segunda-feira, 3 de fevereiro de 2025

Fidelidade à missão que o Senhor nos confia (XIDTCA) (14/06)

Fidelidade à missão que o Senhor nos confia

Com a Liturgia do 11º Domingo do tempo Comum (ano A), somos convidados a refletir sobre a missão que Deus nos confia, sendo no mundo instrumentos de Sua compaixão e misericórdia.

Somos chamados e enviados por Deus para que sejamos sinais vivos do Seu amor e testemunhas de Sua bondade, em gestos contínuos de amor, partilha e solidariedade.

Na passagem da primeira Leitura - Livro do Êxodo (Ex 19, 2-6a), o autor nos apresenta o Deus da Aliança, e como Ele estabelece laços de comunhão e familiaridade.

Uma Aliança com pretérito, presente e futuro, como vemos na passagem, de modo que a eleição como Povo de Deus não é um privilégio, mas uma missão profética para ser sinal do Deus vivo.

Somente quando o povo se põe em conquista da liberdade, se torna, de fato, sinal de Deus, vivendo com Ele a Aliança.

Como Povo de Deus, é preciso reconhecer a Sua presença na Sua aparente ausência. É preciso ouvir sua voz, guardar a Aliança e pôr-se a caminho, em total fidelidade a Ele, como que “embarcando na aventura da Aliança”.

Reflitamos:

- Sou sinal do amor vivo de Deus e Sua bondade?
- Como correspondo à Aliança de Amor de Deus conosco?
- Percebo a presença de Deus em minha vida, na vida da comunidade?

Na passagem da segunda Leitura, o Apóstolo Paulo nos apresenta a missão da comunidade: testemunhar o amor eterno de Deus pela humanidade, um amor inquebrantável, inqualificável, incrível, ilógico, inexplicável, gratuito e absolutamente único, e nada e ninguém poderá vencê-Lo, derrotá-Lo ou eliminá-Lo (Rm 5, 6-11).

Também insiste que a salvação é dom do amor de Deus e não uma conquista do homem e da mulher. Para ele, a História da Salvação é uma incrível história de amor.

Reflitamos:

- Sinto a presença e o amor de Deus em minha vida?
- Como comunidade somos sinais deste amor de Deus?
- O que precisamos fazer para corresponder ao amor de Deus?
- Salvação é dom divino e resposta nossa. Como respondemos a este dom divino?

Na passagem do Evangelho, encontramos o “discurso da missão”, acompanhado de uma catequese sobre a escolha, o chamamento e o envio dos doze discípulos (Povo de Deus) para anunciar a chegada do Reino de Deus (Mt 9, 36-10,8).

O texto foi escrito num contexto de grandes dificuldades para o anúncio do Evangelho, e com isto a desorientação e a perturbação enfrentadas. Por isto, o Evangelista apresenta como que um “manual do missionário cristão”, enraizando sua missão em Jesus Cristo.

A iniciativa do chamado é do próprio Jesus. E o número “doze” é simbólico, lembrando as doze tribos que formavam o antigo Povo de Deus, e com isto representa a totalidade do novo Povo de Deus.

A missão confiada aos discípulos é a de lutar contra tudo que destrua (pecado) a vida e a felicidade das pessoas, física ou espiritualmente.

O envio é acompanhado de Instruções: a salvação se destina a todos os povos, e deve ser realizada na gratuidade e na confiança plena em Deus, de modo que a missão dos discípulos é a própria missão de Jesus.

Reflitamos:

- Tenho vivido com fidelidade a Missão que o Senhor me confiou?
- Como Igreja temos realizado com zelo a missão pelo Senhor confiada?

- Realizo com confiança e gratuidade a missão confiada pelo Senhor?
- O que me impede para ser sinal da compaixão e solidariedade divina no mundo?

- Há consistência e audácia no testemunho de nossa fé?

A messe é grande e os operários são poucos. Peçamos que o Senhor envie operários para a messe, mas antes, coloquemo-nos com alegria e generosidade nesta missão. Façamos nossa parte com zelo, amor e alegria, pois assim exige a evangelização. Não há “desemprego no campo missionário”.

Fonte inspiradora:  www.Dehonianos.org/portal

Graça, amor, perdão e paz! (XIDTCC) (14/06)

Graça, amor, perdão e paz!

A Palavra proclamada no 11º Domingo do Tempo Comum (ano C) revela um Deus de bondade e de misericórdia, que detesta o pecado, mas ama sem medida o pecador. Ele jamais abandona o pecador que reconhece a sua falta, comunicando a Salvação como dom divino e não como conquista humana.

