, com conotação religiosa profunda para todos os cristãos, libertos de todo tom consumista e passageiro, esvaziados do seu verdadeiro sentido.

Trata-se da Festa do Nascimento de Jesus Cristo, Deus feito homem, que toma as condições e os limites da natureza humana, conferindo à nossa humanidade a divindade.

Natal:
Deus Se humaniza e possibilita a divinização da pessoa humana. Realiza-se a profecia de Isaías, ao dizer que:
“De uma virgem nasceria o Emanuel” (Is 7,14).

Na Encarnação do Verbo, Deus mostrou que Ele mesmo Se envolveu na história da humanidade, assumindo-a com a disposição divina de conduzi-la ao seu destino verdadeiro, agindo dentro dela e respeitando sua dinâmica humana própria.

Mas o nascimento de Jesus não significou o esgotamento da esperança, nem o fim da promessa velada até o tempo dos Profetas (AT).

O Reino inaugurado pelo mais importante de todos os  nascimentos, testemunhado pelos pobres marginalizados (pastores), ainda continua sua trajetória, e conta com a nossa participação consciente e comprometida.

Por isto o Natal tem três tempos: ontem, hoje e amanhã.

ontem, na humilde gruta, com todas as suas vicissitudes e poesia da acolhida no despojamento.

amanhã da segunda vinda gloriosa, que vigilante esperamos, quando dizemos na Missa, ao proclamar o Mistério de nossa Fé: Anunciamos, Senhor, a Vossa morte, e proclamamos a Vossa Ressurreição, vinde Senhor Jesus!”.

Mas tem o hoje; o hoje do nosso sim, da nossa mencionada participação ativa, consciente e piedosa.

Festa do Natal não se esgota num dia, como a beleza de uma vida não se alcança apenas de um pôr do sol ao outro.

Nada como fazer de cada dia um verdadeiro Natal! De cada amanhecer do sol, o nascimento do Sol nascente que veio nos visitar:

Eterna acolhida amorosa da semente do Verbo, para que  a alegria, a bondade, a ternura, a justiça, a graça, verdade, a paz, o amor e a luz resplandeçam em nós.

Sementes que hão de ser regadas pela água da vida que somente o Senhor tem para dar, com a luz do Espírito que pousa sobre nós!

E semente nunca há de faltar, pois nosso Deus Pai criador, além de onipotente e onisciente, é infinitamente providente.

Natal, em uma palavra, é a acolhida da Palavra: o renascer da esperança, o fortalecer de santos compromissos para que a vida humana seja edificada, santificada, e o Reino de Deus inaugurado, em pequenos e grandes sinais, desde aquela  manjedoura, contemplados.

Reflitamos:

- Como acolhemos a Palavra que Se fez Carne?
- Como estão nossos pés como mensageiros desta Boa Nova?

Sim, a partir daquela Manjedoura a história nunca mais foi e nem será a mesma, porque o Verbo Se fez carne e habitou entre nós, o amor veio morar para sempre, entre nós (cf. Jo 1,14).

É preciso que a cada sol poente e a cada sol nascente, e no espaço entre eles,  estejamos indo sempre ao encontro da Divina Fonte, para que nossa esperança se traduza em compromissos sagrados com a vida, na mais bela paixão das paixões: A paixão pelo Reino renovada e votos de Feliz Natal trocados.

É Natal sobre a Terra Azul (Natal do Senhor)

                                                      

É Natal sobre a Terra Azul

Ela está cansada, de forças exauridas.
Gaia, como é chamada na mitologia grega,
E, mais comumente, Planeta Terra.

É a nossa mãe comum, que suplica agonizante
Por um novo olhar da humanidade;
Uma forma de relacionamento sustentável.

Ela está assaz mutilada, vilipendiada,
Às vezes pela nossa cobiça e materialismo execrável,
Fruto da sede de um consumismo deplorável.

Às vésperas de mais um Natal, é tempo oportuno
De nos distanciarmos dela por um instante,
Como se pudéssemos vê-la do alto, distante...

