domingo, 1 de junho de 2025

A Solenidade da Ascensão segundo Santo Agostinho... (Ascensão do Senhor)

A Solenidade da Ascensão segundo Santo Agostinho...

À luz do Sermão do Bispo Santo Agostinho (Séc. V), reflitamos sobre a Ascensão do Senhor aos céus:

“Hoje nosso Senhor Jesus Cristo subiu ao céu; suba também com Ele o nosso coração. Ouçamos as palavras do Apóstolo:

Se ressuscitastes com Cristo, esforçai-vos por alcançar as coisas do alto, onde está Cristo, sentado à direita de Deus; aspirai às coisas celestes e não às coisas terrestres (Cl 3,1-2).

E assim como Ele subiu sem Se afastar de nós, também nós subimos com Ele, embora não se tenha ainda realizado em nosso corpo o que nos está prometido.

Cristo já foi elevado ao mais alto dos céus; contudo, continua sofrendo na terra através das tribulações que nós experimentamos como Seus membros.

Deu testemunho desta verdade quando Se fez ouvir lá do céu: Saulo, Saulo, por que me persegues (At 9,4). E ainda: Eu estava com fome e me destes de comer (Mt 25,35).

Por que razão nós também não trabalhamos aqui na terra de tal modo que, pela fé, esperança e caridade que nos unem a nosso Salvador, já descansemos com Ele no céu?

Cristo está no céu, mas também está conosco; e nós, permanecendo na terra, estamos também com Ele.

Por Sua divindade, por Seu poder e por Seu amor Ele está conosco; nós, embora não possamos realizar isso pela divindade, como Ele, ao menos, podemos realizar pelo amor que temos para com Ele.

O Senhor Jesus Cristo não deixou o céu quando de lá desceu até nós; também não Se afastou de nós quando subiu novamente ao céu.

Ele mesmo afirma que Se encontrava no céu quando vivia na terra, ao dizer:
Ninguém subiu ao céu, a não ser Aquele que desceu do céu, o Filho do homem, que está no céu (cf. Jo 3,13).

Isto foi dito para significar a unidade que existe entre Ele, nossa Cabeça, e nós, Seu Corpo.

E ninguém senão Ele podia realizar esta unidade que nos identifica com Ele mesmo, pois Se tornou Filho do homem por nossa causa, e nós por meio Dele nos tornamos filhos de Deus.
Neste sentido diz o Apóstolo:

Como o corpo é um só, embora tenha muitos membros, e como todos os membros do corpo, embora sejam muitos, formam um só corpo, assim também acontece com Cristo (1Cor 12,12).

Ele não diz: “assim é Cristo”, mas: assim também acontece com Cristo.

Portanto, Cristo é um só, formado por muitos membros. Desceu do céu por Sua misericórdia e ninguém mais subiu senão Ele; mas n’Ele, pela graça, também nós subimos. Portanto, ninguém mais desceu senão Cristo e ninguém mais subiu além de Cristo.

Isto não quer dizer que a dignidade da Cabeça se confunde com a do corpo, mas que a unidade do Corpo não se separa da Cabeça.” (1)

Renovemos o ardor da Missão Evangelizadora, pois assim como Deus O assistiu em todos os momentos, voltando para o Pai, nos reveste da força do alto, com a presença do Espírito.

Uma vez revestidos da força do alto, com a presença e ação do Espírito, trilhamos “a estreita via da Cruz”, na construção do novo céu e nova terra.

Nada faltou a Jesus, sendo assim, sendo Ele a Cabeça, nós o Seu Corpo, também já fomos elevados aos céus.

Isto não significa que tudo está consumado. Há um longo caminho a percorrer até que um dia possamos contemplar Deus face a face...

Sem letargias, inseguranças, atropelos, inércia, desânimos, mas com firmeza, equilíbrio, ardor...

A Ascensão é ao mesmo tempo a conclusão da
Missão do Senhor na terra e o início da nossa Missão.
Como amadas testemunhas, Ele nos enviou
para sermos sinais do Seu Amor!
Amém!

(1) Liturgia das Horas - pág. 828-829. 

Ascensão: o Triunfo do Vencedor, Jesus Cristo (Ascensão do Senhor)

 


Ascensão: o Triunfo do Vencedor, Jesus Cristo

Ao Celebramos a Ascensão do Senhor, sejamos enriquecidos pelo Sermão de São Máximo de Turim (séc. V):

“’Se o grão de trigo não cai na terra e morre, fica infecundo; mas se morre, dá muito fruto’. Floresceu, pois, novamente o Senhor ressuscitando do sepulcro; frutifica quando sobe ao céu.

