quarta-feira, 5 de fevereiro de 2025

Santa Águeda, testemunho da bondade divina (05/02)


Santa Águeda, testemunho da bondade divina

Completemos nossa reflexão, no dia em que celebramos a memória de Santa Águeda, com o Sermão do Bispo São Metódio da Sicília (Séc. IX), que nos fala deste luminar da fé que correspondeu ao dom que foi concedido por Deus, a verdadeira fonte da bondade.

Santa Águeda foi um autêntico testemunho de entrega, doação na expressão máxima do martírio, em corajosa e incondicional fidelidade a Deus.

“A comemoração do aniversário de Santa Águeda nos reúne a todos neste lugar, como se fôssemos um só. Bem conheceis, meus ouvintes, o combate glorioso desta mártir, uma das mais antigas e ao mesmo tempo tão recente que parece estar agora mesmo lutando e vencendo, através dos divinos milagres com os quais diariamente é coroada e ornada.

A virgem Águeda nasceu do Verbo de Deus imortal e Seu único Filho, que também padeceu a morte por nós. Com efeito, João, o teólogo, assim se exprime: ‘A todos aqueles que O receberam, deu-lhes a capacidade de se tornarem filhos de Deus (Jo 1,12)’.

É uma virgem esta mulher que nos convidou para o Sagrado Banquete; é a mulher desposada com um único esposo, Cristo, para usar as mesmas expressões do Apóstolo Paulo, ao falar da união conjugal. É uma virgem que pintava e enfeitava os olhos e os lábios com a luz da consciência e a cor do Sangue do verdadeiro e divino Cordeiro; e que, pela meditação contínua, trazia sempre em seu íntimo a morte d’Aquele que tanto amava.

Deste modo, a mística veste de seu testemunho fala por si mesma a todas as gerações futuras, porque traz em si a marca indelével do Sangue de Cristo e o tesouro inesgotável da sua eloquência virginal.

Ela é uma imagem autêntica da bondade, porque, sendo de Deus, vem da parte de seu Esposo nos tornar participantes daqueles bens, dos quais seu nome traz o valor e o significado: Águeda (que quer dizer ‘boa’) é um dom que nos foi concedido por Deus, verdadeira fonte de bondade.

Qual a causa suprema de toda a bondade, senão aquela que é o Sumo Bem? Por isso, quem encontrará algo mais que mereça, como Águeda, os nossos elogios e louvores?

Águeda, cuja bondade corresponde tão bem ao nome e à realidade! Águeda, que pelos feitos notáveis traz consigo um nome glorioso, e no próprio nome demonstra as ilustres ações que realizou!

Águeda, que nos atrai com o nome, para que todos venham ao seu encontro, e com o exemplo nos ensina a corrermos sem demora para o verdadeiro bem, que é Deus somente!”

Com Águeda, através de sua fragilidade que manifesta a onipotência de Deus, aprendemos a expressar no mundo a bondade divina através de palavras e muito mais através dos gestos.

Com ela aprendemos a correr sem demora para o verdadeiro bem, Deus, pois somente Deus e sua graça nos basta.

Águeda, a “virgem que pintava e enfeitava os olhos e os lábios com a luz da consciência e a cor do Sangue do verdadeiro e divino Cordeiro; e que, pela meditação contínua, trazia sempre em seu íntimo a morte d’Aquele que tanto amava” também nos ensina a também a ver o mundo com os olhos de Deus, e com os lábios proclamar ao mundo o seu projeto, já experimentado e vivenciado na meditação contínua, na mais perfeita configuração à Jesus Cristo, que por amor em nosso favor morreu e Ressuscitou.

Que Deus nos conceda cada vez mais sermos sinal de Jesus Cristo no mundo, na pureza de alma e coração, que somente é possível quando participamos ativa, piedosa e frutuosamente da Mesa da Eucaristia, prolongando-A no cotidiano, a fim de que não haja a separação empobrecedora do culto e a vida.

Águeda, virgem e mártir, seduzida pelo Amor de Deus, na fidelidade ao Senhor, com o coração inflamado de amor do Espírito, ajudai-nos também a viver mesma fidelidade, com coragem e mansidão, como soubeste viver.