O perdão de Deus oferecido à humanidade é sempre a comunicação do Amor que possibilita uma vida nova.

A misericórdia de Deus oferece a possibilidade do recomeço, de novos passos, novos rumos, novas posturas que nascem do encontro pessoal com a Divina Fonte de Amor e perdão: Jesus.

Na primeira Leitura (2Sm 12, 7-10.13), da mesma forma, Davi, interpelado pela Palavra do Profeta Natã, reconhece seus gravíssimos pecados, suplica o perdão de Deus e o alcança. A passagem também nos revela que Deus não é indiferente diante dos que abusam e exploram a vida do próximo.

O Apóstolo Paulo, na segunda Leitura (Gl 2, 16.19-21), foi um homem que passou da Lei para a acolhida da graça que vem de Jesus, pois somente n’Ele encontramos a Salvação. Acolhendo a graça, Paulo chegou à identificação tão intensa com Jesus que afirmou:

Eu vivo, mas já não sou eu que vivo, pois é Cristo que vive em mim. E esta vida que agora vivo, eu vivo-a pela fé no Filho de Deus, que me amou e Se entregou por mim.” (Gl 2, 20).
A passagem do Evangelho (Lc 7,36-8,3) nos apresenta a mulher pecadora, que experimentou a misericórdia divina, teve seus pecados perdoados e, assim, pôde espalhar pelo mundo o verdadeiro amor, como nunca o fizera.

Temos também o fariseu Simão, que tão apenas acolheu Jesus em sua casa, mas não O recebeu como Aquele que tem o poder de perdoar os pecados, e que deseja estabelecer conosco comunhão de vida, Amor e perdão.

Simão é a personificação daqueles que não reconhecem as próprias imperfeições, e se tornam medida para o outro, crendo que têm o poder de julgar, rotular, condenar e excluir do convívio.

São totalmente opostas as atitudes da pecadora, que entra no banquete, sem mesmo ter sido convidada, e com toda humildade se prostra aos pés do Senhor, lava-os com suas lágrimas, lágrimas de dor por seus pecados; enxuga-os com seus cabelos, com sua vida, acolhida e ternura, ungindo-os e cobrindo-os de beijos.

Jesus a perdoa não porque tenha pecado muito, mas porque muito O amou, e demonstrou o seu amor para com Ele. Esta mulher fez a experiência do amor louco, incompreendido, de Deus que perdoa.

Simão sequer cumpriu o ritual prescrito, muito menos se abriu ao perdão e ao Amor de Jesus, como o Messias, o enviado do Pai, a própria presença de Deus, o único que tem poder para perdoar os pecados.

Simão, como os convidados, é levado tão apenas pela aparência, encerra a mulher no seu passado, sem a perspectiva de mudança. Mas, Jesus tem olhar que vai além das aparências, possibilitando a ela um futuro diferente, permitindo-lhe partir perdoada, amada e em paz.

Podemos nos identificar ora com Simão, ora com a pecadora que é perdoada por Jesus, assim como Davi que também peca e reconhece seus pecados.

Reflitamos:

- Estamos tão identificados com o Senhor, a ponto de, como Paulo, podermos dizer “não sou eu que vivo, mas Cristo que vive em mim”?

-  Por nossos pensamentos, palavras, atitudes reconhecerão Cristo em nós?

- Reconhecemos nossos pecados e nos abrimos à misericórdia de Deus, alcançando e comunicando o perdão a quem nos ofende, como rezamos no Pai Nosso?

Somente experimentando o Amor e o perdão que vêm de Deus é que poderemos amar, perdoar e sermos perdoados.

O mundo precisa de Profetas da civilização do Amor, que se proponham a colaborar na construção do Reino do Amor de Deus no coração da humanidade; um Reino de justiça, paz, amor, misericórdia, perdão, compaixão, verdade, liberdade e, sobretudo, de respeito aos direitos sagrados da vida, desde a concepção ao seu declínio natural. 

Somente no Senhor encontramos a Salvação (IXDTC) (01/06)

Somente no Senhor encontramos a Salvação

Aprofundemos a Liturgia do 9º Domingo do Tempo Comum (ano C), mais precisamente a segunda Leitura: Gl, 1,1-2.6-10.

