terça-feira, 21 de janeiro de 2025

“O Filho do Homem é Senhor também do sábado”(20/01)

                                                            

“O Filho do Homem é Senhor também do sábado”

A Liturgia da terça-feira da 2ª Semana do Tempo Comum nos apresenta a passagem do Evangelho de Marcos (Mc 2,23-28), e refletimos sobre o Dia do Senhor (sábado para os judeus, domingo para os cristãos), que devemos guardar a fim de fazer memória da ação criadora e redentora de Deus com Seu Povo que somos.

No Livro do Deuteronômio (Dt 5,12-15) já nos recordara o preceito do terceiro Mandamento, de guardar o sábado para santificá-lo, sugerindo que seja um dia que exprime a unidade do Povo que celebra a ação libertadora de Deus, sem qualquer tipo de desigualdades.

Temos a enunciação do Mandamento, uma explicação didática de como devemos praticá-lo e uma fundamentação teológica para essa mesma prática.

O referido Mandamento funciona como um símbolo dos deveres para com Javé (Dt 5,6.15) e para com o próximo (Dt 5,14.21).

Somos convidados a regressar aos fundamentos da celebração do Dia do Senhor, tomando a sério o valor do verbo “santificar”.

Santificar o Dia do Senhor implica em adorá-lo, acima de tudo e de todos, mas também implica em viver relações mais justas e fraternas com o próximo, para não incorrermos em nova escravidão.

Voltando aos fundamentos da celebração do Dia do Senhor, viveremos o sábado (ou Domingo), como memorial da libertação do Pecado na Páscoa de Cristo, que atualiza a obra libertadora de Deus da escravidão do Egito.

A celebração do Dia do Senhor tem uma grande dimensão social, sendo dia de descanso para todos, garantindo esse direito, sobretudo aos pobres que se veem assim protegidos pela Lei divina, como nos ensina o Catecismo da Igreja Católica:

“O agir de Deus é o modelo do agir humano. Se Deus ‘descansou’ no sétimo dia, o homem deve também ‘descansar’ e deixar que os outros, sobretudo os pobres, ‘tomem fôlego’. O sábado faz cessar os trabalhos quotidianos e concede uma folga. É um dia de protesto contra as servidões do trabalho e o culto do dinheiro” (n. 2172).

O Papa nos ajuda a compreender a importância do Domingo para os cristãos:

“Precisamos do pão da vida para enfrentar as fadigas e o cansaço da viagem. O Domingo, Dia do Senhor, é a ocasião propícia para haurir a força d'Ele, que é o Senhor da vida.

Por conseguinte, o preceito festivo não é um dever imposto pelo exterior, um peso sobre os nossos ombros. Ao contrário, participar na Celebração dominical, alimentar-se do Pão eucarístico e experimentar a comunhão dos irmãos e irmãs em Cristo é uma necessidade para o cristão, é uma alegria, e assim pode encontrar a energia necessária para o caminho que devemos percorrer todas as semanas.

Um caminho, aliás, não arbitrário: a via que Deus nos indica na sua Palavra vai na direção inscrita na própria essência do homem, a Palavra de Deus e a razão caminham juntas. Seguir a Palavra de Deus e caminhar com Cristo significa para o homem realizar-se a si mesmo; perdê-la equivale a perder-se a si próprio” .

Retomando a passagem do Evangelho e sua mensagem central: quando se faz uma interpretação rigorista dos preceitos da Lei, esta deixa de cumprir a sua missão de estar ao serviço do homem em cada tempo.

Jesus nos convida, por isso, a posicionar-nos ao serviço dos necessitados, tendo em conta que o Dia do Senhor foi feito para o homem, não para fazer do homem um escravo.

O Evangelista Marcos nos convida a centrar nas palavras de Jesus que ajudam a interpretar a sua liberdade diante da instituição do sábado judaico:

O sábado foi feito para o homem e não o homem para o sábado. Por isso, o Filho do homem é também Senhor do sábado” (Mc 2,27-28).

“Diante do poder de Jesus e das necessidades humanas, as coisas sagradas não têm um valor próprio (nem o pão do santuário, no caso de David, nem o sábado, no caso dos discípulos de Jesus ou do homem com a mão atrofiada), mas existem para o bem da humanidade (os pães da proposição para alimentar David e os seus homens, o sábado para o homem e para Jesus); na interpretação de Jesus, é fundamental que o que é sagrado esteja ao serviço do homem...