O Senhor tem apenas um plano para nós (05/02)

                                                     

O Senhor tem apenas um plano para nós
Na quinta-feira da quarta semana do Tempo Comum, ouvimos a passagem de Marcos (Mc 6,7-13), em que Jesus chamou os doze e os enviou em missão.

Oportuno retomar esta singela mensagem fictícia:

“Conta-se que Jesus, no dia da sua Ascensão aos céus, se encontrou com S. Gabriel Arcanjo que vinha, caminho contrário, cumprir alguma missão aqui na terra.

Gabriel, ao ver o Senhor subindo aos céus e que a terra ficaria sem Ele, olhou também para o planeta e observou um cenário curioso: a terra estava coberta por uma nuvem negra e o contraste negro-azul não resultava muito agradável a não ser por uns poucos, pouquíssimos, pontos de luz.

Chamou a atenção do Arcanjo o ambiente desolador, mas chamou-lhe mais imperiosamente a atenção a existência desses poucos pontos de luz.

O Arcanjo perguntou então ao Senhor: “e aqueles pontos de luz? O que são? Jesus respondeu: “são a minha mãe e os meus outros discípulos. Eles vão iluminar toda a terra”.

Gabriel, conhecendo a debilidade humana, depois de pensar um pouco, disse: “Senhor, excetuando a tua mãe, e se eles falharem?”. Ao que Jesus respondeu: “Eu não tenho outros planos”. Dito isso, Jesus continuou ascendendo rumo ao Pai.”

Como Igreja, continuamos a missão do Senhor, em todo tempo e lugar, e neste sentido, é necessário que reflitamos:

- Como realizar com êxito esta missão?
- Como não temer ao assumi-la?

- Como não sucumbir diante da hesitação da fé, no enfraquecimento da esperança que inevitavelmente congela o fogo da caridade que deve arder em nossos corações, sobretudo quando acolhemos a Palavra Divina e nos nutrimos do Pão do Amor, o Pão da Eucaristia?

A missão somente será possível e acompanhada de êxito, porque a promessa do Senhor se cumpriu, o Espírito Santo, o Paráclito nos foi enviado.

Não tendo Ele outros planos, apenas confiando em nossa participação, sabia muito bem que precisaríamos de “Alguém” que nos acompanhasse, nos assistisse. Por isto, voltando para o Pai, nos enviou o Seu Espírito.
A presença do Espírito Santo nos enriquece com Seus dons, e assim, fortalecidos, levemos adiante a missão evangelizadora, como ardorosos, corajosos e apaixonados Discípulos Missionários do Senhor.

Concluímos com as palavras de São Cirilo de Jerusalém (séc. IV), sobre a ação do Espírito Santo na vida da Igreja:

“Branda e suave é a Sua aproximação; benigna e agradá­vel é a Sua presença; levíssimo é o Seu jugo! A Sua chegada é precedida por esplêndidos raios de luz e ciência. Ele vem com o amor entranhado de um irmão mais velho: vem para salvar, curar, ensinar, aconselhar, fortalecer, consolar, ilu­minar a alma de quem O recebe, e, depois, por meio desse, a alma dos outros”. 

Paixão e a Graça Divina na Vocação profética (04/02)

                                                

Paixão e a Graça Divina na Vocação profética

A Liturgia da quarta-feira da 4ª Semana do Tempo Comum revela-nos, através da passagem do Evangelho (Mc 6,1-6), um Deus que nos chama para que sejamos Suas testemunhas, apesar de nossas limitações, fragilidades, pois é, paradoxalmente, em nossa fraqueza que Ele manifesta a Sua força.

Contemplamos, através da ação e presença de Jesus, esta ação divina, mas os conterrâneos de Jesus, em Nazaré, não souberam ir ao encontro e acolher Deus na Pessoa de Jesus, o Emanuel, Deus conosco, ao contrário, tiveram uma reação totalmente oposta, de rejeição, indiferença.

Embora rejeitado pelos Seus, a missão de Jesus não é invalidada e tão pouco interrompida. Bem dizia São Francisco, pelos caminhos da Itália: “O Amor não é amado”.

“Cristo Crucificado é o emblema do Amor infinito de Deus por nós. Embora vergados sob a Cruz, com coração obstinado, os homens desafiam a Sua onipotência; Ele permanece inerme na Cruz, mostrando um Amor indefectível, mais forte que a morte.