É flor quando é gerado nas profundezas da terra; é fruto quando é assentado em Sua sublime sede. É grão – como Ele mesmo diz – quando, só, padece a Cruz; é fruto quando Se vê cercado da copiosa fé dos Apóstolos.

De fato, durante aqueles quarenta dias em que, depois da Ressurreição, conviveu com Seus discípulos, instruiu-lhes em toda a maturidade da sabedoria e os preparou para uma safra abundante com toda a fecundidade de Sua doutrina. Depois subiu ao céu, ou seja, ao Pai, levando o fruto da carne e deixando em Seus discípulos as sementes da justiça.

Subiu, portanto, o Senhor ao Pai. Vossa santidade recordará, sem dúvida, que comparei o Salvador com aquela águia do salmista, da qual lemos que renova sua juventude.

Realmente existe uma semelhança, e não pequena. Pois assim como a águia abandonando os vales se eleva às alturas e penetra impetuosa nos céus, assim também o Salvador abandonando as profundidades do abismo Se elevou aos serenos picos do paraíso, e penetrou nas mais elevadas regiões do céu.

E assim como a águia, abandonando a mesquinharia da terra, e voando para as alturas, usufrui da salubridade de um ar mais puro, assim também o Senhor, abandonando a imundície dos pecados terrenos e revoando em Seus santos, alegra-Se na simplicidade de uma vida mais pura.

De forma que a comparação com a águia se encaixa perfeitamente ao Salvador. Mas, então, como explicar o fato de que frequentemente a águia destroça sua presa e arrebata seguidamente a presa alheia? Contudo, tampouco nisto é dessemelhante ao Salvador.

De certo modo arrastou com a presa quando ao homem que tinha assumido, arrancado das gargantas do inferno, o conduziu ao céu, e ao que era escravo de uma dominação alheia, isto é, da potestade diabólica, libertado da catividade, cativo o conduziu às regiões elevadas, como escreve o profeta: ‘Subiu ao alto levando cativa a catividade e deu dons aos homens’.

Esta frase certamente significa que levou ao alto dos céus a catividade cativa. Uma e outra catividade são designadas com idêntica palavra. Mas ambas com um significado bem distinto, visto que a catividade do diabo reduz o homem à escravidão, enquanto a catividade de Cristo restitui a liberdade.

‘Subiu’, disse, ‘ao alto levando cativa a catividade’. Quão bem descreve o profeta o triunfo de Cristo! Pois, segundo dizem, a pompa da carruagem dos vencidos costuma preceder ao rei vencedor.

Mas eis aqui que a catividade gloriosa não precede ao Senhor em sua Ascensão aos céus, mas que o acompanha; não é conduzida a carruagem à frente, mas sim que é ela a que leva ao Salvador.

Por um inefável mistério, enquanto o Filho de Deus eleva ao céu o Filho do homem, a própria catividade é ao mesmo tempo portadora e portada. O que acrescenta: ‘deu dons aos homens’, é o gesto típico do vencedor.” (1)

O Prefácio da Solenidade da Ascensão é expressivo para aprofundamento de quanto tenha dito São Máximo de Turim em seu Sermão:

“Na Verdade, é justo e necessário, é nosso dever e salvação dar-vos graças, sempre e em todo o lugar, Senhor, Pai santo, Deus eterno e todo-poderoso. Vencendo o pecado e a morte, vosso Filho, Jesus, Rei da glória, subiu (hoje) ante os anjos maravilhados ao mais alto dos céus. E tornou-Se o mediador entre vós, Deus, nosso Pai, e a humanidade redimida, juiz do mundo e Senhor do universo. Ele, nossa cabeça e princípio, subiu aos céus, não para afastar-Se de nossa humildade, mas para dar-nos a certeza de que nos conduzirá à glória da imortalidade...” .

De fato, a Ascensão de Cristo é o triunfo do vencedor, como tão bem expressa a Oração do dia desta Solenidade:

Oremos: 

“Ó Deus todo-poderoso, a Ascensão do Vosso Filho já é nossa vitória. Fazei-nos exultar de alegria e fervorosa ação de graças, pois, membros de Seu corpo, somos chamados na esperança a participar da Sua glória. Por nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém.”


