segunda-feira, 10 de fevereiro de 2025

Testemunhar a fé, viver a misericórdia(09/02)

                                                       

Testemunhar a fé, viver a misericórdia

Senhor, ajudai-nos a fim de que tomemos cada vez mais consciência de que na vida de fé, quando não se avança, recua, e que jamais podemos ficar parados, ou mesmo achar que já cumprimos a missão.

Senhor, que sejamos misericordiosos como o Pai, sendo sinal de Vossa presença, portanto, sinal do Vosso amor, em cada momento de nossa vida, fazendo de cada etapa vivida o começo de uma nova, porque nisto consiste a exigência do Reino por Vós inaugurado.

Senhor, queremos comprometer nossa vida contigo, vivendo a fé com ousadia e coragem, sempre a caminho, colocando-nos em plena disponibilidade para novos trabalhos, ou os mesmos, mas feitos com zelo, amor e alegria.


Senhor, renovai nossa sensibilidade e solidariedade aos apelos da realidade concreta na qual estamos inseridos, buscando superar novos desafios e obstáculos, com um olhar de misericórdia para com o nosso próximo.

Senhor, que Vos amando expressemos este amor procurando conhecer os problemas e necessidades daqueles que padecem qualquer dor ou sofrimento, vertendo lágrimas de angústia ou por qualquer outro dilacerante motivo.

Senhor, que jamais nos cansemos ou nos omitamos na prática das obras de misericórdia corporais e espirituais, pois tão somente assim, nossa oração será frutuosa e agradável, porque acompanhada de jejum, renúncias e concreta solidariedade. Amém.


Fonte inspiradora - Mc 6, 53-56 - segunda-feira da 5ª Semana do Tempo Comum e Lc 6,27-38 do 7º Domingo do Tempo Comum - ano C

Santa Escolástica: “Foi mais poderosa aquela que mais amou”

                                           


Santa Escolástica: “Foi mais poderosa aquela que mais amou”

Vejamos o que nos diz o Papa São Gregório Magno (Séc.VI) em seus Diálogos sobre Santa Escolástica, irmã de São Bento.

“Escolástica, irmã de São Bento, consagrada ao Senhor desde a infância, costumava visitar o irmão uma vez por ano. O homem de Deus descia e vinha encontrar-se com ela numa propriedade do mosteiro, não muito longe da porta.

Certo dia, veio ela como de costume, e ao seu encontro veio seu irmão, com alguns discípulos. Passaram todo o dia no louvor a Deus e em santas conversas, de tal modo que já se aproximavam as trevas da noite quando sentaram-se à mesa para tomar a refeição.

Como durante as santas conversas o tempo foi passando, a santa monja rogou-lhe: ‘Peço-te, irmão, que não me deixes esta noite, para podermos continuar falando até de manhã sobre as alegrias da vida celeste’. Ao que ele respondeu-lhe: ‘Que dizes tu, irmã? De modo algum posso passar a noite fora da minha cela’.

A santa monja, ao ouvira recusa do irmão, pôs sobre a mesa as mãos com os dedos entrelaçados e inclinou a cabeça sobre as mãos para suplicar o Senhor onipotente. Quando levantou a cabeça, rebentou uma grande tempestade, com tão fortes relâmpagos, trovões e aguaceiro, que nem o venerável Bento nem os irmãos que haviam vindo em sua companhia puderam pôr um pé fora da porta do lugar onde estavam.

Então o homem de Deus, vendo que não podia regressar ao mosteiro, começou a lamentar-se, dizendo: ‘Que Deus onipotente te perdoe, irmã! Que foi que fizeste?’ Ela respondeu: ‘Eu te pedi e não quiseste me atender. Roguei ao meu Deus e ele me ouviu. Agora, pois, se puderes, vai-te embora; despede-te de mim e volta para o mosteiro’.

E Bento, que não quisera ficar ali espontaneamente, teve que ficar contra a vontade. Assim, passaram a noite toda acordados, animando-se um ao outro com santas conversas sobre a vida espiritual. Não nos admiremos que a santa monja tenha tido mais poder do que ele: se, na verdade, como diz São João, Deus é amor (1Jo 4,8), com justíssima razão, teve mais poder aquela que mais amou. 

Três dias depois, estando o homem de Deus na cela, levantou os olhos para o alto e viu a alma de sua irmã liberta do corpo, em forma de pomba, penetrar no interior da morada celeste. Cheio de júbilo por tão grande glória que lhe havia sido concedida, deu graças a Deus onipotente com hinos e cânticos de louvor; enviou dois irmãos a fim de trazerem o corpo para o mosteiro, onde foi depositado no túmulo que ele mesmo preparara para si.

