quinta-feira, 13 de fevereiro de 2025

Oração pura, confiante e sincera (12/02)

                                                               

Oração pura, confiante e sincera

Na passagem do Evangelho (Mc 7,24-30), temos a súplica da mulher pagã que se dirige a Jesus pedindo para que Ele libertasse sua filha possuída por um espírito impuro.

Jesus, depois da súplica insistente da mulher, realizou o que ela pedira, mandando que esta voltasse para casa, pois o demônio já havia saído de sua filha: “Ela voltou para casa e encontrou sua filha deitada na cama, pois o demônio já havia saído dela” (Mc 7, 30).

A súplica desta mulher nos ensina como deve ser a verdadeira Oração: expressão de fé; feita com humildade; com sinceridade; de coração puro; perseverante e confiante.

O Bispo Santo Agostinho (séc. IV) nos ensina que se nossa Oração não for escutada por Deus,  deve-se a três razões:

- 1.º -  porque não somos bons, nos falta pureza no coração ou retidão na intenção;
- 2º -  porque pedimos mal, sem fé, sem perseverança, sem humildade;
- 3º -  porque pedimos coisas más, isto é, o que não nos convém, o que nos pode fazer mal ou desviar-nos do nosso caminho. (1)

A Oração não é eficaz quando não é verdadeira Oração, mas quando verdadeira ela será infalivelmente eficaz, como afirmou São Tomás de Aquino (séc XIII) (2).

Concluo com as palavras do Bispo São Pedro Crisólogo (séc. V), que nos ajuda neste aprofundamento:

“Há três coisas, meus irmãos, três coisas que mantém a fé, dão firmeza à devoção e perseverança à virtude. São elas a Oração, o Jejum e a Misericórdia. O que a Oração pede, o Jejum alcança e a Misericórdia recebe".

Aprendamos com a mulher pagã e com a Tradição da Igreja, para que nossa Oração seja a expressão de nossa fé, que busca um sincero diálogo com Deus.

Deste modo, nossas súplicas, feitas com humildade e confiança, e de coração puro e sincero, saberemos o que pedir, e Deus, no seu tempo, saberá como e quando nos atender.

1 - cf. Santo Agostinho, Sobre o sermão do Senhor no monte, II, 27, 73)
2 - cf. São Tomás, Suma Teológica, 2-2, q. 83, a. 2.

Aprendamos com a súplica da mulher pagã

                                                

Aprendamos com a súplica da mulher pagã

Na passagem do Evangelho proclamada na Quinta-feira da quinta semana do Tempo comum  (Mc 7, 24-30), vemos uma pagã que suplica a Jesus para que libertasse sua filha de um espírito impuro.

Há algumas coisas que ressaltam nesta ação libertadora de Jesus: Ele havia Se retirado para oração...

-    Quantas vezes queremos ficar diante de Deus e não conseguimos meditar?
-    Quantos são os apelos que nos vêm na hora em que nos   colocamos em oração?
- Quantos pedidos, telefonemas, encaminhamentos, emergências, inúmeros compromissos?

Mas Jesus nos ensina que o clamor dos sofredores deve tocar nosso coração, e não adiar a resposta solidária, expressão concreta de amor.

Cada pessoa tem que descobrir o tempo e o modo de se alimentar, para não se esvaziar na missão de cada dia.

A espiritualidade nutrida é fonte de partilha e solidariedade. A falta da oração esvazia o coração e esfria a compaixão.

A mulher pagã nos ensina coisas maravilhosas:
- Ela não foi indiferente quando ouviu falar de Jesus.
- Ela sabia que Ele não a decepcionaria.

Vai até Jesus não para pedir para si mesma, mas para a filha. Súplica que se abre a realidade do outro, que não reza tão apenas para si mesma…

Ela dirigindo-se a Jesus cai aos Seus pés, em absoluta atitude de humildade e confiança, suplicando como que as migalhas  que caem da mesa: Atitude de humilhação.

Mas nós não ganhamos migalhas de Deus.
Deus não nos criou para vivermos de migalhas.
Deus sempre nos deu o melhor Pão do mundo.
Deus nos deu o melhor do melhor, do melhor...
O Melhor: Jesus, o Pão da Vida!

Porque Ele não quer ver ninguém na miséria, sobretudo condenado à miserável condição de pecador, excluído de Sua misericórdia e da vida plena!