(1) Lecionário Patrístico Dominical – Editora Vozes – 2013 - pp. 110-111

As Virtudes Divinas à luz da Ascensão do Senhor (Ascensão do Senhor)

As Virtudes Divinas à luz da Ascensão do Senhor

Ascensão do Senhor, uma Festa com extrema beleza!
Inesgotável pelo seu conteúdo e esplendor...
Exultemos e cantemos de alegria:
continuamos a Missão do próprio Senhor.

Quando com a Comunidade, 
Missa, ativa, consciente e piedosamente celebrada,
pela Palavra Divina iluminados,
nossos passos, mais que revigorados.

“Ascensão: Jesus conosco está!
Portanto, não vacilemos na fé,
não esmoreçamos na esperança,
e não esfriemos na caridade!”

Voltemo-nos para dentro de nós mesmos.
Tenhamos coragem de rever os passos dados,
evivamos intensamente tudo que for celebrado
na vida, com pequenos grandes gestos de amor multiplicados.

Ao mundo, por Ele, fomos enviados.
Jesus na Ascensão completa Sua missão!
Agora começa a nossa. É a nossa vez,
Com Sua Ressurreição tudo novo se fez!
Aleluia!

A Festa da Ascensão é a Festa da nossa Missão! (Ascensão do Senhor)

A Festa da Ascensão é a Festa da nossa Missão!

Com a Solenidade da Ascensão do Senhor aos Céus, celebramos a elevação do Senhor, que não significa subida no sentido literal, mas que entrou em plena comunhão com Deus: Jesus subiu aos céus para ficar bem perto de nós.

Foi elevado junto de Deus para caminhar conosco até o fim do mundo.

Por fidelidade absoluta à missão, amor até as últimas consequências, entrega de Sua vida, por amor de nós, o Pai O glorificou e O fez entrar em Sua glória, por isto está sentado a Sua direita, exercendo o senhorio da história.

Ao subir ao céu, que é o amor sem limites, fica cada vez mais perto de nós com a presença e ação do Espírito Santo.

Jesus é a Cabeça, a Igreja Seu corpo. A Igreja jamais se sentirá desamparada, abandonada... Será sempre sinal de salvação para o mundo.

Numa perfeita comunhão a Igreja continua sua missão, com a assistência do Espírito, até que Cristo seja tudo em todos, na fidelidade ao que o Filho começou e que o Pai desejou para todos nós: A construção do Reino.

Portanto, somos cumulados de Bênçãos nesta alegre e irrenunciável Missão de Evangelizar.

Evidentemente que, por tudo isto, não há lugar na Igreja para apáticos, desanimados, derrotados... Quaisquer sinais de inércia são eliminados de nossa vida.

A Ascensão é um alegre anúncio, mais do que isto, é irradiação de alegria, porque a Vida venceu a Morte, um novo céu e uma nova terra devem ser inaugurados, como dom de Deus e empenho nosso.
Seja extirpada qualquer experiência espiritualista desencarnada e descomprometida com a realidade, com a vida.

Não há religião verdadeira, quando os braços se cruzam, mas quando as mãos se juntam em oração e se estendem, efetivamente, com empenho e compromissos solidários com a justiça e a paz, na construção da Jerusalém Celeste, a Cidade da Paz.

A fé cristã é encarnação na realidade, confronto com as culturas, fermentação de um mundo novo, e lembramos o Papa São Leão Magno (séc. V):

“... nem assim vacile a fé, esmoreça a esperança ou esfrie a caridade...”

A Festa da Ascensão aumenta a nossa fé e, é sempre momento profundo e eficaz para que a Igreja avalie e reveja sua presença no mundo, sobretudo em nossa realidade Latino Americana e Caribenha, marcada por tantos sinais de morte que clamam por vida.

Ascensão é, enfim, a Festa da nossa Missão na fidelidade a Deus; na continuidade da prática de Jesus com a Assistência do Espírito Santo.

Temos, com esta Solenidade, 
a maravilhosa oportunidade
de revigorar nosso compromisso batismal,
para sermos da massa o  fermento,
do mundo a luz 
e da terra o imprescindível sal.
Amém.