Comentário do Missal Dominical (p. 1139):

“Hoje se apresentam como mediadores de salvação a ciência, a técnica, a psicanálise, a guerra, a revolução. Muitos homens depositam aí sua esperança.

A visão da Lei como salvação não estará ainda presente no mito da mudança das estruturas, segundo o qual, mudadas as estruturas sociais, nasceria como que magicamente o homem novo?
 
A tese paulina da Lei como pedagogo da salvação não poderia ser aplicada à ciência, à técnica, às estruturas?

Se é verdade que estas são radicalmente insuficientes para salvar o homem, é também verdade que, conservadas em seu papel de instrumentos, são meios a serem usados para o bem do homem”.
Citação da “Evangeli Nuntiandi” sobre a renovação da humanidade:

“Evangelizar, para a Igreja, é levar a Boa-Nova a todas as parcelas da humanidade, em qualquer meio e latitude, e pelo seu influxo transformá-las a partir de dentro e tornar nova a própria humanidade:

 "Eis que faço de novo todas as coisas". No entanto não haverá humanidade nova, se não houver em primeiro lugar homens novos, pela novidade do batismo e da vida segundo o Evangelho.

A finalidade da evangelização, portanto, é precisamente esta mudança interior; e se fosse necessário traduzir isso em breves termos, o mais exato seria dizer que a Igreja evangeliza quando, unicamente firmada na potência divina da mensagem que proclama, ela procura converter ao mesmo tempo a consciência pessoal e coletiva dos homens, a atividade em que eles se aplicam, e a vida e o meio concreto que lhes são próprios”.

Ansiamos pela salvação, pela renovação da humanidade, e esta não se dá pela absolutização do que na verdade são instrumentos, meios apenas (técnica, ciência, estruturas, poderes constituídos, sistemas de governo, ou quaisquer outras formas de construção que sejam da derivação humana, resultando da ação e intervenção humana).

A Igreja longe de ignorar a contribuição da ciência, vê a necessária relação que deve existir entre a fé e a razão, com vistas ao bem da humanidade.

Que os infinitos recursos que dispomos e a os saberes que possuímos cumpram este fim, o bem de toda a humanidade.

Concluindo, “Não haverá humanidade nova, se não houver em primeiro lugar homens novos, pela novidade do batismo e da vida Segundo o Evangelho”. E bem sabemos que o Espírito de Deus sopra onde quer, e todos podemos nos abrir à Sua ação, ainda que não percebamos, e assim tudo fazermos pela promoção do bem comum, a fim de que tenhamos vida plena, digna e feliz.




domingo, 2 de fevereiro de 2025

A chama da profecia (IVDTCB) (01/02)


A chama da profecia

A Liturgia do 4º Domingo do Tempo Comum (ano B) é um grande convite para reflexão e aprofundamento de nossos compromissos proféticos com o Projeto de Deus. 

Não é possível que nos conformemos com os projetos de egoísmo e de morte que roubam a beleza do mundo escravizando as pessoas, roubando-lhes a dignidade. O Projeto de Deus é de liberdade e vida plena.

Deus incansável em Seu Amor suscita Profetas para fazê-lo acontecer e ainda mais, envia Seu próprio Filho, Jesus, cuja ação libertadora aprofundaremos com o Evangelho.  Deus não se cansa da humanidade!

No entanto, para que a missão profética seja realizada é preciso tomar consciência das realidades transitórias e com sabedoria perceber as prioridades que nos consomem e nos movem.

Na passagem da primeira Leitura (Dt 18, 15-20) o Povo de Deus é exortado à fidelidade, à Aliança com Deus e ao cumprimento de Sua Lei. Cabe ao Profeta ser a voz do próprio Deus; aquele que fala em Seu nome. É preciso que o povo saiba distinguir quais sãos os falsos e os verdadeiros Profetas.

É preciso ouvir os Profetas quando, de fato, falam em nome de Deus, porque o ser profeta não é uma iniciativa humana, antes é uma prerrogativa divina. Ele escolhe a quem bem quer para transmitir Sua Mensagem.

Ninguém é Profeta por escolha própria. É ele apenas um instrumento nas mãos de Deus, e para tanto deve viver em fidelidade absoluta e em empenho total.  Está ele a serviço de Deus, exclusivamente.

Na passagem da segunda Leitura (1 Cor 7,32-35), continuamos a reflexão sobre o que é efêmero e eterno. Lembrando o que disse o Apóstolo Paulo “a figura deste mundo passa”, o tempo é breve e é preciso saber definir as escolhas, sem jamais ancorar a vida em realidades transitórias.