[...] A Cruz de Cristo revela a maldade humana, mas, mais ainda, revela o Amor de Deus. Aos pés da Cruz de Cristo confrontam-se num dramático e perene duelo, ‘a fortaleza débil’ do homem e a ‘fraqueza forte’ de Deus. A fé é que nos revela quem é o vencedor”. (1)

Podemos nós também acolher ou nos tornarmos indiferentes à proposta de Jesus, como Seus conterrâneos, fechados em nossos esquemas mentais, preconceitos diversos, que impedem o reconhecimento e acolhida d’Ele em nossa vida.

Pode ocorrer na missão dos discípulos o mesmo, importa não se deixar levar pelo desânimo, frustração, dificuldades.

Se grande é a incredulidade humana, bem maior é o Amor de Deus por nós.

Tenhamos um olhar mais atento aos grandes personagens da Bíblia, que viveram sua história de amor e sedução por Deus, cada um em seu tempo: Ezequiel, o Apóstolo Paulo, e tantos outros, para que na fidelidade ao Senhor, enraizemos profundamente em Seu Amor, sem o que a chama profética se apagaria totalmente, e com isto não saberíamos qual o sentido do próprio existir.

Precisa-se de Profetas autênticos, para que o mundo seja mais próximo do que Deus quer para nós. Qual é a nossa resposta?

Quando da Eucaristia autenticamente participamos, pela Palavra de Deus somos iluminados, e pelo Pão da Imortalidade fortalecidos, renovamos e revigoramos a vocação profética que o Senhor nos concedeu.

Refitamos:

- A missão do Profeta não é uma missão de descanso e fuga. Assim compreendo a minha missão?

- A missão do Profeta não é pelo prazer, mas em fidelidade ao Sopro do Espírito, suportando as diversas dificuldades acima mencionadas. Sei suportar estas dificuldades, provações, na vivência de minha vocação profética?

- Qual é a minha vocação?
- Para que Deus me chama?

- Para onde Deus me envia?
- Como se manifesta em mim a graça divina?

- Quais são as dificuldades a serem superadas?

Oremos:

Que Deus nos conceda a graça de uma fé humilde, disponibilidade confiante e obediência filial, para vivermos autenticamente a missão que nos confia, não por causa de nossa força e mérito, até mesmo por falta deles. Amém!


(1) Lecionário Comentado - Editora Paulus - pp.663-666.
Oportuno para o 14º Domingo do Tempo Comum - ano B

Vocação profética, um desafio (04/02)

                                                            


Vocação profética, um desafio

           “Jesus lhes dizia:
'Um profeta só não é estimado em sua pátria,
entre seus parentes e familiares'.” (Mc 6,1)

Na quarta-feira da 4ª Semana do Tempo Comum, ouvimos a passagem do Evangelho (Mc 6,1-6), e assim contemplamos a ação de Deus, que Se revela na fraqueza e na fragilidade, e por isto a dificuldade dos conterrâneos de Jesus reconhecê-Lo como Salvador da humanidade; não conseguem reconhecer a presença de Deus naquilo que Ele diz e faz.

Esta rejeição, no entanto, não invalida Sua procedência divina nem O leva a desistir da missão pelo Pai confiada.

No rosto humano de Jesus, a divindade de Deus se revela, e no rosto divino de Jesus se revela a Sua humanidade: em Jesus o humano e o divino se encontram.

A atitude de Jesus nos convida a nunca desanimar e desistir: Deus tem Seus Projetos e sabe como transformar o fracasso em êxito.

Pelo Batismo, continuamos a missão de Jesus vivendo a vocação como graça e enfrentando as possíveis dificuldades.

A missão do profeta, no seguimento do Senhor, não é a busca do prazer, sucesso, vedetismo, holofotes, mas é algo sério, profundo e que dá sentido à vida.

É Deus que nos chama para a vocação profética, apesar de nossas limitações, mas somente uma paixão profunda por Jesus nos fará profetas, aguentando o espinho na carne, enfrentando e superando incompreensões, oposições e acusações.

Reflitamos:

- Qual é a minha vocação na Igreja e no mundo?
- De que modo me abro à graça divina, para viver a vocação e enfrentar possíveis dificuldades?

- Para onde Deus me envia?
- Como se manifesta em mim a graça divina?

Tão somente enraizados no amor de Deus, nutridos pelo Pão da Imortalidade, iluminados pela Palavra do Senhor, e com a força e luz do Santo Espírito, é que poderemos realizar, com solicitude e ardor, a missão profética recebida no dia de nosso Batismo.

Voltemo-nos à Oração depois da Comunhão da Solenidade de São Pedro e São Paulo, que muito nos fortalece no discipulado e missão, para sermos hoje os profetas no mundo como Deus tanto espera.

Oremos:

“Concedei-nos, ó Deus, por esta Eucaristia, viver de tal modo na Vossa Igreja que, perseverando na Fração do Pão e na Doutrina dos Apóstolos, e enraizados no Vosso Amor, sejamos um só coração e uma só alma. Por Cristo, Nosso Senhor. Amém!”



PS: oportuno para o 14º Domingo do Tempo Comum - ano B

Santa Águeda, virgem e mártir, modelo de fidelidade ao Senhor! (05/02)


Santa Águeda, virgem e mártir, modelo de fidelidade ao Senhor!

No dia 05 de fevereiro, a Igreja celebra a memória de Santa Águeda (séc. III). Quanto a sua história, embora não se tenha tanto material disponível, é mais um testemunho de alguém que teve o coração por Cristo seduzido.

N’Ele encontrou a razão do existir, o sentido último e fundamental: a Salvação.

Águeda pôde rezar com o Salmista: “O Senhor é minha luz e salvação, a quem eu temerei?”, ou ainda: “Ainda que eu passe pelo vale da morte, nenhum mal eu temerei…” (Sl 27 e 91).

Uma página viva que revela uma bela verdade: O amor é a força que move o mundo, possibilita dar às coisas seu real valor, discernindo o que é relativo e o que é absoluto!

Águeda foi exemplo de quem manteve a virgindade e fidelidade ao Senhor, mesmo tendo sido condenada a ficar em lugar de má fama e enfrentando toda e qualquer forma de sedução de Quintiano, cônsul do imperador romano. Este ordenou que ela fosse torturada através de açoites, dilaceramento por meio de ganchos de ferro, e queimada com chamas de tochas.

Mas, Águeda sofria tudo isto com alegria, deixando o cônsul furioso. Isto o levou a ordenar, cruelmente, que os seios dela fossem esmagados e arrancados. Mais tarde A reencarcerou, e determinou que nenhum alimento ou socorro médico lhe fosse concedido.

Deus, porém, confortou-a e a curou, na visão que teve em que São Pedro encheu o calabouço de uma luz celestial. Quatro dias depois, Quintiano mandou que ela fosse arrastada nua por cima de carvões acesos misturados com cacos de vasos.

Ao ser levada de volta para a prisão, ela orou: "Senhor, meu Criador, Tu me tens protegido sempre desde meu nascimento; Tu me tens livrado do amor ao mundo, e me tens dado paciência para sofrer. Recebe agora minha alma". Após dizer essas palavras entregou sua vida.

Hoje, num mundo de permissividade em que o prazer se torna como que um ídolo, com perda de valores morais, banalização da sexualidade, muitas vezes ausência de firmes princípios, esta Santa, reconhecida pela Igreja, é mais um exemplo a ser imitado na fidelidade ao Senhor.

Celebrar a memória de Santa Águeda é celebrar a alegria de ver multiplicar, em cada tempo, cristãos convictos da fé e do Evangelho que ouvem, acolhem, proclamam e, com a vida, testemunham.

Reflitamos:

 Até que ponto entregamos nossa vida pelo Evangelho e por causa de Jesus?
 Qual a intensidade e profundidade de nosso apaixonamento por Cristo?
 Que sinal profético somos, no mundo, da Palavra de Deus?

Que, a exemplo de Santa Águeda, saibamos nos colocar nas mãos de Deus com absoluta confiança e esperança! 

terça-feira, 4 de fevereiro de 2025

Nada pode se antepor ao amor de Deus por nós (03/02)

                                                   


Nada pode se antepor ao amor de Deus por nós

“Menina, levanta-te!”

Refletindo sobre a passagem do Evangelho de Marcos (Mc 5,21-43), contemplemos, a partir da ação de Jesus, a ação de Deus que nos ama, cura, liberta e salva a humanidade, pois jamais se alegra com nosso sofrimento e morte. 

Oportuno que nos voltemos para a passagem do Livro da Sabedoria (Sb 1,13-15; 2,23-24).

Este Livro, composto um pouco antes da vinda de Jesus, é uma doutrina mais serena em relação aos mais antigos, e nos convida a contemplar o rosto de Deus, que ama a vida, e não é autor da morte – “Deus não fez a morte, nem tem prazer com a destruição dos vivos” (Sb 1,13). 

Ele, ao contrário, cria a vida e a entrega à humanidade, modelada à Sua imagem, e pronto a restaurá-la quando se encontra em perigo ou a se apagar – “Deus não criou o homem para que caísse na espiral do nada” (1).

Voltando à passagem do Evangelho, contemplamos a ação de Jesus que cura uma menina que estava nas últimas, e, também, uma mulher com hemorragia há doze anos. 

Acima de tudo, manifesta-se a ação divina, por meio de Jesus, o Verbo encarnado, a pleníssima revelação da onipotência e bondade de Deus para com quem se sente impossibilitado de viver, vendo a vida se esvair no sangue derramado daquela mulher ou nas forças exauridas daquela criança.

Afinal, é próprio do Amor de Deus vir ao encontro de nosso sofrimento, fraqueza, limitações, e intervir para que tudo mude, exatamente quando nada mais parece possível. Deus nos dá a vida, quando esta parece perdida, como nos revela a ação de Jesus. 

A cura da mulher, meditada na perspectiva da fé: o sangue propriamente dito é a vida; a hemorragia, por sua vez, consiste na perda do sangue, logo, a perda da vida. 

Entretanto, o Sangue do Senhor que jorrou no alto da Cruz, com Sua Ressurreição, tornou-se plenitude de vida para todo aquele que crê: Sangue jorrado que redime e nos devolve a vida. 

Aquela mulher é a imagem de todos nós que, sem a intervenção divina, vemos nossa vida se esvair, nossas forças sendo subtraídas, nossos sonhos diminuídos, nossos propósitos retrocedidos, nossas utopias amareladas e ultrapassadas porque não mais mantêm, e nem sustentam nossa fome de novos horizontes. 

É também a imagem de todo aquele que somente em Deus tem a cura, o resgate, o reencontro, a redefinição de rumos, o revitalizar dos passos, o revigorar das forças, o renascimento dos compromissos com a vida, o imprescindível cultivar das virtudes que nos movem e nos direcionam, as delicadas e indescritíveis sementes da fé, esperança e caridade. 

Diante do Senhor a morte se curvou, tudo se dobrou diante de Sua presença. Deus tem sempre a última Palavra, porque Ele é a Palavra: Aquela criança, que tida como morta, diante da Palavra do Senhor recupera a vida – “Menina, Eu te digo, levanta-te”. 

A menina que nunca vimos, somos nós que, a cada dia, escutamos Deus falar no mais profundo de nós as mesmas palavras. 

Quantas vezes sonhos morrem para que novos e melhores nasçam. Quantas vezes projetos desmoronados para outros de qualidade incomparável aparecer. 

Quantas vezes, quando tudo parecia nada, redução de cinzas fúnebres, a semente da fé brotou, para que a esperança viesse a se transfigurar e se materializar em atos indispensáveis de amor!  

Assim é o amor de Deus: devolve-nos vida, porque é a Fonte da Vida e vida Plena (Jo 10,10), e nos chama, constantemente à vida, do princípio ao fim, na Sagrada Escritura – “... quem participa do Cristo, participa da vida. Por Cristo e pela Sua Ressurreição, quem crê, mesmo sabendo que deve morrer, vê a morte como um momento para passar a uma vida sem fim. A morte se torna ‘passagem’. Assume assim o caráter pascal de vitória.” (2) 

Oportunas as palavras de São Francisco de Assis – “Louvado sejas, meu Senhor, por nossa irmã morte corporal, da qual nenhum homem vivo pode escapar”. (3) 

Coloquemo-nos no lugar da mulher e da criança, e não seremos mais os mesmos, pois é próprio do Amor de Deus não nos permitir encurvados, derrotados, inertes, mórbidos, mortos. 