Jesus escolheu fazer o bem e colocar-Se ao serviço das necessidades humanas, satisfazendo-as, mesmo se isso lhe acarreta a decisão do conluio das autoridades políticas e religiosas contra Ele, para O condenarem à morte” .

Não se trata, portanto, da interpretação libertina ou relativista do sábado, mas de fazer dele o dia da relação com Deus, que vem em auxílio de quem está em necessidade.

As interpretações rigoristas da Lei – como são as dos fariseus no nosso texto – cegam e não deixam ver as necessidades humanas que, na perspectiva de Jesus, são o verdadeiro critério para manter uma atitude livre diante da Lei, sendo assim o cristão prolonga a existência da vida de Cristo, e no Dia Maior, o Domingo, a Ele consagrado, não pode perder de vista os que foram os Seus prediletos, com gestos de amor, solidariedade e partilha.

Por fim, concluímos que todas as instituições, sejam elas religiosas ou civis, devem estar ao serviço da vida humana, para que possam realizar a missão para a qual nasceram, do contrário, perderão a razão de existir.


PS: Citações extraídas de www.Dehonianos.org/portal

Diácono Vicente: Rastro luminoso para todos os tempos! (22/01)

                                                           

Diácono Vicente: Rastro luminoso para todos os tempos!

Celebraremos no dia  22 de janeiro a memória do Diácono Vicente, que morreu mártir em Valência (Espanha), no século IV, durante as terríveis perseguições de Diocleciano, após ter sofrido cruéis tormentos.

Vejamos o que disse o Bispo Santo Agostinho acerca de seu testemunho:

“A vós foi dado por Cristo não apenas crerdes n’Ele, mas também sofrerdes por causa Dele (Fl 1,29), diz a Escritura.

O levita Vicente recebera e possuía um e outro dom. Se não tivesse recebido, como os haveria de possuir? Tinha confiança na Palavra, tinha coragem no sofrimento.

Ninguém, portanto, se envaideça de sua força interior, quando fala; ninguém confie nas próprias forças, quando é tentado; porque se falamos bem e com prudência, é de Deus que vem nossa sabedoria e, se suportamos os males com firmeza, é Dele que vem a nossa força.

Lembrai-vos de como, no Evangelho, Cristo Senhor adverte os que são Seus; lembrai-vos do Rei dos mártires instruindo nas armas espirituais os Seus exércitos, exortando-os para a guerra, dando-lhes ajuda e prometendo a recompensa.

Ele, que disse aos discípulos: No mundo, tereis tribulações, logo acrescenta, a fim de consolar os medrosos: Mas tende coragem! Eu venci o mundo (Jo 16,33).

Por que então nos admiramos, caríssimos, se Vicente venceu Naquele por quem o mundo foi vencido?

No mundo, tereis tribulações, diz o Senhor. O mundo persegue, mas não triunfa; ataca, mas não vence.

O mundo conduz uma dupla batalha contra os soldados de Cristo: Afaga-os para enganá-los, aterroriza-os para quebrá-los.

Que o nosso bem-estar não nos preocupe, não nos assuste a maldade alheia, e o mundo está vencido.

Cristo acorre a ambos os combates e o cristão não é vencido. Se neste martírio se considera a capacidade humana para suportá-lo, o fato torna-se incompreensível; mas se nele se reconhece o poder divino, nada há que admirar.

Era tanta a crueldade que afligia o corpo do mártir, e tanta a serenidade que transparecia de sua voz; era tamanha a ferocidade dos suplícios que maltratavam os seus membros, e tamanha a firmeza que ressoava nas suas palavras que, de algum modo maravilhoso, enquanto Vicente suportava o martírio, julgávamos ser torturada outra pessoa diferente da que falava. E era realmente assim, irmãos, era assim mesmo: Era outro que falava.

No Evangelho, Cristo prometeu também isto a Suas testemunhas, ao prepará-las para tais combates.

Falou deste modo: Não fiqueis preocupados em como falar ou o que dizer. Com efeito, não sereis vós que havereis de falar, mas sim o Espírito do Vosso Pai é que falará através de vós. (Mt 10,19-20).

Por conseguinte, a carne sofria e o Espírito falava; e enquanto o Espírito falava, não apenas era vencida a impiedade, mas também a fraqueza era confortada”. (1)

O Diácono e Mártir São Vicente é uma página memorável da vida da Igreja, um rastro luminoso!

Há muitas outras pessoas que passaram na história e deixaram rastros luminosos, porque se moveram fortalecidos pela âncora da Ressurreição, em adesão incondicional ao Senhor,  e viveram intensamente o que Paulo disse: “Tudo posso n’Aquele que me fortalece” (Fl 4,13).

Diante de tão belo testemunho, vemos que ainda nos falta um longo caminho a percorrer...

Supliquemos ao Senhor os dons do Espírito, para continuarmos a nossa missão, sem esmorecimentos e sem da luta fugir.

Oremos:

“Deus eterno e todo poderoso, infunda em nossos corações o Santo Espírito, para que sejamos fortalecidos pelo mesmo intenso amor que levou São Vicente a vencer os tormentos do martírio. Por N. S. J. C. Amém!”


(1) Dos Sermões de Santo Agostinho, Bispo (Séc. V) - cf. Liturgia das Horas - páp. 1202-1203.

segunda-feira, 20 de janeiro de 2025

“Santas Inês” de todos os tempos: Paixão incondicional por Cristo! (parte I)(21/01)

                                                                     

“Santas Inês” de todos os tempos:                          
  Paixão incondicional por Cristo!
                                              
Celebramos no dia 21 de janeiro a Memória de Santa Inês, e ela é um dos muitos testemunhos da Igreja que nos levam à reflexão e revigoramento indispensável da fé. 

Reflitamos sobre o seu, conforme o texto que o Bispo Santo Ambrósio (séc. IV) escreveu sobre ela.

“Celebramos o natalício de uma virgem: Imitemos sua integridade; é o natalício de uma mártir: ofereçamos sacrifícios.
É o aniversario de Santa Inês.

Conta-se que sofreu o martírio com a idade dos doze anos. Quanto mais detestável foi a crueldade que não poupou sequer tão tenra idade, tanto maior é a força da fé que até naquela idade encontrou testemunho.

Haveria naquele corpo tão pequeno lugar para uma ferida? Mas aquela que quase não tinha tamanho para receber o golpe da espada, teve força para vencer a espada.

E isto numa idade em que as meninas não suportam sequer ver o rosto zangado dos pais e choram como se uma picada de alfinete fosse uma ferida!

Mas ela permaneceu impávida entre as mãos ensanguentadas dos carrascos, imóvel perante o arrastar estridente dos pesados grilhões. Oferece o corpo à espada do soldado enfurecido, sem saber o que é a morte, mas pronta para ela.

Levada a força até os altares dos ídolos, estende as mãos para Cristo no meio do fogo, e nestas chamas sacrílegas mostra o troféu do Senhor vitorioso.

Finalmente, tendo que introduzir o pescoço e ambas as mãos nas algemas de ferro, nenhum elo era suficientemente apertado para segurar membros tão pequeninos.

Novo gênero de martírio? Ainda não preparada para o sofrimento e já moldura para a vitória! Mal sabia lutar e facilmente triunfa! Dá uma lição de firmeza apesar de tão pouca idade!

Uma recém-casada não se apressaria para o leito nupcial com aquela alegria com que esta virgem corre para o lugar do suplício, levando a cabeça enfeitada não de belas tranças, mas de Cristo, e coroada não de flores, mas de virtudes.

Todos choram menos ela. Muitos se admiram de vê-la entregar tão generosamente a vida que ainda não começara a gozar, como se já tivesse vivido plenamente. Todos ficam espantados que já se levante como testemunha de Deus quem, por causa da idade, não podia ainda dar testemunho de si.

Afinal, aquela que não mereceria crédito se testemunhasse a respeito de um homem, conseguiu que lhe dessem crédito ao testemunhar acerca de Deus. Pois o que está acima da natureza, pode fazê-lo o Autor da natureza.

Quantas ameaças não terá feito o carrasco para incutir-lhe o terror! Quantas seduções para persuadi-la! Quantas propostas para casar com algum deles! Mas sua resposta foi esta: É uma injúria ao Esposo esperar por outro que me agrade.