Ascensão, um Mistério de esperança que convida à ação (Ascensão do Senhor)


Ascensão, um Mistério de esperança que convida à ação

Reflexão à luz da passagem da Carta aos Hebreus (Hb 9,24-28; 10,19-23), que nos convida a refletir sobre a Ascensão do Senhor.

A Ascensão de Cristo é a  Sua entrada no santuário do Céu, onde está intercedendo por nós, e de lá voltará e aparecerá um dia, para conceder a Salvação a quem O estiver esperando.

Deste modo, compreendamos a Ascensão do Senhor, como um Mistério de Esperança, que convida para a ação - "Por que estais a olhar para o céu? Em nome do Senhor, podeis ir em paz".

Na fidelidade ao Senhor, devemos viver a realidade cristã, marcada pela plenitude da fé (Hb 10,22), acompanhada de uma esperança indefectível, que tem seu fundamento na fidelidade de Deus (Hb 10,23), vivenciada por uma caridade ativa (Hb 10,24).

É no chão do coração, purificado de toda má consciência, que a fé lança suas sementes, fincando suas raízes, para que se elimine toda erva daninha do desânimo, de modo que a fina e pura flor da esperança exale todo seu odor, que se torna visível pela caridade e boas obras.

Todos nós, nas travessias de mares assustadores, de desertos extenuantes com seus temores, de caminhos difíceis, em que as pedras são inevitáveis, bem como das flores seus espinhos, precisamos da plenitude da fé.

Uma pessoa que tem fé, não será submergida na travessia dos mares nem terá sua garganta ressequida, ou a alma falecida pela secura e aridez do deserto, muito menos desistirá de trilhar seu caminho, porque sabe que com Ele, Jesus, o Caminho, a Verdade e a Vida (cf. Jo 14,6), não caminhará à deriva sem horizonte, sem rumo.


Da mesma forma, tendo esperança indefectível, sem erros, vacilos, defeitos, fará de cada amanhecer uma nova possibilidade; de cada recuo, se necessário for, ponto de um novo avanço (assim são as ondas); se quedas houver, é para que se tome consciência das limitações, para cair toda pseudo-onipotência, e se aprenda a curvar diante da Divina Onipotência, Deus.

Caridade no coração terá; uma caridade com um tom diferencial, que seja ativa. O amor será a mais bela chama que a todos contagia, porque é próprio do Amor de Deus assim fazer. O amor divino é como língua de fogo, que aquece as realidades mais frias e sombrias, ilumina outras, mais que escuras, desoladoras. O amor é fogo que não se consome, chama ardente de caridade que o coração invade, e luz que jamais se apaga.

Amar é fazer Deus aparecer, todo Seu esplendor revelar, e glórias infinitas aos céus elevar.

Bem disse Jesus, ao nos conferir identidade e missão de sermos sal e luz do mundo: “Brilhe do mesmo modo a vossa luz diante dos homens, para que, vendo as vossas boas obras, eles glorifiquem vosso Pai que está nos céus” (Mt 5,16)

Plenitude de fé, esperança indefectível, caridade ativa,
Virtudes divinas tão preciosas,
Que haveremos, com todo o zelo, cuidar.

Cultivo tão belo e precioso jamais omitido,
Certeza de que o amanhã melhor há de ser,
Pois é próprio do amor de Deus fazer florescer,
Tudo que para nós for preciso, e a vida mais bela ser.
Amém.

Ascensão: Jesus caminha conosco! (Ascensão do Senhor - Homilia Ano B)

                                                                       

Ascensão: Jesus caminha conosco!

 “Foi elevado ao Céu e sentou-Se
à direita de Deus” (Mc 16,19)

A Solenidade da Ascensão aponta para o fim último de todos nós, a comunhão com Deus, o Céu. 

As Leituras proclamadas nos convidam à superação da passividade alienante. É preciso ir para o meio do mundo, como sal, luz e fermento. Levar a humanidade a viver a comunhão querida por Deus, a fim de que todos sejamos um em Cristo Jesus.

Deste modo, é preciso assumir com coragem, no tempo presente, a missão por Deus a nós confiada: anunciar o Evangelho a todos os povos, empenhados decididamente no Projeto de Salvação Divina.

À Igreja portadora da plenitude de Cristo nada falta para cumprir esta missão. A ida de Jesus para o Céu, não é a afirmação de Sua partida e ausência, mas é a garantia de Sua eterna presença conosco até que Ele venha pela segunda vez, como afirmamos na Missa: “Anunciamos Senhor a Vossa morte e proclamamos a Vossa Ressurreição, vinde Senhor Jesus”.

A passagem da primeira Leitura (At 1,1-11) retrata uma comunidade que vive num contexto de crise, desilusão e frustração. O tempo vai passando e não vê realizar o Projeto Salvador. Quando será enfim realizado?

São Lucas, autor dos Atos dos Apóstolos, escreve em tons de catequese sólida, substancial, para que a comunidade não vacile na fé, não esmoreça na esperança e nem esfrie na caridade. 

A construção do Reino exige empenho contínuo e nisto consiste o papel da comunidade formada por aqueles que creem e se afirmam cristãos.

Lucas escreve a Teófilo (aqueles que são amados por Deus = amigos de Deus) apresentando o Protagonista maior da Evangelização que é o Espírito Santo e conta com a participação e ação dos Apóstolos.

Ele apresenta a Ascensão quarenta dias depois da Ressurreição. Quarenta é um número simbólico, define o tempo necessário para que um discípulo possa aprender e repetir com fidelidade e coragem as lições do Mestre.

Os sinais e palavras nos revelam mensagens maravilhosas:

- A elevação aos céus - trata-se do culminar de uma vida;
- A nuvem - sempre um sinal teofânico (manifestação de Deus);
- Olhar para o céu - acena para a segunda vinda de Cristo, que não devemos esperar de braços cruzados;
- Dois homens vestidos de branco - anunciam o mundo de Deus.

A Festa da Ascensão é, portanto, a urgência de não ficar apenas admirando, mas nos colocarmos constantemente a caminho, com renovados compromissos com o Projeto da Salvação.

Reflitamos:

- Tenho sido fiel à missão que o Senhor me confiou?
- O que gero com o meu testemunho nos diversos âmbitos em que vivo?
- Quais são meus compromissos solidários na transformação do mundo?
- Fico a olhar para o céu ou me comprometo com a transformação em todos os níveis?

A passagem da segunda Leitura (Ef 1,17-23) é uma Carta em que encontramos a síntese da teologia paulina. Paulo fala da comunidade como um corpo. Cristo é a cabeça e a Igreja é o corpo. Nisto consiste o “pleroma”, ou seja, na Igreja reside a plenitude, a totalidade de Cristo.          

A Igreja é a habitação onde Cristo Se torna presente no mundo. Estando Cristo presente neste Corpo, Ele enche o mundo e atrai a Si o universo inteiro, até que Ele “seja tudo em todos” (Ef 1, 23).

A Ressurreição/Ascensão/Glorificação de Jesus é a garantia da nossa própria ressurreição/glorificação, por isto é preciso avançar no caminho superando as dificuldades.

Neste sentido, entendemos a conclusão do Evangelho proclamado (Mc 16,15-20). Possivelmente um acréscimo posterior à redação, escrito com o intuito de afastar todo medo da comunidade, para ajudá-la a superar a sua acomodação, instalação, afastando também toda perspectiva de recuo, desistência na árdua e maravilhosa missão do anúncio da Boa Nova.

Jesus voltando para o Pai, e ficando para sempre no meio dos Seus discípulos, confia a eles a continuidade da missão. 

Deste modo, com a Ascensão podemos afirmar que Jesus cumpriu plenamente a Sua missão e reentrou na comunhão do Pai, e assim dá início a nossa missão.

Ele sentou-Se à direita do Pai para reinar sobre tudo e todos, através da missão dos discípulos.

Que a Solenidade da Ascensão seja a nossa tomada de consciência do quanto Deus em nós confia.

Reflitamos:

- Tenho consciência da universalidade da missão?
- Como discípulo, procuro aprender, assimilar e viver os ensinamentos de Jesus para que a missão tenha crédito e seja uma luz para o mundo?

- A vida dos discípulos não está livre da desilusão, sofrimento, frustração... Mas também está presente uma certeza que alimenta a coragem do que cremos: “Eu estarei convosco até o fim dos tempos”. Tenho viva esta certeza em meu coração?

- No seguimento de Jesus não podemos nos instalar. Ser cristão é ser pessoa do tempo, sem medo de novidades. Estou instalado, acomodado, de braços cruzados, ou fascinado por Cristo e pela missão confiada?

- Procuro a sabedoria e força do Espírito para corresponder à altura?
- Ser cristão é ser alguém que deixou se levar pelo grande sopro do Espírito; é saber que pode contar com Ele na missão.

- Quais são os medos que temos a enfrentar no desempenhar na missão evangelizadora?
- Sentimos a presença do Ressuscitado em nossa missão?

- Temos sentimentos de gratidão pela confiança de Deus em nós depositada para levar adiante a missão?

Celebrar a Solenidade da Ascensão do Senhor é afirmar uma bela verdade de nossa fé.

A Ascensão do Senhor liga-se, necessariamente, à Sua Encarnação, e comunica o seu significado autêntico: O Filho de Deus tornou-Se como nós para nos tornar como Ele.

Mais claramente celebraremos esta presença na Festa de Pentecostes, quando o Espírito Santo nos for derramado, como dom de Amor do Pai, para continuarmos, fiéis na Missão do Cristo, na mais profunda e frutuosa vivência do Amor e da Vida Trinitária.

Como pessoas que creem, deixemos de olhar para o céu, não façamos do cristianismo uma “agência de serviços sociais”, não meçamos esforços para encontrar Cristo, tanto na Palavra como na Eucaristia e nos demais Sacramentos, para que então renovados, revigorados, nos empenhemos apaixonadamente por Cristo na construção do Reino de Deus com a presença e ação do Espírito Santo.

Ascensão: O Senhor subiu aos céus para ficar conosco para sempre (Ascensão do Senhor - Ano A)

Ascensão: O Senhor subiu aos céus para ficar conosco para sempre 


"Eis que Eu estarei convosco todos os dias até o fim do mundo" (Mt 28,20)

A Ascensão de Jesus ao céu é muito mais que uma Festa de Sua partida deste mundo, na verdade trata-se da Festa de Sua permanência na terra, no meio daqueles que n’Ele creem.

Jesus subindo aos céus, e como Senhor de nossa vida, não deixou este nosso universo, como tão bem expressou Santo Agostinho:

Não abandonou o céu quando de lá desceu até nós e nem se afastou de nós quando novamente subiu ao céu. Ele é exaltado acima dos céus: todavia, sofre aqui na terra todos os dissabores que nós, Seus membros, suportamos. Disto deu testemunho gritando: ‘Saulo, Saulo, porque me persegue?’”.

Cristo está presente e comprometido com este mundo com todo seu corpo que é a Igreja, de uma forma nova, que somente a fé é capaz de apreender e perceber.

Enriquece a Igreja com Sua presença na Palavra proclamada, na Eucaristia celebrada, na comunidade reunida em Seu nome, como Ele mesmo dissera antes de partir. –“Eis que Eu estarei convosco todos os dias até o fim do mundo” (Mt 28, 20) - (ano A).

Quando celebramos a Eucaristia a Igreja se torna plenamente visível, através de vários sinais: a assembleia dos fiéis, o sacerdócio, o sacrifício, a Palavra, os sinais Sacramentais.

Realiza-se em cada Eucaristia a verdadeira comunhão de vida da Igreja, enquanto instituída pelo Senhor, e a Igreja oculta que é o próprio Cristo glorioso à direita do Pai e o Espírito que d’Ele procede para santificar os que creem.

Da mesma forma que na manifestação aos discípulos de Emaús Ele é reconhecível no partir do Pão e faz arder seus corações anunciando a Palavra enquanto caminha, realiza-se a unidade da Igreja no Sacramento maior que é a Eucaristia, e nós que cremos somos chamados a viver intensamente e em profundidade esta experiência de unidade, para manifestá-la depois em toda nossa vida e para sermos Suas testemunhas perante o mundo, com renovado ardor e compromisso com o Reino por Jesus inaugurado.

Ao celebramos a Festa da Ascensão, entremos na grande expectativa da vinda do Espírito de Deus, o Paráclito, o Defensor, o Espírito de Verdade, na expressiva e esperada Festa de Pentecostes, quando o Espírito se manifestou a toda a Igreja.

Deste modo, como Igreja, seremos cumulados de todos os dons necessários, para que continuemos a missão de Jesus, que morreu, foi Ressuscitado por Deus, e Se faz presente em nosso meio; caminha conosco e nos acompanha na missão do anúncio e testemunho da Boa Nova do Evangelho.
  

Fonte inspiradora: O Verbo Se Fez Carne - Raniero Cantalamessa - Editora Ave Maria - 2013 - pág. 92.

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