Veríamos o Globo terráqueo, a Terra Azul,
Manchada pelo vermelho sangue das
Vítimas de fanatismos e fundamentalismos.

Veríamos a Azulada com manchas escuras
Da poluição assustadoramente multiplicada
Em dejetos e resíduos nunca dantes vistos.

Isto se nosso olhar pudesse ultrapassar
As nuvens de fumaça das queimadas,
Dos monóxidos em camadas de ozônio.

É Natal! Homens e mulheres, sejamos todos:
Urbanos ou suburbanos, citadinos ou rurais,
Em palácios ou em casebres morando,

Recuperemos a Terra e sua exuberância edílica;
Missão de todos nós, sem possibilidade de omissão,
Em atitude nova, sincera e corajosa de conversão.

Que neste espaço a nós oferecido,
Reaprendamos com Aquele pelo qual tudo foi criado:
Amor e solidariedade, convivência e tolerância.

É Natal quando se reacende em nós algumas chamas.
Entre elas a esperança de uma nova humanidade,
Que cria laços indestrutíveis de maior fraternidade.

É Natal! É tempo de a vida toda humanar,
Nos canteiros das almas, boas sementes plantar.
Somente assim é que nascerá a verdadeira Paz!

Vivendo sobre esta obra que o Criador nos confiou,
Acolhamos mais uma vez Aquele que veio, vem e virá
Para nos redimir, e um novo mundo construir.

É Natal! Nascimento do Deus Menino. Exultemos!
Que a Terra e o Céu, com todos os homens de boa vontade, e com
Todos os Anjos cantem: “Glória a Deus no mais alto dos céus...” (cf. Lc 2,1-14).

Natal: O olhar que transcende a singeleza (Natal do Senhor)

                                                                    

Natal: O olhar que transcende a singeleza

Natal: Aceite, Adore, Anuncie!
Natal, não como fato comemorado,
Muito mais, fato a ser celebrado!
Porque o Verbo, por nós, foi encarnado,
Novo tempo, por Deus, inaugurado.

Singeleza dos símbolos e dos fatos
Tocam no fundo da alma de quem crê.
Um Deus que Se fez criança, um menino...
Nele contemplamos a presença do Divino!

Natal: Aceite, Adore, Anuncie!
Simbolismo do presépio, ausência de morada,
Vida que, impiamente, desde o início, rejeitada.
Nasceu sem morada, sem abrigo, ao léu;
Para garantir-nos uma morada no céu!

Animais, pobres pastores contemplaram.
Medo, escutando os anjos, superaram.
Privilegiados, primeiros, do Verbo, acolhedores.
Ao seu lado unamo-nos como fiéis seguidores.

Natal: Aceite, Adore, Anuncie!
De manjedoura, Deus não mais precisa,
Em cada Natal, nosso coração, o anjo avisa:
Nasceu para nós o Salvador, eis a grande alegria!
Quis fazer de nosso coração mais bela moradia!

Escancaremos as portas de nosso coração!
Deixemos o Verbo, nele, morada encontrar.
Amor, graça, luz, bondade, ternura vão transbordar
Com cantos de alegria, com os anjos, o mundo, acordar!

Natal: Aceite, Adore, Anuncie!
Natal, tríplice atitude fundamenta nossa vida:
Equilíbrio, justiça e piedade vão, cada gesto, marcar (Tt 2,12).
Na prática do bem, empenhados sem cansar,
Iluminada mente e coração, novo modo de pensar!

Luz que veio ao mundo uma decisão nos pede:
Aceitá-Lo com alegria, sem sombra de rejeição por ignorância.
Será Natal para quem, o Verbo e Seu Projeto, aceitar,
Sem medo de, com Ele, morrer para um dia Ressuscitar!

Natal: Aceite, Adore, Anuncie!
Adorá-Lo, acima de tudo e de todos, a cada instante,
Sem medo, sem pusilanimidade, sem sermos vacilantes.
Adorá-Lo com a boca, a vida e o coração,
Da noite do nascimento à madrugada da Ressurreição!

