sexta-feira, 11 de julho de 2025

Conduzi, Senhor, a Vossa Igreja!

                                                                     

Conduzi, Senhor, a Vossa Igreja!

“Prudentes como a serpente e
simples como as pombas”

Contemplo o Mistério da Igreja, com sua fragilidade, que contrasta com a força do mundo, como foi com o próprio Jesus Cristo, em Sua pessoa, quando enviou os discípulos em missão.

Contemplo o Mistério do Rei do Universo, inerme e tranquilo, tão diferente do rei que os judeus esperavam; um rei poderoso e triunfante, que se imporia pela força e violência. Ele tão frágil e indefeso.

Contemplo, em silêncio: A Palavra Viva e encarnada diante das palavras funestas ou mortais de Pilatos: “proclama-se Rei; e, no entanto, deixa-se prender, flagelar, conduzir à morte como malfeitor pelo bem de todos nós”.

Contemplo Aquele pelo qual tudo foi criado, tão pobre que não tem onde repousar a cabeça, mas dá prodigiosamente pão a milhares de pessoas, saciando a fome da multidão.

Medito sobre o Programa das Bem-Aventuranças, nada fácil para a Igreja: viver, cotidianamente, enfrentando ventos contrários, tempestades, mas, com a divina presença de Jesus na “barca”, em confiante travessia.

Suplico para que, como Igreja que somos, vençamos a contínua tentação de assumir as mesmas atitudes do mundo (fome do ter, poder e ser), aparentemente mais eficazes, mas que secam as fontes de sua ação.

Suplico para que a Igreja jamais se afaste do espírito da missão recebida, reavivando o testemunho, como o Mestre, de pobreza, simplicidade, humildade, e profecia, enriquecida com os infinitos dons e carismas do Espírito.

Rogo a Deus a assistência do Santo Espírito, para que a Igreja tenha coragem e clareza em todos os momentos, em absoluta e incondicional fidelidade ao Evangelho, com renúncias e carregando a cruz, no Mistério Pascal.

E assim, assistidos e conduzidos pelo Espírito, tenhamos prontidão para suportar, com paciência, toda injúria, sem nos calarmos diante da prática da injustiça, no permanente combate da fé, a espera de um novo céu e de uma nova terra.

Enfim, rogo para que, no realizar da missão pelo Senhor confiada, sejamos “Prudentes como as serpentes, simples como as pombas” (Mt 10,16), na construção do Reino de Deus por Ele inaugurado, como Igreja em saída, missionária e misericordiosa.
  

Fonte inspiradora: Mt 10, 16-23; Mt 10,15-22 - Missal Cotidiano - Editora Paulus -  p.1011.

Dai-nos, Senhor, a Luz do Espírito

                                                                   

Dai-nos, Senhor, a Luz do Espírito

Dai-nos, Senhor, a Luz do Espírito, a fim de que reconheçamos a Vossa divina presença em nosso meio, na Palavra e nos Sacramentos, de forma tão respeitosa, paciente e humilde, e no amor testemunhado na doação da vida  sacrificada na Cruz.

Dai-nos, Senhor, a Luz do Espírito, para que reconheçamos na aparente "presença fraca" a expressão de um "amor forte" de Vós por nós (Ez 2,2-5), que se opõe à nossa "fortaleza débil", e que jamais desiste de nós.

Dai-nos, Senhor, a Luz do Espírito, para que contemplemos no Cristo crucificado, expressão maior do amor divino, indefectível  e infinito  por nós, um amor mais forte que a morte, quando, inerme na Cruz, teve Seu coração trespassado.

Dai-nos, Senhor, a Luz do Espírito, para que vejamos na Cruz a revelação da maldade humana, e mais ainda, o amor de Deus pela humanidade redimida pelo Sangue do Inocente, Jesus Cristo.

Dai-nos, Senhor, a Luz do Espírito, para que contemplemos, aos pés da Cruz Redentora, o confronto dramático e perene; o  duelo entre a “fortaleza débil’ do homem e a "fraqueza forte" de Deus.

Dai-nos, Senhor, a Luz do Espírito, para que, enfim, revigorada a nossa fé, tenhamos os véus dos nossos olhos retirados, e experimentemos a Vida que vem da Gloriosa Ressurreição. Amém.