Paulo fala ainda da riqueza do celibato em favor do Reino, que se confere a quem o abraçou livre, alegre e conscientemente (desprendimento, doação, disponibilidade).

Na passagem do Evangelho (Mc 1,21-28), Jesus Se revela como o Messias libertador. Ele está em Cafarnaum e liberta um homem possuído por um espírito mau. Fala e age com autoridade, diferente dos escribas. Liberta em pleno sábado, colocando a vida acima da Lei. Age com a autoridade que o Pai Lhe confiou.

Somente Deus pode em qualquer tempo devolver a vida e a liberdade perdidas. Não há tempo para o mal ser feito, mas há todo tempo do mundo para que o bem seja feito.

A ação de Jesus junto aos discípulos é um anúncio de que veio libertar a pessoa de tudo aquilo que a faz prisioneira, roubando-lhe a vida, a dignidade. Ele mesmo dirá “Eu vim para que todos tenham vida, e a tenham plenamente” (Jo 10,10).

Os seguidores de Jesus terão que continuar esta missão, não poderão cruzar os braços diante da aparente força do mal, mas superar todo sentimento de indiferença e impotência.

O discípulo de Jesus deverá ter o coração seduzido para não realizar mal sua missão; libertando-se dos espíritos maus, iluminado pelo Espírito do Senhor será precioso instrumento do Reino de Deus.

Há realidades a serem transformadas (política, econômica, social, trabalho, família). É preciso que embarquemos nesta aventura tornando-nos cúmplices de Deus na construção de um mundo novo.

O discípulo vivendo a missão profética sabe que pode contar com a força da Palavra para agir com autoridade, consciente que sua ação é a ação do próprio Jesus.

Supliquemos a Deus para que o Seu Espírito pouse sobre cada um de nós, para que a chama profética acesa no Batismo assim se mantenha, renovando nossa fidelidade ao Projeto de Amor e Vida que Deus tem para nós.

Deste modo, por Deus libertos, e d'Ele instrumentos fiéis e corajosos de libertação, para que vislumbremos e participemos de uma nova realidade.

Fonte de pesquisa: www.Dehonianos.org/portal

Não há profecia sem a chama do Amor Divino (IVDTCC) (01/02)


Não há profecia sem a chama do Amor Divino

No 4º Domingo do Tempo Comum (Ano C), continuamos a reflexão sobre a Missão de Jesus que é a missão da Igreja, sob a ação do mesmo Espírito que pousou sobre Ele e O acompanhou em todos os momentos na fidelidade ao Pai.

Nesta missão, como discípulos missionários, vivendo a vocação profética pelo Batismo, podemos viver experiências difíceis como perseguições, incompreensões, obstáculos a serem transpostos, mas o amor "ágape" fala sempre mais alto.

Na passagem da primeira Leitura (Jr 1,4-5.17-19), contemplamos a figura do Profeta Jeremias que foi escolhido, consagrado e constituído Profeta por Deus.

Como os demais Profetas, trilhou um árduo caminho de sofrimento, solidão, risco por possuir uma consciência crítica, ser defensor da verdadeira paz, nutrir a verdadeira esperança e confiança na defesa dos pobres, tudo fazendo por amor.

O Profeta é por excelência alguém que se encontrou com Deus e Sua Palavra e aceitou viver o desígnio divino. Ninguém é Profeta por iniciativa própria.

Enviado por Deus, vive o caminho profético, conjugando e vivendo os verbos denunciar, criticar, demolir, destruir, edificar e plantar, consumindo-se e vivendo intensamente a missão por Deus confiada.

Reflitamos:

- Ontem Jeremias, e hoje quem são os Profetas, aqueles que têm olhos voltados para Deus sem desviar o seu olhar para a realidade na qual estão inseridos?

- Onde e como vivemos a vocação profética recebida no dia de nosso Batismo?

- Como estamos conjugando e vivendo os verbos denunciar, criticar, demolir, destruir, edificar e plantar?

A passagem da segunda Leitura (1Cor 12,31-13,13) aparentemente desconectada da primeira e do Evangelho, mas apenas aparentemente, pois se a virtude do Amor divino não nos mover, não nos impulsionar, jamais viveremos a vocação profética, não suportaremos o peso da cruz a ser carregada, cotidianamente, com as renúncias necessárias.

Trata-se do “hino ao amor” que já inspirou poetas e Profetas. Há quem chame esta passagem de “o Cântico dos Cânticos da Nova Aliança”.