Aquele que primeiro me escolheu para Si, esse é que me receberá. Por que demoras, carrasco? Pereça este corpo que pode ser amado por quem não quero! Ficou de pé, rezou, inclinou a cabeça.

Terias podido ver o carrasco perturbar-se, como se fosse ele o condenado, tremer a mão que desfecharia o golpe, e empalidecerem os rostos temerosos do perigo alheio, enquanto a menina não temia o próprio perigo.

Tendes, pois numa única vítima um duplo martírio: O da castidade e o da fé. Inês permaneceu virgem e alcançou o martírio”.

Santa Inês é uma das Santas mais antigas do cristianismo. Sua existência transcorreu entre os séculos III e IV, sendo martirizada durante a décima perseguição ordenada contra os cristãos, desta vez imposta pelo terrível imperador Diocleciano, em 304.

Inês, em grego, significa pura e casta, e em latim, cordeiro. Ela pertencia a uma rica, nobre e cristã família romana. Isso lhe possibilitou receber uma educação dentro dos mais exatos preceitos religiosos, o que a fez tomar a decisão precoce de se tornar “esposa de Cristo”.
  
Mais uma vez Deus escolheu “os fracos” para confundir “os fortes”,
“os loucos” para confundir “os sábios”: Loucura da Cruz!

“Santas Inês” de todos os tempos: Paixão incondicional por Cristo! (Parte II)(21/01)

                                              

“Santas Inês” de todos os tempos:
  Paixão incondicional por Cristo!                            

Faço memória dos inocentes de todos os tempos, e aprendo com Inês: tão pequenina, tão inocente, tão frágil, ao mesmo tempo, tão grande, tão sábia, tão forte.

Quanto Santa Inês tem a nos ensinar... Ainda que o tempo nos separe, não nos deve separar jamais sua presença e testemunho, e que esta reflexão nos ajude em nossa espiritualidade, no seguimento apaixonado e incondicional pelo Senhor, como o fez a tão bela e pequena Santa Inês:

Para a Igreja, Santa Inês é o próprio símbolo da inocência e da castidade, que ela defendeu com a própria vida.

A ideia da virgindade casta foi estabelecida na Igreja justamente para se contrapor à devassidão e aos costumes imorais dos pagãos.

Inês levou às últimas consequências a escolha que fez a esses valores.

Falar da vida desta que bebeu na Fonte da Vida, que fez resplandecer sem medida a Luz Divina, é falar de alguém:

- Que foi decididamente e profundamente apaixonada por Cristo, como o devemos também ser;
- Que traz a todo tempo mensagem de inocência, pureza e castidade, sobretudo num mundo marcado pela permissividade e devassidão;

- Que vive o que professa, professa o que vive, dissipando toda possibilidade de incoerência: lição de firmeza e convicção;
- Que fez das coisas divinas valores absolutos, anunciando a relatividade de todas as coisas temporais;

- Que encontrou o gozo nas delicias divinas e eternas e não naquilo que oferece prazeres parciais e temporais;
- Que se tornou modelo de confiança no poder de Deus para além de toda aparência de fraqueza: releitura humana da onipotência divina, releitura divina da fraqueza humana…

A vida de Inês também nos ensina que a vida, mais do que pela quantidade de anos vividos, vale pela intensidade com que foram vividos.

Além do que nos leva a refletir nas “tantas Inês” que morrem precocemente, vítimas da violência de cada tempo.

Bem perto de nós mais uma Inês está sendo violentada, agredida em sua dignidade.

Talvez não exatamente como o martírio desta grande menina, mas de outras tantas formas cruéis:

“Inês” inocentes de Gaza, “Inês” martirizadas pelo não amor. “Inês” mortas precocemente por causa do egoísmo que condenam à fome, à doença pelo mundo afora.

Ó que belas lições com Inês a aprender, 
e em nossa vida, em prática colocarmos!

Com a força do Espírito, que com ela esteve, 
continue em nosso coração a resplandecer, e, 
com vigor renovado, jamais esmorecer! 

Sedentos do Vinho Novo (19/01)

                                                          

Sedentos do Vinho Novo

 “O Amor de Deus foi
derramado em nossos corações.”

Ouvimos na segunda-feira da 2ª Semana do Tempo Comum a passagem do Evangelho de Marcos (Mc 2,18-22), em que Jesus nos questiona: “os convidados de um casamento poderiam, por acaso, fazer jejum, enquanto o noivo está com eles? Enquanto o noivo está com eles, os convidados não podem jejuar” (Mc 2,19).

À luz de um dos Sermões de um autor anônimo do século VI, refletimos sobre a unidade da Igreja que, recebendo o dom do Espírito Santo, fala todas as línguas, de modo que todos se comunicam e se entendem.

“Os Apóstolos começaram a falar em todas as línguas. Aprouve a Deus, naquele momento, significar a presença do Espírito Santo, fazendo com que todo aquele que O tivesse recebido, falasse em todas as línguas.

Devemos compreender, irmãos caríssimos, que se trata do mesmo Espírito Santo pelo qual o Amor de Deus foi derramado em nossos corações.

O amor haveria de reunir na Igreja de Deus todos os povos da terra. E como naquela ocasião um só homem, recebendo o Espírito Santo, podia falar em todas as línguas, também agora, uma só Igreja, reunida pelo Espírito Santo, se exprime em todas as línguas.

Se por acaso alguém nos disser: ‘Recebeste o Espírito Santo; por que não falas em todas as línguas?’ devemos responder:

‘Eu falo em todas as línguas. Porque sou membro do Corpo de Cristo, isto é, da Sua Igreja, que se exprime em todas as línguas. Que outra coisa quis Deus significar pela presença do Espírito Santo, a não ser que Sua Igreja haveria de falar em todas as línguas?’

Deste modo, cumpriu-se o que o Senhor tinha prometido: Ninguém coloca vinho novo em odres velhos. Vinho novo deve ser colocado em odres novos. E assim ambos são preservados (cf. Lc 5,37-38).
       
Por isso, quando ouviram os Apóstolos falar em todas as línguas, diziam alguns com certa razão: Estão cheios de vinho (At 2,13).

Na verdade, já se haviam transformado em odres novos, renovados pela graça da santidade, a fim de que, repletos do vinho novo, isto é, do Espírito Santo, parecessem ferver ao falar em todas as línguas.

E com este milagre tão evidente prefiguravam a universalidade da futura Igreja, que haveria de abranger as línguas de todos os povos.

Celebrai, pois, este dia como membros do único Corpo de Cristo.

E não o celebrareis em vão, se realmente sois aquilo que celebrais, isto é, se estais perfeitamente incorporados naquela Igreja que o Senhor enche do Espírito Santo e faz crescer progressivamente através do mundo inteiro.

Esta Igreja Ele reconhece como Sua e é por ela reconhecida como seu Senhor. O Esposo não abandonou sua esposa; por isso ninguém pode substituí-la por outra.

É a vós, homens de todas as nações, que sois a Igreja de Cristo, os membros de Cristo, o corpo de Cristo, a esposa de Cristo, é a vós que o Apóstolo dirige estas palavras:

Suportai-vos uns aos outros com paciência, no amor. Aplicai-vos em guardar a Unidade do Espírito pelo vínculo da paz (Ef 4,2-3).

Reparai como, ao lembrar o Preceito de nos suportarmos uns aos outros, falou-nos do amor, e quando Se referiu à esperança da unidade, pôs em evidência o vínculo da paz.

Esta é a casa de Deus, edificada com pedras vivas. Nela o Eterno Pai gosta de morar; nela Seus olhos jamais devem ser ofendidos pelo triste espetáculo da divisão entre Seus filhos.”

Acolhamos o dom do Espírito Santo, e com Ele o Amor de Deus, que é derramado em nossos corações; somos membros do único Corpo de Cristo, e assim devemos viver e agir.

Somos membros de uma Igreja, edificada com pedras vivas, e todo esforço deve ser feito para que se supere o “triste espetáculo da divisão entre Seus filhos”, como refletimos na conclusão do Sermão.

Envolvidos pelo Amor de Deus derramado em nossos corações pelo Espírito Santo, que preenche nossos corações, com coragem e ousadia, sejamos arautos contumazes e intrépidos da “Alegria do Evangelho”, eternos aprendizes da mais bela linguagem universal: a linguagem do Espírito Santo, a linguagem de Deus, que consiste na linguagem do Amor.

Com o coração renovado, a cada dia, acolhamos o Vinho Novo do Amor de Deus e, uma vez transbordante, seja derramado a quantos precisarem, porque sedentos de amor, vida, alegria e paz.

O Senhor conhece nossas fragilidades (19/01) ímpar

                                                             

O Senhor conhece nossas fragilidades

Na segunda-feira da segunda semana do Tempo comum (ano ímpar), ouvimos a passagem da Epístola aos Hebreus (Hb 5, 1-10), em que o autor nos apresenta Jesus como o Sumo Sacerdote da Nova Aliança, que Se solidariza com a humanidade e aponta o caminho da Salvação, através da obediência e fidelidade a Deus.

O autor escreve para estimular a vida cristã. É imperativo do crescimento na fé, e nos impressiona ele como descreve Jesus, verdadeiramente homem e verdadeiramente Deus, como fora definido pelos Concílios.

Como homem, sofreu, chorou, teve medo, angústia, cansaço. Viveu entre os homens, compreendeu as fraquezas humanas. Fez-Se igual a todos nós, exceto no pecado.

Somente na oração pôde viver a adesão incondicional ao Pai, fazendo de Sua vida uma perfeita oferenda, como fonte de Salvação eterna.

Ele, Ressuscitado, caminha conosco, e, conhecedor das fragilidades humanas, pôde cumprir integralmente o Projeto de Amor do Pai para toda a humanidade, ontem, hoje e sempre. 

São Sebastião: modelo de coragem e fidelidade (20/01)

                                                           


São Sebastião: modelo de coragem e fidelidade

À luz do Comentário do Salmo 118, escrito pelo Bispo Santo Ambrósio (séc. IV), reflitamos sobre o testemunho dado por São Sebastião, santo e mártir da Igreja, uma fiel testemunha de Cristo, cuja memória é celebrada no dia 20 de janeiro.

’É preciso que passemos por muitos sofrimentos para entrar no Reino de Deus (At 14,22).

A muitas perseguições, correspondem muitas provações; onde há muitas coroas de vitória, deve ter havido muitas lutas. Portanto é bom para ti que haja muitos perseguidores, pois entre muitas perseguições mais facilmente encontrarás o modo de seres coroado.

Tomemos o exemplo do mártir Sebastião; hoje é seu dia natalício. É originário daqui, de Milão. Talvez o perseguidor já tivesse se afastado ou talvez ainda não tivesse vindo a este lugar, ou fosse mais condescendente. De qualquer modo, Sebastião compreendeu que aqui, ou não haveria luta, ou ela seria insignificante.

Partiu então para Roma, onde por causa da fé havia uma tremenda perseguição. Lá sofreu o martírio, isto é, lá foi coroado. Assim, no lugar onde chegara como hóspede, encontrou a morada da eterna imortalidade. Se só houvesse um perseguidor, talvez este mártir não tivesse sido coroado.

Mas o pior é que os perseguidores não são apenas os que se veem; há também os invisíveis, e estes são muito mais numerosos.

Assim como um único rei perseguidor envia muitas ordens de perseguição, e desse modo em cada cidade ou província há diversos perseguidores, também o diabo envia muitos servos seus para moverem perseguições, não apenas exteriormente, mas interiormente, na alma de cada um.

Sobre tais perseguições foi dito: Todos os que querem levar uma vida fervorosa em Cristo Jesus serão perseguidos (2Tm 3,12). Disse todos, sem exceção. Pois quem de fato poderia ser excetuado, se até o próprio Senhor suportou os tormentos das perseguições?

Quantos há que, às ocultas, todos os dias, são mártires de Cristo e proclamam que Jesus é o Senhor! O apóstolo Paulo, testemunha fiel de Cristo, conheceu este martírio, pois afirmou: A nossa glória é esta: o testemunho da nossa consciência’(2Cor 1,12)”.

São Sebastião morreu mártir em Roma (séc. III), no começo da perseguição de Deocleciano. Como vemos uma corajosa testemunha do Senhor no seu tempo, e que muito nos encoraja em nosso testemunho no tempo presente.

Grande é a devoção popular por este santo, mas também grande deve ser o empenho de todos nós, para que vivamos a mesma coragem e fidelidade por ele alcançadas.

Oremos:

“Dai-nos, ó Deus, o espírito de fortaleza, para podermos, instruídos  pelo glorioso exemplo de São Sebastião, obedecer mais a Vós do que aos homens. Por Nosso senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, que é Deus e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos do séculos. Amém.”

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