Deste modo, Deus pode realizar maravilhas em nossa vida, mas é preciso que tenhamos fé na onipotência divina, e, também, ressalte-se, que não podemos transferir para Ele nossa responsabilidade, cuidando e promovendo a vida, com recursos necessários, bem como o acesso para todos, sobretudo para os mais vulneráveis. 

A fé cristã jamais dispensa nossos sagrados compromissos no amor e cuidado com a vida, tanto das pessoas como de nosso planeta, nossa Casa Comum. 

Deus por Seu amor, pela prática de Jesus, nos recria, para vivermos como templos do Seu Espírito.

 Oremos: 

“Ó Deus, pela Vossa graça, nos fizestes filhos da luz. Concedei que não sejamos envolvidos pelas trevas do erro, mas brilhe em nossas vidas a luz da Vossa verdade. Por N.S.J.C. Amém.”

 
(1) Missal Dominical–Editora Paulus – 1995 – p. 945           
(2) (3) idem – p.946   
 

Quando a vida se esvai, quando tudo parece o fim...(03/02)

                                        

Quando a vida se esvai, quando tudo parece o fim...

Ouvimos, na Liturgia da quarta terça-feira do Tempo Comum, a passagem do Evangelho de Marcos (Mc 5,21-43), em que Jesus cura uma menina que estava nas últimas, e também uma mulher com hemorragia há doze anos.

Acima de tudo manifesta-se a ação divina, por meio de Jesus, o Verbo encarnado, a pleníssima revelação da onipotência e bondade de Deus para com quem se sente impossibilitado de viver, vendo a vida se esvair no sangue derramado daquela mulher ou nas forças exauridas daquela criança... Afinal, é próprio do Amor de Deus vir ao encontro de nosso sofrimento, fraqueza, limitações. É próprio do Amor de Deus intervir e tudo mudar, quando nada mais parece ter outra possibilidade.

A cura da mulher meditada na perspectiva da fé: o sangue propriamente dito é a vida; a hemorragia, por sua vez, consiste na perda do sangue, logo, a perda da vida.

Entretanto, o Sangue do Senhor que jorrou no alto da Cruz, com Sua Ressurreição, tornou-se plenitude de vida para todo aquele que crê. Sangue jorrado que redime e nos devolve a vida.

Aquela mulher é a imagem de todos nós que sem a intervenção divina, vemos nossa vida se esvair, nossas forças sendo subtraídas, nossos sonhos diminuídos, nossos propósitos retrocedidos, nossas utopias amareladas e ultrapassadas porque não mais mantêm e sustêm nossa fome de novos horizontes.

É também a imagem de todo aquele que somente em Deus tem a cura, o resgate, o reencontro, a redefinição de rumos, o revitalizar dos passos, o revigorar das forças, o renascimento dos compromissos com a vida, o imprescindível cultivar das virtudes que nos movem e nos direcionam, as delicadas e indescritíveis sementes da fé, esperança e caridade.

Aquela criança, que tida como morta, diante da Palavra do Senhor recupera a vida – “Menina, Eu te digo, levanta-te”. Diante do Senhor a morte se curvou, tudo se dobrou diante de Sua presença. Deus tem sempre a última Palavra, porque Ele é a Palavra.

A menina que nunca vimos somos nós mesmos que a cada dia escutamos Deus falar no mais profundo de nós as mesmas palavras...

Quantas vezes vimos sonhos morrerem para novos e melhores nascerem. Quantas vezes projetos desmoronados para outros, de qualidade incomparável, aparecer.

Quantas vezes quando tudo parecia nada, redução de cinzas fúnebres, a semente da fé brotou para que visse a esperança se transfigurar e se materializar em atos indispensáveis de amor! 

Assim é o Amor de Deus: devolve-nos vida, porque é a Fonte da Vida e vida Plena (Jo 10,10).

Coloquemo-nos no lugar da mulher e da criança, e não mais os mesmos seremos. Pois, é próprio do Amor de Deus não nos permitir encurvados, derrotados, inertes, mórbidos, mortos... É próprio de Seu Amor nos recriar, reviver a cada instante. Amém!

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