E assim, nem o túmulo pôde separar aqueles que sempre tinham estado unidos em Deus.”

De fato, foi mais poderosa aquela que mais amou, como vemos no diálogo entre estes dois irmãos, e quão fecunda é a oração de quem a faz com o coração pleno de amor.

Brotem nossas orações de um coração que muito ama, em total confiança em Deus e sua onipotência e misericórdia.

Com eles, aprendamos a dialogar como irmãos, com conversas sadias e que nos façam progredir no temor de Deus, e na amizade entre nós.

Oremos:

“Celebrando a Festa de Santa Escolástica, nós Vos pedimos, ó Deus, a graça de imitá-la, servindo-Vos com caridade e alegrando-nos com os sinais do Vosso amor. Por N. S. J. C. Amém.”

 

PS: Celebramos a Memória de Santa Escolástica no dia 10 de fevereiro e a de São Bento no dia 11 de julho.

Eu vi...

                                                                


Eu vi...

Eu vi...
Eu vi as sementes daquela flor sendo replantadas...
Eu vi uma jovem recebendo uma flor de seu amado...
Eu vi um jovem entregando uma flor para sua amada... (ainda se dá flores!)

Eu vi um homem cuidando do jardim, para que desse a flor.
Eu vi antes ele plantando a semente para que nascesse a flor.
Eu vi alguém comprando as mesmas sementes, potencial de flor.

Eu vi alguém preparando as sementes para outro dela dispor.
Eu vi a semente, da semente da semente, daquela flor.
Eu vi a semente da semente, da semente da semente da semente... daquela flor.

Eu vi a semente...
Eu vi as primeiras sementes no Éden sendo espalhadas: Obra do meu Amor
Eu não vi mais as primeiras sementes, porque elas ainda não existiam...
Mas, eu as vi antes que todos vissem,
Quando tudo por meio d'Ele criei!
Sempre vejo o que você ainda não viu!

Assim Sou Eu, assim somos Nós: Trindade Santa.
Nós o mundo pensamos, criamos, te presenteamos...
Mas Eu também vos vejo o mesmo mundo destruindo,
Com ambições desmedidas, sustentabilidade ofendida...

Mas eu também espero, porque confio em minhas amadas criaturas,
Um dia cuidarão de cada semente com mais amor e ternura!
Mas Eu também vos vejo o mesmo mundo reconstruindo,
Com novas posturas ecológicas do planeta cuidando...
Como me alegra o coração, nos limites da humana condição,
Pessoas de boa vontade: 
Luzes, cores, flores e amores - multiplicação!



PS: Para uma reflexão teológica e antropológica da criação! Convite à reflexão e atitudes que demonstrem amor ao planeta, por novas posturas ecológicas e de sustentabilidade.

domingo, 9 de fevereiro de 2025

Tempo de evangelizar (VDTCC)

 

Tempo de evangelizar

Quando acabou de falar, disse a Simão:
“Avança para águas mais profundas, e lançai vossas redes para a pesca’.” (Lc 5, 4)
 
Noite de fracasso, redes vazias.
Nada mais a não ser esperar por outro dia...
 
A presença do Senhor à beira do mar,
Diálogo para novidade comunicar.
 
A ordem a Pedro é dada, sabe a quem a Igreja confiará:
Pedro, avançar para águas mais profundas, redes lançar.
 
A ordem não é apenas de um carpinteiro,
Que, provavelmente, nada saberia sobre pescaria.
 
Pedro, pescador como Tiago e João,
Por ofício, a missão o Senhor a ele confia.
 
Não coloca em dúvida a Palavra do Senhor,
Ainda que possua toda experiência.
 
Para pescar,  as exigências próprias necessárias:
Observação, paciência, persistência e confiança.
 
Serão elas marcantes na nova missão,
a barca da Igreja, por mares agitados a condução.
 
À frente da Igreja, necessárias virtudes,
Somadas à sua humildade, obediência de um pecador.
 
Manhã que mudou seus planos para sempre,
De homens, o Senhor o fez o primeiro pescador.
 
Agora é nossa hora, como peregrinos de esperança,
Na Palavra do Senhor, com ousadia, sem medo, confiar.
 
É tempo de também lançarmos nossas redes,
Para águas profundas, avançar: tempo de evangelizar.
 
Pedro, um pecador, mais que um pescador,
Ensina-nos a evangelizar com mesmo amor e ardor. Amém.
 

Com Deus não há fracassos (VDTCC) (Homilia)

                                                     


Com Deus não há fracassos

“Avancemos para águas mais profundas”

No 5º Domingo do Tempo Comum (Ano C) somos convidados a refletir sobre a nossa vocação e rever a sua história.

Com a passagem da primeira Leitura (Is 6,1-2a.3-8), refletimos sobre a vocação de Isaías: primeiramente vemos que a vocação é obra de Deus; também temos a objeção e o reconhecimento da condição impura daquele que é chamado; finalmente, a aceitação da missão pelo Profeta.

Como vemos,  a vocação profética é, inevitavelmente, um caminho de cruz, superando o egoísmo, o medo e a preguiça, enfrentando todas as dificuldades, sofrimentos, conflitos e confrontos. É preciso ter sensibilidade para ouvir o apelo e chamado de Deus, e coragem para viver uma resposta a Ele na missão confiada.

Enriquecedora a afirmação do Missal Dominical:

“O homem não tem poder sobre Deus. Ora, o Profeta
não anuncia uma doutrina abstrata, meramente humana,
mas o Deus vivo; ele é Profeta se Deus Se lhe revela,
se o chama, se o envia. Revelação, vocação
e missão estão estreitamente unidas.”

Com a passagem da segunda Leitura (1 Cor 15, 1-11) refletimos sobre a Ressurreição, que por sua vez trata-se de uma realidade que dá forma à vida do discípulo, levando-o a enfrentar sem medo as forças da injustiça e da morte.

É o mais antigo querigma (anúncio) da Morte e Ressurreição de Cristo, já com ligação à redenção dos pecados. Paulo reafirma com vigor e paixão esta verdade.

O Apóstolo Paulo escreve para uma comunidade cujo contexto cultural é de não aceitação da unidade do corpo e da alma, com influências das filosofias dualistas (viam no corpo uma realidade negativa e na alma uma realidade ideal e nobre) e com isto a dificuldade de aceitação da ressurreição integral do homem.

O Apóstolo anuncia a Ressurreição, e sua argumentação é clara e explícita: ressuscitaremos da mesma forma um dia, porque Cristo Ressuscitou, do contrário vazia é a nossa fé.

A Ressurreição de Cristo é um fato real, mas ao mesmo tempo sobrenatural e meta-histórico, porque ultrapassa completamente quaisquer categorias humanas de espaço e de tempo, e nos insere necessariamente no contexto da fé.

A fé na Ressurreição foi testemunhada pela transformação ocorrida no coração dos discípulos, antes cheios de medo, frustrados e acovardados, tornando-se intrépidos mensageiros e testemunhas de Jesus Cristo, Vivo e Ressuscitado.

Com a fé e presença de Jesus Ressuscitado, o medo cede lugar para a coragem; a frieza para o ardor e a missão se realiza pelo testemunho.

A comunidade cristã é chamada a fazer, ao longo da história, este mesmo itinerário de descoberta, superação, conversão e testemunho da força que vem do Cristo Vivo e Ressuscitado.

Na passagem do Evangelho (Lc 5, 1-11) contemplamos a presença e ação de Jesus que assegura  a grande pesca milagrosa. 

Contemplamos a ação de Deus que vai sempre ao encontro da humanidade, de suas necessidades, manifesta Sua ação gloriosa nos momentos de aparente fracasso transformando-os em êxitos que revelam Sua magnificência e onipotência e amor incondicional por nós.

A passagem pode ser dividida em três partes:

- A descrição do lugar da pregação de Jesus (v. 1-3);
- A pesca milagrosa (v.4-10a);
- O chamamento de Simão (v. 10b-11).

Estar na barca de Jesus (símbolo da Igreja) exige que escutemos a Sua Palavra e O reconheçamos como a presença de Deus em nosso meio; aceitando a Sua proposta libertadora e deixando tudo por Ele, com a certeza de êxito numa “pesca milagrosa”:

“A pesca extraordinária é símbolo da atividade futura de Pedro: o seu barco, ou seja, a Igreja, tem em nome de Jesus, a tarefa de ‘pescar’ os homens para o Reino dos Céus. E Jesus está sempre junto dos Seus para os ajudar” (1)

Reflitamos:

- Estamos na barca de Jesus, de fato?
- Escutamos Sua voz, Sua Palavra?
- Reconhecemos Sua presença em nosso meio?
- Aceitamos Sua missão libertadora a nos confiada?
- Somos capazes de tudo deixar por causa de Sua Proposta?

Sigamos Jesus como Isaías, Pedro, Paulo e tantos outros, crendo na força, ação e presença do Ressuscitado. É necessário que façamos como eles, nos reconhecendo pecadores para o verdadeiro encontro com o Senhor.



(1) Leccionário Comentado - Volume I - Tempo Comum - Editora Paulus - pág. 215

Com Deus não há fracassos (VDTCC) (continuação)

                                              


Com Deus não há fracassos 

À luz da Palavra do 5º Domingo do tempo Comum (ano C), vemos que é Deus quem nos chama para a missão que nos confia, apesar de nossos pecados e limitações.

Deste modo, em cada Celebração Eucarística se torna presente e operante a força redentora do Sacrifício de Cristo na Cruz, quando fomos redimidos e reconciliados com Deus para vivermos como irmãos e irmãs.

Contemplemos a misericórdia e ação divinas ontem, hoje e sempre, que purifica nossos lábios para anunciar e proclamar as Suas maravilhas.

Renovemos a alegria de viver a nossa vocação, fortalecidos pela confiança na Palavra, cada vez mais comprometidos com Seu Projeto do Reino.

Ergamos nossas mãos e que elas se abram para Deus louvar e adorar,
e ao irmão e irmã que precisa, solicitamente estendê-las e nos solidarizarmos.

Que nossos joelhos apenas se dobrem para adorá-Lo;
Aquele que merece toda honra, glória poder e louvor.

Assim serão nossos joelhos revigorados e fortalecidos,
Para com passos firmes e largos a caminhada de fé continuar.

Não entre a palavra tão apenas em nossos ouvidos,
Mas que ela penetre lá no mais profundo de cada um de nós.

Reflitamos:

- Qual é a nossa resposta ao chamado de Deus?
- De que modo Deus tem se revelado em minha vida pessoal e de que modo escuto e respondo ao Seu chamado?

- Nossas Celebrações têm suscitado Profetas para a participação na construção do Reino?

  - Nossa fé é envolvida pelo fogo do Amor Divino, para que sejamos purificados de nossos pecados, postos com mais ardor na missão que o Senhor nos confia?

Oremos:

Venha, Senhor, em nosso auxílio, Vosso Santo Espírito
Para nos comunicar Vossa Palavra em nossos corações.

Afaste, Senhor, de nós todo medo e cansaço,
Que avancemos continuamente para águas mais profundas.

Somente confiando em Vossa Palavra é que nossas redes 
São retiradas do mar da vida, trazendo-nos o melhor de Vós.

Fazei-nos, Senhor, intrépidos e corajosos pescadores de homens,
Vossa Palavra com ardor vivendo, anunciando e testemunhando. Amém!

Confiemos plenamente na Palavra de Deus (VDTCC)

Confiemos plenamente na Palavra de Deus

“Avancemos para águas mais profundas”

Com a passagem do Evangelho de Lucas (Lc 5,1-11), contemplamos a presença e ação de Jesus que assegura  a grande pesca milagrosa.

A passagem pode ser dividida em três partes:

- A descrição do lugar da pregação de Jesus (v. 1-3);
- A pesca milagrosa (v.4-10a);
- O chamamento de Simão (v. 10b-11).

Através de Sua presença e Palavra, Jesus nos revela a face de Deus, que vai sempre ao encontro do homem, de suas necessidades, e  manifesta Sua ação gloriosa nos momentos de aparente fracasso, transformando-os em êxitos, que revelam Sua magnificência e onipotência e amor incondicional por nós.

Estar na barca de Jesus (símbolo da Igreja), exige que escutemos a Sua Palavra e O reconheçamos como a presença de Deus em nosso meio; aceitando a Sua proposta libertadora e deixando tudo por Ele, com a certeza de êxito numa “pesca milagrosa”:

“A pesca extraordinária é símbolo da atividade futura de Pedro: o seu barco, ou seja, a Igreja, tem em nome de Jesus, a tarefa de ‘pescar’ os homens para o Reino dos Céus. E Jesus está sempre junto dos Seus para os ajudar” (1)

Reflitamos:

- Estamos na barca de Jesus, de fato?
- Escutamos Sua voz, Sua Palavra?

- Reconhecemos Sua presença em nosso meio?
- Aceitamos Sua missão libertadora a nós confiada?
- Somos capazes de tudo deixar por causa de Sua Proposta?

Sigamos Jesus crendo na força, ação e presença do Ressuscitado, confiando plenamente em Sua Palavra, assim como fez o Apóstolo Pedro, e todos os que se puseram a caminho, como discípulos missionários Seus.

(1) Leccionário Comentado - Volume Tempo Comum I- Editora Paulus - pág.215

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