sábado, 20 de dezembro de 2025

“É tempo de procurar o Senhor”

                                                        

“É tempo de procurar o Senhor”

O apelo dos antigos profetas (Os 10,1-3.7-8.12), na denúncia da infidelidade e idolatria vividas, ressoa na pregação dos Apóstolos, enviados a recompor a unidade do Povo de Deus (Mt 10,1-7), como arautos da Boa-Nova do Evangelho, na construção do Reino.

Ressoe a palavra do Profeta Oseias: “É tempo de procurar o Senhor”, que consiste em deixar-se encontrar por Deus, porque é Ele que, de muitos modos e incansavelmente, toma a iniciativa da procura, como o pastor de suas ovelhas cansadas e perdidas.

Esta procura da parte de Deus já atingiu a sua finalidade, porque o Reino dos céus já está presente entre nós. Agora é o nosso tempo de Sua incansável procura.

Conforme as palavras do profeta, esta referida procura consistirá na destruição de toda a idolatria, com novas posturas – “Semeai a justiça entre vós, e colhereis amor; desbravai uma roça nova. É tempo de procurar o Senhor, até que Ele venha e derrame a justiça em vós” (Os 10,12).

Hoje, numa realidade em que até se proclama a morte de Deus, ou mesmo a indiferença diante d’Ele, em que se multiplicam sinais de dor, pranto e morte, este apelo do profeta permanece vivo.

A abissal desigualdade social; a abominável realidade de fome que assola milhões de pessoas; a iniquidade praticada em diversos âmbitos; a crise ética, moral, econômica e política, em nível nacional e internacional; e tantos outros fatos nos desafiam a reencontrar caminhos em que a justiça seja semeada, para que colhamos amor, no “desbravamento de roças novas”, e saboreemos novos frutos, em novos amanheceres de alegria, vida e paz.

Concluamos, unindo à palavra do profeta, as palavras de Santo Anselmo (séc. XII):

“Ensinai-me a Vos procurar e mostrai-Vos quando Vos procuro; não posso procurar-Vos se não me ensinais, nem encontrar-Vos se não Vos mostrais. Que desejando eu Vos procure, procurando Vos deseje, amando Vos encontre, e encontrando Vos ame”.

Creio n’Aquele que veio, vem e virá: Jesus

 


Creio n’Aquele que veio, vem e virá: Jesus

“Aguardamos o nosso Salvador, o Senhor, Jesus Cristo.
Ele transformará o nosso corpo humilhado
e o tornará semelhante ao seu corpo glorioso,
com o poder que tem de sujeitar a Si todas as coisas.” ( Fl 3,20b-21)

Creio na Encarnação Do Verbo, feito Carne, envolto em faixas e reclinado num presépio, e assim ao vir pela primeira vez, revestido de nossa fragilidade, para realizar o plano eterno do amor de Deus para nós, suportando a cruz, sem recusar a Sua ignomínia, abrindo-nos o caminho da Salvação.

Creio que virá pela segunda vez, revestido da glória de Sua majestade, num manto de luz, cercado de uma multidão de anjos, para nos conceder em plenitude os bens prometidos que hoje, vigilantes, esperamos.

Creio na primeira vinda de Cristo que foi nossa redenção, e na Sua segunda vinda, quando aparecerá como nossa vida. 

Creio na Sua presença contínua em espírito e poder, como numa senda, guiando-nos da primeira para a segunda vinda gloriosa, que vigilantes esperamos. Amém.

 

Fontes: Prefácio do Advento I;  São Cirilo de Jerusalém – séc. IV; São Bernardo (séc. XII)

 

Advento: Mergulhemos em suas profundezas!

                                                               


Advento: Mergulhemos em suas profundezas!

Na desejável leveza e profundidade deste Tempo, estammos vivendo  o Tempo do Advento, em que a altura e as coisas do alto serão alcançadas.

Advento, Tempo de vigilância e oração, a Igreja insiste incansavelmente. Tempo de leveza, beleza, profundidade, vigilância e oração. Tempo de faxinar a alma e o coração.

Tempo de passarmos do falta do ânimo à coragem, da indolência ao zelo, da indiferença à solidariedade, do distanciamento à comunhão...

Tempo da nossa indispensável, e mais querida por Deus, preparação para acolhida do Seu Filho na manjedoura mais do que preferida, o coração humano. 

Tempo, enfim, de nos perguntarmos:

- Como estamos preparando a chegada do Senhor? 
- O Menino Deus nos encontrará vigilantes?
- Ele encontrará uma Igreja vigilante?

Se não prepararmos a chegada do Senhor, quão triste e sem luz será o Natal.

Advento é, e será sempre, Tempo de criar possibilidades para que o Novo de Deus, Jesus, em nós encontre moradia, concedendo-nos a tão desejada, e possível, plena alegria, como Ele mesmo nos prometeu. Deus promete, Deus cumpre!

Que o Senhor nos encontre mais que vigilantes, orantes, atentos, a fé testemunhando, solidificando a mais bela e encantadora esperança de um novo tempo, e a chama do Altíssimo em nós seja inflamada, e o nosso coração, pela chama da caridade, aquecido. E assim, quando o Menino Deus, que fará novas todas as coisas, chegar, Sua Luz resplandecerá e então, verdadeiramente, Natal será!

Recuperemos a dimensão Pascal do Natal para celebrar o nascimento de Jesus, o  Sol Nascente, a Luz sem ocaso que veio nos visitar e sempre vem nos visitar.

Advento, mergulhemos em suas profundezas! E, então, o Natal será uma Festa de paz, de amor, de graça e de luz.

Apressa-te em dizer sim, ó Maria!

                                                                      

Apressa-te em dizer sim, ó Maria!

Com a Homilia de São Bernardo (séc. XII), em louvor à Virgem Mãe, refletimos sobre o sim de Maria na realização da vontade de Deus.

“Ouviste, ó Virgem, que vais conceber e dar à luz um filho, não por obra de homem – tu ouviste – mas do Espírito Santo.

O Anjo espera tua resposta: já é tempo de voltar para Deus que o enviou. Também nós, Senhora, miseravelmente esmagados por uma sentença de condenação, esperamos tua palavra de misericórdia.

Eis que te é oferecido o preço de nossa salvação, se consentes, seremos livres. Todos fomos criados pelo Verbo eterno, mas caímos na morte; com uma breve resposta tua seremos recriados e novamente chamados à vida.

Ó Virgem cheia de bondade, o pobre Adão, expulso do paraíso com a sua mísera descendência, implora a tua resposta; Abraão a implora, Davi a implora. 

Os outros patriarcas, teus antepassados, que também habitam a região da sombra da morte, suplicam esta resposta. O mundo inteiro a espera, prostrado a teus pés.

E não é sem razão, pois de tua palavra depende o alívio dos infelizes, a redenção dos cativos, a liberdade dos condenados, enfim, a salvação de todos os filhos de Adão, de toda a tua raça.

Apressa-te, ó Virgem, em dar a tua resposta; responde sem demora ao Anjo, ou melhor, responde ao Senhor por meio do Anjo. Pronuncia uma palavra e recebe a Palavra; profere a tua palavra e  concebe a Palavra  de Deus; dize uma palavra passageira e abraça a Palavra eterna.

Por que demoras? Por que hesitas? Crê, consente, recebe. Que tua humildade se encha de coragem, tua modéstia de confiança. De modo algum convém que tua simplicidade virginal esqueça a prudência. Neste encontro único, porém, Virgem prudente, não temas a presunção. Pois, se tua modéstia no silêncio foi agradável a Deus, mais necessário é agora mostrar tua piedade pela palavra.

Abre, ó Virgem Santa, teu coração à fé, teus lábios ao consentimento, teu seio ao Criador. Eis que o Desejado de todas as nações bate à tua porta. Ah! se tardas e Ele passa, começarás novamente a procurar com lágrimas Aquele que teu coração ama!

Levanta-te, corre, abre. Levanta-te pela fé, corre pela entrega a Deus, abre pelo consentimento. Eis aqui, diz a Virgem, a serva do Senhor; faça-se em mim segundo a Tua Palavra (Lc 1,38)”. (1)

Urgiu que Maria se apressasse em dar seu Sim para que o Verbo Se fizesse Carne em nosso meio, e é esta a mesma urgência o nosso sim aos Projetos Divinos cotidianamente se impõe, para que o Mistério da Encarnação, Paixão, Morte e Ressurreição do Senhor não fiquem relegados a um fato do passado, mas seja um acontecimento que se irrompe em cada instante de nossa vida!

Apressemo-nos também em dizer sim para Deus e
Seus santos desígnios a nosso respeito.

(1) Liturgia das Horas - Volume Tempo Comum/Advento - pp.309-310

Advento: celebremos a vinda do Emanuel

                                                      

Advento: celebremos a vinda do Emanuel

No Tempo do Advento, ouvimos no dia 20 de dezembro (nos dias da semana), em preparação ao Natal do Senhor, a passagem do Profeta Isaías (Is 7,10-14), que tem como mensagem fundamental que Deus nunca abandona o Seu povo e está sempre presente.

Com o Profeta, aprendemos que não se pode confiar em alianças efêmeras, passageiras, temporais (nações potentes, exércitos estrangeiros...).

A confiança e a esperança devem ser tão apenas em Deus, do contrário, pode se incorrer em maior sofrimento e opressão.

É preciso que, como Povo de Deus, saibamos ler os sinais de Deus, para não confiarmos em falsas seguranças e ilusórias esperanças. Somente Deus, Sua presença e Palavra, devemos ter como nossa “rocha segura”.

Esta promessa de Salvação se deu em Jesus Cristo: contemplemos e professemos a fé em Jesus Cristo, que veio nos trazer a Salvação; Ele é o Emanuel prometido, ou seja, o “Deus conosco” (Mt 1,23).

Em cada Natal, somos convidados a celebrar o Nascimento do Salvador e fazer o verdadeiro encontro com Jesus, como nos fala o Apóstolo Paulo na Carta aos Romanos (Rm 1, 1-7).

Assim aconteceu o encontro do Apóstolo Paulo com Jesus, que culminou no anúncio e testemunho d’Ele, de Sua Pessoa, Palavra e Projeto de Vida e Salvação.

Paulo, o servo de Jesus Cristo (descendente de Davi), Apóstolo por chamamento e eleito para anunciar o Evangelho a todos os povos.

Nisto consistiu sua missão, que levou até o fim, culminando com o martírio e derramamento de sangue, e que este testemunho nos encoraje em nossa missão.

Com o Apóstolo, aprendemos que a missão evangelizadora deve ser realizada com amor e espírito de serviço, com palavras e gestos concretos.

Vivamos o Tempo do Advento como a graça do encontro com Jesus e a acolhida de Sua Pessoa, Palavra e Projeto, que transforma a nossa vida.

Vivamos o verdadeiro Natal, mas não o natal do consumismo, dos presentes trocados, das refeições mais enriquecidas apenas.

Seja o Natal nosso sim para Deus e à Sua vontade, e, se preciso for, rever nossos caminhos e projetos pessoais, colocando os Seus desígnios e vontade acima de nossas próprias vontades e caprichos.

Natal é a Luz de Deus que vem iluminar nossos caminhos obscuros, sobretudo quando vemos noticiários cotidianos em que a mentira, a maldade, o roubo, o desmando, a corrupção parecem prevalecer sobre as atitudes e pessoas de boa vontade. 

É próprio do amor de Deus...

                                                                 

É próprio do amor de Deus...

Mais do que falar do amor de Deus, é preciso vivê-lo intensamente, escrevendo memoráveis páginas de resposta ao Seu amor.

Mergulhemos no mar da misericórdia de Deus e a felicidade pura, verdadeira, encontraremos, pois é próprio do amor de Deus:

- Amar até mesmo os inimigos; amor sem limites, barreiras, méritos, conceitos;

- Falar no mais profundo de nós, dando a nós o melhor d’Ele, para que sejamos melhores a cada dia;

- Doer até as entranhas do coração em intensa compaixão, agindo em nós ainda que não o percebamos ou não nos predisponhamos, pois Seu amor é persistente;

- Fazer-se presente quando menos imaginamos, e quando mais precisamos;

- Abrir-se ao novo, e de forma diferente, encaminhando luz a quem precisa, mas não dispensa nossas renúncias para nos oferecer algo infinitamente maior e melhor;

- Vir em nosso socorro em necessários discernimentos;

- Suportar a rejeição, para que sejamos mais bem aceitos, porque regenerados, ainda que não merecedores, nos ama ainda que não saibamos ou não percebamos, ou até mesmo O ignoremos;

- Expressar-se com faces de misericórdia, em atitudes de perdão que possibilitam sempre um novo recomeço, deixando marcas para sempre lembradas.

É próprio do amor de Deus...

O nosso sim de cada dia

                                                        

O nosso sim de cada dia

Há pequenas grandes palavras em nossa vida:
mãe, pai, amor, fé, sim e não...

Sim palavra tão pequena, mas tão densa de conteúdo.
Palavra tão dita, mas muitas vezes desdita.

Palavra tão sonora, mas às vezes transformada em desagradável ruído.

Palavra sagrada, tantas vezes pronunciada, mas muitas vezes esquecida...

É preciso repensar os nossos sins. 
Tantos sins que viraram nãos, tantos nãos que viraram sins. 
Sins que não foram dados, que foram adiados, covardemente calados, e que não poderiam ter sido omitidos.
Sins de imperativos revigoramentos!

Nãos que deveriam ser dados e para sempre confirmados.
Nãos que deveriam ser revogados e nunca existidos...

Não a Deus dado no Paraíso, pecado introduzido,
arrogância, afastamento, onipotência, diálogo rompido,
presunção assumida, amizade perdida...

Mas o sim do Amor de Deus falou mais alto que o não da humanidade, de nossos primeiros pais, ontem, hoje e sempre.

O sim do Amor de Deus, anunciado e cantado pelos profetas, rezado pelos salmistas, visibilizado em Jesus, pleno e indefectível sim a Deus: Amor que ama até o fim!

Fidelidade vivida, comprovada, testemunhada com o Sangue derramado. 
Que mais poderia por nós fazer, o Divino Amado? 
Sim pelo Pai acolhido e para sempre confirmado,
quando à Sua direita o Filho foi exaltado, glorificado.

Sim de um Deus Encarnado, que para sempre fosse amado,
adorado, obedecido: “Tenhamos em nós os mesmos sentimentos que existem em Cristo Jesus” (Fl 2,5).

Sim que venceu as correntes do inferno e do pecado; Satanás vencido. Vida nova, plena de graça de mais belo e suave sentido.
Sim! Palavra tão pequena e tão importante!

Seja para o forte, seja para o fraco; seja para o hesitante, seja para o decidido; seja para o tímido, seja para o extrovertido; temerosos e corajosos; batizados ou não batizados, mas de boa vontade e de bons propósitos movidos!

Continuemos refletindo sobre outros tantos sins:
O SIM de Maria no Mistério da Encarnação de Jesus e sua participação da obra da Redenção da Humanidade.

O sim dado no dia de nosso Batismo, no dia da primeira Eucaristia, no dia da Crisma, no casamento celebrado diante do Altar Sagrado.

O sim dado num dia de Ordenação Diaconal,   Presbiteral e Episcopal.
Sim que foi dado a um amigo em promessa de lealdade, fidelidade, solidariedade.

Sim que se assumiu em compromissos éticos e profissionais.
Sim dado por tantos políticos em promessas que hão de se cumprir. 
Sim nas pequeninas coisas para que o sejamos fiéis nas grandes.

Sim a compromissos firmados, promessas e juras feitas...

A Eternidade não se alcança pelas tantas promessas que se faz,
mas pelo sim amorosamente esforçado e dedicado, 
intensamente vivido.

Disse Jesus que os céus serão abertos para quem a
Ele se voltou e Seu Projeto aceitou.

Quem antes era um não a Deus,
n'Ele encontrou nova possibilidade,
um sim para o serviço da vinha ressoou...

Sumos sacerdotes, anciãos no povo, pretensamente justos,
sim a Lei, o Verbo recusou, a Ele se fechou.

Ainda mais: O crucificou...
Quem deveria ser sim a Deus em nosso meio,
um cruento não se tornou.

Tentaram calar o Sim do Amor de Deus,
mas o não da maldade foi vencido, o veneno foi expelido.
Da Árvore da Vida, o sim da vida mais forte
do que o não da morte falou:
Cristo, Verbo de Deus, na
Força e Vida do Espírito,
O Pai Ressuscitou...

Sim! Palavra tão pequena...

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