PS: Fonte de inspiração – Lecionário Comentado – Tempo Comum – Voume I – Lisboa - 2011 – p.666

“Quão grande e admirável é a caridade”

                                                              

“Quão grande e admirável é a caridade”

Sejamos enriquecidos pela arta aos Coríntios, escrita pelo Papa São Clemente I (séc. I):

Vede, diletos, quão grande e admirável é a caridade. A sua perfeição ultrapassa as palavras. Quem é capaz de possuí-la a não ser aquele que Deus quiser tornar digno?

Oremos, portanto, e peçamos-lhe misericórdia para sermos encontrados na caridade, sem culpa nem qualquer inclinação meramente humana. Todas as gerações, desde Adão até hoje, já passaram. Aqueles, porém, que pela graça de Deus foram consumados na caridade, alcançam o lugar dos santos e serão manifestados na parusia do Reino de Cristo.

Está escrito: Entrai nos quartos por um momento até que passe minha cólera acesa; e lembrar-me-ei dos dias bons e vos erguerei de vossos sepulcros.

Felizes de nós, diletos, se cumprirmos os preceitos do Senhor na concórdia da caridade, para que pela caridade sejam perdoados nossos pecados. Pois está escrito: Felizes aqueles cujas iniquidades foram perdoadas e cobertos os pecados. Homem feliz, a quem o Senhor não acusa de pecado nem há engano em sua boca. Esta felicidade pertence aos eleitos de Deus, mediante Jesus Cristo, Nosso Senhor, a quem a glória pelos séculos dos séculos. Amém.

De tudo quanto faltamos e fizemos, seduzidos por alguns servos do adversário, peçamos-lhe perdão. Aqueles, porém, que se tornaram cabeças de sedição e discórdia, devem meditar sobre a comum esperança.

Quem vive no temor de Deus e na caridade, prefere o próprio sofrimento ao do próximo, prefere suportar injúrias a desacreditar a harmonia, que bela e justamente nos vem da tradição. É de fato melhor confessar o seu pecado do que endurecer o coração.

Quem entre vós é o generoso, quem o misericordioso, quem o cheio de caridade? Que esse diga: ‘Se por minha causa surgiu esta sedição, esta discórdia e divisão, então eu me retiro, vou para onde quiserdes e farei o que o povo decidir; contanto que o rebanho de Cristo tenha a paz com os presbíteros estabelecidos’.

Quem assim agir, alcançará grande glória em Cristo e será recebido em todo lugar. Do Senhor é a terra, e tudo o que contém. Assim fazem e farão aqueles que vivem a vida divina, da qual nunca se têm de arrepender”.

A Carta é um convite para a reflexão sobre os Preceitos do Senhor, no fortalecimento dos laços e vínculos de concórdia e da caridade na vida de comunidade.

Sete vezes a palavra caridade é mencionada nesta Carta, e bem sabemos quão necessária ela é na vida da comunidade, para que se fortaleçam os vínculos entre seus membros.

Sem ela, a missão se fragiliza, a Igreja não se rejuvenesce, e perde o ardor da missão que o Senhor confiou.

A caridade vivida nos coloca em abertura ao sopro do Espírito, que anima e conduz Sua Igreja, para que seja aberta aos sinais dos tempos e os clamores que emergem por uma solidária e corajosa resposta.

Roguemos a Deus para que nossas comunidades sejam espaços privilegiados de aprendizado e da prática da caridade, na correção fraterna, na conversão de todos ao que delas se espera, e que jamais sejamos motivos de discórdia delas participando.

Nada prefiramos ao amor de Deus

                                                                          

Nada prefiramos ao amor de Deus

No dia 11 de julho, celebramos a Memória de São Bento, e a Liturgia das Horas nos apresenta um de seus textos da Regra de São Bento (Séc. VI), que nos exorta a nada absolutamente preferir a Cristo.

“Antes de tudo, quando quiseres realizar algo de bom, pede a Deus com oração muito insistente que seja plenamente realizado por Ele. Pois já tendo Se dignado contar-nos entre o número de Seus filhos, que Ele nunca venha a entristecer-Se por causa de nossas más ações.