Paulo retrata o amor como o dom maior e eterno a ser vivido por todo aquele que segue Jesus, e que 
possui uma superioridade incontestável sobre qualquer outro carisma.

O caminho do amor é o caminho mais seguro, mais acessível a todos, e consiste no caminho insubstituível que conduz à Salvação.

Não se trata de um amor qualquer, trata-se do amor-'ágape', onde não há resquícios de egoísmo, mas é o amor gratuito, desinteressado, sincero, fraterno, que se preocupa com o outro, sofre pelo outro, que procura o bem do outro sem nada esperar em troca.

O Apóstolo enumera 15 características ou qualidades do verdadeiro amor, sendo sete apresentadas de forma positiva, e as outras de forma negativa.

Resumindo, a passagem pode ser dividida em três partes:

1 - O confronto entre a caridade e os carismas – (13,1-3);
2 - As características principais e operativas da caridade – (13,4-7);
3 - A perfeição da caridade e sua perenidade – (13,8-13).

Reflitamos:

- Qual é a qualidade do amor que vivemos na comunidade cristã?

- Vivemos o amor cristão, o amor "ágape", o amor generoso, por pura gratuidade?

Na passagem do Evangelho (Lc 4,21-30) descreve a rejeição enfrentada por Jesus, quando desprezado pelos habitantes de Nazaré e pelos próprios parentes, por não compreenderem e não aceitarem a Sua missão.

A missão de Jesus frustra na medida em que não propicia espetáculos. O Deus a quem Jesus vive fidelidade até o fim tem uma séria proposta de salvação a ser concretizada na vida daquele que crê.

Assim como os Profetas, o próprio Senhor enfrentou a incompreensão, a incredulidade, a solidão, o risco, a doação e autoentrega de Sua vida.

Reflitamos:

- Quem é Jesus para mim? Qual Sua missão e como a vivo?
- Como vivo a minha fidelidade a Jesus, como discípulo missionário?

- Quais as incompreensões e rejeições que passo por causa do anúncio e testemunho da Boa-Nova?
- Sinto alegria em continuar, sob a ação do Espírito, como Igreja, a missão de Jesus?

Concluindo: O amor é o “motor” de nossa missão, o amor-"ágape": Cristo que ama em nós. Somos vocacionados para o amor, para a profecia, sob a ação do Espírito Santo.

Se inflamados por este amor, continuaremos nosso caminho vivendo a vocação profética, sendo no mundo luz, da terra o sal, sem jamais perder o sabor.

Jesus: Sua Palavra e ação nos libertam (IVDTCB) (01/02)


Jesus: Sua Palavra e ação nos libertam

“O que é isso? Um ensinamento novo, dado com autoridade...
Ele manda até nos espíritos maus, e eles obedecem!”

Com a Liturgia do 4º Domingo do Tempo Comum (ano B), refletimos sobre o Projeto de liberdade e vida plena que Deus tem para a humanidade, que se contrapõe aos projetos marcados pelo egoísmo, escravidão de toda forma e morte.

Tendo iniciado um novo Ano Litúrgico, à luz do Evangelho de São Marcos, somos convidados a seguir, cada vez mais de perto e decididamente, o Senhor, que nos chamou e nos enviou a viver a vida nova que nos foi concedida pela graça do Batismo.

Na passagem da primeira Leitura (Dt 18,15-20), temos a experiência profética de Moisés, e, com isto, vemos que o Profeta é alguém escolhido por Deus, por Ele chamado e enviado para comunicar a Sua Palavra viva à humanidade e ser sinal da presença divina.

Urge ouvir os Profetas que verdadeiramente falam em nome de Deus, em todo o tempo, uma vez que haveremos de prestar contas se fecharmos os ouvidos e o coração ao Seu Projeto, comunicado por estas vozes que jamais se calaram, e jamais se calarão.

Sendo escolhido por Deus, ninguém é Profeta por escolha própria, tornando-se apenas um instrumento nas mãos de Deus, vivendo em total fidelidade a Deus e absoluto empenho no cumprir desta missão.

Por isto, o Profeta precisa estar exclusivamente a serviço de Deus, e jamais conduzir sua vida por esquemas pessoais, interesseiros e egoístas.

Oportuna são as palavras do Missal:

“O profetismo, conhecido em todo o Oriente Antigo, apresenta na Bíblia aspectos originais de que Moisés e Elias continuam a ser modelos. Como dantes, também hoje continua a haver Profetas. O critério da sua autenticidade é a Palavra sempre viva de Deus e o seu vínculo a Jesus Cristo”. (1)

Na passagem da segunda Leitura (1 Cor 7, 32-35), o Apóstolo Paulo continua falando sobre as verdadeiras prioridades que devem marcar a vida daquele que abraçou a fé, não se deixando desviar pelas realidades transitórias, afinal, o tempo está abreviado e a figura deste mundo passa.

É nítida a pretensão do Apóstolo de apresentar, a quem professa a fé no Senhor, uma proposta de vida com equilíbrio, sabendo discernir entre as coisas que passam e as que são eternas, que consiste num aprendizado permanente na definição das escolhas, numa vida marcada pela generosidade, alegria e doação.

Seja qual for nossa vocação e condição de vida, devemos nos unir ao Senhor com um coração indiviso.

Na passagem do Evangelho (Mc 1,21-28), vemos a ação de Jesus, o Filho de Deus, que vem cumprir o Projeto de libertação.

Depois de apresentar o chamamento dos discípulos, o Evangelista apresenta uma jornada ministerial do Senhor, com Sua autoridade revelada no ensino e diante dos “espíritos impuros”.

Com Sua Palavra e ação, Jesus renova aqueles que O acolhem e acreditam em Sua Palavra, tornando-os verdadeiramente livres do egoísmo, do pecado e da própria morte.

A ação de Jesus faz suscitar a interrogação daqueles que O viram ensinar e expulsar os demônios: “Que vem a ser isto? Uma nova doutrina e com que autoridade!”. Também nós devemos nos perguntar “quem é Jesus para nós?”

Jesus veio nos libertar de tudo o que nos faça “prisioneiros” e nos roube a vida e a alegria de viver. Com Sua Palavra e ação, Jesus nos revela que Deus não desistiu da humanidade, e quer conduzi-la à vida plena e feliz.

Seus seguidores não poderão cruzar os braços, continuando a Sua missão na luta contra os “demônios” de tantos nomes, que roubam a vida e a liberdade das pessoas.

O discípulo de Jesus, com Sua Palavra e presença, luta na libertação de todos os demônios que desfiguram as pessoas, para que estabeleçamos relações mais fraternas.

Ser discípulo consistirá em percorrer o mesmo caminho que Ele percorreu, lutando até o fim, em total doação da vida para que tenhamos um mundo mais humano, mais livre, mais solidário, mais justo e mais fraterno; sendo assim é inconcebível que os discípulos cruzem os braços, de olhos voltados para o céu.

Há um mundo a ser transformado e, como Igreja em saída (como tem insistido o Papa Francisco), não podemos ficar fechados em nossas sacristias, mas assumir corajosamente, com a força do Espírito, com sabedoria e criatividade, a dimensão missionária, elemento constitutivo da Igreja, presença nas mais diversas realidades, em incansável empenho para a transformação das realidades:  familiar, social, política, econômica, cultural, do trabalho e da comunicação.

Nem sempre isto se dá de modo tranquilo, porque pode gerar conflitos, divisões, sofrimentos, incompreensões, perseguições, mas vale a pena, porque é fiel Aquele que prometeu jamais nos desamparar, jamais nos deixar órfãos na missão por Ele confiada, afinal nos comunicou o Seu Espírito, que nos assiste em todos os momentos.

O discípulo de Jesus é alguém que embarcou nesta aventura de amor que dá sentido à vida, o que nos torna cúmplices e instrumentos nas mãos de Deus, para que construamos um mundo novo, de homens e mulheres livres e felizes.

Com o coração seduzido e inflamado por Aquele que voltou para nós o Seu olhar de amor e nos chamou pelo nome, não há como voltar atrás.

Quem pelo Senhor sentiu-se amado, já não pode mais viver sem o Seu Amor, a Sua Palavra e presença.



(1) Missal Quotidiano, Dominical e Ferial – Editora Paulus – Lisboa – p. 1177

sábado, 14 de maio de 2011

Caminhos novos... Por que não buscá-los?

Caminhos novos... 
Por que não buscá-los?
Sol ilumina, aquece e renasce sempre.
Sol poente indispensável para sol nascente.
Se há outras possibilidades, busquemos...
Novo dia, novo amanhecer...
Novo endereço, nova possibilidade
Luz levar, alegria semear...
Com o blog a espiritualidade renovar...

Quem sou eu

Minha foto
4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG