quarta-feira, 22 de janeiro de 2025

Concedei-nos, Senhor, mansidão e humildade

 


Concedei-nos, Senhor, mansidão e humildade

Senhor Jesus, como são admiráveis a mansidão e a humildade de Davi diante das palavras injustas de Semei, mas mais admiráveis ainda sois Vós, que suportastes os injustos e os tormentos dos inimigos, sofrendo a expiação dos pecados que não eram Vossos, mas nossos, e dos quais Vos tornastes solidário.

A Vós recorremos e suplicamos pelas nossas famílias e comunidades, a fim de que nos momentos de tensão e amargura, jamais lancemos no rosto do outro, sem nenhuma caridade, os erros verdadeiros ou presumidos, patentes ou ocultos, ou até mesmo já perdoados.

Ensinai-nos a atitude correta de mansidão, humildade e serenidade, acompanhada do silêncio e do perdão, amando ainda mais, pois tão somente assim, conseguiremos remediar, sanar as rupturas da caridade com suas cicatrizes.

Concedei-nos a maturidade e a coragem de nos questionarmos ao ouvirmos uma palavra injusta, sobre qual o grau de culpa possuído, para maior compreensão do outro, e se preciso, aceitar como sinal de expiação com toda a humildade necessária. Amém.

 

(1)             Passagem bíblica - 2 Sm 15,13-14.30; 16,5-13ª

Fonte: Comentário do Missal Cotidiano - Editora Paulus - pág. 706

Comunidade de comunidades: uma nova Paróquia

Comunidade de comunidades: uma nova Paróquia

“Ide pelo mundo,
pregai a Boa-Nova do Evangelho”

Deve nos interpelar o que nos disse o Papa Francisco, em sua Exortação “Evangelium Gaudium” – A alegria do Evangelho –, e também os Bispos do Brasil, como vemos no Documento nº100 – “Comunidade de comunidades: uma nova Paróquia – A conversão pastoral da Paróquia”.

Urge a construção de uma Paróquia como Comunidade de comunidades, como presença eclesial no território, muito mais que a presença de um prédio edificado por mãos humanas.

Deste modo, elas serão um espaço privilegiado da escuta da Palavra de Deus, (diálogo, anúncio, adoração e celebração), ou seja: a casa do Pão da Palavra, do Pão da Eucaristia e do Pão da caridade.

Através das inúmeras atividades, é preciso incentivar e formar os agentes para a evangelização, tendo como protagonista indispensável o Espírito Santo.

Ela se tornará uma célula viva, uma “comunidade de comunidades”, um santuário onde os sedentos vão beber água cristalina para a continuidade da comunidade, mas ao mesmo tempo centro de constante envio missionário.

Precisamos dar à Paróquia um rosto novo, tornando-a mais dinâmica, acolhedora e missionária. Para tanto, é preciso uma profunda e sincera conversão pastoral, com novo espírito, novo ardor (cf. Documento de Aparecida - n. 365-372).

Como ser uma Igreja missionária na cidade em que vivemos, ampliando e formando pequenas comunidades de discípulos convertidos pela Palavra de Deus, conscientes de viver em constante estado de missão, superando toda e qualquer forma de desânimo e acomodação?

Reflitamos:

- como ser uma Igreja Missionária na cidade, procurando ir ao encontro das pessoas e a elas comunicar a Boa-Nova do Evangelho?

Não podemos mais ficar no “vinde”, é o tempo do “ide”, como assim o foi desde o início da missão confiada por Jesus aos Seus discípulos|: «Ide, pois, fazei discípulos de todos os povos, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a cumprir tudo quanto vos tenho mandado» (Mt 28, 19-20).

É preciso coragem para que nos desinstalemos, sobretudo na acolhida e solidariedade para com os mais empobrecidos. Ressoando as palavras do Papa Francisco: “Prefiro uma Igreja acidentada, ferida e enlameada por ter saído pelas estradas, a uma Igreja enferma pelo fechamento e a comodidade de se agarrar às próprias seguranças. Não quero uma Igreja preocupada com ser o centro, e que acaba presa num emaranhado de obsessões e procedimentos” (Evangelii Gaudium - n. 40).

Muito já fizemos, mas há ainda um longo caminho a ser percorrido, para que vivamos a vocação como dom de Deus, como um chamado que Ele nos fez e espera nossa resposta, para que trabalhemos como alegres discípulos missionários de Sua vinha.

Temos que consumir nosso tempo e forças para que a Boa-Nova seja anunciada, a fim de que o Reino de Deus aconteça, como pequeno grão de mostarda, que germina, torna-se uma grande árvore, e os pássaros vêm nela fazer seus ninhos.  

Eis a nossa missão: fecundar o mundo novo, no testemunho corajoso de nossa fé, dando razão de nossa esperança, em ativa e frutuosa caridade.

Com o Senhor, não nos perdemos no labirinto das ideias

Com o Senhor, não nos perdemos no labirinto das ideias

É preciso que saibamos parar e rever como escrevemos nossa história, em todos os âmbitos; entrar no labirinto das ideias, tanto pessoais como coletivas, e ver por onde se escreveu as linhas da história.

Reler os fatos, ser capaz de fazer retrospectivas, relembrar os acontecimentos vivenciados, alegres ou tristes, angustiantes ou esperançosos.

Fatos que expressaram a beleza da vida ou a sua violação; sonhos esperados e realizados ou em pesadelos transformados, e dos quais não se poderá jamais acordar.

Assim é a história, um misto de fatos memoráveis pela beleza neles contidas, ou fatos que não nos causam alegria alguma em recordá-los, porque deixaram marcas, cicatrizes para sempre.

Procuramos saídas das trevas por que possamos viver, ou que momentaneamente nos encontrarmos, em busca da luz para iluminar caminhos, decisões, escolhas, reconciliações, realizações.

Procuramos saídas para nos libertarmos de mentiras que se multiplicam, em busca da verdade que nos fazem verdadeiramente livres, e de modo especial a Verdade do Evangelho, que é o próprio Jesus – “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” (Jo 8, 32)

No labirinto das ideias, procuramos saídas para a morte de múltiplas expressões, que duela ceifando a vida por vezes tão frágil, tão indefesa, como vemos em atentados suicidas, guerras prolongadas, destruições abomináveis de crianças e suas famílias.

Procuramos saídas para não nos perdermos no emaranhado do sentimento devorador do ódio, com seus frutos amargos que roubam a beleza e sacralidade da vida, e maculam o olhar para o outro como templo de Deus, porque d’Ele feitos imagem e semelhança.

Procuramos a saída para o amor, e esta somente a encontraremos quando fizermos o mergulho mais profundo, que ultrapassa a mente e os limites da racionalidade, porque se mergulha no coração, onde descobrimos a presença d’Aquele que em nós fez Sua morada.

No labirinto das ideias, podemos nos perder no caminho da escuridão, mentira, morte, ódio ou, incansavelmente, sermos guiados pelo Espírito, caminhando com Aquele que Se fez Deus conosco, para nos revelar a face de Seu Pai Eterno de Amor, Jesus.

Assim encontraremos não somente a saída, mas o melhor caminho para relações mais humanas e fraternas, marcadas pela luz, verdade, vida e amor, e cremos que somente Jesus, Nosso Senhor, é o Caminho, a Verdade e a Vida.

Trilhando com Ele, o Caminho, pautando nossa vida pela Verdade do Evangelho, teremos vida plena e seremos verdadeiramente livres e não nos perderemos no labirinto das ideias.


PS: Fonte inspiradora (1 Jo 2,3-11)

Três palavras para reflexão: Perseverança, esperança e compromisso

 


Três palavras para reflexão: 

Perseverança, esperança e compromisso

1 – Suplico: “Dai-me, Senhor, a perseverança das ondas do mar, que fazem de cada recuo um ponto de partida para um novo avanço” .(1)

2 – Renovai, Senhor, nossa esperança de um  novo céu e uma nova terra, e enxugai nossos olhos toda lágrima; e que não haja mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor; porque já as primeiras coisas são passadas. (2)   

3 – Tudo está interligado, a Casa Comum, nós que nela habitamos, e toda ação que fazemos tem consequências. Façamos nossa parte no "lockdown" (onda roxa).

 

(1)Poetisa Gabriela Mistral

(2)cf. Ap 21,1-7).

 

De Natã para Davi


Quando nos abrimos ao Espírito...

Quando nos abrimos ao Espírito...

Ah, a vida! A beleza da vida está em suas surpresas, nas repentinas decisões a serem tomadas, e na Sabedoria que nunca nos desampara.

A Sabedoria Divina vem quase imperceptivelmente ao nosso encontro, mesmo que não a supliquemos pela exiguidade do tempo para escuta, reflexão, elaboração de proposta... Ela vem como resposta da alma, do coração...
Quem não viveu semelhante experiência?

Um dia, uma proposição... Se de Deus foi inspiração,
confesso que não sei, verdadeiramente não sei;
Sei apenas que foi acolhida plenamente,
E, a Deus, elevo meu agradecimento alegremente.

Se a Deus agradeço, logo é d’Ele a inspiração!
Vejo na paradoxalidade da minha ignorância,
De Deus a presença e indispensável assistência
Que para o bem da Igreja, concede luz e ciência.

Abrir-se ao Espírito, em Sua atenta escuta,
Nos faz, com Ele, mais profundamente sintonizados
E com indiscutível certeza, mais que fortalecidos,
Em todo momento, amados e assistidos!

Quando nos abrimos ao Espírito,
Delícias infinitas, d’Ele, acolhemos,
E com muito maior acerto, insisto,
As surpresas da vida saborearemos! 

O caminho da felicidade passa pela Cruz

  
O caminho da felicidade passa pela Cruz

Todos desejamos e buscamos a felicidade a cada instante de nossa vida, pois bem sabemos e cremos que Deus nos criou para a felicidade plena, que passa inevitavelmente pela Cruz.

Meditando sobre o tema felicidade, encontrei em um Livro de Oração algumas propostas para alcançá-la.

Embora simples, creio são pertinentes e podem mesmo favorecer para que tenhamos uma vida mais feliz, numa madura relação interpessoal mais fraterna, com notável crescimento humano e espiritual.

Vejamos como podemos percebê-las e vivê-las em nosso dia a dia.

- Elogie três pessoas por dia;
- Cumprimente as pessoas que encontrar pelo caminho;
- Sorria. Não custa nada e não tem preço;

- Saiba perdoar a si e aos outros;
- Trate a todos como gostaria de ser tratado;
- Pratique a caridade;

- Faça novos amigos;
- Reconheça seus erros e valorize seus acertos;
- Dê às pessoas uma segunda chance;

- Respeite a vida;
- Dê sempre o melhor de si, em todos os momentos;
- Reze não só para pedir coisas, mas principalmente para agradecer.

Observando atentamente, veremos que estas atitudes simples nos remetem à passagens do Evangelho, de modo muito especial, ao Sermão da Montanha, quando Jesus nos apresentou a proposta da autêntica felicidade (Mt 5, 1-12).

Um Sermão ouvido na montanha para ser vivido na planície do cotidiano. Pois se as Bem-Aventuranças forem encarnadas, inauguram-se relações de partilha, solidariedade, comunhão e amor, humildade, gratuidade, doação... Ganham vigor as relações fraternas. 

Creio que o caminho da felicidade passa inevitavelmente pela Cruz assumida com maturidade e responsabilidade – “Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome sua Cruz de cada dia e me siga” (Lc 9, 23).

Firmemos nossos passos neste itinerário da fé, com coragem e confiança na ação divina, contando sempre com a força da Oração, que não nos permite desviar do Projeto de vida, alegria e paz que o Senhor tem para todos nós, sempre nos lembrando de Suas Palavras:

“Se vocês obedecerem aos meus Mandamentos, permanecerão
no meu Amor, assim como Eu obedeci aos Mandamentos
de meu Pai e permaneço no Seu Amor. Eu disse isto a vocês
para que a minha alegria esteja em vocês, e a
alegria de vocês seja completa.” (Jo 15, 10-11).

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