Assim, devemos em todo tempo pôr a Seu serviço os bens que nos concedeu, para não acontecer que, como Pai irado, venha a deserdar Seus filhos; ou também, qual Senhor temível, irritado com os nossos pecados nos entregue ao castigo eterno, como péssimos servos que O não quiseram seguir para a glória.

Levantemo-nos, enfim, pois a Escritura nos desperta dizendo: Já é hora de levantarmos do sono (cf. Rm 13,11). Com os olhos abertos para a luz deífica e os ouvidos atentos, ouçamos a exortação que a voz divina nos dirige todos os dias: Oxalá, ouvísseis hoje a Sua voz: não fecheis os corações (Sl 94,8); e ainda: Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às Igrejas (Ap 2,7).  E o que diz Ele? Meus filhos, vinde agora e escutai-me: vou ensinar-vos o temor do Senhor (Sl 33,12). Correi, enquanto tendes a luz da vida, para que as trevas não vos alcancem (cf. Jo 12,35).

Procurando o Senhor o Seu operário na multidão do povo ao qual dirige estas palavras, diz ainda: Qual o homem que não ama sua vida, procurando ser feliz todos os dias? (Sl 33,13). E se tu, ao ouvires este convite, responderes: Eu, dir-te-á Deus: Se queres possuir a verdadeira e perpétua vida, afasta a tua língua da maldade, e teus lábios, de palavras mentirosas. Evita o mal e faze o bem, procura a paz e vai com ela em seu caminho (Sl 33,14-15).

E quando fizeres isto, então meus olhos estarão sobre ti e meus ouvidos atentos às tuas preces; e antes mesmo que me invoques, Eu te direi: Eis-me aqui (Is 58,9). Que há de mais doce para nós, caríssimos irmãos, do que esta voz do Senhor que nos convida? Vede como o Senhor, na Sua bondade, nos mostra o caminho da vida!

Cingidos, pois, os nossos rins com a fé e a prática das boas ações, guiados pelo Evangelho, trilhemos os seus caminhos, a fim de merecermos ver Aquele que nos chama a Seu Reino (cf. 1Ts 2,12). Se queremos habitar na tenda real do acampamento desse Reino, é preciso correr pelo caminho das boas ações; de outra forma, nunca  chegaremos lá.

Assim como há um zelo mau de amargura, que afasta de Deus e conduz ao inferno, assim também há um zelo bom, que separa dos vícios e conduz a Deus. É este zelo que os monges devem pôr em prática com amor ferventíssimo, isto é, antecipem-se uns aos outros em atenções recíprocas (cf. Rm 12,10).

Tolerem pacientissimamente as suas fraquezas, físicas ou morais; rivalizem em prestar mútua obediência; ninguém procure o que julga útil para si, mas, sobretudo o que o é para o outro; ponham em ação castamente a caridade fraterna; temam a Deus com amor; amem o seu abade com sincera e humilde caridade; nada absolutamente prefiram a Cristo; e que Ele nos conduza todos juntos para a vida eterna”.

Além de nos exortar a nada absolutamente preferir a Cristo, o Abade nos enriquece, na vivência de nossa fé, com outros ensinamentos, que, como discípulos missionários do Senhor, podemos retomar:

- “Antes de tudo, quando quiseres realizar algo de bom, pede a Deus com oração muito insistente que seja plenamente realizado por Ele”;

- “...devemos em todo tempo pôr a Seu serviço os bens que nos concedeu, para não acontecer que, como Pai irado, venha a deserdar Seus filhos”;

“Cingidos, pois, os nossos rins com a fé e a prática das boas ações, guiados pelo Evangelho, trilhemos os seus caminhos, a fim de merecermos ver Aquele que nos chama a Seu Reino (cf. 1Ts 2,12)”;

- “Assim como há um zelo mau de amargura, que afasta de Deus e conduz ao inferno, assim também há um zelo bom, que separa dos vícios e conduz a Deus”;

- “...antecipem-se uns aos outros em atenções recíprocas (cf. Rm 12,10)”;

- “...ninguém procure o que julga útil para si, mas sobretudo o que o é para o outro”.

Oremos:

“Ó Deus, que fizestes o Abade São Bento preclaro mestre na escola do Vosso serviço, concedei que, nada preferindo ao Vosso amor, corramos de coração dilatado no caminho dos Vossos mandamentos. Por N.S.J.C. Amém.”

quinta-feira, 10 de julho de 2025

Servo por amor

                                                    

Servo por amor

“Entretanto, não vos aflijais, nem vos atormenteis, por me terdes vendido a este país. Porque foi para a vossa salvação que Deus me mandou adiante de vós, para o Egito”.

José, que ama e perdoa seus irmãos,
Uma história que nos comove e nos ilumina.
José, imagem tão emblemática do Povo de Deus,
Porque representa todo aquele
Que mesmo repelido, maltratado, exilado,
Nas mãos Deus se coloca e confia.

José, que ama e perdoa seus irmãos,
Ele, o preferido do pai, dos irmãos vítima.
Por eles atraiçoado e por eles vendido,
Mais tarde instrumento de salvação dos mesmos,
Em atitude exemplar e admirável,
Cumprindo a missão de servo por amor.

José, prefigura o próprio Cristo,
O único Inocente de fato,
Que pecado algum conheceu.
O Filho amado, pelos Seus traídos,
À morte conduzido pelos próprios irmãos,
E deles Se tornando fonte de Salvação.

José, o servo de Deus por amor.
Jesus, o Verbo de Deus, Encarnação do Amor.
Aprendizes destes, sejamos, em todo o tempo,
Aprendendo a contemplar a misericórdia de Deus
Nas vicissitudes da História,
Com confiança n’Aquele que nos concede todo o bem. Amém.



Fonte: Gn 44,18-21.23b-29;45,1-5
Lecionário Comentado – Tempo Comum – vol. I – Editora Paulus – pp.690-691

“Que todos sejam um” (continuação)


“Que todos sejam um”

Completando a reflexão à luz da Carta do Papa São Clemente I aos Coríntios.

A Igreja vivia seus primeiros momentos, como Igreja nascente e fundada sobre a fé de Pedro, a quem o Senhor confiou as chaves do Reino para conduzi-la, procurando respostas aos desafios que se multiplicariam.

Uma dificuldade que ainda hoje nos desafia é o fortalecimento dos vínculos da concórdia e da paz.

São inumeráveis as passagens bíblicas que fazem resplandecer os raios luminosos, para que a obscuridade causada pela discórdia possa ser iluminada e os conflitos superados.

São Clemente, na condução da Igreja não ficou imune e indiferente a tais desafios que, de um modo ou de outro, teimam em sobreviver nos espaços internos da Igreja, e lamentavelmente em tantos outros lugares.

Acolhamos e deixemo-nos iluminar pela carta:

“Vede, diletos, quão grande e admirável é a caridade. A sua perfeição ultrapassa as palavras. Quem é capaz de possuí-la a não ser aquele que Deus quiser tornar digno? Oremos, portanto, e peçamos-lhe misericórdia para sermos encontrados na caridade, sem culpa nem qualquer inclinação meramente humana.

Todas as gerações, desde Adão até hoje, já passaram. Aqueles, porém, que pela graça de Deus foram consumados na caridade, alcançam o lugar dos santos e serão manifestados na parusia do reino de Cristo. Está escrito: Entrai nos quartos por um momento até que passe minha cólera acesa; e lembrar-me-ei dos dias bons e vos erguerei de vossos sepulcros.

Felizes de nós, diletos, se cumprirmos os preceitos do Senhor na concórdia da caridade, para que pela caridade sejam perdoados nossos pecados. Pois está escrito: Felizes aqueles cujas iniquidades foram perdoadas e cobertos os pecados. Homem feliz, a quem o Senhor não acusa de pecado nem há engano em sua boca.

Esta felicidade pertence aos eleitos de Deus, mediante Jesus Cristo, Nosso Senhor, a quem a glória pelos séculos dos séculos. Amém. De tudo quanto faltamos e fizemos, seduzidos por alguns servos do adversário, peçamos-lhe perdão. Aqueles, porém, que se tornaram cabeças de sedição e discórdia, devem meditar sobre a comum esperança.

Quem vive no temor de Deus e na caridade, prefere o próprio sofrimento ao do próximo, prefere suportar injúrias a desacreditar a harmonia, que bela e justamente nos vem da tradição. É de fato melhor confessar o seu pecado do que endurecer o coração.

Quem entre vós é o generoso, quem o misericordioso, quem o cheio de caridade? Que esse diga: “Se por minha causa surgiu esta sedição, esta discórdia e divisão, então eu me retiro, vou para onde quiserdes e farei o que o povo decidir; contanto que o rebanho de Cristo tenha a paz com os presbíteros estabelecidos”.

Quem assim agir, alcançará grande glória em Cristo e será recebido em todo lugar. Do Senhor é a terra, e tudo o que contém. Assim fazem e farão aqueles que vivem a vida divina, da qual nunca se têm de arrepender.”

Não há dúvida de que seremos felizes se cumprirmos os preceitos do Senhor, na concórdia da caridade. Se fizermos morrer no mais profundo de nós tudo aquilo que venha ferir a Unidade - e o que primeiro deve morrer é o orgulho, a soberba, a presunção, o rancor, a ira, a inveja, a indiferença, numa palavra: os vermes dos pecados capitais que nos corroem a alma e, consequentemente, corroem as relações fraternas, de modo a impedir que vejam Cristo em nós.

Urge que geremos Cristo em nós com incansável esforço de conversão, deixando-nos modelar pela Mão Divina, que quer arrancar, extirpar o que nos rouba a felicidade, a maturidade.

Somente assim nos credenciamos à eternidade, quando acolhemos a Palavra que nos purifica. Amém.


“Amor exige amor. E amor fiel”

                                                     

“Amor exige amor. E amor fiel”

No comentário do Lecionário Comentado, sobre a primeira Leitura da Missa (quinta-feira da 14ª semana do Tempo Comum - ano par) - (Os 11,1-4-8.c-9), assim lemos:

“Há quem diga que, de calcar a mão sobre a bondade e misericórdia de Deus, corre-se o risco de debilitar a mensagem cristã e tornar vazia a própria vida cristã, a tal ponto é sempre possível o perdão...

Mas nossa própria experiência humana nos diz que não pode ser assim. Um perdão forte, generoso, que procura redimir, muitas vezes vence a ofensa; trará o filho ao pai, o esposo à esposa. Ainda, porém, que nunca se dê isso entre os homens (o que não é verdade), dá-se entre Deus e nós. Amor exige amor. E amor fiel.” (1)

A passagem do Livro de Oseias acima mencionada é uma das mais belas de todo o Antigo Testamento, na qual mediante uma linguagem humana cheia de experiência da intimidade familiar, Deus Se apresenta com o Coração de Pai e Mãe. Já havia Se apresentado com a imagem esponsal, e agora como Pai.

Quanto nos impressiona o Amor de Deus que é diferente do amor humano, pois o Seu ardor é totalmente consumado na misericórdia irrevogável e eterna.

Contemplamos uma das mais ternas imagens para descrever o Amor de Deus por nós, o carinho e cuidado materno e paterno que tem para conosco, Seus filhos.

De santidade infinita, o Senhor Deus é o “totalmente outro” do homem e da mulher, e assim Sua fidelidade é eterna, e Seu amor e perdão são sempre possíveis.

Deus sendo totalmente outro, é o mais belo e puro e eterno Amor, que acolhe, acompanha, perdoa, renova, recria, reconduz... Deus exige tão apenas amor, porque de fato, amor exige amor, e não amor qualquer, mas um amor fiel.

Assim é o amor de Deus, o mesmo amor a ser vivido e testemunhado pelos seus discípulos na missão na construção do Reino:

Todos os tons e vocábulos do amor (esponsal, amigável, paterno/materno) são utilizados pelo Profeta (Oseias) para exprimir o que é inexprimível, isto é, a ternura infinita do Deus enamorado loucamente do homem [...] o amor é contagioso e pede amor: e eis que o nosso programa de vida, necessariamente missionário, porque quem recebe deve dar – tem por modelo Jesus e Seu Ministério (Evangelho do dia Mt 10,7-15).” (2)

Continuemos a reflexão sobre a ternura infinita do Deus enamorado loucamente do homem, como Oseias tão bem nos apresenta...


(1) Missal Cotidiano -Editora Paulus - pp. 1005
(2) 
Lecionário Comentado - Volume I - Tempo Comum - Editora Paulus - Lisboa - pp. 693-694

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