Anunciá-Lo ao mundo carente de alegres notícias!
Anunciá-Lo a quem nada mais crê, do Verbo, Suas delícias!
Anunciá-Lo para que um dia apenas nos livros encontremos
Conflitos, morte, violência... Lembranças tantas que jamais teremos!

Natal: Aceite, Adore, Anuncie!

Imperativos de Deus para cada um de nós:
Quando o Verbo Se encarnou em nosso meio,
Com os anjos alegres exultemos, sem pranto, luto ou dor:
“Aceite, Adore, Anuncie: Veio ao mundo o Salvador!”

“Nós vimos a Sua glória”

“Nós vimos a Sua glória”

Sejamos enriquecidos pelo Tratado sobre o Evangelho de São João (Jo 2, 15-16),  sobretudo quando ouvimos na Missa do Dia de Natal a proclamação do capítulo antecedente, sobre o Mistério da Encarnação do Senhor – “O Verbo Se fez carne e habitou entre nós, e nós vimos a Sua glória” (Jo 1, 14), escrito pelo Bispo e Doutor Santo Agostinho (séc. V).

“‘Estes não nasceram nem da vontade da carne nem da vontade do homem, mas de Deus’. Mas para que nasçam os homens de Deus foi preciso que primeiro nascesse Deus dos homens.

Cristo é Deus, e Ele nasceu dos homens. Somente procurou mãe na terra, quem já tinha Pai nos céus. Aquele mesmo que nasceu de Deus é nosso Criador, e também nosso reparador, nascido de uma mulher.

Não te estranhe, ó homem, ser filho de Deus pela graça; não te estranhe o teu nascimento de Deus à semelhança do Verbo. É o mesmo Verbo quem consentiu nascer primeiro do homem com a finalidade de assegurar-te o teu divino nascimento.

Agora sim, podes perguntar-te a ti mesmo, por que razão Deus quis nascer do homem. É que foi tanto o que me amou que, para fazer-me imortal, quis nascer Ele mesmo por mim de uma vida mortal.

O Evangelista depois disse: ‘Eles nasceram de Deus’, como previa nossa admiração, nosso assombro e estremecimento em presença da graça tão singular, até o ponto de parecer-nos incrível que os homens nasçam de Deus; e com a finalidade de dar-nos, a partir desta verdade garantias de segurança, prosseguiu:

‘E o Verbo Se fez carne, e habitou entre nós’. Porque estranhar-se que o homem nasça de Deus? Vede que é o mesmo Deus quem nasce dos homens: E o Verbo Se fez carne e habitou entre nós.

‘E o Verbo Se fez carne e habitou entre nós’, e Seu Nascimento é o colírio que limpa os olhos de nosso coração, e desta forma já podem ver Sua grandeza através de Suas humilhações.

O Verbo feito carne, que viveu entre nós, é quem curou os nossos olhos. E o que diz o evangelista na continuação? E vimos a Sua glória.

Ninguém pode ver a Sua glória se não for curado pelas humilhações de Sua carne.

E por que não podemos vê-la? Atenção, meus irmãos, e compreendereis o que quero dizer. A poeira e a terra que caíram nos olhos do homem foi que lhes lesionou e obstaculizou a contemplação da luz.

A estes olhos se lhes dá, depois, uma unção com o pó da terra para que curem, porque também foi a terra a causa de suas feridas. Os colírios e os remédios não são mais do que terra. O pó fez perder a vista e o pó a devolverá.

A carne foi a causa de tua cegueira. O pó fez perder a vista e o pó a devolverá. O consentimento nos afetos carnais fez que a alma fosse carne, e disso veio a cegueira do coração.

‘O Verbo Se fez carne’. Eis aqui o médico que te preparou o colírio. O Verbo veio desta maneira para extinguir por Sua carne os vícios da carne, e destruir com Sua morte o império da morte. Por isso, graças ao produzido em ti pelo Verbo feito carne, tu podes dizer: ‘Contemplamos a Sua glória’.