Esta passagem do Evangelho nos ensina que quando acorremos a Deus com sinceridade, confiança e humildade, somos atendidos.

Há muito que aprender com a atitude desta mulher que nos fala o Evangelho.

Reflitamos:

  - Dirigimo-nos a Deus com humildade, confiança e sinceridade?
  - Quais são os conteúdos de nossas súplicas?

  - Pedimos somente para nós ou, em nossas orações, o outro ocupa lugar privilegiado?

  - De que modo vivemos a atitude de agradecimento, diante de Deus, pelo Pão da Vida que nos oferece em cada Eucaristia e em todos os dias de nossas vidas?

- Como rezamos?
- Onde rezamos?

- O que rezamos?
- Para quem rezamos?

- Por que rezamos?
- Qual o valor da Celebração Eucarística em minha vida?

- Qual a consequência, em minha vida, ao me alimentar do Pão da Vida?
- Ofereço o melhor de mim mesmo, ou apenas ofereço migalhas, a quem de mim se aproxima?

Mais uma vez aprendemos com uma pagã, uma estrangeira, a nos colocarmos diante de Deus; a rezarmos de modo que nossa oração possa tocar o coração de Deus, porque fruto da humildade, confiança e sinceridade.

Seja nossa oração a expressão da confiança de que, com a força de Deus, tudo faremos melhor! E, assim, a liberdade e o amor tornar-se-ão, em tudo e em todos, realidade!

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2025

Religião pura e agradável a Deus (11/02)

                                                             

Religião pura e agradável a Deus

Na quarta-feira da 5ª Semana do Tempo Comum, ouvimos a passagem do Evangelho de Marcos (Mc 7,14-23), e somos convidados a refletir sobre a verdadeira religião agradável a Deus.

Esta pressupõe o contínuo esforço de conversão para que tenhamos pureza de coração, pois como o próprio Senhor disse “somente os puros de coração verão a Deus” (Mt 5,8).

Na passagem do Livro do Deuteronômio (Dt 4,1-2.6-8), Moisés já acentuara o compromisso do Povo com a Palavra de Deus e Sua Aliança, numa sincera acolhida e vivência de Sua Lei.

A Lei Divina deve ser vivida como expressão de gratidão a Deus; ainda mais porque ela é garantia de felicidade e liberdade, para concretizar os sonhos e esperanças do Povo Eleito e amado por Deus.

Não se pode adulterar a Palavra de Deus ao sabor dos interesses pessoais, bem como, não se pode adaptar, amenizar, suprimir e nada acrescentar à Palavra de Deus.

Alguns perigos que nos acompanham:

- o esvaziamento da radicalidade da Palavra;
- cortar (omitir) seus aspectos mais questionadores;
- fazermos ou dizermos coisas que não procedem de Deus;
- de cair num ativismo em que sacrificamos o tempo do silêncio orante diante de Deus, na acolhida de Sua Palavra;
- esvaziamento de seu conteúdo por causa do cansaço, da perda do sentido e consequente falta de espiritualidade e intimidade com a Palavra de Deus.

Encontramos na Carta de São Tiago uma passagem  (Tg 1,17-18.21-22.27), que fortalece esta inseparável relação entre fé e obras. 

A fidelidade aos ensinamentos de Cristo nos compromete com o próximo (representado na figura do órfão e da viúva). E nisto consiste a verdadeira religião, pura e sem mancha: solidariedade vivida e vigilância, para não se contaminar com os contravalores que o mundo apresenta.

É necessária a superação da frieza, do legalismo e do ritualismo religioso, procurando viver uma Religião comprometida com o Reino por Jesus inaugurado.

O autor da Carta nos exorta a não sermos meros ouvintes da Palavra, mas praticantes da mesma, não nos enganando a nós mesmos.

A Palavra de Deus quer encontrar no coração humano a frutuosa acolhida, portanto, há um itinerário da Palavra: acolher, acreditar, anunciar e testemunhar a Palavra de Deus, que nos garante vida e felicidade plena.

Voltando à passagem do Evangelho que nos convida à pureza de coração, vemos que discípulo de Jesus não pode tão apenas “parecer” é preciso “ser” sinal vivo da presença de Deus. 

Não basta parecer justo, tem que ser justo; não basta parecer piedoso, tem que ser piedoso; não basta parecer verdadeiro, tem que ser verdadeiro...

Mais que uma “carapaça exterior” é preciso de uma “coluna vertebral interior”. 

A verdadeira religião não vive de aparências, e exige de cada crente uma sólida e forte estrutura para suportar o peso da cruz, a coragem do testemunho, a coerência de vida, o esforço contínuo de conversão, a solidariedade constante, caminho que não tem volta e tem apenas um destino: o céu.

Os mestres da Lei e os fariseus tinham aproximadamente 613 preceitos a cumprir (365 proibições e 248 prescrições). O povo simples, por não os conhecer, nem os praticar, era considerado impuro, e este será um tema de grande polêmica entre Jesus e os fariseus em vários momentos.

Para Jesus importa a pureza interior, a pureza do coração que é a sede de todos os sentimentos, desejos, pensamentos, projetos e decisões.

Jesus afirma: o que torna o homem impuro é o que sai de seu coração (apresenta uma longa lista) e não o que entra pela sua boca.

É do coração humano puro que nasce uma autêntica religião, a religião do coração, da intimidade profunda com Deus.

As Leis da Igreja não têm fins em si mesmas, mas garantem a nossa comunhão com Deus e com o próximo, na concretização do Reino.

Dando os primeiros passos do ano Litúrgico, cultivemos maior intimidade e compromisso com a Palavra de Deus para que produzamos os frutos por Deus esperados.

É preciso dar mais tempo à Palavra de Deus, em frutuosa Oração e reflexão, que fará brotar novas atitudes e compromissos com Deus e o Seu Projeto para a Humanidade.


PS: Fonte de pesquisa - ww.Dehonianos.org/portal

terça-feira, 11 de fevereiro de 2025

Nossa Senhora de Lourdes

                                                     


Nossa Senhora de Lourdes

Nossa Senhora de Lourdes, e de tantas denominações, a ti volto meu olhar e coração com toda a humildade e confiança, e contemplo tua imagem, tão rica e expressiva de significados que aquecem e elevam nossa alma.

Contemplo a alvura de tua túnica; a cor branca que, desde o Antigo Testamento, é símbolo da pureza, santidade e inocência.

Contemplo esta brancura, símbolo da paz que tanto precisamos, acompanhada da pureza de coração e da santidade que todos devemos procurar, pois criados e predestinados à santidade por Deus, Altíssimo a quem amaste e serviste.

Contemplo teu cinto azul amarrado à túnica branca, ligado a ela: azul que nos remete ao céu onde estás, na vida eterna, na plena e íntima comunhão com Deus, acenando para nós o nosso destino.

Contemplo tuas mãos postas em oração, que representa o pedido insistente da Mãe do Céu, para que rezemos pela nossa salvação e a de toda a humanidade, e empenhemos esforços para que isto aconteça.

Contemplo o terço pendurado em teu braço direito, em complemento às tuas mãos postas para a oração, que pediste que também façamos: rezar o Santo Rosário, para que sejam evitadas grandes catástrofes, e para que muitas almas não se percam.

Contemplo o teu véu branco, que significa que pureza, santidade e paz, que devem estar também sobre nossa cabeça e em nossa mente; de modo que nossas forças intelectuais devem também ser puras, promovendo a paz, e sempre alimentadas com a Palavra que sai da boca de Deus.

Contemplo as duas rosas sobre teus pés, que representam a promessa messiânica,  a promessa que Deus fez de enviar um Salvador ao mundo.

Contemplo as rosas postas sobre os teus pés, significando, também, os teus passos de Mãe que nos levam para o Salvador, teu Filho Jesus.

Contemplo o fato de que nunca apontaste para ti mesma, pois não precisas de glórias, por isto apontas sempre para Jesus, o único que pode nos salvar.

Contemplo os doze raios saindo de tua cabeça, que representam as graças que a humanidade recebe a partir da Doutrina da Igreja, alicerçada sobre os doze Apóstolos.

Contemplo com isto, que tua aparição se dá em nome da Igreja de Cristo, e com ela, uma mensagem essencial e vital para toda a humanidade.

Contemplo as palavras sobre tua cabeça: 'Je suis L'immaculée Concepcion' ('Eu sou a Imaculada Conceição').

Contemplo que foste concebida sem o pecado original, porque inteiramente para Deus, virgem e pura, como deveria ser a Mãe do Salvador, pura e sem mancha, desde o momento em que foste concebida no ventre materno.

Nossa Senhora de Lourdes, nós te contemplamos, e a ti recorremos em oração:

“Ó Virgem Puríssima, Nossa Senhora de Lourdes, que vos dignastes aparecer a Bernadette, no lugar solitário de uma gruta, para nos lembrar que é no sossego e recolhimento que Deus nos fala, e nós falamos com Ele. 

Ajudai-nos a encontrar o sossego e a paz da alma, que nos ajudam a conservar-nos sempre unidos em Deus. Nossa Senhora da gruta, dai-me a graça que vos peço e tanto preciso, (pedir a graça). Nossa Senhora de Lourdes, rogai por nós. Amém.”


PS: Nossa Senhora de Lourdes, cuja memória celebramos no dia 11 de fevereiro, é uma das invocações marianas atribuídas à Virgem Maria e que surgiu com base nos relatos das aparições que foram presenciadas por Santa Bernadette Soubirous, numa gruta de Lourdes, na França em 1858.

XXIX MENSAGEM PARA O DIA MUNDIAL DO DOENTE (2021)

 

“Um só é o vosso Mestre e vós sois todos irmãos” 

A Mensagem do Papa Francisco para o XXIX Dia Mundial do Doente, em 11 de fevereiro, quando se celebra a Memória de Nossa Senhora de Lurdes, tem como lema a passagem do Evangelho de Mateus – “Um só é o vosso Mestre e vós sois todos irmãos” (Mt 23, 8), na qual reflete sobre a relação de confiança que deve estar na base do cuidado dos doentes

Ao longo da mensagem, retrata o momento que vivemos marcado pela pandemia do coronavírus, em que retrata a realidade dos doentes e suas famílias, de muitos que se colocam a serviço deles, destacando os profissionais da saúde, no carinho, solidariedade e cuidado, de modo especial os mais pobres e marginalizados.

À luz da passagem do Evangelho de Mateus (Mt 23,1-12), exorta para que a fé não fique reduzida a “exercícios verbais estéreis”, com o grave risco de derrapar na idolatria de si mesmo.

Apresenta a atitude oposta à hipocrisia, que consiste no escutar, estabelecer uma relação direta e pessoal, sentir empatia e enternecimento, deixar-se comover pelo seu sofrimento, pondo-se a servir aos que mais precisam (cf. Lc 10, 30-35).

A doença evidencia duas realidades humanas: a vulnerabilidade e a necessidade natural que temos uns dos outros.

Apresenta-nos a figura emblemática de Jó, que experimenta a fragilidade extrema, mas rejeita toda a hipocrisia, escolhendo o caminho da sinceridade para com Deus e os outros, com o grito instante a Deus que lhe responde abrindo um novo horizonte.

Destaca a importância da proximidade pessoal e comunitária, em relação ao enfermo, como um bálsamo precioso, que dá apoio e consolação, como se contempla na figura do bom Samaritano, de modo que o amor fraterno em Cristo gera uma comunidade capaz de curar, e não abandona ninguém, mas inclui e, sobretudo, os mais frágeis.

Esta proximidade implica em solidariedade fraterna, que se expressa no serviço de muitos modos e o serviço nunca é ideológico, uma vez que não servimos ideias, mas pessoas.

Deste modo, é preciso um pacto baseado na confiança e respeito mútuo, sinceridade e disponibilidade, entre as pessoas carecidas de cuidados e aqueles que as tratam, superando toda e qualquer barreira defensiva, colocando no centro a dignidade da pessoa doente, com o profissionalismo dos agentes de saúde na manutenção de bom relacionamento com as famílias dos doentes.

Esta relação com a pessoa doente encontra uma fonte inesgotável de motivações e energias na caridade de Cristo, pois como se vê muitas vezes no evangelho, as curas de Jesus “nunca são gestos mágicos”, mas fruto de um encontro, uma relação interpessoal, em que o dom de Deus, oferecido por Jesus, corresponde a fé de quem O acolhe, como Ele repetiu com frequência – “A tua fé te salvou”.

Assim é concebida uma sociedade mais humana, em que o Mandamento do Amor se vê realizado no cuidado dos doentes, dos mais frágeis e atribulados, de modo que ninguém fique sozinho, excluído ou abandonado.

Encerra a mensagem concedendo a bênção a todas as pessoas doentes, os agentes da saúde e quantos se prodigalizam junto dos que sofrem, confiando-os a Maria, Mãe de Misericórdia e Saúde dos Enfermos, e com a sua intercessão a fim de sejam sustentados na fé e esperança para ajudar e a cuidar uns dos outros com amor fraterno.

 

PS: Se desejar, confira a mensagem na integra:

XXVIIIMENSAGEM PARA O DIA MUNDIAL DO DOENTE (síntese) (2020)



XXVIII Mensagem para Dia Mundial do Doente (síntese)

Celebrando o XXVIII Dia Mundial do Doente, no dia 11 de fevereiro, o Papa Francisco nos agraciou com uma mensagem, cujo lema encontra-se no Evangelho de Mateus: Vinde a Mim, todos os que estais cansados e oprimidos, que Eu hei de aliviar-vos” (Mt 11, 28).

Ao pronunciar estas Palavras, Jesus tem diante de Seus olhos as pessoas que encontra todos os dias pelas estradas da Galileia: gente simples, pobres, doentes, pecadores, marginalizados pelo ditame da lei e pelo opressivo sistema social:

“...A quem vive na angústia devido à sua situação de fragilidade, sofrimento e fraqueza, Jesus Cristo não impõe leis, mas, na Sua misericórdia, oferece-Se a Si mesmo, isto é, a sua pessoa que dá alívio. A humanidade ferida é contemplada por Jesus com olhos que veem e observam, porque penetram em profundidade: não correm indiferentes, mas param e acolhem o homem todo e todo o homem segundo a respetiva condição de saúde, sem descartar ninguém, convidando cada um a fazer experiência de ternura entrando na vida d’Ele”.

Sobre a condição do doente e sua família, lembra o Papa “...na doença, a pessoa sente comprometidas não só a sua integridade física, mas também as várias dimensões da sua vida relacional, intelectiva, afetiva, espiritual; e por isso, além das terapias, espera amparo, solicitude, atenção, em suma, amor. Além disso, junto do doente, há uma família que sofre e pede, também ela, conforto e proximidade.

Apresenta o papel da Igreja como uma estalagem do Bom Samaritano que é Cristo” (cf. Lc 10,34): “...a casa onde podeis encontrar a sua graça, que se expressa na familiaridade, no acolhimento, no alívio. Nesta casa, podereis encontrar pessoas que, tendo sido curadas pela misericórdia de Deus na sua fragilidade, saberão ajudar-vos a levar a cruz, fazendo, das próprias feridas, frestas através das quais divisar o horizonte para além da doença e receber luz e ar para a vossa vida”.

Destaca o importante serviço nesta obra de restabelecimento dos irmãos desempenhado pelos profissionais da saúde – médicos, enfermeiros, pessoal sanitário, administrativo e auxiliar, voluntários, pondo em ação as respectivas competências e fazendo sentir a presença de Cristo, que proporciona consolação e cuida da pessoa doente tratando das suas feridas.

Chama a atenção de todos para que se coloque a pessoa acima do adjetivo doente, de modo que toda atividade tenha em vista a dignidade e a vida da pessoa sem qualquer cedência a atos de natureza eutanásica, de suicídio assistido ou supressão da vida, nem mesmo se for irreversível o estado da doença.

Daí a necessidade de abertura à dimensão transcendente, que pode oferecer o sentido pleno da profissão, lembrando que a vida é sagrada pertence a Deus, sendo, por conseguinte, inviolável e indisponível (cf. Instr. Donum vitae, 5; Enc. Evangelium vitae, 29-53):

“A vida há de ser acolhida, tutelada, respeitada e servida desde o seu início até à morte: exigem-no simultaneamente tanto a razão como a fé em Deus, autor da vida. Em certos casos, a objeção de consciência deverá tornar-se a vossa opção necessária, para permanecerdes coerentes com este ‘sim’ à vida e à pessoa... Quando não puderdes curar, podereis sempre cuidar com gestos e procedimentos que proporcionem amparo e alívio ao doente”.

O Papa enfatiza o fato de que, infelizmente, em alguns contextos de guerra e conflitos violentos, são atacados o pessoal sanitário e as estruturas que se ocupam da recepção e assistência dos doentes; e em algumas áreas, o próprio poder político pretende manipular a seu favor a assistência médica, limitando a justa autonomia da profissão sanitária.

Destaca o fato de muitos pelo mundo viverem sem possibilidades de acesso aos cuidados médicos, porque vivem na pobreza, e que os governos não podem sobrepor o aspecto econômico sobre o aspecto da justiça social, conciliando os princípios da solidariedade e subsidiariedade, na salvaguarda e restabelecimento da saúde.

Agradece aos voluntários que se colocam ao serviço dos doentes, procurando em não poucos casos suprir carências estruturais e refletindo, com gestos de ternura e proximidade, a imagem de Cristo Bom Samaritano.

Concedendo a Bênção Apostólica, finaliza confiando os enfermos, seus familiares e todos os profissionais da saúde à Virgem Maria - Saúde dos Enfermos.


PS: Se desejar, leia a mensagem na integra:

Mensagem para o XXVII Dia Mundial do Enfermo (2019)

“Recebestes de graça, dai de graça”

Retomemos a Mensagem do Papa Francisco para o XXVII Dia Mundial do Enfermo – 11/2/2019.

Iluminado pela passagem do Evangelho: “Recebestes de graça, dai de graça” (Mt 10,8), palavras pronunciadas por Jesus, quando enviou os Apóstolos a espalhar o Evangelho, para que, através de gestos de amor gratuito, se propagasse o Seu Reino

O Papa acena para o cuidado dos doentes, que precisa de profissionalismo e ternura, de gestos gratuitos, imediatos e simples, como uma carícia, pelos quais fazemos sentir ao outro que ele nos é “querido”.

Sendo a vida um dom de Deus, como adverte São Paulo: – “que tens tu que não tenhas recebido?» (1 Cor 4, 7), a existência não pode ser considerada como mera possessão ou propriedade privada, sobretudo à vista das conquistas da medicina e da biotecnologia, que poderiam induzir o homem a ceder à tentação de manipular a «árvore da vida» (cf. Gn 3, 24).

Outro aspecto é a postura que se deve ter contra a cultura do descarte e da indiferença, prover novos vínculos e várias formas de cooperação humana entre povos e culturas.

Cita o testemunho de Santa Madre Teresa de Calcutá, um modelo de caridade que tornou visível o amor de Deus pelos pobres e os doentes.

Retoma parte da Homilia quando de sua canonização: “Madre Teresa, ao longo de toda a sua existência, foi uma dispensadora generosa da misericórdia divina, fazendo-se disponível a todos, através do acolhimento e da defesa da vida humana, dos nascituros e daqueles abandonados e descartados. (...) Inclinou-se sobre as pessoas indefesas, deixadas moribundas à beira da estrada, reconhecendo a dignidade que Deus lhes dera; fez ouvir a sua voz aos poderosos da terra, para que reconhecessem a sua culpa diante dos crimes (…) da pobreza criada por eles mesmos. A misericórdia foi para ela o ‘sal’, que dava sabor a todas as suas obras, e a ‘luz’ que iluminava a escuridão de todos aqueles que nem sequer tinham mais lágrimas para chorar pela sua pobreza e sofrimento. A sua missão nas periferias das cidades e nas periferias existenciais permanece nos nossos dias como um testemunho eloquente da proximidade de Deus junto dos mais pobres entre os pobres” (Homilia, 4/IX/2016).

Ela nos ensina a viver o amor gratuito para com todos, sem distinção de língua, cultura, etnia ou religião. O seu exemplo continua a guiar-nos na abertura de horizontes de alegria e esperança para a humanidade necessitada de compreensão e ternura, especialmente para as pessoas que sofrem.

Acena para a gratuidade humana, como o fermento da ação dos voluntários, que têm tanta importância no setor socio-sanitário e que vivem de modo eloquente a espiritualidade do Bom Samaritano.

Exorta a todos, nos vários níveis, promover a cultura da gratuidade e do dom, indispensável para superar a cultura do lucro e do descarte – “A alegria do dom gratuito é o indicador de saúde do cristão”.

Finaliza com a bênção e nos confiando a Maria, “Salus infirmorum”, para que Ela nos ajude a partilhar os dons recebidos, com o espírito do diálogo e mútuo acolhimento, a viver como irmãos e irmãs, cada um atento às necessidades dos outros, a saber dar com coração generoso, a aprender a alegria do serviço desinteressado.

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