Que glória é esta? É a glória de ser Filho do homem? Ora, isto é mais humilhação do que glória. Até onde alcança a vista do homem curado pela carne? ‘Temos visto a Sua glória, glória do Filho único do Pai, cheio de graça e de verdade...’ Por agora o que foi dito basta.

Transformai-vos em Cristo, e que se fortaleça a vossa fé, e permanecei para sempre em vigilância e no exercício das boas obras.
Não vos separeis nunca do lenho, que é o único meio de passar o mar”. (1)

Detenhamo-nos em pelo menos três afirmações feitas pelo Bispo:

O papel desempenhado por Maria no Mistério da Encarnação de Deus na história da humanidade:
“Cristo é Deus, e Ele nasceu dos homens. Somente procurou mãe na terra, quem já tinha Pai nos céus. Aquele mesmo que nasceu de Deus é nosso Criador, e também nosso reparador, nascido de uma mulher”

O Nascimento de Jesus é o colírio que limpa os olhos de nosso coração:
‘E o Verbo Se fez carne e habitou entre nós’’, e Seu Nascimento é o colírio que limpa os olhos de nosso coração, e desta forma já podem ver Sua grandeza através de Suas humilhações. O Verbo feito carne, que viveu entre nós, é quem curou os nossos olhos...”

Transformados em Cristo e jamais nos separar do lenho na travessia do mar da vida:
“Transformai-vos em Cristo, e que se fortaleça a vossa fé, e permanecei para sempre em vigilância e no exercício das boas obras. Não vos separeis nunca do lenho, que é o único meio de passar o mar”.

Celebrar o Natal do Senhor é contemplar o Mistério da Sua Encarnação, a descida da misericórdia que veio em nosso encontro, como o próprio Bispo afirmou, supliquemos que este Nascimento de Jesus nos dê a graça de contemplar também novos caminhos e fortalecer os vínculos de fraternidade, acolhida, perdão, solidariedade.

Tão somente assim vislumbraremos um novo horizonte, não mais marcado por agonia e melancolia, mas por graça, luz e alegria.

Mas é preciso ao contemplar o Menino Jesus, também contemplar o Mistério da Cruz, que devemos carregar cotidianamente, para que façamos a longa travessia do mar da vida com suas provações, ventos e tempestades, sem jamais naufragarmos nestas.

E bem sabemos que podemos contar com a Mãe de Jesus, Mãe de Deus e nossa, em todos os momentos nesta travessia,


(1) Lecionário Patrístico Dominical - pp. 544-546 - Editora Vozes

É Natal! A Luz veio ao encontro de nossas trevas (Natal do Senhor)

                                                        

É Natal! A Luz veio ao encontro de nossas trevas 

“O Verbo Se fez Carne
e habitou entre nós e nós vimos a Sua glória” (cf. Jo 1,14)

As vitrines e comércios anunciaram o Natal, com o perigo de ficar esquecido o verdadeiro sentido desta Festa, pelo consumismo, materialismo, com tantas luzes e a verdadeira Luz pouco aparecendo ou nada dizendo; com o empobrecimento de um acontecimento tão especial: a encarnação de Deus na história da humanidade.

É Natal e, como Igreja, nos preparamos para receber o Deus que Se fez Carne e veio habitar em nosso meio, fazendo do presépio o Seu primeiro altar.

Esperamos Aquele que veio, vem e virá sempre para nos redimir e reconciliar com Deus, e nos alcançar a salvação eterna que tanto ansiamos, reorientando nossos passos para que reencontremos o Paraíso, sem reduzi-lo a uma nostálgica lembrança, mas com sinceros compromissos com o Reino.

Ressoou mais forte em nossos corações as palavras do profeta: ”Nivelem-se todos os vales, rebaixem-se todos os montes e colinas; endireite-se o que é torto e alisem-se as asperezas: a glória do Senhor então se manifestará e todos os homens verão juntamente o que a boca do Senhor falou” (Is 40,4-8).

Esforçamos em dar testemunho de uma vida autenticamente cristã com os irrenunciáveis e inadiáveis compromissos no “rebaixar montanhas”.

Derrubamos o monte do orgulho, da autossuficiência, da indiferença e da apatia diante de tantas realidades que nos desafiam: o tráfico humano; a indevida concepção e concretização da política, a corrupção em todos os âmbitos e dimensões; a destruição planetária, com o consumo avassalador, que coloca em crise a sustentabilidade e as condições de vida; a violência que nos rouba a alegria de circular pelas ruas e praças, etc.

Rebaixamos os montes, mas ainda se faz necessário preencher os vales de nossa fragilidade, procurando estabelecer relações mais fraternas, marcadas pela ternura, bondade, paciência, acolhida do outro com suas diferenças, eliminando-se quaisquer resquícios de atitudes xenofóbicas e preconceituosas.

É Natal! E somente com reconciliação, perdão, superação e conversão, as “asperezas são alisadas” para reluzir a presença do Senhor, do Verbo que veio, vem e virá sempre, em nós morada Sua fazer.

A Luz do Menino Deus veio ao nosso encontro, iluminando os caminhos escuros por que temos que passar, fazendo transbordar em nosso coração, a alegria, a vida, o amor e a paz, resgatando em nossa alma o sentido cristão e real do Natal.

É Natal! Vejamos a realização do que rezou o Salmista: “O amor e a verdade se encontrarão, a justiça e a paz se abraçarão; da terra brotará a fidelidade, e a justiça olhará dos altos céus. O Senhor nos dará tudo o que é bom, e a nossa terra nos dará suas colheitas; a justiça andará na sua frente e a salvação há de seguir os passos seus” (Sl 85,11-14).

Montes foram rebaixados, vales nivelados... Mas ainda há muito mais a ser feito para que Natal não fique reduzido a um dia, mas que sua luminosidade resplandeça todos os dias de nossa vida, como expressão de quem por Deus sentiu-se acolhido e amado, pois quem ama reflete a luz divina, dá gosto de Deus ao mundo, como sal; e fermenta o mundo novo com seus sonhos e esperança.

Fez-Se homem, tangível, visível para tornar visível e tangível a presença amorosa de Deus na humanidade, em Sua própria Pessoa.

Feliz Natal! Hoje e sempre! Amém.

O Sol dos sóis... (Natal do Senhor)

                                                               

O Sol dos sóis...

Esta reflexão de São Jerônimo nos enriquece para que melhor compreendamos e celebremos o Natal do Senhor:

“O Cristo não encontra lugar no Santo dos Santos, onde o ouro, as pedras preciosas, a seda e a prata reluziam: não, Ele não nasce entre o ouro e as riquezas, mas nasce num estábulo, na lama dos nossos pecados. Ele nasce num estábulo para reerguer os que jazem no meio do estrume: ‘Ele retira o pobre do estrume’.

Que todos os pobres encontrem nisso consolo! Não havia outro lugar para o nascimento do Senhor, a não ser um estábulo; um estábulo onde se achavam amarrados bois e burros! Ah! Se me fosse dado ver este estábulo onde Deus repousou!

Na realidade, pensamos honrar o Cristo retirando o presépio de palha e substituindo-o por um de prata… Para mim tem mais valor justamente o que foi retirado: o paganismo merece prata e ouro. A fé cristã merece o estábulo de palha. Pois bem! Ouvimos a criança choramingar no estábulo: adoremo-la, todos nós, no dia de hoje.

Ergamo-la em nossos braços, adoremos o Filho de Deus. Um Deus poderoso, que por longo tempo, bradou alto dos céus e não salvou ninguém: agora choramingou e salvou. A elevação jamais salva; o que salva é a humildade! O Filho de Deus estava no céu, e não era adorado; desce à terra e passa a ser adorado.

Mantinha sob seu domínio o sol, a lua, os anjos, e não era adorado; nasce na terra, homem, homem completo, integralmente homem, a fim de curar a terra inteira. Tudo o que não assumisse de humano, também não salvaria…”.

No dia de Natal, contemplamos o mais extraordinário acontecimento, a Encarnação do Verbo. 

Poderia Deus expressar de melhor forma Seu amor, ternura, compaixão, misericórdia por nós, ainda que não merecedores?

Deus aceitou Encarnar-Se, fazer-Se um de nós, exatamente como cada um de nós, menos no pecado; para que assim o destruísse, dele nos resgatasse... Não cometeu pecado para que o destruísse e a graça abundante nos comunicasse...

Sintamo-nos tocados por esta reflexão, e creio que até os mais insensíveis dobrar-se-ão diante dela. Se é que ainda a insensibilidade teime em fincar âncoras em corações, se é que ainda permitem que a insensibilidade forme crostas impenetráveis para a acolhida do transbordamento da misericórdia divina...

Acolhamo-la. Estremeçamos diante da beleza e, ao mesmo tempo, dureza das palavras que revelam nossa condição não meritória de tão belo e grande Presente, tão belo e grande hóspede como nos falou também o Papa Leão Magno (séc. V). 

Que neste Natal os raios do Sol Maior, Sol Invicto, Cristo Jesus, ilumine o mais profundo de nossa mente e coração, para que assim nossas ações, expressão de equilíbrio, justiça e piedade, revelem ao mundo que a graça veio ao nosso encontro e nos envolveu (Tt 2,11-14);

Abandonemos a impiedade e as paixões mundanas e o imperativo a reger nosso coração seja: amar e cuidar com amor da vida, acolhendo a Vida que veio habitar entre nós.

Sintamo-nos aquecidos e iluminados pelos raios do Sol dos sóis, se me permite assim dizer. Não nos iludamos com aquilo que aparentemente parece trazer calor, mas muitas vezes nos faz gélidos, insensíveis e indiferentes para com o outro.

Não nos iludamos com tantas coisas que parecem ser a última verdade, a iluminação de que precisávamos, mas são verdades transitórias que não duram talvez mais que um amanhecer, ervas que murcham ao entardecer, orvalhos que secam nas primeiras horas do amanhecer.

Nenhum canto do coração humano fique envolto em escuridão, não abrindo à saúde trazida pelo Sol dos sóis, Cristo Jesus!

Feliz Natal acolhendo no mais profundo de nós, o Sol dos sóis e Seus raios, porque neles há vida, saúde, paz, alegria, amor, vitalidade, sonhos, esperanças, confiança, pureza, sutileza, leveza, vigor e encantamento para construirmos um novo mundo possível.

Natal do Senhor: transbordamento do amor divino em nosso coração (Natal do Senhor)

                                            


Natal do Senhor: transbordamento do amor divino em nosso coração
 
Anos passados, ao terminar a homilia, após ter refletido sobre as leituras e Evangelho proclamados, conclui com estas palavras:
 
“... que o nosso Natal possa ser farto de comida, desde que o nosso coração esteja cheio de amor, cheio das coisas de Deus... o importante será termos o que, de fato, precisamos: O Amor!”
 
Em uma noite de Natal, depois da meia-noite, após celebrar as Missas, cheguei à casa da minha irmã para uma provável e desejável ceia.
 
Mas todos já dormiam (nem todos estavam em casa).
Ela se levantou, esquentou arroz e alguns pedaços de frango frito.
 
Comi e me senti feliz, pois era tudo que eu precisava: um prato de comida e um pouco de atenção.
 
Um Natal com mesa farta é muito bom! Porém, um coração  transbordante de amor, fazendo progressos na santidade, é melhor ainda, como nos exortou Paulo na Carta aos Tessalonicenses ( 1Ts 3,12-4,2).
 
Que o Tempo do Advento seja sempre propício para uma profunda e sincera preparação para o verdadeiro sentido do Natal: Vida Nova e Alegria!
 
O Salvador somente nascerá e será visto por um coração que para Ele se preparou! Vem, Senhor Jesus!

Quem sou eu

Minha foto
4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG